A senhora e o cavador

 

Era uma vez uma senhora que geria uma propriedade agrícola. Certo dia, um dos dois cavadores morreu e, para poupar dinheiro, a senhora decidiu que era melhor não contratar mais ninguém. O outro cavador ainda se queixou, mas lá foi fazendo o trabalho dele e o do falecido.

A senhora, um dia, sempre preocupada em poupar dinheiro, resolveu que a enxada do cavador era muito cara e substituiu-a por um modelo mais em conta. O cavador ainda disse que isto assim ia ser difícil, menina, se ao menos arranjasse mais um cavador, qualquer dia a terra não ia render. [Read more…]

Uma abordagem teórica da resistência, aliada à resiliência

Por Jorge Jesus: «Se [fosse] possível, não tinha folgas, para estar sempre a treinar.». Resistência. Resiliência. Ao cuidado do João Mendes e do João L. Maio.

Medições penianas ou a zona confortável do pensamento

créditos: o genial Susano Correia

O que mais me incomoda nas discussões que vejo, ouço, ou tenho, é a concepção de medição peniana que elas acabam por ganhar, a certa altura. Parece algo tão certo como a morte ou os impostos.

Digo medição peniana porque, como este acto, tem origem na fragilidade. Se os homens que são obcecados pelo seu tamanho revelam, quanto a mim, uma fragilidade na sua masculinidade, as pessoas que adoptam a mesma postura, a mesma estrutura de pensamento, noutro tipo de discussões, têm a mesma fragilidade nas suas convicções.
É comum vermos este tipo de acontecimento na discussão política. [Read more…]

Em Tavira: Disneylândia para idosos à custa da agricultura local

Mais um exemplo do desprezo dos governantes – neste caso do Ministério da Agricultura e da DRAP/Algarve, com a conivência da Câmara de Tavira – pelos cidadãos e pela (pequena e média) produção agrícola local e, simultaneamente, exemplo gritante da fossanguice pelo negócio: Em vez de Centro de Experimentação Agrícola, o CEAT de Tavira vai ser capturado para, entre outros, passar a albergar um „Campus“ no qual pessoas idosas usarão videojogos desenhados pela Marvel e pela Disney para manter as suas capacidades físicas e cognitivas. Não é piada. Em compensação, o edifício que devia continuar a apoiar os agricultores locais através da formação, deixa de ter lugar nestas instalações.

Estão em causa “cinco a seis milhões de euros”, que serão financiados com verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) “já disponibilizadas e que poderão ser reforçadas com outras verbas do PRR e outros fundos europeus”.

Acho que chegámos ao pináculo do absurdo.

Aqui fica a nota de imprensa do Movimento de Cidadãos em Defesa do CEAT:

Centro de Experimentação Agrária em Tavira ou Health Club?

Agricultores e cidadãos organizam marcha de protestoo CEAT também é dos Agricultores” a acontecer no dia 03 de Dezembro pelas 16h00, com início frente à Câmara Municipal de Tavira e fim frente ao Centro de Experimentação Agrária de Tavira (junto à estação de comboios de Tavira).

Convoca-se a participação de tod@s.

Esta manifestação decorre enquanto se discute o plano estratégico nacional da política agrícola comum (PEPAC).

Cidadãos, Agricultores biológicos e pequenos e médios agricultores tradicionais marcam presença.

Agricultores e cidadãos reivindicam infraestruturas de apoio no CEAT, espaço público do estado português tutelado pelo Ministério da Agricultura. Denunciam destruição do conceito de “centro agrário” e a total deturpação do propósito histórico para o qual foi desenvolvido este espaço que conta com 95 anos de existência. Exigem que a Delegação do Sotavento da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve apoie e sirva os agricultores os quais são justamente os garantes da segurança alimentar e da produção dos produtos que alicerçam os valores e princípios da apregoada Dieta Mediterrânica e da alimentação sustentável, afirmam, encontram-se em “vias de extinção” e enfrentam inúmeras dificuldades, nomeadamente a falta de suporte e infra estruturas públicas que assegurem a formação de agricultores e trabalhadores agrícolas no âmbito de cursos práticos de poda, enxertia, apicultura, horticultura, fruticultura, máquinas agricultura, competências ligadas às cadeias de produção e comercialização, bem como de carências no que concerne à aprendizagem de práticas mitigadoras das mudanças climáticas no âmbito duma agricultura regenerativa, biológica ou tradicional, só para mencionar algumas.

Para já os agricultores ficaram “sem casa”. O actual plano para um novo Pólo de Inovação para a Alimentação Sustentável (Terra Futura) privilegia na prática todo o tipo de entidades, actividades e interesses menos os interesses dos agricultores e de uma agricultura realmente sustentável, preservadora da biodiversidade e produtora de alimento bom, limpo e justo. Cidadãos de várias cidades do Algarve e do País já confirmaram presença na marcha de protesto que está marcada para o próximo dia 3.

Na sessão ocorrida ontem (dia 24 de Novembro de 2021), de apresentação da nova  arquitectura para o Centro de Experimentação Agrária de Tavira (CEAT),  como polo de inovação, foi tudo muito bonito mas para os agricultores não há lugar naquela que deveria ser a casa dos agricultores, de apoio a todos os agricultores. O edificado que é historicamente para a formação dos agricultores passa para a ABC Biomedical Center e porventura o restante edificado é entregue a outras “entidades” sem qualquer ligação direta à agricultura, não tendo sido dada nem uma palavra para a formação e para estruturas de suporte às actividades de agricultores.

Ficamos a saber que a antiga estação agrária de Tavira vai receber um campus ligado à dieta mediterrânica, mais um centro digital de bem-estar e cuidado no envelhecimento.  Através de um protocolo assinado entre a Algarve Biomedical Center, a autarquia tavirense e a Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve, atribuem a essa clínica o edifício que sempre serviu para dar formação aos agricultores. Esse  edifício  foi historicamente o local da formação dos agricultores, porque  tem condições e está vocacionado para tal: tem cantina, sala de convívio, quartos para alojamento, 30 hectares de terra para praticar. Nele se realizaram cursos de tratoragem, de podas, jornadas, intercâmbios, concursos, convívios e trocas de experiências.

Mais, divulgamos informação que não foi mencionada na sessão de anteontem mas que está explícita na TERRA FUTURA – Agenda de Inovação para a agricultura – GPP : o pólo de alimentação saudável de Tavira é o único pólo não agrícola do país!  Supomos que na sequência de decisão unilateral da Capital do nosso país que pretende continuar a olhar o território Algarvio como um grande resort turístico. Denote-se que também o Algarve já não tem curso de agronomia no pólo do INIAV- Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, apesar de conter inúmeras tradições agrícolas centenárias e nichos de mercado específicos dadas as suas condições climatéricas.

Como se pode constatar no mesmo documento, comparativamente ao sucedido noutros pólos de inovação existiram 0 (zero) processos de auscultação pública no Algarve. Na apresentação do programa destaca-se o primordial envolvimento da população e produtores,  que aconteceu em todo o lado,  menos no Algarve. A apresentação do processo de decisão como democratico e que incorpora os cidadãos e produtores nas decisões é falso, nunca foi feito no Algarve, e sabendo a DRAPAlg da existência de um movimento para manter parte do CEAT activo e debruçado no desenvolvimento da agricultura sustentável e agroecológica de acordo com os objectivos ODS, vemos agora que a UE, os agricultores e cidadãos consumidores foram enganados, num teatro de consulta democrática que só aconteceu na teoria. Na prática as decisões de utilização do espaço foram centralizadas e desviou-se para a nutrição e gerontologia os parcos recursos dedicados ao desenvolvimento do sector de pequena agricultura e agricultura agroecológica. Portanto: desvio de verbas e não auscultação pública e real. Informamos que este movimento somente soube que o edificado, que era destinado a dar apoio às actividades de agricultores, passava para o ABC Biomedical Center durante a sessão protocolar de dia 24 no CEAT.

Em anexo seguem as respectivas imagens da apresentação do projecto do GPP. Denotem, apesar de vir incluído na dita agenda, claramente o pólo de Tavira não se enquadra, nem aparece no mapa das cadeias de valor e inovação – no Algarve apenas aparece o centro do Patacão.

Por via do PRR, o programa de inovação da Agricultura dispõe de “ 36 milhões para renovação/requalificação de 24 polos da rede de inovação, capacitando-os em termos de infraestruturas e equipamentos de forma a dar resposta aos desafios que se avizinham, na sua área de especialização. O Aviso N.º 01/C05-i03/2021 foi lançado no passado dia 9 de setembro e o período de candidatura decorre até o dia 31 de Março de 2022.O IFAP é o beneficiário intermediário e os beneficiários finais são as entidades a quem está afeto o património do Pólo da Rede de Inovação.” Por via desta e de outras medidas, o PRR destina ao todo 92 milhões de euros para a inovação da Agricultura, porém e no que concerne à arquitectura por agora desenhada para a revitalização do CEAT/Pólo de Alimentação Sustentável, de tamanha verba não é destinado nada na prática para infra estruturas e equipamentos de suporte à especialização de agricultores.

Na sessão de anteontem todo o discurso foi sobre alimentação, mudanças climáticas, importância das cadeias curtas de comercialização, segurança alimentar, alimentação de proximidade e sazonal, com alimentos da época; mas em todo este discurso e no âmbito daquilo que serão as estruturas do novo pólo de inovação praticamente não se ouviu uma medida estrutural de suporte aos agricultores, para aqueles que podem garantir um leque variado de alimentos a nível local. Para esses que estão em “vias de extinção”, ou para os que querem iniciar essa actividade e que se deparam com um preço exorbitante da terra, bem como com imensos desafios, porque mesmo que recorram a apoios institucionais, têm que ter capital inicial para investir.

Em Tavira, a valorização e o  preço da terra subiu de 100% no espaço de dois anos e 2400% no espaço de uma década. Dados do último recenseamento agrícola indicam que há menos 15 mil explorações activas apesar do aumento da superfície agrícola útil. Ou seja, perderam-se pequenos e médios agricultores, mas as áreas de agricultura intensiva de sobreexploração e o interesse dos investidores, principalmente estrangeiros, sequiosos de recursos globalmente escassos como solo, água e clima não pára de aumentar.

Ora para que exista a produção de alimentos em pequena escala e multiproduto, para garantir a tão propalada segurança alimentar, tem que se criar condições para que os agricultores produzam, ou sequer existam. Um dos maiores problemas na agricultura actual é o da formação e da existência  de pessoal que saiba trabalhar na agricultura. Estarão a acabar com o conceito de “posto agrário”? a alimentação sustentável é alicerçada em quem? com produtos variados de onde? quem é que sabe trabalhar hoje em dia para produzir a alimentação apregoada? o CEAT transformou-se de centro agrário em centro de alimentação? e essa alimentação é proveniente de quem? e como é que é produzida?

Talvez a primeira ideia que se deveria ter equacionado projetar para aquele espaço fosse a criação de um pólo de formação profissional (género escola agrícola) ou ainda um politécnico (género escola superior agrária) onde houvesse ao mesmo tempo serviços de apoio aos agricultores da região.

É inadmissível Tavira estar tão afastada da formação dos jovens e do apoio aos agricultores, tomando em linha de conta a importância estratégica que já teve no passado, ao nível da região do Algarve, e das infraestruturas que o CEAT possui direcionadas para investigação, apoio e preservação de património agrícola, mas também tendo em linha de conta o presente actual e um futuro a longo prazo.

Defendemos a existência do centro de dieta Mediterrânea. Mas não podemos aceitar que, num centro de formação e experimentação agrária uma das primeiras acções a cumprir seja dar o edifício dedicado à formação dos agricultores (não só de Tavira, mas da região e até do país), e outros edifícios, a diversas entidades, SEM sequer terem estabelecida a logística e a calendarização para o suporte e formação dos agricultores;  isso é a demonstração de que os  discursos repetem o que no momento “fica bem” dizer, mas as decisões continuam no sentido de gastar o dinheiro sem ter em conta o que é fundamental para que o país ganhe independência alimentar e para que os benefícios fruam para  todos os cidadãos. Falam em “alhos” e as decisões são sobre “bugalhos”.

Se o Movimento de Cidadãos em Defesa do CEAT conseguiu travar a estrada para ali proposta pela Câmara Municipal – trata-se de contar a história correctamente – também irá conseguir o seu objectivo principal, a Revitalização do CEAT como centro de experimentação agrária.

Tavira, 26 de Novembro de 2021

Movimento de Cidadãos pelo CEAT e Hortas Urbanas de Tavira

 

 

O turbilhão educativo

No país onde os governantes adoram justificarem-se com o que se faz lá fora, seria óptimo se olhassem para este exemplo da California.

Every eight years, a group of educators comes together to update the state’s math curriculum framework. (…)
Its designers are revising it now [uma alteração curricular] and will subject it to 60 more days of public review. [Slash[dot]

Repare-se no detalhe da revisão apenas a cada oito anos e com consulta pública, comparando-se com o hábito nacional das alterações educativas anuais (curriculares e outras), feitas em cima do joelho e em modo prepotente.

Negacionismo

da Grande Mentira. Basta seguir a argumentação de geometria variável.

Para reflexão, disse Ramalho Eanes em 2015

“Momentos fracturantes não se comemoram, recordam-se”.

Façamo-lo, neste 25 de Novembro.

Concorda?

Alguém perguntou alguma coisa ao cavalheiro que falou em nome da dita associação? Será que os “diretores” se reuniram em plenário para decidir sobre o tema? E terão feito um curso intensivo de virologia para emitir opinião? Talvez o tenham feito ao mesmo tempo que Marcelo, nesse lugar onde a grande maioria dos portugueses também o fez.

25 de Novembro, sempre!

Hoje é dia de celebrar uma das datas mais importantes na nossa democracia e que continua a ser lamentavelmente deixada de lado. O 25 de Novembro simboliza a resistência democrática contra aqueles que queriam tirar Portugal das mãos do povo e colocar nas mãos de Moscovo.

Infelizmente, temos uma parte da direita que glorifica esta data ignorando a importância do 25 de Abril e temos uma esquerda, cada vez mais alargada, que faz questão de defender que o 25 de Abril é muito mais importante, mesmo quando ninguém coloca isso em causa. É claramente um mau a perder por não terem conseguido o real objetivo das forças mais radicais.

Mais do que celebrar esta data, não nos devemos esquecer de todas as atrocidades antidemocráticas realizadas nesse período, nas vozes que foram caladas. Tempos em que havia esquerda e a direita que a esquerda permitia que houvesse. Um democrata não pode aceitar isto.

Estamos em 2021 e a luta pela liberdade e pela democracia está inacabada. Os nossos standards devem ser mais exigentes do que no passado e devem ser menos exigentes do que no futuro. A democracia e a liberdade são bens tão importantes e frágeis, que faz parte da sua natureza estarem em perigo. Antes um exagero pela defesa da liberdade do que espasmos em defesa de um Estado todo poderoso. Continuamos um país atrasado, que dá pouca importância às suas liberdades.

Portugal é um país que protesta que todos os políticos são maus, mas teima em aceitar que estes tenham cada vez mais poder para mandar na vida das pessoas. Os políticos são maus, mas aplaudimos que possam decidir, sem critério, os nossos meses.

No dia em que celebramos o dia em que evitamos cair nas mãos comunistas, sabemos que voltamos a um confinamentos disfarçado, porque é para o nosso bem. Como se um pequeno grupo de pessoas soubesse o melhor para todos do que as próprias vítimas desta hipocondria.

Defendamos a liberdade, gente.

As 1001 mentiras de André Coisinho e os Liberais a aproveitar o restolho

André Ventura foi ao Twitter dizer que, qual mártir da honestidade, abdicou do salário de deputado municipal “com enorme desapego”, cargo para o qual foi eleito nas últimas autárquicas.

Acontece que tal é impossível, pois o salário de deputado municipal…não existe. Pessoalmente, também não costumo ter apego por aquilo que não existe. Mas isso sou eu, um patego!

Não ter um pingo de vergonha na cara: lição 2348

Noutra notícia, nada relacionada: então parece que a Iniciativa Liberal quer pescar no Chega? Sabemos que a extrema-direita é o Plano B do Neo-liberalismo. Só não sabíamos que iria ser tão rápido.

João Cotrim Figueiredo, em declarações à LUSA, aqui citadas pelo pasquim da Manhã

Quando o Pai – que é como quem diz, o PSD – espirra, os filhos – que é como quem diz, o CH e a IL – constipam-se. E tudo isto com o primogénito – que é como quem diz, o CDS – em fase terminal num Hospital Privado. 

Não seja piegas, ministra Temido!

Porventura não, ministra Temido: a competência técnica dos médicos é aquilo que permite diagnosticar, prescrever soluções e salvar vidas dos utentes do SNS, essa coisa subfinanciada e com falta de operacionais em toda a linha que está sob sua tutela.

A solução não passa por mais resiliência. Essa solução, em tempos aventada noutras circunstâncias por Pedro Passos Coelho, não serve o país e os portugueses. Chamar piegas aos médicos não resolve nada. O que resolve é contratar mais profissionais de saúde, de todas as áreas, especializações e competências, para reforçar o SNS. É criar condições para garantir a exclusividade destes profissionais. É tratá-los com dignidade e valorizar as suas carreiras. É investir em vez de simular rubricas orçamentais para cativar.

Portanto, senhora ministra, faça lá o seu trabalho, para o qual lhe pagamos muito bem, com todas as condições e regalias com as quais funcionário público algum sonha, seja médico, professor ou técnico camarário, e não seja piegas, ok?

Ou teimosia

Vamos falar de resiliência? Ora então, pergunto: por que razão teimam os Governos de PS e PSD em ser tão estupidamente resilientes à sua própria estupidez?

Caranguejola alemã

Imaginem que o PS faz uma coligação com o PAN e com a IL, mas em alemão.

É o novo governo da Alemanha. Por cá, tivemos uma Geringonça. Por lá, criaram a Caranguejola.

Mas há várias diferenças: o SPD não se chama “socialista”, os Verdes não têm uma líder com estufas no Barreiro e os do FDP são mesmo liberais.

Passos Coelhização do PS?

Fonte: SIC Notícias

Depois de António Costa ter saído de uma reunião com a CIP a pedir desculpa aos patrões, qual amigo de quatro patas a aninhar-se junto ao dono, depois de fazer cocó no hall de entrada, eis que é agora Marta Temido, ministra da Saúde, a reagir às demissões no SNS, com, como dizer?… Alguma piada.

Disse assim, a ministra: “queixem-se menos, senhores doutores!”.

O fantasma de Pedro Passos Coelho deixou marcas tão profundas no país que, ao ver o seu partido de pau mole, decidiu infiltrar-se no PS. Realmente, há gente muito piegas[Read more…]

Paulo Rangel e a Comunidade LGBTQIA+ do PSD

Estou persuadido de que Rangel obterá uma vitória significativa nas eleições internas, talvez por ser o primeiro candidato a líder que consegue arregimentar, em torno de si, a vastíssima, embora silenciosa, Comunidade LGBTQIA+ do PSD.
A ver vamos

O estupor que nos devia causar estupor

Num País comatoso, sem rasgo chama ou arrojo, a verdade é que nada nem ninguém conseguem causar estupor. O máximo que esta nulidade humana nos consegue arrancar, será um “encolher de ombros” resignado e um impropério terapêutico, mas inútil.

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«Desesperado, ficou de joelhos no relvado»

Efectivamente. De facto. Exactamente. Como diria Guardiola, «son cosas que pasan».

A lógica da batata austríaca

A Áustria iniciou esta terça-feira o segundo dia de um confinamento que durará duas semanas e que tem como objectivo conter o aumento de casos de covid-19. O país tinha decretado um confinamento para quem não estava vacinado, o que tinha já levado a um aumento maciço de pessoas nos centros de vacinação. Mas o chanceler, Alexander Schallenberg, disse que não chegou. “As medidas mais recentes aumentaram a vacinação diária, mas não o suficiente.” [PÚBLICO]

Portanto, não vacinados não podiam circular para não infectar. Sobraram os vacinados à solta mas o contágio não parou. Conclui-se uma de duas coisas. Ou a polícia austríaca é ineficaz a controlar os não vacinados e estes continuaram a sair de casa ou os vacinados transmitem a doença e a perseguição aos não vacinados é parva.

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Rendeiro e o empreendedorismo sociopata

A lata do bankster Rendeiro, em entrevista à CNN Portugal, a afirmar que só regressa ao país ilibado ou com um indulto, não surpreende ninguém. É o espelho da fina flor de uma oligarquia de delinquentes sociopatas, que abunda neste país e que se acha – e está – acima da lei e da plebe, depois de anos ao colo de conhecidos políticos e de alguma comunicação social. No caso de Rendeiro, amplamente elogiado pela imprensa económica durante anos, como se de um Horta Osório se tratasse, o grande colinho foi dado por Cavaco Silva, o português mais honesto de sempre, segundo o próprio Cavaco. Mas não foi o único. A dar colo ou a enfiar-se no bolso do criminoso foragido.

São todos muito empreendedores, grandes empresários e deuses do Olimpo da criação de postos de trabalho, mesmo quando não criam nenhum. Até ao dia em que o buraco se torna grande demais para tapar. Sorte a deles, têm sempre tempo para fazer muitos amigos, e um talento inato para o slalom debaixo de chuva. Nunca se molham e raramente vão dentro.

Indignados com Rendeiro na estreia da CNN Portugal?

Relativizem. O Observador abriu com um romance que tinha Mário Machado no papel principal.

O sistema de Ventura

Na passada Sexta-feira, no Parlamento, a criminalização da riqueza injustificada de titulares de cargos públicos e um conjunto de medidas anticorrupção foram aprovados, por unanimidade, por todos os partidos e deputados não-inscritos com assento parlamentar.

Todos?

Quase todos. Houve um deputado, o autoproclamado combatente anti-sistema, que faz da luta contra a corrupção uma bandeira, apesar do seu contributo parlamentar na matéria ser um redondo zero, que esteve ausente. Estava demasiadamente ocupado, com os seus amigos neofascistas, a passear por Bruxelas e a tirar boas fotografias, nomeadamente com Marine Le Pen, líder do partido de extrema-direita RN, que desviou 6,8 milhões de euros de fundos europeus para contratar assistentes para o seu partido, valor que se destinava a dar suporte aos representantes do partido no Parlamento Europeu. [Read more…]

A imunidade do milhão de portugueses recuperados da covid

Fonte: The Lancet

A parte sublinhada diz uma coisa muito simples: “vários estudos epidemiológicos e clínicos, incluindo estudos durante o período recente de transmissão de variante predominantemente delta (B.1.617.2), descobriram que o risco de repetição da infecção por SARS-CoV-2 diminuiu em 80,5-100% entre aqueles que tiveram COVID-19 anteriormente”.

Dito de outra forma, recuperar da infecção é mais eficaz do que ser vacinado. Segundo o PÚBLICO, há cerca de 1 milhão de recuperados da Covid-19. 10% da população.  Dado que esta perspectiva não é notícia habitual (aliás, é notícia?) e nem parece ser considerada nos planos da DGS (recuperados só têm direito a certificado até 180 dias depois da infecção), a questão óbvia é até quando a DGS vai manter a cabeça de avestruz enterrada na areia.

Talvez se possa pedir a opinião do consultor da Direcção-Geral da Saúde, coordenador do gabinete de crise da Ordem dos Médicos, membro do Conselho Nacional de Saúde Pública e conferencista financiado pela Pfizer.

 

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A CNN Portugal acabou de nascer

E já morreu de velha.

Esquerda? Direita? Terceira Via?

Fotografia: Tiago Petinga/LUSA

Desde 2019 que o Partido Socialista decidiu seguir um caminho diferente daquele que foi sendo delineado, à Esquerda, a partir de 2015, juntamente com os seus parceiros, Bloco de Esquerda e Partido Comunista. Achando que poderia governar à lá carte, o PS foi negociando medidas à sua Esquerda (nomeadamente em questões sociais) e à sua Direita (no que às Leis Laborais diz respeito), conforme lhe fosse sendo mais conveniente e, sobretudo, obedecendo ao patrão (União Europeia), não querendo, com isso, pôr em causa a “coligação positiva” construída para destronar a Direita do poder.

Quem tudo quer, tudo perde. Chegados a 2021, depois de atravessarmos um período pandémico, previsto por ninguém, no que à situação espaço-temporal se refere, mas previsto por muitos, no que à saúde pública e ao ambiente diz respeito, era inevitável chegarmos a uma situação de crise (não só de saúde pública) económica e, por conseguinte, social. Ora, sabemos, de antemão que, perante uma crise, e se tivermos em atenção a História Política Mundial desde os anos 80, o caminho a seguir pelos governos do Mundo Ocidental, são sempre feitos à Direita. Reagan e Thatcher teorizaram. O Mundo Ocidental adoptou as suas teorias como pílula dourada. Temos, hoje, um mercado desregulado, prostrado aos poderes comuns de uma elite usurpadora da economia, o que leva à decadência económica das classes baixa-média e, por oposição, enriquece, ainda mais, a tal elite dominante. Não fosse isto ponto assente, saberia o PS que o caminho a seguir, depois dos acordos estabelecidos, teria de ser feito, obrigatoriamente, à Esquerda. Tendo escolhido o caminho de “eleições antecipadas”, é ao PS que nos cabe assacar as responsabilidades pela crise política em que vivemos hoje. [Read more…]

Foi você que disse “totalitarismo”?

Tenho aqui uma sugestão para aquela malta que vem colando às medidas de combate e contenção da pandemia o rótulo de totalitarismo: construir uma máquina do tempo e ir em excursão até à Alemanha Nazi, se possível entre 1941 e 1945, e ficar lá um mês. Na condição de serem todos judeus, claro.

Findo esse mês, regressam todos ao presente, caso tenham sobrevivido a Auschwitz, Dachau ou a qualquer outro “centro de vacinação”, momento em que – nova sugestão minha – poderão responder à seguinte pergunta:

  • Perceberam o que significa totalitarismo, ou querem lá voltar mais um mês?

Tenho a profunda convicção de que teríamos o problema semântico resolvido. E, seguramente, ninguém quereria lá voltar. Se quisesse, em princípio, é porque também não faria grande falta por cá.

Omar Souleyman

Fotografia: Stuart Sevastos

O músico sírio Omar Souleyman foi detido na passada quarta-feira, na Turquia, por acusações de terrorismo.

Suspeito de ligações ao PKK, Partido dos Trabalhadores do Curdistão, que defende a auto-determinação e a liberdade religiosa do povo Curdo, considerado “organização terrorista” pela Turquia, os Estados Unidos da América e a União Europeia, Omar acabou por ser libertado no passado dia 19 de Novembro.

O PKK, partido que se define como socialista, nacionalista curdo e marxista, trava, desde os anos 80, uma luta contra a Turquia pela auto-determinação do povo curdo, minoria étnica e religiosa, historicamente ostracizada pela maioria muçulmana na Turquia e noutros pontos do globo. A maioria dos seus componentes foram sujeitos à pena de morte, aquando do Golpe de Estado na Turquia em 1980, tendo outros conseguido fugir para a Síria, onde se radicalizou e aproveitou o florescer da Primavera Árabe e da Guerra do Iraque para marcar posição. [Read more…]

Só se for na PlayStation

Temo ter de relembrar, àqueles que se revêem nos actos de Kyle Rittenhouse e o desculpam com base na “liberdade individual”, que a vida real não é o GTA.

Deus é mentiroso

Rodrigo Moita de Deus, na sua casa de fados, em Cascais, durante a interpretação de “Nasci para ser ignorante”.

 

Pode um mentiroso ser da família de Deus? Será uma questão teológica, mas, em Portugal, se nos referirmos a Rodrigo Moita de Deus é uma questão de (in)decência. Já não é a primeira vez que este parente do Senhor diz, na televisão pública, mentiras e alarvidades sobre os professores.

O comentador televisivo é, muitas vezes, um espécime da linhagem do tudólogo, que fala de tudo, mesmo, ou sobretudo, se não dominar o tema. Rodrigo Moita de Deus é, portanto, parente próximo de Nuno Crato ou de Carlos Guimarães Pinto.

Deixo uma ligação para o vídeo com a intervenção de Deus no Último a Sair e remato, mais abaixo, com um excerto de um texto copiado do facebook do S.T.O.P. (Sindicato de Todos os Professores), para aqueles que quiserem verdadeiramente informar-se.

Os que não quiserem informar-se, podem limitar-se a ver o vídeo com a palavra de Deus. Com gente desta na família, é natural que as pessoas se afastem da Igreja.

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A normalização de um homicida sob a égide da Liberdade Individual

Fotografia: GETTY IMAGES

Lido aqui no Aventar: “(…) falamos de um jovem que agiu em legítima defesa.”

No dia em que “agir em legítima defesa” seja sair de casa, do sítio onde se estava sossegado, de escopeta em punho, seremos todos heróis da auto-determinação para matarmos quem nos apetecer. Será esta a tão afamada “liberdade individual”?

O liberalismo costumava estar do lado de quem é oprimido. Agora, posiciona-se sempre do lado do opressor. Não é defeito, já é feitio. Mas é muito pouco liberal.

Dito isto, está um indivíduo a passar aqui na rua de casaco amarelo. Odeio a cor amarela, vou buscar a escopeta.

Don’t tread on him? Não me fodas.

Como já li durante o dia de hoje:

“Parece que a extrema-direita supremacista e os liberais partilham mais do que ideias comuns sobre a economia. Também partilham símbolos.”

Fotografia: GETTY IMAGES

Kyle Rittenhouse, a prova viva da impunidade da extrema-direita americana

A 24 Agosto de 2020, Kyle Rittenhouse, de 17 anos, fez os 53km que separam Antioch, no Estado do Illinois, de Kenosha, no Estado vizinho do Wisconsin, onde decorreria, no dia seguinte, uma manifestação de protesto contra a violência policial, dias após Jacob Blake ter sido baleado sete vezes por um agente da autoridade, Rusten Sheskey.

Parece-me evidente que Rittenhouse foi à procura de problemas. De outra forma, não teria feito 53km até Kenosha, onde o aguardava a sua AR-15, para – alegadamente – proteger uma propriedade que nem sequer era sua. Uma característica comum entre os militantes da extrema-direita é precisamente essa: a ideia, contrária ao espírito da democracia e do Estado de Direito, de que é legítimo fazer justiça pelas próprias mãos.

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