Guerra na praça Tahir e censura no Facebook

Confrontos violentos na praça  Tahir transmitidos em directo aqui:

http://occupy.elementfx.com/occupytv

Este endereço está bloqueado dentro do Facebook. Começou a outra internet, aquela onde os governos são senhores e a liberdade de expressão acabou.

Actualização: Como era de prever este artigo, na sua forma de publicação automática foi censurado pelos filtros do Facebook por conter a ligação maldita.

É muito fácil a um estado bloquear uma ligação no facebook, basta que umas centenas denunciem, neste caso um link, automaticamente bloqueado antes de ser revisto por um humano. O princípio do bloqueio contra ou a favor de um estado é intolerável.

Delphi: 12 horas de trabalho diário

Vergonhoso! Um governo, maioritariamente dito ‘social-democrata’, pura e simplesmente, deveria proibir e punir os responsáveis da Delphi que, no Seixal, estão a instalar uma sistema de ‘neo-esclavagismo’, semelhante ao vigente na tristemente célebre ‘Foxconn’.

Trata-se, pois, de um abjecto processo de chinalização da sociedade portuguesa, permitido pelo africano de Massamá, Coelho, e presumo que defendido pelo tecnocrata canadiano, Álvaro.

É do domínio público que o Senhor PR promoveu uma reunião entre governo e militares, cujos resultados, aparentemente, sossegaram oficiais, sargentos e praças, quanto às reinvidicações.Coitados dos trabalhadores da Delphi, e de muitos, muitos outros milhares por esse país fora. Engrossam, com celeridade, um crescente exército de pobres e miseráveis, indefesos de prepotências deste e doutros géneros. Indefesos, sem meios e perspectivas de vida futura para eles próprios e seus descendentes.

Quão justo seria que militares de alta, média e baixas patentes, juízes do Tribunal Constitucional e outras figuras do regime, Presidente Cavaco à cabeça, fizessem imobilizar os passos do tenebroso coelho. Poderia recorrer-se a conveniente doença da cunicultura, inibidora da prática do mal. Uma patologia, de facto, imobilizadora. Não seria preciso chegar à mixomatose infeciossa – sou contra a pena de morte. Talvez fossem suficientes ‘vermes intestinais’, que delibilitassem política e definitvamente o nefasto coelho. Sem dar hipótese a salvíticas massagens de fisioterapia.

Para o Natal, queria Cavaco com a boca cheia de bolo-rei

O Natal enternece-me tanto quanto me irrita.

Mesmo já não sendo católico, não deixo de ser cristão em muita coisa e viverei sempre marcado pelo presépio, pela imagem do menino ameaçado por um Herodes que faz parte da minha particular galeria de vilões, na eterna história edificante em que os fracos acabam por derrotar os mais fortes.

Mesmo quando era católico, já me irritava o Natal enquanto pequeno intervalo em que as pessoas se permitiam o exercício da bondade, depois de terem dado o pior que tinham e antes de o retomarem, já purificadas por uma esmola maior e saciadas de bolo-rei. O Natal é, afinal, um Carnaval em que nos disfarçamos de boas pessoas.

A minha embirração particular com Cavaco Silva não se limita ao facto de ser um homem de direita, dado que nunca foi suficiente nem necessário para que outra pessoa me suscitasse tal sentimento tão humano e tão pouco natalício.

Este ano, com o cabotinismo que caracteriza o casal Silva, o Presidente e sua esposa, voltam a incomodar-me com a mensagem de boas festas, terminando com “E um ano de 2012 tão bom quanto possível”, especialmente irónico quando é dito por alguém que ficará na história por ter desconfiado de escutas e por ter preocupações com vírgulas no Estatuto dos Açores, enquanto apoiava o empobrecimento dos portugueses.

O vídeo que se segue – um clássico – ilustra o único momento em que a figura presidencial foi eloquente. [Read more…]

Ponham-se finos: dívidas há muitas, seus palermas

Socorro, chamem o Merdina Carreira, que horror, valha-nos o S. João Duque, um deputado do PS disse o que é óbvio: não pagar é o único caminho para entre outras coisas pagar a dívida que seja mesmo devida. Porque juros de usurário não são para pagar meus senhores. Porque nunca pagaremos, como é evidente, seguindo este caminho nunca teremos crescimento económico que o permita. Pedro Nuno Santos tem razão, quem não a têm é quem agora dá o dito por não dito, incluindo o próprio.

A estupidez da direita portuguesa não é bem estupidez: pagar uma dívida que não sabemos qual é nem que a arranjou (e amanhã espero que se comece a investigar no âmbito da Auditoria Cidadã) é uma boa desculpa para aumentar o desemprego e os horários de trabalho, reduzir os salários e robustecer os lucros e já agora meter os trabalhadores virados para a parede.

Isto é uma evidência, mas uma comunicação social manipuladora transforma a verdade em mentira e a mentira em verdade, tal como o outro não transformou a água em vinho (e adeus, Christopher Hitchens, deus não existe e não é pequeno nem grande).

A educação

“A educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo ” (Mandela).
Fiquei a observar, demoradamente, 5 imagens que o DN publicou hoje (16/12). Surrealista: crianças de um colonato na Cisjordânia assistem a uma aula sentadas nos destroços após a demolição das suas habitações pelos militares. É uma dúzia de rapazinhos com um grande livro sobre as pernas, que lêem algo em coro com o professor sentado numa cadeira. A escola não deixou de «abrir as portas» face ao ocorrido. A educação não pode esperar…
” É uma forma de vida” – disse ontem o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, numa conferência. Defendeu ainda que “a maior aposta deve ser na educação”, “o nervo fundamental de qualquer política cultural. É do trabalho que fizermos hoje nas escolas que depende a criação de públicos (…)”.
Palavras bonitas de um escritor que se vê nos sapatos de político e é obrigado a dizer que “temos de nos habituar à realidade”: não há dinheiro.
Corta-se no número de professores, no número de disciplinas, no número de escolas, nos financiamentos (as universidades perderam milhões – reitores avisam que a qualidade pode estar afetada).
Disse ainda com um sorriso: “o trabalho na educação demora tempo a dar frutos mas é essencial”.
Corte-se então naquilo que não é essencial e tragam de volta os professores para as escolas onde há tanto trabalho para ser feito.
Respeitem-se, mimem-se os professores para quem a educação é uma vocação e uma forma de vida.
Sem o professor que os chama a virem sentar-se um pouco para estudar, os meninos daquele colonato passariam o dia a remover destroços, ou a procurar as suas galinhas ou correndo riscos enquanto brincam sobre a destruição provocada por quem tem o poder e as armas.

Céu Mota

Mexia mexe-se na EDP?

Os brasileiros e os chineses estão revoltados com aquilo que parece ser verdade: a EDP vai ser vendida aos alemães, apesar destes apresentarem a proposta de compra pelo menor valor. Os entusiastas de tudo o que venha de Berlim, tentam encontrar justificações de telejornal, como a “gestão cuidada, a inovação tecnológica”, ou rematando, a sempiterna “Europa”.

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Televigilância e os Porcos

Acabei de ouvir um debate sobre a utilização de câmaras vídeo de vigilância nas cidades portuguesas no programa “Quadratura do Circulo” da SIC Notícias (eu lincava a página do programa, mas parece que a SIC desistiu dessas modernices, se souberem onde anda a dita página, avisem-me por favor!).

Não interessam muito as posições de cada um dos comentadores. Perderam-se em considerações sobre a legalidade e a salvaguarda dos direitos e garantias fundamentais dos cidadãos. Todos foram eloquentes, todos falaram muito bem.

O problema é terem todos esquecido a pergunta mais importante:
 

Estes sistemas funcionam realmente?

 
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Hoje dá na net: Calvin & Hobbes

Bill Watterson, autor da emblemática tira Calvin & Hobbes, nunca autorizou que as personagens desta BD ganhassem voz e movimento, consequência de sempre ter proibido a sua distribuidora, a Universal Press Syndicate, de transformar a tira em produtos de merchandising.

Calvin & Hobbes (vídeos)

Os vídeos aqui apresentados são, portanto, não “oficiais” mas têm algum interesse no imaginário calvin-hobbiano, nem que seja pelo choque de se constatar que as vozes escolhidas não coincidem com o que havíamos imaginado. São duas curtíssimas baseadas em duas tiras sobre… bom, o melhor é verem.

EDP contrata Souto de Moura

A EDP vai contratar o laureado arquitecto português Souto de Moura para “melhorar o enquadramento ambiental” do paredão de 108 metros da barragem de Foz Tua, em pleno Douro Vinhateiro, Património da Humanidade (não é só dos portugueses, é da Humanidade). Como o ilustre arquitecto parece não conhecer o ciclo da água que “vai para o mar” e tanta falta faz para produzir energia (limpa!) neste país que gasta o dobro da energia por unidade de PIB da Dinamarca, deixo aqui a ideia de lhe ser ofertado um kit de maquillage e o livro O Ciclo da Água.

Para ser mesmo bonito, e fazer boa figura, esta oferta bem poderia ser entregue por José Carcarejo, o visionário autarca de Alijó, defensor incondicional do Património do concelho e, por conseguinte, do seu alagamento por via de uma barragem inútil. Os autarcas vizinhos de Carrazeda de Ansiães, Murça e Vila Flor poderiam irmanar-se, digo eu, no pagamento desta benfeitoria cultural. A Bem da Nação.

Hoje estou assim, como que coiso

De manhã tenho um ritual. Começa por acordar – surpresa. Ouço as notícias na rádio, visualizo frases de posts sobre o que vou ouvindo, tomo o pequeno almoço enquanto vou para o trabalho e aí me consumo no resto do dia. Não sei se se vai no trabalho ou se se esgota no noticiário das oito; o facto é que a minha vontade de escrever sobre o que se passa diminui na proporção inversa da crescente parvoíce que ouço aos nossos iluminados líderes. Há de tudo, desde os eternos contra, aos profetas da desgraça, sem esquecer os vira-casacas.

Hoje de manhã, por exemplo, ouvi Camilo Loureço comentar a questão da fábrica de baterias, esse grande desígnio onde o admirável líder aprendiz de filosofia enterrou uns milhões em apoios. O carro eléctrico, a maravilha do futuro-hoje, não está afinal em todas as esquinas e, por isso, não são precisas baterias. Parece que o spin foi meter dois dos responsáveis directos pelo dinheiro perdido e mais um que procura ocupar o lugar do filósofo de domingo a insinuar que a fábrica se foi por falta de acompanhamento por parte do Estado.  Enfim, o que é que vai uma pessoa escrever sobre isto? Que há por aí uns tipos a assobiarem para o lado e a insinuarem que a culpa é dos que andam a rapar o tacho para arranjar dinheiro para a banca? Que ainda há menos de um ano havia um governante a falar de quão brilhante era a nossa execução orçamental que até havia excedente orçamental? Para quê? Para sublinhar que o dinheiro que se andou a estoirar nas baterias, na Qimonda, no BPN e em todos esses fabulásticos incentivos à economia tem agora que ser pago?

Mais vale trabalhar. Sou dos antiquados, daqueles que ainda acham que o trabalho traz riqueza, donde, naturalmente, resultam duas consequências: chego ao fim do mês sem fortuna que se veja e faço questão de não me enquadrar no grupo dos que acham que devem receber apoios – nem que por isso tenha que voltar à lavoura. Mais vale, portanto, trabalhar do que comentar a casa sem pão onde todos ralham e ninguém tem razão. Hoje estou assim, como que coiso; amanhã logo se vê.

Post scriptum: Quando a tolice comanda a política…

Sicasal, um ponto de reflexão

Isabel G.

Usamos o Aventar para reclamar, para criticar, às vezes até para lançar veneno. É bom, sabe bem, desopila-nos os fígados. Mas raramente, e corrijam-me se estiver errada, o usamos para elogiar. A verdadeira mudança de paradigmas, de mentalidades, reside, precisamente, e na grande maioria dos casos, muito mais no louvor do que no repúdio.

E porque é assim que penso, não quis deixar passar em branco o grande elogio, que deveríamos até considerar como importante ponto de reflexão, que deve ser tecido à Sicasal. Nem sequer decorei o nome do proprietário, mas isso também não é importante. O que é importante e digno de nota, isso sim, é que esse senhor, talvez com a sua atitude no decorrer da vida, foi capaz, sem aparente esforço falseado, pelo menos que seja notório, de transmitir atitudes geradoras de energia, de solidariedade, de cooperação.

Está patente na Sicasal, segundo o que a comunicação social difunde, o espírito de entreajuda que deveria ser a atitude intrínseca do ser humano. Ali não há patrão versus empregados e vice-versa. Ali há a sensata consciência de que o trabalho conjunto, na abundância e na provação, é a única via possível para que cada um prossiga da melhor forma com a sua vida.

Ali não há antagonismo. Ali não há um contra muitos nem muitos contra um. Ali há o senso comum que deveria pautar as vidas de todos os seres humanos.

Todos aqueles que estão convictos de que este ou aquele partido, este ou aquele sindicato, esta ou aquela facção, esta ou aquela ideologia, são a solução para os profundos problemas que fustigam a nossa sociedade, deveriam pôr os olhos nesse exemplo onde, apesar de “cada macaco no seu galho”, cada um serve, da melhor maneira que pode, um bem comum. Isto sim é evolução, isto sim é construção e avanço. Isto sim é o ser melhor no seu melhor.

As críticas têm o seu lado positivo, é inegável, mas o exagero e a carga negativa e revoltadora com que por vezes são feitas engendram atitudes e acções que corrompem a intenção primeira, desviando-a. Os louvores, os elogios, o reconhecimento das atitudes positivas e geradoras de mudança, porém, estimulam o bem fazer e suscitam acções criativas e positivas.

Com o senhor da Sicasal, cujo nome desconheço, partilho o meu mais humano sentimento. Aos seus colaboradores, modestamente confesso que gostaria de ser assim, de ser capaz de tamanhos actos altruístas.

EDP Dá-me Cócegas e Faz-me Rir

O Plano Nacional de Barragens Vai-Nos Custar 16,000,000,000.00 euros!…

ps: alguém explica a Souto de Moura o ciclo da água?

As escolhas de João Duque

Enquanto João Duque escolhe entre pipocas e cinema, quer dizer, o filme passa-lhe pelas costas. Um espectáculo, quer dizer, o João Duque é um espectáculo.

O tubarão- azul dos Açores

Parabéns ao fotógrafo Nuno Sá: “único português a vencer por duas vezes o prémio Wildlife Photographer of the Year (Òscar da fotografia da vida selvagem)”. Venceu com um espectacular retrato de um tubarão-azul dos Açores, que é uma imagem entre dois mundos: o azul do céu dos Açores e o escuro profundo do Atlântico.
Parabéns também para os jovens realizadores de filmes documentários, Daniel Pinheiro e Jorge Pelicano, que tiveram excelentes ideias: o primeiro de registar a vida selvagem ao longo do rio Mondego e, o segundo, de “apresentar o lado emocional da luta do Tua”.
Penso agora no Douro, Património Mundial da Unesco. Até quando? Sofre uma ameaça que pode muito bem ser evitada. Vamos lá!
É preciso valorizar o nosso património, quer seja ele histórico, natural ou imaterial… mas para sempre. Não apenas para se ganhar mais uma candidatura, mas para genuinamente mostrarmos ao mundo –  mas, sobretudo, a nós mesmos – que Portugal é de uma beleza invulgar, que ganha concursos e que nos deve orgulhar e fazer respeitar.
A vida de um país (e de cada um de nós) é feita entre dois mundos: o escuro profundo da realidade quotidiana mas também de céu azul que nos permite respirar e sonhar…

Céu Mota

Procura-se Francisco José Viegas por crimes contra a Humanidade

Por ironia do destino, Francisco José Viegas nasceu no Pocinho, terra onde termina uma das mais belas linhas ferroviárias do nosso país, a Linha do Douro. O Pocinho fica no concelho de Vila Nova de Foz Côa, local onde há uns anos se conseguiu impedir a construção de uma Barragem que iria submergir um extenso conjunto de gravuras rupestres do período Paleolítico.
Alguns anos depois, Francisco José Viegas, que não se comove com essas coisas, prepara-se para ser o coveiro de uma das mais belas regiões do país, o Vale do Tua, e seguramente da mais bela linha ferroviária de Portugal e da única ligação que ainda permanece ao serviço das populações de Trás-os-Montes. Pelo meio, ainda será capaz de destruir a classificação do Douro como Património da Humanidade.
Aliás, a estratégia dos últimos dias parece ser essa. Ameaça-se com a perda da classificação do Douro, para, no final, garantir a continuidade da mesma e, como estava planeado, destruir o Vale e a Linha do Tua. [Read more…]

Hoje dá na net: Ler Ebooks

Não sendo o Hoje dá na net apenas uma série de cinemas e seus parentes chegados, vinha aqui hoje sugerir um livro disponível quando me lembrei que na vizinhança  há um blogue especializado no assunto. No Ler Ebooks podem começar por esta listagem de 50 sítios com ebooks gratuitos.

Como o património literário livre de direitos de autor é muito superior a todos os outros à medida que vão sendo digitalizados tendem a formar a maior biblioteca de sempre, o sonho de qualquer leitor.

Noutros dias aqui voltaremos sugerindo livros, porque acima de tudo há livros que se amam, mas para já visitem o Ler Ebooks, e boas leituras.

O Desporto na República das Bananas

“(…) Por razões que se prendem com o Orçamento do Governo Regional da Região Autónoma da Madeira (IDRAM), através da falta de plafond do Instituto do Desporto da Região Autónoma da Madeira junto das Agências de Viagens”, o Porto Santo não veio ontem jogar a Braga.

Aparentemente “Ninguém teve em consideração que a Madeira é uma região pobre, assimétrica, dependente e com graves problemas por ultrapassar” e também se diz que “já não há dinheiro para pagar passagens aéreas a esposas de dirigentes integradas na comitiva desportiva do Portasantense; dinheiro esses dos nossos impostos. Ladrões da puta que os pariu.” Birou…

Os tecidos angolanos do Governo e da Justiça

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Parcela importante da urdidura do actual governo é composta e tecida por artesãos de afro-tecelagem. Passos Coelho, Miguel Relvas e Paula Teixeira da Cruz – e, por exemplo, o agora menos mediático Pedro Pinto, todavia deputado – são fios de superior meada da juventude angolana de 1974.

O facto seria despiciendo, se fosse natural desfecho da vida colectiva e não reflexivo de actos conscientes ou, demos de barato, subconscientes. Em ambos os casos, nocivos para a vida do povo português. Como é evidente, a acção é protagonizada por uma elite de retornados – palavra horrível – que sobraçou indevidamente uma causa, justa em relação a muitos, mas hipocritamente usada em proveito próprio por uma minoria.

Com efeito, e sobretudo no PSD, filtrados maioritariamente pela Secção do Campo Pequeno – Lisboa, a história, se aprofundada, é em grande parte preenchida pelas investidas vigorosas e ambiciosas dos ‘filhos privilegiados da colonização e da descolonização’. Ao tempo, os ora bem sucedidos, apresentavam-se como ‘teen-agers’ travestidos do ideário social-democrata. Francisco Sá Carneiro era, então, o  supremo e admirado apóstolo, sob cujo comando e doutrina se abrigaram e encobriram.

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Meia dose

Um bramido de raiva

adão cruz

 

 

Senti um frio arrepiante e um buraco negro nas entranhas tão fundo como a silhueta daquele maldito comboio da inglória velocidade rebentando a dor direito à morte que está em pé na berma do cais pela mão de uma criança.

O pai nos braços de um escombro deste mundo sem sol nem lua destino bárbaro e cruel da perda total de mão dada com o filho contra a majestade de um gélido cadafalso de ferro parido pela força de um desumano progresso contra o qual se esmagam os pobres e desamparados que vivem em contra-mão.

Meu menino sonâmbulo de olhos negros e pálida doçura quase luminosa firme terna inocente confiante na verdade desfeita em sangue pela mentira das mãos fatalistas de uma sociedade podre.

Podia ser um menino nascido no berço do lado ao colo de um pai ou de um avô trabalhador-milionário desiludido porque a sua fortuna não havia atingido o limiar do absurdo o que não deixava de ser triste mas a vida filha da puta meu menino pobre nada mais te deu do que um pai sem nada sem prendas sem força nem entreactos que te enxergassem melhor sorte do que a morte.

O monstruoso comboio entra na tua boca a toda a brida o ar louco sai em turbilhão do teu pequenino peito sem eco a vida estilhaça-se em ruidoso estrondo e o teu corpo frágil cai em pedaços sobre os bonecos das tuas meias no pavoroso silêncio dos teus olhitos redondos.

E o mundo continua como se nada tivesse acontecido.

Quando vi que eras tu o menino que estava no curto caminho da morte pela mão de um pai que não dominava a fome e não tinha dinheiro para te comprar uma bola um pai que não sorria nem cantava para ti porque a alma se perdeu na praça do medo com o sol congelado na boca senti um bramido de raiva e uma louca vontade de pedir contas a Deus.

 

São necessários mais professores, estúpidos!

Se é certo que defendo que é a solidariedade que deve presidir à actuação do Estado e que, portanto, me faz muita confusão que se fale em despedimentos como se as pessoas fossem objectos que se podem pôr no lixo, não me custa, igualmente, reconhecer que o Estado não tem a obrigação de garantir emprego a qualquer cidadão. Assim, é óbvio que o Ministério da Educação não tem de ser visto como uma agência de emprego que ofereça colocação a todos os que queiram ser professores.

É, então, fundamental que se analisem as necessidades das escolas, para que se possa saber quantos professores são, efectivamente, necessários. Não será admissível outro critério, sob pena de se estar a pôr em risco aquilo que verdadeiramente interessa: a educação dos jovens. Na pior das hipóteses, e aceitando que estamos em crise, poder-se-ão discutir medidas transitórias decorrentes de uma austeridade que, pelo menos, a Chanceler da Alemanha considera imperativa, mas isso é outra questão.

Desde 2005, têm sido tomadas várias medidas que tiveram como reflexo o aumento do desemprego entre os professores. Esse processo iniciou-se com Maria de Lurdes Rodrigues e prossegue com o actual ministro, afectando milhares de docentes que não têm conseguido entrar nos quadros, apesar de darem aulas, por vezes, há mais de dez anos. Também com a actual equipa, mantém-se um discurso de omissão relativo a esse problema, sendo sinal disso a não resposta do Secretário de Estado João Casanova de Almeida, ao dizer que os professores do quadro não seriam afectados pela revisão curricular, depois de lhe ter sido perguntado quais seriam os efeitos dessa mesma revisão sobre os professores contratados. [Read more…]

A tal prisão com ilhas à volta

O que faz a nossa democracia pobre? Coisas simples como a falta de coragem politica dos principais agentes políticos nacionais e dos sindicatos, a hipocrisia e o cinismo dos nossos quadros e experts melhor cotados, sempre prontos a curvar perante cheques e estudos encomendados, a promoção da malandragem intelectual e doutrinação dos nossos principais académicos. Como se isso não bastasse temos ainda o amadorismo generalizado da opinião sobre a política, da crítica especializada e a total inexistência do jornalismo de investigação. Falo de Cabo Verde senhores…aquela prisão com ilhas à volta.

Pois é, por cá também a mesma “estória” da carochinha: não há crise mas congela-se o aumento salarial, não há crise mas o FMI recomenda uma diminuição do endividamento do país para níveis inferiores a 50%. Não fosse Sócrates a filosofar metido num sofá design em Paris, isto estava muito pior.

Na crise também se pode falar de uns tais valores que se perderam, ouvir da boca do excelentíssimo senhor Adriano Moreira que nada tem a reabertura do campo de concentração do Tarrafal é prova não só da demência do mundo como também, neste caso muito particular, do sumo pontífice reitor da Universidade de Mindelo que em boa hora resolveu dar um “Honoris Causa” ao homem. “Dementis Causa” da qual nem a Portaria nº 18 539 nos salvou. 7 bilhões e tal de seres humanos no mundo e o primeiro honoris cabo-verdiano vai exactamente para um santo homem ligado a Salazar e ao campo de concentração à volta de qual foi construída a nossa identidade nacional. Não fosse este o meu primeiro post no Aventar ia logo um palavrão de bónus. Mas sejamos meninos bem comportados, que o natal vem aí, o Sócrates cá da banda ainda fala em competitividade e o nosso Passos Coelho por enquanto não saiu da cartola. …e se for mesmo igualzinho a Passos Coelho que fique lá bem quentinho.

Nosso consolo é que num golpe de mágica a ditadura em África foi banida de uma vez e por “todos os tempos e sempre” num acto de dúvida filosófica. Assim chegamos lá depressa e sem necessidade de andar às cavalitas.

«Vimos por este meio solicitar que à Região do Alto Douro Vinhateiro seja retirada de imediato a classificação de Património da Humanidade»

Carta enviada hoje por Correio para os responsáveis da UNESCO e do ICOMOS. Enviado também por mail para todos os membros das duas instituições. Enviado pelo Facebook para todos os apaixonados pelo Douro em Portugal e no Mundo*

Dear Sirs,

In 2001, UNESCO classified the Alto Douro Wine Region in northern Portugal, as a World Heritage Site.
In February 2011, the construction of a hydroelectric dam near the mouth of the River Tua, Dam Foz-Tua began, after the project was approved by the Government of Portugal. This dam will destroy all the Tua Valley and its railway and it will cause irreparable losses with regards to the natural, cultural and human heritage of that area and all the Alto Douro Wine Region, classified as World Heritage by UNESCO.
In December 2011, the Government of Portugal, through the Secretary of State for Culture, announced that the construction of the dam wouldn’t be suspended.
Therefore, we hereby request that the classification of heritage site is removed immediately from the Alto Douro Wine Region, since such a classification is not compatible with a landscape marked by a pile of concrete that destroys one of the most important natural regions of Europe.
If it doesn’t happen, UNESCO itself is in question, since it accepts that a landscape is totally garbled after being classified as a World Heritage Site.

Yours Sincerely,

Attachements:

Before: Tua Valley and its Railway – video and photos
Now: Works at Tua Valley
After: Dam Foz-Tua

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TRADUÇÃO PARA PORTUGUÊS [Read more…]

Queres pagar portagens? tens de ter mail e telemóvel

Sim, telemóvel, um telefone fixo não vale. Deliciosa a estória que nos conta o Luís Fernandes.

Hoje dá na net: Programado para avariar…

…ou OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA. Baterias que deixam de trabalhar ao fim de dezoito meses, lâmpadas que fundem ao fim de mil horas, impressoras que param de repente, veja como a indústria programa os objectos de forma a terem curta duração ou a avariarem propositadamente, com o fim de o fazerem comprar um novo. Perceba porque é mais barato deitar fora do que mandar consertar. Compare o discurso “verde” e “ecológico” das empresas com a sua prática, veja como algumas tecnologias regridem e pioram os desempenhos, e constate o óbvio: é feito estudadamente e com precisão para avariar.

Em Alijó, trocam o Património da Humanidade por um monte de betão, mas não gostam de ser acusados disso. Por isso, censuram todos os comentários desagradáveis no Facebook!


No concelho de Alijó, porque o caciquismo caceteiro de alguns autarcas começa a fazer escola, a ordem é calar todas as vozes contrárias à construção da ignóbil Barragem que vai destruir o Douro Património da Humanidade.
No Facebook, a censura está a actuar pela noite fora. Os lacaios de Mexia, Viegas e quejandos estão atentos e, ao mais pequeno comentário contra a Barragem, censuram. Apagam o comentário, impedem novos comentários daquela pessoa e, em última instância, apagam a página, como aconteceu com aquela que o Dario abordou no post anterior.
Os Vereadores do PSD no concelho de Alijó, por razões que se percebem facilmente, também têm andado, pela noite fora, com o lápis azul bem afiado. Tentei comentar algumas vezes, mas os comentários não duraram mais do que meia dúzia de segundos. Desapareceram imediatamente. O mesmo aconteceu na página do Teatro Municipal de Alijó, em que a censura é ainda mais rápida.
O que se passa em Alijó para que, de repente, todos se tenham unido em torno de algo que vai destruir o que de mais belo o concelho tem? Não precisam de responder, todos já percebemos o que está em causa…
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A Câmara Municipal de Alijó Já Fechou a Página no Facebook…

Durou pouco a página da CM Alijó no facebook

Nem 60 minutos aguentou aberta a alguns comentários.…

Temos pena.…

Objectivos e órbitas em torno do PIB

Com recurso ao PIB, hoje conhecido indicador dos portugueses, programam-se estratégias e estabelecem-se objectivos que, na maioria dos casos, conduzem a visões e práticas tecnocráticas e economicistas, em sacrifício da qualidade de vida dos povos. De resto, é este o fenómeno a que assistimos no mundo, em especial na Europa.

Usado como parâmetro de aferição polivalente, o PIB serve também para avaliar a qualidade de vida relativa entre nações, como demonstra o quadro seguinte, construído a partir de documento do Eurostat.

PIB per capita em unidades PPS (Poder de Compra Padrão)

Posição

País

2008

2009

2010

UE (27)

100

100

100

Z.Euro(17)

109

109

108

1.º

Luxemburgo

279

266

271

2.º

Holanda

134

132

133

3.º

Irlanda

133

128

128

4.º

Áustria

124

125

126

5.º

Bélgica

116

118

119

6.º

Alemanha

116

116

118

7.º

Finlândia

119

115

115

8.º

França

107

108

108

9.º

Itália

104

104

101

10.º

Espanha

104

103

100

11.º

Chipre

99

100

99

12.º

Grécia

92

94

90

13.º

Eslovénia

91

87

85

14.º

Malta

79

82

83

15.º

Portugal

79

80

80

16.º

Eslováquia

73

73

74

17.º

Estónia

69

64

64

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A Câmara Municipal de Alijó Pratica a Censura no Facebook

Já era de prever. A página Alijó 360º, mantida pela Câmara Municipal de EDP, perdão, Alijó, foi censurada hoje pelas 23h, poucos minutos depois de eu ali ter comentado um post. (Aparentemente, alguém pago com dinheiros públicos está a fazer horas extra! – a Bem da Nação)

Desapareceram alguns cometários e desapareceu também a possibilidade de serem feitos novos comentários a posts existentes. A verdade e a vergonha na cara parecem incomodar José Cascarejo, esse grande  defensor do progresso que a barragem do Tua há-de trazer. Aposto que esta personagem fosca da democracia transmontana vai, já nos próximos dias, manifestar-se totalmente CONTRA a barragem… pífia gente.

Depois de a EDP ter fechado o seu mural fendido no facebook, depois de Assunção Cristas, ministra do Ambiente, ter feito o mesmo, quem será o próximo a sentir-se incomodado pelas verdades em torno do embuste do Plano Nacional de Barragens?…

Para onde vão os nossos impostos em 2012

Noticias recentes dizem-nos que apesar de tudo a quantidade de impostos que pagamos até nem é muito elevada quando comparamos com o resto dos países da OCDE.

Claro que somos também dos países que mais tem aumentado os impostos mas isso não interessa nada.

Importante é ter uma ideia do destino desse dinheiro.
Imaginemos que recebemos o salário médio, que foram uns dez mil euros por ano em 2009, isso quer dizer que vamos pagar cerca de 3000€ de impostos.

Para onde é que vai esse dinheiro? Vejam na imagem abaixo ou experimentem “O teu Orçamento para 2012