Sobre a cegueira: a ministra e a Justiça

justica1Estamos quase a comemorar as primeiras vinte e quatro horas do novo mapa judiciário. Trata-se de um conjunto de medidas coerente, se tivermos em conta o que tem sido feito na Educação e na Saúde: baixar os custos, recorrendo, sobretudo, à concentração de serviços.

A palavra “custos”, num mundo tão impregnado de economês, refere-se, apenas, ao dinheiro que se gasta e nunca às consequências que as decisões políticas podem ter na vida das pessoas, mesmo que o discurso oficial inclua expressões que transmitem a ilusão de que se está a servir as populações. Ora, não se pode planear um país sem se ter em conta todos os custos, sabendo-se, por exemplo, que poupar dinheiro pode originar problemas estruturais amanhã.

Não sendo um conhecedor dos meandros do mundo judiciário português, é com desconfiança que assisto àquilo a que a ministra da tutela chama uma “revolução”, a fazer lembrar a “implosão” prometida por Nuno Crato.

Ainda antes que o mapa judiciário complete as suas vinte e quatro horas de vida, já sabemos que houve uma falha no sistema informático, que não se conhece o destino dos tribunais encerrados (a escola mortuária poderá servir de inspiração), que ir a um tribunal pode demorar quatro horas (e a distância é dinheiro), que há funcionários que viram a vida virada do avesso e que há uma série de obras feitas por ajuste directo.

Noutros tempos, os mapas resultavam da descoberta de novas terras. Com o novo mapa judiciário, parece passar-se o inverso: as terras já conhecidas são apagadas. A cegueira é, agora, para além de uma virtude da Justiça, um defeito da ministra. Já não deve faltar muito para que a realidade seja mais disparatada que um disparate qualquer.

Para reflectir…

-Sem pretender aprofundar o alegado rapto da criança britânica encontrada em Málaga, cujos pais terão sido detidos pela polícia espanhola, deixo isso para a Justiça e seguramente iremos ouvir falar do caso durante os próximos tempos, o assunto levanta algumas questões que me parecem passíveis de reflexão.

Por um lado temos a convicção religiosa que poderá ter estado na base da acção desesperada dos progenitores, envolvendo a família. Supostamente rejeitam o tratamento médico a que a criança estaria a ser submetida. O que nos poderá levar longe na discussão, se extrapolarmos da saúde para educação e não só. Será legítimo que os progenitores se submetam às decisões do Estado, que supostamente sabe o que é melhor para nós? Há algum tempo tivemos outro episódio em que pais convictamente vegetarianos, terão negligenciado os superiores interesses da criança.

Por mim, embora respeite a fé de cada um, bem como a sua Liberdade de orientação política, social ou qualquer outra, afinal defendo que o indivíduo está antes da sociedade, não podem ser colocados em causa os direitos de terceiros. E até mesmo um filho não é propriedade dos progenitores. É uma terceira pessoa. Por muito que custe aos pais, ou pelo menos a alguns, que gostariam de ver os filhos seguir as carreiras, religiões ou clubes a que pertencem, não raras fezes como forma de alcançar o sucesso onde eles próprios fracassaram, a verdade, doa a quem doer, é que todos os seres humanos nascem livres, únicos…

 

O Suicídio

suicidio-pontes-portoA sociedade aprende o quê com isto?

Broxar vs. Brochar


Será “broxar” a versão brasileira e ortograficamente correcta de “brochar”?
Será que o Acordo Ortográfico vai unificar a semântica, para além da grafia, da língua portuguesa?
É este tipo de equívocos vocabulares que o famigerado Acordo Ortográfico vai resolver? – afinal, o que poderia correr mal se os portugueses usassem as mesmas palavras e as escrevessem da mesma maneira??

Ser Jornalista é…


…um estado de alma.

Depois dos Meets, Ainda Mais Paródia

parodia_racismoHá gente com sentido de humor e muito tempo livre…

Uma questão de Liberdade…

-Concordo muitas vezes com a Maria João. Mas apesar de compreender o ponto de vista que defende neste artigo, não posso de forma alguma deixar passar sem tecer algumas considerações. Também eu gosto da Grã-Bretanha, seus valores e cultura, a única excepção será mesmo a família Windsor pela qual não morro de amores. O multiculturalismo e liberdade fazem parte do ADN da Grã-Bretanha, sem os quais a ilha se tornaria em algo diferente, para pior. Também não tolero o fundamentalismo, seja islâmico, católico, judeu ou qualquer outro. Mas proibir e punir crenças religiosas ou políticas de qualquer ordem, é ceder aos valores dos fanáticos que pretendemos combater. São os actos criminosos que devem ser reprimidos através de apertada legislação e não as ideias. Para que exista de facto diferença entre a civilização e a barbárie. Proibir uma muçulmana de vestir uma burka se o pretender fazer livremente, é igual à proibição num país islâmico que um católico adore a imagem da Virgem ou se ajoelhe perante Jesus Cristo crucificado. Não deveremos ceder perante o ódio e sem dar a outra face, há que continuar a defender a Liberdade de todos, até mesmo a Liberdade dos bárbaros que pretendem tirar a nossa…

Cão Suicida-se em Esposende!

o-cao-que-mordeu-o-homemUm Cão suicidou-se hoje por volta das 17,30 horas, na Rua Narciso Ferreira na cidade de Esposende.
Segundo apurámos no local o animal atirou-se da janela de um prédio (ao lado do Registo Civil) acabando por falecer pouco tempo depois.
No local compareceu a Proteção Civil da Câmara Municipal, Veterinário e a GNR de Esposende” in Notícias de Esposende.

Meet do Colombo

meet_centro_comercial_ColomboDizem que foi concorrido. A silly season começou tarde mas começou.

Olhó petardo bom e barato pa istoirar isto tudo já daqui a bocado

 

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PESOAL, KEM KER PERTARDOS PA ISTOIRAR ISTO TD AMANHA? TAO SUPER BARATOS, 10 EUROS CAIXA KOM 10 PERTARDOS, APRUVEITAM AMIGOS. MANDEIM MENSAGEIM

[no Facebook do evento (ou será invento?) que começa daqui a pouco no Colombo, «o maior centro comercial da Península Ibérica» - espécie de slogan da epoca da sua inauguração]

O Pijaminha Tipo Judeu da Zara

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A falta que fazia a alguma gente ter estudado História na escolinha…
(ou então, não!)
ps: o pijaminha já não está à venda. Esgotou rápido.

Enquanto a Europa definha, os dividendos aumentam

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© Jacques Demarthon

Uma parte importante dos recursos públicos destinados aos cuidados em saúde, à educação, à criação e fruição cultural, enfim, ao desenvolvimento numa perspectiva larga e de longo termo, foram já subtraídos aos orçamentos dos Estados como consequência de decisões políticas que privilegiam outras prioridades – mesmo se anunciadas em nome de pacotes reformistas ou do «rigor orçamental». É certo que as Constituições ainda asseguram, mesmo se nessa letra pequena de lei que a actual classe de governantes tem relutância em ler, os princípios democráticos que servem uma ideia de sociedade em que a desigualdade extrema não cabe – mas também que as leis fundamentais perderam relevância no quadro das actuais políticas dos Governos, ligados entre si pelos contextos obscuros de uma economia global cujos primeiros grandes embates justamente sofremos por estes dias.

A desigualdade atinge em 2014 níveis jamais sonhados pelas gerações nascidas na Europa e na América depois das guerras do século XX. Por todas estas razões, é sempre bom ir tendo notícias do paradeiro da riqueza que ainda ontem servia a vida de muitos mais, designadamente sob a forma de direitos adquiridos por contrato social, mais do que hoje empenhado na qualidade da vida e na mobilidade social dos cidadãos. Em França, um índice recentemente publicado por uma empresa de gestão de activos chamada Henderson Global Investors (HGI) acaba de revelar o aumento exponencial dos dividendos pagos pelas grandes empresas aos seus accionistas. Incidindo no segundo trimestre do ano, o referido índice dos melhores retornos mundiais em dividendos emergiu no espaço mediático francês no exacto momento em que as ajudas públicas às empresas privadas (em nome da retoma económica e da criação de emprego) atingiram um patamar de investimento jamais conhecido.

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E se a OMS proibisse o traque?

Entende a OMS quanto aos cigarros electrónicos que o seu consumo em espaços públicos fechados deve ser proibido “a menos que seja provado que esse vapor exalado não é perigoso para quem está mais próximo”.

A OMS sabe que tal vapor, além de água, contêm nicotina. Também sabe que a nicotina não é cancerígena, e que ao contrário do cigarro de tabaco a quantidade consumida é mínima, e mínima das mínimas a parte que pode ficar num espaço fechado onde caibam várias pessoas, sendo impossível afectar o sistema cardíaco do próximo, esse sim, o preço pago por quem o consome.

Mas a OMS tem duas certezas: a pressão da indústria tabaqueira e a obsessão compulsiva contra tudo o que possa dar prazer, esse vício tenebroso.

Aguardo que proíba a flatulência, em espaços abertos ou fechados. Pelo seu impacto ambiental, azoto e metano já para não falar do risco de incêndio, até que me provem o contrário, também devem fazer mal à saúde de quem inadvertidamente os inala. E o cheiro é geralmente desagradável.

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Urinóis: públicos ou privados?

Costumo ir a banhos para sul, mais especificamente para o Algarve. E para além de outros rituais sempre que lá estou, gosto de ir a Vilamoura à noite dar um passeio na marina e comer um gelado. Assim fiz. Como o jantar em casa foi mais regado, e estou a tomar diuréticos, lá tive que ir ao WC da marina, que é privado. Cobram 30 cêntimos para ir à mijinha da ordem.
Mas o que me admirou não foi isso. É que na semana anterior tinha ido a Campanhã buscar um amigo, e ele, apertado como vinha, foi ao WC da estação. Além de estarem um pouco sujos, cobram 50 cêntimos pela dita mijinha.
Claro que há-de haver uma explicação para esta diferença, mas que é estranho, é.

Os hippies da sharia

Carlos Roque

Khadijah_Dare_Abu_Bakr

Ela tem 22 anos, adoptou o nome de Khadijah Dare e é de Lewisham, Londres. Ele acolheu o nome de Abu Bakr e é sueco. São casados, ambos combatem pelo ISIS e vivem com o filho pequeno em Raqqa, a capital do Califado.
O sonho dela é ser a primeira mulher a decapitar um “terrorista” dos EUA ou Reino Unido (como o James Foley, segundo afirma no Twitter).
Convertida durante a adolescência, vive aquilo que chamamos de radicalismo islâmico, que não é, nem mais nem menos, que viver em rigor sob os ditames da Sharia, a Lei Islâmica, mantendo aceso o fogo sagrado da Jihad de a impor a cada ser humano do planeta. E apenas isso.
Para muitos um bicho-de-sete-cabeças, que evoca açoites e chicotadas, apedrejamentos, amputações e execuções, a Sharia, baseada em tradições muito anteriores ao Islão, é, na verdade, uma resposta pragmática, simples e eficaz a muitos males que assolam a sociedade ocidental.
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E tudo o BES levou – até as elites, diz Cadilhe

José Xavier Ezequiel
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Mesmo os media ‘sérios’ não conseguem desdenhar a oportunidade de, todos os anos por esta altura, alinharem na parvoíce do ano. Sendo que este Verão, até ver, o que está a dar são as banhocas dágua fria. Mesmo que a maioria dos consumidores da silly season não faça a mais pequena ideia do que é a esclerose múltipla. Ou se isso e a banhoca têm mesmo alguma coisa a ver uma com a outra.

Em contrapartida, o Económico resolveu convidar dois (relativamente) velhos marretas, do tempo em que o jornal ganhou nome, e pô-los a entrevistar, como deve ser, alguns dos cromos do tempo em que Portugal ainda parecia ter futuro.

Quinta-feira, 21 dagosto, foi a vez do ‘controverso’ ex-ministro das finanças do cavaquismo, Miguel Cadilhe. Entre outras frases a dar para o floreado-histórico-auto-indulgente, é muito interessante vê-lo afirmar que:

“Portugal está de luto e a elite está posta em causa com o fim do BES.”

Qual elite, caro Miguel Cadilhe?

Aquela que Salazar nos deixou, e que o cavaquismo se apressou a recuperar, feita de nomes tão sonantes como os Espírito Santo, esses que agora se afundam na ignomínia da pirosíssima fraude novo-rica?

Ou à elite nova-rica-propriamente-dita, aquela que Miguel Cadilhe ajudou a construir durante o advento do cavaquismo e dos BCP’s e dos BPN’s e da hoje pouco lembrada Caixa Económica Faialense?

Se é a alguma destas que Miguel Cadilhe se refere, não vejo aqui elites dignas desse nome. E isso, na verdade, explica muito do Portugal que não temos.

Polícia, mentiras e bordeis televisivos

Os inimigos das redes sociais, basicamente analfabetos envergonhados e malta que não gosta de convívio, proclamam entre os males das mesmas que o virtual é uma treta, um perigo e uma ilusão, ao vivo e olhos nos olhos é que é bom.
Ora parece que o pessoal adolescente decidiu dar-lhes ouvidos, e vai daí organizam-se em encontros de conhecidos virtuais, a que chamam meets (que saudades do velho meeting revolucionário, um anglicismo cuja origem nunca entendi).
Num desses encontros, e entre 600 presentes, dois micro-grupos envolveram-se à porrada, e duas garinas cometeram um assalto, perfeita rotina num centro comercial de grande dimensão, logo é chamada a autoridade, esta, a precisar de treinos, veio em força e desata à bordoada, pelo menos uma grávida e tudo. [Read more...]

As sacanices

SPA

Aprovar leis em Conselho de Ministros em pleno Agosto é, já de si, sinal de má fé por parte do governo. Fazê-lo para uma lei repescada e que não tem urgência alguma que impedisse a respectiva apresentação daqui a 15 dias é sacanice. E assistir a uma pseudo-reportagem na SIC de 1 minuto e picos, depois de dezenas de minutos sobre uma botija de gás que rebentou e onde nem os aspectos polémicos são abordados, é a cereja no topo das sacanices. [Read more...]

Ligue Já 760 10 20 30!


“(…) desde que o seu dealer tenha um terminal multibanco, pode comprar droga!
Já viu… se não é uma coisa maravilhosa?
Esses mil euros vão-lhe dar muito jeito, de certeza, ao fim do dia”.
É p’ra loucura…

Dia Mundial da Fotografia

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É hoje. Honra aos pioneiros da imagem fotográfica como Emílio Biel, sem cujo trabalho seria difícil, por exemplo, imaginar o vale do Douro e a foz do Tua em finais do séc. XIX.

Fidúcia

“É normal e totalmente seguro ter créditos sem garantias”

Sim, é muito normal os bancos emprestarem sem garantias.
Que o digam os empresários portugueses, sempre que pedem financiamento bancário: quais avais, hipotecas ou fianças?…

Tributo a Dóris Graça-Dias

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Está ainda por fazer, creio, uma Taxonomia das categorias de “Amigo” pós-facebook. A vox populi, no que concerne a este tema, não contempla, de forma assertiva, universal e comummente aceite, as novas “espécies” emergentes do conhecimento virtual e das tipologias de “afecto” do “encontro” e relacionamento por meios digitais.

A realidade re(conhecida) pela maioria não fugirá muito das categorias hierarquizadas abaixo, da mais intensa e relevante para a menos intensa e relevante:

Melhor Amigo

Amigo de Criação (dominado pela coincidência geográfica)

Amigo de “situações limite” – militares, bombeiros, etc.

Amigo de Infância, do Secundário, da Faculdade, do Trabalho

Amigos “coloridos”

Amigos “grosso modo”

Amigos “dos copos”

Conhecidos (com empatia)

Conhecidos (com antipatia)

Hostis (por razões várias)

Indiferentes (os restantes)

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Quem percebe de Educação? Os gestores, claro! (2)

Carlos Guimarães Pinto (CGP) teve a amabilidade de comentar o texto “Quem percebe de Educação? Os gestores, claro!”. Transcrevo o seu comentário, para, de seguida, responder.

 

Caro António Nabais, obrigado pela referência ao livro.

É indesmentível que os professores sabem bastante mais de educação e pedagogia do que que qualquer gestor-economista-empreendedor-consultor. Há no entanto dois motivos para ter alguma precaução quanto a deixar os professores, sozinhos, decidir toda a política de educação.

O primeiro é serem parte interessada. A esmagadora parte dos custos com a educação vai para salários de professores. Estes, como os profissionais de qualquer outra profissão, querem maximizar o seu rendimento, minimizando o esforço. É normal e natural. De forma consciente, ou subconsciente, tentam sempre encontrar racionalizações para provar que ganham pouco para o trabalho que fazem. É assim com todas as profissões. Seria impossível conter os custos da educação se fossem os beneficiários da maior componente desses custos a geri-la. Este primeiro motivo é bastante evidente na sua referência à falta de necessidade de ajustar o número de professores à redução do número de alunos, via queda da natalidade. A tal “reorganização para benefício dos alunos” mais não é qdo que uma racionalização para defender os seus interesses como professor. É natural que o faça, não digo o oposto, mas é um bom motivo pelo qual não vale a pena ter professores o sistema educativo.

O segundo é que alguns raciocínios subjacentes à gestão do sector da educação não dependem tanto assim do conhecimento da área (ou melhor, esse conhecimento é uma mais-valia, mas não a componente mais importante). Da mesma forma que você, apesar de saber muito mais de educação do que qualquer engenheiro civil, dificilmente seria capaz de desenhar a melhor estrutura do edifício duma escola, também pode não ser o melhor a fazer as opções de gestão.

Estes dois motivos tornam-se muito claros neste texto e noutros que vão aparecendo neste blogue sobre o tema da educação. É evidente que é sempre possível melhorar a qualidade do ensino e da vida dos professores, aumentando o seu número, dando mais estabilidade de emprego, maiores salários, salas maiores com melhor material, mais ajuda de outros profissionais, etc. Mais há opções e restrições económicas que os professores não entendem (nem têm de entender). Cabe aos professores utilizarem a sua capacidade pedagógica para fazer o melhor ensino possível dentro das restrições económicas (ou outras) que existem. Cabe aos “gestor-economista-empreendedor-consultor” entender que restrições são essas.
É por vezes injusto? Pode ser. Mas por nenhuma das razões que aponta. Há de facto demasiados professores? Fazem outras funções. Sem dúvida, assim como nos outros países. Fazem funções para as quais noutros países existem outros profissionais como terapeutas e psicólogos? Mostre-me esses números.

Ninguém tem absolutamente nada contra os professores, antes pelo contrário. Até me parece que os professores que se formaram nos últimos 10 anos foram enganados, atraídos para uma profissão que prometia ser estável, de emprego certo e salário razoável e que provavelmente não o é. Esses profissionais abdicaram de carreiras alternativas e agora viram frustradas essas expectativas. Mas o problema esteve, em parte, na formação dessas expectativas e, hoje, na grande divisão que existe em professores em fim de carreira e em princípio de carreira. Aqueles em princípio de carreiras com grande carga horário olham com natural insatisfação para estas análises que dizem que professores dão poucas horas de aulas. Têm razão.

Cumprimentos,

Carlos Guimarães Pinto

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Dar alta a mortos

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O Correio da Manhã inclui na categoria “Insólito” a seguinte notícia:

 

No Hospital de Aveiro, os mortos entram pela Urgência, são sujeitos a triagem e depois de admitidos “têm alta”.

Em primeiro lugar, os mortos são pessoas com direitos, incluindo o de se abster nas eleições. Que os mortos entrem pela Urgência parece-me óbvio, uma vez que é do interesse de todos que não se fique à espera que entrem em decomposição. Parece-me uma medida ainda mais virtuosa do que aquela que elogiei há dois anos. [Read more...]

A burguesia portuguesa num parágrafo

Cristina Espírito Santo

Eles não têm culpa. Foram criados assim. O circuito é apertadinho. A prima não sei quê, a tia não sei quantos: chazinhos, passeatas, garraiadas, às vezes ópera para ostentar vestuário e jóias. De resto, educação nicles. Dizem ‘piqueno’ e tratam grosseiramente as pessoas por você. Deplorável miséria mental. Talvez precisassem de umas expropriaçõezinhas para aprender alguma coisa.

Mário de Carvalho.

Um homem rádio

Nos inícios da década de 80 a RDP tinha uma prateleira onde depositava os profissionais que não permitia no fazer do jornalismo do dia-a-dia, gente de esquerda (começara em 76 o fabrico de uma comunicação social domesticada, voz dos donos disto tudo), dando a alguns ainda assim umas migalhas. Saboreei uma delas religiosamente todos os domingos ao almoço, chamava-se Ver, Ouvir e Contar, era a Rádio em estado puro e refinado, a reportagem com o sabor dos passos nas aldeias abandonadas da Serra, o cheiro dos homens e mulheres que catavam o lixo onde o depositavam, era gente a entrar-nos pela casa dentro, era a Rádio, uma meia-hora semanal de deleite, amargura, a vida.

Realizava esse milagre Emídio Rangel, os melhores pedaços tinham o cunho do repórter magia Fernando Alves.

radio transistor

Houve uma profissão que quis ter, e dela desisti porque prostituição não me rimava, e mais sacanices menos detalhe terminou como hipótese no dia em que um patrão me ordenou as regras da agenda da casa. Não fui homem da rádio, ambicionando perder a partícula de ligação, paciência.

Mesmo assim e isto dito de outra forma: obrigado Emídio Rangel.

Só por milagre

Convenhamos que a escola é muita: engravidar uma virgem e fazer um carpinteiro assumir a paternidade, patrocinar um Salvador e assim lançar uma religião mundial, não é obra para qualquer um.

Vem isto a propósito da “novela BES”, onde fico a pensar se não deveria ser legal, pegar numa qualquer empresa (uma carpintaria, por exemplo) que foi levada à ruína por gestão danosa, abrir uma outra empresa, passar para esta máquinas, trabalhadores, créditos cobráveis, inventário, património, saldos bancários, encomendas e demais activos, e deixar na empresa falida tudo quanto é dívida vencida, crédito de difícil cobrança, prejuízos, negócios de risco e outros sacos do lixo?

Depois, reflectindo melhor, concluo que não, pois teríamos sempre de estar perante a obra e graça do Espírito Santo, ou seja só por milagre.

P. H.

Os labregos do clube do croquete nacional estão exultantes. Uma das suas musas, Paris Hilton, está entre nós. E a televisão dá. Destacando-se por ter tentado, com igual grau de indigência, diversas actividades sociais e “profissionais”, resolveu agora ser DJ. E a televisão dá. Chegou entre luzes e aplausos, bamboleando-se pela passadeira vermelha – que, parece, tinha exigido…- com a sensualidade de uma esfregona. E a televisão dá. Subiu ao palco, colocando-se atrás das maquinetas com ar esclarecido. E a televisão dá. Lá deu com o botão que punha em marcha a mistura “musical” que alguém terá preparado para ela, começando a agitar-se como quem está com comichões várias. E a televisão dá. Posa depois, entre beijinhos, com o ramo feminino da família de Cristiano Ronaldo, sobre cujos atributos discorreu. E a televisão dá. Nos programas da manhã não faltarão comentários sobre comentários dos pomposamente designados “comentadores sociais”. Tudo a televisão dará. Até à náusea.
(Nota para os mais distraídos: este post não é sobre Paris Hilton)

Homem bicentenário morre aos 63 anos

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Robinson Williams, 1951-2014

O campeonato dos hospitais

bigstockphoto_Victory_Podium_-_Winners_In_Go_3778414Para os iluminados pelo espírito empresarialês, o mundo não é mais do que um conglomerado empresarial (holding para os amigos), o que faz com que qualquer instituição seja vista como uma empresa. No fundo, o empresarialismo é uma religião, com os gestores, erigidos em sacerdotes abençoados pela infalibilidade, a anunciarem virtudes cardeais como a concorrência ou a competitividade ou o empreendedorismo.

Sendo uma religião proselítica, é claro que os clérigos tudo fizeram até impor as suas crenças a entidades que não eram empresas, como é o caso das escolas e dos hospitais. Assim, criaram a ilusão de que o sucesso é sempre mensurável: a Igreja fazia proclamações; o empresarialismo anuncia estatísticas, rankings e percentagens. Como sempre aconteceu, a maioria, embrutecida, repete a ladainha.

Mais uma vez, hoje, pude confirmar a omnipresença desta seita. Silvério Cordeiro, Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Gaia/Espinho e antigo director do Centro de Formação Profissional da Indústria da Cortiça, queixava-se de falta de obras e de equipamentos, em entrevista ao Jornal de Notícias. Para o administrador, isso fez com que a instituição perdesse “claramente competitividade face aos hospitais da região.” [Read more...]

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