Parasitólogos

Francisco da Cunha Ribeiro

fotografia-1A independência crítica é o bilhete de identidade que dá foro de cidadania ao  ser humano. O seguidismo ideológico, ou a simples e quotidiana aversão à crítica caracteriza o grau zero do racionalismo. É preciso muito esforço e um enorme amor ao pensamento livre para nos comportarmos como seres racionais. Julgo que essa é também a única forma de sermos fiáveis perante os outros. A preguiça do pensamento é a melhor amiga do irracionalismo. Não significa isto que quem não pensa deixe, só por isso, de ser homem ou mulher, e passe a ser uma besta, nada disso. Quem, por exemplo, passa os seus dias a trabalhar, a discutir futebol, e a jogar a sueca pode não treinar o pensamento, mas não deixa de ser capaz de gostar ou de amar. Mas esse amor tanto pode subir à altura do céu, como descer  ao fundo do Inferno. Quem pensa e ama nunca ama de mais, mas também nunca chega a odiar ninguém. Porquê? Porque sabe melhor relativizar emoções, sentimentos e equilibrar os valores. O homicídio sentimental (pelo ciúme) é, a meu ver, o exemplo mais veemente do que a falta de exercício do pensamento lógico pode ter como consequência.
 Aos que pensam pela cabeça dos outros poderíamos chamar  “parasitólogos”. Os parasitólogos são, pois,  seres racionais  que  alimentam as suas ideias com as ideias dos outros. E como as suas são, afinal,  as dos outros,  podemos dizer que este tipo de gente não muda nada, não cria nada, apenas copia.  Cerebralmente não evoluíram muito além do homo-sapiens. Por isso os poderemos também designar de “macacos de imitação”, sem qualquer desprezo pelos macacos. [Ler mais ...]

Mais c, menos c, está a orrer om normalidade

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“está o fato“, escreve-se num jornal onde a aplicação do acordo ortográfico decorre com normalidade.

Alexandra

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© Miguel Manso

Conheço a Alexandra Lucas Coelho há muitos anos, somos mais ou menos da mesma geração de jornalistas, creio que ela mais nova. Recordo uma viagem que fizemos juntas há muitos anos pela então recém-inaugurada rede de bibliotecas públicas. Creio que trabalhava então para a Antena 1. Conheço-a mal, não somos amigas, há anos que não a vejo, mas conheço o que escreve e gosto do que leio – há um entendimento entre nós que passa pela escrita, pelo jornalismo que olha para as sociedades de hoje, mas talvez, e sobretudo, pelo jornalismo literário, pelos melhores escritores, editores, livros, pelo amor pelas belas letras que formam o poema (e o poema pode não ser poesia), para falar disso que me une a umas esparsas pessoas, que por vezes mal conheço mas que habitam essa parte incerta onde também sou.

Li o discurso que a Alexandra Lucas Coelho proferiu na cerimónia de atribuição de um dos mais importantes prémios literários do País, que este ano a contemplou a ela. Dou-lhe os meus parabéns, tenho a certeza de que o seu livro o merece. Lucas Coelho escreve muito bem, há muito que reconheço nela uma escritora. Hei-de ler o seu livro seguramente. Dou-lhe também os meus parabéns pelo discurso que fez. Numa altura em que praticamente não se ouve ninguém, em que os escritores se calam, num silêncio de chumbo que pessoalmente me pesa (como a muitos mais, tenho a certeza), é muito bom haver alguém que se chega à frente para dizer o que muitos gritam mas ninguém ouve. Talvez tenham medo que Jorge Barreto Xavier os censure por serem «primários». [Ler mais ...]

Assum(p)ção

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Na parte que me toca nem me dou ao trabalho de seguir esse treta a que chamam de acordo ortográfico pela simples razão de não ser apologista da mudança pela mudança. Enfim, uma perfeita inutilidade, não fosse o caso de, volta e meia, chatear os juízo. Para um lado, é aquela sensação de desconforto ao ler um texto escrito nessa moda e ter-se sempre a sensação de que está algo errado, pois lemos pelo reconhecimento de padrões, até se interiorizar “ah é outra vez a merda do acordo”.

Depois é o ridículo de se observar os alunos de inglês a escreverem mal palavras como objective, deixando cair o “c”, à la moda acordês. E não são poucos, ao que sei. Finalmente, aconteceu eu próprio ter precisado há pouco de ir à Priberam ver como se escrevia “assumpção” para me recordar que sempre tivemos o “p” e que os brasileiros o podem usar ou não.

Aconteceu-me aquilo a que chamo o efeito de exposição ao primeiro-mentiroso. Quando se está repetidamente exposto ao falso, como acontece a quem ouça inadvertidamente o primeiro-mentiroso falar do país que está melhor, apesar das pessoas estarem pior, chega-se a um ponto em que se perde a noção que é certo. Ora façam o teste. Há uma assunção no governo. Estamos perante um erro ou não?

Empresa Outdoor7 Lda Procura Serviçal

outdoor7_lda_futebolPara juntar ao rol das empresas de escravatura neste país, hoje fiquei a saber que a Outdoor7 procura, e passo a citar, “fotógrafo amador para acompanhar os jogos” e que, mesmo sendo “amador“, o candidato a serviçal deve possuir “material próprio” e, como bom amador que se preze, deve “enviar currículo” a fim de o mesmo, presumo, ver a sua validade, competência e profissionalismo devidamente avaliado. O anúncio não fala da remuneração deste trabalhador “amador”; espero que seja pelo menos uma caixa de 24 iogurtes mas de pedaços, que os simples não matam a fome
A mesma empresa também recruta um “amador” para o Algarve!

O amargo sabor de um chocolate quente

E se lhe oferecessem um chocolate quente quando faz compras num Centro Comercial, aceitaria? E se esse chocolate fosse tão amargo, que fosse impossível de beber, como o é a vida das crianças que trabalham nos campos de cacau na Costa do Marfim, conseguiria ficar indiferente?

Numa iniciativa da  Getinspirit, uma organização de sensibilização para o flagelo do trabalho infantil na Costa do Marfim, foi feita, há uns dias, no Oeiras Parque,  uma prova, sem que os visados soubessem o que iam provar. As reacções estão espelhadas no vídeo.

Da importância dos filhos

Acabo hoje de descobrir a verdadeira e incrível importância dos filhos. Eu, cega, limitada nos meus conhecimentos e experiências, pensava que os filhos existiam para sentirmos um amor único,  absorvente, vibrante, totalmente infindável. Para nos darem ternuras imensas e prazeres inimagináveis com as suas brincadeiras e travessuras ou só pelo facto de existirem. 
Eu, que tão levianamente assim pensava, acabo de descobrir que os filhos podem também ter uma importância extrema na nossa felicidade tecnológica. 
Estou a ser pouco clara nas minhas palavras? Vou, então exemplificar com um modelo real:
Cerca das 11 da manhã de um dia muito soalheiro. Uma estação de superfície do Metro. Muito sol. Já bastante calor. Uma família de quatro pessoas: dois adultos e os filhos,  pirralho com cerca de 4/5 anos e pirralha com uns 7/8. Ambos os progenitores de tablet e iphone. As crianças pedem encarecidamente, choramingam, quase começam birra. Querem jogar um bocadinho. Levam ameaços de «um estaladão»,  «uma chapada», um «biqueiro no cu». De repente, o menino coloca-se à frente do pai para ver o jogo.  [Ler mais ...]

Gastando cera com ruim defunto

A semana passada tropecei nos dois trabalhos jornalísticos que aqui vos deixo. Não conhecia Manuel Forjaz, evito lixo televisivo e o empreendedorismo é ideologia a cujas missas não assisto.

Manuel Forjaz faleceu ontem, e todos somos solidários com quem apanha um cancro, muito mais quando é da nossa geração, como é o caso. Se a semana passada não tive tempo de vos apresentar a face oculta de um empreendedor para quem já há muito que tudo valia, a ética quando nasce não é para todos, sei que não o deveria fazer hoje. Mas a minha ética, por sua vez, também tem um limite: uma comunicação social hipócrita, vendida, repelente, que vomita elogios fúnebres a quem agora partiu omitindo há anos quem realmente foi, está para lá dele.

E também é para isso que os blogues existem, para relembrar os dois perdidos trabalhos jornalísticos  que nenhuma doença apaga:

artigo crime

Empresa de sucesso deixa centenas a “arder”

A Ideiateca era uma das empresas de consultoria de maior sucesso no mercado português. Com um volume de negócios de 1,5 milhões de euros em 2011, era o maior prestador de serviços de “cliente-mistério” no país. Em Setembro fechou as portas, sem avisar qualquer um dos milhares de colaboradores que tinha.

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República das bananas

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Mais uma prescrição no caso BCP. Que outra coisa seria de esperar de um sistema onde a banca tem nomeado ministros e secretários de estado de todos os governos das últimas décadas? Que fizessem leis e procedimentos que mordessem a mão que os alimenta, não? Era o que faltava. A seguir ir-se-ia exigir uma justiça igual para todos. Cada uma.

No vôo de Genève para o Porto

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[Retirado do Facebook de] Ricardo Sousa

Não consegui aguentar. Desatei a chorar.
Hoje no meu voo de Geneve para o Porto, um voo carregado de emigrantes Portugueses sentou-se junto a mim mais um deles. Nada de novo até aqui.
Minutos depois de ter pedido uma sandes que apenas consegui comer metade e por trás dos auriculares ligados a um iPhone oiço uma voz. “Deve querer ir a casa de banho”, pensei. Instantaneamente levanto-me… mas não. Um sorriso indica que e outra coisa. Tiro um auricular. “Ainda vai comer mais? Importa-se que fique com o resto?”. E nestes momentos, nestes segundos em que saímos dos nossos hiper-conectados mundos e do nosso stress diário que caímos naquela que e a essência humana. Disse-lhe que não, chamei o chefe de cabine e pedi mais uma sandes. Dei-lha.

Mas esta história para mim foi muito mais que uma sandes ou um momento semi auto-congratulante para colocar no Facebook, foi um verdadeiro reality-check. [Ler mais ...]

Terramoto de 8.2 no Chile

terramoto-chile Apenas 6 mortos graças a rigorosas regras de construção e preparação da população.

Factura da sorte – Nilton: não quero um carro!

E já agora, e se eu achar que o Estado gastar dinheiro dos contribuintes para oferecer carros é profundamente errado como princípio e, portanto, não quero participar no concurso, posso ficar de fora?

Ah, esperem, há anos que o Estado já oferece carros, com o dinheiro dos contribuintes, a titulares de cargos nos governos nacional e regional, nas administrações local e central, em empresas públicas, etc., etc. Porque não alargar o conceito a mais uns carros para o povo? [Ler mais ...]

Isabel Jonet, tu queres é facebook…


“Nem reparas no meu look
Noite e dia sem parar
Ai ai ai …” 

 

Lambe Isto

lick

É a tradução para Português do nome (Lick This) de uma aplicação recente que se gaba de treinar quem a queira usar para a prática eficiente de sexo oral nas mulheres. Como gosto de estar informada, já li todo o tipo de comentários e artigos sobre esta nova aplicação. Exemplos podem ser encontrados aqui (em Português do Brasil, parece que nenhum Português de Portugal se interessou por traduzir a coisa) ou aqui (em Inglês, para os nossos leitores com maior treino de língua). Uma coisa é certa, quem gostar de lamber computadores ou telemóveis irá certamente divertir-se. Eu adoro ver as figurinhas de quem tenta afiar o lápis.

Quanto ao que interessa, ainda não há confirmações de que as moçoilas fiquem mais bem servidas.

Para ficarem mais elucidados, deixo-vos um fimezinho explicativo de como tudo se processa.  Enjoy!

Eu sou desempregada e frequento redes sociais

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Exma. Senhora Jonet:
 
Eu sou desempregada. Mais concretamente, sou semi-desempregada de longa duração. Demasiada longa duração e demasiado desempregada. O semi é ocasional e poucas vezes consigo trabalhar. Das vezes que trabalho, nos últimos dois anos, frequentemente tenho que esperar mais de meio ano para receber o valor devido. Demasiado precária. Por minha culpa, claro!
Reconheço que a senhora, do alto da sua sapiência, acertou na mouche no que me diz respeito. Sou uma calaceira que só quer andar no Facebook e outras redes sociais, autênticos vícios que destroem famílias e nos impedem, a nós, míseros desempregados, de encontrar trabalho.

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Jonet: “O pior inimigo dos desempregados são as redes sociais”

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Isabel Jonet [presidente do Banco Alimentar Contra a Fome] considera ainda que “o pior inimigo dos desempregados são as redes sociais. Muitas vezes as pessoas ficam desempregadas e ficam dias e dias inteiros agarradas ao Facebook, ou agarradas a jogos, agarradas a amigos que não existem e vivem uma vida que é uma total ilusão”. Isabel Jonet recomenda que os desempregados procurem fazer trabalho voluntário que, apesar de tudo, os mantém activos e com mais possibilidade de encontrar um novo emprego. [RR]

O que se aprende com gente culta. Eu que pensava que o maior inimigo era a falta de dinheiro. Afinal, vamos a ver, e estes agarrados do Facebook despedem-se de propósito para se andarem a amigarem na net.

Antologia jonetiana:

Astrólogo Pires

astrologo_piresTeria o meu voto às Eleições Europeias, caso concorresse.

Desta é que vai ser

madoff

A equipa que julgou Madoff foi convidada para fazer idêntico trabalho em Portugal com o caso BPN. A Ministra da Justiça informou que é uma medida integrante do quadro de cooperação União Europeia – Estados Unidos da América, sendo o projecto piloto esta iniciativa lusitana.

Agentes do sector, que pediram reserva de identidade, manifestaram profundo desagrado por esta desautorização e perda de soberania, sobretudo num caso que está a correr nos normais trâmites da justiça portuguesa. Confrontada com esta tomada de posição, Paula Teixeira da Cruz desvalorizou, frisando que, mais do que nacionalismos, importa o bem maior de se “acabar o estado de impunidade” nesta classe profissional.

O líder do Partido Socialista, António Costa, mostrou-se igualmente atónito com esta medida, especialmente devido a ter sido realizada por ajuste directo. “Com o Partido Socialista teríamos um concurso público internacional; ajustes directos não são tradição de governos PS”, esclareceu Costa.

Em declarações à Lusa, Duarte Marques, que recentemente questionou o Banco de Portugal quanto aos avisos de Barroso sobre BPN, considerou que é uma iniciativa inovadora e com potencial para se repetir em outras áreas, dando como exemplos a possibilidade da NSA dar formação na área de escutas estratégicas no contexto partidário e do CSI Miami apoiar a Polícia Judiciária na investigação de branqueamento de capitais.

Cinco Anos Sempre a Dar-lhe


Cinco anos volvidos, continuo a desejar a todos muitos e sonoros.
Banda sonora para comemorar: Orgasm – Come, de Prince.

Aventar, cinco anos

5 anos

O nosso obrigado aos 5 693 255 visitantes mal contados pelo sitemeter, a 30 de Março de 2009 o Aventar expunha ao vento, arejava, segurava pelas ventas, farejava, pressentia, suspeitava e chegava.

 

E fazer um link, também será crime?

Se alguém escrever sobre alguém na frontaria da minha casa, estou obrigado a remover essa inscrição para que não seja responsabilizado pelo que lá estiver dito?

Blogger condenado a pagar 5000 euros a Fernando Ruas por textos e comentário difamatórios “O autor do blogue cria a fonte de perigo para direitos subjectivos de outrem como os que estão em causa nestes autos, sendo a única entidade com poder para controlar tal perigo, seja pela via do controlo efectivo dos comentários, seja pela alteração da política do blogue”.

Afinal de contas, a parede é minha e, por ser possível nela escrever, eu criei a fonte de perigo para direitos subjectivos e sou o único que pode controlar tal perigo, nomeadamente, demolindo a parede. Na notícia acima linkada lê-se ainda que alguns textos saíram do limite da crítica política, sendo excessivos e injustificados, dos quais o post intitulado A Camorra do Bigode é apontado como um exemplo. Cada qual que faça o seu próprio juízo de valor quanto ao apego – ou desapego – por parte do juiz do Tribunal Judicial de Viseu ao respeitinho. [Ler mais ...]

Em ruínas

Na antiga fábrica de sabão em Lordelo do Ouro, que voltou a ser notícia esta semana, o meu avô esteve por duas vezes à beira da morte. Trabalhou lá muitos anos e sofreu um acidente que lhe provocou queimaduras graves. Do acidente mais grave na história da fábrica salvou-se por sorte, porque trabalhava por turnos e aquele não era o seu. Nesse dia, fomos (a minha mãe e eu) encontrá-lo a ajudar na limpeza dos destroços. Estava ferido, tinha sido atingido na cabeça por uma telha que voou com a explosão, e essa telha foi providencial, porque impediu que ele entrasse na fábrica para socorrer os colegas por quem já ninguém poderia fazer nada.

Não me lembro desse dia em que fomos à fábrica, a minha mãe conta-me a história com detalhes, mas nenhum me ilumina a memória, continuo a escutá-la como se tudo se tivesse passado com outra criança que não a que eu fui. As memórias que tenho da fábrica são posteriores, quando ainda estava em funcionamento mas o meu avô já não estava lá, mas ainda a via da janela do seu quarto. Eu era adolescente e ia vê-lo depois da escola, e ele estava à janela, sempre à janela, e acenava-me quando me via, e eu sabia que ele estava a olhar para a fábrica, que não conseguia deixar de olhá-la sempre. Dos últimos anos, quando a fábrica já estava fechada, pouco recordo, porque desde que o meu avô morreu eu não voltei a querer passear por aquelas ruas de Lordelo do Ouro, e quando passo é de carro e sem vontade de olhar para lado nenhum. [Ler mais ...]

Na Linha do Equador: Volta à ilha de barco

Maria Gomes Moreira

Este foi o último fim-de-semana da Madalena em São Tomé, e por isso resolvemos fazer um programa “magnata”: dar a volta à ilha de barco.
Expectativa: um dia daqueles que se vê nos filmes – todos a apanhar sol no barco, a tirar imensas fotografias, relaxados a ler um livro e ouvir música, fazer um piquenique, atracar numa praia paradisíaca para apanhar sol…
Realidade: acordar às 4h da manhã para estar as 5h na praia, onde uma canoa a motor nos esperava. Estavam nuvens por isso nem conseguimos ver o nascer do sol. Cada onda que passávamos era um banho que apanhávamos. Pela primeira vez tive frio em São Tomé!!! Cada vez estavam mais nuvens e mais ondas e apesar de o “comandante” da canoa dizer que estava tudo bem e que não estávamos a passar por nenhuma tempestade, o céu cinzento não estava a inspirar muita confiança, então pedimos para parar no sítio mais perto para esperar que o mau tempo passasse. Se isto fosse um filme, tínhamos parado numa qualquer praia ou ilha deserta com canibais. [Ler mais ...]

Rostos de quem passa fome para que a banca lucre

banca

Em Dezembro passado, a revista Visão trouxe a reportagem “Os rostos reais da fome em Portugal“. Oito testemunhos, que poderia ser nossos, do país onde se salvam os bancos primeiro e se olha para as pessoas depois – mas apenas para ver que cortes adicionais se podem fazer.

A nossa doença é um luxo

 

Se há coisa que me desperta curiosidade é saber se aqueles que acham que o país está melhor passaram recentemente por algum hospital público. Ando, há pelo menos duas décadas, a acompanhar a doença crónica de quem me é muito próximo. São pelo menos 20 anos de consultas, exames, operações cirúrgicas e internamentos num hospital público. E durante este período nunca vi uma degradação tão evidente da qualidade do serviço prestado por esse hospital em concreto, um dos maiores do país, como a que se vive hoje.
Muitos dos médicos mais experientes e qualificados, entre eles muitos chefes de serviço, debandaram para o privado. E não foram só os cortes nas remunerações a pesar na decisão, foi também a atitude de desprezo e de falta de consideração por parte de quem manda, a não valorização de qualquer esforço para prestar um melhor serviço público. Ficaram médicos jovens, acredito que muito qualificados, mas inexperientes, numa área em que a tarimba faz toda a diferença. No recibo de vencimento de um destes médicos não se espantem se virem um salário líquido de pouco mais de mil euros por um horário de 40 horas semanais.
A experiência das pessoas que conheço é a de que os tempos de espera por consultas e exames aumentaram. Os exames que requerem anestesia continuam a ser um problema. Na sala de espera ouvi, há dias, uma conversa entre médico e paciente elucidativa a este respeito. Se o doente quisesse anestesia para realizar certo exame, esperaria à volta de três meses, sem anestesia poderia fazê-lo no dia seguinte. O doente hesitou mas acabou por abdicar da anestesia.
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Entrevista a Alípio Dias

Entrevista, no jornal i, a Alípio Dias. Algumas passagens:

Fui alertado [do golpe militar do 25 de Abril] às quatro menos um quarto da manhã por dois tipos de pessoas.(…) Foi o meu correspondente de Santarém que me ligou a dizer: “Sôtor, os tanques estão a sair de Santarém e vai acontecer uma revolução.”

Eu nunca quis jotas. É o maior erro que os partidos estão a fazer. Mas já havia jotas com Sá Carneiro. Eu dizia sempre: Francisco, é um erro que se está a fazer. Ele achava que era o futuro. O futuro, Francisco, é estudar, é obrigá-los a conhecer as pessoas, a passar por algumas dificuldades. Mas em vez disso estamos a criar meninos e meninas que vão para os gabinetes, que metem cunhas, que querem ter carrinhos, que dormem com ministros, uma bagunçada, e daqui a uns anos vamos ter gente incompetente a governar-nos.

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Faz sentido

As democracias ocidentais sancionarem déspotas, apertando o cerco ao fundamentalismo islâmico, procurando retirar do poder nos seus países governantes sem o mínimo respeito pelos Direitos humanos. Sem dúvida o Egipto é hoje uma terra de Justiça, capaz de julgar de forma célere 529 cidadãos apoiantes do criminoso presidente eleito, felizmente já deposto por uma junta militar. Por onde anda a Liberdade que justificou Tunísia, Líbia ou Síria, apregoada aos 4 ventos nos gabinetes de Washington ou Bruxelas, esta última verdadeira marioneta de Paris?

“Procura-se uma miúda para estagiar, com ajudas de custos”

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“Não precisa de ter experiência, nem um curso específico. (…)
O site está em baixo, pode encontrar algumas informações no facebook da CN Sports.
Partilhem esta publicação nos vossos contactos.” - Feito!

Apontamento (Festival Literário da Madeira)

Antena 2 em directo da ilha da Madeira, um festival literário que lá decorre: escritores em volta de uma mesa a falar da literatura da insularidade, Herberto Helder sempre por perto, o jornalista Luís Caetano (exímio nas coisas da literatura) a suscitar um debate em directo para a rádio pública, e de repente alguém, decerto um escritor madeirense, insurge-se e lembra que a diáspora é hoje uma hemorragia, ou então metástases, sim, metástases da austeridade assassina, e diz que há ilhéus que cortam os pulsos, e que aquele festival literário é uma ilusão na biografia da fome e do sofrimento da Madeira. E logo o calam, claro, como se na literatura não pudesse hoje caber a realidade social que os escritores bem vêem (e vivem, e escrevem), ou os seus realismos passados fossem inultrapassáveis, e fosse hoje tempo apenas e somente de uma fantasia qualquer que sirva para entreter. Palmas para o escritor «sem frio nos olhos», como diriam os franceses.

1.6 milhões de euros pelos jacarandás

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Num destes domingos passeei-me pela baixa de Lisboa. É uma coisa que gosto, andar por cidades fantasma, imaginar pessoas que nelas não vivem, apreciar os cafés sem clientes, deambular pelo meio dos estranjas, entretidos com as suas reflex, a capturar a luz da cidade que não faz sombras de pessoas. [Ler mais ...]