E eis que a esperança no futuro do país renasce

Sua Al(ol)teza real

Foto@Carlos Pires/Monárquicos Portugueses Unidos

Portugal tem um “príncipe” que “enche o coração de Portugal de esperança, de alegria e de confiança num futuro risonho e promissor pela qual todos nós Portugueses sonhamos“. Confesso que fiquei comovido. Para além da maravilhosa descoberta de que Portugal tem um príncipe – espero que mais barato de manter que os restantes aristrocratas políticos que por cá andam – fiquei a perceber que o jovem de 19 anos acabados de fazer é um hino à esperança num futuro risonho e promissor. Aquele com que todos sonhamos.

Agora vou ali ouvir D. Nuno da Câmara Pereira para acalmar estas emoções. O meu batimento cardíaco está muito acelerado.

Minuta de Acórdão (para as várias instâncias)

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Enquanto procedia à análise forense de uns quantos cadáveres – de bivalves e crustáceos diversos – ocorreu-me a ideia de simplificar o trabalho dos nossos Juízes Criminais, que pudesse servir de minuta às várias instâncias, para usar no caso Marquês (do Sócrates) mas não só. Abaixo fica o resultado desse labor.

“Aos (data) reunido o colectivo (expressão válida mesmo que se trate de apenas um Juiz) e depois de considerar os fatos, sempre contingentes e imprevisíveis, mas muito caros, usados pelo indiciado, e ponderadas todas as circunstâncias que conformam o caso em apreço, o do tipo que nos retirou uma série de privilégios a que estávamos habituados, considerou e deliberou o seguinte:

- Este colectivo anda “há muitos anos a virar frangos” e não se deixa iludir com conversas da treta do tipo das alegações do indiciado. [Read more…]

Diário da República, 24 de Março de 2015

De facto, é preciso enfrentar o fato:

Processar prestações de invalidez, velhice e morte e outras
que com elas se relacionem ou sejam determinadas pelo mesmo fato e se insiram na área de atuação do respetivo núcleo.

Efectivamente, “em Portugal, as novas regras estão a ser aplicadas sem atropelos” e “sem problemas de maior”:

Certificar os fatos e atos que constem dos arquivos municipais, sem prejuízo da competência nesta matéria confiada a outros serviços.

dre2432015Post scriptum: Foi há cem anos: [Read more…]

Lista VIP minuto-a-minuto

Passos Coelho, Núncio e a burka fiscal FEMAIL

Depois de ter afirmado no Parlamento que não tencionava fazer striptease fiscal Passos Coelho certificou-se que o seu cadastro fiscal se apresentaria doravante apenas de burka. [Read more…]

O eclipse no quartel

eclipse
Uma anedota já antiga esclarece-nos sobre a boa comunicação ao longo da hierarquia militar. Perante a eminência de um eclipse solar, o oficial de dia decide instruir os seus praças e comunica as suas intenções ao seu subalterno.
—Tenente, amanhã haverá um eclipse do Sol. Quero que a companhia esteja formada com farda de trabalho na parada, onde darei explicações acerca deste raro fenómeno que não acontece todos os dias. Se por acaso chover, nada se poderá ver e nesse caso a companhia ficará dentro da caserna.
O tenente dirige-se ao sargento: [Read more…]

Da felicidade em Portugal

André Serpa Soares

felicidade
Há dias para tudo e mais alguma coisa, e parece que hoje é o Dia Internacional da Felicidade. Por uma cruel ou feliz (lá está) coincidência, é também dia de eclipse, o que permite jogos fáceis como “a felicidade está a eclipsar-se”, ou qualquer outro que uma melhor imaginação e verve consigam criar.
E como andamos nós, portugueses, de felicidade? Sendo o conceito de “felicidade” algo de muito subjectivo, ainda assim parece seguro arriscar dizer que a felicidade anda a eclipsar-se aqui pelo “rectângulo”.
O Eurostat divulgou ontem um estudo que conclui que os portugueses são dos europeus menos satisfeitos com a vida que têm. Mas, para tentar objectivar um pouco a questão, o melhor é ir directamente à pergunta realizada no inquérito do Eurostat e aos resultados alcançados
«Globalmente, em que medida se sente satisfeito com a vida que leva nos dias que correm?», perguntou a instituição europeia. [Read more…]

Todos nascemos parolos

Pieter Bruegel

«Todos nós nascemos parolos. Todos nós, sem excepção. E só por um esforço continuado de aprendizagem, durante toda a vida, aprendemos a sê-lo um pouco menos. Mas todos nós nascemos parolos.»

Esta foi talvez a frase mais memorável que escutei em cinco anos de aulas na Universidade Técnica de Lisboa, era eu estudante em Agronomia. Do lado de lá da janela o Sol iluminava a seara da Tapada da Ajuda, onde os tordos se banqueteavam, acolitados pelas perdizes. Belos tempos, esses.

“Todos nós nascemos parolos”, repeti para mim mesmo. O professor que disse esta verdade nascera assim, e também nós outros seus alunos. O monarca e o presidente, o duque e o gestor, o cardeal e o cientista, o milionário e o indigente, acrescentei em surdina. Parolos, todos, desde a nascença em berço fidalgo, num alpendre miserável, ou numa casa remediada.

Havia justiça neste sarcasmo à condição humana, pareceu-me. Desde o mais altivo aristocrata ao mais boçal delinquente, do mais abjecto filisteu ao mais profundo erudito, todos nascemos iguais em parolice. E somente pelo uso que fazemos das oportunidades que nos foram dadas, ou sonegadas, conseguimos superar (muito a custo, e sempre precariamente!) a nossa natureza inata.

Mas todos nós nascemos parolos.

[na figura: “Retrato de Anciã”, Pieter Bruegel o velho, 1535]

Eis que o PSD encontrou a sua causa fracturante em tempo de eleições

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Enquanto se fala dessa base de dados de pedófilos não se fala do estado do país. É a causa fracturante laranjinha, devidamente musculada comme il faut a uma direita que se preze, na mesma linha usada por Sócrates para ocupar o vazio da política, esse mesmo que resultaria de não se querer falar do que se fez e do que se vai fazer. Junta-se ao tema presidenciais. Haja chouriços para encher, que isso de Direito é coisa de piegas.

Que giro!

Apresento-vos o primeiro emigrante português residente longe da pátria. É dos lados de Ourém e disse-me pelo telefone que estava com pena de ter perdido o filme, da responsabilidade de Al Gore, ex-vice presidente dos Estados Unidos, sobre as malfeitorias que vários países, incluindo o seu, fazem à Natureza. Informo que o filme está no cineminha do meu bairro e que eu, por falta de tempo, também ainda o não vi. Acertámos ir os dois nesse mesmo fim de tarde. E fomos. As falas do Al Gore eram claras. O filme, em si, era barulhento a valer:desabamentos, ventanias, estrondos, sirenes. Nós, de olhos colados no ecran. E as sirenes que não se calavam. Até que a imagem desapareceu, as luzes se acenderam, e se ouviu uma voz calma e bem timbrada a pedir-nos que, sem pânico, mas rapidamente, saíssemos porque havia um incêndio no prédio. Íamos a meio da escada rolante quando pelo altifalante fomos avisados que devíamos ir à bilheteira receber outro bilhete, para o caso de querermos ver os quinze minutos de filme que que nos faltavam, ou para receber o dinheiro do bilhete se não estivessemos interessados. O de Ourém disparou a pergunta: “precisa de ver mais filme para saber quem são os gajos que andam a lixar o mundo?”. Reconheci que não, não precisava. Chegados ao átrio, o rapaz foi direito à bilheteira e veio de lá com o dinheiro.
Tínhamos ido ao cinema de borla. Este é o português desenrascado.

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Nojo

Pode uma mulher ser enxovalhada publicamente pelo director de um jornal por ter tido “em média quase três namorados por ano – fora os que não se conhecem”?

Em Portugal, pelos vistos pode. Moralismo de pacotilha e machismo descarado são a assinatura de marca do arquitecto, mas usar uma mulher com nome e rosto públicos para eructar o seu sermão não é só indigno, é também cruel.

Um santo bebedor

 

À parte o Cary Grant, com quem nunca troquei bons-dias, a encarnação do perfeito cavalheiro surgiu-me sempre na figura do Sr. Magalhães. Repare-se, para início de conversa, que eu nem sei o nome próprio dele, não me passaria pela cabeça chamar-lhe outra coisa senão Sr. Magalhães. Era um homem de outro tempo, um tempo impreciso e se calhar mítico, em que os homens eram cumpridores de um código de honra austero. A sua amabilidade era sempre distante, não por arrogância mas para não arriscar encurtar distâncias indevidamente. Nunca lhe ouviram uma palavra impensada, foi sempre cortês e digno, capaz de voltar costas a uma provocação sem que alguém se atrevesse a ver nisso cobardia. Passara poucos anos na escola, era oficiante de uma profissão agora caída em desuso, e não sei se gostava do seu trabalho mas fazia-o com brio. E era dedicado à família, um desses homens que não precisam de manifestações públicas de afecto para deixar claro que continuam enamorados das mulheres década após década. Trabalhou até ao limite do suportável, já minado pela doença, e foi sempre amado e respeitado pelos filhos, que eram três pequenas réplicas do cavalheiresco pai. Era, como vêem, um homem perfeito. Mas era um bêbedo. [Read more…]

Admissão de culpa

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 Foto (http://cativarparaaprender.blogspot.pt/2012/05/uma-questao-de-honra.html)

Tenho consciência, não estou esquecido, conheço a Lei, fui notificado várias vezes. Infelizmente, devido à política seguida pelo Governo nos últimos 4 anos, não tenho é dinheiro!

Versão integral publicada originalmente em: http://wp.me/p29WGc-AU

Informação da maior importância: a quem interessar

Conheço-alguns-perfeitos-idiotas

Com muita humildade venho por este meio dar conhecimento a todos os meus credores – pretéritos, presentes e futuros -, independentemente da sua natureza – privada ou pública -, ou da natureza do crédito – venal, afectivo, lúdico ou outros -, ser muito possível, e até mesmo provável, que não venha a honrar as minhas obrigações ou a fazê-lo fora do prazo e apenas parcialmente, sempre com grande humildade, enfatizo, inerente a tal incumprimento ou procrastinação, com fundamento em qualquer das razões a seguir elencadas, isolada ou cumulativamente:

1 – Desconhecer a obrigação;

2 – Esquecer-me da dívida;

3 – Escassez de recursos, financeiros ou emocionais;

4 – Receio de que o cumprimento atempado possa ser interpretado como uma forma de induzir na comunidade a ideia de que sou cumpridor.

Versão integral do post, publicado originalmente em http://wp.me/p29WGc-AD

Por coisas destas também, ainda foi preciso o dia de ontem

Violador diz em documentário que a culpa é das raparigas

O Hakim Quer Ser Meu Amigo

amizades_facebookAceito ou não aceito o pedido de amizade Hakim?
Vou dormir sobre o assunto e amanhã tomo uma decisão que pode mudar toda a minha doravante.

Este também não sabia que era preciso pagar impostos

Economista britânico diz que Europa está na iminência de um ‘IV Reich’ | iOnline

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Lusa . 4 Mar 2015 – 15:22

O economista britânico Stuart Holland disse hoje em Lisboa que a Europa está “na iminência de um IV Reich”, referindo-se à situação na Grécia e à “hegemonia de Berlim” na União Europeia. 

“Temos uma hegemonia alemã que (os antigos chanceleres) Willy Brandt e Helmut Kohl não queriam. Eles não queriam uma Europa alemã, mas Angela Merkel que não tem as referências da Europa Ocidental não aceita conceitos como a solidariedade”, disse à Lusa o economista britânico, à margem da conferência “Grécia e Agora?”, que decorre na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Texto integral em http://wp.me/p29WGc-Ak

Portugal não é a Grécia

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Depois dos casos BPN, BPP, BCP, BANIF, BES, Sobreiros, Miguel Relvas, Submarinos, Vistos Gold e do seu próprio caso pessoal – contributivo e Tecnoforma -, entre muitos outros, percebe-se agora que ao insistir na ideia de que “Portugal não é a Grécia!”, Passos Coelho estava afinal a defender o bom nome e a honorabilidade do povo grego (que não as das elites dirigentes da Grécia que são iguais às nossas).

Publicado originalmente em: http://wp.me/p29WGc-Ah

Corrupção na Segurança Social: detidos ontem

um director e um chefe de serviço do centro distrital de Lisboa da Segurança Social, um advogado e dois técnicos oficiais de contas, suspeitos de vender falsas declarações (a 2 000 euros cada) a dezenas de empresários.  Jornal de Negócios [com actualização hoje]

Efectivamente: hoje, no sítio do costume

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A presente resolução do Conselho de Ministros determina a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no sistema educativo no ano lectivo de 2011 -2012 e, a partir de 1 de Janeiro de 2012, ao Governo e a todos os serviços, organismos e entidades na dependência do Governo, bem como à publicação do Diário da República.

Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011

Raif Badawi

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Teve o azar de nascer na Arábia Saudita.

Teve o azar de ser um homem de liberdade num país onde esse direito não existe.

Teve o azar de encontrar no seu caminho já espinhoso um juíz que, não se sabe por que motivo, o deve odiar e insiste em querer condená-lo à morte.

Teve a sorte de num primeiro julgamento o juíz não o poder julgar e condenar por apostasia (afastamento da religião, punível na Arábia Saudita com a morte por decapitação), mas entretanto teve o azar de os poderes dos tribunais terem sido alargados e esse mesmo juíz poder agora julgá-lo por esse crime tão hediondo.

Raif Badawi foi primeiramente condenado a 10 anos de prisão e a receber 1000 (mil) chicotadas, à ordem de 50 por semana. Recebeu apenas a primeira flagelação. O seu corpo não aguentou. Ficou doente. Desde então, não voltou a ser torturado com as chicotadas, e com tanta pressão internacional, havia a esperança de que ele pudesse ser libertado. Mas agora chegou a pior de todas as notícias: suspeita-se que Raif Badawi, um nosso colega, blogger como todos nesta casa, defensor das liberdades como todos nesta casa, vá ser julgado por apostasia.

A pressão de todos, o barulho, a luta, podem ser, neste caso, vitais para salvar a vida deste homem cuja família o espera no Canadá.

Portanto, meus caros leitores, peço que cada um faça a sua parte. Assinem a petição aqui e gritem no twitter e no Facebook (não se esqueçam de usar a etiqueta #FreeRaif) que querem este homem libertado.

Se é necessário que o mundo seja vigilante, é nestas coisas que tem que o ser. A liberdade de expressão é um direito de TODOS os povos.

Esta porra triste

Aos que emigraram e nos pedem notícias, acabamos a dizer: “Eu não vivo em Portugal, eu sobrevivo-lhe.” Levamos a nossa rajada diária de tiros sob a forma de notícias do caos – na saúde, na justiça, na educação, na máquina estatal. Cada jornal que lemos, cada bloco de notícias a que ainda temos estômago para assistir arrancam-nos o mesmo rosnado e impotente “Filhos da puta”. Fomos rebaixados de cidadão a contribuinte enquanto o diabo esfregava um olho. A grande máquina olha-nos com desconfiança, rotula-nos de prevaricadores, trata-nos com soberba e desprezo, cospe ordens de penhora, multas gordas de juros, exige-nos mais. O discurso oficial, a narrativa, ensina-nos a desconfiar de quem pede e a não duvidar da palavra de quem rouba. Ser forte com os fracos e fraco com os fortes é o credo que vigora. [Read more…]

Passos Coelho, as dívidas, as prescrições, os pagamentos, as mentiras e as desculpas esfarrapadas

passoscoelhoEste exemplar da espécie humana nunca deixa de me surpreender, malgré tout!

Senão vejamos: Passos Coelho não pagou à Segurança Social as contribuições devidas durante um período em que recebeu com Recibos Verdes;

A primeira desculpa, idiota, é que entretanto pagou apesar de a dívida já estar prescrita. Ora isso não é possível. Nenhuma contabilidade suporta a entrada de uma “receita” sem título justificativo válido. Como tal, a Seg. Social já lhe devolveu, ou ainda vai devolver, o dinheiro.

(versão integral em: http://wp.me/p29WGc-Ad )

Salário: bugigangas, bibelots, cenas assim…

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“O pagamento do trabalho é feito com artigos de decoração, de excelente qualidade.(Mesas, cadeiras de rattan,madeira ou ferro; espelhos, pequenos moveis, candeeiros de mesa e tecto, e muitas outras peças.

Tornado: fundamentos filosóficos

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http://wp.me/p29WGc-A8

Carta aberta a Wolfgang Schäuble, ministro das finanças alemão

De um jornalista “com tomates”. Bravo!

Carta aberta a Wolfgang Schäuble, ministro das finanças alemão.

via Carta aberta a Wolfgang Schäuble, ministro das finanças alemão.

Rosa, 30 anos, em fuga

Vamos chamar-lhe Rosa. O resto da história, garanto-vos, é verdadeiro, mas o nome, já sabem, é falso. A Rosa fez 30 anos há meses, não completou a escolaridade obrigatória e viveu toda a vida num bairro social do Porto. Os pais até teriam desejado que ela estudasse, eles que não foram além da quarta classe, mas a Rosa nunca gostou da escola e eles não acharam que valesse a pena insistir. No bairro, de resto, os miúdos vão-se dividindo entre os que “dão” e os que “não dão” para a escola e a Rosa rapidamente se escondeu no segundo grupo e ali ficou à espera de ter a idade mínima para ir trabalhar. Mas quando a idade chegou, já a Rosa, a quem os pais só muito vagamente falaram de contracepção, esperava o primeiro filho. Vieram outros três e assim chegou a Rosa aos 30 anos sem formação escolar, sem experiência profissional que não a de umas limpezas ocasionais, e com quatro filhos a seu cargo, já que a relação com o pai das crianças terminou e ele desapareceu de cena.

Com os pais doentes e sem nenhum tipo de apoio familiar, a Rosa e os filhos vão sobrevivendo com o apoio do RSI e com as tais limpezas, que não são certas nem sempre compagináveis com quatro filhos pequenos. Mas a certa altura, a Rosa pede dinheiro emprestado. Neste escalão social, a ideia de recorrer à banca para conseguir um empréstimo é tão absurda que só pode dar vontade de rir. Não, a Rosa pede dinheiro a um agiota, um dos muitos que oferecem os seus serviços nos meios sociais mais castigados. E aqui a taxa de juro é a que eles quiserem: 10%, 25%, 50%, até 100%. Depende do desespero de quem pede, da ganância de quem empresta, da concorrência entre agiotas. Se apanhados jurarão em tribunal, como eu mesma já ouvi em certa audiência, que não faziam ideia de que cobrar juros é crime. [Read more…]

Que agora comer é um luxo, é um luxo

 

Não se percebe, ou será apenas uma dificuldade minha, como pode ser que, apesar da crise, continuem a multiplicar-se os restaurantes. Nem sequer aqueles capazes de agradar a um público heterogéneo, mas cada vez mais especializados em coisinhas pequenas, maniazinhas, tiques refinados. Depois da moda das hamburguerias, agora é ver abrir as casas que só têm chás, as que só têm torradas, o restaurante que serve comida em pratos para cão (por Tutatis!), a casa que se especializou em cereais com leite, a que só confecciona refeições com conservas. No meu nada turístico bairro, cheio de casas em ruína e velhotes a sobreviver com reformas miseráveis, abriu um restaurante gourmet, com cozinha de fusão, ementas em inglês, citações refinadas na parede. Durou exactamente cinco semanas, das quais passou quatro às moscas. Era uma espécie de extraterrestre que nos aterrou ali e que olhávamos com a mesma estupefacção com que espreitaríamos uma manada de unicórnios a atravessar a rua. Um dia desapareceu para dar lugar ao velho cartaz “Aluga-se” que já conhecíamos bem. [Read more…]

Boas notícias para as universidades   portuguesas

Durão Barroso vai dar aulas na Universidade de Genebra

Crime, dizem eles

Esteve recentemente em discussão no parlamento espanhol uma reforma penal que inclui a introdução da pena perpétua, ainda que sob a forma de pena de 25 ou 35 anos a ser revista no seu termo, e com a possibilidade de ser ampliada. A medida, engendrada pelo PP e aprovada pelo PSOE, é pouco coerente com o terceiro lugar que Espanha ocupa entre os países da UE com mais baixa criminalidade, mas a reforma penal foi apresentada no contexto da luta contra o terrorismo, tema sempre sensível na sociedade espanhola, e ainda mais com a ameaça do jihadismo no horizonte.

Se a bandeira desta reforma penal é a possibilidade de castigar com pena perpétua os responsáveis por actos terroristas que originem a morte de cidadãos, “la chicha” – o miolo – está escondida, como lhe compete. Na prática, sob a capa da protecção face ao terrorismo, PP e PSOE uniram-se para aprovar uma lei que estenderá a definição de terrorismo a actos que até agora não eram mais do que contestação social, desobediência civil e boicote. A nova legislação passa a definir como delito terrorista “as desordens públicas” caso com elas se pretenda “obrigar os poderes públicos a realizar um acto ou a abster-se de fazê-lo”. [Read more…]