Hoje dá na net: Ser Campeão é Detalhe: Democracia Corinthiana

O documentário Ser Campeão é Detalhe tem como objetivo contar um pouco do que foi este time do Corinthians, falando de seus feitos dentro e fora de campo através de depoimentos dos jogadores que o estrelaram, comissão técnica, e outras pessoas que, de certa forma, fizeram parte do movimento.

Mais que não seja também uma homenagem a Sócrates, e a demonstração que futebol e política podem andar de mãos dadas pelos melhores motivos. Mais informação na página do filme.

Via Tiago Mota Saraiva

Figuras de estilo

Eis algumas figuras de estilo na política:

  • Eufemismo: ajuste salarial
  • Oxímoron: político honesto
  • Hipérbole: folga orçamental
  • Sinédoque: banca capitalizada
  • Onomatopeia: é-para-fechar, é-para-fechar, é-para-fechar, pu-puuuuuu, é-para-fechar, é-para-fechar
  • Personificação: despesa com gorduras
  • Aliteração: Passos e Paulo Portas
  • Pleonasmo: promessa eleitoral não cumprida
  • Perífrase: Governo Regional da Madeira
  • Ironia: os políticos decidem em função do interesse público e não em função da sua agenda

Agora venham lá dizer-me que esses desgraçados que até passam fome ao jantar não são gente literata.

O caruncho

Foi anunciado pelo Tribunal de Contas (TC) que o endividamento financeiro do arquipélago da Madeira é de € 963,30 milhões de Euros, tendo aumentado € 99,40 milhões de Euros.
Tal amontoar da dívida mina a sustentabilidade financeira daquela região insular do país e é, como fiel cópia do que se passa no continente, um exemplo claro de sucessivos erros de gestão do erário público, ao ponto de se pedir emprestado para se pagar empréstimos.
Lá, como cá, a lógica das carreiras políticas feitas à base do orgulho no estandarte de “homens de obra feita” deu nisto: muito betão e muito ferro que está a ser pago à custa da contracção de direitos sociais e laborais, do aumento dos impostos sobre o trabalho e da perda de soberania.
Um dos mais importantes instrumentos de combate a esta lógica despesista transversal a toda administração política do país é o TC, o qual deveria ser munido de efectivos poderes punitivos. É tempo de se promover a necessária revisão constitucional, de molde a atribuir ao TC autonomia financeira, bem como poderes sancionatórios sobre os titulares de cargos políticos ou sobre os gestores públicos, que actuem com grosseira negligência ou façam gestão ruinosa dos dinheiros públicos.
Mais do que nunca – como se pode ver pelo crescente poder das agências de notação financeira -, as decisões políticas ou públicas que agravam a dependência do financiamento externo, são matéria criminal de lesa-pátria.

(Publicado no semanário famalicense “Opinião Pública” a 10/09/2011)

Nasci um dia qualquer – a minha memória

 

Mascagni Cavaleria Rosticana Intermezzo

Parece-me que todo ser humano devia dizer e pensar esta frase. Há dois factos na vida que sempre andam ao pé de nos: o involuntário facto de nascer, o involuntário facto de falecer.

O começo da vida acontece em época incerta, pela vontade, amor e carinho que os nossos

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Será possível?

E ao XIX… um regresso ao Séc. XIX?

A política de consumidores eclipsou-se…

Lê-se o Programa do Governo, apresentado no Parlamento, e nem uma só linha directa consignada a uma política de consumidores!

Que estranha filosofia permitirá ofuscar, obnubilar, escamotear uma qualquer política neste particular?

A estupefacção atinge-nos visceralmente, de cabo a rabo, como soía dizer-se… De cabo a rabo!

Nem uma só expressão, uma só frase, um só propósito, um só voto!

Mas poderá uma governo maioritariamente social-democrata e com um componente social-cristão nada desprezível deixar de assumir uma qualquer política neste domínio?

Poderá?

Que responda quem souber!

Por nós tratar-se-á de um lamentável lapsus que decerto, uma vez detectado, se corrigirá!

É que não é possível pensar de modo diverso!

Não haverá paralelo na Europa!

E há que repensar todo este quadro e a filosofia de fundo de que arranca!

A Defesa do Consumidor em épocas de crise é cada vez mais instante!

Há que preencher a lacuna, emendar a mão, tornar à verdade e á vida!

É que não é possível admitir-se tamanho deslize!

A Mudança

A tão falada mudança política, pelo traço de Fernando Saraiva.

A explicação (o humor não engana):

Caro packardemrodagem, o humor responde:

 

Portugal Fatimizado

bandeira-do-vaticano.gif

bandeira do Estado Vaticano

(num país anticlerical)

Bem sei que escrevi e publiquei este texto no último decénio do século XX, em 1999, 13 de Maio, e no Aventar, em 2009. Foi um ensaio de grande sucesso, publicado sem a minha licença, em Revistas científicas da Espanha, na Galiza, traduzido para castelhano na América Latina e nas Revistas em que tenho sido fundador e escritor em Portugal, bem como pela Cambridge University Press. Porque nomear tantos galardões? Por causa de me parecer que este texto é conveniente para estes dias que vivemos, sem governo, sem Assembleia de Deputados, apenas pelo poder do Presidente da República, a quem tenho visto, com a sua mulher, ou na Missa ou no Santuário de Fátima e comungarem de joelhos sobre as pedra da grande praça em frente da Basílica, para se sacrificar em bem do povo… penso eu. Dias em que eu proferia conferências a freiras e padres, com a presença do antigo Bispo que Leiria Fátima, que teve um desencontro comigo e mandou que nunca mais fosse convidado. Ainda bem, a doença que me tem mantido apenas a escrever, não me permite falar em público por mais de meia hora. Nem Fátima me curava…

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Agência de “rating” classifica discurso de Francisco Assis

A mais recente agência de rating do discurso político português, a “Estandarte e Pobres”, colocou o recente discurso de Francisco Assis na categoria de “lixo extremamente malcheiroso, qualquer coisa entre dois cadáveres de antropófagos em decomposição com cadáveres de outros seres humanos no seu interior, também eles em decomposição”. Após a comunicação de Cavaco Silva (cujos discursos não conseguem sair da categoria “igual ao litro”), o líder parlamentar do PS produziu várias declarações que foram alvo de análises atentas.

O analista-coordenador da referida agência declarou ao Aventar que Francisco Assis tem uma capacidade única de aliar um domínio vocabular perfeito à mais completa vacuidade, superiorizando-se a Sócrates no primeiro ponto, emulando-o no segundo. O mesmo especialista fez a seguinte comparação: “Se fosse futebolista, Assis teria muita técnica, mas só conseguiria jogar num campo circular sem balizas.” Assim, o deputado socialista, assumindo sempre uma pose de tribuno (classificada na categoria “cabotinismo ligeiro com um toque de agastamento e redução de vinho do Porto”), limita-se a exprimir ideias óbvias que nunca serão postas em prática, como a de usar a campanha eleitoral (ou “momento eleitoral” em falar assinino) para clarificar ideias ou aqueloutra de que, depois das eleições, “terá de haver sentido de compromisso nacional”, frase que entra na classificação de “voluta rococó”.

É hoje!

Avancei há apenas algumas semanas, a propósito da rejeição da desastrada moção de censura apresentada pelo B.E., que Sócrates iria durar provavelmente até Abril. Confesso que me enganei, felizmente acaba hoje o seu consulado, o pesadelo no entanto continuará, é de esperar para os próximos 2 meses uma sucessiva nomeação de boys and girls para todo o tipo de cargos no Estado. Basta ficarem atentos às próximas edições do Diário da República, mas hoje é um dia para celebrar, o fim da era Sócrates. Desconheço qual será o futuro, mas o presente não deixa saudades!

Petição Basta

Para:Assembleia da República

O Partido Socialista hesita apresentar durante a próxima semana na Assembleia da República o denominado PEC IV, temendo a sua rejeição, ao contrário do que sucedeu em anos anteriores, em que submeteu sempre à votação do parlamento as medidas de austeridade que impôs aos portugueses. A presente petição visa solicitar aos deputados socialistas que não tenham medo da Democracia, nem se escondam atrás de habilidades políticas, que todos percebemos, se destinam a ganhar tempo, em lugar de clarificar a actual situação política.
Em segundo lugar, solicitam os autores da petição aos partidos na oposição, em especial aos seu líderes, que se deixem de ameaças e votem desfavoravelmente o PEC IV, retirando condições políticas ao actual executivo para continuar a governar com base num programa substancialmente diferente daquele que deu a vitória ao Partido Socialista, em Setembro de 2009. Esta é uma situação que urge clarificar e para tal, é fundamental devolver a palavra aos portugueses. Os autores da presente petição, não estão preocupados ou condicionados por jogos político-partidários, nem conotados exclusivamente à esquerda ou direita do actual espectro partidário, apenas entendem que esta é uma excelente oportunidade para todos os que estão fartos do estado a que isto chegou, dizerem BASTA!
Os signatários

 

http://www.peticaopublica.com/PeticaoAssinar.aspx?pi=P2011N7878

José Sócrates, esse brincalhão

O Sócrates que é José tem em comum com o mestre de Platão a maiêutica, ou seja, de certo modo, a arte de fazer nascer ideias naqueles que o ouvem. Estas declarações do Secretário-Geral do PS fazem nascer em mim os seguintes comentários:

 

1. Se é verdade que uma crise política prejudicaria a economia e tendo em conta que a economia está tão prejudicada, ficamos a saber, afinal, que vivemos em crise política.

2. Se são portugueses aqueles que estão “a fazer [um esforço] para a consolidação das contas públicas”, será fácil concluir que não o são todos os que não estão a fazer esse esforço. Seria conveniente que algumas empresas públicas fossem fiscalizadas, porque deve haver por lá muito estrangeiro sem autorização de trabalho.

3. Sócrates tem, ainda, a preocupação de afirmar que o PS é um partido de centro-esquerda, num exercício da mais fina ironia, que poderá passar despercebida aos menos atentos. Segundo parece, Sócrates terá proferido estas palavras, enquanto piscava um olho maroto ao auditório, ao mesmo tempo que tentava abafar o riso.

4. As palavras sobre educação (“O objectivo não é dar educação a todos, é dar a todos uma boa educação para o futuro”) foram já ouvidas com muita dificuldade, tal era a quantidade de gente que se rebolava de riso. O próprio Sócrates estava agarrado ao palanque, com dores abdominais resultantes das gargalhadas. “Não aguento mais, pá!” terá o Primeiro-Ministro declarado a Pedro Silva Pereira.

Política à moda de Barcelos – Leia, se quiser

Apetecia-me dizer que a política, em Barcelos, e salvo excepções (poucas) inerentes à regra que as sustenta, se encontra a cargo de actores cujas pequeninas sensibilidades se vão revelando pequeninamente, fazendo ouvir, de vez em quando, as suas pequeninas vozes. Constitui por si uma verdadeira diversão, um fartote para apreciadores do género. Melodrama ou comédia capaz de passar, num instante, do sublime ao ridículo, limites que não raramente se tocam, se pensarmos, por exemplo, que toda a gente “por mais excelsa que seja, de vez em quando tira macacos do nariz”! E os nossos políticos, alguns dos nossos políticos não raramente são apanhados “a tirar macacos do nariz”, se me é permitido o recurso à imagística metafórica intencionalmente irónica. [Read more…]

Não Merecemos Melhor do que Isto!


Não merecemos mais que isto. Seis candidatos que nos mostram o nível do nosso País.
Nos seis, encontramos de tudo, desde o que se poliu subindo na vida e de quem toda a gente fala e toda a gente ouve, o que deveria ter nascido já polido mas que infelizmente ficou baço e cada vez mais fala para ninguém, os que pela formação deveriam ser-se polido mas descambam de vez em quando e pouca gente lhes liga, o que polido ou não está numa situação em que tem de debitar a cassete e só os teimosos o ouvem, e o que não será nem quererá ser ou mostrar-se polido.
Destes seis, cinco têm uma coisa em comum, o desejo de derrotar o sexto. E para isso, tudo fazem, descendo ao nível mais baixo das relações entre as pessoas, mostrando não o que valem, mas tentando demonstrar o que vale ou não vale o outro.
O reflexo e a imagem do que nós somos. [Read more…]

A pobreza

(adão cruz)

A pobreza transformou-se agora em bandeira eleitoral de todos aqueles que por ela são e sempre foram responsáveis. Descarada hipocrisia.

Em nome da competitividade e da convergência cometem-se as maiores barbaridades. Em nome da competitividade e da convergência, a indiscutibilidade das decisões, a globalização, a modernidade, a flexibilização e a privatização são as palavras inquestionáveis das estratégias de dominação por parte daqueles que sabem quem tudo ganha à custa de quem tudo perde. [Read more…]

Miguel Santos Guerra – pensar a Educação

Via terrear, um vídeo do Miguel Santos Guerra. Um MESTRE Espanhol que diz tudo sobre educação! Obrigatório para os que não são Professores. Imprescindível para estes:

Área de Projecto: o que é isso? Acabar ou continuar?

Nos tempos de Guterres em S. Bento, numa altura em que Ana Benavente andava pelo Ministério, o Governo introduziu mudanças no currículo, tornando as escolas espaços menos disciplinares, mas mais curriculares.
Acabou, entre outras coisas, com as aulas de 50 minutos e introduziu as aulas de 90 ou de 45 minutos. Introduziu também três novas áreas curriculares não disciplinares: a Formação Cívica, o Estudo Acompanhado e a Área de Projecto.
Sobre estas duas últimas, importa agora reflectir um pouco na medida em que o Governo, no âmbito da cultura do défice, se prepara para as extinguir.
A Área de Projecto visa, de acordo com a Lei, ” a concepção, realização e avaliação de projectos, através da articulação de saberes de diversas áreas curriculares, em torno de problemas ou temas de pesquisa ou de intervenção, de acordo com as necessidades e os interesses dos alunos.”
Era trabalhada no primeiro ciclo pelo professor titular da turma, no 2º por um par pedagógico de professores da turma e no terceiro apenas por um professor da turma.
Muito se poderá escrever sobre as suas possibilidades, sobre os seus méritos ou até sobre a sua dispensabilidade… Uma coisa é mais ou menos aceite por todos: a área de projecto nunca o chegou a ser, de facto. Começou por ser uma espécie de área escola, nos últimos tempos foi tomada de assalto por todo o tipo de trapalhadas (planos de leitura, educação sexual, educação x ou projecto y…) Área de Projecto? Nem vê-la.
Nas salas de professores era comum dizer-se que não servia para nada e que poderia ser extinta.
Bem, ao que parece, o Governo está de acordo.
Pela minha parte, enquanto professor com experiência na área diria: a generalidade do trabalho em área de projecto é mal feita e por isso o seu fim mereceria o meu acordo.
Mas, acho que a Escola Pública necessita de um espaço deste tipo desenvolvido com qualidade. Sou pela continuação da Área de Projecto.
E porquê? Porque em contexto de área de projecto tem sido possível fugir da dimensão curricular e académica da escola. É onde conseguimos implementar um processo pedagógico com base nos projectos, é onde podemos articular (de facto) aprendizagens diversas, é onde podemos mobilizar competências em torno de uma ideia, de um conceito, de uma dificuldade. É, sem margem para dúvidas, a área escolar que mais aproximava a escola do mundo exterior.
É central e essencial numa escola de qualidade.

Fogos – uma pergunta incómoda!

A floresta propriedade das celuloses não arde! Porquê?

Porque aquelas empresas privadas têm uma politica para a floresta, desde o plantio, com acessos generosos, limpeza adequada, uma equipa privativa de bombeiros e de gestores da floresta, que limpam, vigiam…

O Estado não tem política nenhuma para a floresta, ano após ano, arde tudo, parece que é mais fácil deixar arder do que ter uma política preventiva de limpeza, rasgar acessos, vigiar, limpar. É melhor ou mais barato, deixar arder?

Há tanta gente no desemprego, tanta gente a receber subsídios, tanta gente presa, a troco de um vencimento a juntar ao subsídio não se impediria um prejuízo muito maior dando emprego a tanta gente?  Em articulação com os proprietários privados? Bem sei que as celuloses estão num negócio, a floresta é a matéria prima para as suas fábricas, pois então a gestão florestal Estatal é o que tem que fazer, desenvolver um cluster da floresta por forma a que a gestão da floresta seja uma actividade económica e não os fogos de todos os anos!

O Estado não faz nem deixa fazer! Até a cãmara do Porto não tem tempo para limpar a escarpa das Fontaínhas!

Ou se cria um cluster económico da floresta ou os fogos nunca se apagarão!

senhora ministra da educação, com respeito mas com firmeza

A Doutora Maria de Lurdes Rodrigues, antiga ministra da educação

Não me parece correcto bater sobre a árvore caida, mas não posso permitir que se dé continuidade a uma crítica permanente a quem parece ter errado por causa de quem ai a colocara. A minha carta aberta a antiga ministra não é um insulto, é um alicerce para animar a mudar a política educativa deste país. O ministério da educação foi sempre difícil de gerir. A Catedrática Maria de Lurdes Rodrigues não podia fazer milagres. Como a carta está a ser usada outra vez, vou publica-la no sítio devido. A carta, publicada no antigo jornal A Página da Educação,  é de Abril de 2008 e diz, enquanto se debate concentração de escolas, que poucos  parecem querer, política sobre a que já escrevi antes neste blogue, vejamos e comparemos, porque reitero o que a carta diz:

Minha querida Maria de Lurdes Rodrigues,

Ainda lembro esses dias em que foi minha discente em Antropologia. Bem sei que é Socióloga e que entende da interacção entre os membros de uma mesma cultura, ou, pelo menos, isso foi o que eu ensinei a si e aos seus colegas nos anos 90 do Século passado, nesses dias em que o meu português tinha esse sotaque que aparece nas cinco línguas que estou obrigado a falar e que a Maria de Lurdes muito bem entendia e ajudava a corrigir  para eu aprender mais. Ainda lembro a alegria das nossas conversas extracurriculares, no corredor do nosso ISCTE ou no meu Gabinete, ao me referir à sua dedicação adequada e conveniente, para o estudo das suas outras matérias. Mais ainda, os comentários, do meu grupo de colaboradores de Cátedra que comigo ensinavam, hoje todos doutores como a Maria de Lurdes, e os comentários dos meus colegas Sociólogos em outra matérias. Especialmente, os do meu grande amigo João Freire, que orientou a sua tese. Se bem me recordo, connosco teve um alto valor como resultado dos seus estudos. Se bem me recordo, era do curso da noite no meu Departamento e na nossa Licenciatura. Por outras palavras, estudava, trabalhava para ganhar a vida e tomar conta da sua família. Por outras palavras também, era uma estudante trabalhadora e uma Senhora devota e dedicada ao lar, como muitos dos seus colegas masculinos e femininos. A minha querida Maria de Lurdes aprendeu comigo e outros da minha Cátedra, de que o tempo era curto, temido e não dava para tudo. Reuniões, falta de livros na Biblioteca para estudar e investigar, o difícil que era entender a, por mim denominada, mente cultural dos estudantes e a dos seus pais, o inenarrável suplício de saber o que pensavam e os parâmetros que orientavam essas mentes. Não esqueço as suas queixas sobre os pedidos do Ministério da Educação que pesavam uma tonelada ideológica e estrutural, na organização dos trabalhos dos docentes primários e secundários, que nem tempo tinham para entender a mente cultural dos seus discípulos ao serem mudados todos os anos para outras escolas. O nosso convívio era aberto e directo. Estou feliz por isso. Aliás, feliz, porque pensava em silêncio: “cá temos uma futura grande educadora”. Apenas que, enveredou para a engenharia da interacção social, ao estudar com o meu querido amigo João Freire. E o problema nasceu. Os professores primários e secundários devem preparar as sua lições, como Maria de Lurdes sabe, especialmente os do ensino especial ou inclusivo, que trata de estudantes com problemas de aprendizagem e precisam trabalhar desde as 8 da manhã até por vezes às 9 da noite. Esse ensino inclusivo de João de Deus, da Subsecretária de Estado, Ana Maria Toscano de Bénard da Costa, da sua colega no saber e no posicionamento partidário do Ministério da Educação, a minha grande amiga Ana Benavente, ou do meu outro grande amigo, o seu colega ideológico e no cargo de Ministro da Educação em 2000, Augusto Santos Silva, que nos foi “roubado” ao passar para a vida política.

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de menina subordinada a figura carismática

a capacidade de acolhimento universal de uma mulher carismática
Nel Museo dell’Opera del Duomo di Firenze. Foto personale aprile 2005.

Ensaio de etnologia da infância

Para a Senhora Engenheira Maria de Lourdes Pintasilgo

Por assuntos vários, tive um desgosto hoje e lembrei-me deste texto dedicado a uma amiga:

Vamos andando, Maria de Lourdes. Vamos andando. Com passo lento, com memórias, cheio de respeito. Um passo que acompanha um modelo de comportamento. Vamos andando ao ritmo das minhas letras, enquanto a nossa Antiga Primeira-ministra é levada a descansar. [Read more…]

O querido líder não gostou!

O seleccionador da Coreia do Norte tinha deixado em conferência de imprensa a sua vontade e a de todos os jogadores em ofercer a vitória ao querido líder. Sabemos que quem desagrada ao querido líder pode ter um problema grave às costas, desaparecer, ir para a prisão…

Não responde a perguntas políticas, um dos jornalistas perguntou-lhe quem é que escolhia a equipa, se ele, seleccionador, se o querido líder. Respondeu o senhor da FIFA, pergunta política, passa! Não reconhecer a existencia da Coreia do Sul é outra táctica, não futebolística, mas política.

E, depois, perder com uma equipa que ninguem conhece como o Brasil tambem não abona nada os perdedores que terão muitas explicações a dar ao querido líder ou então à família que está toda bem colocada no aparelho do Estado Norte Coreano!

Serão os mesmos, os jogadores que vão entrar contra este Portugal triste e medroso? Se os Coreanos perderem, acho que o melhor mesmo é nem pensarem voltar para perto das garras do querido líder!

Do tango passando pela tanga e terminando na valsa

São precisos dois para dançar o tango mas bastou o PCP para transformar a coisa em tanga nesta hora que é mais propícia a uma “Valsa do Adeus”.

O poder político que nos devia orientar, domina-nos

sítio de debate dos representantes do povo

Artigo3.º

Soberania e legalidade

1. A soberania, una e indivisível, reside no povo, que a exerce segundo as formas previstas na Constituição.

2. O Estado subordina-se à Constituição e funda-se na legalidade democrática.

3. A validade das leis e dos demais actos do Estado, das regiões autónomas, do poder local e de quaisquer outras entidades públicas depende da sua conformidade com a Constituição.

Deve ser o desejar lembrar-me a mim próprio, esse adágio que nos orienta: em minha casa mando eu; e este ensejo de citar, mais uma vez, a Constituição da República Portuguesa. Faz-me bem ler o artigo 3º, ideias que vêm da Declaração da Independência das Colónias Inglesas no Novo Continente, redigida por Thomas Jefferson como a Declaração da Independência dos Estados Unidos, aprovada pelo Congresso Continental em 4 de Julho de 1776, tem estampada no seu texto o génio de Thomas Jefferson, ao começar com estas palavras: Quando, no curso dos acontecimentos humanos, se torna necessário a um povo dissolver os laços políticos que o ligavam a outro, e assumir, entre os poderes da Terra, posição igual e separada, a que lhe dão direito as leis da natureza e as do Deus da natureza, o respeito digno para com as opiniões dos homens exige que se declarem as causas que os levam a essa separação. [Read more…]

Raios Partam os Gregos

Estou cada vez mais em sintonia com o nosso governo e com alguma da nossa oposição. A nossa oposição não se ‘oposiciona’ e o nosso governo não nos governa.

E a culpa de quem é? DOS GREGOS!

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Pedro Passos Coelho político

Pedro Passos Coelho fez hoje, no encerramento do Congresso do PSD, um discurso marcadamente político, com afirmações políticas e propostas políticas. Algumas afirmações soam a falso na sua boca, como a reinvindicação da matriz social-democrata do PSD, mas a verdade é que Passoas Coelho falou de política para dentro do partido e para o país,  definiu urgências -as suas urgências- como a necessidade de revisão constitucional, apontou caminhos, reafirmou a sua oposição à presença do estado nos negócios, advogou a necessidade de definição das áreas estratégicas nas quais a sua presença é necessária (uma evolução ?).

Quanto a Sócrates, a casos avulsos, a política de mercearia, nada, nem uma palavra. Pedro Passos Coelho marcou algumas diferenças e ganhou pontos. O PS e o PP devem preocupar-se, a política pode estar de regresso. Passagens houve, no discurso, em que PPC parecia estar à esquerda do PS, nomeadamente quando pediu maior coesão social e se declarou chocado com os prémios de alguns gestores.  Palavras leva-as o vento, sei-o eu, mas há circunstâncias em que o PS nem palavras tem.

Eu, que não me revejo em nenhum dos partidos da alternância, observando com os olhos do crítico, penso que PPC pode, se gerir bem os dossiês, se não meter os pés pelas mãos como no caso da Caixa GD, se não andar aos avanços e recuos como com o governo sombra, se não quiser derreter tudo e todos com o seu putativo charme, como com Alberto João Jardim, se não oscilar de liberal a social-democrata e de social-democrata a liberal, dia sim dia não, chegar longe no quadro político actual. Pedro Passos já se mostrou incoerente, manipulador e populista, mas pede ao partido paciência, pois sabe que Sócrates há-de cair de podre. Se, entretanto, a política regressar ao centro do debate o país ganha em participação e esclarecimento. No estado em que as coisas estão, ganhar participação e, sobretudo, esclarecimento, seria quase um milagre.

Sugestões a Passos Coelho – 1

Deixe o animal feroz colher o que semeou, até porque essas medidas. ao contrário do que ele dizia há bem pouco, são incontornáveis. Congelar salários e aumentar impostos todos fazem, é fácil, e é injusto. Como é injusto querer avançar com megaprojectos que vão atirar o país para anos de pobreza. Onde está o mérito de pedir dinheiro emprestado e dar à manivela à máquina do betão?

Mas o diagnóstico está há muito feito, é só preciso ter coragem de não cair nas mãos dos Grupos económicos que controlam a política e das corporações que co-governam o país, sem voto popular para o fazer.

Na Saúde, é preciso uma Política do medicamento que tenha como objectivo duas medidas que representam a poupança de muitos milhões de euros. Aprofundar a receita de Genéricos e a imposição de “unidoses”. Manter e aprofundar “os centros hospitalares”, compondo um conjunto de hospitais e serviços de saúde segundo uma lógica de complementaridade. Criação de centrais de Compras, com vantagens financeiras determinantes ao nível das compras, do comercio e da indústria farmacêutica. Estas políticas podem descer a factura de medicamentos até 30%. [Read more…]

Presente e futuro da Advocacia: uma questão de República (7)

Continuando o que escrevi aqui.

Além das matérias exclusivamente respeitantes aos Advogados e à Ordem dos Advogados (OA), existe um conjunto de questões da Justiça que de modo directo e incisivo influenciam quer o estado quer o rumo da Advocacia em Portugal.

Será essa sumária abordagem que se farei a partir de agora, e que se reporta a problemas sérios e graves da nossa República que, por isso, dizem respeito a todo o cidadão. Uma abordagem assumida e necessariamente política. Pois que política advém do grego “politiká”, ou seja assuntos públicos, o que diz respeito ao público. Tal como República, do latim “respublica”, se reporta à coisa (“res”) pública, à administração da coisa pública, do que é público.

Nos últimos anos, tem-se assistido a uma mudança de paradigma (no sentido de modelo) no modo como é encarada a administração da Justiça por parte da classe política. E tal mudança é de fulcral importância, pois que é a classe política que faz as leis que ditam as regras de funcionamento e as competências das instituições da República – com especial relevo, no presente caso, para os tribunais – bem como as soluções a dar aos casos apresentados à Justiça. Já que a actividade de um Juiz é mesmo essa: aplicar o Direito ao caso. Direito, esse, criado mormente pelo Parlamento e, em certas matérias ou condições, pelo Governo.

O controlo parlamentar sobre a actuação do Governo, é atenuado quer pela lógica funcional parlamentar – o partido maioritário no Parlamento, que assim forma Governo, não vai verdadeiramente fiscalizar o Governo de quem é “pai”- quer pela perversa e má prática política lusitana de que o Chefe de Governo pode acumular o cargo de líder do partido pelo qual foi eleito.

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Os Políticos de Ontem e de Hoje – “Ficou capado o Morgado”

Tive um despertar tranquilo. Todavia, a meio do pequeno-almoço, fui assaltado por súbito turbilhão de pensamentos acerca da comparação do desempenho de políticos, do período pós 25 de Abril. Revivi as diferenças ao longo do tempo com perturbadora turbulência, o que me deixou confuso entre ‘o como e quem está no presente’ e ‘o como e quem esteve no passado’.

Nos dias de hoje, o espectáculo político oferece-me o Sócrates e as suas coléricas crispações, o Pereira de insinuação ligeira, o Assis que aos chefes diz sempre ‘sim’, o Branco a guiar mesmo manco, o Rangel da ruptura no papel, o Passos do coelho sem cansaços, o Portas das caminhadas tortas, o Louçã que dá aulas de manhã, e o tio Jerónimo cujo apelido Sousa completa o ortónimo. Os traços do espectáculo, porém, não se ficam por aqui. Há ‘chats’ em ‘real-time’ de deputados com cidadãos, como paradigma da acção política dos tempos actuais; os deputados atendem telemóveis e teclam de vez em quando. No fundo, todos eles vivem a era das tecnologias, das telecomunicações, dos formatos e dos conteúdos – conteúdos vazios, acrescento, porque na hora de votar é obrigatório seguir as orientações dos líderes. E aqueles que transgridem esta última regra lixam-se, a menos que se trate de gente alegre, muito alegre. [Read more…]

Rapidinha – Importa-se de repetir?

José Sócrates sobre Paulo Rangel:

…”faz carreira política com base no radicalismo, o que significa uma doença muito infantil da política.A nossa politica precisa é de moderação e de responsabilidade”

E, já agora, de verdade, de credibilidade, de competência,  de não se afundar em escândalos…

Por Estes Dias

Propositadamente afastei-me por alguns dias dos problemas nacionais, e deixei de escrever sobre o assunto.

A política, fosse a que nível fosse, cansava-me já. Tudo era a mesma coisa. Cada um a tentar prejudicar o outro, os primeiros a arranjar maneira de se beneficiarem ou aos seus amigos, os segundos a fazer exactamente a mesma coisa. Todos a calarem o que os pode vir a prejudicar, sem se importarem

Mas tive de voltar, não é o meu afastamento que melhora seja o que for. De facto, nada mudou, nem para melhor, nem para pior. E assim, volto a escrever, na esperança de poder mudar qualquer coisinha.

O Orçamento de Estado para 2010, é o que se sabe.

Um conjunto de inverdades, ajustadas com os parceiros políticos e com os adversários. Contas mal feitas ou demasiadamente bem feitas, de modo a que se não notem os buracos, promessas baseadas em números inviáveis, medidas populistas para calar a oposição e apaparicar o povo que, estupidamente, não quer ver as dificuldades que vão sentir logo depois, ou que simplesmente as não sabe ver. A ignorância do povo, ou a  sua incapacidade para decifrar as coisas, é muito boa para quem nos governa.

As despesas públicas não vão parar de aumentar e os proventos não irão deixar de diminuir, pelo que as dificuldades vão crescer e o aumento de impostos, a curto prazo, tem de ser inevitável.

As contas públicas apresentadas sobre o ano de 2009, até ao Governador do Banco de Portugal, surpreendem. Um deficit de 9,3% do PIB, não augura nada de bom para os anos que aí vêm.

A agitação social, é também o que se sabe. [Read more…]