BES? Está tudo bem!

RSBES

Enquanto nos vamos entretendo com movimentações partidárias e claques histéricas, a vida segue o seu curso e o caso BES também. Na Quarta-feira, o DN noticiava que o arresto de bens dos arguidos no caso – Ricardo Salgado, Morais Pires e José Espírito Santo – tinha sido considerado nulo pelo Tribunal da Relação de Lisboa. Portanto não só ninguém vai efectivamente preso – prisão domiciliária em mansão rodeada de luxo absoluto? Yeah right… – como nem um hectarzinho na Comporta é confiscado aos terroristas financeiros. Os otários do costume que paguem o buraco.  [Read more…]

Vítor Gaspar informa: meta do défice para 2015 não será cumprida

Gaspar

Em Agosto, o governo garantia aos portugueses que o défice de 2015 ficaria abaixo dos 3%, sem necessidade de recorrer a medidas adicionais.

No início de Setembro, a UTAO revelava que o défice no primeiro semestre, ajustado de medidas extraordinárias, rondaria os 4,7% e que para conseguir atingir a meta dada como garantida pelo governo seria necessário que o valor do défice não ultrapassasse 1% durante o segundo semestre de 2015.

Passos não desarmava e, no calor do combate eleitoral, chegaria mesmo a afirmar que o atingimento da meta dos 3% era “uma questão de honra“. Os amigos do Banco de Portugal ainda tentaram vir ontem em socorro do cacique mas Vítor Gaspar, directamente do quartel-general do FMI e de folha de Excel em punho, colocou um ponto final na encenação e apresentou a revisão em alta do Fundo para os números do défice: 3,2%, meio ponto percentual acima da previsão utópica feita para iludir gado ovino em período pré-eleitoral e, ainda assim, uma previsão muito optimista e simpática para um valor que actualmente se aproxima mais do dobro do valor anunciado pela propaganda governamental.

Mais um embuste deste governo, mais uma meta que não será cumprida. Resta saber que desculpa irão os Pàf’s usar desta vez para encobrir o logro.

Repromoção

promocao

Se bem percebi: Carlos Costa fez o que o governo mandou porque entretanto, o entretanto é depois do BPN, a UE mudou as regras impostas aos governos quando lhes caía mais um banco de vígaros.

Vítor Constâncio tanto cumpriu com o BPN as regras do seu tempo que foi promovido a vice-presidente do banco europeu. Carlos Costa ganha outro mandato.

O cargo chama-se governador do Banco de Portugal. Agora riam comigo: de Portugal.

Auditoria Banco de Portugal/CMVM/Deloitte confirma:

A gestão de Ricardo Salgado foi criminosa. Preparem a cela nº45.

Sai um estágio para efeitos estatísticos para a mesa 3

Após a revelação o embuste, a taxa de desemprego voltou a crescer em Novembro. Que manobra irá Passos usar para mascarar os números desta vez?

Com o bloco central quem paga é você!

tax payers banks

José Ramalho, vice-presidente do Banco de Portugal, a entidade supervisora que não supervisiona coisa nenhuma, disse ontem na comissão de inquérito do BES que seriam os bancos a pagar a factura do Novo Banco. Muitos contribuintes respiram de alívio ao ouvir estas palavras, pois não percebem que a Caixa Geral de Depósitos também é um banco, que por sinal é público e como tal de todos nós. Outros percebem isso mas esquecem-se que a contribuição de cada banco para o fundo de resolução é proporcional à sua quota de mercado e a CGD, nem de propósito, é quem tem a maior. Fica o lembrete. Seja o PS, seja o PSD, seja o BPN ou o BES, quem paga a factura, de uma maneira ou de outra, é sempre o mesmo. Sim meu caro, é você. Mas não se preocupe que o Sócrates está preso na cela nº44 e comeu cozido à portuguesa ao jantar. Se o Sócrates está preso é porque está tudo bem.

Comissão de inquérito ao caso BES ainda não começou

mas já promete ser uma anedota com o desfecho habitual. Para já ficamos com as recusas do Banco de Portugal, da CGD e do Novo Banco em disponibilizar os documentos requeridos pelos deputados. À vontade do freguês!

Here we go

again

O adensar da catástrofe Espírito Santo

PT

(imagem: Expresso)

A confirmar-se que Governo, Presidência da República e Banco de Portugal teriam já conhecimento da situação do BES em Agosto de 2013, a situação em si adquire contornos de uma gravidade sem precedentes. Significa que houve negligência por parte do presidente da República que nos garantiu, por mais que uma vez, que as acções do BES eram seguras, significa que o Governo omitiu a gravidade da situação aos portugueses impedindo que medidas adicionais fossem tomadas e significa também que cai a falsa imagem de inocência e candura de Carlos Costa, o imaculado presidente do Banco de Portugal que agora se assemelha, mais do que nunca, ao seu antecessor Constâncio. O BCE poderá bem vir a ser a sua próxima casa.

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Carlos Costa e os frequentadores de centros de saúde

carlos costaCarlos Costa propôs hoje que os trabalhadores que tenham uma longa carreira contributiva e que não se tenham adaptado às “novas condições de trabalho” sejam encaminhados para a pré-reforma. Talvez seja melhor traduzir: “novas condições de trabalho” corresponde a ‘trabalhar mais horas e ganhar menos’; “pré-reforma” significa ‘despedimento disfarçado de reforma, com indemnização muito reduzida’.

Esta linguagem cifrada faz parte do código dos senhores do mundo, os mesmos que chamam “colaboradores” aos trabalhadores e “redimensionamento” a despedimentos. Como se isso não bastasse, Carlos Costa acrescenta a estas suaves sacanices um arremesso indiscriminado de lodo:

Seria necessário pensar (…) em como encontrar formas adequadas de ‘pré-pensionamento’ destes trabalhadores que, por razões ligadas à sua formação, à sua longa história de trabalho e até por razões ligadas à própria inadequação às novas condições [de trabalho], hoje frequentam sobretudo centros de saúde para obter licenças médicas e outros mecanismos de ausência temporária.

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Farto de filhos de chernes que sabem nadar

Tacho Laranja

Quando estudava na universidade e ainda cultivava algumas utopias, sonhava vir um dia seria embaixador. Ou qualquer coisa numa embaixada. Um sonho como outro qualquer e, convenhamos, bem mais realista que ser astronauta, chef no Noma ou Jorge Mendes. Porém, sempre que abriam concursos para recém-licenciados estagiarem em embaixadas, uma curiosa coincidência estava presente na esmagadora maioria dos perfis dos felizes contemplados: o seu apelido coincidia com o apelido do embaixador, ou do cônsul ou de outro qualquer alto funcionário da embaixada. Como o meu pai era agente da BT e a minha mãe assistente técnica dos Serviços Administrativos no liceu cá da terra, rapidamente percebi que o meu apelido não era elegível para tão distinto – e bem remunerado – cargo.

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Mais um milagre do Espírito Santo

A história de como o BdP liderado pelo formidável Carlos Costa, que tem feito uma excelente regulação e nos salvou do quase caos onde já estávamos, autorizou um empréstimo de 3,5 mil milhões de euros ao BES, com garantia do Estado (nãããão, o esquema do Novo Banco não tem risco para os contribuintes) apenas dois dias antes de o liquidar administrativamente, através de uma medida aprovada pelo Governo e promulgada pelo PR em tempo record. Alguém ouviu Carlos Costa falar deste empréstimo na Assembleia da República? Quem tinha dinheiro no BES (quem tem muuuuito dinheiro não conta) não ouviu, seguramente.

Dando um tremendo bigode a todos os jornalistas deste País, o advogado Miguel Reis de quem ontem falei mostrou que, quando se quer saber alguma coisa, se deve ir à procura dela em vez de ficar, no conforto dos gabinetes, à espera que a informação entre na caixa do correio.
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A solidez bancária e o super regulador

Carlos

(Carlos Costa enverga a nota que lhe permitirá adquirir cerca de 57 acções do BCP)

Há pouco mais de um ano, o Banco de Portugal confirmava que o sistema bancário estava “sólido”. Em Junho passado, aquele que é já considerado como o melhor regulador da história dos reguladores pela SPO (Sociedade Portuguesa das Ovelhas) veio a público reafirmar essa solidez, avançando até que “Portugal está a criar um clima de confiança no sistema financeiro“.

Ora depois das recentes demonstrações de solidez do banco dos pobrezinhos da Comporta, solidez essa que em breve será solidificada com capitais provenientes do sitio do costume – não, não é o Pingo Doce, são mesmo os seus impostos –  voltamos a assistir a um filme a que assistimos há poucos dias: a CMVM decidiu ontem proibir as vendas a descoberto com ações do Millennium BCP, fruto de uma queda em bolsa de 15,07%, o que levou o preço de cada acção para valores abaixo do preço da pastilha elástica, mais concretamente 0,0879€.

Posto isto, aguarda-se com expectativa aquilo que os ideólogos do sistema terão a dizer. O super regulador é efectivamente um Cristiano Ronaldo da supervisão. Quando irá o BCE perceber o óbvio e apostar na sua contratação para a próxima época? Conseguem imaginar aquela frente de ataque com o Constâncio na esquerda, o Draghi da Goldman no coração da área e o Costa na ala direita? A conferência de imprensa de hoje promete…

Serviço Público

Após a declaração do Banco de Portugal sobre o destino do BES, a SIC Notícias e a TVI24 logo analisaram ao pormenor com comentadores e analistas.
Já a RTP Informação continuou a debater futebol com o “Trio de Ataque”.
Serviço Público, dizem eles…

O labirinto do verdadeiro poder

BES

Segundo o Expresso, a Portugal Telecom investiu, já durante o ano de 2014, 900 milhões de euros no Grupo Espirito Santo. À primeira vista parece simples mas não é, pelo menos para mim que sou leigo nestas coisas da trapacice financeira. Ler uma notícia destas, para mim como para a esmagadora maioria dos portugueses, é como estar perdido num labirinto de bancos e sociedades gestoras de participações, onde quase todos são accionistas uns dos outros e em cujos conselhos de administração abundam destacadas figuras dos 3 partidos do arco da governação, não vá ser preciso um “empurrãozito” aqui ou acolá.

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E a piada do dia vai para…

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal e potencial substituto de RAP na Mixórdia de Temáticas!

eu cá não sou de intrigas nem de meias verdades

Esmiuço com atenção o Boletim Estatístico publicado pelo Banco de Portugal.

A dívida galgou os 130% do PIB, quedando-se agora nos 132,4% do PIB. Esse vírus despesista chamado Partido Socialista, dizem eles. Essa esquerda que só tem ideias quando há dinheiro, repetem. Esse socialismo que só existe quando há dinheiro, concluem. O Tratado Orçamental obriga que o Estado Português reduza a sua dívida pública a 60% mas apesar das previsões de redução apresentadas pelo governo para os próximos anos, não existe fórmula para que isso aconteça senão voltar a castigar os contribuíntes e a procura interna. Sabendo para já que o risco de deflacção é uma realidade. A deflacção poderá arrastar consigo mais uma surte de falências e desemprego. Menos receita a entrar nos cofres do estado por via das contribuições e mais despesa contraída em apoios sociais. (Faça-se tábua rasa e corte-se ainda mais nas condições de acesso ao benefício de apoios sociais, pensarão). Enquanto o défice estrutural do Estado (leia-se o estado gastar menos do que aquilo que recebe), a dívida continuará a aumentar porque, logicamente, o estado terá que pedir emprestado aos mercados para cumprir as suas obrigações. Desengane-se portanto quem pensa que a dívida pública e o défice estrutural são elementos desligados. São elementos intimamente ligados. Quase gémeos. Esqueçam todo o argumento que foi apregoado aos 7 ventos pela Ministra das Finanças e pelos seus tutelários do ICGP de que o Estado teria uma almofada financeira significativa para fazer face às suas obrigações no próximo ano. É pura mentira. [Read more…]

O Banco de Portugal publicou as suas previsões

Quer dizer: o Banco de Portugal acaba de entrar na campanha eleitoral. Do lado do costume.

O governo “maravilhoso”, cheio de embustes mil!

Andei vinte e oito anos (28!), até ao 25 de Abril de 74, a ler, criticar e lutar pela calada de dias e noites – efectivamente lutei em organização clandestina partidariamente independente. Vinte e oito anos, como diz a canção do meu contemporâneo, Paulo de Carvalho, é muito tempo!

Sem intuitos de ser herói, mas impulsionado pela amarga perda de amigos na guerra (Angola e Guiné-Bissau), pela miséria do povo de que o ‘Expresso’, sob o epíteto ‘O Último Verão’, relembrou nas páginas 20 e 21 da última edição, e por outras facetas deploráveis; recordo a feroz PIDE a perseguir, prender, torturar e, se necessário, matar quem ousasse combater o salazarismo – eu e milhares de cidadãos fomos qualificados de ‘comunistas’ com ódio e o ímpeto idêntico ao utilizado pelo trabalhador rural na aplicação do ferrete no gado; jamais me filiei em qualquer partido político.

Fui, sou e serei sempre um incondicional combatente contra a desigualdade social, bem como contra a corrupção dos governantes e periféricos que circulam à sua volta e também enchem os bolsos de dinheiros abundantes, fortunas avultadas em muitos casos, extorquidos internamente ao erário público ou em negócios realizados com o estrangeiro – a compra de submarinos, de carros de combate ‘Pandur’ e de outros equipamentos, materiais e serviços, de que as sociedades de advogados do regime formam um dos grupos mais beneficiados. [Read more…]

Défice comercial e défice das condições de vida

O Banco de Portugal já tinha revisto em baixa, para – 1,9%, a evolução do PIB para 2013, no ‘Boletim Económico’ de 15 de Janeiro:

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Segundo dados do INE, publicados aqui e também divulgados pela comunicação social,  no último trimestre de 2012 e em relação ao período homólogo de 2011, as exportações subiram 1% e as importações registaram uma redução de 3%.

De resto, e tomando como base a comparação de períodos anuais (2012 v 2011), sabe-se que as exportações subiram, de facto, 5,8%, contra uma quebra das importações de 5,4% – calcula-se que tivemos um défice comercial de 10.668 milhões na transacção de bens com o exterior.

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Desmistificar mentiras e demagogia de Coelho

O primeiro-ministro é pródigo no uso da mentira e da demagogia. As nomeações políticas  constituem dos capítulos mais obscuros da governação a que preside. O recurso à demagogia é outro inaceitável instrumento de comunicação – e propaganda – do actual governo. Vamos por partes.

Nomeações políticas

Há notícias a divulgar a nomeação de Vasco Graça Moura como novo presidente do CCB, sucedendo ao seu amigo e igualmente nomeado na lógica ‘tachista’ do ‘centrão’, António Mega Ferreira. Trata-se, pois, de mais uma nomeação política, ao que se percebe feita sob proposta do Secretário de Estado da Cultura, o putativo Francisco José Viegas; a somar a outras, como esta aqui denunciada.

Na trôpega encenação de há dias, na iniciativa “Made in Portugal” do DN, Passos Coelho exibiu quadros e números ilusórios. Os nomeados pelo seu governo, com base em critérios de filiação partidária no PSD ou CDS, já constituem um conjunto de várias centenas. E, porém, a coisa não vai ficar por aqui. Espere-se até 31 de Março pelas assembleias-gerais e finais de mandato de gestores públicos e, então, será o tempo de conferir os saldos e reconfirmar que Coelho mente e de que maneira.

A demagogia do discurso perante os cidadãos e a AR

Com o discurso inspirado nos “amanhãs que cantam”, Passos Coelho, diz-se aqui, terá deixado aos parlamentares a mensagem:

2012 pode marcar primeiro excedente comercial em anos

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Cante-se o Hino!

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Como é ilustrado pela imagem, o CM anuncia que militares reservistas – ao fim e ao cabo, os  reformados ou pensionistas das Forças Armadas – vão receber subsídios de férias. O DN confirma, adiantando que o Ministério da Defesa (MD) “justifica a atribuição dos subsídios respeitantes a férias vencidas a mais de 500 militares que passaram à reserva fora da efectividade de serviço, até final de 2011”.

A justificação e a decisão do Ministério da Defesa merecem-me, à partida, as seguintes observações:

  1. Para todos os funcionários públicos, reformados da f.p., trabalhadores e pensionistas do sector privado; em suma, todos os trabalhadores civis e ainda militares e membros de órgãos de soberania remunerados pelo Estado, os Subsídios de Férias, reportados à anuidade anterior, vencem-se a 1 de Janeiro de cada ano.
  2. A justificação dada pelo MD, ao invocar tratamento de excepção, ilude, portanto, um princípio elementar e legal do tempo de vencimento do subsídio de férias, o que  agrava o caso de discriminação na aplicação do OGE de 2012 que, natural e racionalmente, os Sindicatos da Função contestam.

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Que merda de país é este?

A almofada da desculpa é o ‘memorando da troika’, negociado e firmado pelo governo de Sócrates e ainda ratificado – e zelosamente excedido – pelo duo PSD+CDS, detentores do poder que nos (des)governa.

Almofada, do ponto de vista etimológico, é uma palavra de origem árabe. Nós, portugueses, e fiéis às origens do ‘al-gharb’, conservámos o vocábulo. Usamos a definição linguística e naturalmente do objecto de repouso sobre o qual descansamos e dormimos. Com menor ou menor comodidade. Tudo depende do recheio. Suma-a-uma, espuma ou outros materiais sintéticos que nos amparam ou massacram o atlas, sim o atlas, ligado ao osso hioide – fonte de inspiração, quem sabe, do conhecido “Hirudoid’.

Todavia, passou a haver outro conceito aplicado a almofada; o conceito político-financeiro, ora usado por Seguro – há almofada – ora recusado por Passos e Coelho – não há almofada.

Mais do que a oposição reclama, o importante é que o governo diz:

Não há folgas, nem almofadas

para acomodar, deduzo eu e milhões de outros cidadãos, a anulação do corte, mesmo parcial, dos subsídios de Natal e de férias nos rendimentos de funcionários e reformados da função pública, bem como de pensionistas privados em 2012 e 2013.

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Manuela Ferreira Leite vive acima das nossas possibilidades

188000 euros de rendimento num ano, acumulação de reformas? esse tempo acabou dona Manuela, está a contribuir para o endividamento do estado (que na sua cabecinha é a causa de todos os nossos males, o BPN não conta, são amigos, prontos). Então depois da reforma do Banco de Portugal ainda foi trabalhar para um banco privado e não prescindiu da reformazinha acumulada com a subvençãozita de ex-titular de um cargo público, sacrificando-se para ajudar a economia portuguesa?

Não? então está a viver acima das nossas possibilidades, dona Manuela. A engordar o monstro, sua marota. Assim terei de lhe chamar hipócrita. Também lhe podia chamar assassina, nome que se dá às pessoas que querem que outras pessoas morram sem assistência na doença para que possam gozar tranquilamente das suas reformas, mas não chamo dona Manuela, tal como não lhe chamo mentirosa por ter sido a campeã da treta do endividamento do estado como causa da crise (negócios como o da Lusoponte não contam, são amigos, prontos), porque hoje acordei com o meu lado machista muito acentuado e a uma senhora não se bate nem com uma flor, era ires viver com um salário mínimo durante três meses e depois conversávamos, dona Manuela, mas só depois, depois de experimentares a fome, a doença sem seguro de saúde, depois disso.

Desalavanca-me toda, querido!

A personagem de Jamie Lee Curtis, de Um Peixe Chamado Wanda, tinha a particularidade de ficar excitada sempre que ouvia qualquer língua que não a inglesa. Pergunto-me se a mesma personagem resistiria aos encantos do economês de Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal. Como pode uma mulher não gemer quando ouve um homem dizer coisas como “A desalavancagem tem de se fazer através de ‘stocks’, alienação de ativos, de modo a não prejudicar a economia”? Como poderia ela sufocar um grito rouco quando ouvisse sussurrar “O processo de desalavancagem de fluxos sacrifica o financiamento da economia e o crescimento e, logo, o balanço dos bancos pela qualidade. Nessa altura, entra pela janela o que tinha saído pela porta.”?

No que me diz respeito, já ficaria contente se, um dia, um economista com responsabilidades de qualquer tipo de governação fizesse previsões acertadas. A esse, mesmo preso dentro deste corpo heterossexual, dar-lhe-ia ouvidos.

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É exactamente ao contrário

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, afirmou ontem que “os técnicos do Banco de Portugal trabalham no Banco Central Europeu (BCE) e são altamente reconhecidos no BCE“.

Falando do BdP convém relembrar que estas instituição perdeu a maior parte das suas funções com a entrada no euro, e não emagreceu o seu quadro de pessoal, nem como é óbvio o vai fazer agora.

E quanto à afirmação de Carlos Costa, é exactamente ao contrário: serem reconhecido pelo BCE como competentes é a prova mais próxima da incompetência do BCE, à vista de todos na crise actual. A nomeação de Vítor Constâncio para vice do BCE seria uma anedota, não fosse um drama. Se os homens que deixaram chegar o BPN e o BPP onde chegaram e passaram anos a falhar previsões económicas são exemplo, só pela incompetência.

Excepto numa coisa: Constâncio era o terceiro governador de um banco central mais bem pago do mundo. Suponho que Carlos Costa não lhe fique atrás.

2005-2010, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Em Portugal, talvez se lembrem, houve um tempo em que o Banco de Portugal (BdP) ditou o destino do país. Não me refiro aos anos do escudo, quando bastava ao banco central desvalorizar a moeda para se resolverem as crises orçamentais mas sim ao ano de 2005, em que o BdP descobriu que o défice das contas estava nos absolutamente altos 6.0% do PIB. Era então governador Vitor Constâncio.

Hoje temos um défice de 9.1% do PIB e a dívida pública passou dos 63,9% do PIB em 2005 para os 92,4% do PIB em 2010. Perante estes dados, Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal, diz que nos últimos 12 anos os Estados e os Governos à frente dos destinos do país não foram prudentes. Endividaram-se e não quiseram cumprir regras europeias, de manter o défice abaixo dos 3%, ou de simples bom senso (citando o texto da RR, onde constam mais umas notas pertinentes).

Será que o Governador do Banco de Portugal já não é pessoa a ter em conta?

 

via

Banco de Portugal e o interesse nacional

banco de portugalO Banco de Portugal iniciou a semana com a publicação do Boletim de Inverno, com as projecções para a ‘Economia Portuguesa: 2010-2012’. As notícias são naturalmente insatisfatórias. No que respeita ao PIB para 2011, por exemplo, prevê um decréscimo de – 1,3%. Também, na área do emprego, estima a eliminação de postos de trabalho: 49.000 em 2011, 9.800 em 2012; ou seja, mais 58.800 desempregados até ao final de 2012, sem compensação do lado do emprego.

Ao negro cenário esperado, o BdP adianta ainda a recomendação de “reformas no mercado trabalho”, cujo desfecho social facilmente se deduz: acelerar o desemprego e a precariedade das relações de trabalho.

Deixo, por ora, o  teor do boletim citado e a mais do que possível hipótese de, em algumas áreas, as previsões macroeconómicas se revestirem de credibilidade e legitimidade. Ocorre-me apenas questionar se este era o momento mais apropriado para o Banco de Portugal divulgar as projecções em causa.  Não poderia adiar para o fim-de-semana a publicação do Boletim de Inverno? Lanço esta pergunta, tendo em consideração o interesse nacional autêntico; não do governo ou de qualquer partido da oposição. E a questão  ainda mais pertinente se torna, caso se tenha em consideração que os juros do financiamento externo são suportados, como se sabe e de que maneira, pelos cidadãos em geral. [Read more…]

Enquanto o pau vai e vem, já nem as costas folgam

Na missão de escolher prémios Nobel da Economia para sustentar as posições que defendemos, dei por mim a escolher Paul Krugman. Não porque partilhe sempre as mesmas opiniões mas porque tem sentido de humor e, acima de tudo, é daqueles vencedores do dito prémio que dizem coisas que o comum dos mortais entende. Isto é, não é preciso ter sido ministro das Finanças, servidor do Estado no Banco de Portugal ou professor de finanças públicas para entender o homem.

Ontem Krugman lembrou-se novo de Portugal, país pelo qual nutre certo carinho. E o que disse? Que Portugal é a próxima pedra do dómino a cair, que a recuperação passa pela deflacção e que, atendendo ao volume da dívida privada, esta será bem tramada.

Até parecia premonição.

Hoje, por breves momentos pudemos respirar, até que nos voltaram a atirar ao tapete. Diz o ditado que enquanto o pau vai e vem, folgam as costas. O problema é que o tempo entre cada cacetada está cada vez mais curto.

BPN: mais um desvio de 500 milhões de fundos públicos

 

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Há notícias pouco precisas sobre o investimento público na nacionalização do BPN. Umas vezes fala-se de 4,7 mil milhões de euros, outras de 5,2 mil M. Independente do valor ser o primeiro ou o segundo, foi, de facto,  uma operação pesada e desastrosa para as finanças públicas, feita pela CGD com o aval do Estado (Ministério das Finanças). O argumento do governo sustentou-se no objectivo de evitar o abalo do sistema financeiro nacional. Conversa fiada!

A imprensa dita de referência, DN, Expresso e Público, anuncia a hipótese – mais do que certa, obviamente – do Governo investir no BPN mais 500 M de euros, cerca de 0,3% do PIB, para resolver a “insuficiência de capitais e a falta de cumprimento de rácios prudenciais” denunciadas pelo Banco de Portugal. [Read more…]