Ars moriendi

Uns 20 anos antes de eu nascer, certa mulher da minha família ganhava a vida a assistir a missas pela alma de perfeitos desconhecidos. Nem sempre seriam desconhecidos, claro, a cidade era uma aldeia, mas o que quero dizer é que não existia nenhum laço entre ela e os defuntos a não ser esse, contratual, e que nem fora da iniciativa deles. Pagavam-lhe os enlutados para estar presente durante a cerimónia e para rezar pela alma que partira, cedo ou tarde e provavelmente descontente, porque eles, os que deveriam fazê-lo, não tinham paciência, tempo, ânimo, o que fosse. E assim ganhava ela a vida, correndo igrejas, rezando aqui e ali por um Manuel, uma Alfredina, um Viriato, sem deles nada saber, tão só que levavam uma semana, um mês, um ano mortos, e que quem ficara ainda os lembrava  ou tinha, pelo menos, medo de enfrentar a sua raiva além-túmulo se as missas devidas ficassem por dizer. [Read more…]

Dantes era bom


Dantes, antes de agora, havia boa música mas não havia Ana Malhoa.
Dantes é era bom mas agora é melhor.

E depois do 25 de Abril

Cavaco

O dia inicial inteiro e limpo” tem sido sujeito a tempestades imensas. Hoje celebramos a revolução mas não há muito à nossa volta para celebrar. O país vive dias de penúria e assiste ao rápido desmembramento do Estado Social. Pessoas morrem nas urgências enquanto governantes alucinam com um SNS que apenas existe no seu imaginário propagando-partidário. A escola pública é alvo da incompetência da tutela e do apetite voraz do ensino privado financiado pelo Estado e gerido por barões partidários. A justiça é lenta, ineficaz e plena de prescrições para os poderosos. Excepto para José Sócrates, aquele que pagará pelos pecados de todos os outros.

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O cravo português

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Sobre os penedos e xistos do Alentejo e da Beira Interior, nas faces onde o sol aquece a rocha, floresce por esta altura do ano um cravo bravio que leva Portugal no seu nome: Dianthus lusitanus. Modesto, tenaz, bonito, rústico: uma metáfora viva do país neste dia de Abril.

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Caracol, caracol…

Tenho a caixa de correio no exterior da casa. Isso permitiu aos caracóis da zona descobrirem as qualidades gastronómicas da correspondência, que violam com entusiasmo e gula. Não raro, desde subscritos variados a publicidade sortida, os caracóis deixam a sua marca roendo deliciados e sem discriminação. Hoje era o extracto bancário, que não só estava severamente roído como ostentava o próprio caracol em plena acção. Francamente, oh desatinado gastrópode, também tu!

País governado por talibãs…

Proibem menores de consumir alcóol, felizmente que não vivi a juventude no tempo dos filhos da puta que actualmente governam a choldra, cumprindo directrizes do cartel de Bruxelas, limitam o consumo de tabaco e mantêm na ilegalidade a cannabis. Por mim não legalizava a cannabis, mas todas. Uma vez que também não legalizam a prostituição, talvez fosse altura dos talibãs criarem uma polícia de costumes. Ignorantes!
Um dia os cidadãos portugueses serão livres, até lá continuem vivendo, façam o que entenderem, os cães ladram mas a caravana haverá de passar. Era o que mais faltava um Estado dizer o que posso ou não fazer nestas matérias…

Paula Teixeira da Cruz, a inacreditável ministra da justiça

Já foi chamada de mentirosa pelo Expresso. Insiste em falar de uns 80% de reincidência dos pedófilos, justificando-se com um estudo em que o respectivo autor já esclareceu publicamente que esse número não consta no seu trabalho.

É de lhe lembrar a recente campanha para sensibilizar os pais sobre as crianças serem vítimas de alguém da sua confiança. E não, portanto, de um estranho que possa viver na área da escola da criança, ao ponto dar a possibilidade dos pais irem à polícia exercer o seu direito à paranóia. Não, devem preocupar-se é com o círculo de relações da própria criança, onde se inclui a família e, espante-se, os próprios pais.

Depois da roda de mentirosa, era de esperar que a ministra caísse em si e saísse de mansinho. Qualquer pessoa sensata o faria. Excepto esta ministra justiceira.

“Isto foi dito e não foi desmentido”, declarou a ministra no Parlamento sobre o conteúdo do artigo de jornal. Para, logo de seguida, ser ela própria desmentida pelo deputado socialista Pita Ameixa: “Foi desmentido”.

“Está bem. Mas foi dito”, respondeu-lhe Paula Teixeira da Cruz [P]

Muito bem senhora ministra, ter-se-á ouvido das bancadas por parte do não menos inacreditável Carlos Abreu Amorim.

A segurança ortográfica

É de admirar, portanto, que na moção aprovada pelo fórum-colóquio Pela Língua Portuguesa, diga NÃO ao ‘Acordo Ortográfico’ de 1990, realizado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 14 de abril [sic] p. p. […], se considere que a nova ortografia traz «total insegurança ortográfica»

Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, 20 de Abril de 2015

dre 20 de Abril de 2015

“Ninguém para o TGV japonês”,

escrevem. E acrescentam: “E isto é apenas mais um teste”. Sim, mais um teste à lógica da base IX do Acordo Ortográfico de 1990.

esguichos de estupidez

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Ontem esta notícia indignou-me, como imagino que tenha indignado todas as pessoas que tenham um cérebro e que conheçam minimamente o que podem fazer com ele. Tipo pensar. Tipo conhecerem os seus direitos (e deveres), entre os quais, os direitos e deveres das mulheres que amamentam e os direitos e deveres dos pais (mulheres e homens) relativamente à aleitação dos seus filhos.

Eu ajudo um bocadinho, recorrendo à notícia que antes mencionei:

«A dispensa para amamentação é um direito previsto no Código de Trabalho. O artigo 47.º prevê que a mãe que amamenta o filho tem direito a dispensa de trabalho para o efeito durante o tempo que durar a amamentação. No primeiros 12 meses, mesmo que não haja amamentação, qualquer um dos pais pode usufruir de dispensa de trabalho para aleitação até o filho perfazer um ano.

A dispensa diária é gozada em dois períodos distintos com a duração máxima de uma hora cada, salvo se outro regime for acordado com o empregador. Está previsto que constitui contra-ordenação grave a violação do disposto neste artigo.

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Dois minutos para o jogo do tanso*

Leio no Público que a Igreja Católica quer que ver o Aborto a ser debatido na Campanha Eleitoral. Leio que: “Movimento de cidadãos defende que as mulheres que estão a pensar abortar devem ver antes as ecografias e pretende que os pais participem na decisão. “

Três comentários:

1- Eu acho muito bem porque assim como assim nunca ninguém vê um boi nas ecografias portanto esta medida parece-me tão estúpida quanto útil.

2- Eu acho óptimo que os pais participem na decisão até porque tenho a certeza que o puto de 17 anos que engravidou a namorada está cheio de vontade de ser pai e de explicar á familia dele e dela o que aconteceu. Aliás, não se fiquem por aqui. Se os paizinhos depois não demonstrarem qualquer interesse na criança devem ser multados e/ou presos. Ah, o quê, isto já não é chantagem emocional barata? Perdoem-me.

3- Eu percebo que a Igreja tenha que fazer este papel e eu nem lhes estou a pedir para serem a favor do aborto, ou da homosexualidade ou da ideia de que as pessoas têm direito de fazerem o que querem com o próprio corpo e que há algo chamado direitos individuais que têm que ser respeitados e que não cabe aos homens decidirem pelas mulheres ou heterossexuais pelos homossexuais ou brancos por pretos. Mas não deixo de me perguntar se a Igreja portuguesa não deveria dar ouvidos ao Papa e pensar que em vez de se dedicarem aos temas fracturantes, deviam começar a dar importância a outras coisas que se calhar não aparecem nos jornais mas que são mais úteis para a sociedade em geral.

*Título roubado a Cátia Rodrigues do Canal Q.

Da ignorância da nossa burguesia

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Descubro pelo José Simões que os nossos parolos, a malta da patronal, andam a viralizar isto, um erro, dizem eles.

No princípio era o verbo, ó analfacoisas.  Isto é um verso, um belo verso, até a poesia popular ultrapassou há muito a fase das quadras. Mas não lhes podemos exigir que lá cheguem, ainda pensam que o hino da mocidade é um poema.

A lama há-de engolir-nos

Não deve ter chegado a cinco minutos a “reportagem” (algum nome haverá que dar-lhe) a que assisti na Correio da Manhã TV. Quando passo por lá é em zapping acelerado, não vá salpicar-me naquele lamaçal interminável, mas desta vez, e suponho que seria porque era tarde e eu estava exausta e sem sono, deixei-me ficar a olhar. A notícia contava que uma mulher fora assassinada, outra ficara em estado crítico, ambas muito jovens. O homicida confesso, já detido, era o ex-namorado de uma delas. Depois de várias imagens dos familiares das vítimas lavados em lágrimas à porta do hospital, o “repórter” (algum nome haverá que dar-lhe) levou-nos a conhecer a mãe do homicida.

Uma mulher assustada, envelhecida, que respondia às perguntas como se estivesse a ser interrogada pela polícia, sem saber que não tinha porque fazê-lo. Abriu as portas de casa para que a filmassem. Pobre casa, de paredes de pedra, escasso mobiliário. Sobre um móvel, algumas garrafas de vinho, nas quais a câmara se detém com minúcia e malevolência. Este repórter quer deixar clara a sua mensagem. Não lhe chega acossar uma mulher assustada, é necessário que devassemos a sua intimidade e que o país lhe veja os pobres trastes e as garrafas de vinho. Vejam, ela bebe. Ou ela, ou o homicida, ou ambos. [Read more…]

Estou-me nas tintas para as eleições (dos outros)

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Emigrem, trabalhem mais 4 dias por ano, recebam menos dinheiro, trabalhem mais horas por semana e paguem mais impostos.

Mas vai ser a porcaria do meio dia que não se trabalhe (e recebendo menos 40% de salário – antes ou depois dos cortes?), desde que se seja funcionário público, que vai fazer com que apareçam crianças.

Eis o plano dos partidos “Portugal não é um paraíso de mão-de-obra barata”  e do “ai o dinheiro dos contribuintes e dos reformados”.

Os portugueses devem ser muito diferentes dos povos dos outros países, só pode. É o sol, contrário à agitação, que estraga tudo. Lá no norte está frio e é preciso aquecer.

Badamerda mais as vossas mentiras da treta.

Infografia: Público

Almoço Aventar de aniversário, 2015

Dizem que foi o mais concorrido de sempre. E foi no Porto.

Fazer o pino à beira do abismo

André Serpa Soares

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Cala-te e vai mas é trabalhar
E a malta obedece, que isto de ganhar a vida é função que só não onera herdeiros, iluminados, eleitos, ladrões e vá, um ou outro sortudo que ganhe o euromilhões.
Mas para ganhar a vida é preciso, desde logo, não ter perdido… a vida! Aquela cena biológica que nos foi dada de mão beijada pelos nossos paizinhos. É preciso, portanto, ter uma vida para ganhar a vida, o que não deixa de ser paradoxal, mas parece que não é bem compreendido por alguns “poderosos, ricos e influentes” da nossa praça.
Ora, termos sido paridos não basta para ter uma vida. Ela exige também uma casinha onde se viva, alimentos para que o corpo possa ter a energia produtiva desejada por quem dá trabalho, o necessário para as deslocações até ao local onde se desempenham as funções, água, luz, gás, uma roupinha que nos aqueça e nos deixe apresentáveis, que isto de ir trabalhar em pelota não pode ser… [Read more…]

É o retrocesso, estúpido!

camaneA manchete do Jornal de Leiria desta semana remete-nos para algo completamente novo: A Diocese de Leiria-Fátima acaba de proibir o concerto de Camané, agendado para o dia 25 de Abril, na igreja do Mosteiro da Batalha. * O senhor bispo invoca uma norma da Santa Sé, datada de 1987, para fechar as igrejas à música não-religiosa.

Quer dizer que pequei, naquela primavera de 1994, quando assisti (entre centenas) ao concerto dos Madredeus. Quer dizer que pecaram todos os outros que assistiram a todos os outros concertos nas Igrejas do país. Pensando bem, isto era um bocado perigoso: juntar as músicas de Alfredo Marceneiro, Amália Rodrigues e Carlos do Carmo em pleno 25 de Abril…estavam mesmo a pedi-las.

Entretanto, a Diocese já veio esclarecer.

* o concerto mantém-se no Mosteiro, mas no claustro.

Há menos em NOS

Diz o anúncio da NOS:

O futuro é para nós. Pela primeira vez o teu tablet sabe o que gostas de ver. Depois, só precisas de escolher e enviar para a televisão. Só a NOS te liga à televisão do futuro. Há mais em NOS.

Tenho algumas reservas. Olhando para este anúncio, vejo uma criança que tem um amigo robô, com quem joga às escondidas dentro de casa, sendo facilmente apanhado, com quem faz desenhos de foguetões (ou melhor, a criança faz um desenho de criança, o robô faz um projecto detalhado com escala), que desiste de fazer os trabalhos de casa, pasta imediatamente passada ao robô, que por ser máquina deve dar conta daquilo num ápice, e que perante a dificuldade em completar o desafio do cubo mágico o entrega ao seu camarada que finaliza o quebra-cabeças em fracções de segundos.

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A favor porque sim

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Este cartaz está a fazer furor (invento; não sei se está). Paulo Pinto usou-o para dissertar sobre uma tal “inorância tóssica” e Luis M. Jorge trouxe os marretas à discussão para classificar os protagonistas dos debates de ideias em Portugal (não se sabe se todos, se só os referentes ao AO).

Em causa está o facto de este cartaz conter “palavras que não existem nem antes nem depois do AO, que são erros básicos de português, a lembrar a do “cágado cagado” que circula por aí, só para mandar areia para os olhos dos incautos e fazê-los correr, talvez”, escreve Paulo Pinto.

Não conheço a génese do cartaz mas, talvez não por acaso, até reflecte o panorama do que passou a existir depois deste acordo ter sido imposto por lei. Como tem sido repetidamente demonstrado no Aventar, vários são os exemplos de palavras que “não existem nem antes nem depois do AO” e que, graças ao AO,  começaram a aparecer com regularidade. Um exemplo? Veja-se este, saidinho no Diário da República.

Mas prontos (também posso inventar, está bem?), em causa está uma  “sanha ignorante, cega, mal-informada, preconceituosa e de má-fé” quando alguém ousa demonstrar que o AO é um erro e um falhanço. O primeiro porque complicou, em vez de simplificar e o segundo porque nem os acordistas o conseguem usar correctamente. Claramente, uns marretas.

[editado para corrigir uma gralha]

“Zona de Conforto”

Num autocarro nocturno entre a França e Portugal.

Num autocarro nocturno entre a França e Portugal, Páscoa de 2015.

“Ei-los que partem
novos e velhos
buscando a sorte
noutras paragens
noutras aragens
entre outros povos
ei-los que partem
velhos e novos

Ei-los que partem
de olhos molhados
coração triste
e a saca às costas
esperança em riste
sonhos dourados
ei-los que partem
de olhos molhados

Virão um dia
ricos ou não
contando histórias
de lá de longe
onde o suor
se fez em pão
virão um dia
ou não.”
Manuel Freire

A população deve ser avisada e mantida informada durante a ocorrência

Sim, porque houve ocorrências. Quando? Hoje. Onde? No sítio do costume.

Houve contato,

contato dre

houve mais contato e houve [Read more…]

Heil, Cristo

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Muito se tem falado da milícia criada pela IURD no Brasil. Quando se junta religião com posturas paramilitares acabamos em violência, é sabido.

Agora aparece esta imagem no facebook (público) de um bispo da seita, tirada em Coimbra num dos espaços que ocupam. Conheço a fauna. Enchem-me a caixa de correio de lixo, já pensei em acrescentar um autocolante com um demónio qualquer a ver se a espécie desampara a loja.

É certo que as damas não têm o aspecto preocupante dos recrutas brasileiros, mas mesmo assim não estamos no carnaval, e acho mal.

E gostava de ouvir a opinião de Marinho Pinto sobre este assunto, ele sabe muito bem porquê.

Quer comprar o seu lugar no céu?

A Igreja Universal do Reino de Deus tem a solução para si. Basta que pague o devido dízimo aos pastores devidamente credenciados para o efeito, que autenticarão e assinarão a sua escritura com sangue do incontornável Cordeiro de Deus, criando assim um vinculo contratual entre si e o Criador. Um “contrato de fé” que é a sua nova escritura de uma propriedade celestial. Depois é esperar que o senhor da foice o venha buscar e desfrutar de uma confortável estadia na eternidade. Caso algum representante da Igreja Católica da Idade Média apareça para cobrar direitos de autor, por favor contacte os Gladiadores do Altar. Caso pretenda um upgrade com 40 virgens, por favor dirija-se ao norte do Iraque e contacte o Estado Islâmico. AK-47 e explosivos não incluídos.

P.S. Isto NÃO é uma brincadeira de 1 de Abril.

O impensável crash

Depois daquela manhã tão estranha em que nos foi dado ver, em directo, dois aviões embaterem contra as Torres Gémeas de Nova Iorque, daquele 11 de Setembro que enterrou quase quatro mil pessoas, depois disso viajar de avião tornou-se uma grande maçada. O medo, claro, vestiu a roupa da resistência militante a cada um de nós – sabemos do risco dos jihadistas, mas entendemos que devemos enfrentá-lo porque a vida continua e não a queremos adiada. A maçada são os controlos de aeroporto, as horas de espera, uma seca. Tão grande é a seca que são hoje bastantes os empresários e profissionais de Toronto que, tendo de deslocar-se semanalmente a algumas cidades dos Estados Unidos, o fazem de comboio. Mesmo que a viagem seja de cinco horas, vale a pena porque é mais ou menos o que gastariam em aeroportos e no comboio, de perna estendidas, bem servidos, a poderem ir até ao bar, a baterem uma sestazinha, a irem adiantando o seu trabalho no computador, deitando um olhar preguiçoso e regalado à paisagem. Chegam ao destino repousados e calmos. É a humanização do trabalho. [Read more…]

Afonso

Já me tinha cruzado com ele numa destas noites, a cidade ainda celebrava e uma figura sonâmbula deambulava pelas ruas. Tapava-se com um cobertor como se fosse um manto, caminhava com passos incertos sob o seu cobertor verde na noite fria. Vi-lhe o rosto de relance e não percebi que fosse tão novo, 17 anos de fugas e solidão.  O Jornal de Notícias conta hoje a história do Afonso, o miúdo cigano a crescer sozinho nas ruas, entregue à bondade dos estranhos, à indiferença da maioria, ao descaso das autoridades, à crueldade de quem acha graça a vê-lo alcoolizado. [Read more…]

Fisco em incumprimento

José Valente

Foto@Global Imagens/JN

Apresento-vos José Valente. Desempregado desde 2012, este cidadão acumulou uma exorbitante dívida de IMI no valor 800€, dívida essa que, juntamente com o atraso de algumas prestações do seu crédito à habitação, lhe custou a casa onde vivia. Segundo o JN, a casa foi posteriormente vendida em leilão e, saldada a dívida, sobraram cerca de 17 mil euros. De despejado a credor do fisco, a situação de José Valente conheceu uma reviravolta no mínimo irónica.

Contudo, e à imagem de outros caloteiros que por aí andam, a autoridade tributária não pagou ainda o que deve ao seu novo credor. E 17 mil euros são capazes de dar jeito a um “desalojado”. Claro que, ocupado como tem andado a penhorar bolos, o fisco continua em incumprimento com José Valente. Isto de honrar dívidas anda pelas ruas da amargura.

Aventar, seis anos

10,483,539 páginas abertas e 6,966,266 visitantes depois (números sitemeter, ou seja, muito por baixo), com 12163 seguidores no Facebook, o Aventar completou hoje seis aninhos.

Obrigado, caros leitores, por insistirem.

Enquanto estiverem aí, continuamos deste lado.

A penhora mais estúpida de sempre

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Não, não se trata de uma piada: o Fisco penhorou 4 bolos a um restaurante. O estabelecimento, em incumprimento que ascende a 92 mil euros e que viu já a sua conta bancária penhorada, foi ontem alvo de uma fiscalização que resultou na penhora dos 4 bolos. Quatro bolos que dentro de poucos dias terão apodrecido, perdendo assim todo e qualquer valor. Quatro bolos que não foram apreendidos, ficando à guarda do proprietário do estabelecimento que assume a função de fiel depositário. Quatro bolos que o proprietário não poderá vender, algo que, em teoria, lhe permitiria acumular dinheiro para pagar a dívida. E se o proprietário alegasse desconhecer a lei que lhe obriga a pagar a dívida? Tem funcionado por cá

Ribomba o Trovão

Poema alusivo, de um anónimo, dito por mim, a propósito de um desafio…

 

raios-trovao

 

ver e ouvir, aqui: http://wp.me/p29WGc-BJ

E eis que a esperança no futuro do país renasce

Sua Al(ol)teza real

Foto@Carlos Pires/Monárquicos Portugueses Unidos

Portugal tem um “príncipe” que “enche o coração de Portugal de esperança, de alegria e de confiança num futuro risonho e promissor pela qual todos nós Portugueses sonhamos“. Confesso que fiquei comovido. Para além da maravilhosa descoberta de que Portugal tem um príncipe – espero que mais barato de manter que os restantes aristrocratas políticos que por cá andam – fiquei a perceber que o jovem de 19 anos acabados de fazer é um hino à esperança num futuro risonho e promissor. Aquele com que todos sonhamos.

Agora vou ali ouvir D. Nuno da Câmara Pereira para acalmar estas emoções. O meu batimento cardíaco está muito acelerado.