Como disse??????

RTP – BOM DIA PORTUGAL – 2011.12.27

25% de ilusão

adão cruz

Não te zangues porque ninguém se enamora de alguém com público carimbo na cara.

Quem de nós sente a liberdade ou a prisão de um devaneio com alguma elegância de formas tece as malhas de uma afeição.

Vinte e cinco por cento de ilusão neutraliza a depressão faz dormir que nem um justo e as coisas são o que são nem surpresa nem desdobramentos de personalidade nem pensamentos duplos nem amargos de lágrimas.

Como é bom conversar contigo ó ilusão assim calado e mudo vazio da minha posse e do meu abrigo.

Sempre nos perdemos naquele instante que começa a dominar mas é uma fraca ideia pensar ir longe e sem ir querer ter a sorte de voltar.

Deste mundo à real intimidade vai um passo inevitável cerimonioso sonhador penetrante mas sem tacto e sem cor.

Vinte e cinco por cento de ilusão impede de adormecer às três e acordar às cinco não desonra amigos e inimigos nem dá ares de inocência falsa.

Surpreende apenas o delírio escondendo o vivo interesse da inconsequência que é ensejo de todos nós.

Surpreendem as razões inquietas das pessoas equivocadas que gemem angústias no conspurcar dos seus intentos.

Vinte e cinco por cento de ilusão é sentimento que garante provas positivas.

Não acreditando nele acredito agora com nobre intenção voz clara e firme sem mostras de arrependimento sem buscas de coerência nem condições de entender porque o idiota é crer no poder do entendimento.

Poesia trovadoresca: património imaterial da portugalidade

Cantigas medievais galego-portuguesas

Nos últimos anos, graças a interesses empresariais que vogam entre a comunicação social e o turismo, tem havido alguma visibilidade para alguns elementos do património português, o que redundou em iniciativas como as dedicadas às sete maravilhas naturais ou às delícias gastronómicas, para além de ter levado à classificação do Fado como Património Imaterial da Humanidade. Ainda assim, estamos perante momentos de festa e não na presença de políticas de património, como é fácil confirmar pelo atentado da construção da barragem do Tua, entre muitos disparates quotidianos praticados por municípios que desrespeitam ou alteram PDMs conforme as necessidades. [Read more…]

Hoje dá na net: História da Grécia Antiga

Através desta ligação, é possível assistir a um curso constituído por 24 aulas sobre a Grécia Antiga. Sem sair de casa, podemos, assim, assistir às lições de Donald Kagan, na Universidade de Yale, e ficar a conhecer uma parte importante da história de um país com quem temos uma dívida incomensurável. Em inglês, sem legendas.

O que seria de nós sem a música?

Hoje, dia 26, de volta à «realidade», o choque não foi tão duro, ouvindo na Antena 2, a música de G. Gershwin. Partilho com os amigos do Aventar esta fabulosa música escrita em 1925, que nos enche as medidas.

Proibido gostar de políticos

Gostar de políticos em geral é uma actividade para parvos. Ter gostado muito de Obama parece ter sido um pecado universal que, mesmo entre vómitos e o nojo das descrições de brutalidades praticadas pelos soldados dos States no Iraque e pelo mundo fora, parece difícil renegar. Gostar de políticos é uma actividade que deveria ser banida e ensinada como prejudicial nas escolinhas das terrinhas. Alias, gostar de políticos deveria ser algo declarado ostensivamente de “mau gosto”. As velhinhas dos comícios e os seus bonés panfletários deveriam ser inconstitucionais e neste tempo de crise os jantares/ encontro com militantes deveriam ser regulamentados por decreto. Um por ano no máximo. Haveria menos palhaçada e menos gaffes para alimentar a imprensa. [Read more…]

Os professores emigrantes: da ficção à realidade

expresso (2)

Quando escrevi este ‘post’, ignorava em absoluto o que seria a 1.ª página do ‘Expresso’, publicada horas depois.

O meu texto foi inspirado pelo conhecimento, não digo profundo mas suficiente, da comunidade de emigrantes portugueses no Rio de Janeiro, essa cidade maravilhosa dos meus sonhos, onde visito um núcleo de familiares muito próximos.

Infelizmente, e como era meu saber de que naturalmente a condição de emigrante, mesmo dos mais qualificados, em parte considerável dos casos, redunda em fracassos de ordem profissional, pessoal e familiar. À partida foi uma estória ficcionada. Todavia, menos hiperbolizada do que imaginado por alguns.

Como sabemos,  a realidade com frequência mitiga a ficção. Foi o caso. Para o provar, além do título do jornal que desmente a infeliz ideia de Passos Coelho, em relação ao Brasil e Angola, países por si citados, dominam agora partes do discurso de responsáveis brasileiros sobre a “leviana” sugestão do nosso primeiro-ministro:

Não é verdade que o Brasil esteja importando professores. Temos carências, de facto, nas áreas de Matemática, Física, Química e Biologia mas também temos problemas de absorção de mão-de-obra estrangeira, nomeadamente de ordem burocrática”

Nunzio Briguglo, assessor do Ministro de Educação Fernando Haddad

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Primeiro-Ministro contesta Passos Coelho

Já durante a campanha eleitoral, foi possível assistir a terríveis disputas entre Pedro Passos Coelho e o então presidente do PSD. Recentemente, já o Ricardo Santos Pinto pôde demonstrar que o actual Primeiro-Ministro tomou decisões contrárias àquilo que Pedro Passos Coelho tinha prometido. No discurso de ontem, o Primeiro-Ministro acabou por atacar o chefe do governo português, que, recentemente, defendeu a emigração dos desempregados:

Estou bem consciente dos problemas que tantos enfrentam, sobretudo o dos jovens que querem começar a realizar os seus sonhos e o daqueles mais velhos que, apesar do capital acumulado de saber e de experiência, se vêem afastados do mercado de trabalho. Uma sociedade que se preza não pode desperdiçar nem os seus jovens nem as pessoas que se encontram na fase mais avançada da sua vida activa.

Pela parte que me toca, devo dizer que já dei por mim a concordar, algumas vezes, com Passos Coelho, embora nem sempre tenha estado de acordo com o Presidente do PSD. Do Primeiro-Ministro discordo quase sempre, à excepção da última frase do seu discurso natalício. O facto de uma multidão ser a mesma pessoa já foi experimentado por um poeta com resultados fecundos e já deu origem a vários internamentos por razões psiquiátricas. Quando isto acontece com um governante, são os cidadão a beneficiar de tanta fecundidade e de parcos pagamentos.

Quanto custa uma monarquia?

Nunca acreditei na muitas vezes vendida teoria de que os Bourbons castelhanos ficam mais baratos aos nossos vizinho que o Palácio de Belém. E um dia o azeite viria à tona de água. No orçamento de 2010 tivemos “como despesas orçamentadas da Presidência da República: 17.464.000,00 €”, cito um blogue de propaganda monárquica.

Hoje o Público apresenta-nos os custos no ano transacto da família real:  8.434.280 euros,

Pero los 8,43 millones son sólo una parte mínima del coste real de la Corona. Hay que sumar las partidas que el Gobierno reserva para Juan Carlos y su familia –viajes oficiales, recepciones, salarios del personal de la Zarzuela…– y para la conservación de los palacios y jardines, y que figuran en otras partidas de los Presupuestos. Escondidas, pero ahí están. Ello haría un total de 59,28 millones. Aún habría que añadir los gastos de seguridad, de coches y chóferes, o de la Guardia Real. Estos costes los asumen los ministerios del Interior, de Defensa y de Hacienda, pero el importe se mantiene en secreto.

A mentira, as monarquias e os seus gastos ocultos sempre andaram de mãos dadas. Esta semana teremos números mais exactos.

Hoje dá na net: It Happened One Night

It Happened One Night, comédia romântica de Frank Capra de 1934, ocupa o lugar 138 no top 250 do IMDB. Foi o primeiro filme a conquistar as cinco categorias mais importantes dos Oscars: filme, realizador, actor, actriz e argumento. Página do IMDB. Legendado em português, consulte as instruções depois do corte.

 
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Portugal, essa minha criança

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Para o País que me soube acolher e para os seus nacionais nos seus 30 anos de liberdade.

Pensa-se que o amor à criança é genético. Entre a minha experiência redigida nos textos deste jornal e em livros, bem como a de Eduardo Sá expressa, entre outros, no ano 2003, era capaz de dizer que esse amor é resultado do convívio respeitoso, da acumulação de experiências, na memória acumulada no decorrer do tempo ou história da interação social entre progenitores e descendentes. Poderia afirmar sem medo de me enganar que o amor não é genético, não é a mãe que pariu um filho que por isso o ama mais: é a mãe que o amamentou, acarinhou, beijou, ensinou, tal e qual o pai, se for o caso. A criança tem um desenvolvimento cheio de percalços, de doenças bem como de estigmas de crescimentos que o tempo vai marcando no seu ser e afazer, organiza a sua inteligência e estrutura a sua boa disposição, ou a sua saudade. Portugal, essa criança também formada por mim, percorreu uma imensidão de experiências na comprida e larga jornada da sua cronologia de vida. O óvulo vinha do Império das Astúrias, os espermatozóides da Borgonha Francesa e do Reino de Leão, a descendência começa no Condado Portucalense, com herança genética [Read more…]

Cofre de Natal

cofre de natal

É natal, deixem os pobres em paz

Entrámos na vertigem da caridadezinha agora chamada de voluntariado, registo que será o do ano de 2012. Não vou agora discutir a mais hipócrita das formas de perpetuar a miséria, é natal e estou contagiado pelo espírito de paz, amor e peúgas. Mas há um limite de decência para a propaganda travestida de jornalismo: os pobres também têm direito ao anonimato e ao sossego, senhores, mesmo que não tenham capacidade de se defenderem da vossa falta de vergonha.

Porque não vão entrevistar o Américo Amorim e acompanham a sua triste consoada? porque não tem Ricardo Espírito Santo direito a uma perguntinha sobre o bacalhau e se estava bem servido? porque não se questiona Belmiro de Azevedo sobre o frio de dezembro e se confirma se teve agasalhos que o abrigassem na noite da consoada?

É mais fácil ir para a rua e para as cozinhas económicas deste mundo entrevistar voluntários muito cristãos (excepto na soberba, no ódio ao franciscano e no esquecimento do velho princípio de que a caridade não se exibe) e sobretudo os desgraçados que além da indigência ainda levam com a devassa da sua privacidade, e essa é a miséria do jornalismo desta quadra. Mas será só por ser mais fácil?

Eu sei que quando um pobre escorrega cai logo em cima de um monte de merda mas um pouco de decência nas televisões ficava bem, ao menos no natal.

Hoje dá na net: O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas)

O estranho mundo de Jack

Dobrado – e mesmo assim, interessante. Mas se preferir, encontra a versão original aqui.

The Nightmare Before Christmas (título em português: O Estranho Mundo de Jack – mas quem é que inventa estes títulos das edições portuguesas?!) é um desenho animado em jeito de musical baseado num romance de Tim Burton. Que me lembre, é o único musical de que gosto. Jack Skellington, o rei do Halloweentown, descobre a cidade do Natal mas não percebe bem o conceito. Página no IMDB.

A música de todos os natais

Antes não fosse.

O fim das greves

Tal como o meu colega aventador Carlos Garcês Osório, nunca fui simpatizante de greves, embora as minhas razões sejam diferentes. A greve é, evidentemente, um acto de violência, uma bomba atómica a ser usada quando aquilo que se diz não é ouvido. Tal como qualquer outro acto em democracia, as greves estão sujeitas às críticas e pode, até, concluir-se que são injustas.

Num mundo mais próximo do ideal, as greves seriam desnecessárias; num país em que os trabalhadores sejam constantemente agredidos, num país em que os direitos sejam constantemente retirados, num país em que tudo os que os trabalhadores dizem é, quotidianamente, ignorado, o que resta aos trabalhadores? O que resta a quem fala e não é ouvido a não ser gritar? Num país em que aumentam impostos, no mesmo país em que os trabalhadores perdem subsídios, em que lhes baixam salários, onde são obrigados a dar mais dias de trabalho por ano, onde a saúde e educação são bombardeadas, entre muitos outros abusos, naquele mesmo país em que os trabalhadores, por todas estas razões, acabam por ser responsabilizados por três décadas de uma incompetência governativa que não tem fim, que se deve esperar que não seja contestação?

Aceito que haja pessoas a criticar os funcionários da CP ou quaisquer outros grevistas. Repugna-me, no entanto, que alguns, como acontece na caixa de comentários do texto do Carlos, manifestem um marialvismo serôdio, ansiando por um regresso aos tempos em que não havia direito à greve ou por uma privatização geral do país para que a matilha de trabalhadores que atrapalha o país amanse, gente que chega a considerar Ronald Reagan um herói. O Carlos ainda propõe que a CP seja vendida à Coreia do Norte, desde que isso acabe com as greves. Terá sido por isso que o governo está em vias de entregar a EDP à China, outra maravilhosa democracia?

Vamos supor que os funcionários da CP abusaram de um direito. Prove-se e aja-se em conformidade. Há quem ande, há anos, a pedir que o mesmo aconteça aos políticos incompetentes que nos prejudicaram e nada acontece. Será que, por isso, deveríamos defender o fim dos governos?

Entretanto, seria interessante reler dois textos: este e este.

Cada tiro, cada melro!

O Natal triste de José Pacheco Pereira

Hoje, dia 24 de Dezembro, José Pacheco Pereira (JPP) desejou-nos «Um Natal triste».
Não, obrigada, sr. Dr.! Vamos tentar que ele seja o mais feliz possível.
O historiador teve a oportunidade única de desejar Um Feliz Natal a cerca de 45 mil leitores do PÚBLICO em papel mais os leitores online. Desperdiçou-a totalmente. Teve azar que este dia tão especial fosse a um sábado, dia do seu espaço no referido diário. Sem nada para dizer que pudesse contribuir para alimentar um pouco da esperança que anda pelas horas da amargura, escreveu “Este Natal será triste. (…) Digo triste, porque mais ou menos, vaga ou profunda tristeza, todos sabem que a vida vai piorar, e que não existe esperança no futuro próximo (…). Tudo é mau para milhões de portugueses (…).
Os jovens que o lerem (leram) terão mais uma razão para o desânimo: “um mundo com emprego e com a possibilidade de «construir» o seu espaço próprio não existe”. Assim também os mais velhos terão mais um motivo para lembrar o que já adivinham, que “o fim da sua vida, a reforma, a doença, o declínio físico, vão ser muito piores, a solidão e a dependência ainda maiores”. E ainda há mais: as decisões deste Natal,  “de um Natal triste” é “matar-se, emigrar, desistir, resistir”, escreveu JPP.
Aproveito apenas a palavra «resistir».
É preciso muita resistência e resiliência. Resistir, «aguentar», « aturar», «lutar», «subsistir», «reagir», »recusar» estas palavras de pessimismo que não levam a nada. Apenas à inação e à não-vida.
Tretas são as suas palavras, JPP,  que depois de lidas vão para o papelão de forma a poderem vir um dia a transformarem-se em algo positivo e , quem sabe, virem calhar às suas mãos em algo novo.
Mesmo assim, desejo,  sinceramente, ao sr. Pacheco Pereira, um  Feliz Natal e um Bom Ano Novo.
(Numa coisa ele terá esperança: que muitos leitores tenham paciência em lê-lo e ouvi-lo em 2012…).
Céu Mota

Triste fado este!

Rejubilou recentemente a alma da Pátria. O Fado foi considerado património imaterial da humanidade. Ressuscitou Amália Rodrigues em infindáveis momentos televisivos de fervor patriótico. Voltámos a “dar de beber à dor”! Portugal ressurgiu de novo, patrioteiramente, numa hiperbólica liturgia colectiva, só entendível dentro de uma perspectiva secular e mítica da “maneira de ser português”, que se desejaria definitivamente abolida. Devo repetir uma vez mais o que já, por diversas vezes, tenho dito e escrito – gosto muito de fado, mas não gosto do Fado. Entendamo-nos. Gosto de ouvir fado, sobretudo quando cantado por mulheres. Mas não gosto do Fado enquanto símbolo mítico da Pátria, porque dá voz a um Portugal salazarento, pobre, pequenino, resignado, vencido. Não gosto do Fado enquanto mitificação de uma tristeza congénita, de um luto mental, em viagem permanente num “barco negro” existencial de um povo que, desgraçadamente, continua a viver um momento histórico de resignação, de subserviência, de conformismo fatalista, tradutor de um estado de alma tão passivo quão deprimente. Por isso, a atribuição ao Fado de património da humanidade não me aquece nem me arrefece. Não passa de um fait-divers, de uma patetice como outra qualquer. Mas continuo a gostar de fado. Muito. [Read more…]

Prendas de Natal de Coelho e de Portas

A política de saúde de Coelho, a despeito do simulacro de consulta pública da ‘Reforma Hospitalar’, tem estado activa através de obscenos aumentos de taxas moderadoras. Contudo, o ministro-contabilista Macedo ainda se atreve a declarar:

Gostaria que em 2012 todos os portugueses tivessem acesso a um Serviço Nacional de Saúde (SNS) universal e com qualidade.

Discurso hipócrita, falso. Eu e muitos doentes crónicos, de cardiologia, não tivemos possibilidades de aceder a consultas em S.Francisco de Xavier, Lisboa, desde Junho  até final deste ano. Naturalmente, que as palavras de Macedo ainda mais revoltados nos deixam.

Mas há mais. Curioso que, graças a Joaquim de Oliveira, da Olivedesportos, os hospitais públicos vão ter o serviço da SPORT TV gratuito. Ou seja, faltam consultas e cuidados de saúde, mas temos futebol e Paulo Macedo, desta feita eufórico, afirmou:

[A Sport TV] Vai tornar melhor a estadia dos doentes nos hospitais, proporcionando-lhes momentos lúdicos e até de distracção.

Eu, experiente em internamentos, estou a imaginar um doente entubado, com a agulha do soro no braço e de algália, a saltar na cama e gritar de alegria com o golo do Benfica, do F.C.Porto ou do Sporting. Assim, já vale a pena pagar taxas mais altas. E a produtividade de enfermeiros e assistentes operacionais vai disparar. [Read more…]

Directamente da Linha de Cascais


O Coro de Santo Amaro de Oeiras – não podia faltar – deseja-nos a todos um feliz Natal. Nós também desejamos.

Feliz Natal

Aos restantes aventadores, comentadores e visitantes.

Natal – Imaginário adulto ou troca social

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Com Pai Natal em Greve, o povo sem dinheiro, falidos, não há Natal: apenas sopa e pão

Para o pobre povo de Portugal

1. Natal

Os leitores devem estar habituados a ver em letra escrita nos meus textos, uma ideia em que sempre teimo: qualquer grupo social tem, pelo menos, duas formas de ser ou duas culturas: a dos adultos e a das crianças. A do adulto, esse imaginário para calcular e falir sem remédio, sem a capacidade de decidir, porque não há trabalho bem dinheiro; a da criança, essa fantasia à esperassem saber. A do adulto, para calcular e decidir, porque vive no meio das finanças, dos orçamentos. Fantasia à espera, por viver

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Hoje dá na net: Duck Soup

Duck Soup, comédia de 1934, eleita pelo American Film Institute como uma das 100 melhores comédias de todos os tempos (5ª posição). Tem os Irmãos Marx como protagonistas. Página IMDB. Este filme está legendado em português, veja os pormenores depois do corte.

 
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“Orgulhosamente Produzido em Portugal”

Como diria o outro, “bela merda” os acabamentos em tó-colante. Temos futuro.

Eu, professor emigrado no Rio, virei balconista de boteco

Desempregado de longa duração, de professor de História sem colocação, passei a aluno. Ao abrigo de IEFP fiz diversos cursos, em especial na área de Informática. Estudei sistemas operativos, redes e programação. Sempre elogiado e classificado pelos formadores como dos melhores. Emprego? Nada!

Um ano, dois anos, dois anos e meio, a viver de esmolas de pais e sogros, cansei-me da vida de pedinte. Deixei a Ana e o casal de filhos, Paulo e Sofia, e fiz-me ao caminho: EMIGREI!

Cheguei ao Rio de Janeiro às 7h45 de 1 de Setembro de 2009. Optimista, iluminado por manhã carioca solarenga. Tomei um táxi para a Gávea. Bairro fino, da classe média alta, onde residia o tio-avô do meu pai, Joaquim Francisco de sua graça.

Com mil reais no bolso, disse-lhe ao que vinha. Licenciado e professor de História, sem colocação em Portugal, tinha decidido emigrar para o Brasil. Tanto poderia dedicar-me à docência, como a outra actividade, acentuei. Referi os meus conhecimentos e atributos informáticos. O tio Joaquim, de sotaque bem abrasileirado, disse-me: “Vou ver o que posso fazê por você, mas sabe que não é fácil, não; o Brasiu está necessitando de tudo menos de professô, aí presidentje Lula garante que estamos na maió!”. [Read more…]

O sobreiro

By Georges Jansoone (own photo; Alentejo, Portugal) [GFDL (www.gnu.org/copyleft/fdl.html), CC-BY-SA-3.0 (www.creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/) or CC-BY-2.5 (www.creativecommons.org/licenses/by/2.5)], via Wikimedia Commons

O sobreiro é um símbolo nacional. É a Àrvore de Portugal desde 22 de Dezembro de 2011, aprovou-se na Assembleia da República. “Nenhuma outra àrvore dá mais exigindo tão pouco”, escreveu o silvicultor Vieira Natividade em 1950.

“Abater um sobreiro é abater um símbolo nacional” , li no jornal.
O sobreiro é a metáfora do povo português: exige pouco, dá muito. Vivendo em difíceis condições como o sobreiro, é um povo generoso.

Os governos exigem e exigem do povo português, que continua a dar, a dar tudo e mais alguma coisa.

Não «abatam» o povo português.

Céu Mota

Greves

Confesso que nunca fui simpatizante de greves. Nunca aceitei muito bem o poder negocial que se funda na capacidade de causar prejuízos. Nunca compreendi como podem os sindicatos vangloriarem-se de uma qualquer greve ter sido uma vitória quando esse triunfo se mede pela proporção do dano causado. E pior, não compreendo e não aceito quando esse dano é causado directamente à população em geral. Neste tipo de greves quem sofre não é o Conselho de Administração ou a Entidade Patronal que se quer antagonizar, mas o Povo.

Mais incompreensível é o facto de alguns objectivos que se pretendem alcançar com as greves serem, no mínimo, ilegítimos. Neste caso da CP, tentar através de uma acção de força sindical alterar o resultado de processos disciplinares que são pendências que, obviamente, devem ser decididas em sede disciplinar e eventualmente em sede judicial, constitui uma pressão inadmissível. A lei proíbe, manifestamente, qualquer tipo de coacção sobre quem tem o poder de julgar.

Nesta altura do campeonato em que todos devemos estar preocupados com o aumento da produtividade nacional, esta greve da CP é como ter no barco um “gajo” a remar para trás, de propósito e todo contente.

Ora uma greve que é feita durante toda a quadra natalícia e que impede as pessoas de viajarem de comboio e em muitos, mas mesmo muitos, casos vai impossibilitar aquela que é, por excelência, a oportunidade anual de estar com toda a Família, é asqueroso.

O meu primeiro desejo para 2012 é que depois de se ter vendido parte da EDP aos chineses, se venda a CP à Coreia do Norte (por mim até pode ser dada)!

A essay on the old Christmas values (and why the fuck hell is everybody expressing themselves in English!??!)

A véspera de natal chegou, a alegria e solidariedade pairam no ar, os filmes que ninguém vê, mas fazem uma boa banda sonora/som ambiente estão a dar na TV, as prendas vão para o carro na esperança (e exigência) de voltarem mais dos que as que vão, chegámos, toda a família reunida (e não é incrível como apenas com a promessa de bons presentes e algumas notas de valor significante é que aguentamos um dia inteiro de família com a conversa da treta, e as historias orgulhosamente contadas como se alguém realmente estivesse a ouvir (sejamos sinceros, não são sobre nós, não interessam, ponto); ou mesmo como se alguém lhes desse algum valor, desde que no fim acenemos com a cabeça e dê-mos uma ligeira gargalhada (e só depois nos apercebemos que era a sua triste e dolorosa historia sobre o seu tempo de tortura pela PIDE), as crianças correm e brincam (gritam, empurram, sujam), alegres pela casa (pudera, malditos roubaram-me as prendas, aqueles pequenos idiotas, que vieram ocupar o nosso lugar central como receptor central das prendas da família), os familiares mais idosos [Read more…]

Bambúrrios

1.- Acertar na combinação do Euromilhões;

2.- Ter emprestado dinheiro ao Steve Jobs ou ao Bill Gates para eles abrirem as suas empresas;

3.- Ter lá em casa um “quadrozito” esquisito que pertencia à Sogra e que se vem a descobrir que foi pintado pelo Picasso;

4.- Ir a Campanhã apanhar o comboio e não ser dia de greve na CP.