Isto envelheceu muito bem…

O PS elegeu os dois deputados….

PSD: o problema do original e da cópia

O PSD, através da JSD, decidiu colocar este outdoor. A cópia ao estilo IL é por demais evidente. Será isso um problema?

Podia até nem ser. Uma boa cópia até pode ser valorizada. Só que a questão é outra: a mensagem é absolutamente de nicho. A esmagadora maioria das pessoas vai olhar para o cartaz sem fazer a mínima ideia do que raio é a “Succession”. E a minha questão é um pouco mais simples: o objectivo do PSD agora é falar para os nichos? Um partido que se quer líder da oposição e o maior partido do centro direita vai dedicar o seu tempo e os seus recursos a falar para a malta do twitter? É esse o caminho? Cheira a despiste…

Quem vê futebois não vê opressões

A comunicação social já está de olhos postos no Portugal X Turquia de amanhã. Como sempre, mesmo em tempos de guerra, nada como o futebol para interferir com a grelha informativa, há um mês obcecada, como nunca, por uma das muitas guerras que decorrem no planeta Terra.

O jogo é a primeira etapa dos playoffs que poderão levar Portugal ao Mundial do Qatar. Um Mundial marcado desde cedo por suspeitas de corrupção na escolha do anfitrião. Um Mundial que acontece numa monarquia absoluta, com níveis de opressão não muito diferentes dos da Federação Russa, que também organizou, recentemente, um Campeonato do Mundo de Futebol. Um Mundial ensombrado pelas denúncias internacionais de abuso de direitos humanos, com trabalho escravo na construção dos estádios e infraestruturas, sem condições dignas, que de resto levou à morte de mais de 6500 trabalhadores. Ou escravos, como preferirem, até porque, em muitos casos, os “trabalhadores” podem legalmente ser sujeitos ao trabalho escravo, não podendo sequer ausentar-se do país sem autorização do patrão. Ou, se preferirem, do oligarca lá do sítio.

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Se és extremista, já foste…

Esta não é uma guerra ideológica. Ao contrário do que alguns (fracos, fraquinhos) tentam fazer crer, não são ideologias políticas que aqui estão em confronto. No limite, poderão estar (e provavelmente estarão) em causa os extremos da geometria política. No limite, poderão estar em confronto a democracia e todas os outros sistemas que não respeitam os direitos fundamentais.

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Let’s look at the trailer….

Podem ir buscar as pipocas.

Nuno Melo e a reabilitação da delinquência

Segundo Nuno Melo, jovens delinquentes ganhariam com a formação das Forças Armadas. Acho que ganharíamos todos. Acontece que há quem faça o serviço militar obrigatório para depois chegar cá fora e se ver envolvido em esquemas criminosos com luvas e submarinos, para não falar em financiamentos ilícitos à Jacinto Leite Capelo Rego. Há até quem assine resoluções de bancos na praia, enquanto degusta um cocktail com um mini-guarda-sol e fruta na borda, sem ler as letras pequenas. Ou as grandes. Ou qualquer letra. Se a tropa poderia ter feito alguma coisa por isto? Não sei. Mas três meses na solitária sempre dariam para reflectir sobre o sentido da vida.

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José Milhazes explica o corporativismo tuga

Ontem, na SIC Notícias (o vídeo ainda não está disponível mas podem ver AQUI) José Milhazes colocou o dedo na ferida sobre a questão dos ucranianos em Portugal, relembrando o que se passou há uns valentes anos. Foi nos anos noventa do século passado que Portugal recebeu um número bastante elevado de ucranianos que vinham procurar uma vida melhor.

Uma boa parte deles, provavelmente a maioria, eram trabalhadores qualificados no seu país (cirurgiões, enfermeiros, professores, engenheiros, etc.). Em Portugal trabalhavam nas obras, na limpeza de casas, na hotelaria. E porquê? Como José Milhazes muito bem sublinhou: “graças ao sistema corporativo existente nas nossas universidades de defesa do nosso tachinho” e prosseguiu recordando que muitos deles andaram anos e anos para verem os seus cursos superiores reconhecidos (e alguns nunca o conseguiram). O mesmo se passou (será que ainda passa?) com muitos brasileiros.

Agora, por causa da invasão da Ucrânia e segundo os números divulgados ontem por António Costa, já chegaram mais de 14 mil ucranianos a Portugal e muitos mais estão a caminho por este andar da guerra. Será que Portugal mudou? Será que o corporativismo da nossa Universidade é coisa do passado? Não acredito mas….

Ucrânia Rejeita Mário Machado

É o que se pode ler na capa do DN de hoje. Lê-se também:

“Não queremos este tipo de pessoas no nosso país.

A pessoa que refere não pode ser aceite na legião internacional”, garante adido militar ao DN, justificando-se com o facto de serem excluídos combatentes com cadastro. E rejeita a hipótese de o neonazi condenado se juntar a uma milícia.

Não sei quanto a vós, mas eu tenho o DN como um jornal sério. Sendo verdade, isto é um embaraço ainda maior para a justiça portuguesa, que suspendeu as apresentações quinzenais de Mário Machado sem se certificar que o líder neonazi reunia condições para combater na Ucrânia. Pelos vistos, não reúne.  Agora – em princípio – vai ter que abrir um procedimento para anular a suspensão das apresentações quinzenais do arguido. E entretanto ele já foi. Não aprenderam nada com o João Rendeiro.

Portugal sempre vergado ao capital

“Espanha defende que deve haver uma alteração do mecanismo de fixação dos preços, deixando de indexar o preço da electricidade ao preço do gás, enquanto Portugal defende uma liberalização nas taxas do IVA sobre a energia.“

Mais uma vez, a posição de Portugal é contra os portugueses. Como aquela história do corte de subsídios às renováveis: a Espanha, enfrentou, fez às abertas e viu-se a braços com 50 casos de ISDS. Mas, pelo menos, os espanhóis sabem que estão a ser atacados em grande pelo capital estrangeiro. Portugal, fez tudo por baixo da mesa, orgulha-se de nunca ter sido processado pelos amigos investidores que têm a faca e o queijo na mão e andamos a pagar tarifas feed ins e outras que tais há uma data de anos sem sequer sabermos disso, e vamos continuar a pagar.

“Os consumidores estão a pagar esse “desastre criado pelo governo de José Sócrates”, que se traduz em pagar a energia a 290 euros por megawatt/hora até 2028, “quando o preço de mercado anda pelos 40 euros”, tudo devido às garantias dadas aos investidores, as chamadas “feed-in tariff”, uma forma de acelerar o investimento nas energias renováveis dando como contrapartida contratos de longo prazo.”

“A generalidade da opinião publica não se apercebeu disso, mas estamos amarrados a contratos que o Estado fez em nosso nome até 2032. Alem de termos uma dívida tarifária, proveniente desse completo disparate tecnológico a que estamos amarrados”, diz.

Esta avidez dos governantes pelos negócios, à custa dos portugueses e do ambiente, é asquerosa.

Era o mercado a funcionar, estúpido!

Em 2017, a petrolífera Exxon foi multada em 2 milhões de dólares, por violar as sanções impostas por Washington a Moscovo.

O CEO da empresa, à data dos factos, era Rex Tillerson. Acontece que, à data da multa passada pelo Tesouro norte-americano, Tillerson já não dirigia a Exxon. Era o Secretário de Estado dos Estados Unidos. Under Donald Trump.

Os factos remontam a 2014. Dizem respeito a sanções aplicadas pelos EUA à Federação Russa, no contexto da ocupação da Crimeia e da queda do voo da Malasyan Airlines. Sanções que a Exxon violou aquando da joint venture com a Rosneft no mar de Kara.

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O meu Tom Tom, a Direita e as Direitas

O surgimento do Chega envergonha a minha direita. Sempre soubemos que eles “andavam por aí”, nalgumas conversas de café, no átrio de algumas empresas, nos corredores de algumas universidades. Com o Chega perderam a vergonha. Aliás, para ser justo, com as redes sociais perderam a vergonha e com o Ventura fizeram matilha. A minha direita sempre temeu que esta malta saísse da caverna. E porquê? O meu velhinho Tom Tom já vai explicar.

A minha direita, defensora dos três pilares fundamentais da sociedade (Liberdade, Igualdade e Fraternidade) sabia que, com o surgir do Chega, outras direitas aproveitariam para atiçar a matilha e colocarem os gajos das cavernas a fazer aquilo que eles não queriam fazer/dizer e, com isso, como bem me avisou o meu Tom Tom, servirem de ponto de defesa para uma outra esquerda continuar a ser aquilo que sempre foi. A minha direita não precisa de comparar o Chega com o PCP. A minha direita sabe muito bem o que historicamente as ideias do Chega representam. Tal como sabe muitíssimo bem o que historicamente representa o comunismo internacional em geral e o PCP em particular.

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GPS: da esquerda para a direita

O Chega, nos últimos anos, foi um desbloqueador de alguma continência a que a direita se sentiu forçada durante alguns anos. Dito de outra maneira: alguma direita perdeu a vergonha e voltou a sentir o odor do 25 de Novembro, porque a direita adora o cheiro a extinção de esquerda pela manhã.

Muita dessa direita, alegadamente defensora da democracia, começou a aproveitar as críticas ao Chega para dizer que os extremos se tocam e que, portanto, o PCP ou o Bloco, por exemplo, eram tão maus como o partido de André Ventura, porque defendem ditaduras ou porque ser de esquerda é ser inevitavelmente defensor de ditaduras.

Algumas pessoas de esquerda ainda têm tentado explicar que há um espectro democrático que inclui partidos de direita, mas não o Chega, mesmo sabendo-se que esta espécie de partido é mais uma jogada populista do que uma agremiação ideologicamente consistente. A verdade, no entanto, é que a quantidade de nazis e de fascistas assumidos torna a subida do Chega preocupante. [Read more…]

Rui Pedro Braz – de cartilheiro a suspenso foi um pulo

Este senhor chama-se Rui Pedro Braz. Andou pelas televisões como “comentador independente” mesmo quando muitos diziam que ele não era independente, era um cartilheiro do Benfica. Entretanto, deixou de ser comentador e foi para…….exacto, dirigente do Benfica.

Enquanto andou pelas televisões criticava, violentamente, o que se passava nos bancos de suplementes de todos os clubes. De todos? Bem, quase todos. Ora, a personagem em causa foi hoje condenado a 23 dias de suspensão. E porquê? Porque na qualidade de dirigente do Benfica e estando sentado no banco, proferiu as seguintes declarações:

“É uma vergonha caralho. És um filho da p. caralho!” Após o final do jogo, quando a equipa de arbitragem se dirigia para o balneário, Braz disse: “És uma vergonha, não olhes para mim que eu não tenho medo! Vai para o caralho!”

A piada faz-se sozinha….

Os velhos colaboracionistas franceses voltaram….

A Renault, a exemplo da Nestlé*, a manter uma velha tradição nacional colaboracionista. Anda Macron pelos palcos internacionais a bradar contra Putin e no segredo dos gabinetes do capitalismo selvagem business as usual…. hipócritas do caralho.

*Sim, erro meu, a Nestlé não é francesa. De todo o modo, aqui ficam outras empresas (palmado ao nosso Carlos Osório) que, tal como a Renault, continuam na Rússia: Leroy Merlin, Danone, Auchan ou Decathlon.

Abaixo o mistério da poesia

Abaixo o mistério da poesia

Enquanto houver um homem caído de bruços no passeio
E um sargento que lhe volta o corpo com a ponta do pé
Para ver quem é,
Enquanto o sangue gorgolejar das artérias abertas
E correr pelos interstícios das pedras, pressuroso e vivo como vermelhas minhocas
Despertas;
Enquanto as crianças de olhos lívidos e redondos como luas,
Órfãos de pais e mães,
Andarem acossados pelas ruas
Como matilhas de cães;
Enquanto as aves tiverem de interromper o seu canto
Com o coraçãozinho débil a saltar-lhes do peito fremente,
Num silêncio de espanto
Rasgado pelo grito da sereia estridente;
Enquanto o grande pássaro de fogo e alumínio
Cobrir o mundo com a sombra escaldante das suas asas
Amassando na mesma lama de extermínio
Os ossos dos homens e as traves das suas casas;
Enquanto tudo isso acontecer, e o mais que se não diz por ser verdade,
Enquanto for precido lutar até ao desespero da agonia,
O poeta escreverá com alcatrão nos muros da cidade:

ABAIXO O MISTÉRIO DA POESIA.

António Gedeão

O novo Hitler

Mário Machado, o privilegiado

A extrema-direita, querendo apresentar-se como antissistema, teima em ser o seu pior reflexo. Basta ver o caso de André Ventura, que passa a vida com o sistema na boca, mas também no bolso. Ou no bolso dele, do sistema. Do SL Benfica à CMTV, passando pela elite de milionários com quem se reúne e junto da qual obtém financiamento para o seu partido, não esquecendo as origens políticas do outrora afilhado de Pedro Passos Coelho, que nunca deixou Ventura cair, mesmo quando o próprio CDS se afastou da sua candidatura à autarquia de Loures, nas Autárquicas de 2017. O cheiro a racismo era já demasiadamente nauseabundo para tolerar. E quando abandonou o PSD, um dos partidos que é em si mesmo o sistema, o líder da extrema-direita não veio sozinho. Trouxe e continua a atrair inúmeras figura da casta de privilegiados da São Caetano à Lapa. E do que resta do Caldas.

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Cronologia do “mas”….

Primeiro começaram a dizer que o Putin não ia invadir a Ucrânia e que as informações dos serviços secretos dos EUA eram falsas e uma forma de Biden pressionar para uma guerra. Putin invadiu.

Depois veio a treta que Putin apenas estava a realizar uma “operação militar” em zonas historicamente russas. Putin começou a invadir em zonas diferentes das tais “historicamente” russas.

A seguir a narrativa passou a ser que a Rússia apenas estava a bombardear zonas militares. Rapidamente se viu que Putin manda bombardear tudo e um par de botas. Nem escolas, teatros ou hospitais escapam.

Como a coisa estava a ficar pouco suportável para as teses do “putinismo escondido” nas mentes de certas almas de extrema esquerda e direita, passaram à fase da pornografia pura: a solução passa pela rendição da Ucrânia, por promover a paz impedindo a Ucrânia de receber armas e pela rendição sem condições de Zelensky.

Como diz o João Mendes: ide-vos foder!

E a malta do “mas” também…

Dia Mundial da Poesia – Defeat de Michael Prochaska

Refugiados da 1ª Grande Guerra


Defeat

Blood starts drippin’ from the soldier’s wound
Seeps like sewage ‘neath the politician’s room

Deep in the house, white fades to red
And the freedom we’re fighting for seems to be dead
‘Cause we can’t win like he once said
No we can’t triumph over the hate in our enemy’s head
But we’re deep in mud over the bullshit we’ve been fed
While more and more soldiers awake in Heaven’s bed

The wind is blowing like a hurricane
In the frightening desolated lands
Where the wolves are insane
And hawks feast on bloody hands

Bullets flying, children dying, mothers crying
While the beasts are lying and hiding
Behind black curtains that no one’s finding
But God knows the truth, and He’s forevermore sighing

Too many hands washed in widows’ tears
Too many echoed gun shots ringing in ears
Too many hearts frozen numb from fears
Of hope too distant, like skylight chandeliers

Wounded souls soaked in blotched black fate
Disillusioned by dark demons’ fate

Persistent nightmares of woebegone escape:
Screeching fervently under Liberty’s Gate
I grasp the rope fabric with delicate care,
Neck tickling from its bristly hair
My chapped, dry lips whisper a final prayer
Before a tightening ravish pain permeates the air

A bright radiant flash scorches the cloudless horizon
And ashes drift upward, caressing my bare, dangling feet
Bleak, barren, biting malice below seems blazon
But the dead know not the sentiment of defeat.

Michael Prochaska, 2007

Colossal lata

@observador.pt

Fiquei chocado com a evidente hipocrisia que a esquerda histericamente demonstrou a propósito do despacho judicial que alterou as medidas de coacção aplicadas a Mário Machado de forma a permitir-lhe deslocar-se para a Ucrânia. Além de ninguém se ter preocupado ou sequer referido a fundamentação jurídica do despacho, a “ira” focou-se na alegada normalização da “extrema-direita”.

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Ucrânia: últimos números sem mas nem meio mas…

Mais de 10 milhões de ucranianos foram deslocados. O equivalente à população de Portugal.

Mariupol foi arrasada. Cerca de 80% das suas infraestruturas estão danificadas ou destruídas. Uma das maiores da Ucrânia e considerada russófona pelo invasor. Imaginem se não fossem.

Em boa parte da Ucrânia estão a ser bombardeados hospitais, refúgios e lares de idosos.

Os EUA e a UE querem voltar à sua confortável corrupção, comprando petróleo e gás russos, aplicando sanções fracas, falando da boca para fora sobre a democracia, convidando Putin para Davos. Os ditadores sempre escalam e o Ocidente continua dobrando. Mas desta vez existe um problema: a Ucrânia se recusa a desistir – Garry Kasparov, antigo campeão do Mundo de Xadrez (Rússia).

A agressão violenta contra a Ucrânia não para, um massacre insensato onde a cada dia se repetem destruição e atrocidades. Não há justificativa para isso. Suplico a todos os atores da comunidade internacional, para que se empenhem realmente para pôr fim a esta guerra repugnante” – Papa Francisco (para citar alguém de quem a esquerda gosta).

This is not about Ukraine at all, but the world order. The current crisis is a fateful, epoch-making moment in modern history. It reflects the battle over what the world order will look like” – Sergei Lavrov, Russian Foreign Minister (para citar outro querido de certa esquerda e de certos militares filhos de putin que andam pelas televisões).

Wohlstandsverwahrlosung.

 

Ucrânia e Nestlé

Questão secundária

Perante a crise climática e o movimento acelerado do planeta para o abismo, a custo e a más horas, com todo o cuidadinho para não magoar os gigantes da indústria fóssil, os países ocidentais e também a China, estavam de facto a tomar medidas para uma economia (mais) liberta de combustíveis fósseis.

Sabendo-se que a economia russa se baseia, sobretudo, na exportação de petróleo, gás natural e metais preciosos, até que ponto terá este factor influído na mente perversa de Putin para avançar para a barbárie que iniciou no passado dia 24 de Fevereiro?

Bombardeamento do Teatro Drama em Mariupol

Cronologia:
1 – A Ucrânia afirmou que os russos bombardearam o “Teatro Drama” em Mariupol onde se encontravam cerca de 1.000 pessoas;

2 – Nós vimos várias imagens dos escombros desse mesmo teatro e dos esforços para resgatar pessoas de entre eles;

3 – Ucrânia acusa Rússia de mais um crime de guerra;

4 – Rússia nega ter bombardeado o Teatro Drama;

5 – Parlamento ucraniano vem informar que não houve vítimas desse bombardeamento.

Como é expectável em guerra, a desinformação e a contra-informação é o que nos é servido por ambas as partes litigantes com a conivência dos órgãos de comunicação social afectos a cada lado.
É triste, temos dificuldade em conhecer a verdade, se é que alguma vez a viremos a saber.
Sabemos, isso sim, que estão a morrer muitas pessoas a cada dia [Read more…]

Tabu – Bruno Nogueira

Quando ouvi falar sobre o programa fiquei reticente. Os temas são complexos e não é fácil fazer humor com eles. O Bruno Nogueira conseguiu ser, uma vez mais, genial. E não era nada fácil.

O Bruno Nogueira surgiu, para mim, naquele momento genial de “o senhor do bolo” numa gala de aniversário da SIC. Depois, a fazer-me rir de forma descontrolada nas manhãs a caminho do trabalho com os seus “Tubos de Ensaio” na TSF. Até que me ganhou completamente na pandemia com os seus directos no Instagram.

O Tabu é o seu mais recente momento de genialidade. Um programa que é verdadeiramente de serviço público. Ide ver. Vale mesmo a pena.

Zelenskyy VS Putin: o herói acidental e o odioso tirano

Existe um motivo, quer-me parecer, que faz com que Vladimir Putin não queira encontrar-se num frente a frente com Volodymyr Zelenskyy. Mais do que ser a personagem mais odiada do planeta, no presente momento, o que contrasta com a aura de último grande herói do presidente ucraniano, Zelenskyy é, literalmente, a antítese de Putin.

O primeiro é um actor e humorista que decidiu enveredar pelo mundo da política, como é seu direito (eu “punha” muito rápido o RAP, o Bruninho, a Cátia Domingues, o Markl, a Joana Marques ou o Diogo Batáguas no lugar de 80% dos deputados que estão na AR, sem pestanejar), e que agora lidera, com bravura e uns imensos tomates, a resistência à violenta invasão de um tirano que não pode argumentar estar rodeado pela NATO para invadir, esmagar e ocupar um Estado soberano que nem sequer integra a Aliança. Até porque os mísseis dele também estão apontados para cá. O argumento é real, mas não legitima, de forma alguma, a destruição em curso. Para “libertar” o Donbas, não precisa de sitiar Kiev ou bombardear Mariupol. Putin, um dos maiores financiadores da extrema-direita europeia, ele próprio um ultranacionalista, não quer desnazificar coisa nenhuma. Quer, apenas e só, decapitar e substituir o poder político ucraniano, para lá colocar outro do seu agrado.

Nenhum argumento, real ou ilusório, justifica uma invasão militar. Resistir é a única saída, mais ainda para quem recusou uma extradição segura e um exílio de luxo no outro lado do oceano. E essa é a grande afronta, talvez a maior de todas, que Zelenskyy poderia fazer ao rei-sol do Kremlin, que o olha com desdém e indigno, ele ao seu povo, de existir como nação. E eles a resistir, outnumbered and outgunned:

  • If I was in World War III they’d called me Spitfire.

A música anda sempre à frente do seu tempo.
Adiante.

O segundo é um carreirista de dois regimes, sendo hoje proprietário de facto do segundo. Começou nos serviços secretos, fez-se a vida, subiu até onde pôde e deu o salto para a política, como qualquer carreirista que se preze. Foi, desde sempre, do sistema. Mas a escalada foi impressionante, seguramente apoiada nos mesmos métodos que aprendeu e desenvolveu – com mestria, diga-se – no KGB, e é hoje o senhor absoluto da Federação Russa. Algo que lhe poderá até correr mal, mas outro dia lá iremos.

Putin é o sistema. No seu expoente máximo. O grande irmão que tudo controla, que corrompe, que persegue, que discrimina, que agride. O sistema elitista que dizima quem se lhe opõe. Que tortura, envenena e mata. Putin é a negação da democracia. E a democracia também tem os seus pequenos putin-minions, que o digam iraquianos, iemenitas ou vários povos da América Latina. Acontece que, por cá, temos o poder de lhes tirar o poder. Algo que não acontece na Federação Russa. Não é uma diferença de somenos. Faz toda a diferença. Toda.

Há muito que pode ser dito e apontado a Zelenskyy. Deixarei esses factos para outro dia. Mas não existe comparação possível entre um tirano e um político imperfeito, como o são todos, em maior ou menor grau. Em todo o caso, Zelenskyy é hoje a figura mais aproximada a líder do mundo livre, ainda que acidentalmente. Pela coragem, pela determinação e pelo exemplo. Quando os americanos saíram cobardamente do Afeganistão, ainda “ontem”, Ashraf Ghani foi o primeiro a pôr-se a milhas. Com uma mala cheia de dólares. Zelenskyy podia ter seguido a mesma via. Podia ter sido o Puidgemont que fugiu para o exílio em Bruxelas. Mas ficou. E talvez venha a morrer nas próximas semanas. Mas é ele, não as armas “cedidas” pelo Ocidente, um dos poucos que poderão dar a vitória, altamente improvável, à Ucrânia. A História contará a sua história. Cantará a sua história, concorde-se ou não com ela. Já Putin será apenas mais um merdas do Hall of Fame das abominações, à mesa com Hitler e Estaline. No esgoto da História. Para ser odiado para sempre, excepto por aquela malta que, por motivos variados, opta por branquear o ocasional ditador. A democracia tem destas coisas. É uma brincalhona.

Não temos escapa

2,7 milhões de euros para aqueles que a ministra Maria do Céu Antunes tão carinhosamente sempre denomina de “nossos agricultores”, ou seja, para as absurdas culturas intensivas de regadio. É a tal coisa: gastos públicos, lucros privados. Com um descaramento emproado, é o sector privado – o tal que tanto se revolta contra os impostos e anseia minimizar o estado – o que mais alto grita e estende a mão quando há crise. E os lobbies funcionam às mil maravilhas com este governo sedento de investimento à custa dos cidadãos e do futuro do planeta.

 

Vladimir Putin e as sanções

Há quem esteja a enveredar pelo caminho da xenofobia. Existem até relatos de crianças russas insultadas em escolas por cá e noutros pontos da Europa. Mas nenhum povo, como o russo, sabe o que é a mão pesada de Putin. Há 20 anos.

Entretanto, aqui ao lado, o Povo Saauri

Para surpresa de muitos (os argelinos ainda estão em fúria) o governo espanhol recuou e decidiu reconhecer que o Saara Ocidental como parte integrante de Marrocos (como uma região autónoma). Uma machadada ao Povo Saauri que sempre teve Espanha como aliada. Marrocos controla mais de dois terços do território e propôs um plano de autonomia sob sua soberania. O povo Saauri, por sua vez, quer um referendo de autodeterminação organizado pela ONU. Não querem pertencer a Marrocos.

O governo espanhol do PSOE e do Podemos recuou e aceitou as exigências de Marrocos, depois de meses e meses em que as relações entre os dois países estiveram tensas porque Espanha, em 2021, recebeu o líder da Frente Polisário, Brahim Ghali, para ser hospitalizado. O Saara Ocidental é uma antiga colónia espanhola que foi abandonada à sua sorte e que Marrocos procurou sempre tomar como sua contra a vontade da maioria da população local.

Atenção ao que se vai passar nos próximos tempos com a Argélia (o fornecedor de gás de Espanha e Portugal) e vamos ver se ainda não vai sobrar para Portugal. Uma coisa é certa, a autodeterminação do Povo Saauri sofreu, injustamente, mais um revés. E ainda nem percebi o que vai fazer o Podemos (o Bloco de Esquerda espanhol) perante esta decisão do seu próprio governo…