Hillary quê?

A campanha de Bernie Sanders já chegou cá (twitter e facebook em português).

Eldorado

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Foto:theguardian.com

Se subitamente, por mero acaso, começarem a ouvir falar por aí, a torto e a direito ou então subtilmente entremeado, num Eldorado que não requer descoberta nem conquista porque virá ele radioso e por seu próprio pé, após secretíssima congeminação e por via de instâncias todo-poderosas, ao nosso encontro, aqui na velha Europa, para trazer bem-estar e ocupação a toda a gente, não se surpreendam, é que:

Perante a persistência dos protestos contra o Tratado Transatlântico de Comércio e Investimento (TTIP), a Comissão Europeia apelou aos estados membros através dos representantes dos governo nacionais no Conselho, que elaborassem uma estratégia concertada para promover o TTIP junto da opinião pública (e adivinhem às expensas de quem). Aos estados membros foi pois solicitada a elaboração de campanhas de relações públicas à medida das necessidades do seu país e que se ajustem à estratégia de comunicação da Comissão. A Comissão está convicta de que não conseguirá, sozinha, vencer esta batalha e considera especialmente importante a acção de especialistas de relações públicas e spin doctors nos média.

Quem diria que a ânsia de exploração hegemónica iria ricochetear (o chatear dos ricos), à lonjura de mais de cinco séculos!

Não percebe nada daquilo a que se chama “os mercados”?

É natural. Até os especialistas dizem que eles deixaram de fazer sentido.

A ditadura da democracia

Consta que Churchill terá dito na Câmara dos Comuns, a 11 de Novembro de 1947, que “A democracia é a pior forma de governo, à excepção de todos os outros já experimentados ao longo da história.”

A tónica a reter é forma de governo, já que fora da política muitas outras formas de organização existem na sociedade.

Quando eu era músico, o meu maestro dizia que ele era o ditador da batuta. E era.  Imaginem o que seria, por exemplo, uma valsa ter a cadência decidida por maioria. Ou pensemos numa empresa gerida democraticamente, sendo as decisões estratégicas tomadas por votação. Ou, ainda,  o que seria da coesão de um grupo se os seus elementos não fossem unanimemente aceites por todos.

Poderá haver quem ache que todos os grupos se devam reger como se fossem organizações políticas ou projectos de poder, mas há que ter a inteligência suficiente para perceber que a realidade é outra. E isto é um facto, seja em que século for.

Por onde andas querida democracia?

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Hoje, em pleno século XXI, num país livre e democrático, por incrível que possa parecer o conceito de democracia para alguns é inexistente ou então lamentavelmente é algo completamente desvirtuado.

A democracia teve origem na Grécia tendo a palavra por base os vocábulos demos “ povo ” e kratós “ poder ” e/ou “ governo ”. O conceito de democracia é milenar tendo começado a ser utilizado em Atenas no século V A.C.

A democracia contrasta com outras formas de governança em que o poder é mantido por um pequeno número de indivíduos como numa oligarquia ou então onde o exercício do poder é detido por uma única pessoa como no caso do sistema monárquico absoluto.

Também em absoluto contraste com a tirania ou ditadura a democracia proporciona que todos os cidadãos tenham uma participação activa e directa nas tomadas das decisões que afectam o seu livre quotidiano.

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Pedro Passos Coelho entra no negócio dos conselhos

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Ainda que sem o apoio da imprensa nacional para a divulgação destes conteúdos em massa, mas imbuída do mesmo espírito humorístico, ainda que com um toque de realismo, Uma Página Numa Rede Social compilou alguns conselhos de Pedro Passos Coelho que marcaram os quatro anos de governação PSD/CDS-PP e que o leitor poderá encontrar em baixo. Lamentavelmente, a imprensa não demonstrou ainda qualquer tipo de interesse, o que a julgar pela rapidez com que promoveram os conselhos de António Costa é bastante elucidativo. Tal como não se interessaram, por exemplo, pelos tweets de Pedro o PM. É que os holofotes mediáticos, quando nascem, não são para todos. E quando os proprietários dos meios de comunicação em questão são amigos ou militantes do partido mais interessado na divulgação ou rapaziada da máquina de propaganda, o conseguimento é sempre mais eficaz. [Read more…]

Luz e sombra (1)

paulo abrantes

Fotografia: Paulo Abrantes

Escada sem céu

Quem mandou construir a escada que dá acesso às celas dos frades apiedou-se desses homens. A pedra é fria e austera, o vento que corre à solta pelo claustro corta a pele, e as celas situam-se no piso de cima, o mais castigado pelo Inverno de Castela. A vida é severa, a carne recebe o castigo sem queixume, e até ao sonho se impõe ser casto. [Read more…]

Passadiços do Paiva

passadiços do paiva

Vão reabrir.

Jogo de espelho

paulo abrantes

Fotografia Paulo Abrantes

Enquanto os seus filhotes bolsavam a mais sórdidas asneiras…

… e moviam as suas patéticas manobras cá por casa, Paulo Portas quer convencer-nos de que pediu encarecidamente à Comissão Europeia que fosse condescendente para com o governo português. Asco! Mas alguém ainda acredita neste tartufo?

Os milionários que ganham 2000 euros por mês

A experiência diz-me que terei muito tempo para dizer mal do Governo, do Primeiro-Ministro, do Ministro das Finanças e de muitos outros que se ocupam das funções executivas. A mesma experiência diz-me que já não deve faltar muito, porque os governos começam muito depressa a dizer e a fazer asneiras.

Hoje, vou limitar-me a apontar um dedo preguiçoso a jornais e a jornalistas.

O DN faz a chamada para uma entrevista ao Ministro das Finanças usando uma citação: “Quem tem 2000 euros de rendimento tem uma posição privilegiada.”

Não sendo eu um queixinhas, a verdade é que não me sinto propriamente um privilegiado, pelo menos no que toca a rendimentos, que privilégios há muitos.

Quando estava a preparar-me para soltar um impropério, pensei: “Deixa lá ler a parte da entrevista acerca disto dos rendimentos.” E lá me deixei ir ler.

Deixo-vos a citação completa da resposta, porque  uma pessoa lê as gordas e depois está no quentinho e não lhe apetece ir mais além. Aqui fica. Do título ao texto vai um passo gigante: é assim que se arranjam entorses e é assim que se vendem jornais. [Read more…]

DiEM

O lançamento do movimento Democracia na Europa está a acontecer agora em Berlim.

 

O mundo segundo Trump

Um atlas para estúpidos.

O fato em conta

Hoje, no sítio do costume.

Crónicas do Rochedo V – Pinto da Costa, O Político.

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Uma das características dos políticos é a sua durabilidade. São assim como o coelho das pilhas duracell, “e duram, e duram, duram, duram…”. Não fosse a lei de limitação de mandatos nas autarquias locais (porquê só nas autarquias locais???) e Portugal seria o verdadeiro paraíso jurássico da Europa.

Estarei a exagerar? Não me parece. Ora reparem: António Costa, Pedro Passos Coelho, Paulo Portas, Jerónimo Sousa. Isto apenas para referir as primeiras linhas. Caso contrário, teria de recordar Soares, Cavaco, Jorge Coelho, Jaime Gama, Marques Mendes, Durão Barroso, Santana Lopes, Telmo Correia, Francisco Louçã, etc., etc., etc. Desde os anos 80/90 que estão na primeira linha. Será que é só na política? Bem, nos sindicatos é a mesma coisa. Nas ordens profissionais onde não existe regra de limitação de mandatos idem. E nas grandes empresas? Aspas, aspas.

Isto é tudo muito bonito, são todos muito democratas e tal e coisa mas largar o lugar é que nem pensar. Se é assim em tudo porque raio teria de ser diferente no futebol? Pois.

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Um bom dia para tirar a máscara…

… e colocar outra.

Ainda vai a tempo de experimentar.

Os conselhos de Costa e outros truques da imprensa nacional

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O assunto do momento parece rodar em torno dos conselhos de António Costa, que rapidamente pariram uma página de Facebook que dá pelo nome de “Conselhos do Costa” e que conta já com mais de 24 mil seguidores. Não deixa de ser curioso que, havendo tantas páginas no Facebook dedicadas ao comentário e à sátira política como Uma Página Numa Rede SocialBocage 2.0 ou Os truques da imprensa nacional (onde me inspirei para escrever este texto), todas com mais de 20 mil seguidores, a comunicação social tenha escolhido precisamente a página de chacota ao actual primeiro-ministro. Nada contra este tipo de humor, muito pelo contrário. Apenas uma nota de desilusão por nunca ninguém se ter lembrado de criar uma página chamada “Conselhos do Passos”, onde dicas como ser poupadinho, não ser piegas ou emigrar em massa pudessem ser igualmente exploradas com o alto patrocínio da nossa comunicação social. [Read more…]

Europa

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Miguel Szymanski

Como europeu dos quatro costados (avô português + avó meia catalã meia alemã; avô austríaco de ascendência polaca + avó da comunidade alemã checa) esta Europa começa, outra vez, a meter-me medo. Claro que a Europa dos meus quatro costados já passou por pior. A minha avó paterna dizia-me que tinha mudado três vezes de país à força das armas sem sair da cidade onde nasceu (Pilsen/ actual República Checa). O meu avô paterno, médico, passou anos a trabalhar com serras de ossos num hospital militar em Viena. A minha outra avó tomava conta das crianças no jardim de casa com uma arma automática em cima da mesa, para se defender em caso de ataque, enquanto o meu avô comandava uma companhia de soldados famélicos.
A Europa já esteve pior. Depois formou-se como cartel industrial para carvão e aço e é sobre esse cartel que assentam as actuais instituições da UE. [Read more…]

Cratera de Darvasa

Resíduos de botas nas línguas dos jotas

the-island-of-dr-moreau-pic-2O jota do centrão é uma mutação produzida em laboratório. Por fora, parece uma pessoa; por dentro, é um híbrido obediente, entre o porco e o lobo, que vota caninamente no que lhe mandam em vez de dar a pata e que diz o que lhe ditam, atacando uma jugular retórica à ordem do dono.

Os laboratórios em que produzem os jotas têm escrito na fachada “Sede do Partido Coiso”. Lá dentro, os chefes estendem a bota e o jota, como em qualquer praxe universitária, lambe até ficar dependente. De tanto lamber, dá-se a mutação.

No fundo, lamber a bota é um sucedâneo da célebre “água do cu lavado” com que, diz a tradição, as mulheres seduziam os futuros maridos. Como é que isto se compagina com a teoria de que os homens se prendem pelo estômago não sei, mas o mundo está cheio de mistérios. [Read more…]

Gestão de carreiras

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Flanava por aí a pensar remotamente se aos portugueses também faltaria uma palavra para entreprender e eis senão quando este cartaz:

“Código Penal

Artigo 160.º
Tráfico de pessoas!

1 – Quem oferecer, entregar, recrutar, aliciar, aceitar, transportar, alojar ou acolher pessoa para fins de exploração, incluindo (…) a exploração do trabalho (…):

c) Com abuso de autoridade resultante de uma relação de dependência hierárquica, económica, de trabalho ou familiar;

é punido com pena de prisão de três a dez anos!”

O anúncio aparecia assim, com pontos de exclamação e tudo, a transpirar desafio, incredulidade, loucura…

Ainda pestanejei, por momentos, “porque não?”, mas logo o tédio, “não vá a coisa desmerecer até os portes de devolução”, me arrastou no seu enjoo paliativo…

Alberto João Jardim enfrenta a justiça pela primeira vez

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Foi preciso esperar 22 anos para que António Loja pudesse ver chegar ao tribunal o processo por injúrias de que acusa o rei-sol do Funchal. Terminada a era da imunidade, Alberto João Jardim vai mesmo sentar-se no banco dos réus e responder pela chacota pública a que remeteu o ofendido, através do Jornal da Madeira, onde publicou artigos em que usava vocabulário que ilustra bem a pessoa que é, e que incluía termos como “ordinarote” ou expressões como “o homenzinho, ao ler isto, caem-lhe mais três dentes, dois de raiva e um de senilidade“.

Estando o teor deste processo longe das mais elevadas tropelias do jardinismo, entre casos gritantes de despesismo e férias de luxo patrocinadas pelos contribuintes, a verdade é que é absolutamente refrescante ver Alberto João Jardim em tribunal. Cheguei sinceramente a pensar que tal nunca seria possível. Ficará por aqui? Ou será este o primeiro episódio de uma fabulosa série em que o regime do compadrio madeirense começará a responder perante a justiça? Uma sugestão: que tal começarem pelo Banif?

Foto@O Jogo

Porque nunca me conseguirão calar

“Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.”

Sophia de Mello Breyner Andresen

O Orçamento de Estado visto por um leigo

AC

Tal como a esmagadora maioria dos portugueses, tenho muitas dificuldades em perceber as linhas com que se cose um orçamento de Estado. Recebo informação através da imprensa, dos actores políticos e dos vários grupos de interesses que gravitam em torno dos cofres do Estado, dos funcionários públicos às clientelas partidárias, e tento juntar as peças. E a primeira conclusão a que chego é que nós, portugueses, nos encontramos numa posição perto da irrelevância no que toca a esta matéria. A nossa soberania está hoje nas mãos de Bruxelas e a tendência, tanto quanto me é dado a entender, é para piorar. Claro que, perante o poder do regime europeu, existem duas abordagens possíveis: a abordagem Pedro Passos Coelho, que consiste em aceitar toda e qualquer imposição sem contestação, e a abordagem que defino como patriótica, que consiste em negociar e defender o interesse nacional, que me parece ter sido aquilo que António Costa fez. Manuela Ferreira Leite defendeu mesmo que o governo saiu vitorioso da negociação. Estes sociais-democratas… [Read more…]

Postal de Valência #3

‘respirar naturalment’ l’olor de les taronges de València…

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… que é como quem diz, Paula que as laranjeiras de Valência estão já em flor. É verdade que enchem o ar de um perfume avassalador que, naturalmente, respiramos. Há muitas laranjeiras em Valencia e há até uma avenida das laranjeiras, onde crescem as faculdades da gigantesca (mais de 46 000 alunos) Universidade.
Levanto-me cedo. Desço para tomar o pequeno-almoço na cafetaria. Jovens em roupão e em pijama. Homens de fato e gravata. Senhoras bem maquilhadas. Tudo se mistura naturalmente no Colégio Mayor antes das 10 da manhã. Arrumo as coisas na mala e saio para a primavera valenciana. Vou passeando e tirando fotografias. Visito o mercado central, passo na pracinha onde antes de ontem o taxista me disse que se comiam os melhores bolos de abóbora, mas a loja está fechada e há-de estar também fechada quando passo novamente por ali, no regresso, depois das quatro da tarde para ir recolher a mala.
Chego à Praça da Virgem, mas antes encontro a Pujada del Toledà e lembro-me do Mário me ter falado no restaurante português… subo as escadinhas no princípio da ruela e encontro o restaurante imediatamente. Falo um bom bocado com a Maria, uma conversa um pouco triste, que não vos vou contar. Mas a Maria parece simpática, apesar da tristeza. Deixo-a uns bons três quartos de hora depois e atravesso a Praça da Virgem onde já passei tantas vezes, nesta e nas outras visitas. Vou encontrar-me com o Pep, ‘mi primo de Valência’ que é agora assessor do Presidente das Cortes Valencianas, que também conhecerei.

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A namorada difícil

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© Felizardo

Merkel elogiou Passos Coelho numa conferência de imprensa conjunta com António Costa. Antes, quando se encontrou com Passos Coelho pela primeira vez, Merkel elogiara Sócrates. Suspeita-se que a Bundeskanzlerin é como as namoradas difíceis, que só dizem bem do anterior namorado.  (O crédito da piada vai para Pedro Mexia,  no último programa Governo Sombra).

Luz e sombra (0)

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Fotografia: Paulo Abrantes

São de fato uma pechincha

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© David Rogers/Getty Images (http://bit.ly/1UXLZh3)

Depois de um fim-de-semana extremamente agradável e tranquilo, eis o caldo entornado quer no sítio do costume,

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quer alhures.

de fato uma pechincha

Desejo-vos uma óptima semana, sem estrangulamentos e sem constrangimentos.

Postal de Valência #2

‘Res del que passa és comparable a tu’*

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Em Valencia continua a primavera e estou mais viva que nunca. Levanto-me cedo e tomo o pequeno almoço na cafetaria do Colegio Mayor. Há sol no pátio e muita gente jovem que bebe sumos e cafés e conversa por aqui e por ali, em conversas que apanho no ar e a que não presto muita atenção. Ao meio-dia, depois do taxista se ter perdido e me ter querido deixar a 10 minutos a pé da Faculdade de Ciências Sociais e de ter havido uma discussão, que ganhei bem entendido (‘mira, cuando llamas un taxi es para que te lleve de un punto al otro. A mi me dejas en la puerta, vale?’), chego finalmente à porta da faculdade. Entrego uns papeis, encontro os outros membros do tribunal e vamos à tese. A tese da Marina. Muito bem escrita, muito bem estruturada. Como alguém disse: uma tese de verdade. Excelente, portanto, estamos todos de acordo. A defesa demora algumas horas, duas ou três, a partir de uma certa altura perdemos a conta. É muito bom discutir um trabalho (mesmo se como eu, em ‘portunhol’) muito bom, feito com alma, se quiserem, que nestas coisas, sim, também é preciso que a tenhamos. A seguir vamos almoçar. Comemos uma paella fenomenal e quando acabamos são seis e um quarto da tarde. Estamos em Espanha. Não é surpreendente que seja assim, mas penso ‘en mi primo de Valencia’, o Pep, com quem tinha combinado às seis e quarenta e cinco para ‘tomar una copa’ e comer alguma coisa e mando-lhe um sms a dizer que às nove.

Tomo o autocarro de regresso, com a Imaculada. o autocarro não se perde como o taxi e passados poucos minutos deixa-me na Plaza de la Reina. Avanço até à Plaza de la Virgen, como ontem à noite. E meto pelas ruelas que me hão-de levar ao Colegio Mayor. Descanso um bocado, vejo os emails. Realizo que tenho saudades de uma pessoa, de repente. Que é como uma espécie de primavera na minha vida, nestes últimos meses, apesar de tudo o que sei sobre mim – e sobre ela. Uma espécie de primavera. Não tenho jeito para me apaixonar, ou melhor, tenho sim, muito. Não tenho é muito jeito – desde há alguns anos e por razões precisas que eu conheço muito bem, mas que aos outros serão – suponho eu – difíceis de entender – para o que vem a seguir, passada a primavera. E a primavera, como a paixão, é uma estação voraz. Apesar de tudo isto, sinto subitamente saudades dessa pessoa, embora fale com ela muitas vezes por dia. Mas não é o mesmo. A primavera é uma estação voraz, acabei de o dizer.

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