Mentiroso

É falso, ou se quiserem uma falácia de treta, que os funcionários públicos ganhem mais que quem trabalha no privado, conforme afirmou Passos Coelho, e os neocons por aí repetem, baseando-se num estudo do Banco de Portugal datado de 2001. Para comparar salários temos de comparar habilitações.

A maioria dos trabalhadores do sector privado (72,5%) tinha, em 2005, o ensino básico, e apenas 11% possuíam o ensino superior. Já a maioria dos funcionários da administração pública tinha mais habilitações que escolaridade básica. E 44% concluíram uma formação de nível superior.

Portanto, “apenas pelo facto de a percentagem de trabalhadores com o ensino superior na AP ser muito superior ao privado, concluiu-se que o rendimento da função pública tem de ser 3,5 vezes superior ao do privado. Se utilizarmos o estudo do Banco de Portugal, a percentagem de trabalhadores com o ensino superior deveria ser cinco vezes superior ao privado”, diz Eugénio Rosa. E, acrescenta, “o próprio estudo do Banco de Portugal reconhece que se análise foi (sic) feita por categorias se conclui que se verifica uma penalização salarial dos trabalhadores da administração pública.” DN

E já agora, segundo o mesmo Eugénio Rosa  “entre 2000 e 2011, o poder de compra das remunerações dos trabalhadores da Função Pública diminuiu entre -8 (trabalhadores com remunerações até 1500 €) e -15,5% (trabalhadores com remunerações superiores a 1500€), enquanto no sector privado, em idêntico período (2000-2011), o poder de compra das remunerações, de acordo com os dados oficiais, aumentou 8%.”

Seria bem mais honesto explicar porque se virou o saque aos salários em primeiro lugar para os funcionários públicos: “a função pública não é a base eleitoral deste governo“, conforme confessava um governante ao Expresso desta semana…

Marioneta

Uma questão de distribuição

Quando falha a distribuição da riqueza, mais cedo ou mais tarde acabamos por ter distribuição de sacrifícios.

Vivemos hoje os chamados “tempos difíceis”, porque nos tempos da aparente abundância nunca esta foi por via da distribuição da riqueza. Pelo contrário: concentrou-se o esbanjamento e distribuiu-se endividamento.

Veja-se como os salários baixos foram durante décadas um chavão para o nosso progresso. Num país dito da Europa, alicerçávamos a nossa competitividade nos salários baixos. Depois, para colmatar a falta de dinheiro para se comprar aquilo que era dado como imprescindível para se ser feliz, fosse na televisão fosse na casa do vizinho, abriram-se os cordões da bolsa do financiamento e tudo pôde comprar aquelas coisas para as quais poucos tinham rendimento. Agora que as ilusões de felicidade do crédito fácil estouraram na cara de toda a gente, há que refazer contas à vida e lá vamos no fado dos sacrifícios.

Mister é saber como são distribuídos os sacrifícios, pois que sendo mal distribuídos acontece como na má distribuição da riqueza: muitos empobrecem e alguns engordam. [Read more…]

Desaumentos salariais

Uma nova moda: depois do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde pegou agora na Câmara de Elvas.

O objectivo é conseguir, a médio prazo, que os trabalhadores paguem para ocupar o seu posto de trabalho, sem fazer nenhum. Se trabalharem serão imediatamente despedidos.

O orçamento Manuel Pinho

Ao minuto 1:30.

Somos uma país competitivo em termos de custos, nomeadamente os custos salariais são mais baixos do que na média da União Europeia

O resto também tem piada.

A melhor resposta ao roubo nos salários: trabalhar menos 5%

Para já médicos e enfermeiros ameaçam recusar horas extraordinárias. Quem tem falado com funcionários públicos ouviu a mesma resposta ao gamanço dos ministros e ex-ministros do bloco carteirista: tiras-me 5%, trabalho menos 5%.

Sendo daquelas formas de luta que os sindicatos nunca assumirão cheira-me a que vai ser a mais praticada, e ainda antes de os salários baixarem. Discretamente, trabalhar menos 5% (os dos cortes de 10% não se metem nestas vidas) é a coisa mais simples deste mundo, até porque com a progressão na carreira congelada as avaliações passam a pura anedota.

Tivesse a função pública sindicatos a sério e chamava-se a isto greve de zelo. Quem já usou a expressão greve de zelo perante um sindicalista sabe porque não temos sindicatos a sério mas apenas carreiristas a brincar. Há excepções, confirmam a regra.

Estes não foram à manifestação

  • Jorge Coelho, Presidente-executivo da Mota-Engil
  • Rodrigo Costa, Presidente-executivo da Zon Multimedia
  • Ferreira de Oliveira, Presidente-executivo da Galp Energia
  • Paulo Azevedo, Presidente-executivo da Sonae SGPS
  • José Penedos, Antigo presidente-executivo da REN

Não têm tempo para essas coisas. Precisam de fazer contas à vida, procurando onde gastar o seu magro salário.

Foi Sacanice?

OU COINCIDÊNCIA?
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Ontem ao fim da tarde, o SLB ganhou um campeonato de futebol.
Ontem ao fim da tarde, os seis milhões (?) de adeptos e simpatizantes do SLB, saíram para as ruas, do mundo civilizado, e não só, gritando a plenos pulmões a sua categoria, e a sua alegria.
Depois, cansados, foram descansar com um sorriso nos lábios.
Nesse entretanto, o sr. Fernando, o melhor Ministro das Finanças da Europa, [Read more…]

A Galp às bombas

A Galp abastece todos os postos de abastecimento porque é a única petrolífera que tem refinação. Já aumentou, este ano, em dez ocasiões o preço dos combustíveis e vai continuar a aumentar a não ser que os camionistas façam novo bloqueio. Para já ,temos aí uma greve de três dias dos trabalhadores  que querem aumentos salariais de 2.8% e a empresa só quer dar 1.5%.

Para além disso, exigem participação nos lucros, mas segundo o porta voz da empresa os últimos anos foram particularmente maus, o lucro foi de apenas 200 milhões e ficando abaixo dos 300 milhões não há participação. Estas exigências põem em causa a solidariedade devida para com o futuro da empresa, diz o engº da “pronúncia” esquisita, devida aos muitos anos de trabalho nos petróleos da Venezuela.

As razões da greve são “injustas e ímpossiveis de satisfazer” refere o Presidente, e afirma “que os trabalhadores nos dois últimos anos tiveram ganhos reais de poder de compra”. Acresce que a greve vai ter consequências nefastas no andamento dos investimentos em curso nas refinarias e às paragens técnicas, a que os representantes dos trabalhadores respondem com um “insulto ao conhecimento e inteligência” dos trabalhadores.

É melhor testar o depósito, o presidente da empresa já ameaçou “ir às bombas” isto é, encerrá-las! Quanto ao pagarmos a um preço elevadíssimo os combustíveis, é preciso ter em conta “que antes do imposto somos muito competitivos…”

É um alívio para quem compra!

O PSD libertou o Miguel Frasquilho que havia em si

O novo PSD libertou o velho Miguel Frasquilho que tinha em si. O homem quer reduzir as despesas do estado. Todos queremos. Acabar com as consultadorias que alimentam os grandes escritórios de advogados, por exemplo,  e a contratualização externa que virou rotina onde bem podia contar com os  seus recursos. Terminar com os ajustes directos que aumentam custos e viciam o mercado. Rever a contratualização de escolas privadas para fazerem mais caro o que deveria fazer uma pública. Por aí fora.

Mas com o seu irrepreensível sotaque irlandês Miguel Frasquilho quer baixar é nos salários, começando a função pública por dar o exemplo. O facto de os salários médios (para não falar dos mínimos) serem dos mais baixos da Europa não interessa para nada. Depois do sonho irlandês, o exemplo da China ilumina esta mente generosa, disposta a prescindir de 3 e tal por cento do que vence como deputado mas que nada disse sobre as reformas antecipadas dos detentores de  cargos públicos. Ganhamos muito, proclama. Em relação a quem? Aos trabalhadores chineses, só pode. A seguir vai propor sindicatos únicos e controlados pelo estado, vale uma aposta?

Greve dos Enfermeiros – Como se Pode Perder a Razão

Estamos, hoje, confrontados com o início de mais uma greve. A dos Enfermeiros. A segunda deste ano, e ainda só estamos em Março.

Não discuto o direito que cada um, e os enfermeiros em particular, têm, de fazer greve. Neste caso, as razões prendem-se especialmente com discriminações salariais, para além de, assunto menor mas não menos importante, alguns aspectos da «nova carreira». Entendem as senhoras e os senhores enfermeiros, que ganham pouco, se os compararmos aos outros licenciados, e queixam-se de que, só dez por cento dos seus profissionais podem aceder à categoria de «enfermeiro principal».

Para além da greve, e a exemplo do que fizeram no Porto, há dois meses, vão fazer um buzinão em Lisboa. Nunca soube muito bem para que poderá servir um buzinão, mas enfim, é mais uma forma de protesto que chateia toda a gente, já que, buzinão de fazer cair um governo, só mesmo no tempo do da ponte, aquela que agora se chama de 25 de Abril.

Terão no entanto, toda a razão, as senhoras e os senhores enfermeiros.

Na greve de Jeneiro, aderiram à causa cerca de noventa por cento dos enfermeiros, e agora, prevê-se que os números sejam idênticos.

Não poderia estar mais de acordo com estes profissionais. [Read more…]

Trocar apoios sociais por salários

Se uma empresa tem condições para continuar a laborar, ou se após investimentos tem condições de estar no mercado, porque não a Segurança Social apoiar nessas vertentes em vez de pagar a desempregados?

Só tem vantagens. Desde logo porque não fica mais caro ao Estado, depois porque permite que a empresa se adapte e se torne competitiva, e não de menos importância tira às pessoas essa sensação de inutilidade de quem está desempregado.

Claro que isto tinha que ser com conta, pois não se pode de maneira nenhuma estar a conceder apoios a empresas que sempre viveram a pagarem salários de miséria e o mesmo para as que não têm mercado ou foram ultrapassadas por novos produtos e estão absoletas.

A flexisegurança ( permitir que os empregados transitem entre a empresa e a Segurança Social) que é uma medida que vai na esteira da que estamos a tratar, embora não sendo a mesma, tem contribuído bastante para que os Estados do norte da Europa se defendam bem desta crise que está longe de acabar e que vai gerar ainda mais desemprego.

As vantagens são evidentes em termos de produção e sociais ! E com o desemprego acima dos 10% vamos ter violência e problemas sociais se nada se fizer para tirar as pessoas das tabernas e dos bancos dos jardins.

A lebre do governo

A táctica é antiga mas sempre usada, uma e outra vez. Quando o governo (este ou outro)precisa ou pensa tomar uma medida impopular “sonda” a reacção popular, colocando na praça pública a medida, pela voz de “um independente” . Chama-se na gíria “a lebre”!

A lebre de Sócrates é Vitor Constâncio, desde os célebres 6,03% de déficite, o que permitiu a Sócrates aumentar os impostos contra todas as suas promessas eleitorais.Agora lança a lebre mais apetitosa para o governo, mas que é tambem a mais perigosa. Aumentar impostos! Qual? Parece ser o IVA, é o mais transversal, o mais fácil e tambem o que dá dinheiro mais depressa. [Read more…]

Assim de repente, a crise está de regresso

Assim como quem não quer a coisa, o aviso está feito. O jornal i assinala hoje que o stress político em relação ao orçamento de Estado não está fechado. Com a ameaça de demissão do ministro das Finanças em cima da mesa, caso a Lei das Finanças Regionais proposta pela oposição seja aprovada, o primeiro-ministro fez saber que a coisa pode acabar na demissão de todo o Governo.

O Conselho de Estado de hoje pode trazer novidades. A economia estará em foco. Desde o orçamento, até às análises das agências de rating, passando pela subida de impostos ou redução de salários.

O país é que está cansado destas histórias. Isto é, o país que se interessa, porque a maior parte parece alheia a estes dramas. Se calhar com razão…

O descontentamento está na rua…

Os enfermeiros estão em de guerra. Os Sindicatos da Função Pública afiam as facas, na ponte 25 de Abril (de onde se atirou o Cavaco…) há protestos contra o aumento das portagens

Não é possível enganar toda a gente durante o tempo todo, as contas públicas estão aí e estão uma desgraça maior do que a se previa, a despesa aumenta e muito, há que ir buscar dinheiro aos mesmos de sempre, a quem trabalha!

São as portagens, as SCUTs, os combustíveis (o petróleo está ao nível de 2007 mas o preço no consumidor, não baixa…), 60% das margens são receita do Estado, os telefones mais caros que noutro qualquer país da Europa, os serviços bancários…tudo formas encapotadas de “sacar” dinheiro.

Congelar salários e pensões ao mesmo tempo que vamos pagando tudo mais caro!

E diz o Teixeira dos Santos que não há aumento de impostos. Pois não, chamam-lhe outra coisa, como sempre fizeram na sua relação com os contribuintes…

Nós, aqui no Aventar, já tínhamos dito que o acordo na Educação era o abrir “a caixa da Pandora”, e também há muito que vínhamos avisando que as contas públicas estavam num estado deplorável, muito pior do que o  governo admitia.

Acabou a festa para Sócrates…

Orçamento, salários e carrosséis

Depois do acordo, as perguntas. Ferreira Leite quer saber “Porque é que o défice se agravou 1,3% em 15 dias?”. Já Sócrates rejeita acusações de ter escondido valor do défice, o que não me espanta: provavelmente nunca o soube verdadeiramente.

Eu, já agora, gostava de saber o porquê da abstenção do PSD? Quais foram as matérias concretas em que incidiu o acordo entre o PS e o PSD? E o mesmo se diga acerca do CDS-PP. É que as responsabilidades não devem ser apenas exigidas, também devem ser assumidas.

As empresas alinham com o Governo  para um 2010 sem aumentos salariais, e Teixeira dos Santos já fala em cortes nos salários do Governo. Ou comem todos, ou há moralidade (?!).

Entretanto José Sócrates quer sossegar os ânimos dizendo que a “viligância das agências de rating a Portugal não é única”, ou seja todos os países estão a ser vigiados. Fico muito mais descansado: pelos vistos não é nada pessoal contra nós, são apenas negócios tal como a velha máxima  da Máfia “nada pessoal, estritamente negócios”.

Quem não teve meias-medidas foram os empresários de carrosséis que saltaram as barreiras de protecção colocadas pela PSP para conter a manifestação junto à residência oficial do Primeiro Ministro. Acho até que a PSP está a ter muita sorte por os manifestantes não terem trazido as girafas, os cavalos e as chávenas gigantes.

Pode ser um grande orçamento…

Ninguém gosta do Orçamento, não responde às questões essenciais, levanta muitas dúvidas quanto à credibilidade, as empresas internacionais de notação financeira dizem que sabe a pouco, querem que o governo saia rapidamente, para onde entrou, empurrado pelas mesmas que agora o querem de lá para fora

E, no entanto, pode ser um grande orçamento!

Os banqueiros, perante o aumento de impostos para os seus chorudos vencimentos e prémios ameaçam ir-se embora. Há melhor notícia para o país ? Não há! Por mais voltas que se der, esta medida, se colocar fora do país os banqueiros nacionais é a maior contribuição para termos um país decente.

O Déficite e a Dívida são de tal monta e a contribuição deste orçamento para o seu controlo, é tão pequenina, que o mais certo é não haver ninguem que nos empreste dinheiro. Encontram melhor maneira para não se gastar mais dinheiro mal gasto?

As Parcerias Público- Privadas são de tal forma prejudiciais para o Estado que a sua continuação, será sériamente colocada em dúvida e a sua legalidade comprometida, como o próprio Tribunal de Contas tem vindo a anunciar.

O congelamento dos salários é tão injusto que, de uma vez, abrirá os olhos a quem acredita nas mentiras que Sócrates e o seu governo têm aventado todos estes anos a fio.

Os megainvestimentos estão seriamente comprometidos por falta de dinheiro e pela incapacidade de o pedir emprestado, pelo que melhor notícia não pode haver.

E, após, estas misérias todas, até pode ser que o próprio Sócrates perceba que não faz nem deixa fazer…

Congelar salários? Greves na avenida…

O ano passado era ano de eleições, os funcionários públicos foram aumentados 2,9% o que adicionado à inflação zero foi um aumento incomportável para as miseráveis contas públicas que já não enganavam ninguem. Mas a massa salarial é sempre muito mais elevada que o aumento da taxa nominal, há a acrescentar as progressões nas carreiras, o pessoal que entra…

Este ano aí está o congelamento dos salários da função pública, como não podia deixar de ser, cá no nosso país o “go-between” é sempre o mau da fita, mas a realidade , mais tarde ou mais cedo, é incontornável.

Os sindicatos, acicatados pelo acordo com os professores que corresponde a um real aumento da carga salarial, já estão com um pé na rua, as greves vêm a caminho num país à beira da bancarrota. Ninguem está para pensar no todo nacional, que interessa o país, quando milhões de euros são enterrados nos bancos, nos investimentos sem retorno, nos negócios das empresas do Estado e dos grandes grupos com o dinheiro da Caixa, nossa, muito nossa?

Um governo à deriva, sem saídas, a não ser mais dívida pública, mais empobrecimento…

Mas escondida, há uma rúbrica para os poderosos, gabinetes, assessores, advogados, consultores. Mil milhões de euros correspondem a 200 milhões de contos ( o último número andava pelos 80 milhões de contos) uma ganância desmedida a distribuir ao critério  dos governantes, pelos mesmos de sempre, enquanto os técnicos da função pública são afastados dos estudos e dos pareceres.

Claro que os Sindicatos têm razão!

O que se diz por aí

No Afeganistão, a actividade dos talibãs não descansou, e demonstra que o controlo militar do território é um trágico logro que só interessa à indústria do armamento.
Nos “Globos de ouro”, a minha querida Sandra Bullock foi uma das premiadas.
Pelas contas do Eurostat somos o terceiro país da Zona Euro a receber menos á hora. Eles têm é inveja dos nossos salários serem tanto competitivos.
Em outras contas, ficou-se a saber que a Caixa Geral de Depósitos comprou as acções a Manuel Fino mas não os respectivos direitos de voto. Tem acções mas não tem votos na Cimpor. Esta aquisição da Caixa, que pagou pelas acções um preço superior ao do mercado, revela-se a cada dia, um investimento cada vez mais estratégico: ficou sem direito de voto na cimenteira portuguesa que, por acaso, anda a ser bem cobiçada. Quem é fino, quem é?
Enquanto isso Manuel Alegre permanece disponível a recolher apoios. Quando tiver tempo, espera-se que se anuncie como efectivo candidato.
Por fim, uma promissora notícia para os estudantes com uma universidade de Sevilha a reconhecer o direito a copiar nos exames. Depois do “Processo de Bolonha”, talvez o “Processo de Sevilha”.

Curtos pensamentos avulsos (1)

As empresas para pagarem os salários, têm de cobrar os seus créditos.

Quem trabalha num tribunal, tem a garantia que o seu salário é pago no final de cada mês.

Talvez por haver esta diferença de realidades, é que há nos tribunais quem entenda que a cobrança de dívidas por banda das empresas não tem dignidade para ser tratada num tribunal, apelidando de “bagatela jurídica”.

Professores : aberta a caixa da Pandora

Muitas vezes dizemos coisas desagradáveis mas que têm que ser ditas, correndo o risco de sermos mal compreendidos, e até de perder amigos ou relações que estimamos.

Quando abordo a questão dos professores e da escola pública, faço-o por uma única razão. Porque se há coisa que me fez feliz foi a escola; se há coisa em que acredito é que só a educação nos tira da pasmaceira e da miséria, e não só cultural; porque se há profissão que tem influência nas nossas vida é a de professor.

Devo grande parte do que sou a dois/três professores, nada tenho contra os professores, mas tenho contra o estado a que chegou a educação e a dependência da escola pública dos burocratas quer do ministério quer dos sindicatos. E não vejo os professores a lutarem contra isso. Há aqui e ali quem o perceba, mas a maioria está convencida que tudo se resume à bulha de burocratas.

Leiam o editorial de hoje do “Negócios”, está lá tudo o que  escrevi aqui no Aventar. Tudo! Não sou adivinho, nem estou “a armar aos cucos” porque é fácil perceber que ,mais uma vez, o país vai pagar muito caro. Há mesmo frases iguais às minhas, com a diferença que o meu texto foi escrito há 3/4 dias.

Ana Avoila, coordenadora da Frente Comum dos Sindicatos da Função Pública: “Exigimos a suspensão da avaliação. Vamos travar uma batalha por causa disto”.

Nobre dos Santos, coordenador da FESAP: Os professores têm que seguir um regime equiparado aos dos restantes profissionais”.

A comparação entre as condições dos professores e os outros profissionais são gritantes, desde logo na Carreira.Mais breve nos escalões e com menos escalões; Quotas: regime francamente melhor; Orçamento: a progressão dos professores não está sujeita a disponibilidade orçamental para além de ser mais breve  ; Bonificações: não há bonificações para os restantes funcionários.

A CGTP e a UGT limpam armas : …”um técnico superior pode terminar a sua vida activa sem sequer ter chegado a meio da tabela salarial…mesmo que tenha desempenho “relevante” ou “excelente” a progressão depende das decisões dos dirigentes e da existência de verba para o efeito.”

O meu texto chama-se ” A lógica do Estado Corporativo”, incomodou muita gente, mas não foi preciso esperar muito, em dois/três dias as corporações estão aí !

Um Estado fraco, balofo, acossado por escândalos, com um primeiro ministro que faz da mentira um argumento político, com responsáveis a ganharem balúrdios porque são deste ou daquele partido, ou são família ou são amigos, fortunas individuais a subirem à mesma velocidade que o país empobrece…

Quem chega primeiro ao pote do mel! Eis a questão, o objectivo, o modo de vida!

A política socialista em todo o seu esplendor!

Um desejo para 2010

Num país em que a população está num crescente processo de envelhecimento, pondo em perigo a continuação da própria nação; onde a dívida pública é galopante; onde o desconcerto das instituições, sejam públicas ou privadas, face às demandas da cidadania se enraíza cada vez mais, desrespeitando-se princípios básicos de legalidade com a maior das facilidades; e onde a República capitula às adversidades e usa a comunicação social para mascarar essa realidade, a preocupação que ronda o casamento homossexual, principalmente em sede de adopção, parece-me, uma vez mais, mais um exercício autismo lusitano.

Confesso que, a mim, a adopção de crianças por casais homossexuais faz-me enorme confusão, tal como o próprio casamento homossexual, enquadrando a questão na óptica do secular instituto do casamento e da génese deste. Mas faz-me ainda mais confusão que o actual processo de adopção seja tão estúpido, anacrónico e obstrutivo a quem quer dar uma vida melhor a crianças que se vão amontoando em instituições, sem afectos ou referências. É desumano tanto para as crianças que perduram nas instituições, como para quem quer tomar conta delas e ampliar as suas famílias.

Pior ainda, é que nada se tem feito de verdadeiramente válido para apoiar as famílias. Para apoiar o aumento da natalidade.

Somos, antes, uma país que fez do baixo custo da mão-de-obra uma bandeira de competitividade, sem nunca perceber que haveria um custo social terrível a pagar. E a factura aqui está: não há dinheiro para ter filhos, não há dinheiro para ter casa, não há dinheiro para ter carro. Excepto se for emprestado. E aqui temos um povo mal pago e endividado, a quem é dito que para vencer os desafios do futuro é preciso ser mais produtivo, apostar na qualidade e ser inovador.

Este não é um artigo a favor ou contra o casamento homossexual.

É um artigo contra a incapacidade da República em resolver os seus problemas e desviar as atenções daquilo que é essencial à sobrevivência futura da nação.

É um artigo a favor de que os assuntos com verdadeiro interesse para o futuro do país, passem a estar na ordem da agenda política e do debate nacional.

Quando se falou do aborto, falou-se de concepção, de liberdade, mas muito pouco se falou de família excepto para justificar a manutenção de uma dada estatuição penal, como se fosse esta a base programática de construção e de apoio à família.

Quando se fala de casamento entre homossexuais, agita-se o tema da adopção, mas não se aborda nem rumos civilizacionais nem a vergonha que é o actual sistema de adopção que protelam a entrega de crianças, à sombra sabe-se lá de que interesses institucionais.

É urgente debater a família, estabelecer prioridades sociais e de rendimento, passando por políticas de educação, de saúde, laborais e fiscais. É urgente cuidar do essencial, e deixar o acessório. Ou o problema não será que país vamos deixar aos vindouros, mas antes a que vindouros vamos deixar isto?

Desejo que em 2010, haja vontade de falar do futuro do país além do TGV, das escutas, de homossexualidade ou de aeroportos.

Desejo, mas não espero.

Entretanto: Feliz 2010!

Manifesto pelo fim da divisão na carreira III

Boas, se me permite car@ leitor@, vou insistir na minha tese de que não faz sentido haver qualquer divisão na carreira docente. E volto ao tema tendo como ponto de partida o texto do Luís (Trabalho igual, salário igual). Numa resposta a dois tempos:

 

 

Karl Marx

 

E o primeiro comentário vai no sentido de rebater um pré-conceito menos declarado, mas sempre muito presente, contra "O" sindicalista, como se os problemas do nosso país fossem estes e não outros. Sem qualquer tipo de Pré-conceito afirmo que a culpa dos problemas estruturais do nosso país está nas elites dirigentes e não nos trabalhadores. Temos patrões a mais e empresários a menos. Temos gatunos a mais e governantes a menos. Temos uma minoria dirigente interesseira, nada interessada nos interesses da maioria dirigida.

Há sindicalistas conservadores? Com visões do passado? Claro…

 

Mas, quando me dizem que hoje é preciso voltar a jornadas de trabalho de 60h / semana, quando me dizem que talvez seja preciso voltar a trabalhar mais do que oito horas por dia por causa da competitividade… quem é que é reaccionário e conservador?

Será moderno o incompetente Albino Almeida, o pai de todos os pais, vir dizer que quer as creches e escolas das 7h30 às 19h30?

E seria conservador, se por exemplo, exigisse dos empresários um maior apoio aos trabalhadores com filhos em idade escolar, para que estes podessem ajudar os filhos?

 

Nunca na história da humanidade houve tanto dinheiro disponível, nunca como hoje Portugal e os Portgueses foram capazes de gerar tanto dinheiro – porque é que alguns têm que ficar com "ele todo" e outros com nada?

 

Porque é que os lucros de uma empresa, pública ou privada não importa, são para os accionistas na sua totalidade? Porque é que o trabalho é visto como um custo de produção e não como parte essencial ao lucro? Porque é que as empresas não dividem por exemplo, parte dos seus lucros, numa proporção igual, entre accionistas e trabalhadores?

 

Já sei, isto é ser conservador e ter uma visão do passado. O que é moderno é ter gente a ganhar milhões quando temos portugueses a passar fome.

 

Repito – a questão central é mesmo a da distribuição da riqueza.

 

E com isto me perdi no que queria escrever, mas certamente vão ter a paciência de me acompanhar no próximo post…

 

A ladaínha do Orçamento

Já aí está. Vem sempre nesta altura, Outono do Orçamento Geral do Estado, como as ladaínas da minha terra voltam na Páscoa.

 

Os vencimentos de miséria não podem ser aumentados, as empresas não aguentam, são as PMEs que exportam apoiadas em baixos salários. A Função Pública nem pensar, arrastam tudo, qualquer aumento é a miséria e as falências. Todos os anos, ano após ano, sem vergonha.

 

Mas a ladaínha das remunerações milionárias tambem já anda por aí, é preciso segurar os cérebros, os tais que colocaram este país, novamente, na cauda dos países mais pobres da UE, e dos mais injustos! Que vão embora! Mas vão embora para onde? Alguem os quer?

 

A ladaínha é cantada em únissono, num país governado à vez por um partido que se diz socialista e outro que se diz social-democrata, que deveriam ser partidos com consciência social e reformista, virados para uma economia moderna assente na educação, na inovação e na investigação, mas que só fazem pontes e autoestradas. 

 

De braço dado com empresas monopolistas e/ou em cartel, este Estado que abafa o empreendorismo, que pesca à linha politica as empresas que apoia e facilita, já tem aí as "beatas" de serviço.

 

Taxar os ganhos de capital em 20%? Fogem, outra desgraça, numa prática fiscal que penaliza os pobres e a classe média, só pensar em taxar as fortunas arrepia esta gente. Fogem? Mas para onde? Para os países a sério, onde as políticas são nacionais e prosseguem a equidade fiscal?

 

As mesmas empresas que recebem ajudas milionárias do Estado, que fazem contratos de "contentores de Alcântara" por ajuste directo, por 30 anos, fogem?