A campanha de Bernie Sanders já chegou cá (twitter e facebook em português).
Hillary quê?
Eldorado

Foto:theguardian.com
Se subitamente, por mero acaso, começarem a ouvir falar por aí, a torto e a direito ou então subtilmente entremeado, num Eldorado que não requer descoberta nem conquista porque virá ele radioso e por seu próprio pé, após secretíssima congeminação e por via de instâncias todo-poderosas, ao nosso encontro, aqui na velha Europa, para trazer bem-estar e ocupação a toda a gente, não se surpreendam, é que:
Perante a persistência dos protestos contra o Tratado Transatlântico de Comércio e Investimento (TTIP), a Comissão Europeia apelou aos estados membros através dos representantes dos governo nacionais no Conselho, que elaborassem uma estratégia concertada para promover o TTIP junto da opinião pública (e adivinhem às expensas de quem). Aos estados membros foi pois solicitada a elaboração de campanhas de relações públicas à medida das necessidades do seu país e que se ajustem à estratégia de comunicação da Comissão. A Comissão está convicta de que não conseguirá, sozinha, vencer esta batalha e considera especialmente importante a acção de especialistas de relações públicas e spin doctors nos média.
Quem diria que a ânsia de exploração hegemónica iria ricochetear (o chatear dos ricos), à lonjura de mais de cinco séculos!
Não percebe nada daquilo a que se chama “os mercados”?
É natural. Até os especialistas dizem que eles deixaram de fazer sentido.
Por onde andas querida democracia?

Hoje, em pleno século XXI, num país livre e democrático, por incrível que possa parecer o conceito de democracia para alguns é inexistente ou então lamentavelmente é algo completamente desvirtuado.
A democracia teve origem na Grécia tendo a palavra por base os vocábulos demos “ povo ” e kratós “ poder ” e/ou “ governo ”. O conceito de democracia é milenar tendo começado a ser utilizado em Atenas no século V A.C.
A democracia contrasta com outras formas de governança em que o poder é mantido por um pequeno número de indivíduos como numa oligarquia ou então onde o exercício do poder é detido por uma única pessoa como no caso do sistema monárquico absoluto.
Também em absoluto contraste com a tirania ou ditadura a democracia proporciona que todos os cidadãos tenham uma participação activa e directa nas tomadas das decisões que afectam o seu livre quotidiano.
Escada sem céu
Quem mandou construir a escada que dá acesso às celas dos frades apiedou-se desses homens. A pedra é fria e austera, o vento que corre à solta pelo claustro corta a pele, e as celas situam-se no piso de cima, o mais castigado pelo Inverno de Castela. A vida é severa, a carne recebe o castigo sem queixume, e até ao sonho se impõe ser casto. [Read more…]
Enquanto os seus filhotes bolsavam a mais sórdidas asneiras…
… e moviam as suas patéticas manobras cá por casa, Paulo Portas quer convencer-nos de que pediu encarecidamente à Comissão Europeia que fosse condescendente para com o governo português. Asco! Mas alguém ainda acredita neste tartufo?
Os milionários que ganham 2000 euros por mês
A experiência diz-me que terei muito tempo para dizer mal do Governo, do Primeiro-Ministro, do Ministro das Finanças e de muitos outros que se ocupam das funções executivas. A mesma experiência diz-me que já não deve faltar muito, porque os governos começam muito depressa a dizer e a fazer asneiras.
Hoje, vou limitar-me a apontar um dedo preguiçoso a jornais e a jornalistas.
O DN faz a chamada para uma entrevista ao Ministro das Finanças usando uma citação: “Quem tem 2000 euros de rendimento tem uma posição privilegiada.”
Não sendo eu um queixinhas, a verdade é que não me sinto propriamente um privilegiado, pelo menos no que toca a rendimentos, que privilégios há muitos.
Quando estava a preparar-me para soltar um impropério, pensei: “Deixa lá ler a parte da entrevista acerca disto dos rendimentos.” E lá me deixei ir ler.
Deixo-vos a citação completa da resposta, porque uma pessoa lê as gordas e depois está no quentinho e não lhe apetece ir mais além. Aqui fica. Do título ao texto vai um passo gigante: é assim que se arranjam entorses e é assim que se vendem jornais. [Read more…]
Um bom dia para tirar a máscara…
Europa

Miguel Szymanski
Como europeu dos quatro costados (avô português + avó meia catalã meia alemã; avô austríaco de ascendência polaca + avó da comunidade alemã checa) esta Europa começa, outra vez, a meter-me medo. Claro que a Europa dos meus quatro costados já passou por pior. A minha avó paterna dizia-me que tinha mudado três vezes de país à força das armas sem sair da cidade onde nasceu (Pilsen/ actual República Checa). O meu avô paterno, médico, passou anos a trabalhar com serras de ossos num hospital militar em Viena. A minha outra avó tomava conta das crianças no jardim de casa com uma arma automática em cima da mesa, para se defender em caso de ataque, enquanto o meu avô comandava uma companhia de soldados famélicos.
A Europa já esteve pior. Depois formou-se como cartel industrial para carvão e aço e é sobre esse cartel que assentam as actuais instituições da UE. [Read more…]
Resíduos de botas nas línguas dos jotas
O jota do centrão é uma mutação produzida em laboratório. Por fora, parece uma pessoa; por dentro, é um híbrido obediente, entre o porco e o lobo, que vota caninamente no que lhe mandam em vez de dar a pata e que diz o que lhe ditam, atacando uma jugular retórica à ordem do dono.
Os laboratórios em que produzem os jotas têm escrito na fachada “Sede do Partido Coiso”. Lá dentro, os chefes estendem a bota e o jota, como em qualquer praxe universitária, lambe até ficar dependente. De tanto lamber, dá-se a mutação.
No fundo, lamber a bota é um sucedâneo da célebre “água do cu lavado” com que, diz a tradição, as mulheres seduziam os futuros maridos. Como é que isto se compagina com a teoria de que os homens se prendem pelo estômago não sei, mas o mundo está cheio de mistérios. [Read more…]
Gestão de carreiras

Flanava por aí a pensar remotamente se aos portugueses também faltaria uma palavra para entreprender e eis senão quando este cartaz:
“Código Penal
Artigo 160.º
Tráfico de pessoas!
1 – Quem oferecer, entregar, recrutar, aliciar, aceitar, transportar, alojar ou acolher pessoa para fins de exploração, incluindo (…) a exploração do trabalho (…):
c) Com abuso de autoridade resultante de uma relação de dependência hierárquica, económica, de trabalho ou familiar;
é punido com pena de prisão de três a dez anos!”
O anúncio aparecia assim, com pontos de exclamação e tudo, a transpirar desafio, incredulidade, loucura…
Ainda pestanejei, por momentos, “porque não?”, mas logo o tédio, “não vá a coisa desmerecer até os portes de devolução”, me arrastou no seu enjoo paliativo…
Alberto João Jardim enfrenta a justiça pela primeira vez

Foi preciso esperar 22 anos para que António Loja pudesse ver chegar ao tribunal o processo por injúrias de que acusa o rei-sol do Funchal. Terminada a era da imunidade, Alberto João Jardim vai mesmo sentar-se no banco dos réus e responder pela chacota pública a que remeteu o ofendido, através do Jornal da Madeira, onde publicou artigos em que usava vocabulário que ilustra bem a pessoa que é, e que incluía termos como “ordinarote” ou expressões como “o homenzinho, ao ler isto, caem-lhe mais três dentes, dois de raiva e um de senilidade“.
Estando o teor deste processo longe das mais elevadas tropelias do jardinismo, entre casos gritantes de despesismo e férias de luxo patrocinadas pelos contribuintes, a verdade é que é absolutamente refrescante ver Alberto João Jardim em tribunal. Cheguei sinceramente a pensar que tal nunca seria possível. Ficará por aqui? Ou será este o primeiro episódio de uma fabulosa série em que o regime do compadrio madeirense começará a responder perante a justiça? Uma sugestão: que tal começarem pelo Banif?
Foto@O Jogo
Porque nunca me conseguirão calar
“Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.”
Sophia de Mello Breyner Andresen
O Orçamento de Estado visto por um leigo

Tal como a esmagadora maioria dos portugueses, tenho muitas dificuldades em perceber as linhas com que se cose um orçamento de Estado. Recebo informação através da imprensa, dos actores políticos e dos vários grupos de interesses que gravitam em torno dos cofres do Estado, dos funcionários públicos às clientelas partidárias, e tento juntar as peças. E a primeira conclusão a que chego é que nós, portugueses, nos encontramos numa posição perto da irrelevância no que toca a esta matéria. A nossa soberania está hoje nas mãos de Bruxelas e a tendência, tanto quanto me é dado a entender, é para piorar. Claro que, perante o poder do regime europeu, existem duas abordagens possíveis: a abordagem Pedro Passos Coelho, que consiste em aceitar toda e qualquer imposição sem contestação, e a abordagem que defino como patriótica, que consiste em negociar e defender o interesse nacional, que me parece ter sido aquilo que António Costa fez. Manuela Ferreira Leite defendeu mesmo que o governo saiu vitorioso da negociação. Estes sociais-democratas… [Read more…]
A namorada difícil
Merkel elogiou Passos Coelho numa conferência de imprensa conjunta com António Costa. Antes, quando se encontrou com Passos Coelho pela primeira vez, Merkel elogiara Sócrates. Suspeita-se que a Bundeskanzlerin é como as namoradas difíceis, que só dizem bem do anterior namorado. (O crédito da piada vai para Pedro Mexia, no último programa Governo Sombra).
São de fato uma pechincha

© David Rogers/Getty Images (http://bit.ly/1UXLZh3)
Depois de um fim-de-semana extremamente agradável e tranquilo, eis o caldo entornado quer no sítio do costume,

quer alhures.

Desejo-vos uma óptima semana, sem estrangulamentos e sem constrangimentos.


















Recent Comments