O Chega virou woke (ou como o lambão baba o dedo para ver de onde sopra o vento)

Chega woke.

O Chega não tem ideias nem ideais próprios. Os ideais, esses, são os de antanho, de um tempo de miséria e penumbra geral. As ideias, essas, são aquelas que a extrema-direita, sobretudo a europeia, estiver a difundir por aí. No caso, como o único exemplo de uma espécie de moderação da extrema-direita surgiu do governo italiano, encabeçado por Georgia Meloni (e a sua amiga benzoilmetilecgonina), o Chega tem tentado, desde as últimas eleições, tornar Ventura numa Meloni.

Ora, se o Chega é contra os transexuais, convinha tentar não tornar o seu líder num. E se o Chega fala tanto em substituição populacional, que lhe importa se as portuguesas fornicam, engravidam e parem? Afinal, estamos a ser substituídos.

O melhor, nestas matérias, era pôr a anti-feminista Rita Matias a falar… porque já se provou que esta anta usa argumentos feministas para se dizer anti-feminista. E agora o Chega, cheio de tesão woke, quer pôr-se ao lado das feministas também… sendo anti-feminista. Está bem, abelha…

Por fim:

Rita, presta atenção:/Verás que não há nenhum mal,/abre lá o teu coração/e as pernas por Portugal. 
André, não tenhas vergonha/e não sejas salafrário;/eu sei que tu largas peçonha,/mas está na hora de saíres do armário. 

O controlo da imigração descontrolada

Como algumas pessoas sabem, até há poucos dias havia em Portugal uma imigração completamente descontrolada, com a velha ponte que liga Valença a Tui (neste caso, Tui a Valença) a ameaçar ruir sob o peso dos imigrantes naturalmente descontrolados. Também descontrolados, entravam outros imigrantes em Elvas, em magotes saídos de Badajoz. Mais abaixo, em braçadas descontroladas, imigrantes saltavam para o Guadiana em Aiamonte e desaguavam em Vila Real de Santo António.

Em muitos cafés, portugueses passaram a desconfiar uns dos outros. Numa certa adega minhota, alguém disse:

  • Acho que o Joaquim da Zeza é imigrante.
  • Porra, a que propósito?

  • Então, o gajo bebeu uns copos e ficou descontrolado. Como os imigrantes.

O que vale é que, do dia para a noite, isso acabou, porque o governo de Luís Montenegro disse que acabou. E todos sabemos que, quando Luís Montenegro diz uma coisa, a coisa passa a ser verdade: ainda há dias se descobriu que o verdadeiro autor dos Cadernos de Lanzarote é Sophia de Mello Breyner, descendente de imigrantes ainda não descontrolados, que irá receber, a título póstumo, o Nobel da Literatura de 1998, o que levou Pilar del Rio, outra imigrante outrora descontrolada, a assumir a paternidade de Miguel Sousa Tavares.

Venturoso país este que, num ápice, num ai, no sopro de um decreto, acaba com a imigração descontrolada. Venturoso país.

Mariana&Leitão

Mariana Leitão.

Para Mariana, já temos a Mortágua.
Para Leitão, já temos a Alexandra.
Portanto, não serve nem para Mariana, nem para Leitão.

Ps. “Novo socialismo” à direita? Pensei que o Hitler já tinha inventado essa em 1920.

A invenção da grande vaga de crimes

Todos já incorremos no disparate de confundir uma experiência pessoal com um dado sociológico alargado. É o “Isto só a mim!” ou o “Este país é uma vergonha!” decorrentes de termos sido vítimas de um carteirista.

Em conversa de café mais ou menos alcoolizada, podemos chegar a defender a pena de morte, a tortura ou a condenação a ver jogos do Futebol Clube do Porto da última época no caso de o criminoso ser portista. Depois, o processo civilizacional a que vamos sendo sujeitos faz efeito e passa-nos.

O populista que chega ao poder (executivo, legislativo ou outro) é um bêbedo numa tasca que tem solução preferencialmente violenta para tudo. Para isso, conta com a ajuda das redes sociais necessariamente desreguladas e com uma comunicação social reduzida tantas vezes a caixa de ressonância.

André Ventura e o seu agente Luís Montenegro alimentam-se de uma insegurança que apregoam, com a ajuda das manchetes que eles próprios geram: o  crime, a insegurança, as violações, os “nossos” valores, a imigração, a nacionalidade.

Note-se: é preciso que haja muita gente crédula e ignorante para engolir falsas percepções. Sim, sim, podemos dizer mal dos eleitores. Podemos, podemos.

A imagem é da primeira página do Diário de Notícias de hoje. A notícia é esta.

Tenho cá a percepção…

… de que esta notícia…

…não tem qualquer relação com esta…

…e, valha-nos deuze, muito menos com esta…

Percepções, percepções everywhere… temos o governo mais radical desde 1974… e olhem que nos aconteceu o Cavaco duas vezes. 

Sorria como manda a hipocrisia

Estamos num ponto tal em que já nem sequer choca que o líder da extrema-direita portuguesa recite, como se de uma lista de descartáveis ou criminosos incuráveis se tratasse, os nomes de crianças que frequentam as escolas portuguesas; crianças essas filhas de pais estrangeiros, mas muitas delas já nascidas em território nacional.

Façamos, pois, o exercício contrário.

De repente, enquanto se discutia a lei da imigração em França ou na Alemanha ou na Bélgica ou no Luxemburgo ou na Suíça, um qualquer bobo da corte armado em Hitler da loja dos trezentos balbucia meia-dúzia de cagalhões contra pessoas de origens diferentes que frequentam as escolas lá do burgo, grande parte delas nascidas no próprio país e começa a recitar:

  • Luís Miguel Marques
  • Vitor da Silva Fonseca
  • Mariana Santos Travassos
  • Diana Andrade Ribeiro
  • Ricardo André Esteves
  • Tiago Filipe Cunha
  • Rui Miguel Dias Lopes
  • Fátima Campos Rios

E por aí fora.

Há algum português que não tenha familiares emigrados?

A pimenta, no cu dos outros, é sempre refresco. Mas, em tempos de ódio puro àquele que vem de fora (mas que chique usar, comprar e visitar aquilo que vem de fora), convém sempre relembrar que somos sempre estrangeiros nalgum lugar. E que não somos nem daqui, nem dali, somos do Mundo.

Não ser nem ateniense nem grego é não querer ser mais papista que o Papa. Saibamos integrar e adaptarmo-nos, para que sejamos sempre acolhidos e nos adaptemos.

E as percepções continuam a dar abadas à realidade, quando se comprova, agora, que a maioria das nacionalidades atribuídas se deveram à lei dos judeus sefarditas e, também, ao pedido de nacionalidade por parte de brasileiros, entre outros, com avós portugueses.

Volvidos cinquenta anos, Portugal quer voltar a ficar orgulhosamente só – seguindo a lógica dos Donos Disto Tudo, da Rússia à China, dos Estados Unidos a Israel, do Irão à Turquia -, enquanto uma elite radical se apodera da República para a transformar noutra coisa qualquer que com ela se assemelhe.

A tudo isto, o ilustre Dantas que é Presidente da Assembleia da República chama-lhe “liberdade de expressão”. Já antes nos tinha dado a solene lição de que ser racista é mera questão de opinião, agora confirma-o com veemência. “Morra o Dantas, morra! Pim!”

“Sorria como manda a hipocrisia;
Ser escravo e se adequar é bem mais adequado que dizer que não.
E oportunamente as oportunidades surgirão
Para que você também possa escravizar os seus irmãos.

E por ora é razoável não pisar fora do raso,
Não cagar fora do vaso,
E comer merda todo dia.
Mas no fundo quem aceita o inaceitável
É o grande responsável pelo mal do mundo. Você não sabia?”

O escândalo político do 4 de Julho português

It is noteworthy that English native speakers show a clear tendency to perceive Catalan diphthongs in terms of English diphthongs.
— Juli Cebrian (2017)

***

As crianças não são identificáveis, mas os nomes são associáveis e a associação é tendenciosa. Em Portugal, o Pedro, o António e o José passam despercebidos, mas o Anselmo, o Miguel Maria e o Tadeu já não — apesar de serem portuguesíssimos de bem e da Silva (como eu, na acepção populista). A deputada do Livre (livra!) poderia ter perguntado ao deputado Ventura o porquê de nāo ter mencionado o nome do portuguesíssimo e actualíssimo Zeinal. Mas, para isso, para desmontar esta conversa bacoca, é preciso pouca politiquice, mais qualidade na AR, menos gritaria, ausência de pathos (ui!) e muita leitura.

***

O Preço dos Ovos vai baixar

Ontem, só entre a porta do meu laboratório e a casa de banho apanhei 30 m2 de burcas (ai não, eram 70m2). Já não se pode, é burcas a sair pelas fichas da eletricidade, uma praga. Esta medida do Chega é muito boa porque vai baixar o preço dos ovos, da habitação e diminuir as filas de espera nos hospitais, vai ser espetacular.
Mas acho que o Chega não foi suficientemente corajoso. Eu proibiria a construção de iglus nos areais das nossas praias, mandaria prender todos os esquimós e expulsá-los para a terra deles. Aí é que daríamos um salto no índice de desenvolvimento que até os cangurus (a proibir também) ficariam com os olhos em bico.

Botas cardadas

“O fascismo é uma minhoca
Que se infiltra na maçã
Ou vem com botas cardadas
Ou com pezinhos de lã.”

Longe vão os tempos em que os fascistas se deslocavam pelo Rectângulo com pezinhos de lã. Agora é vê-los ameaçar e agredir sem filtro ou vergonha, de botas cardadas calçadas, em todo o esplendor da sua delinquência criminosa, a espancar cidadãos comuns na sopa dos pobres ou à porta de teatros.

A normalização do terrorismo a que temos assistido, por estes dias – que, estranhamente, não levou ao rasgar das vestes dos hipócritas securitários, que podem ter lá um ou outro amigo – tem várias origens.

Tem raízes na seita do Bolsonaro da Temu, na postura do PAR quando legitima o discurso troglodita no Parlamento, na importação do pensamento neofeudalista, distribuído a baixo preço, em reels e tiktoks, por aspirantes a techbros, e, claro, nos burlões do YouTube, que descobriram que o ódio, a violência e a redução das mulheres a objectos são negócios tão ou mais lucrativos que a promoção de casas de apostas ilegais. [Read more…]

Polígrafo, Polígrafo, Polígrafo

O Polígrafo decidiu verificar a veracidade (em bom rigor, a exactidão) desta frase de Marcelo Rebelo de Sousa:

Portugal é o único actual Estado-membro não fundador que, com Durão Barroso e António Costa, viu os seus nacionais serem presidentes de duas instituições europeias: a Comissão Europeia e o Conselho Europeu.

Começa o Polígrafo por contextualizar:

Remata o Polígrafo desta forma:

Efectivamente:

Portugal (…) tem, hoje, um presidente da Comissão Europeia, o ex-Primeiro-Ministro António Costa, que chegou ao cargo em Dezembro de 2024.

Isto é grave.

Mas mais grave ainda é o texto ter sido publicado em

de Portugal Continental e da Madeira e, até este momento (em

14 de Junho de 2025 às
10:51

de Bruxelas–menos uma hora em Portugal Continental e na Madeira) ninguém do Polígrafo ter dado pelo gravíssimo disparate.

Manual de combate ao Chega

Seguem-se as cinco maneiras mais eficazes de combater o crescimento da extrema-direita testadas em Portugal e no mundo:
1. Realizar reportagens semanais sobre o mundo obscuro e as formas de financiamento da extrema-direita. Tem resultado bastante bem. A sociedade adere em massa e as tendências de voto diminuem no momento.
2. Acompanhar ao minuto cada incidente que acontece com candidatos destes partidos, principalmente se envolver saúde e idas ao hospital. De preferência, seguir ambulâncias até à porta do hospital e propagar imagens da vítima ferida. É apenas informação, é útil para o debate e não se trata de qualquer manobra para ser assunto dias a fio.
3. Sempre que um político de extrema-direita tem um relacionamento amoroso ou de amizade com uma pessoa estrangeira, apontar a incoerência e partilhar por todos os meios possíveis. É outra técnica que tem destruído totalmente os argumentos anti-imigração (é verdade que o que falam é de imigração descontrolada e isso vai ao encontro do sentimento da população, mas agora não interessa).

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O povo quer o quê?

O povo quer este Primeiro-Ministro e não quer outro”, afirmou Luís Montenegro à guisa de conclusão da sua leitura dos resultados eleitorais.

Ora, segundo os resultados em território nacional – faltam os votos dos círculos de emigração -, dos 9.265.493 inscritos, votaram 5.965.446. O que significa que para 3.300.047 votantes, deixar ou não o Luís trabalhar não mereceu a ida às urnas.

Mas, mantenhamos o foco nos que se deram ao trabalho de ir votar: 5.965.446.

Dos 5.965.446, votaram na AD 1.915.098. O que significa que 4.050.348 votaram noutros partidos. Ou sejam, não queriam que o Luís continuasse a trabalhar. Preferiam Pedro Nuno Santos, André Ventura, Rui Rocha, etc. Se quisessem o Luís, teriam votado AD, e não votaram.

Na verdade, “o povo” não quis este Primeiro-Ministro. Se quisesse, a AD não teria apenas 32,10% dos votos.

Tal como Mark Twain achou das notícias da sua própria morte, também a leitura do Luís quanto aos resultados eleitorais, é manifestamente exagerada. Mas, compreende-se: se não fosse ele a dizer tal coisa, quem iria dizer?

O plural majestático da culpa não vai derrotar a extrema-direita

José Mário Branco já ironizava. Na hora de tirar lições, a culpa é de todos no geral para não ser de ninguém em particular. Essa incapacidade crítica tem certamente responsabilidade no pior resultado eleitoral da esquerda da história democrática. Pior do que a derrota eleitoral, que já seria má, é essa derrota ser o espelho da relação de forças em vários campos de batalha da nossa sociedade, das tascas às redações, dos andaimes à academia. A baixa intensidade da generalidade do movimento social e sindical – salvo poucas e honrosas exceções – associado a uma juventude muito individualista, e, consequentemente, muito à direita, devia levar todos a pensar que é um ato de loucura tentar mudar a realidade a repetir uma equação com os mesmos parciais, à espera de um resultado diferente.

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Não havia necessidade, Presidente Carlos Moedas… – Epílogo

Já depois das 13h00 de ontem, hora de encerramento compulsivo da actividade, os estabelecimentos comerciais visados pelo despacho da CML foram informados pela PSP que poderiam continuar em funcionamento até às 16h00.

A comunicação chegou tarde e a más-horas, apesar do incumprimento estar a ser generalizado, os restaurantes continuavam abertos, mas várias reservas haviam sido canceladas e muitos clientes escolheram outros locais para almoçarem.

Este episódio mostrou uma liderança fraca, errática da autarquia lisboeta, navegando ao sabor do coro de protestos que ecoou no país. O executivo de Carlos Moedas nunca teve um plano de segurança, nem se articulou com a Junta de Freguesia e muito menos ouviu os comerciantes, que seriam os primeiros interessados na segurança dos seus espaços, que obviamente não queriam vandalizados.

Episódio lamentável e desnecessário da inteira responsabilidade da CML.

Não havia necessidade, Presidente Carlos Moedas…

É fácil tomar decisões políticas quando as consequências apenas afectam terceiros. Um despacho da CML presidida por Carlos Moedas, assinado pelos vereadores João Moura e Rui Cordeiro, determinou o encerramento hoje a partir das 13h00 de vários estabelecimentos nas imediações do Estádio Alvalade. Lê-se no despacho que o mesmo responde a solicitação da PSP. Questionado por vários munícipes nas redes sociais e através de email, Carlos Moedas tenta passar a mensagem que nada pode fazer, algo que ninguém com um mínimo de inteligência acreditará. [Read more…]

Chega, um partido ao serviço dos mais ricos

De todas as parvoíces que vejo a claque de André Ventura disparar, a mais patética, parece-me, é aquela que coloca o líder do CH no papel de Robin dos Bosques do Parque das Nações:

  • Ele vai tirar aos poderosos para dar aos mais pobres.

A primeira evidência que esta ideia estapafúrdia deixa a nu é a incapacidade da maior parte dos apoiantes do CH ser incapaz de ler o programa do partido ou de ir além dos Tiktoks que vê em loop.

Não vos vou maçar com uma lista exaustiva, mas vou dizer-vos isto:

  1. O CH é financiado pelos milionários que surgem nesta imagem. Muitos deles receberam milhões em contratos com o Estado, como é o caso de José Maria Bravo, dono da Helibravo, que lucrou dezenas de milhões alugando os seus helicópteros ao Estado português, durante governos PSD/CDS e PS. Ou, como se diz em chegano, “andou a mamar”.

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O CH, a cruzada anticorrupção e os amigos corruptos do CH

Acho piada à malta que acredita religiosamente que o CH, se fosse governo, faria mais do que os outros partidos em matéria de corrupção.

Até porque o presidente-herói da maioria deles, Donald Trump, acaba de ser subornado pelo Qatar com um avião de 400 milhões de euros, e não se lhes ouviu um pio. Qatar que, recordem-se, é o albergue e financiador do Hamas. A matou centenas de pessoas na construção do Mundial.

Alguém se indignou?

Nem um.

Pelo caminho, ainda apertou a mão ao novo presidente da Síria, o antigo líder da Al-Qaeda lá do sítio, e prometeu levantar as sanções contra o país. Assim, do nada? Pelos vistos não. Parece que vai nascer uma Trump Tower em Damasco.

Alguém rasgou as vestes?

Claro que não. [Read more…]

Ventura, a indisposição e o lobo

Indisposição de Ventura marca dia em que líder do Chega admitiu vitória de Montenegro

Não sei se aquilo que ontem vimos foi real ou encenação. Vindo de André Ventura, todo o cuidado é pouco. No fundo, é como a história daquele menino que passava a vida a dizer que vinha aí o lobo: depois de tantas mentiras, o comum mortal fica de pé atrás.

A casa que tinha 30m2 afinal tem 70 e situa-se num condomínio de luxo com piscina e segurança privada.

Os imigrantes que representavam 30% da população do distrito de Braga, afinal só representam 3.3%.

Os imigrantes que andavam a viver à nossa custa afinal estão a garantir a sustentabilidade da Segurança Social.

A criminalidade que estava a crescer afinal não está, e a mentira é desmontada pelos números das forças de segurança e do RASI, que o veio confirmar: em 2024 caiu 4,6% face a 2023. [Read more…]

Burros que nem uma rocha

Fotografia retirada do site do Observador.

Como sabem, nada me une ao Rui Rocha. Muito menos à IL. Aquilo que hoje foi feito, é uma parolada. Como já tinha sido uma parolada o que fizeram ao Montenegro no ano passado (o que se seguiu a isso foi vergonhoso também, da parte do próprio, mas são outros quinhentos).

Ora, que efeitos tem o Rui Rocha apanhar com pó verde? Nenhum. Dá para encher noticiários e os comentadeiros andarem a botar faladura sobre nada.

Agora o resto. Como comecei por dizer, nada me une ao Rui Rocha. E tenho evitado tecer comentários sobre o Rocha e sobre a IL. Porquê? A esposa de Rui Rocha luta, neste preciso momento, contra um cancro. Tudo o resto é secundário. O combate político fica para outra altura, deixando o homem fazer campanha. O combate de ideias continua, mas há que haver um pouco mais de tacto, por agora. Empatia é para todos, não se esgota só nos nossos. É de um esforço hercúleo, de Homem, conseguir estar em campanha e, a seguir, ir para casa para um ambiente que não será o melhor e, mesmo assim, tentar transparecer uma postura de optimismo.

O que fizeram hoje revolta-me, porque o combate não é isto e cada vez percebem menos. Badamerda para todos. E força Rocha!

NOTA: se da próxima vez quiserem invadir um comício dos liberais com pó, levem antes o que vem da América do Sul… eles são mais adeptos dessas farinhas: ¡Viva la libertad, carajo!

Considerem-se Avisados


Duas imagens que devem ser lidas em conjunto.
Porto a 1 de Maio de 1974 e Expresso a 9 de Maio de 2025.

Convide-se Hervé Vilard, o original, para o próximo “São Bento em Família”

O apagão e os interesses privados

João Sedas Nunes

Num sentido de que o próprio não se terá dado conta, as explicações prestadas pelo Administrador da Ren por volta das 18:30  do dia 28 de abril foram muito esclarecedoras. Ressalto duas afirmações.

  1. Que o “apagão” resultou de que, à hora do colapso do sistema elétrico, por razões de preço inferior, este importava energia elétrica de Espanha;
  2. que teria sido e será possível criar redundâncias que prevenissem o “apagão”, mas que tal implica aumento significativo do custo da eletricidade para o consumidor final.

Traduzindo, tudo se resume a opções logístico-operacionais e tecnológicas ditadas pela maximização da rendibilidade económica do sistema empresarial que fornece os serviços de eletricidade. Nem lhe passou pela cabeça que o custo das “redundâncias” fosse absorvido pelos elevadíssimos lucros que o negócio do fornecimento de energia elétrica proporciona – está quieto reduzir os dividendos pagos aos acionistas.

Há empresas que não devem estar no sector privado. No sector energético, é o caso da Ren, como é também o caso da EDP. Trata-se menos de relevar o papel do Estado na vida pública do que de reconhecer que a proteção e promoção de certos bens comuns essenciais não pode estar nas mãos de atores que, por definição, cuidam em exclusivo de interesses privados. A lógica da gestão privada é a da defesa dos interesses económicos dos acionistas das empresas, não dos seus “clientes”.

Quando forem votar lembrem-se de duas coisas:

a) que a visão liberal da economia (mais extremada na IL ou no Chega, mas igualmente prevalente na AD e em parte do PS), na “hipótese mais benigna”, propõe “cegamente” reduzir à função de regulador o papel do Estado na economia;

b) que, por isso mesmo, estruturalmente, se trata da visão que mais favorece episódios de disrupção de serviços fundamentais como o ocorrido ontem.

Abaixo a oligarquia! Vivam os Trabalhadores!

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas, multidão, o Portão de Brandemburgo e a Rijksmuseum

Neste tempo estranho, em que a nova oligarquia bilionária nos quer mais pobres, precários, desunidos e submissos, defender o valor do trabalho e dos trabalhadores é mais do que afirmar direitos. É marcar uma posição de oposição contra a opressão mascarada de “mercado-livre” e de outras liberdades fictícias que teimam em aplicar-se apenas às elites que financiam o terrorismo libertário e neofascista. Punho erguido contra eles!
Feliz Dia do Trabalhador, gente boa. Maio começa hoje, mas o espírito de Abril perdura 🌹

Comício em Família

Primeiro, Luís Montenegro adiou a abertura ao público dos jardins do Palácio de São Bento, tradicionalmente parte da agenda oficial das celebrações do 25 de Abril, com a esfarrapadíssima desculpa do luto pelo Papa Francisco, que o Vaticano decidiu começar a dia 26 de Abril.

Adiou para quando?

Para o período de luto pelo Papa Francisco, decretado pela Santa Sé, que termina a 4 de Maio.

Percebem o gozo que nos estão a dar?

Agora, no feriado do Dia do Trabalhador, decide transformar o Palácio de São Bento na Festa da Família, seja lá o que isso for. [Read more…]

Portugal de cu ao léu

Imagem de Iara Sobral.

Portugal vendeu os anéis. Eventualmente, vendeu os dedos. Hoje, dá o cu. Não se queixem, meus iluminados. Sejamos soberanos, pelo menos uma vez.

Deixem as crianças em paz, fachos!

“Confrontos no 25 de Abril: rapaz de 13 anos identificado entre os agressores da extrema-direita.”

25 de Abril no Porto: fotografias

Os Aliados encheram para receber as comemorações dos cinquenta e um anos da Revolução.

Viva Abril, viva a Liberdade.

Fotografias: João L. Maio

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25 de Abril para todos

Homo sum: nihil humani a me alienum puto.
Terêncio
‘Sou homem: considero que tudo o que é humano me diz respeito.’

No dia 12 de Março, Kilmar Abrego Garcia foi detido em Baltimore. No dia 15, foi enviado para El Salvador, de onde tinha fugido em 2011. Abrego Garcia foi enviado para o país de origem, para o Centro de Confinamento do Terrorismo, uma prisão em que estão 40000 reclusos,  com base em acusações que não estão provadas, o que, numa sociedade civilizada, quer dizer que é inocente.

De um lado, está Trump, com o discurso musculado dos cobardes poderosos, praticantes de um marialvismo bacoco que fascina os que acreditam que as vítimas serão sempre os outros. Do outro lado, está Nayib Bukele, presidente de El Salvador e lambe-cu de Trump, não necessariamente por esta ordem, que já decidiu, sem necessidade de tribunais, que Abrego Garcia é um terrorista que, portanto, não pode ser devolvido aos Estados Unidos, mesmo que, repita-se, não haja nenhuma condenação em tribunal.

O mundo sempre foi dirigido por bestas que se comportam como qualquer um de nós, que somos capazes de decidir que alguém é culpado de alguma coisa porque tem mesmo cara de ser culpado dessa coisa. A História, no fundo, é esta contínua luta contra a barbárie em que nos espojamos, uma luta contra os nossos caninos sedentos do sangue de iguais. As leis, a civilização e a decência atrapalham-nos muito. [Read more…]

25 de Abril: a luta continua. Sempre!

Num tempo em que o ódio, o racismo e a maldade saem à rua sem vergonha, celebrar Abril torna-se ainda mais importante.
Existencial.

Na rua, em casa ou nas redes sociais, manter viva a memória da revolução, as suas conquistas e a brutalidade de que nos libertou é, parece-me, uma obrigação de todos os democratas. Para travar os que tentam reescrever a história e convencer-nos de que no tempo da guerra, da miséria, do analfabetismo, da censura e da corrupção salazarista é que era bom. Não era. E não admira que os defensores desta ideia estapafúrdia sejam os mesmos que hoje têm sonhos molhados com Putins e Trumps. Não tenhas ilusões: no dia em que lhes for permitido, entregam tudo aos oligarcas e atiram-te pela janela do 17.º andar.

A luta continua, não porque este seja um slogan bonito, mas porque a democracia é um projecto sempre em construção, sempre inacabado e sempre alerta para resistir aos novos fascistas. E por muito que guinchem e estrebuchem, são e continuarão a ser a minoria. É por isso que desejam a ditadura. Porque só assim conseguem impor a miséria ignorante à maioria.

Resistiremos!

25 de Abril SEMPRE, fascismo NUNCA mais!

Quadrados

Alguém sabe quantos metros quadrados tem o palheiro com logradouro do Luís Filipe Vieira?

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