Cortar nas gorduras da segurança do estado

El-Rei Cavaco escondeu o 5 de Outubro num pátio.

Com Santiago Carrillo e La Pasionária, outro galo cantava em Portugal – uma homenagem para nuestros hermanos

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Dolores Ibárruri em 1978

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Santiago Carrillo

Apenas cinco dias antes

Longe de mim menosprezar a Álvaro Cunhal, a Miguel Portas, a meu pessoal amigo Francisco Louçã. Longe de mim! Mas, quando ficamos habituados desde muito novos a ouvir sobre Isidora Dolores Ibárrubi Gómez, como se for o diabo em pessoa e Santiago Carrillo a sua contraparte, ficamos surpreendidos, já adultos, em saber que eram dois seres humanos que lutaram junto com tantos para obter uma República em Espanha, após renuncia ao trono de Alfonso XIII de Borbón e Orleáns, avô do Rei atual, surpreende-nos a luta empreendida por eles para ganhar a liberdade que o Rei não concedia com o pagamento de Impostos e taxas de juro elevadas, foros pelas terras que possuíam os trabalhadores do campo de outros, como os da minha família a aristocrata Carretero-Molano.

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Monárquicos: Estúpidos, ignorantes ou tenebrosos?

Por mais que me esforce, não conseguirei compreender nunca os argumentos em que se sustentam os defensores dos regimes monárquicos. É verdade que não tenho a bagagem intelectual de alguns vultos da nossa blogosfera e se calhar por isso é que não compreendo.
Curiosamente, tenho amigos monárquicos e já debati com eles inúmeras vezes. A conclusão é sempre a mesma. Por que razão alguém, só porque sim, há-de ser o representante máximo de um país? Que razões justificam que uma mesma família se perpetue no poder séculos a fio através da hereditariedade e que nunca seja sujeita ao crivo popular? Qual é afinal a diferença entre um ditador e um rei? Entre Kim-Jong-Il e Isabel II? E o que leva pessoas que são inteligentes a defender regimes em uso em países como a Arábia Saudita, o Qatar ou o Brunei?
Serão todos os monárquicos estúpidos, ignorantes ou tenebrosos? Obviamente que não. Porque são monárquicos, logo, de uma casta superior. Mesmo aqueles que militam em Partidos políticos que até pertencem ao arco da governação republicana. O CDS, por exemplo, está cheio de monárquicos.
Lá está. Sendo de uma casta superior, são incomparavelmente superiores. Tudo o resto – Esquerdistas em geral e a ralé comunista em particular – não presta. Quem me dera ser como eles…

Relvas demitiu-se.

Caramba! Outra vez. Esqueci-me de colocar o ponto de interrogação no título!

O 14 de abril não é feriado em Espanha

A II República Espanhola fez 81 anos.

 

Em Portugal, por enquanto, acabaram com o 5 de outubro.

Um dia a Ibéria terá as suas terceiras repúblicas.

Em defesa da Monarquia

O meu amigo Nuno Resende vai ficar todo contente com o título. Mas só com o título mesmo. Como sabem, o Nuno incluído, não sou Monárquico.
Confesso a publicidade enganosa. O post nada tem a ver com esta questão a não ser lateralmente.
Numa aula de 9.º ano, após falar não sei quantos minutos das Ditaduras e da sua implantação na Europa dos anos 30, lembrei-me de que talvez os alunos não soubessem o que era uma Ditadura.
Perguntei e confirmei. Não sabiam. Nem sequer suspeitavam.
Após deambulações várias sobre liberdade, partidos políticos, eleições e demais exemplos que lhes permitissem perceber o que é uma Democracia, fiz a pergunta do costume: «Então, qual é o contrário de Democracia?»
E levei com a resposta do costume: «Monarquia».
Ironicamente, é quase sempre a resposta dos alunos àquela pergunta.
Foi então que me vi na obrigação de defender a Monarquia. Não, a Monarquia não é uma Ditadura – e expliquei por quê, dando vários exemplos e fazendo notar que, à Monarquia, deve opor-se a República e não a Democracia ou a Ditadura.
– «Ó setor, mas se o povo não vota no Rei, então isso é uma Ditadura.» [Read more…]

Uma pausa para Pub.:

O Partido Popular Monárquico promove esta sexta-feira um debate sobre o regime actual através de um confronto de ideias pouco usual com republicanos. A iniciativa «Tenha calma: beba um copo com o regime» tem lugar no bar Frágil, em Lisboa, pelas 22:30, e junta várias personalidades políticas pró e contra a monarquia.

Os protagonistas serão pela república o deputado socialista João Soares, o deputado do PSD Carlos Abreu Amorim, o ex-vereador da Câmara Municipal de Lisboa Tomás Vasques e o candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Oeiras, Francisco Silva. Pela monarquia estarão presentes o
ex-deputado e membro do Conselho Monárquico da Causa Real Luís Coimbra, a dirigente do PPM Aline Gallasch-Hall, o publicitário João Gomes de Almeida e o bloguer do 31 da armada Miguel Castelo Branco.

A moderação ficará a cargo do jornalista da TVI24 Filipe Caetano.

 

Texto palmado AQUI

Dêem-nos um Rei

UM REI, PRECISA-SE

Portugal, nesta crise cheia de crises em que vivemos, precisa de um Rei.

Só um Rei pode ser realmente o elo de coesão Nacional.
Ao fim deste experiência de cento e doze anos, acabamos por entender que este regime não funciona. Nem bem, nem mal.
O actual Presidente desta República, o senhor Cavaco silva, demonstra, como os que o antecederam, uma total falta de preparação para ser realmente a alma Portuguesa e o elo de ligação entre todos nós.
A abismo à borda do qual vivemos e no qual estamos prestes a afundar-nos, provém de uma crise financeira e moral sem precedentes, acentuada nos últimos anos por acção dos que nos têm (des)governado.
Um Presidente deveria ser leal aos seus concidadãos, e a grande maioria dos Presidentes desta República não o foram. E ainda menos este que agora temos, já que neste período difícil que atravessamos se tem demonstrado de uma insensibilidade gritante para com o povo de Portugal. Talvez que por estarmos em crise, se note mais, mas a verdade é que a sua falta de lealdade para connosco se vê em demasia.
Estamos à beira da total perda da nossa soberania, e ninguém o vê defendê-la.
A alternativa não é mudar o Presidente, é mudar o regime e passarmos a ser uma Monarquia.
Temos excelentes exemplos de Monarquias por aqui e por ali, que são prósperas. Vejam os exemplos da Dinamarca e da Holanda. Ponham os olhos nessas Monarquias e perguntem-se se não gostariam de viver num País assim.
Retornemos a ter orgulho nos nossos antepassados, no seu orgulho de serem Portugueses, no seu sentido de independência, nos seus valores morais e nas façanhas que cometeram por esse mundo fora.

31 de Janeiro de 1891, a última grande revolta da cidade do Porto


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Quem se mete com a República um dia leva

O Governo vai propor aos parceiros sociais a eliminação do 5 de Outubro e do 1.º de Dezembro, da lista de feriados obrigatórios, anunciou hoje o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira. in Público

Não me vou repetir, não é por denunciar a mentira 100 vezes que a máquina de propaganda deixa de a transformar em verdade.

A Mensagem (2012)

Tenho andado arredado destas tricas políticas. Não me tem apetecido ouvir as mesmas coisas interpretadas de muitas maneiras diferentes, todas elas carregadas das razões que assistem a quem as faz. Mas desta vez, até porque os meus companheiros de ocasião assim o pretendiam, lá ouvi com a atenção possível, o senhor Presidente.
Até nem foi um discurso muito longo, pelo que nem me custou assim tanto estar atento. As mesmas palavras, a mesma maneira de falar, o mesmo olhar, o mesmo tom de voz. Tudo igual a tantas outras vezes. De diferente, se é que o foi este conjunto de recados ao governo, a ideia da necessidade de uma agenda para o crescimento da economia e do emprego como via para resolver a crise. Ideia que, nas palavras do senhor Presidente, deveria ser aproveitada pelos outros países da UE, mandatando o governo, através do discurso,  para implementar e defender tal ideia.
Eu não gosto muito de recados e ainda menos se forem dados publicamente, quando verifico que foi esquecido por quem os manda, o tempo em que teve funções executivas e as responsabilidades que lhe caberão na situação actual, desde as do tempo em que exerceu funções de líder do governo até às do tempo em que, antecipando o desastre que se adivinhava, não demitiu o governo anterior talvez por causa da sua própria agenda que tinha marcada uma reeleição a curto prazo. [Read more…]

Ricardo Rodrigues e o fim da República

Em setembro de 2009 tropecei no espantoso currículo do deputado Ricardo Rodrigues:

As declarações nos autos do ex-gerente da CGD são esclarecedores: «Foi referido pelo arguido detido, Duarte Borges, na acareação (…), que tem consciência que enviou vários milhares de contos (da CGD, provenientes de empréstimos agrícolas) à Débora Raposo / colaboradores, tendo indicado, entre outros, o arguido Ricardo Rodrigues. Mais, referiu que a Débora e os colaboradores, onde se encontra o arguido Ricardo Rodrigues, negociavam Cartas de Crédito, com dinheiros dos empréstimos fraudulentos em vários países».

Pode ler o resto, e este bónus. Dois anos e um gravador depois é nomeado para o Conselho Geral do Centro de Estudos Judiciários.

Cheira a 1973, 1909,  vésperas do fim de um regime. Esta república estrebucha, está em agonia, ou já no velório; falta enterrá-la. Venha outra, que os necrófagos salvadores da pátria já espreitam.

O Silva das Vacas

Algumas das reminiscências da minha escola primária têm a ver com vacas. Porque a D.ª Albertina, a professora, uma mulher escalavrada e seca, mais mirrada que uva-passa, tinha um inexplicável fascínio por vacas. Primavera e vacas. De forma que, ora mandava fazer redacções sobre a primavera, ora se fixava na temática da vaca. A vaca era, assim, um assunto predilecto e de desenvolvimento obrigatório, o que, pela sua recorrência, se tornava insuportavelmente repetitivo. Um dia, o Zeca da Maria “gorda”, farto de escrever que a vaca era um mamífero vertebrado, quadrúpede ruminante e muito amigo do homem a quem ajudava no trabalho e a quem fornecia leite e carne, blá, blá, blá, decidiu, num verdadeiro impulso de rebelião criativa, explicar a coisa de outra forma. E, se bem me lembro ainda, escreveu mais ou menos isto:

“A vaca, tal como alguns homens, tem quatro patas, duas à frente, duas atrás, duas à direita e duas à esquerda. [Read more…]

Era uma vez um rei com uma grande barriguinha

«Os reis são feitos para comer
Para beber e dormir também.»


Viva a República!

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Quatro canções da República

Fado do Zé Povo – por Carlos Santos, cerca de 1912. Uma cantiga muito actual, ao serviço de qualquer república.

Canção Popular Republicana – por Isabel Costa e Duarte Silva, cerca de 1919, apelando à mobilização contra a Monarquia do Norte.

Fado do 31 – de Pereira Coelho e Alves Coelho, cantado por Maria Litaly, cerca de 1913. Uma referência clássica ao 31 de janeiro de 1891

A Portuguesa – interpretada por Jorge Bastos, cerca de 1912, uma das primeiras gravações do Hino Nacional.

Viva a república, abaixo a república!

Nunca, em Portugal, se falou tanto em república. Pelo menos desde Outubro de 1910. Fala-se no regime, porque o regime paga. É justo. A propaganda ideológica refinou-se ao longo do século XIX, definiu a ascensão dos grandes e mortíferos regimes do século XX e é usada no século XXI para distrair dos problemas económicos e sociais. Enquanto se alimenta o mito do regime igualitário e fraterno, mina-se a liberdade amordaçada entre acrisia e conformismo. Salazar e António Ferro sabiam-no bem e, nesse aspecto, as comemorações do Centenário da República são herdeiras directas dos grandes festejos de 1940 sobre a Nação e o novo regime.

Muito antes de Cromwell e da Revolução Francesa, muito antes do marxismo modelar a ideia de república como o melhor de todos os regimes, já república constituía a designação para a coisa pública. Não a coisa do povo, – essa entidade abstracta onde todos se incluem e onde ninguém deseja incluir-se-, mas a gestão do lugar público. Nas praças e nos caminhos, onde sempre se decidiram os desígnios comunais, fazia-se política. Com a Revolução e o Liberalismo a política passou a fazer-se em casas parlamentares e as eleições que dantes se realizavam inter pares, hoje fazem-se intra grupos. A política deixou de ser para todos. Estava porém aberto o caminho para que a ideia de república se transformasse no ideal que é hoje: o de um suposto absoluto nivelamento e igualdade entre cidadãos (mas só entre os que fazem política).

O republicanismo português, que se aproveitou da ignorância e do analfabetismo grassante em 1910, construiu-se sobre a noção de que qualquer pessoa podia tornar-se chefe de estado, contrariando a ideia de que aquele lugar pertencia a uma família de privilegiados. Nunca conseguiu explicar, contudo, que apenas mudavam os privilegiados e não os privilégios. [Read more…]

Viva a República de Espanha!

Há 80 anos fundava-se a II República espanhola. Por breves anos entre os nossos vizinhos todos os homens nasciam iguais em direitos e deveres.

Hoje não é o caso. Uma família é mais família que as outras. Que venha a III República. E que seja uma República Federativa, já agora.

história sintética da República do Chile

símbolo de uma República certa e serena, que sabe o que quer e debate como deve ser

 

…retirado do capítulo 4 do meu livro o crescimento das crianças…

As crianças crescem á medida que a memória social impinge a memória individual, isto é, a criança é o resultado do saber acumulado cronologicamente no tempo. No tempo em que a criança vive e no que os ancestrais andaram a viver, perto ou longe do tempo da criança. O saber é contínuo, embora conjuntural nas suas mudanças. O processo educativo que resulta da interacção de um mesmo povo, através da História, ou com outros povos através, também, da Historia, é o que faz o que eu sou.

A racionalidade da criança, indivíduo com uma epistemologia acumulada, é diferente da racionalidade cognitiva do adulto. O entendimento é diferente. As várias gerações que vivem dentro do mesmo tempo, têm experiências diversificadas, quer pelo ciclo, quer pelo tempo que a pessoa leva na História do seu ser social. Experiências que são emotivas, mas orientadas pela razão, porque a criança observa para calcular, e calcula.

Comparar três povos de diferentes línguas e experiências, não é simples, mas é um desafio interessante para quem trabalha os dados do quotidiano. Um quotidiano,

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história sintética de Portugal

´metáfora do nosso país que nunca mais decide ser República!

Portugal é um País em permanente transição. Até à entrada dos Bonapartistas, no início do séc. XIX, toda a terra era do Rei. Fosse quem fosse o detentor da Coroa. Coroa simbólica e legal. A material estava, desde D. João IV, pousada sobre a cabeça da imagem de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Viçosa. A terra, desde Afonso Henriques, era conquista da Coroa, excepto as terras aforadas a Condes, Duques, Viscondes, ou grupos de vizinhos, sempre que daí resultavam benefícios. A entrada dos Bonapartistas, terminada na guerra Peninsular, pondo fim às guerras Napoleónicas, deixou em Portugal a ideia do liberalismo burguês da Revolução francesa. Duas das consequências, da absorção das ideias liberais, marcam o fim dos contratos de enfiteuse e do Morgadio, que se caracterizava pela transferência das terras da família ao filho mais velho. Wagner na Baviera lutou pela sua abolição (1845), e por isso foi expulso, como Verdi, em Itália (1859), com um final mais feliz, ao tornar-se membro do Parlamento constitucional. O Bonapartismo semeou o conceito de que a terra era das pessoas que a tinham e não do direito de raiz, que permanecia (quarto direito) da lei visigótica, permitindo aos proprietários viverem dos rendimentos acumulados da colheita dos foreiros, rendeiros e caseiros, excepto dos jornaleiros, que entregavam mão-de-obra e viviam e vivem ainda, dos salários. A população ficou com as ideias da propriedade directa, e muitos dos intelectuais portugueses, galegos e chilenos, derivaram-

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Monarquia ou República – só mudam as moscas

Monarquia ou República – só mudam as moscas.
Claro que a República é um regime infinitamente mais justo. É o povo que escolhe o seu representante máximo e não uma família que se eterniza no poder não se sabe por que motivo. Mas na prática, na prática vai dar ao mesmo.

No dia de hoje, os «Homens da Luta» foram os únicos a estar de Parabéns.

a soberania e os seus descontamentos. À nossa República!

a república portuguesa que nunca mais acaba de se organizar, velha como é!

….para o povo português obrigado ao empobrecimento pela cultura doutural…

O subtítulo tem dois significados. O primeiro, é simples: escrevo este texto no dia 2 de Outubro e o debate do orçamento será a 15 de Outubro deste ano de 2010.

Não sou bruxo, tenho palpites. Palpite que me diz que deve ganhar o debate quem melhor se entenda com a crise financeira que se vive na Europa, essa praga de Portugal. Como no Chile. Faz pouco tempo, começara a corrida para a Presidência da República. No tempo da ditadura, todos os partidos democratas juntaram forças para derrubarem um ditador que faleceu réu de crimes de sangue, mas faleceu réu. Nas mãos da justiça. Com a democracia restabelecida, os partidos deram aos seus candidatos poderes muito pessoais e a Concertação Social começa a diluir-ser, após o mandato de quatro excelentes Presidentes da República. Será que esta arrogância precipitada vai abrir as portas a quem sempre ficou em segundo nas presidenciais e que une todo o fascismo que governou o país durante 20 anos? Precipitações pouco esclarecidas. E a diferença entre facções é imensa. A concertação, une; o fascismo desune e mata.

Em Portugal, em carta enviada por mim ao actual Primeiro-ministro, admoesto denuncio e na parte final do texto digo que o PSD e o PS não me parecem andar de mãos

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um busto para O república

Alguém explica ao sr. Rui Sanches a diferença entra A república e O república?

Agradecia, e não me refiro apenas à gramática, nem às coisas de género, é mais em relação à História.

Até gosto da ideia, vista de trás para a frente:

Papa lá a República

Em 2010 a peregrinação do Papa Ratzinger à sucursal de Fátima serviu também para provocar a República em seu centenário.

A operação foi bem sucedida através de Cavaco Silva que se comportou como um reizinho devoto, com netinhos e tudo.

A causa monárquica ficou feliz e contente.

Engano seu.

Ficou demonstrada a nobreza da República: até um imitador dos herdeiros do poder por jurisprudência divina pode ser eleito seu Presidente.

Suprema virtude da República, que bem ou mal os escolhe, comparando com a monarquia, que os herda sem ninguém os escolher.

pintura digital roubada a Carlos Paes

Imagens de Abril: República – Informação Revolucionária

Pedro Passos Coelho: assim, não é solução

A eleição de Pedro Passos Coelho criou um compreensível furor, dadas as suas circunstâncias. Um natural furor que, porém, não me contagia. Não tanto pelas nossas diferenças ideológicas, mas sim pela constatação de que a mudança que a sua eleição representa  – que em termos partidários é, sem dúvida, digna de registo – não foge, na essência, à mesma mecânica de pensamento que faz com que Portugal, tal como outros países, esteja como está.

Por diversas vezes já vi, e vejo, Pedro Passos Coelho a defender – e bem – que quem recebe apoios do Estado, aqueles que usufruem de ajudas sociais devem, na medida das suas possibilidades e aptidões, retribuir à sociedade com trabalho.

Lamento – e aqui está o cerne da manutenção da mesma lógica que há muito vem minando a nossa República, como aliás já escrevi, no mínimo desde 1919 – que tal ideia de retribuição não seja defendida por Pedro Passos Coelho quanto às instituições financeiras. As mesmas que receberam o aval do Estado, ou seja de todos nós, para ir buscar dinheiro lá fora, e que agora estrangulam o financiamento às nossas empresas e, assim, a nossa economia. Porque há muito que se sabe que os lucros da banca, estão na directa proporcionalidade com o descalabro do endividamento privado e as fragilidades da economia nacional.

Acrescendo, que a banca paga menos impostos do que a esmagadora maioria das nossas empresas.

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Cem Anos Sem Rei

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CEM ANOS SEM REI

O que me lixa não é que se comemorem os 100 anos da república, cada um é para o que nasce e “chacun s’amuse à ça façon”.
O que me lixa é que se comemore o centenário da república como se a instauração da dita correspondesse à realização da vontade democrática do povo português; como se estivessem a celebrar 100 anos de democracia, ou lá que raio de sucedâneo de democracia é esta coisa em que vivemos actualmente.
A nossa suposta democracia é uma jovem prestes a completar 36 anos que, talvez por acumular erros de juventude e devido à sua descuidada cultura e educação, para já não falar de uma capacidade financeira que a tem vindo a comprometer na sua ética e na sua independência, apresenta um aspecto desgastado, e pouco atraente.
Será por isso que agora tendem a confundi-la com uma centenária?

A república tem 100 anos e Portugal cumprirá este ano 867.
Quase tudo o que foi importante se passou nos primeiros 767 [Read more…]

Presente e futuro da Advocacia: uma questão de República (7)

Continuando o que escrevi aqui.

Além das matérias exclusivamente respeitantes aos Advogados e à Ordem dos Advogados (OA), existe um conjunto de questões da Justiça que de modo directo e incisivo influenciam quer o estado quer o rumo da Advocacia em Portugal.

Será essa sumária abordagem que se farei a partir de agora, e que se reporta a problemas sérios e graves da nossa República que, por isso, dizem respeito a todo o cidadão. Uma abordagem assumida e necessariamente política. Pois que política advém do grego “politiká”, ou seja assuntos públicos, o que diz respeito ao público. Tal como República, do latim “respublica”, se reporta à coisa (“res”) pública, à administração da coisa pública, do que é público.

Nos últimos anos, tem-se assistido a uma mudança de paradigma (no sentido de modelo) no modo como é encarada a administração da Justiça por parte da classe política. E tal mudança é de fulcral importância, pois que é a classe política que faz as leis que ditam as regras de funcionamento e as competências das instituições da República – com especial relevo, no presente caso, para os tribunais – bem como as soluções a dar aos casos apresentados à Justiça. Já que a actividade de um Juiz é mesmo essa: aplicar o Direito ao caso. Direito, esse, criado mormente pelo Parlamento e, em certas matérias ou condições, pelo Governo.

O controlo parlamentar sobre a actuação do Governo, é atenuado quer pela lógica funcional parlamentar – o partido maioritário no Parlamento, que assim forma Governo, não vai verdadeiramente fiscalizar o Governo de quem é “pai”- quer pela perversa e má prática política lusitana de que o Chefe de Governo pode acumular o cargo de líder do partido pelo qual foi eleito.

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Os dias do fim – 13 de Fevereiro de 1910


Teixeira de Sousa

É a edição de Domingo do «JN», maior e mais ilustrada do que o costume. Dois «cartoons» marcam a primeira página. Num deles, dois pobres conversam enquanto vasculham o lixo. «Um papel assinado?» – pergunta um. «Isso deve ser um programa político» – responde o outro. No segundo cartoon, um homem sentado à mesa: «Como tudo muda! Antigamente os bifes… eram maiores.»
Ainda na capa, é publicado um extenso «dossier» intitulado «A Onda Vermelha» – o grande aumento da criminalidade que se está a verificar em Portugal.
No noticiário político, o Conselheiro Teixeira de Sousa vai assistir a uma reunião do Partido Regenerador em Cascais. Segundo se diz, no último Conselho de Ministros houve graves desavenças por causa de uma comissão ilegal que foi concedida ao general Baracho.
O rei recebeu ontem Francisco Pires Bordalo, Melchior Guedes e Manuel Luis Lima Perfeito de Magalhães, representantes da Associação Comercial de Lamego, e ainda Henrique Taviera, presidente da Associação Industrial Portugesa. Os presentes ofereceram ao monarca uma caixa para tabaco feita de uma só peça de madeira de cerejeira, com ornamentação em ouro. O objectivo da comitiva era pedir ao monarca o prolongamento da Linha da Régua até Lamego.
Faltam 235 dias para a instauração da República.

Os dias do fim – 12 de Fevereiro de 1910

É Sábado. Na política nacional, Francisco Beirão não parece disposto a continuar à frente do Governo depois do falhanço das negociações relativas à reforma da lei eleitoral. Diz a boataria que lhe sucederá um Governo liderado por Júio de Vilhena.
Saiu a público o primeiro número da revista «Alma Nacional», dirigida pelo republicano António José de Almeida.
Morreu ontem o Conde de Tattenbach, que esteve em Portugal durante alguns anos como ambaixador da Alemanha. Ainda do estrangeiro, um sacerdote foi envenenado em Roma enquanto rezava a missa. Em Paris, começou a ser representada a peça Chantecler, no Teatro de Port Saint-Martin.
Faltam 236 dias para a instauração da República.

Os dias do fim – 9 de Fevereiro de 1910


via Póvoa 2010

Hoje, dia 9 de Fevereiro de 1910, não houve jornais. Ontem, comemorou-se a Terça-Feira de Carnaval, razão pela qual os jornalistas e tipógrafos não trabalharam.
No dia 8, o tema do dia era precisamente o Carnaval, com dois cartoons alusivos à quadra e um longo texto sobre a história do Carnaval.
Em Lisboa, fala-se da possibilidade de organizar uma grande Exposição Internacional, da qual faria parte a construção de um grande palácio no alto do Parque Eduardo VII.
No noticiário internacional, aventa-se, segundo informações vindas da capital francesa, que o cometa Halley vai chocar com a Terra. Dá-se também conta de um crime em Paris, com duas mulheres degoladas por motivos passionais.
Ainda no que respeita à criminalidade, a D. Maria Rosa de Almeida foi assaltada no Porto. Roubaram-lhe, no largo dos Lóios, uma bolsa que ela trazia no avental com 5 meias libras, 10$000 réis em dinheiro e um vigésimo da Lotaria de Lisboa.
Morreu José Galiza, «estimado e importante alquilador» do Porto. Foi ele que estabeleceu o serviço de carros eléctricos entre Vila do Conde e a Póvoa.
O «Jornal de Notícias», dirigido por Alfredo de Figueiredo e com 42 mil exemplares de tiragem diária, já é o jornal com maior circulação no norte do país.
Faltam 239 dias para a instauração da República.

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