O Roto Chileno e O Zé Povinho: duas espadas na mesma bainha

Em 1839, no sul do sul do mundo ocidental, livrava-se uma guerra entre o Chile e a recentemente criada Confederação Peru-Boliviana. Países recentemente libertados da Monarquia Espanhola. O Chile, em 1818, ajudou o Peru, e em 1820, o Peru a Bolivia. Ganharam a sua autonomia. Do Peru, foi expulso o Vice-rei espanhol e o governador da Bolivia, o Marechal Andrés de Santa Cruz,tomou o mando das duas nações.As nascentes repúblicas sul-americanas enfrentaram um inevitável período de anarquia política até lograr o necessário consenso cidadão para se consolidarem como nações- A criação da Confederação Peru-Boliviana, outorgou a Santa Cruz o poder político  e económico suficiente para projectar-se superiormente contra Chile.O Ditador desenvolveu sérias interferências às actividades comerciais chilenas, violando tratados existentes, em quanto buscava fazer cair ao Governo do General José Joaquín Prieto Vial com variadas tácticas de infiltração política,

Os chilenos não aceitaram, rebelaram-se contra a confederação e a  marcha forçada, cruzaram 3000 quilómetros de território chileno para atacar a quem pretendia derrubar o seu Governo. O ponto nevrálgico para entrar em territórios da Confederação, era assaltar o Morro de Arica, um monte de pedra, guardião das fronteiras dos três países, que tinha que ser ultrapassado. Parecia quase impossível. No entanto, a 20 de Janeiro de 1839, o exército chileno,

com facas e muito aguardente, trepou esses 600 metros de altitude, com 56 Km de comprimento e apenas 8 Km de largura máxima e.914 metros a maior elevação, debaixo do ataque a tiros dos soldados da Confederação. Metralha impossível de atingir aos que escalavam o morro, porque a pendente alta e plana desviava a espingarda para o vazio ou sobre as tropas que protegiam os atacantes e disparavam contra o inimigo. A aguardente, bebido alcóolica do Chile de  40º, sedava, dava forças e embebedava, convertendo os asaltantes em feras sem medo. O calor era imsuportável, o assalto ocorreu ao entardecer, os atacantes em silêncio surpreemderam por trás o exército da Confederação, ganhando o morro, sito na vila de Yungay, na noite de 20 de Janeiro. Comandos pelo General Manuel Bulneses, a vitória deve-se aos notáveis dotes militares do comandante e à admirável capacidade guerreira dos soldados chilenos, que tornaram possível a entrada nas terras confederadas, pelo assalto dos cem soldados, todos rotos (rasgados e com várias escoriações corporais) pela escalada. Foi assim que nasceu a palavra Roto Chileno e a sua comemoração a 20 de Janeiro de cada ano, decretada pelo Allende do Século XIX, o Presidente Liberal José Manuel Balmaceda Fernández, a 7 de Outubro de 1888, que, para homenagear o Roto Chileno, pela sua participação  no triunfo contra a Confederação Peru-Boliviana, mandou erigir uma estatua na Praça de Yungay em Santiago do Chile. É, pois, nesta praça, que desde o dia em que se decretou esta festa, todas os anos se continua a comemorar o nome do Roto Chileno e o seu contributo fundamental para a manutenção da Independência nacional.

* En Chile se entiende por "roto" a la persona de origen humilde que por lo general no sabe comportarse en sociedad, aunque este uso que llega a ser despectivo en mucha ocasiones se utiliza más cuando quien lo utiliza es de otra nación. E o Zé Povinho?. Narrado ontem, o Zé Povinho é o Roto Chileno, com uma grande diferença. O Zé Povinho é uma metáfora nacional criada pelos burgueses do seu tempo para especular sobre o povo e considerar a personagem como um parvo que nem falar sabe. Ou simples, o Zé Povinho é uma figura cheia de contradições, tal como foi referido por João Medina em "O Zé Povinho, caricatura do «Homo Lusitanus»": Mas se ele é paciente, crédulo, submisso, humilde, manso, apático, indiferente, abúlico, céptico, desconfiado, descrente e solitário, também não deixa por isso de nos aparecer, em constante contradição consigo mesmo, simultaneamente capaz de se mostrar incrédulo, revoltado, resmungão, insolente, furioso, sensível, compassivo, arisco, activo, solidário, convivente. Pensa-se dele com estes sinónimos: gentalha fofoqueiro desgraçado povo populares gente simples medíocre .

O Roto Chileno é de cepa diferente: nem parvo, nem se engana ao falar. Pelo contrário, a sua inteligência é grande e arguta e sabe manipular as situações mais difícieis para o seu bem- estar.

Os dois, com todo, são louvores entregues ao povo para os manter calmos e destemidos nas piores situações financeiras que acontecem quando não existe no país a arte de governar. O Zé Povinho é desenhado como parvo, o Roto Chileno, é considerado como um ser de grande habilidade.

No entanto, se o Roto Chileno é resultado de factos de guerra e da sua força para batalhar, é apenas uma metáfora, como o Zé Povinho. Os verdadeiros Rotos e Zé Povinhos, são os pobres da nação, como esta imagem nos mostra:

 

Em minha opinião, as metáforas acima referidas devem ser rejeitadas por ofenderem pessoas  da nossa Soberania.

 

Obama ganha batalha do sistema de saúde

Por 220 votos contra 215 Obama consegue uma vitória extraordinária que terá repercussão em todo o mundo.

 

Desde Roosevelt que nenhum presidente americano tinha conseguido fazer passar uma reforma na saúde, incluindo Clinton que teve que recuar.

 

Do que se trata é trazer para dentro do sistema 40 milhões de americanos que não têm qualquer cobertura de cuidados de saúde. Isto que parece ser, e é, um acto de humanismo e de bom senso, tem contra as seguradoras americanas que defendem o negócio com unhas e dentes.

 

O sistema americano, que deixa de fora 40 milhões de cidadãos pobres é, mesmo assim ,mais caro que o europeu e com prestações de saúde de menos qualidade. As próprias empresas, que pagam estes seguros aos seus trabalhadores, têm dificuldade em os suportar e constituem uma pesada factura na competitividade externa dessas empresas.

 

Contra o capitalismo sem rosto e ganancioso que leva ao desespero milhões de pessoas em todo o mundo, esta medida do governo americano aproveita a actual fraqueza para fazer vingar um objectivo de grande alcance politico e social.

 

Não esqueçamos que este mesmo governo, que tem contra si  o grande capital, é o mesmo que injectou milhões de dólares para salvar as grandes empresas em falência, após a ganância sem freio dos últimos dez anos.

 

Mas não havia dinheiro para a saúde dos cidadãos !

 

 

Onde pára o nosso dinheiro?

Só para não esquecer:

 

No BPN já lá foram metidos pelo Estado 3.5 mil milhões e necessita de uma injecção extra de capital de 1.8 mil milhões

 

No BCP o assalto socialista com dinheiro da Caixa Geral de Depósitos é um segredo de Estado, não se sabe quanto nos custaram os negócios finos.

 

No BPP foram lá metidos 400 milhões de euros, há um silêncio assustador

 

Nas autoestradas a construir já derraparam 1 110 milhões de euros, reparem "a construir"

 

Só em 2011 Portugal voltará a ter riqueza igual à de 2006

 

Os cenários traçados para 2010 e 2011 deixam-nos paranóicos. Dívida pública e défice com valores brutais.

 

A queda do PIB prevista por Bruxelas para este ano, é de -2,9%. Para 2010 e 2011, as projecções são de 0,3% e 1%.

 

A taxa de desemprego estimada para este ano e para o próximo é de 9%, o que é uma surpresa, atendendo a que o crescimento miserável do PIB vai continuar a criar desemprego, logo aquela taxa vai ser ultrapassada.

 

A Dívida Pública no final de 2011 vai atingir 91,1% !

Coisas Que Me Confundem, Muito!

O ENVELOPE DO DR VARA

O sr dr Armando Vara, pessoa muito importante, com múltiplos e bons conhecimentos em tudo quanto é empresa, e também em todos os lugares de decisão a nível nacional, amigo pessoal do nosso Primeiro, Sócrates II, o Dialogador, vice presidente do BCP, ex-administrador da CGD, ex-deputado pelo partido Socialista, ex-secretário de Estado e ex-ministro, com um vencimento chorudo e com bons rendimentos globais, suja-se e é apanhado por causa de uns míseros dez mil euros?

Que oculta esta face?

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Clube dos Poetas Imortais: Daniel Filipe (1925-1964)

Ouvimos o belo poema de Daniel Filipe, «A Invenção do Amor», muito bem dito por João Manuel Alves e seguido por uma canção de Pedro Abrunhosa inspirada no poema. Daniel Filipe é um poeta, nascido em Cabo Verde, mas que faz parte da história da Literatura Portuguesa do século XX – no entanto, não vamos com isso criar um problema com os nossos irmãos cabo-verdianos – digamos que ele pertence aos dois países – a Cabo Verde porque lá nasceu, a Portugal porque aqui viveu, sofreu, amou e escreveu a sua poesia maravilhosa.

 

Além dos livros que nos deixou, foi um activista cultural e político. No final da década de 50, trabalhou na delegação do Porto do jornal lisboeta Diário Ilustrado. Cordial, amistoso, grande contador de histórias, depressa se relacionou com um grupo de escritores antifascistas como ele – Egito Gonçalves, Papiniano Carlos, Luís Veiga Leitão e outros. Com este grupo ajudou a criar as «Notícias do Bloqueio», título de um poema de Egito Gonçalves e de uma série de nove «fascículos de poesia», publicados no Porto entre 1957 e 1961. A PIDE prendeu-o porque animação cultural para aquela gente significava «agitação social» (talvez não o tenham prendido só pela sua actividade cultural; mas também). Foi, segundo consta, barbaramente torturado. Morreu em Lisboa com 39 anos.

Não tive o prazer de o conhecer. Vi-o uma vez ou duas, disseram-me – «Olha, é o Daniel Filipe, o da “Invenção do Amor”», mas nunca falámos. Fora um dos organizadores dos Encontros da Imprensa Cultural, ou melhor, organizou o primeiro, no qual não estive. Participei no segundo em Cascais, em Julho de 1964, quando ele acabara de falecer. Na foto que encerra o texto  documenta-se o momento em que nesse II Encontro, se guardava um minuto de silêncio em memória de Daniel Filipe, fundador daquele movimento e grande poeta.

 

Daniel Filipe, nasceu em 1925 na ilha da Boavista, em Cabo Verde, e faleceu em Lisboa no ano de 1964. Jornalista e funcionário da Agência-Geral do Ultramar. Dirigiu o programa «Voz do Império» na Emissora Nacional. Foi preso pela PIDE, sendo submetido a tortura. Entre a sua obra destaca-se: «O Viageiro Solitário» (1951), «A Invenção do Amor» (1961) e «Pátria Lugar de Exílio» (1963), colectânea de que seleccionei um fragmento da 3ª Canção:

            Pátria, lugar de exílio

            geométrico afã

            ou venenoso idílio

            na serena manhã.

 

            Pátria, mas terra agreste;

            terra, apesar da morte.

            Pátria sem medo a leste.

            Lugar de exílio a norte.

 

            Pátria terra, lugar,

            cemitério adiado

            com vista para o mar

            e um tempo equivocado.

 

            Terra, débil lamento

            na temerosa noite.

            Sobre os carrascos, vento,

            Desfere o teu açoite!

 

No II Encontro da Imprensa Cultural, realizado em Cascais em Julho de 1964, guarda-se um minuto de silêncio em memória de Daniel Filipe. Este encontro foi presidido por Manuel Ferreira, ao centro. O escritor catalão Fèlix Cucurull é o sétimo, da esquerda para a direita.

 

Afinal parece que os Professores de Argoncilhe tinham razão

Há um ano

 

Argoncilhe na Manifestação de 8 de Novembro de 2008

 

Começou por ser um ataque descarado ao nosso profissionalismo. Eram, os 150 mil, uns malandros, uns incompetentes e tudo o que havia de mau na Educação era culpa dos Profs.

A malta fez greve – a Ministra vai para tribunal para impedir a greve.

Em Outubro, num dia feriado, vamos para a rua e esse maravilhoso Sr. Lemos vem para a TV falar em milhões de horas que os professores não trabalhavam porque faltavam – ao que parece, o mesmo motivo que o levou a perder um mandato não sei onde.

Aí o país começou a tocar a mesma música, logo, é muito bem feito, os professores são uns malandros que não fazem nada e ganham muito.

Aos poucos a classe foi-se levantado, uma vez no dia Internacional da Mulher, uma outra foi necessária 8 meses depois… e outra… ELEIÇÕES!

Só agora todos dizem o que nós andámos a dizer durante 3 anos!

A vida é isto mesmo, LUTAR sempre! É uma AVENTURA!

 

Nota: em tom de saudade dedico esta vitória ao Dalby que, como sabemos, esteve em todas as Manifestações de Professores

A Amélia das Sucatas

trash

Imagem KAOS

 

As taxas de combustível estão altíssimas e isso torna as Maldivas muito longínquas, e já está toda a gente a pensar para que é que as Maldivas são chamadas para aqui, mas isso ainda é segredo: posso adiantar que estando muito perto do nível do mar, a erosão salina faz desaparecer a sucata muito depressa, por aquelas paragens, ao contrário de cá, em que se enrolam em trapos pretos, e vão viver para umas terras de nomes horríveis, na Beira, e ficam com a sucata toda lá por baixo, enfim, supõe-se que seja por isso que os garanhões da pastorícia — ainda há pastores — prefiram as ovelhas, a terem de comer a avó do melhor amigo…

Tirando esta introdução, muito metafísica, como viram, vou já falar do tema do dia, que é quando a gente pensa que já chegou à última cave, a Nação tem sempre uma surpresa, e lá levanta mais um alçapão, e mostra-nos uma subcave, bafienta, e ainda mais deprimente, que, afinal, nos rege na sombra.

Antigamente, no tempo em que o António Variações fazia de Cesévora Ávida, e nada lhe escapava, nem na goela, nem na cloaca, o rés do chão era a corrupção do Futebol, mas o avião fez-se um pouco mais à pista, e descobrimos que, por detrás do Futebol se escondia o nível inferior, dos Construtores Civis, e eu pensei, "pronto, chegámos às bases…", mas a verdade é que as bases ainda não eram essas, e ainda havia as rainhas, as princesas e as camareiras da sucata, uma espécie de discretas vascas francas, que saltavam à vara por cima de uns godinhos que só deus sabe em que ferrugem habitavam.

É deprimente saber que, enquanto a Rússia tem o Kremlin, os States, a Casa Bran… perdão, Preta, a França, o Eliseu, o País é governado a partir de uma sucateira, e, portanto, qualquer Plano Tecnológico, qualquer Plano Nacional de Leitura, ou qualquer Plano de Ação da Matemática estão, não só cronológica, como espacialmente desfasados da Realidade, como, aliás, todos pressentimos, embora nos choque ver a confirmação.

Eu até aqui estaria descansado, mas deixo de estar descansado, quando penso, por analogia, que, se já ontem o último patamar foi vencido por um mais baixo, também amanhã aparecerá qualquer coisa ainda mais subterrânea, que fará parecer a Sucata um Belvedere, ou "un Petit Trianon".

Tudo o resto que vou escrever é pura imaginação, mas suponho que, por detrás dos sucateiros, amanhã, se descobrirá que quem realmente governa este país sejam aquelas velhinhas dos sacos, recoletoras do lixo, que entornam os caixotes verdes no passeio, para grande desgosto do António Costa e alegria dos cães e gatos famintos, que têm bigode, dizem palavrões rosnados, e nos ameaçam com a bengala, mas que, em contrapatida, naquelas sacolas, amarradas com cordéis sujos, transportam segredos, matéria cifrada, e o registo de fluxos financeiros importantíssimos. No fundo, só a nossa desatenção não o permitiu ainda descobrir: basta olhar para a corcunda de cada uma dessas sombrias criaturas, e para o disfarce perfeito de… sei lá… de pobres, sim, de pobres, que elas põem, para se ver que, na verdade, são realmente poderosas.

Isto não sou eu a delirar: mal a gente vira as costas, elas tiram dos bolsos telemóveis caríssimos, de platina, e ligam para o Obama, tratam-no por tu, com vozes de Maria João Avillez, exercem pressões e chantagens no Héron-Castilho, e ditam todas as oscilações do preço do Petróleo e do Plutónio, no Golfo Pérsico. É por isso que eu adoro viver no Umbigo do Mundo, e me sinto todos os dias importante, e cada vez mais  seguro, e espero que vocês também.

 

 

(Hexagrama do latão do lixo, no "Aventar", no "Arrebenta-SOL", no "A Sinistra Ministra", no "Democracia em Portugal", no "KLANDESTINO", e em "The Braganza Mothers")

 

O dinheiro "emprestadado" do BPN

Há gente que é capaz de dizer tudo para agradar a quem lhe possa arranjar um lugar numa qualquer lista à Assembleia da República, ou um lugarzinho numa qualquer empresa pública.

 

A última que apareceu na "Jugular" e bem dissecada pelo " 5 dias", foi a delirante afirmação, que Louçã estaria a mentir quando disse em plena Assembleia da República que o montante  enterrado no BPN estaria perdido. Para os Jugulares isso não é verdade porque se trata de um empréstimo e como tal, recuperável..

 

Ora, como se sabe, o BPN vai ser vendido pelo seu valor de mercado, não pelo valor do dinheiro que o Estado lá meteu. E esse valor vai ser medido pelo valoe da sua rede de agências, único activo que interessa aos potenciais interessados.

 

Isso mesmo já foi dito pelo Dr. fernando Ulrich, presidente do BPI e um dos potenciais interessados. Ninguem dá um tostão furado pela marca do banco, pelo seu passado nebuloso, pelo presente instável e pelo nenhum futuro (Nicolau Santos- Expresso).

 

O Estado já lá meteu 3.5 mil milhões de euros e a insuficiência de capital ascende a 1.8 mil milhões de euros e mais não seria preciso para perceber que a nacionalização foi um erro clamororso.

 

A privatização vai mostrar que os prejuízos do Estado se contabilizarão por centenas de milhões de euros. O Presidente do banco Francisco Bandeira diz que " o meu papel é reduzir os custos do Estado, porque é óbvio que o Estado terá custos"

 

Só não vê isto quem não quer ver e segue a propaganda governamental. A mentira, repetida mil vezes, torna-se verdade!

 

Mas com números é mais dificil!

 

 

 

Após "Face Oculta " o país nunca mais será o mesmo

Afinal tambem temos um primo de José Sócrates na parte oculta das empresas do Estado. Com o tio e os primos do Freeport agora temos uma prima casada com um administrador apanhado nas escutas.

 

Entretanto, há diversas obras públicas na esfera da Estradas de Portugal, violentamente criticadas pelo tribunal de Contas. As empresas privadas são as  do poderoso "lóbby" do betão, que avançaram com as obras sem visto do TC, havia que mostrar trabalho antes das eleições. Quanto custa ? Ninguem sabe!  O que se sabe é que as condições do processo "contentores de Alcântara" foram alargados para estes contratos das autoestradas, se não forem lucrativos paga o Estado. Isto é, o risco por conta do Estado!

 

O Presidente da República, na inauguração de mais uma fábrica de celulose/ papel ali em setúbal, torna a chamar a atenção para a evidência que só Sócrates e estas redes tentaculares fazem de conta não perceberem. Os megainvestimentos são um crime nacional nas presentes condições, há uma dívida externa colossal, a despesa pública já ultrapassa os 50% d0 PIB.

 

Mérito haveria se as Pequenas e Médias Empresas, de bens transaccionáveis e exportáveis, fossem fortemente apoiadas, substituindo importações, criando postos de trabalho douradoiros e não trabalhos por cinco anos, com um custo elevadíssimo, que só os pobres estão dispostos a pagar. Grande parte dos investimentos são importados, agravando a dívida e criando postos de trabalho,isso sim, na Alemanha e na Holanda.

 

Estará Sócrates a preparar o após governação, agradando aos colegas europeus poderosos que definem "quem é quem " na UE ?

 

Entretanto, os muitos mil milhões de euros metidos no BPN patinam, ninguem está disposto a pagar a ladroagem , compram pelo preço de mercado não pelos prejuízos acumulados.

O BPP entrou em hibernação a ver se passa e o BCP lá anda com o dinheirinho da Caixa Geral de Depósitos e com os administradores muito propositadamente transferidos.

 

O Freeport era uma campanha pessoal, e agora a "Face Oculta" com todas estas empresas e estes socialistas, também é pessoal?

Comentadores de blogues: Um bando de loucos

Com excepção dos comentadores do Aventar, os comentadores de blogues são um bando de loucos. Dizem as maiores tonterias pela boca fora, mesmo quando ninguém lhes perguntou nada, utilizam nomes falsos para não serem identificados, enervam-se e insultam. E voltam sempre à carga como se alguém quisesse saber da existência deles. Não desamparam a loja.

Os comentadores do Aventar não: esses são gente fina. Até hoje, não tivemos de apagar um único comentário.

Vem este assunto a propósito de um comentário do leitor Dalby a um texto do professor Raul Iturra, dizendo esse leitor que os textos do professor são chatos e «passados». Caro professor, não se amofine. Todos sabemos que o leitor Dalby, como se diz aqui pelo Porto, não é muito fixinho.

Casamento gay embala o PS

TEXTO DE FRANCISCO LEITE MONTEIRO

 

 …O casamento só é admissível e possível entre duas pessoas de sexo diferente…

 

Acabou ontem a discussão do programa do governo para esta legislatura, no ensaio dos primeiros passos, dir-se-ia, a coberto da ineptocracia socialista para, arrogantemente, conduzir Portugal para uma situação de que já não havia memória. O défice das contas públicas já vai nos 8% e continuará a crescer, prevendo-se que atinja, no final de 2011, a cifra record dos 8,7%; o crescimento económico, longe de regressar à convergência que foi possível mercê das políticas dos Governos da República de 1985 a 1995, regride – Portugal vai ficando para trás e vai sendo ultrapassado por alguns dos mais recentes parceiros que aderiram à União Europeia dos 27; e, a taxa de desemprego, continua a aproximar-se dos 10%, estando já registados mais de meio milhão de desempregados.

 

Como se nada disto fossem factos, o governo do PS saído das últimas eleições, continua a comportar-se como se tivesse conseguido uma maioria absoluta, não obstante tenha sido o partido que conseguiu o maior número de votos – 2.077.695. Comparado com o total de Portugueses inscritos nos cadernos eleitorais, os votantes com direito a voto – 9.514.322 – a realidade é que não chegou a 2 em cada 10, o número de Portugueses que votaram PS, ou seja, menos de 22%. 

 

 

Ora, esquecendo a realidade dos factos e o “NÃO” dos Portugueses às políticas socialistas dos últimos 4 anos e ignorando que as circunstâncias, não só a nível nacional mas também internacional, são hoje bem diferentes, o programa de governo em discussão, insiste nos mesmos erros. Destes cabe destacar alguns mais gritantes, como é a aposta nos projectos megalómanos de obras públicas, a obstinação à volta do modelo de avaliação do professorado nacional e a necessidade premente de medidas claras em termos de política social.

 

A despeito da verdade e embalado por uma estranha determinação, quiçá doentia, sobrepondo-se a tudo o mais e a todos os verdadeiros valores que estão subjacentes e deveriam merecer prioridade máxima, é a obstinação à volta da legalização desse absurdo que é o chamado “casamento gay”, relativamente ao qual, neste mesmo espaço, veio já a propósito abordar e a que importa, uma vez mais, consistentemente, repudiar.

 

Tendo presente toda uma série de condicionalismos políticos e sociais, importa recordar a Declaração de Princípios do Partido Socialista, aprovada no XIII Congresso de 2002, pela qual o PS se comprometeu a defender e a promover os direitos humanos e a respeitar a Declaração Universal dos Direitos do Homem, adoptada e proclamada pelas Nações Unidas, igualmente publicada no Diário da República Portuguesa e a que também faz menção a nossa Constituição (art. 16º e 36º). De tudo isso decorre e está preceituado, que o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião, isto é, de contrair casamento, no estrito respeito dos direitos dos cidadãos. Sem pôr em causa a opção sexual que um qualquer cidadão pode tomar é aceitável, pode admitir-se que exista entre duas pessoas de sexo feminino ou de sexo masculino, um acordo ou contrato, nos moldes das chamadas "uniões de facto", porventura mais bem regulamentado, mas sem nunca "rotular" de casamento. O casamento só é admissível e possível entre duas pessoas de sexo diferente, como escrevi e mantenho, não estando o PS legitimado, para legislar contra a grande maioria dos 78% dos Portugueses que lhe não deram o seu voto. Se, de nova manobra socrática de diversão, para dispersar a atenção do País dos problemas reais e ganhar “embalagem”, então, tal como o “casamento gay”, também isso é de repudiar.

. . . cá vamos andando….pelas ruas da amargura

 

Razão tinham o meu Senhor Pai e o meu Catedrático da Universidade de Cambridge, para não quererem que eu aparecesse por Portugal. O primeiro, um homem às direitas e, infelizmente para mim, de direita ditatorial, esse Senhor Engenheiro Basco, bem conhecia Portugal; o segundo, sempre a resmungar e a lançar livros sobre as cabeças dos que tivessem a iusadia de entrar no seu gabinete para pedir orientações, esse homem de esquerda, lutador pela República na guerra civil de Espanha, nunca tinha cá vindo, mas sabia da reputação do país. Nem um nem o outro queriam que viesse e muito menos que fica-se. Mas o país dos namoros,…do sol,…das mulheres sedutoras e dos homens amigos que denominam o seu  íntimo campeão da amizade, é uma pura e aberta sedução. Desde o inicio, mas…,mal começamos a entender a língua, as ideias, a entramos pelas portas das suas casas, começam as queixinhas, que o bom povo português oculta ao estrangeiro, desvendando-as apenas quando adquirimos o estatuto de nacional, compatriota usado que para nada serve. Cheio de provérbios, o bom povo português, representado pela primeira vez como Zé Povinho, personagem de crítica social, criada por Rafael Bordalo Pinheiro e adoptada como personificação nacional portuguesa. É também conhecido como João Bítor, grande amante de binho e xixas, AMEN ! Diz o Rui.

Apareceu pela primeira vez no 5º exemplar d’A Lanterna Mágica a 12 de Junho de 1875, referido em  http://pt.wikipedia.org/wiki/Z%C3%A9_Povinho. Foi a personagem que eu conheci depois de muito andar pelo país, ser amigo das pessoas, que hoje em dia são Zé Povinho e me abandonam, criticam ou louvam

 conforme as suas conveniências. Desloquei-me ao país luso para dar conferências por dois meses, e fiquéi….31 anos,….até que os amigos me fizeram português. Esse primeiro verão, foi de uma calor de 40º, e o promeiro inverno, frio e chuvoso bem ao estilo do meu país de procedência, a Grã-bretanha. A primeira frase que ouví, porque ninguém visita doentes, nem os que nos denominam campóes da amizade, foi esta:avinha-te, abifa-te e abafa-te. Mau coselho, habituado como estava a suportar as gripes a trabalhar. Uma outra ideia que me foi entregue, relatada por mim em outro aventar, era essa de andarmos pelas ruas de amargura, de certeza, exprimida nesta imagem http://www.miradaglobal.com/images/stories/Image/temas/1_temas_100709.jpg,  como esta, muitas outras valeriam. O nosso país é um país de provérbios, como país fatimizado que é. A pessoa da imagem parece estar a exprimir o proverbio como Deus quer. E como esse, tantos outros, que as pessoas leitoras deveram saber, por se orientarem por eles no seu dia -a- dia,, como os que se seguem: vai-se andando conforme podemos ou nos deixam; mais vale só que mal acompanhado; depóis da tempestada, vem a bonança; guarda que comer, não guardes que fazer;  queres ver teu médico mendigar,come uma maçã ao jantar. E tantos outros. Homens e mulheres de fé ou não, os analistas portugueses têm informado nos seus textos que há cerimónias de louvor à divindade, que ainda são praticadas, como têm referido Paulo Raposo e o seu Auto das Floripes, ou Filipe Reis no seu Bom dia Tio João, emitido por rádio todos os  domingos de manhã. Como estes casos, muitos mais há, o que falta é o espaço para escrever sobre eles.. Excepto essa frase tão ouvida por mim, ao interpelar uma pessoa: Mande….!  Ou ver à arrogânte senhora  que antes perguntava e que hoje, com mando na  mão, apenas levanta o nariz e olha para o lado. . No entanto, feliz de cá estar….

 

Paulo Bento: Together forever with you*

* Do forever teu José Eduardo Bettencourt.

Poemas com história: Ode ao ciborgue

 

Quando no final dos anos 80 do século XX a introdução nas cirurgias de transplante dos fármacos anti-rejeição aumentaram as taxas de sobrevivência dos pacientes sujeitos a tais cirurgias, tiveram lugar algumas especulações sobre o futuro da espécie. Esse tipo de interrogação foi reforçado pelo isolamento do enzima de restrição que permitiu pensar-se em manipulação de mensagens genéticas e abriu a possibilidade de modificar as moléculas de DNA, cuja descodificação, mais recentemente, permitiu a clonagem. Este tipo de esperanças e temores, deu, como disse lugar a muitas especulações. Este meu poema (incluído em «O cárcere e o prado luminoso») acompanhou essa onda. Diz o seguinte:

      Ode ao ciborgue

           Os transplantes, a substituição

           de órgãos e membros deficientes,

           a intervenção humana nas leis da genética,

           vão ser, nas próximas décadas,

           cada vez mais vulgares e frequentes.

E isto é quase o mesmo que dizer

que, dentro de relativamente pouco tempo,

o corpo humano estará crivado de próteses

e enxertos, irá sendo cada vez mais

um artefacto onde, como solitárias ilhas,

restarão alguns órgãos de origem.

O nome que alguém deu a esse ser híbrido

e futuro, quase imortal,

viagem entre o homo sapiens e a máquina,

foi o de ciborgue,

simbiose articulada de plástico e plasma,

silicone e carne, ossos, titânio e aço inoxidável,

ouro, músculos, alumínio, vísceras,

platina, chips, circuitos integrados…

Um cérebro, talvez provisoriamente,

prolongado pela água e pela gelatina

dos olhos (talvez acoplado a um computador),

registará a negra paisagem citadina,

a superpopulação, a água do rio

navegada pelos resíduos da central.

Sejamos corteses, saudemos o ciborgue,

metálico milagre do processo evolutivo,

o machina sapiens, cidadão do amanhã,

herdeiro longevo do mundo irrespirável

já hoje em construção febril.

E (quem sabe?), oleando as articulações,

mudando as baterias solares do coração,

registando mensagens nas memórias

do seu cérebro-computador,

talvez que nos dígitos luminosos,

implantados onde nós, os antigos,

tínhamos os lábios e a voz,

talvez, quem sabe? Quem sabe?

se acenda por momentos a palavra amor.

 

 

Um dia, quando for grande

Um dia, quando for grande, quero ter tempo.

Para ler, escrever, reflectir, enfim, ter tempo para fazer aquilo que hoje não tenho tempo para fazer.

 

Quero poder ver os novos filmes, que os olhos anseiam, e rever os antigos, que a memória pede. Ouvir com os sentidos apurados todas as músicas que deixei para escutar no dia seguinte. O dia que tardava em chegar.

 

Quer poder passear, por cá e por lá. Percorrer os recantos das terras onde vivo mas aos quais não ligo nada. Porque não há tempo para essas frivolidades. Caminhar por lugares onde nunca estive e conhecer pessoas que vale mesmo a pena conhecer. E para isso é preciso tempo. Quem vale a pena conhecer não se mostra de um minuto para o outro.

 

Um dia quero ter o tempo que não tenho hoje. Quero ter tempo para poder perder tempo a pensar em como aplicar o pouco tempo que nessa altura terei. Porque tenho tanto que fazer.

A máquina do tempo: a Revolução de Outubro

 

 

Às 10 da manhã de 7 de Novembro de 1917 (25 de Outubro pelo calendário russo) – faz hoje 92 anos – consumava-se a Revolução na Rússia e a esperança no Comunismo acendia-se por todo o mundo. Já tudo foi dito sobre este histórico momento de ruptura social, económica e política que transformaria o mundo das décadas seguintes, pelo que apenas vou recordar alguns dos principais tópicos da Revolução bolchevique.

No dia anterior, em Petrogrado (Sampetesburgo), numa acção rápida e bem coordenada, grupos armados do CMR (Comité Militar Revolucionário), afecto aos bolcheviques, haviam ocupado as agências telegráficas, coração do sistema de comunicações, e mandado baixar as pontes sobre o Neva, isolando a cidade do resto da Rússia. Por isso, em 25, à hora mencionada, o periclitante Governo Provisório comunicava ter transferido todo o poder para o Soviete de Petrogrado. Este comunicado foi, segundo se sabe, emitido pelo CMR e redigido por Lenine.

Nessa mesma noite de 25 de Outubro, teve início o II Congresso dos Sovietes que elegeu um Conselho de Comissários do Povo. Em 26, foi aprovado o Decreto da Paz, propondo a retirada imediata da Rússia da I Guerra Mundial. Foi também aprovado o Decreto da Terra, que propunha a abolição da propriedade privada e a redistribuição da terra pelos camponeses. Em 2 de Novembro (15 no nosso calendário), Moscovo caiu em poder dos bolcheviques.

Houve, como é natural, resistência a estas medidas revolucionárias, nomeadamente na Ucrânia, integrada no Império Russo e fazendo depois parte da União das Repúblicas. Contra os vermelhos, alinhavam-se os brancos num leque político que abrangia à direita czaristas, liberais, nacionalistas, e à esquerda os anarquistas. Começava uma terrível guerra civil que iria durar até 1921.

74 anos depois, o sistema socialista ruiu e o capitalismo triunfou. Em todo o caso, nessa altura e desde há muito tempo, o sistema que vigorava nas repúblicas soviéticas já pouco tinha a ver com o socialismo fundacional. As contradições sufocavam um regime que se dizia comunista, mas que por muitos era designado por «capitalismo de Estado» e cujo socialismo já só subsistia em aspectos mais ou menos superficiais.

À partida tal desfecho fora previsto, pois, disse-se, o socialismo só poderia triunfar se conseguisse implantar-se à escala mundial. Após a 2ª Guerra, pareceu que isso poderia acontecer, pois parte considerável da Europa, da Ásia e da África foi assumindo-se como socialista. Na América Latina surgiam também focos. Porém, uma coisa são as ideias outra os homens que as põem em prática. E, por esse lado, o socialismo começou mal e não acabou melhor. A Guerra Fria, sobretudo a acção da CIA, foram roendo o sistema pelo exterior. Mas foram sobretudo as muitas contradições internas, sobretudo a corrupção e o despotismo que desgastaram irreversivelmente o sistema. As revoltas da Hungria e da Checoslováquia foram apenas um sinal.

Em Dezembro de 1991, com a demissão de Gorbatchov, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas era formalmente extinta, instalando-se aos poucos a economia de mercado, as redes de droga e prostituição, as máfias… O «mundo livre», digamos para simplificar.

 

 

 

 

Parábola do camarada B. segundo Carlos Rates

Fortaleza de S. Pedro e S. Paulo, 1905

 

 

o camarada B. tinha toda a confiança do soviete de

Petrogrado cabia-lhe transportar dois soldados brancos

descobertos pelos anarquistas até ao comando militar

onde seriam fuzilados. o camarada B. era

magro tuberculoso, de uma actividade espantosa, sempre

alerta eloquente confuso, com os seus belos olhos azuis

cheio de juventude e sempre animado de entusiasmo. tinha

passado dez anos na prisão durante a sua vida de revolucionário.

o camarada B. encontra-se de revólver à cinta sentado

em frente dos dois prisioneiros pálidos

no automóvel que desliza para S. Pedro e

S. Paulo. de vez em quando lança um olhar

através da vidraça do carro um olhar

sobre a rua que desaparece. lembra-se do dia

em que o conduziam a ele próprio

igualmente preso, a caminho da mesma fortaleza

pelas mesmas ruas.

o carro aproxima-se da porta da Trindade. a flecha dourada de Pedro e Paulo brilha no céu dominando as casamatas.

 

– alto! – grita o camarada B. o automóvel pára a duzentos

metros do portão da cidadela. o camarada B. diz-lhes,

apontando as ruas desertas:

– vão-se embora.

 

o camarada B. sente neste momento, um alívio que tu não podes imaginar. o camarada B. parte perdido

objecto exposto

na Revolução de Outubro em Novembro de 1917.

 

(feito a partir de uma narrativa de José Carlos Rates (entrada manhosa da Wikipédia), fundador e 1º secretário-geral do PCP, incluída em A Rússia dos Sovietes. Republicado)

 

Angústias sem refúgio

Ando cheio de angústias, o que virá, o que foi e não me faz feliz, que não posso mudar e que bem seria diferente se tivesse a maturidade ou o conselho avisado.

 

E as angústias estranhas às minhas decisões, ao arrepio da bondade ou do simples bom senso. As angústias resultam da culpa ou da ignorância?

 

Sou culpado porque não fiz tudo o que estaria ao meu alcance ou porque não sabia mais ?

 

Movimentar-me neste labirinto de sentimentos,empurra-me para um cenário em que as coisas tomam dimensões que não são reais e isso potencia o sentimento de culpa. Mas a ignorância tambem não é refúgio para a angústia. Que culpa se pode ter de algo que se teme e que não aconteceu? Carrego o sentimento de medo e de angústia que dominou a minha infância?

 

Há mais angústia no que pode acontecer do que no facto em si mesmo, como seja preferível o ataque, à sombra que ameaça e que nos mantém em alerta. É a angústia um estado de alerta? Estou melhor preparado para me defender e a angústia é o preço a pagar? Ou a angústia é um sentimento que me destrói sem controle? A angústia é inútil ?

 

Onde posso encontrar lenitivo para a angústia ? Na convicção profunda que fiz sempre o melhor que estava ao meu alcance ou na capacidade de viver a vida, com os seus fantasmas, as suas ameaças e os seus momentos felizes?

 

Ando cheio de angústias, sempre que vejo as folhas a cair, a noite a apropriar-se do dia, a chuva que cai e que me dá um sentimento de fragilidade como se fora uma criança.

 

As angústias tambem se partilham. Desculpem ou obrigado. Fica a vosso cargo.

 

 

 

 

 

 

 

Face oculta – as escutas são entre amigos

Sócrates falou ao telefone com um amigo e vai continuar a falar sempre que lhe apetecer. Eu por mim acho bem, mas as escutas não são por serem entre amigos, são por serem entre duas pessoas que falam do negócio da TVI, a tal que atacava Sócrates e que ele silenciou.

 

O filho tambem falava ao pai todos os dias, não para lhe pedir a benção, isso acho bem, mas para lhe dizer que a sucata já brilhava.

 

O Vara falava aos amigos colocados nas empresas públicas, não para saber se estavam com gripe A, o que eu perceberia, mas para lhes dizer que se deviam comportar com o sucateiro como se ele fosse um ourives.

 

Este Sócrates é capaz de fazer de nós "um grupo de amigos do Freeport" e colocar-nos "enrolados" na licheira da Cova da Beira, tudo com a benção da decência e da verdade!

FUTaventar: Sporting não é um Grande

Diz o Paulo Bento que o Sporting desde 1960 só ganhou oito campeonatos (62, 66, 70, 74, 80, 82, 2000 e 2002).

Este números mostram que o Sporting não é um grande! E só por isso se percebe a inveja que sentem, palavras do treinador agora de saída, do BENFICA!

Com o meu olhar absolutamente parcial de sócio do BENFICA, sinto uma enorme alegria em ver este clube, o Sporting, assim!

Estranhas aventuras… pela Economia.

A economia interessa-me, mesmo não sendo um tema que me atraia muito. Aliás, o mais interessante no tema economia é poder estar em contacto com algo que não é natural e totalmente anormal. É só para fugir um pouco à rotina.

O principal problema é que me causa uma certa bipolaridade linguística.

Numa situação normal, no dia-a-dia dos empregos, se eu tenho um problema falo com o meu chefe. Mas na realidade económica, tudo é muito mais estranho e parece que se é transportado para um universo paralelo. No planeta-economia, quando se tem um problema no emprego, obrigatoriamente tem de se marcar um reunião. Aliás, há empresas que têm casas-de-banho nas salas de reunião, tal é a enormidade de tempo que o pessoal lá passa. Marcada a reunião com o CEO e ouvidas as exigências do assalariado, o CEO pergunta ao funcionário se ele sabe o que quer dizer lay-off. Chateado, o funcionário relembra-lhe que na perspectiva da empresa se tornar um dos key-players do mercado, a estratégia passou por recorrer ao outsourcing e que esse é o caso dele. Se tivesse algum problema com as suas prestações laborais que fizesse uma exposição ao General Manager ou então que financiasse uma temporada com um Business Coach para se manter up-to-date. Sendo que o CEO era um homem já bastante rotinado nos negócios do franchising de "one-stop-shops", não gostou da atitude de afronta do funcionário e relembrou-lhe que o feedback que tem tido das suas prestações não tem sido positivo apesar do know-how disponibilizado pela empresa…

Isto foi há duas semanas e a reunião ainda continua…

Agora o assunto económico sério: 

Estava eu a dar uma vista de olhos no Jornal de Negócios, quando encontro este artigo do Francesco P. Marconi, “Do "Homo Economicus" ao "Homer Economicus"”.

Depois de uma historieta sobre economia e desenhos animados (não serão a mesma coisa, mas para públicos diferentes?!) vem a parte sumarenta: a crise atirou com a credibilidade da economia ao tapete. Engraçado, ainda não tinha reparado. Então o que fazer com esta situação e como melhorar a prestação da economia na realidade do dia-a-dia?

 

“Uma das tendências que se tem vindo a desenhar no mundo académico é a da economia comportamental, que, integrando a psicologia na economia clássica, estuda como é que os agentes económicos reais tomam decisões, e cria instrumentos para os induzir a agir com mais racionalidade.”

Na realidade das pessoas normais, que não pensam constantemente em pontos percentuais, o que raios quererá isto dizer? Francesco P. Marconi elucida novamente:

 

“Um simples exemplo: dizem os economistas comportamentais que a experiência laboratorial mostra que, quando recebemos uma grande quantidade de dinheiro, temos tendência a poupar; pelo contrário se a recebermos em pequenas parcelas aumentamos o nosso consumo.”

Alguém tem de explicar como as coisas realmente funcionam na vida real, fora dos cúbiculos com ar condicionado onde os economistas passam a vida reunidos. Vou tentar explicar este exemplo do ponto de vista do cidadão comum, sem usar o termo “experiência laboratorial” porque me lembra de cobaias e não de pessoas.

“Um simples exemplo: dizem os economistas comportamentais que quando alguém recebe uma pipa de massa, gasta que se farta em tudo o que lhe apetece para massajar o ego e ainda lhe sobra montes de pasta para meter em PPR’s; pelo contrário se recebermos de ordenado o que alguém gasta só para mandar polir o Rolls Royce, temos tendência a pagar as continhas todas ao fim do mês e a gastar o resto que sobra em três cafés e um pacote de chicletes”.

Francesco P. Marconi e caros companheiros da economia: aparentemente, vocês não batem muito bem da bola e confundem alhos com bugalhos. Vão tomar um Core-Business ou fumar uma Joint Venture que isso passa-vos.

 

Boston Legal

Curriculum de Valter Lemos

 

 

Curriculum de Isabel Alçada

 

 

Sobre estes Mestrados feitos em Boston, ver  aqui.

Today is More’s day

 

 

Sir Thomas More nasceu em Londres a 7 de Fevereiro de 1478, filho de John More, um Juiz. Estudou na St. Anthony School, em Londres e mais tarde em Oxford, onde começou a escrever pequenas comédias e onde traduziu um biografia de Pico Della Miradandola, um humanista italiano.

Depois de concluir os seus estudos em Oxford, foi para Londres para os os “Inns of Court” estudar e trabalhar com magistrado. É nessa altura que integra um grupo de “Reformers” ou Humanistas intitulados os London Reformers, dos quais faziam parte John Colet, Thomas Linacre, William Lily, William Grocyn, entre outros. Estes homens aspiravam operar uma mudança em alguns sectores da socieidade e da Igreja, como a educação, tendo, contudo, sempre em conta que a a religião e a “piety” estavam em primeiro lugar, embora se procurasse uma religião mais pura que se afastasse da corrupção da época. A religião é um tema central na vida de Thomas More e de todos os seus contemporâneos e dela não podemos fugir quando analisamos a vida de More.

Foi aliás, durante a sua estadia num Mosteiro em Londres que Thomas More pensou em tornar-se monge e seguir a vida eclesiástica em vez de uma vida dedicada à Função Pública (não é bom dizer isto desta maneira. Parece que estou a ver o More atrás de uma secretária a preencher impressos e a atender clientes). Contudo, acaba por desistir da ideia e escolhe definitivamente dedicar a vida ao país, entrando para o Parlamento inglês em 1504. As razões pelas quais More desiste da vida eclesiástica são sobretudo, duas. A primeira, consiste na ideia de que More tinha um grande um sentido de dever e acreditava que todos os homens tinham um papel a ocupar no “palco” que era a vida. E o seu dever era servir o seu país. A segunda razão, mas não menos importante, é o facto de More temer a possibilidade de se vir a tornar um padre impuro. Aparentemente, e segundo Erasmus, More percebe que os seus apetites sexuais o podiam levar a desviar-se da religião, caso a ela se dedicasse por inteiro.  A isto podemos evidentemente associar o facto de Thomas More usar um cílicio e outros meios de auto-flagelação. Alguns anos, mais tarde é nomeado Undersheriff da Cidade de Londres. Ao ocupar este posto, a sua reputação cresceu e STM era conhecido por ser imparcial e justo.

Durante a década seguinte, Thomas More começa a atrair a atenção de vários membros da Corte, inclusivamente o Rei, Henrique VIII. Em 1515, More acompanha uma delegação à Flandres devido a um problema no comércio de madeira, e a sua “Utopia”, torna-se uma referência nesta viagem. More foi extremamente importante quando conseguiu suprimir uma revolta em Londres contra os estrangeiros. Depois começou a acompanhar a Corte em diversas “viagens de Estado”, inclusive uma viagem a França quando Henrique VIII tenta fazer uma aliança com o Rei de França, Francisco. Em 1518, More entra para o Privy Council e é ordenado cavaleiro em 1521.

Com o aparecimento de Lutero e do Protestantismo, More ajuda Henrique VIII a redigir a sua “Defesa dos sete sacramentos” e escreve uma carta à réplica de Lutero embora sobre um pseudónimo. A relação entre Henrique VIII e Thomas More é uma de proximidade, e More torna-se Presidente da Câmara dos Comuns. Neste cargo, More contribuiu para o estabelecimento do discurso livre no Parlamento.

O seu declínio começa quando Henrique VIII se quer divorciar de Catarina de Aragão para casar com Ana Bolena. Apesar de no início More ter aceite o argumento de que o casamento entre Henrique VIII e Catarina foi ilegal, este torna-se cada vez relutante em aceitar a decisão, especialmente depois de Henrique VIII começar a negar a autoridade do Papa. Mesmo assim, More torna-se Lord Chancellor em 1529, depois da queda do Cardeal Thomas Wolsey.

More demite-se deste cargo em 1532 alegando motivos de saúde, mas sabe-se que a verdadeira razão pela qual o fez foi a sua desaprovação da posição de Henrique VIII para com a Igreja Católica. Henrique VIII separou-se da Igreja Católica, formando assim a Igreja anglicana e proclamou-se chefe desta. Depois de Catarina de Aragão ser afastada, Ana Bolena é coroada Rainha e More não vai à sua coroação. Em 1534 More foi acusado de cumplicidade com alguns opositores de Henrique VIII mas não foi condenado devido à protecção da Câmara dos Lordes. No entanto, em Abril de 1534, More recusou-se a jurar sobre o acto de Sucessão (que legitimava todos os filhos de Ana Bolena como possíveis herdeiros) e recusa-se a fazer o Juramento da Supremacia (que advém do acto de Supremacia que reconhece Henrique VIII como o chefe da Igreja Anglicana). Desta maneira, Sir Thomas More é preso na Torre de Londres e executado a 6 de Julho de 1535. É comum dizer-se que as suas últimas palavras foram: “The King’s good servant, but God’s First.”

Thomas More casou duas vezes, tendo quatro filhos, um rapaz e três raparigas. More educou todos os seus filhos nas diversas disciplinas: latim, grego, lógica, astronomia, medicina, matemática, teologia, não fazendo distinção entre os sexos. A sua casa ou “household” era uma autêntica escola onde a educação era dada não só aos seus filhos mas também a outras crianças. Thomas More foi também um dos primeiros  ingleses a usar a ideia humanista que a instrução devia estar aliada ao prazer: era comum ensinar através de jogos ou charadas. Era um grande amigo de Erasmos de Roterdão que nunca escondeu a admiração pelo inglês e chegou a dedicar-lhe “Praise of Folly”.

Como sabemos, More escreveu vários livros sendo o mais conhecido a “Utopia”. Este livro cria uma ilha imaginária com o seu Estado, sociedade e costumes. Alguns estudiosos acreditam que este livro trata-se de uma sátira à Europa do Século XVI. More escreveu mais livros, como “História de Ricardo III”, “Piedosa instrução”, “Díalogo de Conforto contra a Tribulação“, “Diálogo contra as heresias” e fez algumas traduções.

Apesar de se ter batido pelos seus ideais, e em última analise, ter morrido por causa deles, Thomas More não é uma personagem que reúna consenso. Os católicos adoram-no e o Papa Pio XI tornou-o Santo em 1935. Contudo, alguns estudiosos dizem que More era um fanático religioso, extremamente intolerante, que chegava a auto-flagelar-se. Sabe-se, efectivamente, que More conduziu e condenou à morte cerca de 6 pessoas acusadas de heresia assim como queimou e destruiu livros e obras relacionadas com o Protestantismo.

Mesmo não reunindo consenso, Sir Thomas More é uma figura que desperta grande curiosidade e por vezes, admiração. A peça “Sir Thomas More” de Anthony Munday, foi escrita a várias mãos e acredita-se que William Shakespeare tenha também participado na sua elaboração. Outra peça, agora do século XX, “A man for all seasons”, foi escrita por Robert Bolt e mostra More como o epíteto da Consciência e da integridade. Karl Zuchardt escreveu também outra peça sobre STM, intitulada “Stirb Du Narr!” (“Morre seu idiota”). O escritor católico G.K. Chesterton chegou a dizer que More foi a “greatest historical character in English history.” Muitas biografias foram escritas sobre Sir Thomas More, algumas acusando-o de ser intolerante, f
an
ático e pervertido, (como é o caso de escritores como Richard Marius  e Jasper Ridley) e outras mostravam-no como sendo um inteligente humanista, devoto que acreditava na necessidade de autoridade do Estado (de acordo com a biografia de Peter Ackroyd). O mais recente retrato de Thomas More é feito através da série “Tudors”, que se revela bastante simpática para com a personagem, chegando a colocar em dois extremos a integridade e a consciência de Sir Thomas More e a amoralidade de Henrique VIII.

Para bem ou para mal, a complexidade de More e a falta de consenso sobre esta personalidade histórica é o que o torna interessante. Um homem integro ou intolerante? Um fanático religioso, ou um crítico da sua própria Igreja? Um visionário ou um político autoritário? Um humanista ou um homem sedento de poder?

 

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Com as botas do meu pai

Como tenho uma razoável alergia a lançamentos de livros no útimo sábado tomei um anti-histamínico e fui à Lousã, onde o jornalista e meu amigo Casimiro Simões lançava o seu "Com as Botas de Meu Pai", apresentado pelo prefaciador Manuel Louzã Henriques e por António Arnaut. O comprimido não fez efeito mas mesmo sem ter comido ou bebido gostei.

Tive oportunidade de fotografar um Doutor, na forma de burro carregado de livros. Não é todos os dias. Reencontrei velhos amigos comuns, entre as muitas dezenas de pessoas que não couberam no auditório da biblioteca municipal, onde o ar condicionado e a ventilação estavam municipalmente desligados. Acontece.

Já não ouvia o Manuel Louzã falar há muito tempo. António Arnaut comentou que o Louzã devia ter um programa na televisão permitindo ao país encantar-se com as suas charlas, como todos ficámos. Ninguém se riu, mas é evidente que nenhuma televisão iria dar a palavra ao grande intelectual da sua geração (a de Manuel Alegre e de outros personagens igualmente menores), primeiro porque é um serrano da Lousã e de Coimbra, depois porque ofuscaria muito boa gente, também porque de um comunista se trata, e nem ele teria pachorra para tal, acho eu.

Vim para casa com o livro, enfim, livrinho pelo tamanho, livro acutilante pelo conteúdo, e com autorização para publicar aqui uns excertos.

Vão ser aventados nos próximos dias, numa fórmula em que podem parecer realidade mas claro que de pura ficção se trata, diz o autor, não digo eu.

Os mistérios de uma loucura

Nidal Malik Hasan, 39 anos, filho de pais palestinianos emigrados nos EUA, classe média, bem integrados na sociedade norte-americana. Alistou-se cedo nas forças armadas e, ao que tudo indica, com convicção. Longe da ideia de seguir aquele rumo porque não encontrava outro. Foi o exército que lhe pagou os estudos.

 

 

 Formou-se em psiquiatria e passou a exercer essa actividade no exército, sempre em bases da Virgínia, terra natal.

Há uns meses foi transferido para o Texas, com destino à base militar de Fort Hood. Antes e depois dessa transferência a sua missão não envolvia armas. Era major e fazia parte da equipa do Centro para o Estudo do Stress Traumático. A sua tarefa era ajudar, do ponto de vista psicológico, os soldados que regressavam do Iraque e Afeganistão.

Ontem alguma coisa aconteceu. Nidal Malik Hasan puxou da arma e disparou. Matou 13 militares e feriu outros 30, até ser derrubado por quatro tiros. Não morreu.

Há quem diga que disparou indiscriminadamente, outros garantem que tinha vítimas determinadas. Não há certezas.

Há quem diga que Nidal Malik Hasan estava sob vigilância há muito tempo, desde que terá publicado comentário apontados como “estranhos” na Internet. Por exemplo, terá feito comparações entre os bombistas suicidas aos soldados americanos que se atiram sobre uma granada para proteger os companheiros de armas. Dizia ainda que os muçulmanos – ele era muçulmano – tinham o direito de lutar e que os EUA não deveriam estar no Iraque e Afeganistão.

Há quem diga que Nidal era alvo de insultos e olhares de esguelha dos colegas, por ser muçulmano.

No diz que disse, resta a realidade. Já estão a decorrer inquéritos mas não há certezas de que um dia haverá explicações sobre o que se passou na cabeça de Hasan.

Como será sempre muito difícil entender o que se passa na cabeça de alguém que se resolve estourar num mercado repleto de mulheres e crianças, como há dias aconteceu no Paquistão.

 

 

 

Reciprocidade

Reciprocidade não é um conceito fácil de analisar. Há quem fale da norma de reciprocidade, há quem fale do princípio de reciprocidade. Para entender a diferença, é preciso entender a relação que existe na correlação entre ética, lei, direito, costume e objectivo do conceito. O primeiro que parece ter falado sobre a ideia de reciprocidade, foi Cícero,c .60 BC ao afirmar: Não há dever mais grato e indispinsável que o de devolver uma amabilidade. A maior parte dos seres humanos tem por hábito desconfiar de se lembrar de um benefício recebido como dádiva, que lhe foi otorgada. A partir de Cícero, muitos autores, ao longo dos séculos, especialmente a partir do Renascimento,têm-se pronunciado sobre este conceito, entre eles, eu próprio. O conceito tem sido usado ao longo dos séculos, especialmente a partir do Renascimento. Porém, quem fez do conceito um uso útil para a ciência, foi o fundador da Antropologia, o Professor, Marcel Mauss, quem no seu texto do ano 1923-24, Essai sur le don. Forme et raison de l’echange dans les societés archaïques, publicado em L’Année Sociologique, Nouvelle Série, Félix Alkan, Vol I, 1925. Há versão para língua lusa na editora Edições 70: Ensaio sobre a dádiva, edição de 2001.

 

 

 

Grupos Kwakiutl fotografados por Franz Boas, no começo do Século XX

 

A ideia é simples e útil e retirada de sociedades que trocam bens e serviços sem dinheiro, como a Etnia Kwakiutl, no Canadá. onde os grupos que têm excesso de produção e não têm como a manter em condições de consumo, o correspondente Chefe tribal convida a maior parte dos clãs  vizinhos, para comerem e beberem até se até se fartarem. A festa pode durar dias ou semanas.

É, conforme Mauss, um investimento. Um dia virá em que o clã que convida não tem produtos e quem aceitou o convite, está obrigado a retribuir a quem ofereceu primeiro. É uma circulação de bens e pessoas que tem o carácter de dádiva ou oferta, como defino no meu livro de 2007: O presente, essa grande mentira social. A mais-valia na reciprocidade. Ensaio Antropológico de Sociologia Económica, Afrontamento, Porto. Mauss define este facto como uma dádiva que deve ser devolvida. Devolução que, conforme o sábio Maori Tanata Ranai -piri, é obrigatória por se encontrar nos bens oferecidos uma alma ou hau que pune se a oferta não é entregue. Ideia estudada por Mauss para provar que em muitas sociedades do mundo há colaboração gratuita e não apenas mercado liberal para comprar e vender por dinheiro. A questão que coloca a si próprio Marcel Mauss,  herdada por resolver pelo seu discípulo Lévi-Strauss, é qual é a norma, lei ou costume que obriga à devolução e  não ao uso de dinheiro. Encontrámos a resposta nas relações parentais, vizinhais e do clã que oferece e devolve. O hau é apenas uma forma de expressão desta necessidade de circular bens ligado a pessoas. Compara as sociedades não ocidentais, unidas pela família e a religião, largamente respeitadas, com as do ocidente, na qual existe a propriedade privada dos bens, super imposta às relações de parentesco e de religião, propriedade privada que define a pertença dos meios de produção para  poucos. Tal facto, associado à obtenção de mais-valia (conceito retirado dos textos de Karl Marx) eles, propritários dos meios de produção, leva a que a maior parte da população seja incapaz de resolver.  Acabando por definir a obrigação da dádiva que existe entre os proletários do mundo ocidental, de forma gratuita, tal como entre os Massim do Arquiepiélago Kiriwina. Etnia da Papua Nova-Guiné que circula bens no ritual Kula ou navegação entre as várias ilhas para estabelecer relações comerciais e parentais associadas aos bens que a pretensa noiva deve possuir para poder casar e incrementar os bens do homem que desposa. Duas ideias finais: a norma de reciprocidade, direito adquirido nas trocas sem dinheiro, em sociedades com ou sem mercado monetário; e o princípio de reciprocidade, existente em todos os sítios do mundo, como colaboração para os que pouco ou nada têm. Lévi-Strauss ficou com o trabalho de definir as estruturas do parenteso, o que fez no seu livro de 1949, e de abrir a ideia ocidental para entender que os aborígenes, eliminando a palavra selvagem, tinham normas e lei que  orientavam o seu comportamento parental e de mercado. Com ou sem mercado monetário, a reciprocidade era, como diz no seu trabalho, um princípio universal de mutualidade e solidariedade. Ideia aprendida ao comparar as formas de interacção social entre sociedades no meio das relações de mercado com mais- valia, que sabiam usar as noções de reciprocidade em relação mútua, fugindo às regras do mercado com inteligência. O método comparativo, já existente na nossa ciêncian, passou a ser uma metodologia obrigatória no entendimento do pensamento social, costumes, ideias e sentimentos.Kula, canoa, vela, kula, círculo, cerimonial …

 

 

 

 

Consultas, cábulas, copianços e grau de dificuldade

Na Dinamarca alguém descobriu que estava no século XXI e os finalistas do secundário vão poder consultar a net durante os seus exames finais.

 

Acho bem. Alguns comentários indignados sobre o assunto já acho mal.

 

Testes e exames com consulta não são novidade. Exigem uma prova adequada onde se procure avaliar a compreensão e se dispense a mera memorização.  A elaboração de tal prova é um mero exercício técnico, e é sabido que o grau de dificuldade aumenta.

 

Lembro-me de na faculdade os meus colegas sebenteiros se terem revoltado contra tal prática, que os obrigava a perceber o que tinham por hábito marrar. Para azar dos melhores alunos, foram atendidos no seu choramingar, e lá voltámos aos exames onde fazia sentido utilizar a velha cábula.

 

Passar a consulta de livros, apontamentos e fotocópias, para a consulta na net vai acarretar uma dificuldade extra: a informação abunda, mas seleccionar entre a boa e a má não é fácil, é de resto o maior desafio que se coloca a um estudante neste século. Um esforço extra a superar, portanto.

 

Os tais comentários, vindos de quem não percebe do ofício até se entendem. Vindos de professores remetem-me para os meus colegas sebenteiros. Sim, a maior parte hoje são professores,  e andam por aí. A despejar as sebentas que marraram.

 

40 mil não são 150 mil

Diz o sr. Primeiro que a avaliação não pode ser suspensa porque temos que respeitar o trabalhos dos Professores e das Escolas, nomeadamente dos quarenta e tal mil professores que já foram avaliados.

Isto leva-me a uma pergunta retórica: então os outros cento e dez mil afinal não foram avaliados?

Já não bastava o Braga e agora o Paulo Bento vai-se embora

A duas jornadas de jogarem com o rival do campeonato de Lisboa, os benfiquistas sofrem mais uma desilusão:

 

Paulo Bento diz que esteve quatro meses a mais no Sporting. É uma das ideias fortes do treinador na hora de explicar a sua demissão.

 

“A principal explicação é que estive quatro meses a mais no Sporting. Tenho plena consciência que estive quatro meses a mais”, disse Paulo Bento, em conferência de imprensa. “Não estou arrependido, mas tenho a clarividência necessária para saber que não foi a melhor decisão para mim e para o Sporting.”

 

Resta-lhes a consolação de a clarividência de Paulo Bento andar quatro meses atrasada.

 

 

 

Uma história muito mal contada

 

"No meio da crise angustiosa, que temos atravessado, e continua, vemos os republicanos, propugnadores das ideias avançadas, apparecerem na praça publica, a fazer manifestações ruidosas, a voltar aos ventos e encher os ouvidos da plebe, de palavras de patriotismo, com o fim, não de resolver o momentoso problema da dificil situação economica e financeira, que nos assoberba, mas -oh! patriotas- para tão sómente crearem difficuldades ao governo.

Discursos, palavras, gestos declamatorios, telegrammas para a imprensa estrangeira annunciando a revolução, eis as armas que de se serve esse grupo de portuguezes para salvar a situação.

Só a república -entendem esses senhores- póde salvar o nosso credito abalado, restaurar as nossas finanças e melhorar a situação economica do paiz.

É ridiculo esse movimento; magoa até, vêr meia duzia de aventureiros, appellidarem-se de portuguezes, todos inchados de patriotismo, apresentaram-se para salvar a patria, quando, na quasi totalidade, ignoram os principios mais rudimentares de administração publica e desconhecem por completo a forma de restaurar o nosso credito e finanças.

 

Nem um plano, nem um alvitre, sequer, indicam. Cerebros vasios que, na sua ignorancia, pretendem saltar por cima dos homens praticos e de reconhecido saber, para impõrem uma ideia ao paiz que poderá ser bonita como ideal, mas deixaria em peor estado a nossa situação.

Quando, depois do ultimatum houve o movimento contra a Inglaterra pelo assalto de tigre com que nos feriu na nossa dignidade nacional, houve enthusiasmo que, por vezes, subiu até ao delirio, e a resistencia, embora exhorbitante, produziu algum resultado util.

Assim houve, e ainda ha, quem movido justamento pelo odio contra a Inglaterra, repudiasse productos da industria ingleza, para se fornecer dos de industria nacional. Este facto é legitimamente patriotico. (…)

Á semelhança do que se fez desejaria eu que esses patriotas republicanos, em vez de blafesmarem na praça publica, e insultarem pela imprensa as instituições e os homens publicos, se congregassem e unissem em um só pensamento, promovendo por todos os meios uma grande subscripção que tendesse a exonerar-nos dos encargos que pesam sobre a nação; que apresentassem e publicassem planos financeiros com o mesmo fim; e finalmente que fizessem alguma cousa de util e proveitoso para o paiz."