Se é certo que defendo que é a solidariedade que deve presidir à actuação do Estado e que, portanto, me faz muita confusão que se fale em despedimentos como se as pessoas fossem objectos que se podem pôr no lixo, não me custa, igualmente, reconhecer que o Estado não tem a obrigação de garantir emprego a qualquer cidadão. Assim, é óbvio que o Ministério da Educação não tem de ser visto como uma agência de emprego que ofereça colocação a todos os que queiram ser professores.
É, então, fundamental que se analisem as necessidades das escolas, para que se possa saber quantos professores são, efectivamente, necessários. Não será admissível outro critério, sob pena de se estar a pôr em risco aquilo que verdadeiramente interessa: a educação dos jovens. Na pior das hipóteses, e aceitando que estamos em crise, poder-se-ão discutir medidas transitórias decorrentes de uma austeridade que, pelo menos, a Chanceler da Alemanha considera imperativa, mas isso é outra questão.
Desde 2005, têm sido tomadas várias medidas que tiveram como reflexo o aumento do desemprego entre os professores. Esse processo iniciou-se com Maria de Lurdes Rodrigues e prossegue com o actual ministro, afectando milhares de docentes que não têm conseguido entrar nos quadros, apesar de darem aulas, por vezes, há mais de dez anos. Também com a actual equipa, mantém-se um discurso de omissão relativo a esse problema, sendo sinal disso a não resposta do Secretário de Estado João Casanova de Almeida, ao dizer que os professores do quadro não seriam afectados pela revisão curricular, depois de lhe ter sido perguntado quais seriam os efeitos dessa mesma revisão sobre os professores contratados. [Read more…]





















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