A mais recente campanha publicitária do Lidl: quando o capitalismo selvagem se apropria das causas sociais

A mais recente publicidade do Lidl, aplaudida por tantos, mostra-nos crianças a brincar com brinquedos. Inovador, pensam vocês. Não, são só crianças a brincar com objectos de plástico. Mas por que razão foi tão aplaudida, perguntam vocês.

O aplauso advém da ânsia que a sociedade tem em ver grandes empresas, lobbistas ou o Estado resolverem os problemas que o povo desistiu de tentar resolver. A nova campanha publicitária do Lidl mostra-nos rapazes e raparigas, com idades entre os 1 e os 7 anos, a brincarem normalmente – a mesma foi aplaudida porque, supostamente, cria uma ruptura com a “normatividade”, pois há rapazes a brincar com conjuntos de princesas e raparigas a brincar com conjuntos de super-heróis. Estas práticas, toda a gente sabe, a sociedade já não consegue aceitar… ou será que a campanha do Lidl é uma distopia?

É mesmo. A campanha do Lidl é isso mesmo: uma estratégia de marketing pura e dura, onde a publicidade apelativa leve os leitores a serem potenciais compradores… numa altura em que estamos quase no Natal… e onde gastamos dinheiro… para as crianças. Visa, acima de tudo, vender: e numa época de polarização, que tal tentar fazer a venda apelando à Humanidade do potencial comprador, usando uma causa social pelo caminho para lá se chegar? É o que acontece aqui. E o Lidl já venceu a causa.

Venceu, porque usou uma fórmula que, hoje, é o B A B A do marketing: usar causas sociais (sejam os direitos das crianças, das mulheres, das diferentes etnias, das diferentes sexualidades) como combustível para apelar à compra. Venceu, porque, inteligente, não colocou o anúncio na TV, apenas o colocou nos folhetos, os quais chegam a grupos restritos de pessoas e… à internet, onde, aí sim, o Lidl sabia que faria as delícias de alguns internautas mais “woke” e que estes se encarregariam de partilhar a campanha do Lidl, fazendo publicidade gratuita sem que o Lidl mexa mais do que uma palha. Está de parabéns, o Lidl.

O Lidl é uma rede de supermercados, presente em 32 países, pertencente ao Grupo Schwarz (o maior grupo de retalho na Europa e o sexto maior do mundo), avaliado em cerca de 57.000 milhões de dólares. O seu objectivo é vender os seus produtos e a forma de lá chegar… pouco importa. Não podem, portanto, ser deixadas nas mãos de uma empresa capitalista, avaliada em biliões, as causas sociais que dizem respeito a toda uma sociedade… sem cotação em bolsa. O mais curioso é esta campanha ter surgido depois da notícia que dava conta de, num armazém alemão de um fornecedor do Lidl, terem sido encontrados pintainhos mortos, cadáveres debicados e galinhas mal tratadas.

O povo e as suas causas não são piada, não são bens de consumo, não são folhetos divertidos para vender plásticos. O povo é carne e osso. O povo e as suas causas não são matérias primas prontas a ser transaccionadas, como se os direitos sociais fossem meros produtos de consumo, como um Action Man ou uma Cinderela de plástico. Às empresas o que é das empresas.

Ao povo o que é do povo.

Boicotar Qatar

A “festa do futebol” que nos querem servir no Qatar está banhada a sangue.

“Mete-te com os do teu tamanho!”

Na escola era recorrente ouvir-se a frase “Mete-te com os do teu tamanho!” sempre que um “valentão” era, por qualquer “razão”, violento para com quem fosse mais fraco.

Mas, diga-se, havia também quem gostasse de assistir ao espectáculo do mais forte oprimir o mais fraco.

Lembrei-me disto quando, recentemente, assisti – como todo o país – à ameaça pública de Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) dirigida à Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, durante um evento oficial – inauguração dos novos Paços do Concelho da Trofa.

A estrelar em terras laranjas, e na presença de Luís Montenegro, MRS resolveu mostrar que no sangue ainda correr qualquer coisa de PSD, e resolveu brindar com aquilo que há muito a Direita reclama: dar um aperto ao Governo.

Desta vez, não fez o papel de amuado, como quando se queixou à comunicação social de que não foi atempadamente informado da composição deste Governo. Tendo mesmo de engolir João Gomes Cravinho como MNE.

MRS soube escolher o momento e a vítima. Pois em oportunidades anteriores poderia ter dado igual recado, ou melhor feito igual ameaça a António Costa ou mesmo a Mariana Vieira da Silva. Mas sabe que uma coisa é ameaçar António Costa ou uma Vieira da Silva. Ou meter-se com um Cravinho. Outra é ameaçar Ana Abrunhosa, a milhas de distância do peso genético-partidário daqueles outros.

Mais a mais, meter-se com Mariana Vieira da Silva, é meter-se com o PS. Meter-se com António Costa, é meter-se com o PS. E que sem se mete com o PS… Já se sabe. [Read more…]

Ron de Santis, o Trump letrado que vai tirar o sono ao original

Ron De Santis quer ser presidente. O seu discurso de vitória disse-o e a claque presente gritou “two more years”, pese embora o cargo de governador seja para quatro.

Trump terá, finalmente, um adversário de peso: um Trump letrado. Tem o crachá da NRA, debita a narrativa securitária, aprecia a xenofobia e a homofobia, tem populismo para dar e vender e adora meter Deus ao barulho. Seja o grunho ou o educado, os eleitores de extrema-direita ficarão igualmente bem servidos com qualquer um dos Trumps.

A mentira dos que se dizem preocupados connosco

Há muitas pessoas que apesar de estarem naturalmente preocupadas com o ambiente, têm dúvidas (muitas) sobre os argumentos que histericamente (até por isso) são recorrente e constantemente arremessados. Eu sou uma delas.

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Twilight zone bolsonarista III

Sou do tempo em que esta malta se suicidava em grupo.

Eu e Pinto da Costa: a mesma luta

“Rejeito qualquer ato de violência“. Exactamente. Contra atos de violência e, já agora, também contra aCtos de violência.

Fake news: do Vietnam, com amor

Antigo agente da CIA expõe modus operandi do regime americano, com exemplos práticos sobre como manipular jornalistas para plantar informação falsa, entre outras técnicas e esquemas de disseminação de fake news. Está-lhes no ADN.

A Grande Chalupação

Um terço dos americanos acredita que os imigrantes que chegam aos EUA estão ao serviço do Partido Democrata, com a missão de substituir a população branca. Uma genial teoria da chalupiração, de seu nome A Grande Substituição, por cá subscrita por alguns cronistas de Observador e pela palermosfera da direita radical à extrema-direita.

Seria importante que alguém lhes explicasse, devagar e com desenhos, para que o Tico não entre em conflito com o Teco, que esses migrantes, nos EUA ou em Portugal, chegam para fazer o trabalho que os locais não querem fazer e que os patrões pagam mal e porcamente. E são, não raras vezes, recrutados por empresas de recursos humanos para empresas que procuram mão-de-obra barata no nível imediatamente acima da escravatura. Para não parecer tal mal.

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Livre circulação de capital

Há uma crise que se agiganta, sem paralelo na história recente, porque afecta todo o planeta, não apenas uma região, e porque vai para lá de dívidas e bolhas, atingindo também a capacidade dos povos mais prósperos de se alimentar e aquecer no Inverno que começa a chegar. Para não falar na fome e na miséria que alastrarão com maior intensidade nas zonas mais pobres do globo, provocadas pela escassez que resulta – também mas não só – do bloqueio que impede a saída de cereais e fertilizantes dos portos ucranianos.

Entretanto, numa realidade paralela, tipo aldeia gaulesa que resiste não às investidas romanas, mas às da crise internacional, o capital flui livremente, ainda que em circuito fechado, para os bolsos dos mesmos de sempre. Wall Street é o seu nome e Outubro foi o seu melhor mês desde… 1976.

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Mercenário bom, mercenário mau

No âmbito de uma das suas muitas cruzadas do bem contra o mal, os EUA treinaram e armaram mercenários afegãos, à época freedom fighters ungidos por Deus, Alá, Jesus e Maomé.

Entretanto, a operação no Afeganistão perdeu rentabilidade e os heróis da Marvel foram em busca de outro Thanos, abandonando Cabul da forma digna e airosa que todos pudemos constatar.

Os afegãos da S.H.I.E.L.D., coitados, ficaram sem trabalho. Mas o mercado, que nunca falha nestas coisas, tratou de corrigir a assimetria. Não é que o russo seja um império tão abastado como o americano. Mas se teve recursos para garantir a cumplicidade das democracias liberais durante 20 anos, em princípio também consegue pagar o salário destes jovens desempregados. Deixam é de ser freedom, e passam apenas a ser fighters. Não se pode ter tudo.

Valha-nos o humor, que a política é uma tragédia

Há quase um quarto de hora de publicidade antes do Isto é Gozar com quem Trabalha. Achei importante começar por aqui para enquadrar o impacto do RAP – o gajo que não tem redes sociais – na televisão portuguesa. E a televisão, sublinhe-se, é um bocado como o Facebook: toda a gente diz que está obsoleta, que já ninguém usa aquilo, mas os números dizem o contrário.

Bem sabemos que os humoristas não decidem os destinos do mundo. Nos EUA, antes de ser eleito, John Stewart, Steven Colbert, John Oliver e Conan O’Brien foram implacáveis com Donald Trump. Foi um esforço inglório, mas rendeu quatro anos de boas piadas. Algumas fizeram-se sozinhas.

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Dentro de um quadro de Hopper

A música

00:00 intermezzo (charlie spivak) 04:28 charmaine (mantovani) 08:35 melody of love (wayne king) 11:46 auld lang syne (guy lombardo) 15:15 body and soul (coleman hawkins) 18:54 poinciana ‘song of the tree’ (david rose) 22:48 do you believe in dreams (francis craig) 26:56 twilight time (three suns) 30:31 intermezzo aka ‘souvenir de vienne’ (wayne king) 34:39 orchids in the moonlight (enric madriguera) 39:12 warsaw concerto (freddy martin/jack fina) 43:24 deep in my heart dear (troubadours) 48:00 dancing in the dark (artie shaw) [Read more…]

Chomsky e a doentia obsessão dos portugueses por Marcelo Rebelo de Sousa

“You can’t go to a physics conference and say: I’ve got a great theory.  It accounts for everything and is so simple it can be captured in two words: “Anything goes.””
Noam Chomsky, 15 May 2022

The Yorkists defeated and dispersed, their leader butchered on the field, it seemed, for a very brief season in the winter following upon the events already recorded, as if the House of Lancaster had finally triumphed over its foes.
R.L. Stevenson, The Black Arrow

*

Em primeiro lugar, convém distinguir obsessão e afins de obcecado e afins. Por causa do <s> e do <c>. E afins. Convém, de vez em quando, ser lexicalmente pouco sofisticado (os meus convém e afins), em nome da coerência.

Nada tenho contra Marcelo Rebelo de Sousa — nada! — , embora tenha recusado uma selfie com ele (sugerida por outrem note-se), por dispersão e insensivelmente, enfim, como finados o Império Romano e o Reno (obrigado, Eça e Ega) — e a recusa está devidamente documentada. Claro, também há o AO9O. Pois é. O AO90. Siga.

Felizmente, há vida além de Marcelo. Graças aos deuses. Infelizmente, no entanto, continuamos no espírito marcelista da ponte Salazar. Venha a geração do Eduardo (e do Ernesto). Não há pachorra (nem tempo, cf. infra) para parolices e cultos de personalidade.

Nas últimas semanas, [Read more…]

Adeus e obrigado, camarada Jerónimo

O deputado Jerónimo de Sousa vai abandonar o cargo de secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), dezoito anos depois.

Como deputado, é o parlamentar mais antigo em funções, contribuiu largamente para a instalação e manutenção do regime democrático, foi sempre sério, honesto e assumiu sempre as suas posições sem rodeios ou pruridos, concorde-se, ou não, com muitas das posições do PCP.

Não sendo eu votante do PCP, nem comunista, Jerónimo de Sousa foi dos poucos que me fez, desde cedo, olhar a política, analisá-la e gostar muito dela. Foi o único líder do PCP na minha, ainda, curta vida – lembro-me vagamente de Carlos Carvalhas, mas era demasiado jovem para sentir qualquer ligação. Íntegro, o ex-operário metalúrgico assumiu sempre uma postura de rectidão em relação à sociedade portuguesa, na luta pelos trabalhadores portugueses, pelo povo que ajudou a libertar, ainda na clandestinidade durante o Estado Novo e, depois do PREC, ajustando as visões comunistas à democracia liberal, que fez com que o PCP sobreviva ainda hoje, mesmo que, de ano para ano, cada vez mais gente lhe vaticine uma morte anunciada, tão anunciada que nunca se chega a concretizar (nem me parece que será tão cedo).

A Jerónimo de Sousa, o país só tem de agradecer, pela postura democrática, pela cordialidade, pela educação e pela defesa dos valores democráticos em Portugal. Será, sempre, um dos cravos que Abril nos deu.

Ao sucessor, que não conheço, desejo que consiga manter o PCP como um dos baluartes da democracia portuguesa e que rejuvenesça o mesmo, adaptando a mensagem comunista aos dias de hoje, pois sem o PCP, Portugal será sempre menor. Boa sorte, “não é tempo de tratar de poéticas agora”.

Jerónimo de Sousa nas comemorações do 1° de Maio, em 2021.Fotografia: João L. Maio

Jerónimo de Sousa nas comemorações do 1.º de Maio, em 2021. Fotografia: João L. Maio

Gente como a gente

Mostrar que isto pode ser outra coisa. Ter a sobriedade dos humildes e a ousadia dos combatentes. Romper com os elitismos e os consensos de cavalheiros. Conservar a honra e a palavra certa. Ser de confiança, tão certo como justo. Lutar sempre, até ao fim, na enchente e no recuo. Saber sair, de pé e com dignidade. Ser gente como a gente. Que a luta por uma vida melhor também é isto. É sobretudo isto.

Obrigado, Jerónimo.

Formal oral, informal oral, formal escrito, informal escrito

Tenho alguns comentários formais (e informais), mas fica aqui à vossa disposição e consideração o modelo de Szmrecsanyi & Engel (2022):

We specifically cover the following registers:

  1. Spoken informal: conversations between family members and friends

  2. Spoken formal: parliamentary debates

  3. Written informal: blogs/chats

  4. Written formal: quality newspaper articles.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

O terror sionista: a extrema-direita israelita

Em Israel, onde o extremismo nacionalista e religioso vai grassando cada vez mais na sociedade, a extrema-direita voltou a ganhar as eleições, com o antigo Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a ser novamente eleito, depois de ter sido afastado por conta das suspeitas de corrupção que sobre ele caíram.

Digo “voltou” porque Netanyahu foi afastado do poder por Naftali Bennett, líder do também extremista de direita New Right (aquele que um dia disse já ter matado muitos árabes e não ver mal algum nisso). Agora, coligado com partidos ultra-ortodoxos e de extrema-direita, Netanyahu regressa ao poder para continuar com os projectos sionistas que se mantêm há mais de setenta anos.

Israel, enquanto país, desde a sua criação até hoje, nunca foi sobre o Holocausto e nunca foi sobre o sofrimento do povo judeu às mãos dos tiranos nazis. Foi, sim, desde sempre, um projecto imperialista, tendo por base a religião e as atrocidades cometidas pelos alemães, apoiado pelos EUA e pela Comunidade Internacional, para que o Médio Oriente tivesse, no seu âmago, um aliado poderoso dos interesses Ocidentais chefiados pelo Tio Sam.

E a prova disso é a eleição consecutiva de partidos e políticos de extrema-direita, num país que usa o Holocausto como arma de arremesso a cada crime que comete. Sabendo que, historicamente, o povo semita sofreu às mãos da extrema-direita, é tempo de pararem de jogar a carta do Holocausto, até porque:

1 – nem todos os israelitas são judeus ou sionistas;
2 – nem todos os judeus são israelitas ou sionistas.

A extinção da Palestina e do povo palestiniano, quer através da luta armada e da imposição de um Apartheid já condenado pela Amnistia Internacional, quer através da expulsão de milhares de palestinianos das suas casas e da sua terra, continuará em força, com Israel a impor o terror em casa alheia com o apoio de norte-americanos e europeus. Não é de admirar, portanto, a afirmação de Netanyahu, há uns anos, em que dizia não temer que o mundo se virasse contra Israel por conta do Apartheid, porque “temos os EUA do nosso lado”.

Na separação entre ”os nossos filhos da puta” e “os filhos da puta dos outros”, sabemos bem quem são os filhos da puta que apoiam o terror sionista.

Fotografia retirada de Encyclopedia Britannica.

A ONU, o bloqueio a Cuba e as sanções do bem

Vigora há sessenta anos um bloqueio económico imposto pelos Estados Unidos da América a Cuba, condenando milhares de cubanos ao desespero e à pobreza.

A ONU, desde 1992 que pede, na sua Assembleia Geral, o fim do bloqueio económico. No passado dia 3 de Outubro foi votada, pela terceira vez, uma resolução que exige o fim do embargo a Cuba. A resolução foi aprovada com 185 votos a favor. Sem surpresa, EUA e Israel votaram contra a resolução; Brasil e Ucrânia abstiveram-se.

O embargo, que dura desde 1962, já lesou o povo cubano em 154 biliões de dólares. Só nos primeiros quatorze meses de governação de Joe Biden, o prejuízo causado pelo embargo a Cuba ascende já aos 6 biliões de dólares.

Esperemos, agora, que os EUA possam cumprir com o aprovado na ONU e levantar o embargo. Caso não o façam, mantendo a coerência, é tempo da Comunidade Internacional se levantar da cadeira como quem tem calos nas nádegas e exigir sanções severas contra a economia norte-americana… penso eu de que… ou não funciona assim deste lado?

Sala da Assembleia Geral da ONU. Fotografia: Joe Penney – Reuters

Twilight zone bolsonarista II

Hoje trago-vos um bolsonarista que nasceu para um dia presidir ao Ministry of Silly Walks. Ou à associação de utentes do Magalhães Lemos brasileiro. Numa das dias fará uma grande carreira.

Elon Musk e outros palermas

A propósito da polémica Elon Musk/Twitter, tenho dificuldade em decidir-me sobre o lado mais palerma desta equação:

  • Se o daquela esquerda que arranca cabelos porque aquilo agora é do Musk, porque liberdade de expressão e não-sei-quê, mas que estava perfeitamente confortável com accionistas que já lá estavam, tipo o primo do Bin Salman, como de resto está confortável com o Bezos no Washington Post ou o Zuckerberg na META, ambos conhecidos pelo seu profundo compromisso com a democracia.
  • Se o daquela direita que quer fazer dele um herói anti-globalista e anti-sistema, quando o Musk é o homem mais rico do mundo, perfeitamente integrado no sistema e na elite global, e a sua SpaceX vive de contratos com o Estado americano. Só este ano foram 2 mil milhões de dólares. Pagos pelo cofre cuja chave está na mão de Joe Biden, que é precisamente o inimigo público n°1 dessa mesma direita.

Não consigo decidir. Ambos os lados estão fortíssimos na palermice. Alguém lhes diga que o Twitter é uma empresa privada e não um organismo público com a missão de defender a democracia. E que o Elon Musk quer ganhar dinheiro e introduzirá as mudanças que quiser para rentabilizar o Twitter segundo a sua visão.

E que só lá está quem quer.

Bolsonarismo cancela Deus

Jesus, Pátria e Família. Até na importação do lema salazarista podemos ver o carácter golpista dos talibãs de Bolsonaro: ficaram revoltados com a vontade de Deus, que deu a vitória ao Lula, cancelaram o Criador e colocaram o filho no seu lugar. É golpe e blasfémia, tudo no mesmo pacote, com carta da caixa de comunidade para ir directamente para o Inferno, sem passar pela casa partida e sem receber dois mil escudos.

Oremos.

Sobre o novo álbum de Alexandre Soares,

eis um artigo bem escrito: projectos, Um Projecto Global (tenho-o em vinil), colectivo, eléctrica e electrónica.

Bolsonaro y sus delincuentes

Em Santa Catarina, agentes policiais destacados para manter a ordem cuspiram no distintivo e colocam-se ao lado dos golpistas que bloqueiam estradas, ameaçam adversários de morte e exigem um golpe de Estado militar. E organizaram os manifestantes para resistir. Não foi a única ocorrência do género. Que sejam exemplarmente punidos.

Já Bolsonaro mantém o silêncio, na esperança de um levantamento popular que não acontece, para lá dos grupos de delinquentes queimadores de pneus, que, em muitos casos, “caíram na real” e começaram a desmobilizar. Cada vez mais isolado, o ainda presidente deverá reagir a qualquer momento. Resta saber se, como Cersei Lannister, escolherá a violência. Boa sorte, Brasil 🇧🇷 🤞

Ou vem com botas cardadas ou com pezinhos de lã

Galeazzo Bignami, o nome vice-ministro das infra-estruturas italiano, indicado por Giorgia Meloni, em 2016.

Senhoras e senhores, apresento-vos Galeazzo Bignami (Fratelli d’Italia) o novo Vice-Ministro das Infra-estruturas e da Mobilidade Sustentável de Itália, do governo de Giorgia Meloni.

Aqui fotografado em 2016, numa despedida de solteiro.

Já sei que é tudo uma brincadeira, que o facto de ter feito parte, tal como muitos dos militantes dos FdI, do Movimento Social Italiano (os herdeiros de Mussolini), não vem ao caso, que o facto de os FdI terem, no seu símbolo, a mesma chama que o símbolo do Movimento Social Italiano, é apenas coincidência e os fascistas não são eleitos (tirando aqueles que o foram). No entanto, deixo aqui, para memória futura.

 

 

 

NOTA: aquando da redacção do texto, o autor foi induzido em erro pela notícia que leu e que referia o ano de 2016 como sendo o ano em que a fotografia foi captada. No entanto, 2016 foi o ano em que a fotografia foi tornada pública, uma vez que a mesma é de 2005.

Porquê?

Querem-nos atarefados,

querem-nos a esgalhar em auto-estradas,

querem-nos a comprar SUVs ou a desejá-lo

e a fazer até percursos mínimos dentro do nosso carrão,

querem-nos a aderir a pacotes de telecomunicação

que incluem coisas que nem precisamos,

querem-nos a viajar low-cost

com combustível fóssil subvencionado, [Read more…]

O silêncio faz barulho e o perigo de deixar a institucionalidade para os militantes adolescentes

A Iniciativa Liberal foi o único partido português a não se referir às eleições brasileiras.

Do Partido Socialista ao Bloco de Esquerda e ao Partido Comunista, do Partido Social-Democrata ao Livre, todos reagiram. Até o Chega, mesmo que na reacção tenha lançando cocó à parede, reagiu. E aqueles que, como o PSD, estarão nos antípodas do Partido dos Trabalhadores e de Lula da Silva, deram os parabéns ao recém eleito.

Já os ultra-liberais portugueses decidiram dizer que, numa eleição democrática, nem sus nem mus. Lembremo-nos que quando Guaidó, apoiado pelos Estados Unidos da América e pela União Europeia, preparava um golpe de Estado na Venezuela, numa clara ingerência internacional na soberania de outro país, a IL apoiou. Aqui, numa eleição onde as pessoas escolhem em quem votam, silencia-se para não ter de dizer o que todos sabemos: a IL apoiaria Bolsonaro, porque o ainda Presidente brasileiro não põe em causa o poder do capital económico. Mas ficaria bem uma nota sobre o assunto, pois o Brasil é um país irmão, Portugal acolhe cada vez mais brasileiros que também votam cá, uns, ou votarão no futuro, outros e porque o Brasil é o maior país da América Latina e uma das maiores economias do mundo.

Nas últimas semanas, a IL decidiu abandonar o rumo vitorioso que seguia e atirar chumbo sobre os dois pés. E o maior perigo deste silêncio institucional é que quem o preenche são adolescentes do Twitter, com demasiado tempo em mãos, militantes da IL, que dizem coisas como estas:

Retirado da rede social Twitter.

O pior inimigo de um falador é a língua e o acesso à internet. Diziam os Originais do Samba que “Falador passa mal, rapaz”. E passa mesmo.

Este militante de base da IL diz não estar actualizado com “estas novas definições de ideologias políticas”. É natural e eu não questiono, até porque, lá está… faz parte da IL. Esta IL:

Cartaz da IL de 2020.

Segundo o douto pensamento ultra-liberal/libertário dos da Foz e das Avenidas Novas,  o Brasil tinha políticas socialistas sob o governo de Bolsonaro, juntamente com a Índia de Modi e a Rússia de Putin. Fascismo onde, se Jair Bolsonaro e o Modi são, afinal, socialistas? E até Portugal, integrado numa União de países capitalista, de mercado livre, é, de facto, socialista.

A falta de coerência e a ignorância histórica e ideológica de muitos membros da IL começa a dar vergonha alheia a quem, mal ou bem, tenta debater com racionalidade e atendendo à realidade. Viver numa bolha só deles dá nisto… mas toda a bolha rebenta. Defender tudo e o seu contrário pode dar resultado para eleger oito deputados, mas será que chega para os manter?

A bolha da IL grita cada vez mais alto CDS.

Twilight zone bolsonarista I

No caption needed.

Adeus acima de tudo

do Insónias em Carvão.

A postura e a destreza de um estadista vêem-se, também, na hora da derrota. É natural que quem nunca se soube comportar na vitória, quem maltratou tudo e todos os que a ele se opuseram democraticamente, não tenha sequer a humildade de vir assumir a derrota.

Pior: não falar ao povo que governou nos últimos anos, é cuspir na cara dos eleitores que nele votaram, eleitores esses que foram, desde o início, a verdadeira milícia que mantinha este ser asqueroso e ignorante no poder. É cuspir na cara daqueles que se venderam por ele. É cuspir na cara do Brasil.

Mas era expectável. Quem andou quatro anos a cagar no povo brasileiro, acaba o serviço e cospe-lhe em cima. É quase a cereja no topo desse bolo. E, conhecendo Bolsonaro, nem o cu limpou no fim.

Viva a democracia! Viva o Brasil! Viva o povo brasileiro!

Caos e violência: talibãs de Bolsonaro pedem golpe de Estado

Estradas cortadas, pneus a arder, violência e ameaças. Eis o lixo autoritário que Bolsonaro produziu, a exigir que o exército avance para um golpe de Estado. Se dúvidas restassem, foram dissipadas: Bolsonaro é uma ameaça clara à democracia brasileira e, como qualquer autocrata, só aceita resultados que o favoreçam. E tem um exército de talibãs com ele.