UM REI, PRECISA-SE
Portugal, nesta crise cheia de crises em que vivemos, precisa de um Rei.
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.
Portugal, nesta crise cheia de crises em que vivemos, precisa de um Rei.
O Governo vai propor aos parceiros sociais a eliminação do 5 de Outubro e do 1.º de Dezembro, da lista de feriados obrigatórios, anunciou hoje o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira. in Público
Não me vou repetir, não é por denunciar a mentira 100 vezes que a máquina de propaganda deixa de a transformar em verdade.
Tenho andado arredado destas tricas políticas. Não me tem apetecido ouvir as mesmas coisas interpretadas de muitas maneiras diferentes, todas elas carregadas das razões que assistem a quem as faz. Mas desta vez, até porque os meus companheiros de ocasião assim o pretendiam, lá ouvi com a atenção possível, o senhor Presidente.Em setembro de 2009 tropecei no espantoso currículo do deputado Ricardo Rodrigues:
As declarações nos autos do ex-gerente da CGD são esclarecedores: «Foi referido pelo arguido detido, Duarte Borges, na acareação (…), que tem consciência que enviou vários milhares de contos (da CGD, provenientes de empréstimos agrícolas) à Débora Raposo / colaboradores, tendo indicado, entre outros, o arguido Ricardo Rodrigues. Mais, referiu que a Débora e os colaboradores, onde se encontra o arguido Ricardo Rodrigues, negociavam Cartas de Crédito, com dinheiros dos empréstimos fraudulentos em vários países».
Pode ler o resto, e este bónus. Dois anos e um gravador depois é nomeado para o Conselho Geral do Centro de Estudos Judiciários.
Cheira a 1973, 1909, vésperas do fim de um regime. Esta república estrebucha, está em agonia, ou já no velório; falta enterrá-la. Venha outra, que os necrófagos salvadores da pátria já espreitam.

Algumas das reminiscências da minha escola primária têm a ver com vacas. Porque a D.ª Albertina, a professora, uma mulher escalavrada e seca, mais mirrada que uva-passa, tinha um inexplicável fascínio por vacas. Primavera e vacas. De forma que, ora mandava fazer redacções sobre a primavera, ora se fixava na temática da vaca. A vaca era, assim, um assunto predilecto e de desenvolvimento obrigatório, o que, pela sua recorrência, se tornava insuportavelmente repetitivo. Um dia, o Zeca da Maria “gorda”, farto de escrever que a vaca era um mamífero vertebrado, quadrúpede ruminante e muito amigo do homem a quem ajudava no trabalho e a quem fornecia leite e carne, blá, blá, blá, decidiu, num verdadeiro impulso de rebelião criativa, explicar a coisa de outra forma. E, se bem me lembro ainda, escreveu mais ou menos isto:
“A vaca, tal como alguns homens, tem quatro patas, duas à frente, duas atrás, duas à direita e duas à esquerda. [Read more…]
«Os reis são feitos para comer
Para beber e dormir também.»
Viva a República!
Fado do Zé Povo – por Carlos Santos, cerca de 1912. Uma cantiga muito actual, ao serviço de qualquer república.
Canção Popular Republicana – por Isabel Costa e Duarte Silva, cerca de 1919, apelando à mobilização contra a Monarquia do Norte.
Fado do 31 – de Pereira Coelho e Alves Coelho, cantado por Maria Litaly, cerca de 1913. Uma referência clássica ao 31 de janeiro de 1891
A Portuguesa – interpretada por Jorge Bastos, cerca de 1912, uma das primeiras gravações do Hino Nacional.
Nunca, em Portugal, se falou tanto em república. Pelo menos desde Outubro de 1910. Fala-se no regime, porque o regime paga. É justo. A propaganda ideológica refinou-se ao longo do século XIX, definiu a ascensão dos grandes e mortíferos regimes do século XX e é usada no século XXI para distrair dos problemas económicos e sociais. Enquanto se alimenta o mito do regime igualitário e fraterno, mina-se a liberdade amordaçada entre acrisia e conformismo. Salazar e António Ferro sabiam-no bem e, nesse aspecto, as comemorações do Centenário da República são herdeiras directas dos grandes festejos de 1940 sobre a Nação e o novo regime.
Muito antes de Cromwell e da Revolução Francesa, muito antes do marxismo modelar a ideia de república como o melhor de todos os regimes, já república constituía a designação para a coisa pública. Não a coisa do povo, – essa entidade abstracta onde todos se incluem e onde ninguém deseja incluir-se-, mas a gestão do lugar público. Nas praças e nos caminhos, onde sempre se decidiram os desígnios comunais, fazia-se política. Com a Revolução e o Liberalismo a política passou a fazer-se em casas parlamentares e as eleições que dantes se realizavam inter pares, hoje fazem-se intra grupos. A política deixou de ser para todos. Estava porém aberto o caminho para que a ideia de república se transformasse no ideal que é hoje: o de um suposto absoluto nivelamento e igualdade entre cidadãos (mas só entre os que fazem política).
O republicanismo português, que se aproveitou da ignorância e do analfabetismo grassante em 1910, construiu-se sobre a noção de que qualquer pessoa podia tornar-se chefe de estado, contrariando a ideia de que aquele lugar pertencia a uma família de privilegiados. Nunca conseguiu explicar, contudo, que apenas mudavam os privilegiados e não os privilégios. [Read more…]
Há 80 anos fundava-se a II República espanhola. Por breves anos entre os nossos vizinhos todos os homens nasciam iguais em direitos e deveres.
Hoje não é o caso. Uma família é mais família que as outras. Que venha a III República. E que seja uma República Federativa, já agora.

símbolo de uma República certa e serena, que sabe o que quer e debate como deve ser
…retirado do capítulo 4 do meu livro o crescimento das crianças…
As crianças crescem á medida que a memória social impinge a memória individual, isto é, a criança é o resultado do saber acumulado cronologicamente no tempo. No tempo em que a criança vive e no que os ancestrais andaram a viver, perto ou longe do tempo da criança. O saber é contínuo, embora conjuntural nas suas mudanças. O processo educativo que resulta da interacção de um mesmo povo, através da História, ou com outros povos através, também, da Historia, é o que faz o que eu sou.
A racionalidade da criança, indivíduo com uma epistemologia acumulada, é diferente da racionalidade cognitiva do adulto. O entendimento é diferente. As várias gerações que vivem dentro do mesmo tempo, têm experiências diversificadas, quer pelo ciclo, quer pelo tempo que a pessoa leva na História do seu ser social. Experiências que são emotivas, mas orientadas pela razão, porque a criança observa para calcular, e calcula.
Comparar três povos de diferentes línguas e experiências, não é simples, mas é um desafio interessante para quem trabalha os dados do quotidiano. Um quotidiano,

´metáfora do nosso país que nunca mais decide ser República!
Portugal é um País em permanente transição. Até à entrada dos Bonapartistas, no início do séc. XIX, toda a terra era do Rei. Fosse quem fosse o detentor da Coroa. Coroa simbólica e legal. A material estava, desde D. João IV, pousada sobre a cabeça da imagem de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Viçosa. A terra, desde Afonso Henriques, era conquista da Coroa, excepto as terras aforadas a Condes, Duques, Viscondes, ou grupos de vizinhos, sempre que daí resultavam benefícios. A entrada dos Bonapartistas, terminada na guerra Peninsular, pondo fim às guerras Napoleónicas, deixou em Portugal a ideia do liberalismo burguês da Revolução francesa. Duas das consequências, da absorção das ideias liberais, marcam o fim dos contratos de enfiteuse e do Morgadio, que se caracterizava pela transferência das terras da família ao filho mais velho. Wagner na Baviera lutou pela sua abolição (1845), e por isso foi expulso, como Verdi, em Itália (1859), com um final mais feliz, ao tornar-se membro do Parlamento constitucional. O Bonapartismo semeou o conceito de que a terra era das pessoas que a tinham e não do direito de raiz, que permanecia (quarto direito) da lei visigótica, permitindo aos proprietários viverem dos rendimentos acumulados da colheita dos foreiros, rendeiros e caseiros, excepto dos jornaleiros, que entregavam mão-de-obra e viviam e vivem ainda, dos salários. A população ficou com as ideias da propriedade directa, e muitos dos intelectuais portugueses, galegos e chilenos, derivaram-
Monarquia ou República – só mudam as moscas.
Claro que a República é um regime infinitamente mais justo. É o povo que escolhe o seu representante máximo e não uma família que se eterniza no poder não se sabe por que motivo. Mas na prática, na prática vai dar ao mesmo.
No dia de hoje, os «Homens da Luta» foram os únicos a estar de Parabéns.

a república portuguesa que nunca mais acaba de se organizar, velha como é!
….para o povo português obrigado ao empobrecimento pela cultura doutural…
O subtítulo tem dois significados. O primeiro, é simples: escrevo este texto no dia 2 de Outubro e o debate do orçamento será a 15 de Outubro deste ano de 2010.
Não sou bruxo, tenho palpites. Palpite que me diz que deve ganhar o debate quem melhor se entenda com a crise financeira que se vive na Europa, essa praga de Portugal. Como no Chile. Faz pouco tempo, começara a corrida para a Presidência da República. No tempo da ditadura, todos os partidos democratas juntaram forças para derrubarem um ditador que faleceu réu de crimes de sangue, mas faleceu réu. Nas mãos da justiça. Com a democracia restabelecida, os partidos deram aos seus candidatos poderes muito pessoais e a Concertação Social começa a diluir-ser, após o mandato de quatro excelentes Presidentes da República. Será que esta arrogância precipitada vai abrir as portas a quem sempre ficou em segundo nas presidenciais e que une todo o fascismo que governou o país durante 20 anos? Precipitações pouco esclarecidas. E a diferença entre facções é imensa. A concertação, une; o fascismo desune e mata.
Em Portugal, em carta enviada por mim ao actual Primeiro-ministro, admoesto denuncio e na parte final do texto digo que o PSD e o PS não me parecem andar de mãos
Alguém explica ao sr. Rui Sanches a diferença entra A república e O república?
Agradecia, e não me refiro apenas à gramática, nem às coisas de género, é mais em relação à História.
Até gosto da ideia, vista de trás para a frente:


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Em 2010 a peregrinação do Papa Ratzinger à sucursal de Fátima serviu também para provocar a República em seu centenário.
A operação foi bem sucedida através de Cavaco Silva que se comportou como um reizinho devoto, com netinhos e tudo.
A causa monárquica ficou feliz e contente.
Engano seu.
Ficou demonstrada a nobreza da República: até um imitador dos herdeiros do poder por jurisprudência divina pode ser eleito seu Presidente.
Suprema virtude da República, que bem ou mal os escolhe, comparando com a monarquia, que os herda sem ninguém os escolher.
A eleição de Pedro Passos Coelho criou um compreensível furor, dadas as suas circunstâncias. Um natural furor que, porém, não me contagia. Não tanto pelas nossas diferenças ideológicas, mas sim pela constatação de que a mudança que a sua eleição representa – que em termos partidários é, sem dúvida, digna de registo – não foge, na essência, à mesma mecânica de pensamento que faz com que Portugal, tal como outros países, esteja como está.
Por diversas vezes já vi, e vejo, Pedro Passos Coelho a defender – e bem – que quem recebe apoios do Estado, aqueles que usufruem de ajudas sociais devem, na medida das suas possibilidades e aptidões, retribuir à sociedade com trabalho.
Lamento – e aqui está o cerne da manutenção da mesma lógica que há muito vem minando a nossa República, como aliás já escrevi, no mínimo desde 1919 – que tal ideia de retribuição não seja defendida por Pedro Passos Coelho quanto às instituições financeiras. As mesmas que receberam o aval do Estado, ou seja de todos nós, para ir buscar dinheiro lá fora, e que agora estrangulam o financiamento às nossas empresas e, assim, a nossa economia. Porque há muito que se sabe que os lucros da banca, estão na directa proporcionalidade com o descalabro do endividamento privado e as fragilidades da economia nacional.
Acrescendo, que a banca paga menos impostos do que a esmagadora maioria das nossas empresas.
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O que me lixa não é que se comemorem os 100 anos da república, cada um é para o que nasce e “chacun s’amuse à ça façon”.
O que me lixa é que se comemore o centenário da república como se a instauração da dita correspondesse à realização da vontade democrática do povo português; como se estivessem a celebrar 100 anos de democracia, ou lá que raio de sucedâneo de democracia é esta coisa em que vivemos actualmente.
A nossa suposta democracia é uma jovem prestes a completar 36 anos que, talvez por acumular erros de juventude e devido à sua descuidada cultura e educação, para já não falar de uma capacidade financeira que a tem vindo a comprometer na sua ética e na sua independência, apresenta um aspecto desgastado, e pouco atraente.
Será por isso que agora tendem a confundi-la com uma centenária?
A república tem 100 anos e Portugal cumprirá este ano 867.
Quase tudo o que foi importante se passou nos primeiros 767 [Read more…]
Continuando o que escrevi aqui.
Além das matérias exclusivamente respeitantes aos Advogados e à Ordem dos Advogados (OA), existe um conjunto de questões da Justiça que de modo directo e incisivo influenciam quer o estado quer o rumo da Advocacia em Portugal.
Será essa sumária abordagem que se farei a partir de agora, e que se reporta a problemas sérios e graves da nossa República que, por isso, dizem respeito a todo o cidadão. Uma abordagem assumida e necessariamente política. Pois que política advém do grego “politiká”, ou seja assuntos públicos, o que diz respeito ao público. Tal como República, do latim “respublica”, se reporta à coisa (“res”) pública, à administração da coisa pública, do que é público.
Nos últimos anos, tem-se assistido a uma mudança de paradigma (no sentido de modelo) no modo como é encarada a administração da Justiça por parte da classe política. E tal mudança é de fulcral importância, pois que é a classe política que faz as leis que ditam as regras de funcionamento e as competências das instituições da República – com especial relevo, no presente caso, para os tribunais – bem como as soluções a dar aos casos apresentados à Justiça. Já que a actividade de um Juiz é mesmo essa: aplicar o Direito ao caso. Direito, esse, criado mormente pelo Parlamento e, em certas matérias ou condições, pelo Governo.
O controlo parlamentar sobre a actuação do Governo, é atenuado quer pela lógica funcional parlamentar – o partido maioritário no Parlamento, que assim forma Governo, não vai verdadeiramente fiscalizar o Governo de quem é “pai”- quer pela perversa e má prática política lusitana de que o Chefe de Governo pode acumular o cargo de líder do partido pelo qual foi eleito.
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Teixeira de Sousa
É a edição de Domingo do «JN», maior e mais ilustrada do que o costume. Dois «cartoons» marcam a primeira página. Num deles, dois pobres conversam enquanto vasculham o lixo. «Um papel assinado?» – pergunta um. «Isso deve ser um programa político» – responde o outro. No segundo cartoon, um homem sentado à mesa: «Como tudo muda! Antigamente os bifes… eram maiores.»
Ainda na capa, é publicado um extenso «dossier» intitulado «A Onda Vermelha» – o grande aumento da criminalidade que se está a verificar em Portugal.
No noticiário político, o Conselheiro Teixeira de Sousa vai assistir a uma reunião do Partido Regenerador em Cascais. Segundo se diz, no último Conselho de Ministros houve graves desavenças por causa de uma comissão ilegal que foi concedida ao general Baracho.
O rei recebeu ontem Francisco Pires Bordalo, Melchior Guedes e Manuel Luis Lima Perfeito de Magalhães, representantes da Associação Comercial de Lamego, e ainda Henrique Taviera, presidente da Associação Industrial Portugesa. Os presentes ofereceram ao monarca uma caixa para tabaco feita de uma só peça de madeira de cerejeira, com ornamentação em ouro. O objectivo da comitiva era pedir ao monarca o prolongamento da Linha da Régua até Lamego.
Faltam 235 dias para a instauração da República.
É Sábado. Na política nacional, Francisco Beirão não parece disposto a continuar à frente do Governo depois do falhanço das negociações relativas à reforma da lei eleitoral. Diz a boataria que lhe sucederá um Governo liderado por Júio de Vilhena.
Saiu a público o primeiro número da revista «Alma Nacional», dirigida pelo republicano António José de Almeida.
Morreu ontem o Conde de Tattenbach, que esteve em Portugal durante alguns anos como ambaixador da Alemanha. Ainda do estrangeiro, um sacerdote foi envenenado em Roma enquanto rezava a missa. Em Paris, começou a ser representada a peça Chantecler, no Teatro de Port Saint-Martin.
Faltam 236 dias para a instauração da República.

via Póvoa 2010
Hoje, dia 9 de Fevereiro de 1910, não houve jornais. Ontem, comemorou-se a Terça-Feira de Carnaval, razão pela qual os jornalistas e tipógrafos não trabalharam.
No dia 8, o tema do dia era precisamente o Carnaval, com dois cartoons alusivos à quadra e um longo texto sobre a história do Carnaval.
Em Lisboa, fala-se da possibilidade de organizar uma grande Exposição Internacional, da qual faria parte a construção de um grande palácio no alto do Parque Eduardo VII.
No noticiário internacional, aventa-se, segundo informações vindas da capital francesa, que o cometa Halley vai chocar com a Terra. Dá-se também conta de um crime em Paris, com duas mulheres degoladas por motivos passionais.
Ainda no que respeita à criminalidade, a D. Maria Rosa de Almeida foi assaltada no Porto. Roubaram-lhe, no largo dos Lóios, uma bolsa que ela trazia no avental com 5 meias libras, 10$000 réis em dinheiro e um vigésimo da Lotaria de Lisboa.
Morreu José Galiza, «estimado e importante alquilador» do Porto. Foi ele que estabeleceu o serviço de carros eléctricos entre Vila do Conde e a Póvoa.
O «Jornal de Notícias», dirigido por Alfredo de Figueiredo e com 42 mil exemplares de tiragem diária, já é o jornal com maior circulação no norte do país.
Faltam 239 dias para a instauração da República.
Este texto é um apêndice de um outro que aqui publiquei no dia 1 de Fevereiro. Como disse na altura, o meu intuito não é resolver o mistério do Regicídio, mas sim esclarecer sobre o que se passou na tarde daquele dia, em 1908, no Terreiro do Paço. Não porque não gostasse de desvendar esse mistério, mas porque os dados que permitiriam saber o que verdadeiramente esteve por detrás do atentado têm sido sistematicamente ocultados.
Embora se saiba, sem margem para dúvidas, que uma conjura de monárquicos, mais concretamente de gente da Dissidência Progressista, liderada por José de Alpoim e pelo visconde da Ribeira Brava, esteve na base da conspiração. Diz José Luciano de Castro, em «Documentos Políticos»: «Os dissidentes, que para a generalidade do país, são os principais responsáveis da tragédia do 1 de Fevereiro de 1908, e que, se não destruíram a monarquia foi porque não puderam».
No meu romance «A Sinfonia da Morte» encontro uma explicação plausível e na qual acredito; mas trata-se de uma ficção, onde as suposições (plausíveis ou não) são permitidas. Inclusivamente, nos chamados romances históricos, é pelos hiatos da documentação histórica que a teia da ficção passa e se constrói. Mas hoje, ainda não vos falarei da tal célula clandestina dentro da própria Carbonária, a «Coruja» que terá, segundo se julga saber, planificado o crime. Isso ficará para um outro texto. Hoje vou falar do que se passou no Terreiro do Paço em 1 de Fevereiro de 1908, cerca das 17 horas. [Read more…]
As revelações feitas acerca das escutas no processo “Face oculta”, na esteira do que vem acontecendo há anos acerca de condutas impróprias do Primeiro-Ministro, demonstram o pântano de que falava Guterres.
Para mim não está em causa a ilegalidade de certas escutas, nem a obrigação de as destruir. O que está em causa é que, uma vez publicadas, as mesmas não foram postas em causa por nenhum dos envolvidos, não houve nenhuma acusação de adulteração, de falsificação ou do que fosse. Nada. Apenas a crítica e a indignação em se revelar o que deveria, em parte, estar destruído.
Juridicamente não concordo com a divulgação de escutas declaradas nulas (e atente-se que parte das escutas transcritas não se reportam ao Primeiro-Ministro).
Como cidadão e republicano, entristece-me constatar que esta realidade governativa que as transcrições das escutas revelam, é apenas a deprimente radiografia da minha pátria.
Pelo silêncio nesta sede – ninguém ousar pôr em questão a veracidade das transcrições -, só se pode concluir que aquilo que lá está é verdade, e isso é do mais vergonhoso. E que num qualquer país, verdadeiramente civilizado, levaria à demissão do Chefe de Governo, por iniciativa própria ou por iniciativa presidencial.
Não teremos nenhuma das duas, como é evidente, porque não existe mais uma réstia de vergonha que seja.
Até mesmo porque à Oposição, em geral, não interessa perder um alvo fácil de corrosão política, e o PSD, em particular, não tem qualquer solidez para se confrontar seriamente com o PS.
Já Cavaco Silva, tem uma grande oportunidade para assegurar o segundo mandato: forçar o PS a apresentar um candidato (que não é difícil de sustentar, dadas as diversas reacções alérgicas que a disponibilidade de Manuel Alegre cedo provocou) para, com Manuel Alegre – que teve mais uma inábil estratégia de arranque de candidatura, agora ao aparecer colado ao Bloco de Esquerda –, dividir a Esquerda e ganhar à primeira volta. Depois é só deixar o PSD arrumar a casa e encontrar um líder com um mínimo de substância, e fazer cair o Governo no momento certo – ou seja, a mesma estratégia de Jorge Sampaio que abriu as portas do poder ao PS -, e José Sócrates poderá ainda sair de um pesadelo governativo como pobre vítima.
Tudo será mais um jogo, onde a vergonha é retórica, não é regra.
Face ao teor das transcrições – influências e perversões institucionais e partidárias, carreiras meteóricas, salários principescos, tráficos, manipulações, etc. -, pergunto-me onde está, efectivamente, a moral da sociedade em perseguir e condenar um carteirista?
A República precisa, urgentemente, de vergonha. E só a vamos conseguir quando se conseguir afastar dela quem a não tem.
Por natural interesse, segui a leitura feita pelo Luís Moreira aqui e aqui no Aventar, do livro “Mudar” de Pedro Passos Coelho quanto à Justiça.
Não li o livro, pelo que sobre o mesmo não me posso pronunciar directamente. Mas li o que em sede de Justiça, Pedro Passos Coelho conversou, defendeu, segundo o que o Fernando Moreira de Sá aqui relatou.
Falarei, pois, do que Luís Moreira escreveu acerca da Justiça segundo o teor do livro. E tentarei ser sucinto, pois nem quero tornar-me repetitivo em relação a futuros textos que viso publicar em breve.
A qualificação técnicas dos magistrados, principalmente dos magistrados judiciais, não penso que cause empeno à Justiça. Estou certo, até, que hoje estão muito melhor preparados para iniciar a carreira do que estará um advogado – por culpa do modelo perpetuado na Ordem dos Advogados que a actual Direcção está atentar adequar às exigências de hoje.
O que faltará, sim, é a perspectiva humana da consolidação e do amadurecimento a quem se entrega o poder de, efectivamente, julgar os outros. A culpa não é dos magistrados, é do actual modelo permitir que alguém com vinte e poucos anos seja juiz. Lamento, mas não acredito que tenha a maturidade suficiente para tal, com o devido respeito por eventuais honrosas excepções. Ainda para mais, face ao progressivo enraizamento da lógica sindical dentro de ambas as magistraturas.
A participação de Portugal na 1ª Guerra Mundial teve enormes custos, não só humanos como financeiros e económicos. A economia ressentiu-se fortemente no pós-guerra, a par do fluxo migratório de muita mão-de-obra portuguesa que se seguiu, no processo de reconstrução dos países que haviam sido palcos de guerra.
A banca portuguesa precisava de financiamento, e o Estado foi o seu fornecedor: quatrocentas mil Libras, entregues aos principais bancos, com a obrigação de pagarem tal empréstimo em Libras-ouro.
Corria o ano de 1925 e nenhum pagamento havia sido feito. Os bancos auxiliados iam adiando a sua obrigação, ao mesmo tempo que argumentavam com o pagamento não em Libras-ouro mas sim em Escudos. E o tempo passava.
Houve quem não se calasse, e demandasse pelo cumprimento que era devido por parte da banca. Um homem de coragem, entre outros, que não se inibiu de criticar publicamente o incumprimento dos bancos, foi Arthur Cupertino de Miranda, dono de uma Casa Bancária no Porto que mais tarde se transformaria no Banco Português do Atlântico.
O empréstimo dado à banca e o seu não pagamento constituía uma clara violação contratual em prejuízo do erário público e uma distorção das regras da concorrência. Arthur Cupertino de Miranda demandava que o Estado agisse e cobrasse o que lhe era devido. Mas o tempo continuava a passar.
O resultado é que em finais de 1925, Arthur Cupertino de Miranda, entre outras personalidades, foi arrastado para o “caso Banco Angola Metrópole” de Alves Reis. Foi implicado e detido à conta do famoso processo de emissão de notas de 500 Escudos, com o claro intuito de calar uma voz incómoda quer à banca quer às conivências particulares de políticos e de gestores, numa época em que o Banco de Portugal era uma instituição privada, ainda que, formalmente, controlada pelo Governo.
Um processo crime serviu de motivo para perseguição política, submetendo a investigação criminal e a própria Justiça a lógicas de interesses privados, havendo mesmo aplicação retroactiva de legislação criminal mais gravosa.
Arthur Cupertino de Miranda foi ilibado, assim como outras personalidades que foram vítimas por se baterem pela verdade e pela justeza. Mas as raízes tinham-se firmado: a República, nas suas diversas instituições, capitulou aos interesses da banca.
Olhando ao que se passa actualmente no país, após mais de 30 anos de democracia constitucional, continuamos a identificar claros reflexos na República de hoje, o que foi e o que representou o empréstimo de 1919.
Adenda: a quem queira perceber melhor e aprofundar a temática, aconselho a leitura do livro de Francisco Teixeira da Mota, “Alves Reis – uma história portuguesa”.
Já muita coisa foi dita sobre o Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908, data sobre a qual passa hoje o 102º aniversário. As versões do que se passou são muitas e, segundo pude apurar, raramente se aproximam da verdade. As que li nos jornais da época, contradiziam-se entre si. As próprias imagens divulgadas não são aceitáveis. Por exemplo, o desenho que vemos acima, publicado na «Ilustração Portuguesa» (e reproduzido de uma revista de Londres), não é rigoroso. A perspectiva que vemos só poderia ter sido tomada já na Rua do Arsenal. Ora, o Buíça que vemos a ser acutilado pelo oficial da Guarda, ficara ainda no Terreiro do Paço, de onde disparara, aí sendo morto.
Aliás, está errada, como todos as outras reconstituições que foram aparecendo em publicações portuguesas e estrangeiras, dezenas e dezenas de versões iconográficas do atentado. São todas elas mais ou menos fantasiosas. Ou seja, podem ter um ou outro pormenor correcto, mas logo falham, por exemplo, na localização dentro do landau dos quatro membros da família real, no posicionamento dos regicidas ou na correcção do cenário. [Read more…]
O caso desesperado dos clientes do BPP é um escândalo que, típico da nossa inveja, passa ao lado da esmagadora maioria dos portugueses. Aliás, o sentimento dominante é “eles são ricos, que se entendam”. Estamos a falar, na esmagadora maioria dos casos, das poupanças de uma vida de trabalho de gente séria e honesta. Sim, os ricos que o povão despreza, esses, trataram de vida a tempo e horas com o nosso dinheiro, safando-se, à tangente, de ficar sem o graveto que tinham no BPP através da intervenção do Estado – intervenção essa que serviu, apenas e só, para resolver o problema a meia dúzia de “amigos”. (Declaração de interesses: não conheço nenhum dos lesados nem fui/sou cliente desse banco. Felizmente!).
Outra matéria que o povão adora é as pensões dos políticos. Outra escandaleira das grandes mas tratada pela imprensa de forma grosseira. Não são os políticos, são meia dúzia de tratantes que, entre outras coisas, são ou foram políticos. Isto de generalizar dá audiências mas cria injustiças como a dos clientes do BPP.
Entretanto, hoje é 31 de Janeiro e começaram as comemorações do centenário da República. Se é verdade que os jornais falam do tema, não o é menos que o tratam aos olhos da intriga política actual: Os eventuais recados de Cavaco ao Governo, os estados de alma de Manuel Alegre.
Durante este ano de 2010, por acaso e coincidência, Chile e Portugal comemoram dois importantes aniversários: a liberdade do Reyno do Chile, não é gralha, é e forma da escrita do Século XIX, e a implantação da República em Portugal.
As duas Nações eram reinos, pertenciam a uma monarquia, com pouca simpatia e renitência. As duas nações queriam ver-se livres das monarquias que as dominavam. A do Chile, era avassaladora, com um Rei longe da Pátria como a denominavam os crioulos, é dizer, filhos de espanhóis nascidos no Chile, proprietários de fazendas e e possuidores de um título nobiliário, normalmente de Duque ou Conde. Em Portugal o leque era mais amplo: os Monarcas residiam dentro do Estado, eram os proprietários de terras e Paços e tinham uma cumprida genealogia de serem aristocratas desde a época do primeiro Rei Afonso Henriques, até o dia em que a Monarquia foi derrubada, em 5 de Outubro de 1910. [Read more…]

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

O governo da República Portuguesa publica uma nota sobre Educação utilizando uma fotografia de um suposto professor em suposto ambiente de suposta sala de aula com um quadro e giz.
Há quantas décadas desapareceram os quadros e giz das salas de aula na república portuguesa…?
Descobri na passada terça-feira que este vídeo deveria ter saído no dia 22 de Setembro de 2024, às 23h30. Pronto, ei-lo.

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
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