Moedas irá privatizar Lisboa e entregar a gestão à esposa

Carlos Moedas, candidato do PSD à câmara de Lisboa, foi um súbdito fiel de Passos Coelho, esse Miguel de Vasconcelos que esteve ao serviço do poder estrangeiro, durante o período em que Portugal esteve sob ocupação da troika.

Uma das promessas que levou Passos Coelho ao governo foi a de não privatizar à toa, como podemos verificar num vídeo inesquecível, criado pelo Ricardo Santos Pinto.

Os CTT foram privatizados, sabendo-se que davam lucro e tinham, ainda, outras funções na compensação de um dos maiores problemas nacionais, o desequilíbrio entre litoral e interior, num país com regiões que caminham a velocidades demasiado diferentes.

Carlos Moedas teve um papel fundamental nessa e noutras privatizações. Por coincidência, a esposa de Carlos Moedas veio a integrar a estrutura que passou a gerir os CTT privatizados e transformados em lojas de má literatura, ao mesmo tempo que abandonaram povoações e passaram a funcionar pior, porque a incompetência é exclusiva do sector público, uma das mentiras da direita liberal para tomar conta de negócios e de monopólios.

Note-se que o PSD, na oposição, e bem, atacou o PS devido às teias familiares que atravessam o actual governo, mas já se sabe que o argueiro no olho alheio é sempre maior do que a trave que está no meu.

Caso ganhe as autárquicas em Lisboa, será que Carlos Moedas irá privatizar a câmara? Se isso acontecer, a esposa transitará para a equipa que passará a gerir a cidade? A brincar, a brincar…

Deixo, a seguir umas ligações sobre a importância de Carlos “videirinho” Moedas nesta história. É instrutivo, divertido e poupa-me trabalho. [Read more…]

Diálogo fictício, com recurso ao imperfeito, entre dois treinadores de futebol

SC: 11 contra 11, levavas cinco ou seis.
CC: Levava? Porquê? Já não levo?
SC: Não.
Fim

O Liberalismo Económico é necessário…

Mas não é suficiente para alguém ser liberal. O Bloco de Esquerda nunca desilude no campo da mentira.

Assédio de menores: Um manto de silêncio insuportável… Parte 2:

DepoIs das publicações no facebook e da queixa apresentada pelo pai da menor assediada, o artista plástico Jorge Curval foi entrevistado pelo Notícias Viriato.

(Fotografia do artista plástico da autoria de Pedro Meira/Olhares)

Os Hugos e as Venezuelas

Aos bimbos e às bimbas: fazemos vaquinha para expatriar o Hugo e salvá-lo desta Venezuela europeia?

Portugal não é a Venezuela. Portugal é Portugal, mas o Hugo é dos que acham que o PS, por ter “socialista” no nome, é, de facto, socialista; ou que o PSD, por ter “social-democrata”, seja realmente social-democrata – só isso demonstra que somos, de facto, Portugal. Ao Hugo falta ler mais e ler melhor, ver mais e ver melhor: pois, dizia Francisco Fanhais na sua “Cantata da Paz” que se “vemos, ouvimos e lemos”, então, “não podemos ignorar” – o Hugo aparenta ler pouco, ouvir mal e ver o que lhe convém. O Hugo não tem de pensar igual a uns, nem diferente de outros, mas sim pensar por ele : o princípio democrático aceita de bom grado que pense diferente; mas o princípio democrático também repele os Hugos da vida, que são anti-democracia e manipulam para proliferar: André Ventura…? Quem?

A extrema-direita ganha forma, ganha força e ganha ódio. O Hugo tem 22 ou 23 anos, frequentou exactamente a mesma escola secundária que eu. À época, e usando do clichê, parecia um miúdo normal, como o são tantos outros que, aos 17 e 18 anos, estão ainda na definição do carácter e do seu caminho. Estudou Ciências e Tecnologias, o que, à partida, poderia indicar que acabaria o 12.º ano preparado para enfrentar a vida com o conhecimento científico que nos impede, julgamos nós, de enveredarmos pelo caminho do populismo (um conceito, em si, anti-ciência, mas que terá a sua cientificidade). O Hugo cresceu, no seu contexto, moldou-se. Não privei assim tanto com o Hugo da escola secundária, que apesar de parecer pouco desenvolto para a altura nas conversas que tinha, parecia minimamente empático e nada reaccionário nas suas abordagens.

O Hugo jogou polo-aquático muitos anos e, segundo sei, com bastante sucesso. Deduzo que o esforço físico e o número/nível de pancadas na cabeça tenham prejudicado o crescimento do Hugo e consequente desenvolvimento cognitivo. Poderá ser uma explicação para o desvio do Hugo, neste caso concreto, mas não explica o desvio de outras centenas de jovens, nascidos na década de 90, pois nem todos somos do polo-aquático, mas alguns já são da extrema-direita. [Read more…]

Assédio de menores: Um manto de silêncio insuportável…

Ontem, no seu facebook, Filipe Ribeiro denunciou um caso de assédio à sua filha feito pelo conhecido artista plástico Jorge Curval (vou colocar aqui a palavra ALEGADAMENTE para evitar chatices para o Aventar). A sua filha tem 12 anos.

O que mais me choca é que passadas 24 horas persiste um manto de silêncio estranho na comunicação social. Sempre tão lesta quando toca a políticos ou jogadores de futebol…

 

Os independentes e o sistema

Quero começar por sublinhar que não me iludo com qualquer independentismo autárquico, ou não resultassem eles, tantas vezes, de cisões partidárias, de guerras entre caciques e das mesmas ambições desmedidas que conhecemos da política convencional. Não obstante, não pretendo embarcar em generalizações, até porque todos conhecemos casos de movimentos verdadeiramente independentes, feitos de cidadãos com uma ideia muito concreta para os seus municípios, que, numa democracia madura, devem ter o direito de apresentar projectos de governação local. A democracia, quando nasce, é para todos. Ou pelo menos devia ser.

Não admira, portanto, que, numa primeira fase, PS e PSD se tenham unido para tentar dificultar a tarefa destes independentes, procurando condicionar as suas liberdades civis e políticas. Porque são eles quem mais tem a perder, e porque os seus partidos, bem como parte significativa das suas bases, vive em exclusivo das redes de influência e do dinheiro que jorra das diferentes câmaras municipais, que garantem os lugares que mantêm as tropas motivadas, sem os quais os exércitos tenderão, naturalmente, para a extinção.

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22 anos de Bloquismo

Este fim-de-semana, o Bloco de Esquerda comemorou 22 anos. É um dos maiores partidos e tem uma importância incontornável na nossa História. Infelizmente, é pelos piores motivos. Há 22 anos, nasceu um partido que viria mobilizar pessoas pelas piores características que o ser humano tem: o ódio e a inveja.

A extrema-esquerda ganhou mais forma e está mais do que normalizada, o que é um mérito do Bloco, verdade seja dita. Normalizamos um partido com um espírito antidemocrático. O Bloco é o partido que facilmente critica instituições enormes que promovem a paz, mas que não consegue criticar organizações terroristas. O Bloco é o partido que faz manifestações contra Estados de outros países, mas que não se revolta com ataques ao Estado de Direito de quem lhes deu a mão. O Bloco é o partido que relativiza assaltos a bancos, mas que condena de forma veemente um momento asqueroso de um adversário político. O Bloco revolta-se facilmente, e bem, com atitudes de um ex-presidente dos EUA, mas pouco se indigna sobre bombardeamentos quando muda a pessoa. O Bloco quer policiar pensamentos, no entanto faz manifestações pela liberdade artística de um rapper espanhol. [Read more…]

Portuguese Fenders,

de Frank Zappa. Efectivamente.

Sondagem Aximage


Sondagem Aximage para o JN/TSF/DN. Que nos diz ela?

– Que o PS segue confortavelmente na liderança, a 11% do PSD, que não consegue descolar, apesar da pandemia e de todos os casos que envolvem o governo e o PS;

– Que o BE recupera, com uma ligeira subida nas intenções de voto, tal como o PCP, o PAN e o Livre, que regressa a valores que lhe permitem figurar nestes estudos e até eleger um deputado, ultrapassa o CDS. Boas notícias para a esquerda europeísta! Espero que não voltem a cometer o mesmo erro de casting que foi JKM;

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Olof Palme

Reza a lenda que, no pós-25 de Abril, numa visita de Estado a Estocolmo, Olof Palme terá questionado Otelo Saraiva de Carvalho sobre o propósito da revolução. Perante a resposta “acabar com os ricos”, Palme ter-lhe-á dito que, na Suécia, estavam há 20 anos a tentar acabar com os pobres. Nos 11 anos que se passaram entre este encontro e a noite do seu assassinato, a 28 de Fevereiro de 1986, Olof Palme dedicou a sua carreira política a este e a outros propósitos, igualmente nobres, deixando para trás um legado que se perpetuou até aos dias de hoje e que em muito contribuiu para que a Suécia se tornasse numa das mais prósperas nações do planeta, onde os poucos pobres que restam estão mais protegidos do que muitos daqueles que, por cá e não só, trabalham de sol a sol.

Olof Palme foi uma das grandes figuras da social-democracia, apologista de um modelo económico misto, capaz de conciliar uma iniciativa privada livre com um Estado Social robusto e abrangente, que não deixava ninguém para trás. Destacado defensor do sindicalismo, foi sob a sua batuta que se registaram os maiores avanços em matéria de legislação laboral, garantindo uma ampla moldura de direitos e protecções aos trabalhadores.

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Orgulho no passado?

Há pessoas que louvam a grandiosidade do passado português, com um discurso que revela arrepios e êxtases. As batalhas medievais, a gesta dos Descobrimentos, a acção dos restauradores da Independência, tudo é apainelado, pintado em murais virtuais gigantescos, do tamanho de uma glória incomensurável.

Não sou insensível aos feitos extraordinários dos nossos antepassados. É verdadeiramente incrível a coragem de quem participou num combate medieval ou a abnegação de quem viajou em frágeis naus por oceanos desconhecidos e entrou em selvas inóspitas. Talvez por ser um impotente de sentimento, como dizia Carlos da Maia, não consigo, no entanto, sentir orgulho, admiro à distância, gosto de saber, consigo espantar-me.

As mesmas pessoas que sentem orgulho no passado relativizam quase sempre as atrocidades. Ou porque outros fizeram antes o mesmo ou pior ou porque não fomos tão maus como os outros ou (e este é sempre muito interessante) porque é preciso atender ao contexto. Também há quem defenda que, no meio de tudo, interessa realçar o papel civilizador.

Colonizar um território foi sempre o mesmo – é como se eu, transportando uma arma, uma cultura e uma religião, entrasse no apartamento de uma família desarmada e lhes explicasse, tendo em conta a evidência da arma e a superioridade da cultura, que teriam de passar a viver na despensa, passando a existir para me servir a mim e aos meus. Algures, no meio ou no fim da história, ainda ficaria surpreendido com alguma reacção agressiva. [Read more…]

Tratado da Carta da Energia:

História de um Tratado que protege as petrolíferas e condena os estados a pagar muitos milhões. Os 53 países que o assinam abdicam da sua soberania legal e aceitam ser processados por empresas em tribunais arbitrais. Portugal é depositário.

Os “burgueses do teletrabalho” e outras oligarquias

Há tempos, quando a Mercadona abriu a sua loja na minha cidade, escrevi no Facebook que não me via ser cliente do supermercado espanhol, por ter o mesmo que os outros, que são portugueses, e por praticar mais ou menos os mesmos preços. Pouco tempo depois, ironia das ironias, tornei-me cliente da Mercadona, que ocupou o lugar outrora ocupado pelo Continente. E a que se deveu esta minha mudança de comportamento? A vários factores: o primeiro foi ter descoberto que a Mercadona tem políticas laborais que, no sector, se distinguem claramente dos restantes, nomeadamente na forma como tratam e recompensam os seus trabalhadores. A isto acresce que, em bom rigor, comprar à Mercadona ou comprar ao Continente, ou a outro supermercado qualquer de nacionalidade portuguesa, com sede na Holanda, vai dar ao mesmo. Para além de que a Mercadona, usando código de barras espanhol, compra grande parte dos seus produtos a produtores portugueses, numa proporção que não estará muito distante da concorrência. On top of that, é ao lado da minha casa, ao passo que os restantes supermercados está quase todos concentrados do outro lado da cidade. E isto, numa primeira fase, chegou-me.

Posteriormente, um novo factor veio juntar-se aos restantes. Se precisar de ajuda, para encontrar um produto na Mercadona, não tenho que andar de um lado para o outro à procura de um funcionário para pedir ajuda. Há, pelo menos cá na Trofa, funcionários em praticamente todos os corredores. E isso não acontece nem no Continente, nem no Pingo Doce. E eu ainda sou do tempo em que essa era a regra. Hoje, neste tempo em que o sector está dominado por estes dois gigantes, com sorte encontramos um funcionário a fazer reposição, que, em princípio, irá chamar um colega, porque a área dele não é aquela e ele não consegue ajudar.

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O Mamadou fica, os fascistas vão embora!

Pode ser um desenho animado de texto que diz "0 QUE FOI, MAFALDA, FICOU LOUCA? A GENTE TEM QUE CAMINHAR NHAR COM A HUMANIDADE, MIGUELITO CAMINHAR COM A HUMANIDADE!"

Juntei-me aos muitos que têm vindo a público deixar Em Carne E Osso que não queremos andar para trás em matéria de direitos adquiridos e de civilidade. A ofensiva contra Mamadou Ba tem uma intenção clara e, independentemente do acordo ou desacordo com o que ele pensa e diz, todos devem levantar a sua voz contra a tentativa de o silenciar, seja pela catadupa de ameaças à sua integridade, seja pelo mais recente apelo a que seja expulso do país.

Aqui fica o meu testemunho:

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Hoje, obviamente, não há *contatos no sítio do costume

Das Älterwerden ist in der Tat eine Erfahrung, die man nicht vorwegnehmen kann und wahrscheinlich ist das Sterben erst recht auch eine solche Erfahrung, die man nicht vorwegnehmen kann.
Hans-Georg Gadamer

We’ve seen it hard, we’ve seen it kind of rough.
Clinton/Worrell

More specifically, all training conditions that included the visual modality lead to more on-target productions than the audio-only training.
van Maastricht, Hoetjes & van der Heijden (2019)

***

A razão para não haver *contatos no Diário da República de hoje é simples e conhecida: ao sábado, não há Diário da República. Ontem, porque hoje é sábado, foi sexta-feira e, além disso, não foi feriado em Portugal. Por isso, houve Diário da República. Quando há Diário da República, a possibilidade de aparecerem espécies invasoras é extremamente elevada.

E essa possibilidade não tem a ver, note-se, com características concretas do Diário da República. O Diário da República mostra a quem quiser ver (há quem não queira ver) que o Acordo Ortográfico de 1990 afectou de forma negativa a consciência grafémica dos escreventes de língua portuguesa. Efectivamente, o Diário da República reflecte aquilo que actualmente acontece nas escolas de todos os graus de ensino, nas instituições de Ensino Superior, nas instituições de formação, nas instituições de investigação, nas empresas privadas, no sector público, nos partidos, nas agremiações, nas associações, na vida privada, enfim, em todo o lado. E o Diário da República, de facto, é uma montra. No entanto, como sabemos, uma montra não reflecte correctamente aquilo que se passa no armazém. O aspecto da montra é sempre óptimo e o espaço da montra é exíguo, sendo mostrada uma diminuta quantidade e uma reduzida variedade dos artigos que se encontram no armazém. O armazém, acreditai, é bem pior.

***

Na falta de palavras, o título fica: Alfredo Quintana!

Vai defender, vai defender. Esta não passa. Viste? Eu disse-te, pá!

Sou capaz de já ter dito isto umas milhares de vezes na bancada atrás da baliza no nosso pavilhão. Por vezes, com dezenas de pessoas à volta. Outras vezes, com meia dúzia. E algumas, até sozinho. Numa tarde de sábado às 18h ou numa noite de quarta-feira às 21h, pouco importava. E depois desta espécie de adivinhação, tu correspondias e as colunas do Dragão gritavam QUINTANA! E se o momento fosse digno de tal, lá te viravas para a bancada para festejar como se um golo fosse.

Vou regulamente às modalidades desde 2014, desde os meus 14 anos. Desde sempre vi o Quintana entre os postes. Era um exemplo de profissionalismo, mas também de portismo. A entrega a cada lance fazia com que cada um de nós o idolatrasse. Era muito mais do que um guarda-redes, era muito mais do que um atleta de andebol, era a personificação daquilo que acreditamos de uma forma religiosa que é a mística do Futebol Clube do Porto. No fundo, todos nós achamos que o nosso é melhor do que os outros. E todos nós gostamos de ter um Quintana. E todos nós gostamos de ter rivais como o Quintana. Todos nós gostamos de pessoas leais, mesmo que essa lealdade não seja dedicada a nós.

Por vezes, nos meus momentos mais vazios, penso se não perdi muito tempo a ir ao pavilhão, para jogos que acabavam com diferenças de 20 golos. Hoje, penso no que perdi ao não ir ver alguns desses jogos.

Ontem, a vida pregou-te esta partida. Sempre te distinguiste pelos teus bons valores. Agora, é a nossa vez de honrar o teu bom nome.

Lamento que uma família tão bonita tenha ficado sem o seu número 1. Sem aquele que todos nós temos como um verdadeiro gajo porreiro que emana felicidade por onde passa.

Obrigado, Alfredo Quintana.

 

 

A fotografia e os interesses de negócio de António Costa

Para sair bem na fotografia, António Costa diz assim:

Claro que a prioridade climática só interessa na medida em que não colida com o negócio, sendo metida na gaveta quando se trata de empurrar a todo o vapor e contra amplos protestos da sociedade civil um acordo de comércio livre (UE-Mercosul) que promove a desflorestação na Floresta Amazónica e no Cerrado, a expansão das monoculturas e pecuária intensiva à custa da destruição de ecossistemas naturais, a utilização maciça de pesticidas e a perda da biodiversidade, para além de pactuar com um presidente negacionista das alterações climáticas e sem escrúpulos em expropriar e violar os direitos dos povos indígenas.

Não saberá António Costa que, nos dois anos como presidente, Bolsonaro já vendeu 20.000 km2 de floresta tropical às companhias petrolíferas e de gás e que em 2020 a área desflorestada aumentou 10%, para mais de 11 mil quilómetros quadrados, ou seja, cerca de um nono da área de Portugal perdida em apenas um ano? Não saberá António Costa que o acordo vai agravar as alterações climáticas e perpetuar um modelo insustentável de negócio?

E tudo isto para trazer carne, soja e etanol para a Europa e vender carros e químicos aos 4 países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai)??? Ou talvez azeite?

Sr. Primeiro Ministro, basta de hipocrisia, dê ouvidos aos portugueses: segundo resultados de um recente inquérito em 12 países europeus, 85% dos portugueses concordam que o processo de ratificação deve cessar enquanto não parar a desflorestação da Amazónia.

E não nos queira deitar areia para os olhos com um anexo interpretativo, como aconteceu no caso do acordo EU-Canadá (CETA), que não vale o papel em que foi escrito, pois nada nele é vinculativo, “com dentes”, à altura do próprio acordo.

Ser campeão do Clima tem consequências e não são só as boas oportunidades de negócio das renováveis…

https://vimeo.com/454069419

P.S.- Petição Pública contra o acordo UE-Mercosul

Este país não é para resilientes

Transição energética, digitalização e obras públicas. É sobretudo destas três áreas que temos ouvido falar, quando o tema é o Plano de Recuperação e Resiliência. E poucas coisas nos dizem tanto sobre o país em que vivemos, sobre a União que integramos, como este conjunto de prioridades, que, não sendo negligenciável, em particular naquilo que diz respeito ao combate contra as alterações climáticas, parece ignorar uma parte do país real. A parte que foi silenciosamente empurrada para a pobreza, pela pandemia e pela ausência de uma estratégia que a contemple, que quer trabalhar e não pode, sem que nenhuma solução alternativa lhe seja apresentada. Os segregados deste admirável mundo novo.

E não, isto não se resume apenas à crise que se abateu sobre a restauração, sobre a cultura, sobre turismo, ou sobre o tecido produtivo, feito de micro, pequenas e médias empresas. Estão todos em muito maus lençóis, no doubt about that. Mas não são invisíveis, ou sequer ignorados, como outros que, não dispondo de tempo de antena, organização de classe ou de figuras mediáticas que os representem, com amigos influentes no Twitter e no Instagram, acabam esquecidos, nesta guerra pelos recursos europeus, ou pelas migalhas que sobrarão do banquete que se antevê.

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Estreia a Aventar

[Renato Teixeira]

Em tempos, quando saí do 5Dias, cheguei a conspirar com o João José Cardoso para rumar ao Aventar. Hoje já não temos entre nós o saudoso JJC mas essa conspiração ganhou forma pelo convite do Fernando Moreira de Sá. A blogosfera mudou muito nos últimos anos e eu não serei excepção a esse fenómeno. Dos acesos debates sobre este mundo e o outro, onde o tempo era mais importante que a gramática, agora o que se mantém vivo parece ser à conta mais da análise do que pelo relato do quotidiano. Mais pela investigação e denúncia, do que pelo pulsar de estados de alma. Não sei, agora que dou início a esta participação, o que mais me motivará, cá estaremos, eu e vocês, para o descobrir. Para quem nunca se tenha cruzado comigo cabe-me fazer a devida apresentação e declaração de interesses. Sou jornalista de formação e trabalho como consultor de comunicação, actualmente ao serviço do Sindicato dos Estivadores. Como jornalista trabalhei sobretudo temas relacionados com a política nacional e internacional e como consultor de comunicação passei de forma fugaz pela NextPower, do universo da LPM, e de forma mais prolongada pela CV&A. Politicamente comecei o meu envolvimento no movimento estudantil e no movimento antiglobalização e estive nos primeiros anos do Bloco de Esquerda, projecto que abandonei quando a maioria do partido deixou de colocar o PS no arco da governação para o passar a ter em conta para uma alternativa política. O Zé que fazia falta ao PS na CML, foi mesmo o balão de ensaio da geringonça. Depois de sair do partido dediquei-me sobretudo ao movimento social e sindical, bem como à causa palestiniana. Sou um refugiado de Coimbra em Lisboa, antigo da República Prá-kys-tão, apreciador de futebol e de gastronomia e serei sempre antifascista antes de tudo o resto. Obrigado ao colectivo pela abertura das portas deste espaço, onde espero poder contribuir para a bonita história de longevidade e diversidade que o Aventar representa.

Não podia dar inicio à minha participação no Aventar sem a devida homenagem a João José Cardoso, com quem partilhei a experiência militante, o amor pela escrita e a paixão pela Briosa.

Alfredo Quintana (1988-2011)

Em memória do menino de Havana que veio para Portugal cumprir o desiderato de ser o melhor do mundo, e que nosso país, pátria que já era a sua de coração, se tornou grande e nos tornou grandes. Um gigante do desporto português. Uma força viva da natureza, com uma capacidade de trabalho, com uma entrega e com uma paixão abismal pela sua profissão. O nosso desporto ficou mais pobre. Adeus Alfredo. Obrigado por tudo!

Como era óbvio!

O Ministério da Saúde decidiu usar SMS para convocar pessoas com mais de 80 anos e pessoas com 50 a 79 anos que sofrem de comorbilidades (doença coronária, insuficiência cardíaca ou renal ou doença pulmonar obstrutiva crónica.

Conforme foi anunciado em início de Fevereiro, o SMS “vai ser a modalidade preferencial de convocatória das pessoas destes grupos, sempre que haja informação no sistema que permita esse contacto”, explicou o presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), Luís Goes Pinheiro

Como é fácil de constatar, nesta faixa etária há enormes dificuldades no uso da tecnologia, pelo que se poderia prever este desfecho: “Apenas 55% dos convocados responderam ao SMS para serem vacinados contra a covid-19“. [Read more…]

Fique em casa

Os pastores decidiram, que o confinamento é para manter…

Comunismo nunca mais!

Há 52 anos, em Praga, Jan Zajíc queimou o seu próprio corpo em protesto contra o comunismo. Não pode haver contemplações com um ideologia criminosa. Jan Zajíc é um herói.

Marcelino da Mata e outros instrumentos de propaganda

Não vou entrar no debate Herói VS Vilão. Na Guerra Colonial, o vilão era Salazar e o seu indissociável regime. Não havia outro. Todos os outros foram vítimas, umas mais que outras, e cada um fez as suas escolhas, mais ou menos condicionadas. Marcelino da Mata escolheu servir o regime fascista. Se o serviu por convicção, interesse ou medo, é dúvida que dificilmente será esclarecida. Podemos apenas especular. Mas isso também não interessa para nada! Porque a discussão que se gerou não foi sobre Marcelino da Mata, mas sobre o que certas forças quiseram que Marcelino da Mata representasse na hora da sua morte.

Digam o que disserem os saudosistas, Marcelino da Mata foi instrumentalizado pelo Estado Novo. Foi, literalmente, sem aspas, um instrumento de propaganda. Não está em causa se voluntariamente ou não. Poderá não o ter sido numa fase inicial, mas, seguramente, houve um momento em que percebeu qual o seu propósito e utilidade para o regime fascista: um negro leal ao regime opressor, que Salazar usou para dizer aos negros colonizados que aquela guerra não era entre a metrópole autoritária e as colónias subjugadas, mas entre um Portugal de todas as etnias e raças, que nunca existiu, e um bando de insurgentes criminosos, que calharam de ser todos negros e descendentes dos povos colonizados.

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Vai ficar tudo bem? Não,vai ficar tudo na mesma

A organização international ONE – que conta, no seu “board of directors”, com perigosos paladinos anti-capitalistas como David Cameron, Lawrence Summers, Sheryl Sandberg ou Bono Vox – publicou, no final da passada semana, um relatório que revela que o excedente de vacinas adquirido pelas nações mais ricas (UE, EUA, UK, Austrália, Canadá e Japão) seria suficiente para vacinar toda a população adulta do continente africano. Só que não, porque vamos todos sair disto mais unidos e fortes, a fazer corações com as mãos e a desenhar arco-íris nas janelas, a cantar kumbayas e o “põe tua mão na mão do meu Senhor”. E vai ficar tudo bem, eventualmente, excepto para aqueles que nasceram do lado errado da sociedade capitalista.

Polícia Socialista Parva (PSP)

Este fenómeno muito querido às esquerdas de tentar policiar o discurso e a própria História não é de agora. Aliás, já aqui tinha falado d’A Era do Cancelamento. No entanto, na semana passada tivemos três tentativas de cancelamento por parte da PSP. Digo tentativa, porque por muito que a esquerda transmita a sua ideologia em forma de única maneira decente de pensar, não acredito que consigam apagar a nossa História, para o bem e para o mal.

 

Começámos a semana com a tentativa de cancelar o Ricardo Araújo Pereira, porque este falou mal do PS. Parece-me que isto começou com uma socialista a lembrar que RAP já fez blackface e que usou termos homofóbicos, que “já lhe foi explicado que isso não é ok”. A PSP considera que é propriedade de uma instituição considerar os termos que estão à disponibilidade de Ricardo Araújo Pereira para utilizar nos seus sketchs humorísticos. A mesma esquerda que se pendura à liberdade de expressão para defender um rapper que faz apologia ao terrorismo é aquela que não pode ver uma cara com base a mais ou ouvir a palavra “maricas” num sketch. E nem estou a tomar um lado, estou a mostrar o duplo critério da PSP. Se é para cancelar consoante os nossos gostos, gostava de poder cancelar o Félix, porque ainda não esqueci aquele golo no Dragão. Não há cancelamentos pedidos?

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“Vida digna”, disse António Costa

Entretanto, do alto da sua função de presidente temporário e decorativo da burocracilândia europeia, António Costa quer um salário mínimo europeu que permita uma “vida digna” aos cidadãos da União, enquanto milhares de cidadãos do país que governa, dos sectores mais afectados pela crise, os chamados “não-essenciais” (apesar de essenciais para quem deles depende para comer e pagar as contas básicas), submergem na degradação provocada pelo abandono e pela ausência de soluções concretas, aprofundando a discórdia e a fractura social, a divisão e o confronto, que, em bom rigor, lhe permitem continuar a reinar. Que se desenrasquem, dizem uns. Que morram os velhos, dizem outros. Que triste enfrentamento, penso eu. E que excelente oportunidade de capitalizar com o sofrimento e a revolta, afirmará o neofascista de serviço, enquanto esfrega as mãos e se passeia, aos saltinhos de coelho-anão, por entre a merda que espalhou por todo o lado.

Sem um Plano Nacional de Vacinação Brasil segue no caos

O Brasil já ultrapassa 240 mil mortes pela covid 19 e a (falta) de gestão bolsonarista segue aumentando o número de mortos. Fakenews, negacionismo, teatro para manter a boiada  cativa enquanto líderes tomam vacina na calada e falta de um plano nacional de vacinação, colocaram o país na berlinda. Para completar; várias denuncias de vacina fake, onde pessoas não são vacinadas de fato, além de doses inteiras perdidas por má gestão municipal. Parece um roteiro de um filme de terror mas está acontecendo na vida surreal brasileira.

 

Organograma: a repetitiva, populista e demagógica cassete do fascismo português


Neste organograma, podemos contemplar o funcionamento simplificado do falso patriotismo e do racismo primário, inerentes à condição de militante/simpatizante da extrema-direita portuguesa, ela própria uma existência simplificada, falsa e primária. Nunca falha. Vira a cassete e toca a mesma.