Olhar para cima

 Existe, na língua inglesa, a expressão “look up to”, que significa considerar algo ou alguém com admiração, respeito e estima. Ter como norte aqueles que nos fazem querer ser melhores do que somos, superar as misérias, e transcender as limitações. Mas é certo que nem todos sentem necessidade de procurar faróis, por mais espessa que seja a neblina. Há quem consiga navegar sem nunca hesitar no trajecto a seguir, e sem necessitar de mapa ou guia. Não é o meu caso.

 

Eu sou uma dessas pessoas para quem a busca de guias não cessa nunca, mas que, como tantas vezes acontece a quem pede de mais, foi fazendo tombar, um por um, todos os mestres, às vezes por razões impossíveis de ignorar, outras porque a quem muito se quer muito se pede, e nem sempre o sujeito das nossas afeições está disposto a retribuir, e muitas vezes apenas por uma exigência furiosa, com muito de capricho infantil. 

 

Fossem as figuras lendárias a quem já não tive a sorte de conhecer ou os mais prosaicos, porque mais acessíveis, com quem pude cruzar-me, procurei desde a infância ir construindo o meu panteão profano, procurando nuns a força, noutros a arte, noutros a bondade, quando não a soma de todos estes atributos. 

Como por vezes acontece nos anos pouco dados à reflexão sobre si mesmo e à capacidade de não se levar demasiado a sério que correspondem à adolescência e aos primeiros anos da juventude, fui a mais moralista e exigente das discípulas. Fui apontando pés de barro a todos os que alcei ao pedestal e nem por um segundo pensei que a responsabilidade do discípulo não é menor do que a do mestre.  

 

Por cada palavra não medida, por cada acto conduzido pela vaidade ou pelo interesse calculista que lhes reconheci encolheu-se-me um pouco mais o coração e apressei-me a renegar a sua influência e muitas vezes até os seus ensinamentos. Não lamento a queda desses ídolos domésticos mas reconheço que o tempo vai ensinando a olhar com respeito e humildade as pequenas fraquezas alheias, ainda que provenham daqueles de quem não as esperaríamos.

 

E, afinal, dou-me conta agora que reencontrei um desses antigos mestres, bastaram uns poucos anos de frustrações e alegrias, e de tudo o que ambas costumam trazer, para que eu pudesse olhá-los a uma nova luz. E para que os antigos mestres, agora já redimensionados à escala humana, ressurgissem com novos ensinamentos e até, quem diria, capazes de comover com as suas debilidades. 

 

Novos governadores Civis – Ainda existem?

Há um Serrasqueiro como Secretário de Estado e uma governadora Civil tambem Serrasqueiro, ambos de Castelo Branco.

 

A Sónia Sanfona perdeu as eleições em Almeirim e foi enganada nas listas para deputada. É a nova Governadora Civil de Santarém.

 

No 5 dias e no 31 da Armada há mais.

graçola de oportunidade

A Next Power, agência de Rodrigo Moita de Deus, parece que vai trabalhar para o PSD.

Podem via a ser hasteadas bandeiras laranja nos principais mastros nacionais.

O Público e os links

O Público foi o primeiro jornal português a entender uma coisa óbvia: se os blogues linkavam para o Público iriam fazê-lo com muito mais vontade se recebessem uma ligação em troca, e ainda ganha o leitor de ambos, já que dispõe de um lado de um comentário à notícia e do outro de caminho directo para a notícia que está a ser comentada.

Utilizando o Twingly rapidamente se destacou dos seus concorrentes. Outros como o Maisfutebol e o Ionline seguiram-lhe o exemplo. Este gráfico publicado pelo António Granado mostrava o impacto da troca de hiperligações entre o Público Online e os blogues.

 

Sucede que desde a remodelação do Público Online o sistema de trocas deixou de funcionar. Embora lá esteja a indicação de que funciona, é fácil de ver que tal só acontece muito de vez em quando, tudo leva a crer que por via de uma dificuldade técnica, que se arrasta desde início de Outubro.

Agora gostava de ver os gráficos correspondentes para este final de 2009. Aceitam-se apostas para uma subida do Ionline para onde se vão mudando as ligações perdidas pelo Público.

 

 

A avaliação dos professores: Tudo bem explicadinho

Há uns anos atrás um tal de Lemos veio dizer que os professores eram uns incompetentes que todos os anos davam milhares de faltas.

Para alguém que se diz perdeu o mandato por faltas é uma frase completamente errada para estabelecer a comunicação com alguém.

Esse erro não está a ser cometido pela actual equipa e por isso parece que estamos numa nova era.

O ponto de situação:

– ME sempre disse que a avaliação começava com a entrega de objectivos;

– Nós, professores, sempre dissemos que não – só a auto-avaliação iniciava o processo.

Com esta divergência tinhamos uma consequência:

–  Maria de Lurdes e seus amiguinhos nas Direcções das escolas afirmavam que sem objectivos não haverá avaliação. Com esta afirmação muitos tiveram medo e foram a correr entregar os objectivos.

– Um erro, dizem os professores sem medo – só na auto-avaliação…

 

Com esta trapalhada temos cerca de 48 mil professores avaliados (números do Primeiro-Ministro). Os outros 102 mil não entregaram objectivos, logo não seriam avaliados…

 

Mas, pensando no que ia acontecer no parlamento, eis que a Srª Ministra envia (4ª feira) uma nota para as escolas:

– vamos concluir o 1º ciclo de avaliação (2007/08 e 2008/09) e TODOS, tenham entregue ou não objectivos. Exactamente o contrário do que tinha sido assumido pela equipa anterior.

– parar o arranque para o 2ºciclo de avaliação (2009/10 e 2010/11).

 

Ora, no Parlamento uns queriam suspenser outros nem por isso… na prática o que realmente aconteceu foi a suspensão.

E eu, como mais de 100 mil, que nada fizemos fomos avaliados com BOM! Foi este o milagre avaliativo do Governo Alberto… Desculpem, do governo Sócrates.

Orçamento rectificativo – até ontem as contas estavam equilibradas

Como toda a gente dizia menos, claro está, o governo e o seu ministro das finanças, o déficit orçamental será de 8% e não de 5,9%.

 

Isto é igual a 4.9 mil milhões que o governo apresentou, como necessários, para equilibrar as contas que, claro está, estavam equilibradas até ontem.

 

Entretanto, a UE diz que o oásis Socrático, vai estar 8 anos sem crescer, isto é, a afastar-se da UE , isto é, a empobrecer, o que quer dizer que a criação de emprego será residual, o que quer dizer que há pessoas com quarenta anos que não mais terão um emprego. O que quer dizer que Sócrates não faz ideia nenhuma do que anda a fazer.

 

Porque reparem bem, este senhor diz que os megainvestimentos públicos, vão criar emprego e riqueza, quando toda a gente diz exactamente o contrário. Vamos ficar mais endividados e mais pobres.

 

Até ontem as contas estavam equilibradas. Para se perceber o mentirosos que estes senhores são, é necessário um "rectificativo" que segundo eles não é "rectificativo" mas sim "modificado"?

 

Governar, para estes senhores, é esconder a realidade, esticar o máximo possível as expectativas, levar a que  a realidade se incuta, insidiosamente, no espírito das pessoas, como se tivesse que ser assim e não de outra maneira. Depois a crise internacional faz o resto, tem a culpa toda.

 

E claro, as campanhas negras vão levando o país para o lamaçal…

 

 

Cabeça de abóbora no Índico

  

Um crânio qualquer que dá pelo nome de António Oliveira, grasnou umas parvoíces a respeito da possível estadia da selecção portuguesa em Moçambique. Ora leiam:

 

"António Oliveira disse também que o Estádio Nacional de Moçambique não estará pronto até ao mundial e que o país não tem um campo de futebol em condições, sendo que o melhor, o da Machava, é de piso sintético. 

“Vir para cá a selecção é misturar política com desporto. E se a selecção vier para aqui os portugueses vão andar todos atrás. O Brasil podia vir mas com Portugal a relação é diferente, ainda há complexos de colonizador e colonizado, enquanto que os sul-africanos receberiam melhor a selecção, sem essa carga emocional”, disse à Lusa."

 

Este improvável presidente da Associação Portuguesa em Maputo, esquece-se do que aconteceu nas últimas competições internacionais em que Portugal participou. Sempre que a selecção vencia, a população invadia as antigas avenidas D. Luís I e da República, manifestando a alegria pela vitória "dos seus". Não querer reconhecer esta evidência, além de uma estupidez, é uma torpeza. Tudo deve ser aproveitado para o estreitamento de relações com os PALOP e anote-se também o facto, de o sr. Oliveira parecer esquecer-se do grau de segurança que se vive em Maputo, incomparavelmente superior ao de qualquer cidade sul-africana.

 

Mais um "Grande líder" da Segunda Geração de Setenta, de certeza absoluta!

 

Avalição suspensa

O Parlamento resolveu um problema!

Agora venha a negociação!

Uma contratação indesejada

 

Figo vai processar o Correio da Manhã porque não gostou da capa de hoje.

 

Segundo este jornal e baseado em escutas à dupla de atacantes Sócrates / Vara o apoio de Luís Figo a José Sócrates nas últimas legislativas terá custado 75 mil euros,

 

Ao que parece Figo não gostou da convocatória para o jogo Sport Face – F.C Oculta, principalmente por ser chamado a jogar pelo Face quando esperava ter sido contratado pelo clube da Oculta.

 

 

 

 

A máquina do tempo: breve nota sobre a poesia galego-portuguesa

Martim Codax foi um jogral galego, pensa-se que oriundo de Vigo, dadas as suas frequentes referências àquela cidade. Sabe-se ter vivido entre meados do século XIII e princípios do XIV. Dele, ouvimos «Ondas do mar de Vigo», composição ainda dentro dos cânones da poesia galego-portuguesa. Porém, há um momento ou, talvez melhor, um período que estabelece uma fronteira entre um idioma único, falado e escrito em Portugal e na Galiza, e o início de uma deriva em que a Galiza começava a sentir os efeitos da aculturação castelhana e, ao invés, em Portugal, dois séculos decorridos sobre a criação do País, se começava a fixar uma língua autónoma.

Segundo Giuseppe Tavani (1924), professor catedrático da Universidade de Roma «La Sapienza», grande especialista em filologia românica, particularmente nas áreas linguísticas do provençal, do catalão e do galego-português, essa fronteira situa-se algures entre o século XIII e finais do século XIV, inícios do XV. Numa Galiza que não obteve a independência, ficando ligada à coroa de Leão e Castela, a lírica galego-portuguesa começou a dar lugar a uma poesia galego-castelhana.

Assim na Galiza, ainda de acordo com Tavani, a linha de demarcação entre a poesia galego-portuguesa e a posterior, traça-se habitualmente, já no século em fins do século XIV, inícios do XV, com um cancioneiro específico compilado por Juan Alfonso de Baena, que passou a constituir o corpus da poesia galego-castelhana. O conteúdo do códice do século XIII do cancioneiro da Biblioteca da Ajuda e dos dois apógrafos italianos (cancioneiros da Vaticana e Colocci-Brancuti) é atribuído à poesia galego-portuguesa. Estes monumentos históricos e literários são os marcos que estabelecem a tal raia entre duas maneiras de falar e de escrever o mesmo idioma. Mas, como sempre ocorre nas regiões fronteiriças, há zonas de imprecisão em que as duas tradições dialectais se confundem.

 

Em Portugal, o rei D. Dinis (1261-1325), embora seguindo a matriz provençal, censurara o excessivo convencionalismo desses trovadores que privilegiavam o uso de lugares-comuns e frases feitas em detrimento da expressão de sentimentos genuínos como a amizade e o amor. Com a demarcação da poesia trovadoresca, com a fixação a Sul do rio Minho de um idioma que ia encontrando escritores que dele se serviam e o ajudavam a ganhar raízes e forma autónoma – D. Dinis, Fernão Lopes, Gil Vicente, Sá de Miranda, Camões, enquanto que a Norte o idioma de partida se ia eivando de castelhanismos, com a fonética a ganhar sonoridades distintas, a separação ia-se acentuando ao ponto de, no século XIX, depararmos com um galego onde os neologismos eram empréstimos do castelhano e o galego começava a transformar-se naquilo que Madrid afirmava ele ser – um dialecto do castelhano.

Um galego-português, cada vez mais diferente do nosso, ainda que a língua falada nas aldeias galegas fosse muito semelhante ao português usado no Norte. O Rexurdimento lançado por Rosalía de Castro, Manuel Murguía, Eduardo Pondal, Manuel Curros Enríquez e outros, reatou o movimento de reaproximação e permitiu ir expurgando o galego dos castelhanismos mais gritantes (alguns dos quais ainda surgem em poetas do século XIX e XX).

Apesar dos muitos escritores galegos que optaram decididamente pelo castelhano (por ser língua mais universal) – Gonzalo Torrente Ballester e Camilo José Cela, entre muitos outros, penso que, hoje em dia, é perfeitamente legítimo falarmos de novo em idioma comum, o galego-português, designação de Carolina Michaëlis que encerra o conceito ainda hoje prevalecente – o galego não é um dialecto do português, como em tempos se disse, nem o português é um dialecto do galego, como alguns radicais galeguistas hoje afirmam.

O galego-português é um idioma que, devido a circunstâncias históricas, se cindiu em duas formas dialectais. A partir do século XIX, com o Rexurdimento, o idioma começou a recuperar na Galiza o seu estatuto de língua literária, reintegrando-se na sua matriz original. Havemos de voltar a este tema para falarmos sobre a prosa galego-portuguesa, da Idade Média aos nossos dias.

Entretanto, ouçamos agora os Segréis de D. Dinis em «Pois vos Deus», composição do rei português.

 

 

Afeganistão – Karzai realiza reformas?

A definição de loucura é fazer a mesma coisa, uma e

outra vez, e ficar à espera de um resultado diferente”

Einstein

 

“Não me façam rir”, foi o primeiro pensamento que me passou pela cabeça quando li esta manhã a notícia online “Visita relámpago em Afeghanistão: Westerwelle (o novo ministro dos Negócios Estrangeiros alemão) impele Karzai a realizar reformas”.

 

Foi mais uma daquelas notícias tão bombásticas como banais e ocas sobre mais uma das inúmeras tentativas inúteis de alterar coisas que assim não podem ser alteradas. E coloca-se a questão: quem afinal somo nós, o 1º mundo e membros do sistema de liderança da pax americana –  „God’s own Country“ and his partners in misleadership – (ainda) em exercício, para indicar àqueles países o caminho certo? Más que reformas, as mesmas que as nossas que ou surtem efeitos contrários ou ficam em águas de bacalhau? Quem somos precisamente nós, que segundo a nossa própria convicação não somos corruptos como o 3º mundo mas em realidade nos encontramos no centro da corrupção sem contudo nos darmos conta?

 

 

É chocante mas a verdade é esta: devido ao nosso comportamento sócio-económico de há décadas que nos faz agarrar com todos as forças nas coisas do passado, em realidade nos encontramos mesmo no centro do furacão onde reina a calma – a tempestade apanham os outros.

 

O quê, precisamente nós, os éticos, honestos e civilizados alemães e os nossos demais parceiros europeus e transatlânticos do 1º mundo, que como é sabido só queremos o melhor para o 3º mundo, padrinhos da corrupção? Não se trata de uma afirmação absurda e impertinente? Bom, para a grande maioria é, mas graças a Deus ainda existe a minoria daqueles que conta e que não se deixando confundir tem sempre presente a tal citação do Prof. Dietrich Dörner: “QUERENDO O BOM, CRIAM O CAOS”.

 

Se, portanto, quisermos convencer o Afeghanistão e a um crescente número de países que actualmente se encontram a caminho de “failed states” das vantagens de um sistema aberto, se quisermos dar exemplo, então primeiro teremos terminar a nossa própria marcha para um sistema fechado. É isso o que realmente importa resolver primeiro. Se isto for feito, todos os inúmeros problemas que afligem o mundo – economia, clima, fome, guerras, saúde, etc. – serão resolvidos mais facilmente. (O clima mudará de qualquer forma, com ou sem os nossos esforços para reduzirmos seja o que for. Todas aquelas vistosas cimeiras apenas desviam a atenção do essencial).

 

Todavia, em primeiríssimo lugar teremos que ficar conscientes do porque da nossa actual situação e das consequências dos nossos actos. Como já dizia Goethe?  "O mais dífícil de tudo é sempre o que parece mais fácil, ver o que está diante dos olhos". De facto, enquanto somos incapazes de “ ver o que está diante dos olhos" a crescente pressão de sofrimento que nos espera será de grande ajuda. E o aumento do mesmo encontra-se invariavelmente pré-programado.

 

Oxalá que consigamos dar a volta às coisas em breve. Caso contrário nos espera uma “Afeghanização”, ou seja, situações violentas parecendo em comparação as descritas pela “Brasilianização” do Prof. Ulrich Beck um tremor de baixa intensidade. Impossível de acontecer nas nossas bandas? Isto, porventura, os povos da ex-Iugoslavia, que vivem todos em plena Europa, também teriam pensado quando de repente nos anos 90 lá eclodiu a guerra civil e a barbárie.

 

O calendário

 

Há uns anos, quando adolescente, entrar numa oficina de automóveis era um pouco como aceder a uma ala do paraíso. Não por causa das ferramentas, dos mecânicos com óleo nas mãos, do ronco dos motores ou sequer de alguns belos exemplares da criatividade da indústria automóvel. Eram os calendários.

 

Não havia oficina que não os tivesse. Os calendários. Fossem feitos de várias folhas e fotografias ou apenas de uma folha base com pequenas folhinhas onde surgiam os dias da semana e de cada um dos meses, eles estavam lá. Com a sua principal característica, as raparigas nuas. Em meio corpo ou corpo inteiro.

 

Eram calendários que surgiam sempre ligados à indústria automóvel. Fornecedores de peças, sobretudo. Muitos apareciam nas cabinas dos camionistas que circulam por essas estradas fora.

 

O mais famoso, o mais cobiçado, era o da Pirelli. Não era um simples calendário. Bom, ali, na oficina automóvel, parecia um simples calendário. Mas não era e continua a não ser. Era – e deve continuar a ser – uma obra de arte.

 

Este ano, a marca escolheu o excêntrico fotógrafo americano Terry Richardson, que foi ao Brasil fazer as imagens de cerca de duas dezenas de modelos.

Terry é o sucessor de fotógrafos como Robert Freeman, Brian Duffy e Harry Peccinotti, entre outros. Quis imagens simples, sem retoques. O mais natural possível. Ainda bem.

Todos os anos, a construtora de pneus investe uma pequena fortuna a produzir um dos seus ícones. Deve dar resultado. Convenhamos que ano sem calendário da Pirelli não seria a mesma coisa.

Roubo de viaturas nos portos nacionais!

 

É esta, a Toyota Dyna roubada no passado Sábado

 

 

Na madrugada do passado Sábado, 14 de Novembro, foi roubado à porta de casa, em pleno centro de Lisboa, o camião Toyota Dyna pertencente a um amigo. Dependendo totalmente do veículo para o seu trabalho, participou imediatamente à P.S.P.

 

Esta noite, no decurso de um jantar com um grupo de amigos, um deles informou-me acerca das estranhas ocorrências que desde há alguns anos se verificam nos portos nacionais. Existe uma máfia bastante organizada que se dedica ao roubo e exportação de viaturas com destino a países como Angola, Guiné e Cabo-Verde. O procedimento parece ser  rotineiro. O veículo é roubado, desaparece durante semanas ou meses, para depois de modificada a pintura e alguns aspectos da sua estrutura – lonas retiradas ou mudadas, por exemplo – ser vendido para os citados países, com papéis "novos", motores trocados, etc. 

 

 

Liguei de imediato ao António e fomos dar uma vista de olhos no Terminal do Poço do Bispo. O espectáculo é inacreditável e tendo falado com funcionários da zona, obtivemos a confirmação das suspeitas que se tornaram numa certeza. Os camiões de caixa aberta ou fechada são às dúzias, muitas vezes empilhados sobre outros grandes trailers! Com rodas ou sem rodas, foi-nos dito que muitos embarcam sem motores – que seguem em contentores -, irreconhecíveis. Aliás, deparámos com camionetas com cerca de dez ou quinze anos, pintadas de fresco, rejuvenescidas e prontas para partir para outras longínquas paragens. Os esquemas são complexos e a azáfama nos dias que antecedem a partida do barco, torna-se frenética. Viaturas onde à vista de todos são montadas as baterias que lhes permitem uma deslocação mínima em direcção ao local de carga, com "equipas de trabalho" que se aprestam às derradeiras formalidades. Fala-se de notas de encomenda que chegam do além-mar, adequando a oferta à procura. Tudo isto às claras, sem um mínimo controlo que iniba o crime?

 

Não posso acreditar na facilidade de todos estes episódios degradantes, se não existir uma clara conivência de gente colocada nos lugares exactos, ou pelo menos, de uma total inoperância ou desinteresse para com este autêntico escândalo de roubo descarado. Em que país se tornou Portugal nos últimos anos? Como é possível existirem tantos, tão prolongados e fortes rumores, sem que se tomem apertadas medidas de controlo da situação? Raspagem de números de série ou motores que não correspondem ao veículo, não são, pela sua frequência, aspectos dignos de desconfiança? As queixas empilham-se nas esquadras e não existe uma suspeita acerca do inusitado número de camiões que são exportados, correspondendo em grande medida às viaturas desaparecidas? A quem aproveita este esbulho?

 

Há uns anos, falava-se abertamente de viaturas de alta cilindrada que eram roubadas nas ruas portuguesas e que depois seguiam em direcção à Europa de Leste. Hoje, o móbil parece ser outro, o dos comerciais usados. O que sabem as Administrações dos portos de Lisboa, Setúbal ou Leixões acerca destes bastante credíveis rumores? Quem poderá mandatar as polícias para colocar um ponto final neste autêntico e vergonhoso tráfico de propriedade roubada aos portugueses? Onde param as atribuições do Ministério da Administração Interna e da Polícia Marítima? Como é possível permanecer de olhos fechados para uma realidade que todos aqueles que trabalham com transportes conhecem e contra a qual nada podem fazer?

 

O descaramento é total, os "agentes de exportação" repetem rotineiramente as remessas e os estranhos procedimentos passam impunes. Até quando? Até onde cairá a reputação da autoridade do Estado e dos agentes da ordem pública? Este país está a saque.

 

Isto é uma vergonha!

 

 

 

And the stars are black and cold

O problema deve ser meu, pensei. Meu e dos três colegas que concordavam comigo. A coisa passou-se mais ou menos desta maneira: a minha professora de Sociologia resolveu dizer que os portugueses tinham uma tendência para a corrupção e para a desonestidade, dando o clássico exemplo do tipo que tira tudo o que seja canetas, marcadores, papel e restante material do trabalho para levar para casa para os putos. Logo uma horda de colegas disseram que não fazia mal nenhum, porque não prejudicava ninguém. Devem pensar os marcadores crescem nas árvores, pensei eu. A seguir deu-se o exemplo dos jornais. A minha professora mencionou que em alguns países, os jornais estão colocados na rua e as pessoas colocam a moeda e retiram o jornal. Lembro-me de ter visto esta situação em Londres várias vezes, e várias vezes me interroguei porque razão não havia ninguém que tirava o jornal e ia-se embora, sem pagar. Logo uma colega minha disse que também não percebia o que é que prejudicava tirar um jornal sem pagar. Penso, mas não tenho a certeza, que foi por essa altura que levei as mãos à cara e gemi. Depois deu-se o exemplo dos bilhetes de comboio. São poucos os que pagam porque “acham que é muito caro”, e eu respondi que depois se fossem apanhados pagavam os 70 euros de multa que era uma maravilha. Percebi então que a maior parte só não anda de comboio sem pagar por medo da multa. Ai, digo qualquer coisa como: “então é assim, fazemos as coisas bem feitas, não porque é o que deve ser feito, mas por medo da punição?”. Ninguém disse nada excepto a professora que deve ter dito qualquer coisa como “mas é evidente”.

Naquela aula percebi várias coisas, infelizmente, mas percebi uma acima de tudo: isto não está a melhorar. Dos que concordavam comigo, não chegavam a 6 e bolas, somos 25 embora alguns não tivessem ido. Eu, já exasperada, (e a professora que não estava tão chocada como eu porque, suspeito, deve estar habituada a estas tiradas) tentei explicar que se toda a gente pensasse como eles e não pagassem o bilhete de comboio, deixava de haver comboio, que se não pagassem os jornais e, basicamente, os roubassem, deixava de haver jornais, e em última análise, porque era para ai que a conversa estava a ir, se não pagassem impostos não havia Estado. Mas não. Poucos foram os que perceberam e saíram dali a continuar a achar bem que não se pague o bilhete de comboio, que a “pessoa deve ser honesta mas não pode ser parva” (juro que houve uma colega que disse isto), e que o que interessa é que cada um se vá safando à sua maneira.

Da aula saí, triste e incrédula, pronta para ir para o Cambridge, a pensar que se isto continuar assim que não fica cá de certeza, sou eu.

O Tratado de Lisboa contribuirá para que os europeus se sintam mais europeus?

TEXTO DE JOÃO MACHADO

 

Triste de quem vive em casa

Contente com o seu lar,

Sem que um sonho, no erguer de asa,

Faça até mais rubra a brasa

Da lareira a abandonar!

 

Fernando Pessoa, O Quinto Império

 

O Tratado de Lisboa (Tratado), oito anos depois da cimeira de Laeken, repletos de negociações e de episódios variados, foi finalmente ratificado pelos 27 países que actualmente integram a União Europeia (UE), após a assinatura de Vaclav Haus, Presidente da República Checa, a 3 do mês de Novembro corrente, prevendo-se a sua entrada em vigor no dia 1 de Dezembro próximo. No prefácio, assinado pelo ministro Luís Amado, da versão consolidada que o Ministério dos Negócios Estrangeiros colocou na internet, o Tratado é considerado como um dos principais sucessos da presidência portuguesa da UE, e que esta agora se pode voltar para assuntos que tanto preocupam os cidadãos, mencionando-se as alterações climáticas, a energia, o terrorismo, a estabilidade financeira dos mercados, que serão alguns entre outros. Os assuntos referidos são importantes, sem dúvida. Mas entretanto The Economist, num editorial intitulado Wake up Europe!, tinha classificado o Tratado como “regularmente inútil” e uma “remodelação deliberadamente obscura da proposta de Tratado Constitucional rejeitada pelos eleitores franceses e holandeses em 2005”.

 

Em 13 de Dezembro de 2007, sob a presidência portuguesa do Conselho Europeu, os 27 países membros assinaram o Tratado de Lisboa, também intitulado por Tratado Reformador. Na realidade, este resulta de adaptações e actualizações aos Tratados de Roma, de 1957, e de Maastricht, de 1992, que passaram a funcionar, respectivamente, como o Tratado sobre o funcionamento da União Europeia, e o Tratado da União Europeia. O Tratado de Lisboa inclui portanto dois tratados, com alterações introduzidas durante a presidência alemã do Conselho Europeu, com numerosos protocolos e declarações anexados. A Carta dos Direitos Fundamentais da União (CDFU), aprovada em 2000, não foi incluída no Tratado de Lisboa, ao contrário do que acontecia com a preterida proposta de Tratado Constitucional. O artigo 6º do Tratado da União Europeia reconhece à Carta o mesmo valor jurídico que um Tratado, mas dispõe que de forma alguma o que vem na Carta alarga as competências da União, tal como vêm definidas nos tratados. O mesmo artigo estipula a adesão da UE à Convenção Europeia para a Protecção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais, mas igualmente sem alterar as competências da União, tal como definidas nos Tratados. Após a assinatura em Lisboa, nos Jerónimos, pelos Chefes de Governo, passou-se à fase de ratificação em cada um dos 27 membros da EU, pelos respectivos órgãos nacionais, nos termos das respectivas legislações nacionais.

Vários países obtiveram derrogações à CDFU. O último caso foi precisamente o da República Checa, cujo presidente, Vaclav Haus, pôs muitas reticências à ratificação, invocando a necessidade de prevenir uma hipotética reclamação dos alemães expulsos dos Sudetas após a Segunda Guerra Mundial. Na realidade Vaclav Haus, que alguns dizem dar-se bem com o primeiro-ministro russo Vladimir Putin, pertence a uma corrente eurocéptica, que fez questão de prolongar a resistência à ratificação do Tratado de Lisboa, supostamente com a esperança de os conservadores chegarem ao poder no Reino Unido, e promoverem o referendo ao Tratado de Lisboa que têm vindo a prometer aos eleitores ingleses. Entretanto, a ratificação pela República Checa pode ter tido um efeito calmante sobre os conservadores ingleses, que parecem ter posto de parte, pelo menos de momento, a ideia do referendo, com receio de que o Reino Unido fique numa posição de isolamento, em relação aos restantes membros da UE.

Tanto o Reino Unido como a Polónia foram abrangidos por um protocolo, já incluído no Tratado de Lisboa, que, em especial, obsta a que as disposições incluídas no Título IV da CDFU (Solidariedade) criem direitos susceptíveis de serem invocados perante os tribunais e que se apliquem à Polónia e ao Reino Unido, excepto na medida em que estes países tenham previsto tais direitos nas respectivas legislações nacionais. Em relação a estes dois países membros o mesmo protocolo também inclui limitações mais genéricas relativas a incompatibilidades entre as legislações nacionais e o estipulado na CDFU, impedindo que, em geral, as disposições desta se sobreponham às legislações daqueles dois países. No Reino Unido invocam-se sobretudo as disposições em matéria de legislação social e do emprego, para recusar a CFDU. Na Polónia, para além desses capítulos, consideram-se também aspectos de costumes, direito da família e da pessoa e outros, referidos nas Declarações n.os 61 e 62, anexas ao Tratado de Lisboa, nas quais é clara a grande influência da igreja católica no país. Também as negociações desenvolvidas entre a UE e a Irlanda, entre o primeiro e o segundo referendo, parecem ter tido em conta influências semelhantes.

Na realidade, o Tratado de Lisboa e as negociações que levaram à sua ratificação não parecem ter constituído uma etapa decisiva da unificação europeia. Aspectos fundamentais ficaram de fora. Não são abordados nas declarações e conversações que transparecem para o público em geral. Esses aspectos são vários. Enumeramos a seguir alguns: Porque é que o Parlamento Europeu continua sem o poder de iniciativa legislativa? Porque não há um alinhamento das políticas fiscais dos 27? E quanto às políticas sociais e de educação, tão diferentes de país para país? Porque é que na CFDU não se assegura inequivocamente o direito a ter um trabalho remunerado, ou a frequentar o ensino obrigatório gratuito, quando se é criança ou jovem? Qual será o papel dos serviços públicos, aos quais praticamente não se faz menção no texto dos dois tratados (fala-se de serviços de interesse geral)? Outros aspectos há, extremamente importantes como os agora referidos, que será necessário incluir em tratados futuros.

 

Constata-se que as discussões e as preocupações dos políticos de topo da EU são domina
da
s por dois temas: o primeiro, relativo a quem vai preencher os lugares de presidente do Conselho Europeu e de alto representante da União para os negócios estrangeiros e a política de segurança, o segundo (a uma certa distância do primeiro), o do alargamento seguinte da UE a outros países, (os próximos deverão ser a Croácia e a Macedónia), para além das discussões à volta da admissão (ou não) da Turquia. Estes dois temas são sem dúvida importantes. Contudo não é com certeza por causa deles que os eleitores votaram negativamente nalguns referendos realizados para ratificar o Tratado (quer o de Lisboa, quer a proposta de Tratado Constitucional), ou que os governos de alguns dos 27 membros da UE (entre eles Portugal), apesar dos compromissos assumidos, resolveram prescindir do referendo, inseguros sobre qual seria o resultado, e promoveram a ratificação do Tratado de Lisboa por outras instâncias, porventura mais acomodatícias.

 

O futuro da Europa tem de ser decidido pelos europeus, se se quer que a Europa tenha uma identidade própria e mantenha um lugar ímpar no mundo (mas de um modo diferente dos últimos séculos). Para que os europeus se possam realmente sentir europeus, têm de conhecer melhor os organismos que os governam e reforçar a participação dos cidadãos na escolha dos responsáveis desses mesmos organismos, e na formulação das normas que a estes presidem. E garantir que trabalharão para defender os direitos fundamentais tantas vezes apregoados e melhorar o seu próprio bem-estar, e o dos povos das outras nações.

 

 

 

Um advogado bem escolhido

O sucateiro biGodinho contratou o advogado Rodrigo Santiago. Fez bem, é um dos melhores advogados portugueses e já começou a mostrar serviço ao afirmar hoje que o seu cliente "é apenas a ponta de um iceberg" de um complexo processo que pode "envolver figuras da hierarquia do Estado".

Se eu fosso muito ingénuo diria que esta frase tem todo o sentido vinda de quem nas últimas eleições autárquicas foi candidato à Assembleia Municipal de Coimbra e prometeu ser “implacável relativamente a quaisquer formas de corrupção, compadrio ou tráfico de influências”.

 

Como não sou tão tótó como isso, sempre tenho em conta que se trata também do defensor de J. Eduardo Simões, presidente da Académica OAF e ex-director do Departamento de Urbanismo da Câmara Municipal, acusado de ter utilizado esse cargo para obter junto do pessoal das imobiliárias e afins financiamentos ilícitos para o clube de futebol.

Processos que se vão arrastando como é de uso e tradição, estando um em vias de ser marcado embora a data da audiência possa "ficar ainda à mercê de outra decisão da Relação atinente a um recurso interposto pelo advogado Rodrigo Santiago a respeito de outro inquérito (segundo) em que foi deduzida acusação a Eduardo Simões."

 

É portanto de um excelente profissional que falamos, e se a  sua estratégia para a defesa do homem de Ovar for aquilo que parece ser a coisa promete e pode ir tudo abaixo. Pode, que não sou tão ingénuo como isso, e estas ameaças veladas costumam provocar o efeito pretendido, este número do não me lixes ou meto a boca no trombone raras vezes dá música.

 

Adenda: acabo de saber pelo João Soares e via facebook que José Penedos é um homem empenhado na Associação Portuguesa de Ética Empresarial, onde assinou a "Carta Anticorrupção".

Invocava  agora Frei Tomás mas prefiro ir jantar e ver se faço bem a digestão.

Simplesmente..simples, simplesmente…Sara

TEXTO DE ADALBERTO MAR

 

 

 

 

Hoje quero somente fazer a apologia do sol do saber, da simplicidade e dos vencedores..De todos aqueles que provaram o inferno, e que subiram no elevador para novamente aconchegarem-se ao sol.

Sara é uma dessas canções intimistas que falam da vida, dos sabores, das paixões, de uma mulher que tendo tudo perdeu o dobro, de uma mulher que sendo uma cigana rainha nos vícios, partiu para supostamente não mais voltar, mas voltou.

Afogando-se na dureza de um mundo que pode oferecer tanto a uma pessoa que a assassina com farturas e ganâncias, Sara é algo que deve ser cortado da melhor carne que o Criador fez.

Enquanto falo muitos morrem, muitos amam, muitos matam. Isso já não é novidade e a banalidade torna as coisas com menor importância.

A riqueza e a aventura das coisas, a doçura do olhar e a nobreza do querer está quando se tem tudo e tudo se perde, quando o abismo é como o amanhecer, um fio de distinção que rebenta&hellipQuando a noção de viver e de sofrer passam a ser a mesma, quando o pó das asas da tempestade arrasam o jogo de cada um&hellip.numa enseada de horizontes perdidos num litoral qualquer anónimo, sem «gelados Olá e bikinis Cláudia jacues»&hellip.MAS QUANDO SE VOLTA TRIUNFANTE DESSA GUERRA, DESSA MORTE, DESSA QUEDA! Sara é a face oculta deliciosa e intimista da sombra da alma e dos pelos do corpo&hellipé a casa que nos chama sempre do alto dos céus&hellip.Sara é um sonho feito música, uma melodia que se cozinha com o cérebro, se serve com a alma, e se come com o brilho azulado dos olhos humanos&hellipSara é um lenço ao vento, um raio por entre os pinheiros que nos abençoam com o seu cheiro, uma anémona venenosa mas bela que nos enfeitiça antes de nos picar docemente com o seu veneno de mil cores, cheios de arco-iris e silvas campestres&hellip.Sara é a história de uma mulher que se afogou num mar de amor que era desejo de túmulo para todos&hellip. Sara é uma tempestade de veludo e de penas com uns relâmpagos estrondosos que ferem os meus/vossos tensos ouvidos cheios de lugares, ferindo e aleijando com canções de embalar, como drogas possantes aniquiladoras, com aquela noção de querer viver só com esse sopro universal do COSMO e do Tal DEUS que me/nos abençoa..,um sopro vociferante e doce, mesmo naqueles que o desconhecem e o desprezam, e DELE se riem..

Sara é o tal «poem in my heart, never change, never stop!!»..Sara é um dia de sol, um vento de maresia, um passeio simples à beira mar, o homos erectus ao fim de 2oo mil anos, Sara é o Big End, o The End e o Fisrt

Sara, oh How I Love you so so so much

 

150-48=?

Diz o Governo, usando os oportunistas, que 48 mil docentes já concluiram ou estão a concluir o seu processo de avaliação.

Dando isso como verdadeiro, pergunto: então um governo maioritário consegue produzir um modelo tão fantástico que numa legislatura inteirinha só consegue avaliar menos de um terço dos Professores?

Tem a palavra o Dalby, esse exemplo de profissionalismo docente que, todos sabemos, não colocou os pés numa única!

NEM UMA sequer, Manifestação de Professores!

 

Taxas Multibanco – ganhar a dobrar

Há uma enorme tentação para cobrar taxas pela utilização das caixas do multibanco.

 

Grande parte dos serviços que hoje podemos obter a partir do Multibanco, obrigavam-nos a deslocarmo-nos aos balcões dos bancos onde trabalhavam uma multidão de bancários para prestarem, pessoalmente, esses serviços.

 

Hoje, o que vimos, é que as agências bancárias têm 2 ou 3 pessoas ao balcão porque os clientes raramente recorrem aos serviços da agência .Esta mudança na prestação dos serviços constituiu uma enorme poupança nos custos dos bancos, desde logo no pessoal das agências, na utilização de cheques e outros documentos de apoio às movimentações bancárias, e ainda no pessoal  dos serviços centrais de controlo de contas e clientes.

 

A informática presta hoje todos esses serviços, contribuindo de uma forma muito poderosa para os lucros fabulosos dos bancos.  O cliente deixou de ter uma assistência personalizada para ter uma máquina  que utiliza quando necessário, contribuindo assim, para a enorme redução de custos  das entidades bancárias.

 

O cliente continua, como não pode deixar de ser, a pagar as margens de comercialização e de intermediação bancárias, o que não pode nem deve pagar é uma sobretaxa de um serviço que se não fosse prestado através do Multibanco, seria prestado pelas agências.

Com os custos de pessoal e administrativos inerentes.

 

Tal taxa a ser cobrada, seria mais ums injustiça, porque os bancos já recuperaram os investimentos feitos em informática e na exploração diária, com a redução dos custos de pessoal e administrativos. Passaria a ser o pagamento de um serviço que os bancos sempre prestaram nas agências.

 

E quem ganha um milhão de contos por dia…

 

 

Face Oculta – pode envolver altas figuras da hierarquia do Estado (i)

Não se pode destruir nem se pode tornar ilegal ou inválido o que é essencial para a descoberta da verdade!

 

A sua existência não pode ser ignorada, até porque pode constituir prova fundamental para terceiros envolvidos no processo. Daí a lei seja clara no que à sua destruição diz respeito.Só após a decisão do processo transitar em julgado!

 

Tornando simples o que é complexo, ou o que pretendem complexo, o Prof Costa Andrade faz o que só está ao alcance de quem sabe muito e de quem é suficientemente independente. Desmonta, uma a uma, as pretensas "competências" que o TSJ se atribui a si próprio, incluindo a destruição das escutas.

 

A utilizaçã/valoração das escutas no que que diz respeito aos "conhecimentos fortuitos" não depende da prévia autorização do juiz de instrução, cidadão comum e orgãos de soberania estão, rigorosamente,na mesma situação. Nem um, nem outro gozam da garantia de autorização prévia de um juiz de instrução a autorizar as escutas.

 

Entretanto, Rodrigo Santiago, advogado de Godinho, vem dizer que o seu cliente é só a ponta do iceberg, e que altas figuras da hierarquia do Estado poderão estar envolvidas.

 

PS Ver Face Oculta ontem aqui no Aventar e Público. Hoje noi.

 

 

A máquina do tempo: Mussolini – Benito, para os amigos

 

Foi posto ontem à venda nas livrarias italianas, editado pela Rizzoli, de Milão, o livro do jornalista Mauro Suttora com o título «Mussolini segreto» – «Mussolini Secreto». Revela, segundo se diz, uma nova imagem do ditador que, tem sido habitualmente descrito como um bonacheirão muito menos sanguinário do que o seu aliado Adolf Hitler. Afinal, Benito Mussolini disputava a Hitler a qualidade de campeão do anti-semitismo ( «Hitler è un sentimentalone»), acusava Franco de ser um idiota, ameaçava o Vaticano com o corte de relações («Questo papa è nefasto»)…

«Estudei durante muitos meses mais de 2000 páginas escritas por Claretta, com uma caligrafia apertada e difícil», diz Suttora. Já no fim da guerra da Libertação, quando o casal Benito e Clara tinha já a água pelo pescoço e teve de fugir de Salò, onde se refugiara após a queda do governo de Mussolini, ainda mantendo a esperança de ressuscitar o fascismo, a amante do Duce entregou os seus diários a uma amiga de confiança, que os escondeu. Foram encontrados em 1950.  Mauro Suttora (1959) é um escritor e jornalista milanês, colaborador do Corrieri della Sera, com reportagens sobre a guerra Irão-Iraque, o massacre de Tiananmen, a primeira guerra do Golfo, Gorbatchov, a guerra da Jugoslávia, a Segunda Intifada, etc. Entre os seus romances, destaca-se o best seller «No sex in City», publicado em 2007. É ele que me ajuda hoje a pilotar a nossa máquina do tempo de regresso a esses anos escaldantes que antecederam a 2ª Guerra Mundial.

Segundo o autor, o que se torna reveladoramente explosivo é o facto de as palavras de Clara Petacci, a linda actriz com os cabelos cor de azeviche, destruírem a imagem de um ditador que cometeu excessos, mas humano, um pouco ridiculamente fanfarrão, mas simpático, um acólito moderado de Hitler, um homem que foi atrelado ao carro nazi contra sua vontade e que aprovou as leis contra os judeus apenas para não contrariar o seu louco aliado. Um católico devotado. Essa imagem é falsa, segundo o livro de Suttora. E depois há as revelações eróticas, que numa Itália vacinada pelos desmandos de Berlusconi, não causarão grande impacto.

«Sabes, meu amor? A noite passada, no teatro, despi-te mentalmente pelo menos três vezes. Olhava-te, tirava-te a roupa e desejava-te como um louco». Parece um fragmento de uma escuta telefónica ao inenarrável Silvio, mas são palavras de Benito que Clara anotou em 5 de Janeiro de 1938. A relação adúltera durava desde 1932, tinha Clara Petacci 20 anos e Mussolini 40. O Duce era casado com Rachel Mussolini (1890-1979) . Tinham seis filhos.

Mussolini ficava furioso quando apontavam Hitler como pioneiro do anti-semitismo: em 4 de Agosto de 1938, sempre de acordo com o diário de Petacci, o ditador fascista terá berrado: «Eu já era racista em 1921. Não sei como podem pensar que imito Hitler se ele nem sequer tinha nascido. Os italianos deveriam ter mais sentido da raça, para não criar mestiços que irão estragar o que temos de bonito». Vinte dias antes saíra o «Manifesto della razza», documento que tentava criar a tese da superioridade da etnia itálica.

Pio XI não terá escapado à fúria de Benito: «Se os do Vaticano continuam assim, vou romper todas as relações com eles. São uns miseráveis hipócritas. Proibi os casamentos mistos e agora o Papa pede-me para casar um italiano e uma preta. Não! Vou-lhes partir a cara a todos».

Franco não foi melhor tratado: «Esse tal Franco é um idiota. Julga que ganhou a guerra com uma vitória diplomática, só porque alguns países o reconheceram, mas tem o inimigo dentro de casa. Se tivesse só metade da força dos japoneses, já teria acabado com tudo há quatro meses. São apáticos [os espanhóis], indolentes, têm muita coisa dos árabes. Até 1480 os árabes dominaram a Espanha, foram oito séculos de domínio muçulmano. Aí está a razão porque comem e dormem tanto», anotou Claretta em 22 de Dezembro de 1937.

Enfim, um livro que promete levantar celeuma, principalmente em Itália onde ainda existe uma residual falange de apoio ao ditador que, com a sua amante Clara Petacci, foi numa praça executado de Milão, no dia 25 de Abril de 1945. Mostro as imagens. Recomendo às pessoas mais sensíveis, que não vejam o vídeo, pelas razões habituais.

 

 

Armando Vara era a pessoa que tinha o pelouro do Sol

“Uma pessoa do círculo próximo do primeiro-ministro e que conhecia muito bem a situação do jornal e a nossa relação com o banco BCP disse-nos que os nossos problemas ficariam resolvidos se não publicássemos a segunda notícia do Freeport”, assume à SÁBADO o director do Sol, José António Saraiva – não revelando, porém, a identidade do autor da proposta. “É evidente que Armando Vara era a pessoa que tinha o pelouro do Sol no BCP e que todos os assuntos relacionados com o Sol passavam directamente por ele, e isso nós sabíamos”, acrescenta José António Saraiva.

 

Na Sábado, via Facebook

 

É por estas e por outras que a dimensão jurídica destes casos, onde ganham a vida os melhores advogados portugueses, tem pouca ou nenhuma importância. É por estas que as fugas de informação e violações do segredo de justiça valem mais  do que os processos em tribunal. É pelas outras que o estado de direito me dá vontade de rir, embora fosse mais apropriado chorar.

 E isto não é de hoje, tem exactamente a idade do estado de direito, e não sei porquê mas faz-me sempre lembrar esse grande mestre de seu nome Mário Soares.

Passaporte carimbado

Portugal precisou de sofrer para chegar à fase final de uma grande competição, como acontece quase sempre. Desta vez foi mesmo preciso esperar até aos jogos decisivos para ver uma equipa com garra, vontade, determinação e querer. Pelo menos, chegou a tempo.

 

É, claro, um triunfo para Carlos Queiroz, sempre tão pouco acarinhado neste nosso cantinho. Fica o sabor a pouco de uma vitória que poderia e deveria ter sido mais expressiva.

 

Fica ainda mais uma vergonha para a multinacional que é a FIFA, que, mais uma vez, não soube proteger o seu estatuto social, defender o negócio do futebol. A FIFA é uma empresa e como todas as empresas deve lutar por ter as melhores condições de trabalho para os seus ‘funcionários’. Mais uma vez não fez isso. Autorizar um jogo de futebol internacional naquele relvado é criminoso. Creio que em Portugal não deve haver muitos recintos de jogo, mesmo nos distritais, com um piso tão mão como aquele.

 

A igreja de S. Francisco Xavier vai dar nas vistas

Andam a começar uma igreja a S. F. Xavier no Alto do Restelo que fica em Lisboa e brotam acusações à maqueta ao nível de Maomé e do toucinho.

 

Parece cousa para dar nas vistas, quando a virmos de baixo para cima que é como vai ser vista, e a arquitectura das igrejas também serve para ser vista.

Neste caso gosto, com a vantagem de não estar muito bem a ver onde vai aterrar a igreja gosto apenas da maqueta, faz-me lembrar outras igrejas exclamativas, de exibição patética da fé e chamamento aos fiéis que também ficaram em algumas páginas de livros de História da Arte,  a arquitectura religiosa é a que conhecemos melhor e há mais tempo, séculos de experiência em altos e coloridos edifícios de propaganda, na altura sem a concorrência dos centros comerciais.

Vai dar muito nas vistas e os que tentam impedir a sua construção já estão a contribuir para isso, retomando o patusco pessimismo de um velhote lisboeta precisamente do Restelo. Aos séculos que a Igreja C.A.R. tem destas coisas e arranja sempre maneira de lhe pagarem a obra. Olhem para as catedrais à escala do tempo em que foram feitas e digam lá se não davam um estalo maior na cara das pessoas, no lado da vista.

 

Estórias de assaltos aos quadradinhos

 

 

Os interesses de dois ou três Estados, impuseram a existência internacional de uma anomalia que dá pelo pitoresco nome de Bósnia-Herzegovina, coisa a lembrar lutas de clãs, Narodnas Obranas, roubos de gado, bombistas  e assaltos na estrada. País retalhado de um hipotético distrito arrancado à Sildávia e um outro arrebatado à Bordúria, este foco infeccioso situado em pleno coração da antiga Jugoslávia – outro absurdo erguido pelos vencedores de 1918 -, serve perfeitamente, à semelhança do Kosovo, para criar clivagens regionais que potencializam conflitos sangrentos e divisões dentro da U.E. Coisa de pouca dura, espera-se… 

 

Aguarda-se também a saída das forças portuguesas desses antros de narcotráfico, sendo mais úteis em países onde a presença nacional é respeitada e querida pelos locais. Nos PALOP e em Timor-Leste, por exemplo.

Parabéns Professores SEM MEDO

Boa noite,

saudade é a palavra que me ocorre hoje.

O que fizemos não foi uma coisa qualquer – foi MUITO GRANDE, ENORME mesmo!

Demorou muito, tudo parecia impossível, mas o tempo parece que nos quer dar alguma razão.

Não faço ideia o que vai acontecer – não tenho ainda qualquer informação sobre o que aí vem… há uma coisa que sei:

quem não entregou objectivos não vai ser prejudicado. Como SEMPRE foi dito pela FENPROF!

Quem quis ser avaliado vai ficar com uma rolha de cortiça porque não vai servir para nada.

Podem ler isso no comunicado que o ME hoje fez chegar às escolas: http://aventadores.wpcomstaging.com/958580.html

Continuo a pensar que a questão central é o estatuto, mas isso veremos a curto prazo o que vai acontecer.

Agora, o que quero mesmo é recordar a NOSSA FORÇA!

– a manifestação de Outubro de 2006: http://serprof.blogspot.com/2006/10/um-oceano-de-esperana-corre-em_07.html

– a greve de Outubro de 2006 – http://serprof.blogspot.com/2006/10/em-greve-era-uma-vez-uma-professora-na.html

– a manifestação de 8 de Março de 2008: http://serprof.blogspot.com/2008/03/um-sonho-de-uma-vida.html

– a manifestação de 8 de Novembro de 2008:http://www.spn.pt/?aba=27&cat=118&doc=2282&mid=115

– a manifestação de 30 de Maio: http://www.spn.pt/?aba=27&cat=9&doc=2491&mid=115

Torga – a poesia é um refúgio

MIRADOIRO

 

Não sei se vês, como eu vejo,

Pacificado,

Cair a tarde

Serena

Sobre o vale,

Sobre o rio,

Sobre os montes

E sobre a quietação

Espraiada da cidade.

Nos teus olhos não há serenidade

Que o deixe entender.

Vibram na lassidão da claridade.

E o lírico poema que me acontecer

Virá toldado de melancolia,

Porque daqui a pouco toda a poesia

Vai anoitecer.

 

Miguel Torga

Diario XIV, 5 de setembro de 1986

 

FUTAventar – Catraios do norte…

Raul Meireles, Tiago, Pepe,  Bruno Alves, Ricardo Carvalho, Simão.

 

Eduardo, Paulo Ferreira, Duda, Liedson, Nani, Deco, Veloso, Edinho…

 

Uma nortada gelou a cidade, nem o batatal nos segurou, eles não sabem que o Meireles jogava atrás das balizas do campo pelado onde o pai trabalhava? Uma exibição portentosa.

 

Foi mais dificil cá do que lá, atacar obriga a abrir espaços, podíamos ter feito 2/3 golos, de baliza aberta e não marcamos. Temos uma grande equipa mas a falhar golos assim nunca seremos campeões do Mundo.

 

 

Ontem e hoje

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio,  fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas,

feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;

 

Um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai;

 

Um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

 

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.

 

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

 

A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

 

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."

 

Quem é o autor?

 Guerra Junqueiro, 1896

 

Face Oculta – A Justiça a brincar aos taumaturgos

No Público o Prof. Manuel da Costa Andrade Professor de Direito Penal na Universidade de Coimbra

 

As escutas podem configurar, no contexto do processo para o qual foram autorizadas, decisivo e insuprível meio de prova.

 

A começar, uma escuta, autorizada por um juiz de instrução no respeito dos pressupostos materiais e procedimentais prescritos na lei, é, em definitivo e para todos os efeitos, uma escuta válida.Não há no céu- no céu talvez haja!- nem na terra, qualquer possibilidade jurídica de a converter em escuta inválida ou nula. Pode, naturalmente, ser mandada destruir,já que sobra sempre o poder dos factos ou o facto de os poderes poderem avançar à margem da lei ou contra a lei. Mas ela persistirá, irreversível e "irritantemente", válida!

 

Uma vez recebidas as certidões ou cópias, falece àquelas superiores autoridades judiciárias, e nomeadamente ao presidente do STJ, legitimidade e competência para questionar a validade de escutas que foram validamente concebidas. (bold meu)

 

Mas elas podem tambem configurar um poderoso e definitivo meio de defesa. Por isso é que, sem prejuízo de algumas situações aqui negligênciáveis, a lei impõe a sua conservação até ao trânsito em julgado. Nesta precisa medida e neste preciso campo, o domínio sobre as escutas pertence, por inteiro e em exclusivo, ao juiz de instrução do localizado processo de origem.

 

Um domínio que não é mínimamente posto em causa pelas vicissitudes que, em Lisboa, venham a ocorrer ao nível de processos, instaurados ou não, aos titulares de soberania. Não se imagina – horrible dictum – ver as autoridades superiores da organização judiciária a decretar a destruição de meios de prova que podem ser essenciais para a descoberta da verdade. Pior ainda se a destruição tiver tambem o efeito perverso de privar a defesa de decisivos meios de defesa.

 

Não podem decretar retrospectivamente a sua nulidade. O que lhes cabe é tão-só sindicar se elas sustentam ou reforçam a consistência da suspeita de um eventual crime do catálogo imputável a um titular de orgão de soberania.

 

O que não podem é decretar a nulidade das escutas: porque nem as escutas são nulas, nem eles são taumaturgos. O que, no limite e em definitivo, não podem é tomar decisões (sobre as escutas) que projectem os seus efeitos sobre o processo originário, sediado, por hipótese, em Posárgada, e sobre o qual não detêm competência

 

PS: o transcrito foi escolhido por mim e não esgota o artigo.