Não são filhos da Igreja ?

Eu defendi aqui, que não encontrava razões suficientes para se descaracterizar o casamento entre um homem e uma mulher. É uma célula fundamental da sociedade tal qual a conhecemos, onde se abriga o conceito de família e de procriação. Há quem entenda que os gays devem ter tratamento igual, embora me pareça que a pessoas diferentes deveriam corresponder tratamentos diferentes!

Mas o que não consigo compreender é como o Senhor Cardeal defende para filhos de Deus, todos iguais, tratamentos diferentes!

Que a Igreja defenda, no plano civil, a exclusão dos gays no casamento seria compreensível, no plano religioso e perante a Palavra de Cristo, não entendo. Cristo reafirmou que todos somos irmãos, em Deus!

Ao não aceitar o casamento homossexual, a posição da Igreja perante esta realidade é profundamente discriminatória, a não ser que  considere os gays, filhos de Deus, mas pecadores sem remissão.

O relacionamento sexual só se entende com a finalidade de procriar?

É que se for assim nenhum de nós merece o casamento!

O Orçamento de todas as desilusões

Como há muito aqui defendíamos, o Orçamento seria a o momento da verdade, para Sócrates e o seu ministro das Finanças. O PSD e o CDS não podem de forma nenhuma embarcar num documento tão importante, sem que as contas reais sejam a base da discussão.

O PSD baseia os seus argumentos em duas questões absolutamente essenciais. O controlo da dívida e do déficite das contas públicas. Quanto à dívida, se continuar a crescer, será a hipoteca da nossa vida colectiva, como se está a ver com o exemplo da Grécia. É o factor determinante para a economia poder crescer, ao actual nível e, bem pior, com as grandes obras públicas que o governo teima em levar por diante, uma parte muito significativa do rendimento nacional sairá do país, à conta do serviço da dívida. E, sem controlo do déficite, é bem de ver que será coberto ou com o empobrecimento dos cidadãos ou com mais dívida.

O CDS luta pelo racionamento na atribuição do salário mínimo e pela descompressão dos impostos sobre as PMEs, condição essencial para prover a sua existência e viabilidade, mas isso custa dinheiro, e os socialistas precisam de mais dinheiro e não de menos.

O verdadeiro retrato da situação financeira está aí, que Sócrates andou a esconder com as parcerias público/privada ( contratos leoninos contra o Estado), com os déficites acumulados em empresas públicas, especialmente na área dos transportes, onde os déficites acumulados montam a muitos milhares de milhões de euros e que fará saltar a dívida dos actuais irreais 90% para 120%.

É uma situação dramática que exige verdade!

Memória descritiva: Otelo

Foi numa tarde de sábado do Verão de 1974, dia 13 de Julho, mais precisamente. Em casa do meu compadre Joaquim Reis, na Parede, eu, ele, o Jaime Camecelha, as respectivas mulheres, estávamos à volta de umas cervejas e de uns petiscos que a comadre Lurdes preparara. Excepcionalmente, naquele dia não fôramos a nenhuma manifestação e gozávamos o merecido descanso, após uma semana de trabalho e de luta. As crianças estavam numa sala ao lado com uma merenda adequada.

Na televisão, víamos distraidamente uma cerimónia qualquer transmitida em directo. Demos mais atenção quando vimos que estava ali toda a Junta de Salvação Nacional. O general Jaime Silvério Marques fazia um discurso balofo onde exaltava a juventude de espírito dos membros da Junta de Salvação Nacional, todos eles oficiais generais, chamando a esse ilustre grupo os louros da Revolução de Abril. Nós ríamos e íamos comendo, bebendo e conversando. Era a conversa de xaxa do costume.

Foi então que um jovem major de cabelos precocemente embranquecidos, elevou a voz e perguntou: «-Dá-me licença, meu general?» Silvério Marques apanhado de surpresa disse que sim. Spínola que conhecia bem aquele major de artilharia esboçou um sorriso. Acho que foi o meu compadre quem disse, referindo-se ao major: «- Este gajo parece o Nasser!».E o «nasser» sai-se com esta:

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A sensualidade

Uma das mulheres mais sensuais cá do burgo é a Marta Crawford. É bonita, tem uns olhos inteligentes e uma cabeleira que não controla, mas a sua característica especial, muito pessoal, é o seu discurso e a vivacidade com que o faz.

Fala dos problemas sexuais e de relacionamento sexual (o que não é a mesma coisa) e quando não encontra a palavra certa ajuda com uns gestos  bem demonstrativos, o que me vira do avessso. Tudo com um meio sorriso, entre o profissional e a candura de uma mulher que sabe que está a pisar o risco.

Recebe uns telefonemas de expectadores que estão, evidentemente, em êxtase, tal como eu, e falar com ela é uma forma de lhe tocar ( normalmente as perguntas são mesmo para encher…) e depois, aparecem umas mulheres que querem embarcar naquela fluidez e desembaraço, que nunca terão, sobre um assunto de que a maioria, nem sequer fala com o companheiro, quanto mais falar em público.

Cumplicidades…

Bem, no outro dia, vi-a a almoçar ali na Guerra Junqueiro ( a av. mais cosmopolita do primeiro mundo…) os olhos verdes fugidios conscientes que são populares e reconhecidos, coisa que levanta o ego mas que tambem se pode tornar num embaraço. Está naquela idade em que as mulheres se tornam irresistíveis, há ali uma beleza que passa por cima do Inverno e junta a Primavera com o Outono, numa mistura de cores dignas da palete de um pintor.

Agora já posso morrer descansado, como o viajante que chega ao cimo da montanha, já vi o vale de todas as promessas, muitas delas morreram porque só vivem se as mantivermos no limbo da imaginação…

Tintarella di luna

Frequento uma tertúlia interessantíssima, com gente ligada ao teatro, médicos psiqiatras (não quer dizer que haja conexão..), onde se fala de assuntos pouco habituais.

Ontem, tivemos uma autêntica lição de um Psiquiatra sobre “misticismo e o seu correspondente  nas doenças de hoje” Curiosamente , começou com esta canção da Rita Pavone, uma voz muito fraquinha e que se ficou por esta canção. O que eu não sabia é que esta canção corresponde a um costume ancestral, das regiões de sul de Itália, em que nas noites de verão de lua cheia, as pessoas se banham à luz do luar. O resultado é uma pele com uma tonalidade rosa/azulada, linda, e que segundo os entendidos exarceba os sentimentos e as emoções levando à troca de casais (quem não tiver parceiro…é melhor evitar a lua…) e que perdura por dois dias.

É esta cor rosa/azulada que levou a dicotomia “lunático” / “aluado”. “Lunático” é a pessoa que se impressiona com a acção que as várias fases da Lua exercem sobre todos os seres vivos, enquanto “aluado” tem a ver com esta acção no comportamento sexual dos indivíduos. De um lado a “materialidade” do outro o “misticismo”.

Já no norte e nas regiões mais frias, em que o “centeio” é o alimento base, há a chamada “cravagem do centeio” em que os indivíduos são obsequiados com uma intensa penugem em todo o corpo, e que levou directamente ao “lobisomem”, cheio de pêlo e a andar “sobre quatro ” procurando, afanosamente no chão, os grãos de centeio de que tanto necessita.

A ciência moderna tem hoje explicação para comportamentos que, nuns casos, levaram à fogueira da Santa Inquisição (fase última de purgação) bruxas e duendes e para  “misticismos” observados como sobrenaturais, como é o caso de Joana D’Arc, Tereza D’Avila, Catarina de Siena e João Deus da Cruz. Todos nos deixaram textos impressionantes de “êxtase” e “catarse” (purificação; purgação) e que se desenvolveram depois, no seio da Igreja Católica, para as Companhias Dominicanas e de Jesus, correspondentes ao actual “Directório de Todos os Santos”, a chave da pureza e os seus guardiões, que acabam quase sempre em Papas, como o actual Ratzinguer.

Estas manifestações têm hoje correspondência em doenças psiquiátricas bem conhecidas, como a “obcessão compulsiva”, “bipolar” e “porfíria” esta, uma estranha doença, em que os pacientes urinam “azul” o que por sua vez vai ligar aos banhos de luar e à pele azulada do sul de Itália…

Sismo 1969 – a cor do medo

Madrugada de 28 de Fevereiro, duas e trinta, à volta disso, andava eu a fazer ronda no Quartel, ali na Av. de Berna onde hoje está uma faculdade de Sociologia. Do outro lado da Rua a Igreja de Nossa Senhora de Fátima.

Como o pessoal era diligente e a ameaça pequena, estava a conversar na parada com dois soldados, já não me lembro sobre quê, mas naquela situação e com aquela idade devia ser sobre a guerra colonial que se mostrava cada vez mais aguerrida e cada vez mais próxima de quem vestia farda.

De repente, os camions ONIMOG, que tinham enormes pneus e eram grandes e pesados começam aos saltos ali a cinco metros de nós.  Ainda o meu cérebro não tinha descodificado os sinais e há uma espécie de “burburinho” a crescer do mais profundo, um ronco ameaçador, paralisante. A sensação é que não há saída, não se percebe, estamos cercados por algo que não vemos e não compreendemos. Imediatamente a seguir, os prédios onde estavam as camaratas com duas centenas de homens a dormir começam a abanar, estranhamente, o único som familiar são os vidros a partirem-se.

Lembro-me bem, que este som familiar, que eu conhecia, foi uma espécie de conforto, era algo que fazia parte da matriz e que me permitiu comparar, situar, estabilizar, compreender…

As paredes rachavam com um som cavo o que me levou a pensar na situação dos homens que lá estavam dentro. Mandei os dois soldados que permaneciam ao meu lado, um para cada camarata, acordar o pessoal que já encontramos a meio caminho na fuga generalizada. Há conversas cruzadas e sem nexo, interrompidas pelo badalar lúgubre dos sinos da Igreja defronte, resultado dos abanões que o edificio da Igreja  sofrera. Irrompe um silêncio sepulcral…

A natureza descansa para novo ímpeto, desta vez definitivo ou esgotada ? É uma interrogação que só obtem resposta com novos abanões agora mais ténues, sem os silêncios aterradores do primeiro, o que paradoxalmente traz alguma paz aos corações em tumulto. Devagar a natureza volta à vida, com os sons de que não damos conta mas que estão presentes no dia a dia, sem os quais não reconhecemos a matriz por onde nos guiamos. Começamos a voltar “à vidinha…” que tanto criticamos…

Nos meses seguintes houve muitas receitas de calmantes e antidepressivos…

Quem é que aqui escreveu sobre felicidade?

Ver mais artigos sobre este assunto em Sismos, discussão no Aventar

Alegre confusão

O PS apoia Alegre formalmente, tendo à sua frente um ano político tão difícil, assim afrontando Cavaco Silva com quem necessita de ter uma “convergência” de objectivos, ou faz de conta que Alegre não existe e o BE fica com candidato?

Se o PS avançar com outro candidato e, assim repetir, a “dança” de há quatro anos, dá de bandeja a vitória a Cavaco que está em funções e em vantagem.

O PS sabe isto tudo, mas a tentação de “uma maioria, um governo, um Presidente” doença de que também sofre o PSD, faz hesitar muita gente dentro do partido.

As medidas económicas e sociais que o governo vai ser obrigado a tomar, para manter as contas públicas dentro de certos limites, vão levar o “poeta” com a sua voz de barítono, a criticar duramente as medidas. Se não as criticar perde o apoio do BE e de muita gente descontente por atingida pelas políticas de racionamento económico. Se as crítica, o que é sempre fácil para quem está “de fora”, perde o apoio da parte do PS que apoia o governo de Sócrates.

A confusão é tanta que António Costa tentou hoje fazer “a quadratura do círculo” com evidente atrapalhação, metendo as mãos pelos pés, ele que só ganhou Lisboa porque se juntou às tropas de Alegre.

Por outro lado, se o PS avançar já com o apoio, vai ter que intervir nas picardias que Alegre vai lançar, na tentativa vã de fazer Cavaco Silva vir a jogo.

Um ano de distância é tempo demasiado para um governo que está em funções e com uma vida difícil. Alegre sabe isso melhor do que ninguém. Então porque avançou já? Não é certamente para tornar ainda mais difícil a vida ao governo.

Só há uma explicação. Alegre não tem nenhum compromisso por parte de Sócrates que o PS o irá apoiar!

Memória descritiva: a Operação Dulcineia

1961 foi, como referi num outro texto, um «annus horribilis» para o regime de Salazar. Na madrugada de 22 de Janeiro de 1961, começava a longa sucessão de acontecimentos que iria culminar, no último dia do ano, com o ataque ao quartel de Infantaria 3, em Beja. Pelo meio, ficava o desencadear da guerra colonial, o golpe de Estado do general Botelho Moniz, a perda do Forte de São João Baptista de Ajudá, encravado no território do Daomé, o desvio de um avião da TAP, realizado por Palma Inácio, que lançou depois panfletos sobre diversos pontos do País, a União Indiana invadiu Goa, Damão e Diu, pondo fim á secular presença portuguesa no subcontinente …

O que se passou no dia 22 de Janeiro de há 49 anos? Um comando do DRIL (Directório Revolucionário Ibérico de Libertação), composto por portugueses e por espanhóis ex-combatentes da Guerra Civil, dirigido por Henrique Galvão e Jorge Sottomayor, pôs em marcha a «Operação Dulcineia», tomando de assalto o paquete Santa Maria, ao largo do mar das Caraíbas e crismando-o de «Santa Liberdade». Antes de vos falar da «Operação Dulcineia», vou apresentar o seu comandante: Henrique Galvão. [Read more…]

Felicidade

Para quem quer escrever um texto sobre este tema, ter lido a bela escrita da Carla e o profundo texto do Adão, é uma felicidade ?

A maioria diz que sim, porque aqueles textos são belos, dão prazer e até  abrem trilhos para o seu próprio texto.  Mas para quem quer ir na frente, ser original, aqueles textos só podem ser olhados como uma infelicidade.

Conhecemos pessoas que nasceram com tudo e nunca foram felizes, e há outras que tendo pouco, sempre foram felizes. Há aqui um pózinho de loucura? Pois há! O tolinho, normalmente, é muito feliz, não percebe a sua condição ou percebe que se safou de boa?

Costuma dizer-se que é tudo muito mais dificil para quem é culto. E é verdade! Já pensaram no que será a angústia de um pai médico, percebendo certos sintomas que o filho apresenta? O que pode ser? Um pai que não faz ideia nenhuma acha sempre que é uma gripe.

O primeiro está com o conhecimento e profundamente angustiado, e o segundo está com a ignorância e calmamente feliz

Para sermos felizes a primeira condição é sermos ignorantes e idiotas?

Há gente que pelo seu ADN ou por ter adquirido na vida (normalmente em criança) está impossibilitado de ser feliz?

Então, o que é ser feliz para quem tem as condições que as circunstâncias, ao sabor da vida, se foram reunindo?

Despertar de manhã, acordar os filhos, levá-los à escola, ler o Aventar acompanhado de um cafezinho, o chefe ainda não chegou…

Acordar às três da tarde depois de uma noite copos, primeiro wisky, o fígado a desfazer-se, não tem ninguem, anda de namorada em namorada, telefona aos amigos a dizer que foi ao médico e não tem SIDA…

A felicidade é o caminho, é a vida, é estarmos de bem com a vida, é fazer o que gostamos. E, talvez a única coisa que seja comum a todos nós, é termos consciência do muito que a vida nos dá!

Eu, por exemplo, seria profundamente feliz, se amanhã de manhã acordasse com todos os problemas que os jovens do Aventar têm! É que, sabem, esses problemas resultam do que eu  já não tenho!

E isso não me dá felicidade nenhuma!

No entanto, ontem, quando soube que vem um neto a caminho, vi o meu filho tão feliz, a mãe do meu neto tão consciente da sua condição, que tive que ir à cozinha buscar um prato que não precisava…

As tardes da tia Júlia

O título é apenas um pretexto para vos dizer que vou em negócios a Angola em Fevereiro. Mas tive que ir a um hospital levar umas “picas” e, enquanto esperava, fui vendo a TVI, mesmo que não quizesse não havia mais nada para fazer e, além disso, quem é que aguenta os gritos estridentes da Júlia?

A Júlia arranja sempre uns ” indigentes mentais” que vão para ali contar histórias de fazer chorar a calçada, ter os seus quinze minutos de fama. Mas eu tenho pena das pessoas, a maioria são umas pobres, vão para ali fazer o programa a quem ganha muito com isso, sem perceber que estão a ser usadas.

Mas tambem aparecem umas “tias” a contar umas histórias de grandes amores e desamores, hoje era uma ao telefone a contar que tinha morrido com uma grande paixão, por amor, dizia ela, enquanto a estridente Júlia enchia o ambiente com os seus risos e ditos sem nexo, entre o gozo e o divertido.

Fui chamado para a “pica” contra a “amarela” o que me deixou da mesma cor , amarelo “Pombalino”, que é uma cor que faz rir muito as senhoras enfermeiras, enquanto me mandam tirar a camisa para me darem uma injeção no braço, ainda hei-de perceber como é que o meu braço chega à barriga e aos “rinholes”…

Bem, enquanto esperava pelo certificado que atesta que estou protegido da “amarela”, comecei a pensar como é que um gajo se protege de uma televisão que usa as pessoas e as põe a fazer de imbecil. Uma forma é ir para Angola, outra ir para o ” campo com lobos” sem luz e outra é desligar o televisor, que é o que eu faço. Mas isso não faz desaparecer a verdadeira questão que é haver quem se utilize da “candura” de outros e outras.

Em programas televisivos norte-americanos já vi bem pior, com os dólares a acenar, jovens e gente adulta a fazer declarações sobre a sua vida privada que me deixa estarrecido!

Por acaso eu aprendi depressa, quando cheguei ao local da reportagem é que descobri que tinha o bairro todo contra mim, eu era o gajo que atirava com o fumo da chaminé do hospital para cima da roupa a secar às janelas e nas varandas e, segundo a “tia” de serviço, bastava haver boa vontade da minha parte.

Enfim, fiz figura de besta e imbecil tudo no mesmo programa!

PS: podem começar a fazer sugestões sobre “souvenires” a trazer de Angola. Nada de diamantes nem petróleo e muito menos uma jibóia juvenil…

Poesia & etc.: Manuel Simões

Pela primeira vez, em quase cinquenta anos de amizade e de iniciativas realizadas em comum com o meu grande amigo Manuel Simões, me vou referir ao poeta Manuel (Gonçalves) Simões. O contrário já aconteceu, pois foi o Manuel quem prefaciou a minha colectânea poética «O Cárcere e o Prado Luminoso» (1990). Um texto magnífico, aliás. [Read more…]

Programa da Associação 31 de janeiro

DIA 30
21h30 – Ateneu Comercial do Porto – Conferência subordinada ao tema:
“Como construir a República na século XXI”
Conferencista: Prof. Doutor Amadeu Carvalho Homem

DIA 31

10h00 – Cemitério do Prado do Repouso (Entrada Largo Padre Baltazar
Guedes)
– Intervenções junto ao monumento evocativo do 31 de Janeiro.
– Hino Nacional cantado por alunos do 2o Ciclo do Colégio dos Órfãos.

17h00 – Praça dos Poveiros – Descerramento de placa alusiva ao
centenário da República.
18h00 – Ateneu Comercial do Porto – Abertura da exposição, “Quem
fez a República”

18h30 – Ateneu Comercial do Porto – Apresentação do livro: “A
Maçonaria e a implementação da República” pelo Professor António
Reis.

PS: convite recebido por mail

No Haiti o jornalista é notícia…

Eu a pensar que o jornalista se tinha atirado para debaixo de um prédio para salvar alguem, ou na confusão de gente infeliz, ter levado uma surra ou, enfim, um episódio dignificante que justifica-se a notícia de o jornalista ter ido parar ao hospital. Mas não, partiu um pé e deu uma cabeçada num muro a fugir depois de ver o hotel a abanar.

Estes jornalistas são uns pândegos de morrer a rir, consideram-se uma classe à parte, são conhecidos, aparecem na televisão, gente do mundo numa palavra. Correm para o Haiti aos montes e mostram-nos aos montes as mesmas imagens, mortos, edificios destruídos, gente cheia de pó branco, com um ar de fantasma, os únicos que estão frescos como uma alface são os jornalistas, banhinho tomado no hotel, microfone em punho a dizer-nos que houve um terramoto e há uma grande destruição.

Quando da cobertura da Guerra do Golfo os nossos intrépidos jornalistas apareciam de capacete na cabeça, a centenas de Kms da frente de batalha, a darem-nos notícia do que tinham lido nos jornais ingleses do dia anterior. Mas o capacete dava um ar do caraças, o homem estava mesmo lá, onde “está a notícia”!

E se estes senhores em vez de andarem ali a prejudicar quem trabalha, quem mete as “mãos na massa” , se ajudassem e admitissem que dia após dia nada têm para dizer ?

Larguem o microfone, as câmaras de filmar e ajudem,  enviem uma vez por dia uma “notícia” : esta destruição, estas mortes, têm a ver com a miséria a que foram votados os Haitianos pelos mesmos que agora “às pinguinhas” enviam umas quantas garrafas de água e uns pacotes de bolachas!

E, porra, quando se partirem partam alguma coisa que se veja!

A radioactividade pode ser benigna

Ontem iniciamos esta conversa, tendo como pano de fundo o livro “Radiation and Reason” do Prof Wade Allison da Universidade de Oxford.

Sustenta este físico que os desastres de Hiroshima, Nagasaki e Chernobil foram a pior demonstração da perigosidade da radioactividade em altas doses e, que isso, não deixa margem para dúvidas. O que não está demonstrado é o efeito das radiações em baixas doses.

A maioria dos especialistas acredita que a radioactividade mesmo em baixas doses e ultrapassando um determinado limite, pode influenciar o comportamento do nosso ADN. Segundo o modelo matemático linear, a exposição acima de certo limite tem efeitos, e quanto maior for a exposição, maior a probabilidade de indução de efeitos biológicos.

Contrariamente a este postulado, Allison considera que abaixo dessas doses não há qualquer efeito. Será que quando as doses são baixas não há essa proporcionalidade”? Este problema é um dos assuntos mais controversos para a ciência.

O Prof Wade defende que “há uma grande ignorância científica sobre a forma como os mecanismos do organismo reagem às radiações, pelo que o modelo linear adopta uma postura defensiva e de precaução” …” o modelo linear que não concebe a radiação sem riscos está na base da regulamentação em torno quer do nuclear, quer dos aparelhos médicos e industriais que utilizam radiação ionizante”, assim se encarecendo o progresso e se tornando mais dificeis as decisões dos políticos.

Esta percepção está a hipotecar o papel do nuclear em problemas como o aquecimento global e, a continuar assim, o nosso destino não será melhor que o do urso polar!(sic)

PS: bem me lembro quando eu e o meu irmão íamos ao médico e fazíamos exames de “radiocospia”. Além da minha dose levava a do meu irmão para ver as costelas dele…
E, já agora, o Radão, que enche de radioactividade as casas de granito nas Beiras…

Memória descritiva: Thunder

A 12 de Novembro de 1975,estando o Parlamento cercado por operários da construção civil em greve, alguns manifestantes chamaram fascista ao primeiro-ministro, o almirante Pinheiro de Azevedo. A resposta não se fez esperar: “Bardamerda para o fascista!”. Nos meios de esquerda (e não só), o almirante passou a ser conhecido pelo «Bardamerda». No vídeo acima, vemos e ouvimos a entrevista que o almirante deu aos jornalistas quando saiu do sequestro. Infelizmente, não consegui encontrar vídeo do momento da famosa resposta. [Read more…]

A mexer no nosso bolso? Rave poupa 40% no TGV

O custo inicial que foi fixado era de 2260 milhões entre o Poceirão e Caia, tendo sido adjudicado por 1359 milhões! Uma redução de 40%!

Onde está a mentira?

No preço inicial, para depois virem com uma notícia destas a fazerem de conta que estão a ser muito rigorosos ?

No preço adjudicado muito abaixo do razoável para depois crescer e mesmo assim, ficar abaixo da primeira estimativa?

Como é que se reduz 40% num projecto que nos dizem que está a ser trabalhado por gente muito bem paga e muito competente?

Depois vêm com explicações técnicas todas elas que, esperavamos nós, fossem as que estivessem a ser utilizadas desde o ínicio .

Ah! e o modelo de financiamento é um case-study a nível mundial ! Anda tudo de TGV a dar aulas por essa Europa fora!

Isto é uma pocilga mas a gente diverte-se muito!

A informação é que é nuclear e radioactiva

Como última fase do processo, a polémica lançada pelo livro do Prof. Wade Allison, questiona se a radioactividade constitui, na verdade, um perigo extremo.

Face ao esgotamento das reservas das matérias primas que têm sido a base da energia em que assenta toda a economia moderna, e dos custos muito superiores que as chamadas energias verdes ainda apresentam e a sua pequena contribuição para a solução do problema global, levam os olhares a voltarem-se cada vez mais para o nuclear.

Esta discussão pode levar-nos a duas perspectivas: o medo acerca das radiações levou a um desenvolvimento por parte da indústria dos sistemas de segurança que são, de longe, os mais adiantados e, por isso, poder dizer-se que a forma mais segura de criar electicidade em grande escala é o nuclear; e que esta premissa irá fazer acelerar o renascimento em força da indústria nuclear, como já está a acontecer nos países de economias mais desenvolvidas.

Acresce, que as matérias primas continuam a estar num caso longe (Brazil,Venezuela…) e noutros casos em regiões onde espreita a violência e politicamente pouco estáveis.

O que há para já a sublinhar, é que é justamente nesta altura que aparecem físicos nucleares a defenderem que as radiações em baixas dozes não têm qualquer perigosidade, e a serem lançados livros como “Radiation and Reason” com um impacto brutal na comunicação social.

É mesmo segura ou o desenvolvimento sustentado exige que tenhamos metido na cabeça que há que viver com o nuclear? A informação já está a interpretar o papel que lhe cabe!

PS: no “i” Prof Pedro Sampaio Nunes. Segue amanhã.

Um crescimento miserável…

Crescer 0.7% no PIB é mais ou menos o que vão crescer os outros parceiros, mas a má notícia é que não são as exportações a puxar pela economia, é o consumo interno.

E como é o consumo interno só serve para agravar o défice externo, o crescimento devia vir das exportações e do investimento.

Tudo que já  se sabia, o crescimento potencial da última década foi muito mau e da que vem aí vai ser tão mau ou pior, as fragilidades estruturais mantêm-se, mas o Ministro da Finanças passa pelo assunto “como cão por vinha vindimada” .

O diagnóstico há muito que está feito mas as medidas não são tomadas, tocam em interesses instalados, é mais fácil andar a deitar dinheiro para cima dos problemas, o que se “meteu” no BPN é o dobro do que se guardou para o resto da economia.

Entretanto, a Moody’s ( instituição internacional de notação financeira) já deixou o aviso, e os mercados reagiram muito mal, o crédito já esta a encarecer para o país.

Mudando ao sabor dos “tempos”, andam aí uns “pandegos” que dizem que nada disto é grave porque nos outros países a coisa não é muito diferente, é tudo resultado da crise internacional (suponho mesmo que na década de 90 já era da crise que ainda não havia), mas não conseguem explicar é porque o nosso país é o mais pobre e o mais injusto! E que por isso mesmo é imperativo que cresçamos mais que os outros, estamos mais abaixo, assim o fosso mantem-se e alarga-se.

Mas isso são tudo coisas que não interessam nada!

O americano tranquilo e os novos Vietnames

FONTE
Durante a campanha eleitoral, Obama prometeu, com entusiasmo febril de candidato, que aprofundaria a guerra no Afeganistão, como uma espécie de “compensação” pela retirada do Iraque. Hoje, está atolado no Iraque e no Afeganistão. Pior: está prestes a atolar-se numa terceira guerra.
O Americano Tranquilo é o herói do romance de Graham Greene sobre a primeira guerra do Vietname, na qual os franceses foram derrotados. Era um norte-americano jovem e ingénuo, filho de um professor, que foi bem educado em Harvard, um idealista com todas as melhores intenções. Quando chega como soldado ao Vietname, queria ajudar os nativos a superar os dois principais males que via lá: o colonialismo francês e o comunismo. Sem saber coisa alguma sobre o país no qual estava, provocou um desastre. O romance termina num massacre, resultado dos esforços desorientados do “americano tranquilo”. Comprovou-se a velha máxima: “A estrada para o inferno é pavimentada de boas intenções”. [Read more…]

Memória descritiva: Manoel de Oliveira

Pode-se gostar ou não dos filmes de Manuel de Oliveira, o que não se pode é deixar de sentir admiração por um homem que tem dedicado toda a sua vida ao cinema e que, aos 101 anos (completou-os em 11 de Dezembro) continua a rodar filmes e a manter projectos em carteira. Como se tivesse 20 anos, idade em que nos sentimos eternos. Numa entrevista dada no final do ano a Gregorio Belinchón do El País, a propósito da estreia em Espanha de «Singularidades de uma Rapariga Loira», com o entusiasmo de um jovem explicou o porquê da escolha – «O filósofo Spinoza dizia que nos julgamos livres porque ignoramos que os nossos actos são comandados pelas mais obscuras forças. Ortega y Gasset, que de dia para dia mais me agrada, fala do homem e da sua circunstância. Isto define o que penso da paixão». [Read more…]

Rambo – não o dos socos o das telas

Fazer opinião sobre uma pessoa sem a conhecer é um perigo, a maior parte das vezes um exercíco injusto, e que não aproveita a ninguem.

O actor americano Sylvester Stallone, cujos filmes eram um arraial de pancadaria e que ele próprio, era um exemplo de mal representar, deu-me uma lição de todo o tamanho. O homem em pequeno foi extremamente pobre, teve uma paralisia facial, que lhe dava aquela expressão “sem expressão” ( o que para um actor…) passava o filme todos sem um riso, sem uma careta, com o ar de ser um tipo atormentado, porque outra coisa não era capaz de fazer e ía mostrando o “cabedal”.

Pois não é que  Sly é um conhecedor e apreciador de arte e um pintor cotado a nível internacional?

Uma das mais importantes galerias de arte da Europa,  a Galeria de Arte Moderna de Zurique, expôs sete quadros seus depois de o seu curador ter visitado o artista em Hollywood. Tinham-se conhecido um ano antes em Zurique quando Stallone, convidado para o Zurich Film Festival, foi apanhado na galeria  a apreciar a arte exposta do pintor Colombiano Fernando Botero.

Muito antes de ser actor Sly, dedicava-se à pintura e assinava com Mike Stallone, mas a pintura estava fora de questão por ter uma vida economicamente tão dificil. Teve que ganhar a vida por outros meios até ser apresentado a grandes nomes do cinema que o ajudaram a dar a volta e a recuperar a paixão e o talento pelas telas.

Ao perguntarem-lhe porque nunca se mostrou como pintor, Sly respondeu : “Acho que sempre houve um estigma em relação aos artistas-cantores, artistas-actores. Compravas um “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club band” se fosse feito por um actor?

O preconceito, as ideias feitas, fazem-nos perder coisas boas da vida!

PS: pela verdade que devo aos leitores, eu não comprava porque não sei o que é.

O meu filho sai ao pai

Um dia o meu filho chegou aqui a casa e diz-me, é pá, levas-me amanhã ao aeroporto? Vou de férias para a Sicilia, com a Crischa. Eu nem sabia quem era a Crisha, mas como desde os dezassete anos que andava de comboio por essa Europa fora com amigos e amigas calculei que fosse uma namorada.
Passados quatro dias, como não obtinha “feed back” (estou muito liberal…) telefonei e diz o gajo, todo lampeiro: estamos bem e casados!
Quer dizer o jovem não está de modas casou-se numa pequena aldeia na pequena ilha, branca, cheia de sol e junto ao mar. E eu sem perceber nada apesar do gajo me ter pedido um casaco escuro, e uns sapatos pretos para as ocasiões “finas”.
Bem, hoje, veio cá jantar com a mulher para me ensinar a fazer “links” e mal me sento, digo-lhes com ar de “pater famílias” estilo Ricardo com a manta pelos joelhos, vão hoje ao Aventar que a Carla escreveu um texto muito importante sobre a felicidade, que vale a pena ler e matutar no que ela diz, e o Hugo Luis não está com modas, diz-me logo é, pá, ainda bem que falas em felicidade porque acabamos de saber que a Crisha está grávida, vais ser avô!
Já marquei consulta para o médico, já para amanhã e ando aqui ás voltas com uma suspeita. Os textos da Carla e do Ricardo estão “feitos” com a Crisha? Estavam a preparar-me?

Memória descritiva: Chile – a direita novamente no poder

Já aqui tenho dito por diversas vezes que a direita se move dentro dos chamados sistemas de democracia representativa como peixe na água. Os golpes militares deixaram de fazer sentido – carros de combate nas ruas, jactos bombardeando palácios presidenciais, fuzilamentos, tortura? É caro e é feio – dá mau aspecto. Para quê tanto espalhafato – com a Amnistia Internacional à perna e os jornalistas a especularem? Em vez de tiros, votos; em vez de tanques, aviões e fuzilamentos, promessas demagógicas que toda a gente sabe que não vão ser cumpridas. E nem vou dizer que estou surpreendido com o que aconteceu ontem no Chile, pois já o esperava.

As sondagens conduziam a um empate técnico entre Frei e Piñera. Quando se soube os resultados e se conheceu a vitória de Sebastián Piñera, milhares de pessoas nas ruas festejaram a vitória do candidato da Aliança para a Mudança. Na segunda volta das eleições presidenciais, com 99% dos votos contados, Sebastián Piñera, da Aliança para a Mudança, sagrou-se presidente do Chile, com 51,61% contra 43,38% de Eduardo Frei, candidato da Concertação e ex-presidente. Quem é Sebastián Piñera?

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Memória descritiva: o 18 de Janeiro de 1934

No dia 18 de Janeiro de 1934, faz hoje 76 anos, eclodiu uma insurreição armada na Marinha Grande. O vídeo que antecede este texto parece estar carregado de simbologia partidária do PCP, mas não é bem assim. O hino «A Internacional», foi composto durante a Comuna de Paris, em 1888, por Pierre Degeyter, operário anarquista de origem belga. A letra foi escrita pelo anarquista francês Eugène Pottier. Foi a partir de 1896, após a realização do congresso do Partido Operário Francês realizado em Lille e durante o qual foi tocado e cantado, que o hino se difundiu por toda a Europa através dos delegados presentes.

O autor da versão portuguesa da letra foi o anarco-sindicalista Neno Vasco (Gregório Nazianzeno Moreira de Queiroz e Vasconcelos) que, no ano de 1909, traduziu para o português a letra do hino, a qual segue o original francês, reflectindo a influência da literatura e poesia inspiradas pelo socialismo utópico que ficara da geração de 70, quando não mesmo pelo anarco-sindicalismo, maioritário no movimento operário português nas primeiras décadas do século passado. Dei esta explicação, pois «A Internacional» não é exclusivamente comunista, mas sim o hino de quase todas as correntes de esquerda. Portanto, a carga partidária do vídeo não está no hino, mas sim na referência exclusiva a vítimas do PCP. [Read more…]

O exemplo da Irlanda

A Irlanda anda por aí a dar exemplos que nos deviam fazer pensar. Primeiro foi o “milagre” do desenvolvimento que afinal não a defendeu de uma crise profunda, será que muita da riqueza tambem era de casino? Isto reforça a ideia que todos temos que a informação que nos é dada, no que importa, é formatada.

Mas a Irlanda tambem é exemplo porque perante os problemas, os enfrenta com coragem e verdade – corta os vencimentos dos funcionários públicos em 10%, enquanto aqui, alegremente, andamos a aumentá-los; corta tambem em 15% os vencimentos dos ministros e 20% no vencimento do primeiro-ministro.

Está aberto o caminho para que por aí abaixo, a sociedade irlandesa se acomode a ganhar menos, o exemplo vem de cima e sendo assim, gestores, professores, juízes dificilmente se colocarão na posição reinvindicativa que pulula cá pelo sítio.

Não posso deixar de lembrar que o nosso digno Governador do Banco de Portugal ganha mais que o seu congénere americano, o que não o inibe de uma e outra vez clamar para os vencimentos dos funcionários públicos serem congelados. E não teve visão bem competência para antever o que andava por aí…

Se ninguem respeita ninguem, se não há ética, se o exemplo não vem de cima, espera-se que os que ganham menos e vivem pior acreditem em quem os governa?

Pagamos impostos mas não somos tontos…

Manuel Monteiro lê o Aventar

Hoje no Público, num interessante artigo, Manuel Monteiro vem dizer o que aqui tambem já defendemos. O PS deve viabilizar o Orçamento com o PCP e com o BE, afinal quem defende mais e maior Estado e que está a favor dos Megainvestimentos e consequente crescimento da despesa pública!

Quem defende, como caminho para a saida, numa aposta estratégica nas PMEs e nas famílias, não deve viabilizar este Orçamento, a não ser que aí estejam reflectidas as políticas que PSD e CDS defendem.

E não há drama nenhum se Cavaco Silva, perante um primeiro -ministro que julga que está a governar em maioria, avançar para a demissão deste governo e der posse a outro governo que faça parte da solução e não do problema, como é hoje evidente com Sócrates.

Sem esperança e na continuação de políticas sem esperança e que nos trouxeram a esta situação, há em Democracia cenários que podem romper com este círculo vicioso, onde não se faz nem se deixa fazer.

Há no país, uma profunda desilusão e o povo anseia por melhorias, ninguem julgue que haverá qualquer reacção a favor de quem, nos últimos cinco anos deu bastas razões para que não se acredite na sua tão autoapregoada competência.

Como diz MM ( e isto não leu no Aventar) é Sócrates que depende de Cavaco e não o contrário!

Dois comentários polémicos na semana que decorreu

Comecemos pelas polémicas da semana.
1-O jornal C.M colocou na pag 23, da sua edição de dia 17 Jan., como frase do dia, algo que afirmei – A Camara de Lisboa tem de encontrar uma soluçao para que os homossexuais se possam casar nas festas da cidade.ANTES OU DEPOIS do S.Antonio.
.
Acho isto do Santo António um fait divers , e uma provocaçao de lobys camários , que anunciaram algo, que nao podiam cumprir, sem consultar antes os protocolos com o Patriarcado, dando -lhe margem para mais uma chantagem, de assim , nao haver casamentos para ninguém .O objectivo pareceu me claro: por em choque convicçoes religiosas, contra os lgbt,que surgem como provocadores .Enfim…
De resto, nao creio que houvesse candidatos homos ao casamento para tal dia do Santo, apesar de uma das razoes da sua popularidade, ser fundamentalmente, os inúmeros presentes que chegam, de varias empresas, por razões de publicidade, o que obviamente, vem aumentar o enxoval, e facilitar o começo da vida dos nubentes.
De facto , estas marchas e arraias de índole pagã, foram inventadas pelo antigo SNI, como forma publicitária do antigo regime . Tiveram aceitação popular,e ainda bem, e depois, tem sido recuperadas pelas vereações eleitas democraticamente, post 25 de ABRIL.Nesse sentido, a sua formula tem evoluído.Recordo que antigamente as noivas tinham de fazer prova de virgindade para casar , como nos países árabes,mas tal prova não era pedida aos respectivos maridos.Hoje, seria um risco muito grande exigir tal prova…. pelo que caíu em desuso, total . [Read more…]

Células estaminais – Nem tudo está perdido

O Banco Público de Células Estaminais é uma prova de que ainda há razões para ter esperança nas pessoas. Em apenas um ano conseguiu 1 400 doações, objectivo inicial para dois anos. A partir do próximo verão já pode começar a salvar vidas.

Como se sabe, este tipo de células têm a capacidade espantosa de se puderem transformar num qualquer tecido do corpo humano, o que abre caminho para o tratamento de várias doenças, incluindo alguns tipos de cancro.

Os responsáveis esperam chegar às 3 000 dávidas no próximo ano e o centro vai fazer parte de uma rede mundial deste tipo de criopreservação de células estaminais.

Duarte Lima, um sobrevivente do cancro, leucemia, e que se salvou porque um dos seus irmãos é compatível, é um dos entusiastas da ideia, e veio ontem dizer-nos que esta rede mundial potencia a procura e as possibilidades de se encontrarem pessoas compatíveis.

A investigação deste tipo de células foi uma área muito prejudicada pelos conservadores americanos, tendo Busch como Presidente, que a proibiu .

O que talvez não saibam é que Portugal, com o Hospital Egas Moniz, é uma referência mundial nesta investigação, numa área extremamente delicada, a recuperação da medula em pessoas paraplégicas. Há já vários anos que se fazem operações naquele hospital em doentes nacionais e de todo o mundo que ali procuram alívio para os seus males.

Retiram-se células estaminais do nariz (há outras partes do corpo onde existem), são multiplicadas em laboratório e a seguir transplantadas para a medula do doente, que se autoregenera.(auto-transplante)

Um longo e extraordinário caminho está aberto para a ciência, na sua luta incessante contra a doença!

Poesia & etc.: José Gonçalinho de Oliveira

Neste grupo, José Gonçalinho de Oliveira é o segundo do plano mais elevado, junto da porta central. A fotografia data de 1962.

Entre as pessoas que conheci em Vila Real quando ali cheguei em 1961, estava um homem discreto, mais velho do que os demais elementos do grupo a que António Cabral me apresentou, o grupo do Movimento Setentrião. Tinha, nessa altura, 45 anos (a idade de meu pai) e aos meu olhos de jovem com pouco mais de 20 anos, afigurava-se-me um respeitável ancião.

Surpreendia, no entanto, a par do seu ar compenetrado e sério, parco de palavras – em contraste com a exuberância dos outros elementos, Cabral incluído, surpreendia, dizia eu, um sentido de humor agudo e a propriedade com que colocava as suas tiradas. Parecendo, à primeira vista, uma carta fora daquele baralho, depressa percebi que era um elemento valioso do grupo, um homem inteligente, alegre e espirituoso à sua maneira. [Read more…]

Memória descritiva: A capital e o capital – («Braga reza, o Porto trabalha, Coimbra estuda e Lisboa diverte-se»)

Capital é palavra com muitos significados. Das mais importantes acepções destaco duas, dois substantivos com géneros diferentes – o capital, acepção do foro da economia; a capital, na área da geopolítica. Dois famosos livros, entre muitos outros, celebram cada uma das acepções – «O Capital», de Karl Marx, e «A Capital», do nosso Eça. Como adjectivo tem também a sua importância – pena capital, por exemplo, para quem a ela tiver sido condenado, assume uma dimensão transcendente.

O significado de que, para já, me quero ocupar, é aquele sobre o qual Eça de Queirós dissertou num romance que viria, depois, a dar lugar à sua obra-prima «Os Maias». Isso mesmo, a capital de Portugal – Lisboa. No seu livro, Eça relata as vicissitudes de um provinciano numa capital, também ela provinciana. Porque naquela época final do século XIX, tal como agora, a capital era um espelho do País. Como se cada país tivesse a capital que merece.

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