Cavaco Silva e Passos Coelho reprovados em concurso para lixeiro da Póvoa de Varzim

Há pouco tempo, três funcionários da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim encontraram um envelope com 4407 euros e devolveram-no. O gesto dos três profissionais tem sido amplamente louvado.

Há quem diga que quem faz a sua obrigação não merece ser elogiado, mas a verdade é que vivemos num país em que há demasiadas pessoas que prosperam por não cumprir os seus deveres.

Cavaco Silva recebeu os três lixeiros em Belém e aplaudiu a sua conduta, lembrando que o dinheiro encontrado corresponde a quase dez salários de cada um dos funcionários municipais.

Provavelmente, a situação dos homenageados poderá ter feito com que Cavaco relembrasse a sua periclitante situação financeira de aposentado sem posses para fazer face às suas despesas.

Para além disso, talvez Cavaco tenha experimentado um sentimento que mistura inveja e admiração, algo que todos sentimos diante de proezas que seríamos incapazes de realizar. A verdade é que o ainda Presidente da República, mesmo podendo fazê-lo, não contribui para a devolução do dinheiro que muitos trabalhadores têm perdido, num período que, curiosamente, teve início desde que chegou a Belém.

É claro que Cavaco não está sozinho, já que Passos Coelho não lhe fica atrás: na realidade, mal chegou ao governo, pegou nos envelopes que continham ordenados, retirou dinheiro em que tinha prometido não mexer e tem estado a entregá-lo aos seus donos. Seus, dele, Passos.

Em resumo, Cavaco e Passos não reúnem condições para trabalhar na recolha do lixo da Póvoa de Varzim. Percebe-se porquê: os governantes são políticos; os lixeiros da Póvoa sabem o que o dinheiro custa a ganhar.

House of Cards – Da realidade #1

Unknown

Eu sou daqueles que fogem a sete pés das séries televisivas. O grande culpado é o House. Um dia tropecei no House num dos canais generalistas da nossa televisão (já não recordo se foi na Sic ou na Tvi). Fiquei viciado. Contudo, graças às interrupções para publicidade os episódios terminavam a altas horas da madrugada e no dia seguinte andava de pé com os olhos fechados. Um dia rompi com o hábito e deixei de ver o House prometendo não mais voltar ao vício.

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Campanha Serviços Públicos Essenciais

A propósito dos “cortes-surpresa”.

O que são serviços públicos essenciais?

Numa fórmula simples, os que proporcionam condições de dignidade à vida humana.

E quais são hoje em dia, entre nós, os serviços públicos essenciais?

. água

. energia eléctrica

. gás

. gás de petróleo liquefeito canalizado

. comunicações electrónicas

. serviços postais

. saneamento

. resíduos sólidos urbanos (recolha de lixos)

Que obrigações principais recaem sobre as partes no contrato?

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Chiça!

Já não era sem tempo de surgir alguém que sabia o fazia e que sabe o que fez.
Só podia ser de Angola.
Durante os dez anos que estive à frente do BES Angola mantinha-me informado sobre tudo o que lá se passava. Assumia as minhas decisões“, afirmou Álvaro Sobrinho, na sua intervenção inicial na comissão de parlamentar de inquérito (CPI) do GES/BES.

Selfie mortíferas

portugal-selfie

Um casal de polacos em férias em Portugal tentou fazer uma selfie à beira de um penhasco em 10 de Agosto de 2014. . . ambos caíram para a morte. [outras]

Mexilhões e charlatães

Santana Castilho *

Charlatão, dizem os dicionários, é aquele que publicamente apregoa, com exagero e sem justificação, a virtude de algo com que pretende ludibriar a boa-fé de quem o escuta. Um charlatão é um impostor, alguém que, com hipocrisia, se serve de artifícios para enganar os outros.

1Não podendo penetrar nas mentes captas de Passos Coelho e Marco António Costa, não ouso chamar-lhes charlatães. Sendo possível considerar essa hipótese, igualmente devem ser consideradas, entre outras moralmente menos gravosas, a perda precoce da memória de acontecimentos recentes, a inconsciência, a irresponsabilidade ou a ignorância. Seja como for, factos são factos. E se os motivos podem suscitar especulação, já os resultados são claros: a opinião pública foi desinformada por dois actores que não a deviam confundir, antes esclarecê-la. [Read more…]

Natal das cadeias

 

Graças à minha sociável mãe, que mete conversa com toda a gente, e não deixou de prestar atenção ao grupo que enchia o autocarro a caminho do centro prisional, fiquei a saber uma notícia que muito me surpreendeu. Os familiares dos reclusos de certo centro prisional do norte (não sei se é prática corrente no resto do país) podem participar no almoço de Natal organizado pelo centro desde que paguem 7,50 euros por pessoa, incluindo o detido (!). A maioria não quer porque o orçamento familiar não chega para tal, mas também porque a experiência do ano passado diz-lhes que a comida é horrenda.

Abdicam, pois, dos festejos natalícios, que se ficarão pelas visitas habituais e pela rabanada no tupperware, se esta passar no controlo.

Fez-me lembrar os tempos, não tão remotos, em que era preciso pagar bilhete para ir visitar os doentes internados no hospital. 120 escudos custava cada bilhete, sempre era menos do que uma sessão de cinema.

Google Cardboard – kit de realidade virtual de fazer por casa

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Quando o Google distribuiu um pedaço de cartão dobrado no final da sua última conferência I/O Keynote, ninguém sabia ao certo o que fazer com ele. Não se esperava que esse cartão fosse uma forma de tecnologia mas não demorou muito para que se percebesse o quão grande a loucura do cartão se tornaria. [Read more…]

Da Importância do TER

Se já durante o ano de vez em quando vamos recebendo mensagens que nos recordam quão bom é ser em vez de ter, na época natalícia estas mensagens multiplicam-se ad nauseam. Toda a gente lá vem com o discurso de que o importante é ser e não ter. Já não há pachorra para os aturar! Eu vou pôr-me a Aventar.

Em primeiro lugar, gostava muito, mas muito mesmo, de ver essas pessoas que tanto apregoam a moderação de consumo e exacerbam as qualidades de se ser parco usar essa regras consigo próprias. Normalmente, limitam-se a falar, mas agir, isso é que era bom!

Pois eu, como sou do contra, discordo.

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Natal de 2014

Hoje é o meio exacto de Novembro. O dia está cinzento, frio, húmido. Mas as avenidas largas de Toronto, num percurso de muitos quilómetros, estão apinhadas de uma multidão colorida, alegre, calorosa. Carros soberbamente decorados passam. Bandas canadianas, americanas e doutras proveniências, desfilam garbosamente e enchem o ar de música festiva. Lá vem a portuguesa Banda do Senhor Santo Cristo, os músicos com barretes natalícios. Comovo-me. Comovem-me sempre as modestas bandas portuguesas. Milhares de crianças, numa multidão que se estima de um milhão de pessoas, as carinhas rosadas do frio, agasalhadíssimas, riem, batem as palmas na alegria doida de verem as figuras de Walt Disney nos carros alegóricos. Todas numa excitação indescritível porque esta é a centenária parada que traz o Pai Natal à cidade. Quando aparece o enorme carro, puxado a renas, ladeado por carteiros fardados a rigor transportando pequenas caixas de correio, e o gordo mais conhecido do mundo berrando ohohoh, num berro que lhe sai das barbas brancas, é praticamente impossível segurar os pequeninos. Todos eles correm para o carro, de cartinha na mão, a gritar numa emoção que só a inocência pode dar: Santa (Santa Claus, de São Nicolau), eu portei-me bem! Eu fiz os trabalhos de casa! Eu ajudei a minha mãe! Please lê a minha carta, dá-me o que eu te peço Santa, I love you!. [Read more…]

Desvios, divergências e diversões

When you see a bird that you’ve never seen before, or that very few people have seen, there’s a special thrill.

Richard Rorty

Similar remarks carry over to the system of pragmatic competence, hence the capacity to use a language appropriately.

Noam Chomsky

Esperava desejar um óptimo fim-de-semana com este vídeo (obrigado, Sir David Attenborough), divulgado hoje pelo Cornell Lab of Ornithology.

Contudo, estas imagens divertiram-me imenso e desviaram-me do meu objectivo inicial:

divergido

Factos:

1 – Na RTP, escreve-se e diz-se ‘desviado';

2 – Um passageiro refere “um avião que foi desviado para o Porto”;

3 – No painel das chegadas do aeroporto, encontra-se ‘divergido‘.

Agora, sim.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

Terapia de choque

No século XVI, no hospital de certo mosteiro da Alsácia, de cada vez que chegava um doente em condição grave, um dos frades, ainda antes de começar o tratamento, conduzia-o até ao famoso quadro de Grünewald que retrata Cristo crucificado. Se o choque produzido pelo horror dessa imagem não fosse suficiente para curar o doente, então sim, dava-se início ao tratamento.

O equivalente moderno desta terapia é o Natal dos Hospitais. Se o doente não se curar espontaneamente quando colocado frente a “Mikael Carreira e bailarinas”, então sim, dá-se início ao tratamento. Há casos, porém – raros, mas documentados -, em que isso já não chega a ser necessário.

A comissão

Nestes dias, banqueiros, super-banqueiros, governantes e super-governantes têm dado um espectáculo obsceno a que assistimos perplexos e, para quem tinha ilusões, desiludidos. A trafulhice, a mentira, a guerra e o respectivo salve-se quem puder, põem-nos frente à evidência de que muitos dos ídolos da finança e da governança, que tantos louvam como se fossem gigantes, não passam de pigmeus morais. E nem sequer, pelo que se vê, se distinguem pela competência. Quem se vai distinguindo neste descaminho são, é bom que se diga, os deputados da Comissão Parlamentar. Nem faço aqui distinções ou exclusões, sabendo, quem me conhece, da minha óbvia preferência pela parte esquerda (alta…) da mesa. Sempre é refrescante, para crédito da Democracia, ter a percepção que os eleitos estão, diligente e competentemente, a fazer aquilo para que os elegemos. No meio do lamaçal, é bom encontrar algum terreno firme, alguma segurança que se possa atirar à cara dos que dizem que os políticos são todos iguais. Sabemos bem, sobretudo quem visita com alguma frequência o canal AR, que é nas comissões que se passa algum do trabalho mais nobre do parlamento. Mas ver deputados a aguentar, concentrados e intervenientes, 18 (!!) horas de sessão – alguns foram sendo substituídos, outros fizeram o pleno -, escancarando à nossa frente este sinistro enredo, tem de ser saudado. Precisamos de sentir que, nesta encruzilhada, alguém nos representa.

Asa de morcego, pata de aranha

Conheço uma astróloga / taróloga / quiromante/ numeróloga/ aromoterapeuta/  maga holística/ reflexóloga/ conselheira espiritual, a quem eu, para simplificar, chamo a bruxa. Ao que parece, o negócio nunca lhe correu tão bem, coisa que não pode causar espanto em épocas de crise, porque é justamente da crise que vivem os videntes do futuro. As pessoas felizes não consultam os bruxos, nem lhes ocorreria desperdiçar meia hora de felicidade para saber como será um futuro que pode bem ser pior do que o presente. São sempre os infelizes, os derrotados, aqueles que não temem a previsão porque acham que as coisas não podem piorar (e nisso enganam-se, porque enquanto estivermos vivos tudo pode sempre piorar) os que querem saber como será o futuro, e que procuram o conforto de uma previsão vaga, nebulosa e alentadora.

“Vejo um homem estrangeiro”. “Pressinto a chegada de uma boa notícia”. “Vai conhecer uma mulher de cabelo negro, não fuja dela”. “A sua sorte vai mudar numa terça-feira.” [Read more…]

Passos Coelho e a reciclagem das metáforas

sapato-mexilhao_21195868Passos Coelho, há dias, resolveu fazer uma revelação. Como já tinha decidido utilizar uma expressão popularucha, compôs, como qualquer mau comediante, um ar de quem está a conter o riso, de modo a que o público percebesse que deveria rir. E o público riu, porque com as piadas do chefe não se brinca.

Passos Coelho revelou, então, que, ao contrário do “que era o jargão popular de que quem se lixa é o mexilhão, de que são sempre os mesmos (…) desta vez todos contribuíram e contribuiu mais quem tinha mais (…)”.

O mexilhão, portanto, segundo Passos Coelho, desta vez, não se lixou. Foi nesta altura que descobri que comungo com o primeiro-ministro do mesmo gosto por brincar com a metáfora, a pilinha dos intelectuais e dos cómicos sem talento. De qualquer modo, e seguindo os caminhos desembaraçados do “jargão popular”, quem brinca com o que tem a mais não é obrigado.

Num primeiro momento, pensei que Passos Coelho estivesse a cair no simplismo de considerar que os mais necessitados corresponderiam, como é costume, ao mexilhão, mas não ficaria bem a um primeiro-ministro brincar com a vida de uma maioria de gente que empobreceu. Quando, depois, li que “o fosso entre ricos e pobres está agora no pior nível dos últimos 30 anos”, e tendo em conta quem não se lixou, percebi quem são os bivalves e confirmei que a pedra continua a ser o povo: a água mole continua a desempenhar o seu papel e o mexilhão sobreviverá.

Quando boas pessoas se juntam…

gratidão

…Coisas boas acontecem.

Sem dúvida!

Foi exactamente isso que aconteceu neste fim-de-semana. Na impossibilidade de estar presente na Festa de Natal de uma instituição que vou apoiando com trabalho voluntário sempre que posso, decidi convidar algumas pessoas que mal conheço mas que me pareciam gente de qualidade e solidária, para dar uma ajuda. Essas pessoas, revelando o que de melhor os seres humanos trazem dentro de si, convidaram outras pessoas para ajudar e todos juntos foram, segundo soube mais tarde, uma ajuda preciosa para o sucesso da festa que pretendia animar crianças com problemas sérios de saúde e respectivos cuidadores. É isso que acontece quando as pessoas decidem unir as suas forças e boas-vontades e fazer algo para melhorar um pouco o que as rodeia. Pode a estas pessoas ter parecido que não fizeram grande coisa, mas na verdade, contribuíram para por um dia melhorar um pouquinho a qualidade de vida de pessoas que poucas alegrias costumam ter. Quase de certeza que esses voluntários não serão tão cedo esquecidos por aqueles que ajudaram.

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Jim Morrison

Nasceu a 8 de Dezembro de 1943.
Morreu talvez em 1971, talvez de overdose, talvez em Paris.
Ou talvez não tenha morrido.

Let’s swim to the moon, uh huh
Let’s climb through the tide
Penetrate the evenin’ that the
City sleeps to hide
Let’s swim out tonight, love
It’s our turn to try
Parked beside the ocean
On our moonlight drive.

Vamos?

Comecem os Cânticos de Natal!

Este ano – prometo! – darei descanso ao Coro de Santo Amaro de Oeiras.
Este ano quero coisa boa, este ano quero beber, fumar, tomar, chupar, upa, upa

Mama, mama,
Papa, papa
Bebe, bebe
Fuma, fuma
Toma, toma
Chupa, chupa
Upa, upa! Come

Mamã consome,
Papá consome
Bebé consome,
Consome filha!

Consome, consome
Mata a fome

O estranho caso do Agrupamento de Escolas de Pombal

Há cerca de um ano que o Agrupamento de Escolas de Pombal está sem conselho geral. Sem órgão de gestão, portanto. Como os meus dois filhos são alunos de escolas distintas do mesmo agrupamento, escrevo daqui a Nuno Crato, ministro desse Governo deste nosso Portugal, a ver se resolve o assunto que até agora nenhum dos seus serviços conseguiu resolver. Não é por nada, mas as escolas estão sem planos de actividades, impedidas de diligenciar. Estão em causa cerca de 3200 alunos. E temos aqui um problema: o senhor presidente da Câmara diz que não toma posse (mais o senhor vereador, mais um professor amigo, mais a senhora presidente – e a vice-presidente –  da associação de pais-que pensava-que-bastava-nomear-quatro pais-para-o-órgão-em-causa – e que por isso a eleição de outros pais, de fora do sistema, tem de ser considerada ilegal. Ora acontece que a DREC e a DGEST já analisaram, já pediram pareceres jurídicos e já opinaram. E que, uma vez considerada legítima e legal a eleição dos representantes dos pais, só falta concluir o processo da tomada de posse, de um conselho geral que tem carácter provisório. Imagine-se se não tivesse. [Read more…]

Aproveitar melhor o fato

sampaio

© NUNO FERREIRA SANTOS (http://bit.ly/1rYfBMa)

Segundo a Lusa (os meus agradecimentos aos Tradutores Contra o Acordo Ortográfico):

O antigo Presidente da República Jorge Sampaio considerou hoje que a Comunidade de Países de Língua Portuguesa “podia aproveitar melhor” o fato de ter uma língua comum, defendendo mais políticas concertadas de cooperação para o desenvolvimento.

Efectivamente, está tudo dito.

Bebidas alcoólicas e comunicação comercial

Sabia que morrem anualmente, em Portugal, 300 000 jovens entre os 15 e os 29 anos por causas directamente imputáveis a bebidas alcoólicas?

 

A explosão do álcool no seio das camadas mais jovens parece constituir premente preocupação das autoridades.

A prevenção no país das “sopas de cavalo cansado” representaria significativo passo de molde a subtrair os jovens da atracção que o álcool deveras representa e das suas nefastas consequências.

E, no entanto, os meios de maior impacte e difusão nem sempre cumprem o que naturalmente lhes compete.

Se observarmos o que ocorre sobretudo na pantalha ao longo de programas do mais diverso jaez, exibidos tanto pelas manhãs como durante as tardes, verificaremos que não só se exalta o álcool (apresentadores menos bem preparados fazem-no com um inqualificável desplante… e uma recusável “lascívia”) como se apresenta – de aguardentes aos vinhos de mesa e a bebidas licorosas – de tudo um pouco, e se brinda com inaudita desfaçatez… sabe-se lá em intenção de quem ou de quê! Talvez o seja proverbialmente em honra do deus Baco, seja qual for o significado que a tal se pretenda atribuir.

A ausência de uma criteriosa consciência e da percepção dos efeitos nefastos dos modelos que se apresentam a distintas camadas da população como impressivos – e dignos de ser seguidos – surgem na contra-mão dos esforços que determinadas entidades empreendem para frear os ímpetos dos mais novos que sentem naturalmente uma atracção pelas bebidas alcoólicas como modo de afirmação de uma personalidade, truncada, afinal, pelo que na sua essência o álcool representa e pelos malefícios que irreparavelmente acarreta.

Como se se adoptasse uma “pedagogia” às avessas: não se educa para a abstenção ou para um consumo moderado e enquadrado em uma dieta equilibrada, antes se ensaiam autênticas libações, fortes de conteúdo e de consequências, como se essa fosse a via para a superação das distintas fases da vida…

Para além do que noutros textos se plasma, convém atentar no que prescreve o Código da Publicidade no seu artigo 17, a saber, [Read more…]

Grupo Tecnovia recruta escravo

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Camilo Queiroz

É mais um caso de escravatura branca mas sem aquela irritante desculpa de que se trata de “estágio académico” e que os estudantes até deveriam agradecer a sodomia a que os submetem. Diz assim o anúncio:
“O Grupo Tecnovia, fundado em 1973, opera em três continentes, gera um volume de negócios anual de 330 milhões de euros. (…)
Procuramos, para realização de um estágio não remunerado que se dividirá em 2 fases: Portugal e Angola“.
Os candidatos ao estupro podem enviar a sua candidatura para recursos.humanos@tecnovia.pt. Levem vaselina com fartura.
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A turba

Não sou católica, não sei praticamente nada sobre o funcionamento da Igreja Católica e se há assunto que nunca me interessou foi o da escolha de um padre para determinada paróquia. Levo, porém, meses a acompanhar o pequeno drama de Canelas, de início com simpatia por uma comunidade que se juntava para reivindicar o direito a manter o padre a quem estava reconhecida, e ultimamente perplexa com a transformação dessa comunidade de católicos numa turba enfurecida e canalha. Neste domingo, e pela quarta vez, o novo padre teve de sair protegido pela GNR, enquanto a turba gritava, exibindo bandeiras que diziam “A igreja passou a tribunal, só saem com escolta policial”, todo um tratado de bazófia caceteira e um bom começo para um linchamento.

Quatro semanas acossado pela turba, insultado de “badalhoco”, protegido pela GNR, e o novo padre, Albino Reis, continua a comparecer para a homilia de domingo, coisa que confesso que me espanta. Cenas como esta, de um homem ou mulher sós, caminhando por entre multidões furiosas, apontados por dedos acusadores, insultados, ameaçados, fazem-me sempre tomar o lado dos que caminham sós, ainda quando se trata de gente com motivos para receber insultos e acusações, ainda que tenham cometido terríveis crimes, porque da fúria da multidão jamais se pode esperar justiça, e porque a ausência de piedade dos carrascos ainda me parece uma das maiores infâmias dos que os seres humanos são capazes. [Read more…]

O Estado Agradece

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a boa cristandade dos portugueses e aos 23% de IVA dos bens alimentares que comprarem nos sítios do costume.
Um bom negócio para muita gente.

Assunto nosso

Já tenho idade suficiente para lembrar-me que houve tempos, e não tão remotos, em que se morria decentemente, que é como quem diz em casa, rodeado da gente com quem se tinha vivido, e morrer era uma coisa normalíssima, que acabaria por acontecer a todos e que não requeria medidas excepcionais, além dos paliativos possíveis. O quarto do doente não era território tecnológico, como o é agora a enfermaria do hospital, com máquinas a apitar e enfermeiras a interromper a sopa para medir glicoses e temperaturas, e médicos sempre cheios de pressa porque lhes pedem que se desdobrem em vários e que rematam tudo com um vamos ver isso, vamos ver isso, para logo se sumirem pela porta.

O quarto do doente era o quarto de toda a vida, o seu, com a colcha herdada de uma tia solteirona, o Cristo na parede, a foto do casamento, a cama onde a quase viúva se sentava ao lado do marido a fazer tricô, com os netos que entravam a pedir dinheiro para um gelado, o filho a contar à mulher a discussão com o patrão, e o doente era um moribundo mais ou menos conformado, mais ou menos paciente, ora tinha um feitio dos diabos ora era um santo, que ia pedindo que lhe chegassem coisas, ou que já não abria os olhos nem sabia quem era, e a quem se tentava amenizar os dias que lhe restavam. [Read more…]

Coisas que me ocorrem às 3 da manhã

Sabem o que é irónico? Irónico é pensar que ao longo dos anos, Oeiras tornou-se no alvo das piadas de humoristas, comentadores políticos, analistas e afins que abertamente criticavam ou gozavam com os eleitores do concelho que repetidamente votaram em Isaltino e nos seus sucessores. Irónico é perceber que não vimos nem metade das piadas, dos comentários sarcásticos, dos artigos tipo, “oh meu deus o povo é tão estúpido” quando Soares abraçou Isaltino e disse para toda a gente ouvir que o que lhe aconteceu foi uma injustiça. Não me lixem. A elite política de Soares a Portas (nem venham com a história dos partidos que não há paciência) e uma parte da elite “intelectual” portuguesa funcionam dentro da ideia de que há uma justiça para uns e uma justiça para outros. Funcionam assim porque no fundo, o povo, como os eleitores de Oeiras, eram ignorantes e atrasados enquanto Soares é o pai de Democracia e um iluminado que nós temos no mínimo de “respeitar”. A relação das classes “pensantes”, políticas, académicas, literárias etc. com o povo sempre foi má porque o “povo”- essa massa homogénea de pessoas que vota no Isaltino e vai aos saldos ao Pingo Doce no 1 de Maio – desaponta. Mas o povo também são eles.

Entretanto

Enquanto em Portugal andamos a por ex-primeiros-ministros em prisão preventiva e a queixarmo-nos muito do nosso sistema de Justiça, convém recordar que nos Estados Unidos, Darren Wilson, que deu seis tiros a um adolescente desarmado, não vai ser acusado.

Os pais de Michael Brown querem levar o caso ás Nações Unidas.

Michael Brown tinha 18 anos e tinha acabado o liceu. Era negro.

O fim de semana de José Sócrates

Tinha ideia de escrever sobre a RTP, nomeadamente os direitos de transmissão da Champions League. Também esperava que algum autor se debruçasse sobre a Convenção do Bloco de Esquerda que decidirá a liderança do partido. Mas a surpresa aconteceu e José Sócrates domina as atenções gerais neste final de semana.

Não simpatizo com o político José Sócrates, mas não abri uma garrafa de champagne pela sua detenção. E por agora é apenas isso, detenção para interrogatório. Não estará sequer ainda constituido arguido nem submetido a qualquer medida de coacção. E qualquer cidadão goza de presumível inocência até sentença transitada em julgada, embora seja diferente ter um estatuto de arguido, acusado, réu ou condenado. Nem vou tecer comentários sobre os métodos do Juíz Carlos Alexandre. A seu tempo o processo será conhecido.

Concordo em absoluto com o Ricardo ali atrás, enquanto foi governante permaneceu intocável por maiores que fossem as suspeitas e insinuações levantadas na imprensa. Não foi o primeiro, nem será o último. Vale e Azevedo apenas teve problemas quando deixou o S.L.B., algo me diz que Pinto da Costa tem na presidência do F.C.P. uma excelente apólice de seguro. Na política as recentes condenações de Maria de Lurdes Rodrigues ou Armando Vara aconteceram com o P.S. na oposição, enquanto o caso B.P.N. vai marinando. Será interessante verificar o que acontece caso se verifique a provável alternância nas próximas legislativas. Algumas pessoas ligadas à actual maioria talvez já não durmam com total tranquilidade.

Bandalhos do bloco central é favor ler com atenção

Três funcionários da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim encontraram 4.407€ no meio do lixo e, contrariamente ao que fariam determinado tipo de funcionários públicos bandalhos, foram honestos e entregaram o dinheiro às autoridades. Ganharam um voto de louvor num país onde outros bandalhos condecoram bandalhos no 10 de Junho. Há bandalhos com sorte. Felizmente ainda existe gente honesta proveniente da classe dos portugueses que andaram a viver acima das suas possibilidades. Pena é haver tantos bandalhos.

O AO90 e a Casa dos Segredos

E não é que a senhora até tem razão? Ou já viram algum nome próprio começar por letra pequena? Gozem com os reality shows gozem…

 

 

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