Há sogras e sogras

Os pais trabalham demasiado. E, ultimamente, ainda mais.

O trabalho tira tempo à família. «Tira-nos» a família, é o que é.

Sobra muito pouco para ela: tempo e paciência como gostaríamos. “Educar exige tempo e paciência, e isso é algo que falta aos pais nesta conjuntura”, leio no Público (23 de junho).

E não há muito a fazer: “o emprego precário e o medo de perder o emprego sujeitam os pais e as mães a uma disciplina e a um envolvimento no local de trabalho (…) que tira tempo à família”.

Os filhos estão mais com os outros que connosco.

Acabaram as aulas. A coisa complica-se: «Onde deixar os filhos?»

Que sorte é ter uma sogra disponível que toma conta deles.

Há sogras que são umas «pestinhas», segundo ouço dizer, mas também as há que são umas santas!

Obrigada a estas! São a nossa salvação!!

Eternamente grata, sogrinha.

“O problema da crise actual não é a redução da população empregada”

Pois não, é o do aumento da população desempregada, diria o comum dos mortais:

Contudo existe o que passaremos a designar de paradoxo Ricardo Campelo de Magalhães, autor da frase que dá título a este modesto (não passo de um zeco ainda por cima com formação em História da Arte)  artigo  muito ilustrado, que eu gosto é de bnécos. O Ricardo Campelo de Magalhães descobriu que mesmo assim hoje a percentagem da população empregada nos EUA é superior à dos anos 50/60: [Read more…]

Não é analfabetismo, é pior ainda

Ricardo, aluno meu que no 12º ano de História fosse colocado perante este gráfico e sendo-lhe pedida uma leitura do mesmo concluísse que “O problema da crise actual não é a redução da população empregada” tinha um zero, já que nesse nível não tenho por hábito pontuar a fantasia. É claro que a hipótese é absurda porque nunca colocaria um gráfico destes à frente de quem quer que fosse sem conhecer a sua fonte original e portanto lhe pudesse acrescentar os dados com que foi calculado.

Esses dados são relevantes precisamente porque aqui se mostra a percentagem de pessoas empregadas nos EUA e não o número absoluto de empregados (ou de desempregados). É que em História (território onde me assiste alguma coisa que o meu negócio não é a Economia) e numa série longa os valores absolutos podem variar. Em História Económica e Social há que ter em conta a evolução da variável social. Explicando-me melhor: não posso saber, só com este gráfico, se foi calculado tendo em conta: [Read more…]

Fenómenos do analfabetismo contemporâneo

Ricardo Percentagem de Magalhães e suas contas da “gente empregue” chocou com a Priscila Rêgo. Um momento a não perder.

Manifestação

Pelo emprego

O Medo nos CHUC*

Por Diogo Cabrita

Falo por ti minha amiga Lina que conheces o Hospital há mais tempo que eu.

Falo por ti Manuela, que tens limpo os espaços de trabalho e tens trazido a marmita diariamente.

Falo por ti Carlos que nunca fizeste compras maiores que o teu salário e com dificuldade consegues gasolina para vir todos os dias aos Covões.

Também falo de ti Josefa que te escondes do trabalho e de ti que nunca sabes e nunca queres aprender.

Falo porque sinto o medo que transversalmente vos afoga. O medo de não saber nada do futuro e a certeza que as decisões são feitas sem vos ter em conta.

Há um receio que atinge os bons, os imprescindíveis e os maus.

O medo como um perfume que nos tolhe a todos e sobretudo a vós, a quem os doutores desconhecem o nome, a vós a quem “os grandes” nunca nomearam além de “olhe”, “chegue aqui”.

Falo do medo do futuro, da insegurança sobre o futuro, da subserviência que o medo incute, do silencio cúmplice que vem do receio. [Read more…]

Agenda para o crescimento: uma cena tipo coiso

Na Califórnia imaginária do século XIX da minha infância, acompanhei Zorro, o valente mascarado; no Portugal infinitamente merdíocre em que vivo, não conseguimos arranjar mais do que um Zorrinho. O primeiro usava a espada para ensanguentar com um Z decidido o peito dos opressores; o nosso Zorrinho serve-se da caneta de tinta permanente para traçar um Z vaidoso e vão com que finge não oprimir.

Zorrinho, por ser pequenino, descobre, na adenda agendada, uma grandeza épica: depois de ter participado, durante seis anos, numa agenda de encolhimento do país, simula acreditar no poder mágico da escrita e obriga a maioria a inscrever as palavras “crescimento” e “emprego” num tratado orçamental que provocará o inverso, o que será explicado a seu tempo com culpas para a meteorologia ou descobrindo um desalinhamento planetário. [Read more…]

O coiso de Álvaro Santos Pereira

Foi preciso importar um português do Canadá para confirmar que o grande problema de Portugal é o coiso.

Os mais puristas poderão censurar ao Ministro da Economia e do Emprego a utilização de um termo tão pedestre, mas a verdade é que não lhe resta outra solução. Na realidade, num país em que a economia está em coma e o emprego em extinção, só resta a Álvaro Santos Pereira ser ministro do coiso. Aliás, talvez antevendo a inutilidade do ministério a que ia presidir, foi ele próprio a pedir que não o tratassem por ministro: seria algo tão absurdo como chamar governo ao actual governo.

Finalmente, um país com tantos problemas já não tem designações que cheguem. É, portanto, natural, que se use “coiso”, a palavra que, em Portugal, é uma espécie de etc.

Depois de, há uns anos, termos seguidos o cherne, resta-nos agora atentar no coiso.

Fátima. O ano em que os portugueses foram pedir emprego a Nossa Senhora*

Não dura sempre. Um dia deixam de pedir de joelhos, e exigem-no de pé. Fiem-se na virgem e não corram e vão ver o trambolhão que levam. Tenham medo, muito medo, Portugal não é a Grécia, é mais Maria da Fonte e sobretudo Revolta do Manuelinho. É de uma vez, sem sindicatos ou partidos e vai tudo raso.

*Título roubado a uma excelente reportagem de Rosa Ramos.
Sobre as alterações populares que no final da 3ª dinastia fizeram do cobardolas João de Bragança o “corajoso” João IV, há muito estudadas por António Oliveira e outros, falta material de divulgação na net. Se mais ninguém o fizer um dia destes trato disso.

Entendam-se pá

Caramba… Parvoíce, por parvoíce, a gente ficava só com uma!

Ou bem que é uma oportunidade ou bem que é uma tragédia pessoal?

Moedinha ao ar? Ou então, iam os dois experimentar para depois decidir, boa?

Professores do quadro vão ser despedidos!

O título deste post é falso. Mas do modo que as coisas estão a desenvolver-se será uma questão de tempo até que o tempo verbal mude do futuro (vão) para o pretérito (foram)!

O MEC continua a navegar à vista, mexendo apenas por mexer, ou antes, a mexer apenas para poupar.

A reorganização curricular que está em cima da mesa vai implicar um MEGA- despedimento nunca antes visto em Portugal e deixamos aqui um outro número brutal: quando, ainda no tempo de José Sócrates, se constituíram 84 MEGA – agrupamentos de escolas, saíram das escolas e apenas por causa disso, 5 mil docentes. Este número é oficial do Ministério da Educação. [Read more…]

Concursos de Professores… Vai devagar

que NÓS temos pressa!

Concurso de Professores: Efectivos e contratados, resultados diferentes

O tempo vai passando e a troca de argumentos continua, mas a questão central é a mesma: o acordo assinado entre alguns sindicatos, pouco representativos e o MEC é um bom acordo?

Depois de ter feito uma análise ponto a ponto, é hora de ver o documento de forma mais ampla.

Para os docentes do quadro, o acordo é quase inócuo. Clarifica a questão dos horários zero e isso é muito positivo. Tudo o resto é pouco ou nada importante.

Para os professores contratados o documento é muito mau!

[Read more…]

Análise ao acordo entre o MEC e alguns sindicatos

Depois do acordo entre o MEC e alguns sindicatos, este é o momento de analisar o que foi assinando, comparando o acordo com a legislação hoje existente. Será falta de honestidade argumentar que entre a primeira proposta do MEC e esta última há muitas coisas melhores. Pois, mas essa todos perceberam que era, a primeira, apenas um isco.

Vamos lá então analisar o que está assinado:

[Read more…]

Concursos de Professores – há acordo (de alguns) com o MEC

O MEC e alguns sindicatos chegaram a acordo para regulamentar os concursos de Professores. Tal como ontem se previa no Aventar, tudo seguiu a lógica. A FNE assina.  A FENPROF não.

Da parte de uns, os que assinaram, a proposta vem de encontro aos interesses dos seus associados.

Para os que não assinaram, nomeadamente a FENPROF, a questão por agora, coloca-se na necessidade de ir ouvir o que pensa o seu Conselho Nacional sobre a última proposta do MEC. Logo que possível faremos  uma análise à última proposta do MEC.

Concursos de Professores sem acordo

Dos interessados.

Hoje, 2ª feira, decorre no Ministério da Educação e Ciência a segunda ronda negocial em torno dos concursos de Professores. Diz-se ao telemóvel que tudo ficará adiado para amanhã, para uma nova reunião…

A segunda proposta do MEC, agora em discussão, clarificou alguns aspectos e torna-se mais interessante do que a primeira, mas ainda muito longe do que deveria ser um documento central para a gestão do maior grupo profissional da administração pública central: o MEC continua a manter, com o acordo da FNE (SPZN), os docentes do privado em vantagem relação aos colegas das escolas públicas.

No entanto, estão ainda contempladas um conjunto de situações que não vão merecer o acordo dos sindicatos, nomeadamente da FENPROF.

Mas, da parte dos representantes dos professores com menor expressão poderão aparecer algumas surpresas. Parte deles é dirigido por quadros do partido do governo – o PSD e depois do acordo da UGT com os patrões e o governo, este pode ser, ao contrário do que pensava há dias, o passo seguinte do frete dos sindicalistas laranja ao governo da mesma cor.

Concursos de professores – aí está a segunda proposta do MEC

Para mais tarde fica uma análise. Por agora o dito cujo.

Emigrar ou não emigrar – eis a questão

Ultimamente, fala-se muito em emigrar (coisa que para muitos nem passava pela cabeça até há bem pouco tempo). Este tema percorreu o PÚBLICO de ontem: “Privados não vão travar subida do desemprego”; Cavaco Silva desaconselha emigrar, apesar da taxa de desemprego (o que faz para evitar a emigração?); depois lemos uma frase irónica de Carlos Marques de Almeida (ver também Diário Economico, 24/2), “Pelo nível de desemprego, Portugal é um país que sofre de um excedente de portugueses”; por outro lado, há já emigrantes portugueses indignados pela mudança ocorrida nos vistos para os EUA – é necessária a deslocação a Paris (ao que já chegamos) para obter visto de residência – já não basta precisar de emigrar ainda têm que fazer viagem dispendiosa para tratar de documentos; finalmente, o historiador Paulo Varela Gomes, numa Carta do Interior (tão interessante), jurou “nunca mais voltar a partir, forem quais forem as circunstâncias, o descalabro do salário ou da pensão, a mudança do destino profissional.” [Read more…]

Centenas, Milhares de Empregos nas Barragens da EDP

As barragens criam emprego!… Construída por volta de 1978, a grande barragem do “Poçinhoestá a recrutar um electricista.

 

Os canudos e o Sr. António

É notícia que este ano, para o ensino superior público, há “mais 647 vagas, num total de 54 068“.

Em princípio isto seria bom. Mas na verdade não é. Pelo menos enquanto dominar a lógica das famílias investirem ao longo de anos numa carreira académica para que a  descendência atinja o almejado canudo, e depois de se ter um doutor, ou engenheiro, na família, é procurar emprego. Com sorte, irá trabalhar numa empresa criada e gerida por alguém que só tem alguns estudos de liceu.

Um dos grandes males deste país é que se estuda para doutor ou engenheiro, ou algo do género, para se ir trabalhar para a empresa do Sr. António  – porque neste país o normal é tratar as pessoas pelo primeiro nome, nem que elas tenham idade para serem nossos avós.

O Sr. António não foi para doutor, lançou-se à vida e será ele quem, como patrão, irá fixar o salário do Sr. doutor ou do Sr. engenheiro. E é um sacana, porque explora e quer ficar rico. Como se fosse censurável quem assume responsabilidades empresariais – pagar salários, fornecedores, tributos, encargos, rendas, dar avais pessoais aos bancos, etc – almejar ter muito mais do que um salário. Para isso, para viver de um salário, tinha estudado para ter um canudo de doutor ou engenheiro e arranjado emprego na empresa doutro Sr. António.

Não é só o quartel de Abrantes

Para além do quartel de Abrantes, muitas outras coisas parecem não mudar. Ainda que a mudança faça sempre parte do discurso. Fica bem e é vanguardista. Pena é que se viva na coutada das petas.

As petas fazem do nosso país um recreio infantil do faz-de-conta, onde os donos da bola mandam a desmandam e deixam a demais canalha brincar até onde lhes convém.

Uma das petas do costume, é a treta da herança situacional: quem chega diz que tudo está muito pior do que se pensava e que são necessárias medidas mais austeras do que se previa. Mesmo quando se assume que não se usará a desculpa da situação herdada. Mas, o “nosso” Primeiro já terá percebido que a credibilidade dos políticos é tão baixa que mentir mais ou menos, nesta altura do campeonato, pouca diferença faz. E a malta até adere a peditórios, sejam voluntários ou à força.

O pior mesmo, é o que fazer a quem perde o emprego e o pão?Façamos mais um peditório.

Não Sabem O Que São Sacrifícios

Desde há trinta e cinco anos que a abundância chegou às nossas casas. Só quem viveu durante anos nos anos anteriores a 1974, pode saber do que estou a falar.
Os ordenados eram baixos, as ferramentas existentes para enfrentar a vida eram escassas, o espírito de sacrifício geral era enorme.
Quem tivesse tido a sorte e o engenho (porque só os melhores de entre os que tinham tido essa hipótese o conseguiam) de chegar a ter um curso superior, atingindo o patamar de ‘licenciado’, sabia que esse era o momento imediatamente anterior ao patamar de ‘estar empregado’. Nos dias de hoje, os dias em que existe uma overdose de qualificações, nos dias em que todos são doutores, essa relação já não existe. Banalizou-se o facto de se ser licenciado, havendo quem possua uma licenciatura mas não tenha as qualificações certas ou mais adequadas ao que o mercado necessita. Há cursos superiores para tudo e mais alguma coisa, mas não há mercado de trabalho correspondente. [Read more…]

Parece que, afinal, não somos dos que trabalhamos menos horas…

… podemos é trabalhar pior, mas isso é outra história.

Vacation Time
Via: Credit Score Blog

Braga e Arsenal: a velha tradição minhota de um filho bater na mãe

A imagem tola do Afonso Henriques a bater na mãe na primeira tarde portuguesa, a da batalha de S. Mamede, não me estraga o título.

Os nossos vermelhos, cor de arsenal, deram duas a seco, como melhor sabem fazer, no final e em contra-ataque.

Vídeos dos Golos? a esta hora com qualquer outra equipa, tipo SLB, SCP ou FCP já havia, disponíveis para aqui partilhar. O Braga vs Arsenal demora mais tempo.

Como o complexo de Édipo faz parte de todos os cursos de jornalismo (cadeira Arranja-me um Emprego) fica este desabafo, desilustrado.

Assim eles arranjaram um emprego:

Qimonda e a Maia

Por vezes alguns analistas políticos não percebem os motivos que levam o eleitorado a castigar de forma exemplar alguns candidatos. Um fenómeno mais estranho, para eles, no caso de eleições locais.

Desculpem chamar para aqui o meu cantinho mas a Maia é disso um exemplo. Em todas as eleições o Partido Socialista ganha, folgadamente, as referidas votações. Todas? Não. Nas eleições autárquicas esse partido costuma, perdoem a expressão, levar um banho de todo o tamanho. Assim foi, uma vez mais, nas últimas. E a verdade é que os mais desatentos ou aqueles que não vivem nem conhecem a Maia, ficam espantados.

Para os restantes, o espantoso é ver os dirigentes locais desse partido, com total desplante, dizer os mais incríveis disparates com o ar mais sério do mundo. Foi o que acabei de ver no Porto Canal. A notícia (que se reproduz no vídeo abaixo) era de hoje. A Câmara da Maia integrou 31 antigos trabalhadores dispensados da Qimonda. Ou seja, durante um ano estes 31 maiatos(as) vão trabalhar em diversos departamentos da autarquia e adquirindo formação e experiência que lhes permita enfrentar o futuro com mais esperança. Uma parceria entre a autarquia, o IEFP da Maia e financiado a 100% por um fundo comunitário – naquela que foi, até hoje, a única candidatura de uma câmara portuguesa ao dito fundo (Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização).

Ora, o Dr. Jorge Catarino, dirigente do PS da Maia, afirmou no Porto Canal, sem se rir, [Read more…]

A salvação está nas PMEs exportadoras…

A EDP, a Galp, a CGD, os bancos, os centros comerciais, a TMN, a Refer, a Rave, as autoestradas, as pontes, o TGV, o aeroporto, as milhentas empresas que absorvem as mais valias do nosso trabalho, que não saem da órbita do Estado com boys e girls, as construtoras que apresentam milhões de lucros todos os meses, todas estas empresas não são chamadas quando toca o sinal de alerta!

São as PMEs que representam 80% do emprego e 70% do PIB que ninguem conhece, que não fazem primeiras páginas, que não vão ao Prós e Contras, essas, são as chamadas. Não pertencem ao PSI 20, nem frequentam os corredores do poder, labutam e operam em mercados altamente concorrênciais, onde ganha quem tem mérito, qualidade e preço competitivo. Estes empresários metem lá o seu dinheiro, muitas vezes garantindo empréstimos bancários com a propriedade da família, arriscando, persistindo…

Mas os melhores CEOs do Mundo estão nas grandes empresas de rendimento garantido, em monopólio ou perto disso, apoiados pelas “golden-shares” do Estado, onde trabalham os filhos e os netos de tudo o que é político ou que já foi, ganhando o que nunca ganhariam se estivessem num mercado livre.

Enquanto os portugueses não perceberem esta ganância, e andarem convencidos que estas empresas que vivem à custa do Estado e em condições particulares de “posição dominante”, são a chave do problema, nunca saíremos desta economia moribunda que não cria riqueza e que arrasta tantos cidadãos para a miséria. Sem aumentar a produtividade nem as contas públicas no “são” nos safam! Sem criar riqueza como pagamos as dívidas?

A prioridade são as empresas exportadoras que tambem substituem importações, que vendem valor acrescentado, que se dedicam a actividades onde o país tem vantagens competitivas. Peter Drucker, o célebre guru da gestão das empresas já cá fez um estudo a dizer tudo isto. Apontou as actividades a apoiar pelo Estado e os “clusteres” a desenvolver.

Mas, ao contrário, nos últimos trinta anos só ouvimos os políticos a defenderem as grandes obras públicas! Porque será?

Não sei onde é que este país vai parar, não

Refastelada num sofá da livraria, com um volume esquecido sobre os joelhos, a senhora gritava ao telemóvel e olhava em volta para assegurar-se de que a olhavam.

“É verdade, parece impossível… Coitadito, acabou o curso mas nada… Ainda o chamaram para um estágio, mas ele não gostou daquilo. Foi à entrevista e quando chegou a casa disse-me logo “Ó mãe, olhe que eu para ali não vou. Eles o que querem é escravos a trabalhar de borla, que trabalhem eles!”… Sabe que também há muito aproveitamento nestas coisas, não é? …  Ninguém valoriza o esforço deles, não, não, nada! Como é que o país há-de andar para a frente, com estas pessoas assim? Este Sócrates… olha, é um melagómano!! E estas coisas emergentes da educação e da saúde, as mais importantes, não é?, ele não lhes passa cartão.”

[Read more…]

Nuvens negras

O desemprego continua a subir na maioria dos países da zona euro, há cada vez menos postos de trabalho a serem criados e a actividade das empresas continua aos solavancos.

A retoma dos países europeus, sobretudo das economias mais frágeis e endividadas, como é o caso de Portugal, Grécia e Espanha, pode ter uma recaída severa caso os cortes nos apoios públicos à economia e ao emprego sejam retirados de forma precipitada, avisa a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Falta o mais dificil, que a economia reaja à retoma o que ainda não se verifica. No entanto, os países mais frágeis estão a ser pressionados pelas empresas de “rating” e pelos mercados e ainda pela Comissão Europeia, para retirarem os apoios públicos.

A saída da crise tem que ser global, países com saldos comerciais elevados como a Alemanha deveriam aumentar a capacidade de procura dos seus cidadãos e, desta forma, abrir mais mercado para os países menos preparados e que dependem em absoluto das exportações.

Portugal é um desses países com baixa produtividade, especializado em actividades pouco diferenciadas que hoje enfrentam a concorrência feroz dos países de baixos custos de mão-de-obra.

Xenofobia / desenvolvimento

Recebi, já por segunda vez, um texto algo xenófobo que passo a comentar como segue:

Deixem-me ver se ( desta vez) me faço entender…

O princípio é sempre: cá se fazem, cá se pagam! Quem se queixa de uma situação, que procure a responsabilidade em primeiro lugar junto de si próprio. O texto abaixo referido pode constituir uma válvula de escape para dar um certo alívio mental aos menos esclarecidos mas não resolve os problemas.

Quem se porta como a União Europeia se tem portado nos últimos 40 anos (subvencionismo, egocentrismo), cria este tipo de atracção fatal sobre outros povos que ficando cada vez mais pobres por causa do comportamento da UE, se abeiram às nossas fronteiras para dar o salto. [Read more…]

Confiança: o outro grande défice nacional

Para além do défice das contas públicas, existe um outro défice desastroso para uma sociedade, que é o défice da confiança. Em Portugal, dos partidos políticos ou das instituições da República não vem qualquer sinal que restaure a confiança que é indespensável a uma sociedade saudável. E as razões são várias, como:

– Não se sabe quanto tempo mais se terá emprego, ou sequer se haverá;

– Não se sabe se as poupanças estão seguras;

– Não se sabe quando se terá uma decisão judicial, e se chegará a tempo;

– Não se sabe com o que se pode contar dos serviços públicos e das forças policiais;

– Não se sabe sabe sequer com o que é que se pode contar das instituições da República;

Face ao nosso endividamento externo, e aos olhos dos nossos credores, a questão muito simples que se coloca é esta: Se nós não confiamos, como podem os de fora confiar neste país?