Salazar nunca morrerá

Acredito, intimamente, que isto de se ser democrata não está inscrito no ADN de nenhum animal e que, portanto, a solidariedade, o respeito pelo outro, a aceitação da opinião contrária faz parte do treino para que o homem seja diferente do resto dos animais. Dentro de cada um de nós, está o lobo do homem que pode chamar-se Salazar ou Hitler, mas que é sempre o mesmo animal.

Ser democrata é, portanto, uma aprendizagem e um homem será tanto mais humano quanto mais democrata conseguir ser. Julgo que não será muito arriscado dizer que foi a Europa que inventou a democracia e que a levou a patamares inimagináveis há menos de cem anos. É a mesma Europa que, comandada pelo instinto ditatorial, castiga jornalistas da TVI por divulgarem uma conversa sinistra entre um empregado português e o seu patrão, conversa essa que deveria ser do domínio público, porque diz respeito ao público.

Em Portugal, os homenzinhos que detêm poder não conseguem chegar a ser lobos, ficando-se pelo pior que há nas raposas, verdadeiros pilha-galinhas da liberdade de expressão, como se pode deduzir das decisões tomadas na RDP porque um cronista resolveu exprimir aquilo que pensa, atitude condenável pelos pequenos salazares que infestam administrações e chefias.

Diga não à ACTA

(Para ligar as legendas inicie em primeiro lugar o filme, a seguir clique no botão ‘CC’ uma vez e, depois do fundo deste botão ficar vermelho, clique outra vez e escolha o idioma na lista que aparece)

A liberdade que desfrutamos na Internet representa uma ameaça muito sensível aos poderes do nosso mundo. É por isso que assistimos todos os dias a tentativas para cercear esta liberdade, para a limitar e estrangular. O Tratado Comercial anti-Contrafacção – ACTA (Anti-Counterfeiting Trade Agreement) – não é mais do que outra destas tentativas. Informe-se neste site.

Internet censurada em Espanha, a partir de Março

Não será bem como sugiro no título, o apagar das liberdades não se faz de um momento para o outro, mas a Lei Sinde que entra em vigor em Espanha em Março, é um passo nessa direcção (pode ler também o apontamento do Público). É também um passo completamente inútil para estancar o download de conteúdos protegidos com direito de cópia.

Poder-se-á, por outro lado, revelar muito mais eficiente para travar e atenuar fenómenos como este:

 
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A OCDE, o acesso à informação e os vídeos privados

Sou apenas um cibernauta de modestas capacidades, procurando extrair benefícios do acesso a informação e conhecimentos, proporcionado por esse imenso – e por enquanto livre! – mundo da Internet. A exemplo do que sucede nas actividades da vida, também, no uso da Internet, procuro agir em estrito respeito pelas normas vigentes.

No passado dia 28 de Novembro, publiquei este ‘post’, ilustrado por vídeo divulgado, então sem reservas de privacidade, no ‘Youtube’. As imagens mostravam o chefe-economista da OCDE, Carlo Padoan, a alertar para a necessidade dos países europeus, mas também dos EUA, preparem medidas sérias para minimizar os efeitos da profunda crise prevista para 2012.

Hoje, da parte de alguém que se auto-intitula de “Lagartices”, recebi o seguinte aviso:

      Só para avisar que o vídeo colocado neste post não pode ser visualizado (This video is private)…

Cumpridor de normas, e para evitar problemas devidos à posterior classificação do vídeo como privado, decidi substituí-lo por um outro da “Euronews”. No fundo, das imagens e do que é relatado, pode ser formulado idêntico juízo: 2012, segundo a OCDE, será um ano de agravadas complexidades económicas e sociais para os Europeus.

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Liberdade de expressão e galopes de estado

Nem imaginam o gozo que me deu isto:

A Procuradoria-Geral da República (PGR) anunciou hoje que não vai abrir qualquer inquérito com base nas declarações feitas por Otelo Saraiva de Carvalho a propósito das manifestações de militares, “a não ser que factos posteriores o justifiquem”. in Público

depois de ter escrito ontem mais ou menos o mesmo: há leis parvas, o artigo 326º do Código Penal, pela sua inutilidade óbvia , ultrapassa todos os limites. A menos que a ideia tenha sido a de muito simplesmente violar a liberdade de expressão (alteração violenta do Estado de Direito pode muito bem ser lido como defender uma revolução, por exemplo), desconfio que foi mesmo.

Ou seja, só pela sua designação, vários partidos políticos portugueses seriam imediatamente extintos, numa golpada semelhante à que tem afastado os independentistas bascos de processos eleitorais, e a ideia era essa, não era?

Não houve foi até hoje condições políticas para a aplicar mas a nossa direita desde que foi vítima de um golpe de estado seguido de um processo revolucionário que não sonha com outra coisa (esquecendo-se de que chegou ao poder através do 28 de maio, uma verdade agora muito inconveniente).

700 manifestantes detidos em Nova Yorque

Antes que venha a conversa do anti-americanismo, venho eu com a conversa dos burros e das palas e, também, com aquela do maior cego ser o que não quer ver. A América (EUA), que andou décadas a celebrar a liberdade de expressão, a “exportar” democracia e a “ensinar” valores ao resto do mundo, parece ter-se esquecido da sua história e da sua Constituição.

Hoje foram detidas 700 pessoas numa das manifestações que, como temos visto, os grandes grupos de media procuram ocultar.

Voltando ao tal anti-americanismo primário de que não padeço: quem ouve os discursos dos líderes americanos (internos e externos) e os compara com as suas práticas (internas e externas) acha que actos e palavras não batem certo. E não batem mesmo.

A partir do minuto 5.17 vê-se como a imprensa é “convidada” abandonar o local.

Como escrever em bom português

Algumas pessoas andam preocupadas e confusas com o Acordo Ortográfico e com o futuro da língua portuguesa, não sabem que consoantes emudecer e deixar cair, se devem usar ou prescindir do hífen, acham complexo  o uso do acento circunflexo, circunspetam-se em função de algum acento grave ou sílaba tónica sem saber se ou o que assinalar, há quem se sinta esdrúxulo perante a utilização do K ou do W, para não referir o Y, etc, etc.

Ninharias, coisas próprias de quem não tem nada importante com que se preocupar, dirá um certo leitor meu, que achou por bem comentar livremente um texto que aqui escrevi. A minha pátria, poderia ter dito o reputado comentador, são as letras que a cada momento me apetecer utilizar (ou será apetesser otelisar?) da forma que entender.

Eis o comentário na íntegra, tal e qual recebi:

derrepente,um atentado;11 de setembro.logo apos,um video (foi eu q fiz isso) na minha engenuidade eu penso;que LOUCO teria coragem de assumir uma desgrassa dessa? teria uma facsão arquitetado minunciosamente um atentado sem saber oque viria depois? quem daria a cara pra bater? pra mim,criarão um Bin Laden. os EUA precisão dar uma resposta. depois de tanto procurar,descobrem q correrão atras de um fantasma. OQUE RESTA? 2 derrotas ou um empate? assumir o fantasma criado pelos astutos inimigos,ou (matalo) e sair como eroi? a TV cria clones atraves de maquiagem a alcaida ñ poderia fazer o mesmo? eles podem ser loucos mas,descordo q sejão burrus! 10 ANOS é muito tempo pra encontrar,ou ñ alguem

Isto, praticado sobre a língua portuguesa, com Bin Laden à mistura, parece puro terrorismo.

Carnaval: Sócrates disfarçou-se de democrata

Cerca de doze elementos da Geração à Rasca interromperam um discurso de José Sócrates, em Viseu, e foram expulsos pela segurança. Compreende-se o risco: podiam exprimir opiniões contrárias à do orador, algo que seria legítimo num regime democrático.

O secretário-geral do PS, imbuído de espírito carnavalesco, conseguiu, no entanto, parecer um democrata, ao fingir aceitar com aparente abertura a intrusão dos jovens. A mordacidade demonstrada por Sócrates é perfeitamente aceitável, face a uma geração de milionários que parece que nunca estão satisfeitos com a verdadeira cornucópia que lhes tem sido proporcionado pela governação socialista.

O chefe do governo considerou a intervenção uma “belíssima partida de Carnaval”, confessando que é “assim que fazemos uns aos outros no Carnaval.” Na verdade, não fico admirado com o jeito que José Sócrates tem para brincar ao Carnaval: afinal, há seis anos que anda disfarçado de Primeiro-Ministro.

Médico, o 1.º blogger condenado em Portugal

Um médico de Avis, segundo o ‘Sol’, foi alvo de uma sentença, por ter publicado um ‘post’ a criticar com dureza o jornalista Fernando Esteves da revista ‘Sábado’. A pena foi de 40.000 euros de indemnização e 133 dias de prisão.

Ainda segundo o ‘Sol’, no respectivo acórdão, a juíza Joana Ferrer Antunes exarou as seguintes considerações:

O arguido, pela sua capacidade, pelo discernimento que tem e em face das circunstâncias concretas da situação, podia e devia ter agido de outro modo, não podendo o tribunal esquecer-se que se trata de um médico. Por isso, não se ter mantido no exercício correcto dos seus direitos merece reprovação e censura da ordem jurídica

O médico em causa, Dr. João Adélio Trocado, referiu-se, de facto, ao jornalista em termos anti-cordiais, no  blogue ‘Médico Explica Medicina’. Todavia, é curioso constatar que “não podendo o tribunal esquecer-se que se trata de um médico…”  significa que o estatuto sócio-profissional, e não apenas o ilícito cometido, foi igualmente determinante para a sentença. [Read more…]

Da censura da Direcção do Jornal de Notícias ao Aventar

O Aventar solicitou ao Jornal de Notícias, a publicação do seguinte anúncio:

O mesmo foi recebido pelos “Serviços de publicidade” e foi pago.

Como o mesmo não viu a luz do dia, foi pedida uma justificação, e a resposta foi a seguinte:

“Um dos meus colegas fez uma tentativa de contacto telefónico para o nº de telef. constante na ficha mas sem sucesso.

O anúncio não foi autorizado a publicar pela nossa Direcção.

Quanto ao valor já foi restituído na 6ª feira passada para o cartão de crédito com que efectuou o pagamento.”

Tudo isto foi já devidamente publicado no Aventar.

Face a tal, e no meio de total estupefacção perante semelhante comunicação – principalmente no que refere à afirmação “O anúncio não foi autorizado a publicar pela nossa Direcção” -, tratou o Aventar de solicitar a mesma publicação no jornal Público, que aceitou.

De reter estas duas afirmações:

“Um dos meus colegas fez uma tentativa de contacto telefónico para o nº de telef. constante na ficha mas sem sucesso.”

– “O anúncio não foi autorizado a publicar pela nossa Direcção”.

Pelos vistos, para o Jornal de Notícias, depois de aceitar um anúncio e receber o preço, dar o dito pelo não dito ao cliente, rompendo com um contrato sem sequer fundamentar, de dizer porquê, só merece o esforço de uma mísera tentativa de contacto telefónico.

Mais ainda: só após interpelação escrita é que o Jornal de Notícias veio comunicar que “O anúncio não foi autorizado a publicar pela nossa Direcção”. Mais nada. Porque razão foi tal decidido pela Direcção do Jornal de Notícias, nem uma palavra.

Aliás, na mesma linha de fazer uma só tentativa de contacto telefónico para contactar o cliente do qual se aceitou um serviço e respectivo dinheiro e depois se mandou à fava.

Devem estar em contenção de custos…

Fora a já referida violação contratual – já de si grave e que dá lugar a inequívoca obrigação de indemnizar a outra parte nos termos do Código Civil -, irei pronunciar-me, sucintamente, à não autorização da Direcção do Jornal de Notícias – que duvido ter-se tratado de uma decisão unânime – em publicar tal anúncio, enquadrando-a, com especial enfoque em sede do Código da Publicidade (aprovado pelo DL 330/90, de 23/10, e actualizado até ao DL 57/2008, de 26/03).

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Liberdade de Expressão e Liberdade de Imprensa

O meu texto ‘A Incomodidade dos Blogues’, aqui publicado no Sábado, e as respectivas consequências convidaram-me para uma reflexão sobre a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa. São conceitos correlacionados, mas definidos em função de domínios e condições distintas.

Com o recurso à teoria dos conjuntos, julgo poder classificar a segunda das liberdades, a de imprensa, como subconjunto da primeira, a de expressão. De facto, esta última, no que respeita à fruição, corresponde ao direito reconhecido a todos os cidadãos de expressar em liberdade ideias, opiniões e pensamentos. A liberdade de imprensa, por sua vez, consiste em fruição de idêntico direito, restringida, porém, aos meios de comunicação social – jornais, publicações regulares temáticas, rádio e televisão que, embora regulados legalmente, actuam livres de censura institucionalizada.

Diversamente das sociedades de comunicação social, os blogues, suportados por tecnologias de telecomunicação via Internet, funcionam livres de condicionamentos legais, excepto no que se refere a ‘segredos do Estado’ e alguns crimes informáticos; ou seja, os blogues estão sobretudo subordinados a normas formais e informais estabelecidas entre os seus membros. Gozam, assim, de pleno direito de liberdade de expressão, beneficiando, ainda, da oportunidade de grande propagação de conteúdos, no tempo e no espaço; acima mesmo do que sucede com alguns órgãos beneficiários da liberdade da imprensa. Esta, de resto, está a ficar mitigada em Portugal, e a tendência é para piorar – a dependência da comunicação social relativamente a grupos económicos, associada à precariedade das condições de trabalho e à fatalidade da submissão de jovens jornalistas a disciplinas autoritárias estão, de facto, a perverter, passo a passo, a liberdade de imprensa.

Dentro da evolução esperada, o futuro dos blogues é, portanto, mais promissor no uso da liberdade de expressão e poderá privilegiar, creio, aqueles que se orientem por princípios de ética, responsabilidade, e tolerância. Os políticos, em particular, estão conscientes da força do fenómeno, e do crescimento potencial.

Por último, a propósito da liberdade de expressão, e de regresso ao ‘Aventar’, não me inibirei de exteriorizar o que sinto e penso, mesmo em desacordo relativamente a opiniões de companheiros desta caminhada; opiniões estas que respeitarei sempre e, quando for o caso, contraditarei no estrito cumprimento de regras da salutar convivência democrática. Estou convicto de não estar isolado na observação destes princípios.

…a religião é o ópio do povo…

É bem sabido que esta frase não é minha. Foi escrita por Marx no seu livro de 1843, para criticar o seu antigo mestre Georg Hegel, que em 1820 tinha escrito o seu texto  Filosofia do Direito, livro que desqualificava ao povo.  Marx tinha sido educado na escola jesuíta de Triers a sua cidade e mais tarde no Ginásio de Triers, onde escrevera O amor de Jesus e a união dos cristãos, na base do Evangelho de São João.~

Marx era luterano e recebeu educação luterana e casou com uma baronesa da Prúsia, católica. Uniram se em matrimónio, e entre a fé de Marx e de Johanna von Westphalen, souberam lutar pela liberdasde de expressão especialmente essa do povo  mal pagão que não  tinha mais valia, era retirada pelos proprietários dos medios de produção nas vendas dos bens fabricado pelo operariado ao cobrar mais pela mercadoria do que pagavam em salários as suas ideias foram mudando e criaram a teoria do materialismo histórico, com base na economia e nas suas ideias de fé.  Nada tinham contra a religião. Até a defendiam por ser parte das formas de pensar do povo, os seus amigos, que mais tarde denominaram o proletariado. [Read more…]

O ser e o parecer da liberdade de expressão

Parece-me incontestável que uns palermas do PS, com a complacência, a anuência, o apoio, do primeiro-ministro urdiram uma teia destinada a eliminar da comunicação social vozes dissonantes dos muitos predicados do chefe do executivo.

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Parece inegável que, além de imprudente, José Sócrates fez uma triste figura ao abordar, num restaurante cheio, responsáveis de uma estação televisiva acerca do “problema Mário Crespo”. Mais uma vez pôs-se a jeito. É repetitiva esta habilidade de se comportar como um elefante numa loja de porcelana.

É indiscutível que o chefe do Governo aldrabou o país no caso PT / TVI. A confusão entre o saber de forma oficiosa ou por via oficial não abonou a favor do primeiro-ministro. O cargo exige que nada do que lhe chegue ao conhecimento seja oficioso. Tudo o que lhe chega ao conhecimento é oficial. Ponto.

Parece-me absurdo que o país grite “censura” no caso da publicação, pelo semanário Sol, das escutas do processo “Face Oculta”, sem conhecer os fundamentos invocados na providência cautelar apresentada pelo agora famoso administrador da PT.

Parece-me absurdo que se fale em censura e “algo nunca visto em Portugal desde o 25 de Abril” quando, em diversos jornais, revistas, estações de rádio e televisão, Manuela Moura Guedes, por exemplo, tenha possibilidade de dizer e repetir que há censura em Portugal.

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Sócrates em 2004 : é um ataque à Liberdade!


Face às pressões do governo de Santana Lopes sobre a TVI para que calasse Marcelo Rebelo de Sousa, Sócrates, então chefe parlamentar do PS, classificou o assunto “como uma nódoa que o (a ele Santana) perseguirá toda a vida, uma nódoa na nossa democracia, um ataque à liberdade de expressão a que todos temos direito ”  e que ” o primeiro ministro não se pode escudar no silêncio, deve explicações ao país…”

(ver vídeo a partir do minuto 3)

O "SOL" (a)brilhará!

Trinta anos depois aí está novamente a censura como forma de esconder a verdade e de negar aos cidadãos o direito à informação. Porque o que está em jogo não é o segredo de justiça, como nos querem fazer crer, mas sim escutas que foram consideradas por dois magistrados de Aveiro ” revelar um crime contra o Estado através do controlo de orgãos de comunicação social”!

Os socialistas, que são useiros e vezeiros em atingir adversários políticos com todo o tipo de mentiras, fazendo publicar em certos jornais difamações e suspeições nunca confirmadas, aparecem agora como virgens ofendidas. O que está em causa são conversas entre o Primeiro ministro José Sócrates e o Sr. Dr. Administrador Rui Pedro Mendes que com 36 anos é administrador de uma das maiores empresas do país, cotada na Bolsa de NY, sem que se saiba que currículo abona a seu favor a não ser o facto de ser amigo do Sr. Sócrates!                                                                                                                                                     O “Sol” disse-o na última sexta-feira e isso fez soar o verdadeiro caracter desta gente ! Liberdade sim, mas há que defender este povo mentalmente fraco de notícias que não compreende. O mesmo argumento de Salazar!

A Liberdade e o "rabinho" entre as pernas…

Vem ao de cima! Mais tarde ou mais cedo vamos saber a verdade, mas é preciso termos em consideração que a verdade não é igual para todos. Para alguns, Sócrates fez o que tinha a fazer, usar o poder e o dinheiro que tem à disposição (embora não seja dele) para calar quem o ataca. Não é obrigação de quem é atacado calar quem o ataca?

Depois há os que consideram que a verdade pode ser prejudicial, não vá ser usada pelos adversários políticos e favorecer fins que os próprios não consideram saudáveis, pese embora prejudicarem a verdade.

E há os que que consideram que a verdade deve ser defendida porque estão convencidos que se nada agora fizerem, na próxima vai ser bem pior e assim a degradação da democracia é cada vez mais acelerada.

Isto é tudo muito conhecido, há dezenas de anos que os argumentos são os mesmos, os aproveitamentos, os “abraços de urso” , a táctica, a estratégia, o ver longe, o ser diferente, o botar figura, e uma e outra vez, sempre que os valores essenciais da democracia estão em perigo há uns meninos muito dotados que metem o rabinho entre as pernas e ninguem os vê!

A posição destes senhores é como o gajo que está em pleno campo de batalha e à ordem de avançar “desloca” um tornozelo e é vê-lo com ar revoltado na cama mais próxima do hospital de campanha.

Mas esteve lá! Para contar como foi!

"Todos pela Liberdade" e Aventar na TSF

“Uma petição online lançada, esta segunda-feira, para pedir explicações ao primeiro ministro sobre alegadas interferências na comunicação social conta já com mais de 600 assinaturas e vai ser entregue na Assembleia da República (AR) quinta feira.

O movimento “Todos pela Liberdade” está a convocar, através do Facebook, uma manifestação para quinta feira frente ao Parlamento, pedindo aos participantes que se vistam de branco.

(…)

«Da esquerda à direita», os promotores do projecto participam em blogues como Delito de Opinião, Esquina do Rio, Aparelho de Estado, 5 Dias, Blog Sábado, A Arte da Fuga, 31 da Armada, Blasfémias, Aventar, Portugal dos Pequeninos, O Insurgente e Cachimbo de Magritte.”

Na TSF.

Blogosfera: Lealdade e liberdade de expressão

A recente debandada em A Regra do Jogo parece ter uma única explicação e é o próprio Carlos Santos que o diz: «os que sairam foram à procura dos espaços onde a lealdade vale mais que a livre expressão».
Ou seja, da forma que o percebo, as recentes críticas de alguns elementos do blogue ao actual Governo e em especial ao primeiro-ministro José Sócrates provocaram dissidências. E aqueles que não se reviam nessas críticas e que pensavam que aquilo iria ser um segundo «simplex» optaram por sair. Em busca, segundo Carlos Santos, de um sítio onde a lealdade (ao líder?) prevaleça relativamente à liberdade de expressão.

Liberdade de expressão é monopólio de alguem?

É preciso saber o que é liberdade de expressão. Claro que é muito importante e faz parte da liberdade de expressão os jornais e outros meios da comunicação social terem liberdade para informar, dar opiniões, revelar casos que são do desconhecimento público. Mas alto lá, não acaba aí a liberdade de expressão.

Tão importante é a liberdade dos cidadãos, onde se enquadra a liberdade de expressão, nem mais nem menos que a dos jornalistas, aos quais não reconheço nenhum privilégio neste campo, bem pelo contrário, se há alguem que tem muitas culpas que a liberdade de expressão seja vista como uma quinta de maledicência são, justamente, os jornalistas.

Tal como Sócrates e o seu governo, o grande mal da comunicação social é  terem um déficite de credibilidade, já todos vimos muita notícia encomendada, muito estrume travestido de jornalismo.Dá impressão que o jornalismo não é criticável porque têm um poder enorme por serem lidos e ouvidos por milhões de pessoas. Isso não lhes dá direitos nenhuns , só deveres, de reserva, de transparência, do contraditório, não acusarem  pessoas que anos depois nunca foram acusadas de nada. A não ser assim metade do país andaria às voltas com a Justiça!

O que me faz ter vómitos quanto à personalidade do primeiro ministro é o mesmo que detecto nos jornalistas, o mesmo desprezo pelo país, pelos cidadãos, pela verdade, a verborreia ao sabor dos acontecimentos, a prepotência…

Mas se tiver que escolher entre um político eleito e um jornalista assalariado escolho o político, a este posso tirá-lo do lugar noutras eleições, posso ir para a rua gritar contra, mas em relação aos jornalistas nada posso fazer, só estar atento para apoiar os poucos jornalistas dignos desse nome!

Liberdade de expressão não é os jornalistas dizerem o que lhes metem nas mãos, andarem a conspirar ao estilo socrático, não fazerem o seu trabalho. Liberdade de expressão é cada um de nós dizer o que bem entende sem difamar, reconhecer o limite onde começa o direito dos outros.

Atiramo-nos a Sócrates porque ele e o seu governo querem limitar a nossa liberdade e apoiamos os jornalistas que querem fazer o mesmo? Os mesmos jornalistas que entregam a carteira no sindicato, vão para assessores de um qualquer governo e a seguir voltam para os jornais, campeões da liberdade de expressão?

Não, obrigado!

Sócrates, a comunicação social e os sapos

Um comentário de uma leitora ao texto que ontem publiquei leva-me à seguinte reflexão:

Não pretendi, nesse texto, apelar à demissão de José Sócrates porque alguém ( Moniz e Moura Guedes ) o tenha feito. Pretendi, isso sim, afirmar que alguém (quem quer que seja) não disposto a conviver com a liberdade de expressão e de imprensa não pode ser primeiro-ministro. No caso de o ser, resta-lhe deixar de sê-lo. Admito que a redacção do artigo se preste a mal-entendidos, especialmente a última frase.

O Correio da Manhã transcreve hoje os despachos do procurador Marques Vidal e do juíz António Costa Gomes, em que o primeiro afirma:

do teor das conversações interceptadas aos alvos Paulo Penedos e Armando Vara resultam fortes indícios da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo para interferência no sector da comunicação social visando o afastamento de jornalistas incómodos e o controlo dos meios de comunicação social, nomeadamente o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes, da TVI, o afastamento do marido desta e o controlo da comunicação do grupo TVI, bem como a aquisição do jornal Público com o mesmo objectivo

e o segundo:

‘Indícios da existência de um plano em que está envolvido o Governo’

Do teor das conversações interceptadas aos alvos Paulo Penedos e Armando Vara resultam indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o senhor primeiro-ministro, visando: [Read more…]

Os custos das contas, o Conselho de Estado e o cantando e rindo

Depois das eleições e das manobras do Orçamento do Estado, começam a aparecer as facturas de sucessivas incompetências e mentiras: a bolsa portuguesa caiu a pique por reacção às contas públicas.

Por cá há quem esqueça que se pode enganar muita gente ao mesmo tempo, mas não se engana toda a gente. E enganar os de fora é mais complicado, e os custos sobem, tal como os juros, e nem os parceiros perdoam.

Por cá temos teatro institucional, representado em nobres palcos, como o do Conselho de Estado. A preocupação da elite da República não está na dívida pública e nos seus asfixiantes custos, nas quedas de encomendas ou nos perigosos sinais de asfixia da liberdade de expressão. Nada disso. É  antes com uma crise de ameaças provocada por quem não parece querer governar aquilo que ajudou a criar.

Podiam, já agora, debater o estado do tempo, que, também, merece cuidados, a pôr o país em alerta.

Certo é que o melodrama vai continuar, por outros palcos, qual trupe itinerante, porque é necessário reforçar o circo quando escasseia o pão. Ainda que se dê ares que dinheiro não é problema.

Um Prenúncio de Morte

Estas eleições (?) no Irão marcam o princípio do fim do actual regime iraniano. Não tendo tido hipótese de perguntar à Maya a data, ao certo, para a queda do dito, terei de me socorrer de casos históricos similares. Porém, como estamos no século da velocidade da luz, quero crer que mais dia menos dia, mais ano menos ano, assim será.

Uma sociedade onde a maioria da população é jovem e, entre estes, grande parte estuda na universidade, tendo acesso à cultura e ao saber, só pode levar a um outro tipo de regime. Mais livre, respeitador dos Direitos do Homem, onde a mulher é vista como igual e a Liberdade de Expressão um dos seus principais pilares. Alguns dirão: “do tipo Ocidental”. Não, não cometam o erro de colar rótulos arcaicos. Quando o actual mundo ocidental mergulhava nas trevas, na chamada Idade Média, os bisavôs destes jovens que hoje se manifestam em Teerão antecipavam o Renascimento.

Por isso, o problema não está em saber se Ahmadinejad ganhou ou não as eleições, se estas foram livres ou uma valente fraude ou não estivesse o Diabo nos detalhes. A única dúvida é saber se é já amanhã ou apenas depois de amanhã que a onda verde iraniana, encabeçada pelos jovens universitários e pelas mulheres iranianas, se transforma em tsunami e varre de vez a actual república islâmica.

Terminaram as férias…