Trump mandou despedir os procuradores que o investigaram. A oficialização da natureza autoritária dos EUA segue imparável.
Amigos de Elon, por Philipe Low
“I have known Elon Musk at a deep level for 14 years, well before he was a household name. We used to text frequently. He would come to my birthday party and invite me to his parties. He would tell me everything about his women problems. As sons of highly accomplished men who married venuses, were violent and lost their fortunes, and who were bullied in high school, we had a number of things in common most people cannot relate to. We would hang out together late in Los Angeles. He would visit my San Diego lab. He invested in my company.
Elon is not a Nazi, per se.
He is something much better, or much worse, depending on how you look at it. [Read more…]
Tive pena do Chega, mas guardo a compaixão

André Ventura e o seu ex-subordinado, o agora deputado não-inscrito Miguel Arruda
Quando rebentou a polémica, bateu aquele quentinho no coração. O Chega. Um deputado ladrão. Os cheganos feitos baratas tontas, primeiro, defendiam o homem com unhas e dentes; depois, confirmado o furto, “agarrem-me que eu vou-me a ele”. No fim, o larápio pegou nos pés e pôs-se a andar, enquanto os acheganados espumavam com afinco, por não terem tido a oportunidade de serem eles a expulsar “o malas”.
Rimos. Rimos novamente. E rimos outra vez. Voltámos a rir. E rimos novamente. Agora, bate aquela pena. É que ver deputados do Chega sem argumentos, usando aquele chavão político de topo que é “vamos partir-te a cara aos bocadinhos” e, sobretudo, as olheiras do Querido-líder André que, tão patriota que é, estava nos Estados Unidos e que de tão bom líder que é, reuniu com os seus deputados via Estados Unidos (se calhar o Trump prometeu-lhe um gabinete, sei lá… mal por mal, pode ficar por lá), deu aquele gostinho a justiça poética.
Aquela carinha de totó que nem roubar sabe do deputado Arruda, a carinha de flatulência do deputado sem pescoço (aquele que se senta ao lado do Querido-líder a bater palmas com muita força), a já referida cara de sono de Ventura, a fronha de funeral das Matias e dos Frazões… deu gozo? Deu muito. Agora, mete pena. E a pena é um sentimento muito feio. E dá pena porque essa gente é tão indigente que, ao mínimo escândalo, viram-se todos uns contra os outros. O Chega prometeu “levar as pessoas comuns para o Parlamento”, não tinha dito é que também levava os criminosos comuns… e não ficará por aqui, pois sabemos que 35% da bancada parlamentar do Chega está a braços com a Justiça e que o Arruda é a ponta de um iceberg. O Chega é um titanic, vai navegando e deslumbrando por onde passa, mas um dia vai esbarrar. [Read more…]
O padrão Musk

Ninguém votou em Elon Musk.
No entanto, il consigliere tem neste momento mais poder e exposição mediática que JD Vance. E ombreia com Trump.
Aliás, a saudação nazi – sim, foi uma saudação nazi, e foi intencional, mas já lá vamos – roubou claramente o protagonismo a Donald Trump. No dia seguinte ao mais importante da vida do outra vez presidente dos EUA, o maior comeback da história da política americana, o tema não foi Trump. Foi a actuação do Adolfo de Pretoria. E Trump, dono do mais pedante ego à face da Terra, não deve ter ficado nada contente. A Soberba é pecado mortal, mas Donald é muito cristão. Enviado por Deus.
Esta é uma das minhas esperanças: que os gigantescos egos de Trump e Musk colidam. Sem retorno. A seguir abasteço-me de pipocas e vou assistir ao combate entre nativistas e broligharcs no octógono, com Joe Rogan a comentar e Trump a tirar selfies com Dana White na fila da frente. Se tivesse que apostar, apostava nos segundos. In America, cash rules. Ou como muito oportunamente o colocaram os Wu-Tang Clan: C.R.E.A.M. Dolla dolla bill, y’all.
Adiante.
Títulos internacionais

Lembra o El País.
O Chega já tem mais títulos internacionais do que o Benfica nos últimos 50 anos.
O “FdP”
Estou cada vez mais convencido que não são as diferenças ideológicas que nos separam, mas o carácter de cada um de nós. Na clara evidência que muitas opções políticas que cada um escolhe, são, desde logo e obviamente, determinadas pelo nosso perfil psicológico.
Mas para não descer à minudência dos pequenos pormenores que, bem ou mal, estabelecem as diferenças entre nós, o que levaria a discussão para patamares exponenciais e microscópicos, retirando-lhe, na prática, qualquer benefício, tentarei expor apenas uma distinção maior, mais abrangente e também mais determinante.
[Read more…]TrumpTok

Trump em 2020: Vamos banir o Tiktok. Esta aplicação é uma ameaça à segurança nacional dos EUA.
Trump em 2025: O Tiktok não pode ser banido. Vou reverter a lei para proteger a segurança nacional dos EUA.
Director Nacional da Polícia Judiciária dá murro na mesa
Quatro minutos. Quatro. Foram o suficiente para o director nacional da Polícia Judiciária conseguisse desmontar as narrativas racistas e xenófobas da extrema-direita, às quais se atrelaram governantes alaranjados. Agora, esperamos a resposta do totó e macaquinho de imitação que é o Primeiro-ministro que temos.
Quantas greves são greves a mais?
Marques Mendes, no seu espaço de intoxicação alimentar, declarou que, nas escolas públicas, há greves a mais, há baixas por doença a mais e os sindicatos exageram (ouvir a partir dos 12 minutos e qualquer coisa).
Como é que se sabe se uma classe profissional faz greves a mais? Haverá um banco de horas de greve? Haverá um gestor de conta que negue um levantamento de horas de greve porque já se gastou o limite de crédito e agora só para o ano? Deveria existir o cargo de provedor do grevista?
Não sabemos, mas Marques Mendes sabe. Marques Mendes também sabe que, nas escolas públicas, há baixas por doença a mais e sabe que toda a gente acha o mesmo. Como é que Marques Mendes sabe? Acha que há. E também acha que os sindicatos exageram.
Marques Mendes é uma pessoa que acha muito e, por isso, tem opiniões. Só lhe faltam fundamentos e é por não fundamentar o que afirma que chegou a comentador televisivo.
Então, mas…
PSD e Iniciativa Liberal estão a estudar novas coligações autárquicas

Propaganda liberal espalhada pelo país. A/C Iniciativa Liberal.
Anschluss?

Parabéns a todos os americanos que elegeram este Adolfo, e também a todos os fascistas por essa Europa fora, que rejubilaram com a sua vitória. Estou em pulgas para ouvir as balelas nacionalistas de Ventura e respectiva entourage, no dia em que vierem pelas Lajes.
Nótula sobre a qualidade analítica da propaganda anti-Lage
Top quality research requires outstanding methodological skills.
— KP/LDC

Equiparar os quatro pontos em quatro jornadas de Lage aos quatro pontos em quatro jornadas de Pereira só pode ser natural num jornal português praticante da resistência silenciosa em tempos de liberdade (exactamente) e que capitula perante o nefando AO90. No mundo real, não é natural que Rogério Azevedo não indique explicitamente o seguinte: nos quatro pontos em quatro jornadas de Pereira, houve uma derrota contra uma equipa actualmente com 22 pontos, enquanto os quatro pontos em quatro jornadas de Lage têm uma derrota contra uma equipa actualmente com 41 pontos e que (credo!) é o actualíssimo campeão nacional. Lá se foi a comparabilidade. E o cálculo é simples. O resto, sim, aceita-se: Braga e Santa Clara (derrotas) têm os mesmos pontos e Gil Vicente e AVS – Futebol SAD (empates) distam uns míseros três pontos entre si. O Benfica e o Sporting ganharem a Estoril e Boavista é absolutamente normal. O que não é normal é continuarmos a ter propaganda, em vez de análise rigorosa. Ainda por cima e repito, para cálculos tão simples.
Governo não queria poupar dez mil euros por mês

Até há dois ou três dias, o governo considerava fundamental gastar 16 000 euros mensais com Hélder Rosalino. Depois da desistência deste, o cargo de secretário-geral do executivo será ocupado por Carlos Costa Neves, que ficará cerca de dez mil euros mais barato por mês.
No mundo da alegada meritocracia que faz corresponder o volume salarial à competência, poderemos dizer que Carlos Costa Neves é dez mil euros menos competente que Hélder Rosalino? Isso não será demasiada competência a menos? Ao contratar uma pessoa tão barata, não estará, ainda, o governo a prescindir de uma grande quantidade de competência, pondo em risco o desempenho de um cargo que, com certeza, será considerado fundamental? Entretanto, o que aconteceu para que, só passado quase um ano, um governo tenha descoberto que é fundamental criar este cargo?
Se, afinal, era possível gastar bastante menos, não será que o governo anda a brincar com dinheiros públicos? Mas há governo?
Parece que fazem de propósito

Em 2022, Fernando Medina gizou um despacho ministerial para garantir que Miguel Martín, à data na calha para suceder à Cristina Cavalinhos no IGCP, mantinha o salário que auferia na Ascendi: 15 mil euros.
À direita, muitos não perderam tempo. Acusaram – e bem – o governo de favorecer o gestor com legislação feito à medida dos seus interesses. No reino digital, a opinião era unânime: estávamos perante mais um caso de “socialismo”.
Dois anos e uns trocos depois, eis que o “socialismo” tomou conta do governo Montenegro/Melo. Hélder Rosalino, um dos nomes incontornáveis dos tempos da austeridade, era o preferido do primeiro-ministro para ocupar o recém-criado cargo de secretário-geral do governo. [Read more…]
Auto do Rosalino
Personagens: Montenegro, Rosalino, Voz da Decência

Montenegro: Rosi, venho convidar-te para secretário-geral, porque é preciso organizar melhor as coisas da administração pública.
Rosalino: Ou seja, acabar com a administração pública, não é, Monte?
Montenegro: É por isso que eu sabia que eras o homem ideal para o cargo.
Rosalino: Pois, ó Monte, mas há um problema.
Montenegro: Os problemas resolvem-se, Rosi. Fala.
Rosalino: É que não posso passar a ganhar um terço do que ganhava.
Montenegro: Tens toda a razão. Isso de cortar salários é inadmissível!
(Riem-se ambos, a ponto de quase chorarem)
Montenegro (recuperando o fôlego com dificuldade): Vou ligar ao Centeno, ele continua a pagar-te e pronto.
(Montenegro pega no telemóvel, caminha um pouco e desliga irritado)
Montenegro: Este gajo veio-me lá com um paleio qualquer de regras ou o carago!
Rosalino: Monte, já te disse, assim não posso. Aquele dinheiro faz-me falta.
Montenegro: Rosi, não te preocupes, a malta arranja aqui uma leizita só para ti e ficas a ganhar o mesmo.
Rosalino: Pronto, assim, já fico.
(Ouve-se a notícia de que há partidos que querem fiscalizar a lei)
Rosalino: Olha, afinal, já não fico.
Montenegro: Nunca gostei do Centeno e agora também não gosto. Tenho pena, pá, porque não estou a ver mais ninguém para fazer cortes como tu fazes. Os teus cortes são os melhores que já vi.
Rosalino: Olha, não se perde tudo: continuo a ganhar o mesmo, que é o mais importante.
Montenegro: Olha lá uma coisa!
Rosalino: O que é?
Montenegro: Não era para entrar também a Voz da Decência nesta peça?
Rosalino: Pois era, mas não ouvi nada, Monte.
Montenegro: Pois, nem eu.
Rosalino: Deixa lá. Ficas a dever-me um almoço.
Jimmy Carter (1924-2024)

Jimmy Carter foi, de todos os presidentes americanos, aquele que mais vezes esteve do lado certo da história. O mais decente, a meu ver, dos inquilinos da Casa Branca. E se a sua morte era expectável, pelos 100 anos e pelo estado muito debilitado da sua saúde, não deixa de ser significativo que a sua partida coincida com o momento mais frágil da história da democracia americana. Que descanse em paz.
O jantar dos No Name Boys e a percepção de (in)segurança

No final da passada semana, a claque No Name Boys reuniu cerca de 500 elementos para um jantar de Natal, num restaurante em Sintra.
Sem surpresa, alguns membros da claque causaram distúrbios no interior do restaurante, acendendo tochas e causando diversos estragos.
Chamada ao local, a PSP foi recebida com violência, sendo alvo de arremesso de garrafas e outros objectos. Um dos agentes ficou ferido. [Read more…]
Olhe que não, senhor arcebispo, olhe que não

O arcebispo de Évora, Francisco Senra Coelho, agradeceu a resistência ucraniana contra as “ondas avassaladoras do comunismo ateu”, pese embora a Federação Russa seja hoje o típico regime ultraconservador e nacionalista de extrema-direita, apoiado pela cúpula de igreja ortodoxa russa, com a qual o Kremlin mantém laços tão fortes e estreitos como aqueles que uniam a igreja católica e o Estado Novo.
Se o objectivo do senhor arcebispo era picar os comunistas, faria mais sentido atirar-lhes a China à cara. A central de financiamento da extrema-direita populista está mais próxima do pensamento político da ICAR do que do PCP. A Rússia de 2024 não é a URSS da Guerra Fria. Ou o senhor arcebispo julga que Putin financiou católicos militantes como Le Pen e Salvini por caridade?
Provavelmente a última central nuclear da Europa
Este sábado, em Flamanville no norte de França, foi ligado à rede o novo reator EPR. O EPR era um projeto franco-alemão, acrónimo de European Pressurized water Reactor. Quando a Alemanha abandonou o projeto EPR passou a designar-se Evolutionary Power Reactor. Os EPR oferecem uma potência cerca de 50% superior do que a generalidade dos reatores e sobretudo são muito mais seguros, constituídos por cúpulas capazes de resistir a um embate de uma avião de linha e com galerias de transporte de plasma em caso de fusão do reator.
No entanto, este é um projeto que começou com um orçamento de 3,3 mil milhões de euros e terminou em 13,2 mil milhões. É o sexto edifício mais caro do mundo. Representando custos de 8250€/KW para a capacidade instalada. O fotovoltaico anda nos 600€/kW. A construção eternizou-se ao longo de 17 longos anos. A história dos outros EPR construídos pela EDF, na Finlândia e ainda em construção Hinkley Point no Reino Unido, não é muito diferente, verificaram-se também derrapagens colossais de custos e atrasos inaceitáveis.
Mais do que um estrondoso falhanço para a indústria nuclear, esta pode ser a última central a ser construída na Europa. A construção da central de Hinkley Point está praticamente parada e é a única em construção na Europa. Este ano Hinkley Point perdeu alguns dos seus principais investidores e não há nenhuma hipótese viável no horizonte para os substituir. A EDF, responsável por Hinkley Point, foi salva pelo estado francês que absorveu uma dívida de 60 mil milhões de euros. A EDF não tem capacidade de investimento. A americana Westinghouse foi à falência e foi comprada por um grupo canadiano sem experiência em centrais nucleares. Neste momento há zero centrais a serem construídas nos EUA… A japonesa TEPCO foi à falência e passou para os contribuintes japoneses mais de 200 mil milhões de dólares e Fukushima está muito longe de estar limpa. A coreana KEPCO ainda não faliu, mas tem uma dívida de 150 mil milhões de dólares. A russa Rosatom é atualmente a única empresa com capacidade para construir fora de portas, graças às contas à Putin, que não presta contas aos contribuintes russos.

Como o Hamas derrubou Al-Assad

Ironicamente, o atentado terrorista do Hamas contra civis israelitas, a 7 de Outubro do ano passado, foi o último prego no caixão do regime de Bashar al-Assad.
Como?
Assim: Israel reagiu com a brutalidade genocida que é conhecida, o que levou o Irão a ordenar que o seu proxy Hezbollah explorasse as (alegadas) fragilidades do exército israelita a norte.
Como essas fragilidades não existiam, Israel respondeu com a aniquilação total do topo da cadeia de comando e destruiu a infraestrutura dos fundamentalistas libaneses, deixando o Hezbollah a soro. [Read more…]
William Labov (1927–2024)
Anyone who begins to study language in its social context immediately encounters the classic methodological problem: the means used to gather the data interfere with the data to be gathered.
— William Labov
***
Há uns anos, dediquei muitas horas ao /R/ português, porque é interessante, importante e relevante e até pode ser, imagine-se, contrastivo: caro/carro, pára/parra (note-se que pára/parra não é exactamente a mesma coisa que para/parra), muro/murro e a lista continua. O projecto acabou por ficar em banho-maria, como diriam os outros, due to lack of interest/tomorrow is cancelled e entretanto há outras emergências mais urgentes. Soube; há umas horas, que morreu um dos meus autores favoritos, o Labov, craque do /R/ na margem ocidental do lago e alhures. Fica aqui, além da triste nótula, o meu artigo preferido dele (e, creio, o mais conhecido): The Social Stratification of (r) in New York City Department Stores (pdf) e este vídeo magnífico sobre o /R/ do homem que deveria ter sido presidente dos Estados Unidos da América.
Almada Contreiras (1941-2024)

Ontem, perdemos mais um dos heróis da democracia.
Almada Contreiras foi o Capitão de Abril que teve a brilhante ideia de sugerir a eterna Grândola Vila Morena como senha que colocaria os militares em marcha, rumo à revolução que libertou Portugal da longa noite fascista.
Que descanse em paz, como merece.
Muito obrigado, comandante.
O governo caiu, mas os alemães têm memória

O governo alemão caiu. Especialistas instantâneos em política interna alemã apressaram-se a garantir que vem aí a extrema-direita, porque Trump ganhou nos EUA e porque Le Pen está na linha da frente para suceder a Macron.
Sucede que na Alemanha, ao contrário de França e sobretudo dos EUA, vigora um sistema político cujo poder reside no Parlamento e no governo que dele resulta. E, ao contrário daquilo que acontece com a direita liberal e conservadora em países como Portugal, Espanha ou França, na Alemanha não há registo de cedências à extrema-direita. [Read more…]
PREC laranja em Boticas

Se a ocupação de terrenos privados para prospecção de lítio, em Boticas, tivesse ocorrido durante o governo Costa, a direita radical – uma pequena parte acampada no PSD, maior fornecedor de quadros do CH, é preciso dizê-lo – diria que estamos perante um novo PREC. Falaria em URSS e totalitarismo. Talvez Venezuela e, quiçá, Coreia do Norte. Mas não se lhe ouve um pio.
Quando as encomendas, além de ridículas, acontecem às claras e os negociantes acham que andamos todos a dormir
Efectivamente. “Na verdade, não é bem assim, já que saudade, desbundar e desenrascanço têm versões em Mirandês — “suidade”, “zbundar” e “zamrascanço“, respetivamente” e “Artigo editado às 11h20 de dia 12 de dezembro para incluir a referência ao Mirandês“.
Como converter terroristas em freedom fighters

A queda de Bashar Al-Assad é uma excelente notícia. Como foram boas as notícias da queda de Saddam ou Khadafi.
O problema, derrubados que estavam os ditadores do Iraque e da Líbia, foi não haver um plano para o dia seguinte.
O resultado? Ambos os países conseguiram a proeza de se tornarem ainda mais ingovernáveis e infernais para os seus habitantes.
O Iraque de 2024 é palco de incessantes conflitos entre inúmeras facções e atentados terroristas semanais, quando não diários.
A Líbia vive um caos idêntico, com a agravante de se ter transformado num mercado esclavagista e numa plataforma giratória de tráfico de seres humanos. [Read more…]
Hoje, 9 de Dezembro de 2024, dia dos 170 anos da morte de Garrett
Foto: Maria António Gonçalves (8 de Dezembro de 2024)
Hoje, véspera dos 170 anos da morte de Garrett

Hoje, véspera dos 170 anos da morte de Garrett, haverá um protesto, entre as 15h00 e as 19h00, junto da casa onde nasceu o glorioso escritor, devido à aparente vontade de se transformar aquele monumento num hotel. O protesto é dinamizado pela companhia portuense Teatro Plástico — e na manifestação será lançada uma petição para que se classifique e e salvaguarde o edifício.
A propósito, deixo-vos uma nótula apensa a artigo que escrevi há uns anos.
A segunda nota diz respeito à nossa terra natal, minha e de Garrett. No Porto, Garrett é homenageado na estátua que se encontra em frente à Câmara Municipal do Porto (CMP), na Praça de Almeida Garrett (para quem não souber, a da Estação de S. Bento e cuja placa evoca o Glorioso Escritor) e, mais recentemente (há 20 anos), nos jardins do Palácio Cristal, passámos a ter a Biblioteca Municipal Almeida Garrett. Esta é a fachada. Depois, temos a casa onde ele nasceu, a qual, em vez de ter sido atempadamente recuperada, embelezada, valorizada, foi sendo esquecida, desprezada, deixada ao abandono, durante decénios, tendo ardido em finais de Abril de 2019, precisamente na semana em que a CMP fez uma proposta de compra, para aí instalar um pólo do Museu do Liberalismo. Ardeu tudo da casa, menos, ironicamente, a fachada. Ainda por cima, como podemos ler no Público de há três dias, «Desde Abril de 2019, nada foi feito para recuperar esta peça que faz parte do património histórico da cidade e do país». A fachada continua.
Ide, protestai.
Margarida Penedo, ditadores, autocratas e Paulo Núncio
Foi esta noite a votação, na Assembleia Municipal de Lisboa, uma iniciativa popular para a convocação de um referendo local com o qual se pretende consultar os lisboetas sobre a situação da Habitação no concelho.
A proposta, aprovada com os votos dos partidos de esquerda, do PAN e dos deputados não inscritos, segue para o Constitucional.
Goste-se ou não da ideia, isto é a democracia a funcionar.
Mas nem todos parecem concordar.
A deputada municipal Margarida Penedo, do CDS-PP, usou da palavra para informar o auditório que votaria contra e para emitir o seu parecer, afirmando que os referendos são um instrumento tipicamente usado por ditadores e autocratas, como Hitler, Estaline, Fidel e De Gaulle.
É caso para perguntar onde estava a senhora deputada em Fevereiro, quando o vice-presidente do seu partido, Paulo Núncio, defendeu a convocação de um referendo para reverter a lei do aborto.






Recent Comments