Sala de espera

Sento-me entre estas mulheres, eu que apenas espero por quem há-de sair, como se partilhasse a angústia delas, uma mais entre elas, na sala de espera, eu tão vestida –  de roupa, de palavras, de artifícios -, elas nuas com a sua roupa coçada, os seus gestos bruscos, o seu cansaço de muitos anos. Mulheres castigadas, que até da doença se sentem culpadas, que se deitam para que um médico as toque como se assim se rebaixassem, que sentem o corpo como algo que lhes não pertence mas do qual devem sentir vergonha. [Read more…]

Discurso do grande Cacique Cavalo Cansado

índio

“A zona do euro são 19 países (…) mas se a Grécia sair ficam 18 países”
“Há muito tempo que eu pensava que (…) as coisas iam acabar mal”
“A zona euro irá sobreviver com a mesma força que teve no passado”
“Eu também digo que não entendo esta jogada”
(Declarações de Aníbal Cavaco silva)


Perplexo com estas declarações e receando ser parcial ao comentá-las, socorri-me da opinião do ilustre Grande Chefe Cavalo Cansado, sábio e prudente cacique de além mar, chefe dos Apanhas Na Tola, glória das pradarias do Oeste. Assim falou o venerando chefe:
[Read more…]

Os invisíveis

FullSizeRender (1)

Somos tantos, senhores. Tantos que não contam para as estatísticas, porque não há estatísticas. Na onda deste retrocesso civilizacional que nos apanhou nos últimos anos, há milhares de jornalistas que vivem e trabalham fora de uma Redacção, em regime freelancer, que tantas vezes se mistura com a precariedade. Em casa, na sua esmagadora maioria.

Uma grande parte chegou a esta condição pela via do desemprego, nos últimos anos, depois de levar aquele “coice de mula” de que falava Óscar Mascarenhas. É a geração dos ’40 que predomina, mas o fenómeno está a ganhar dimensões gigantescas: a maioria dos jovens que agora chega à profissão nunca vai conhecer qualquer vínculo laboral, depois do estágio.  [Read more…]

Um exercício em História comparativa

Pessoas no Panteão em França:

– Voltaire
– Rousseau (cidadão de Geneva a ser enterrado no Panteão francês mas está bem).
– Jean Lannes
– Victor Hugo
– Zola
– Jean Monet
– Condorcet
– Abbé Grégoire
– Louis Braille
– Pierre Curie
– Marie Curie
– Alexandre Dumas

Pessoas em Westminster Abbey:
– Isaac Newton
– William Wilberforce
– Clement Attlee
– Beatrice Webb
– Charles Darwin
– John Herschel
– Angela Burdett-Coutts
– Samuel Jonhson
– Charles Dickens
– Geoffrey Chaucer

Pessoas no Panteão em Portugal:
– Óscar Carmona
– Sidónio Pais
– Humberto Delgado
– Guerra Junqueiro
– Almeida Garrett
– Sophia de Mello Breyner Andresen
– Manuel de Arriaga
– Teófilo de Braga
– João de Deus
– Aquilino Ribeiro
– Amália
– E agora Eusébio.

O lapso de Cavaco Silva

lapso_cavaco_silva

Laura Santos

Nós devemos dar graças a Deus por termos a rede de instituições de solidariedade social que temos em Portugal“.

No dia 29 de Abril deste ano, Cavaco Silva agraciou várias instituições e individualidades ligadas ao exercício da Solidariedade Social. Na curta intervenção efectuada na altura, ressaltou que, nos últimos anos, tinham conseguido “atenuar o sofrimento de milhares de portugueses que foram atingidos pela crise económica e financeira”.
Até aqui, nada a objectar. O problema, a meu ver, surge quando Cavaco Silva afirma que “Nós devemos dar graças a Deus por termos a rede de instituições de solidariedade social que temos em Portugal”, frase a que alguns canais televisivos deram destaque.
[Read more…]

Novidades sobre a propaganda do desemprego

Desemprego jovem

Apesar do esquema dos estágios profissionais ou do meio milhão de portugueses, maioritariamente jovens altamente qualificados, que abandonou o país nos últimos quatro anos, entre outras artimanhas que caracterizam a engenharia política do desemprego desenvolvida pelo actual governo, a realidade voltou a cair-nos na cabeça e os números do Eurostat relativos ao mês de Maio colocam Portugal no top 5 dos 28 países que constituem a União Europeia.

[Read more…]

Aprender mandarim ou o primado do empresarialês

top120charactersArriscando uma sociologia de bolso, diria que, desde os anos 80, pelo menos, o mundo está dominado pelo empresarialês, uma religião (e, portanto, uma linguagem) cujos seguidores proclamam que tudo no universo é uma empresa. Para os cultores do empresarialismo, cabe ao gestor dirigir o mundo, com a avaliação substituída por rankings, ou seja, por listas ordenadas (o gestor, apóstolo do empresarialismo, confunde avaliação com classificação, mas, como qualquer membro de uma seita, não admite argumentos).

Esta religião é seguida por todos os políticos do arco da governação, o que tem condicionado, evidentemente, as decisões sobre todas as áreas. Tudo é, portanto, economia, empresa, dinheiro, excel.

O mais grave é que esta mentalidade já se entranhou no resto da sociedade. Vejamos alguns exemplos, antes de chegarmos (ou voltarmos) à importância dada ao ensino do chinês nas escolas portuguesas. [Read more…]

E ganhou

susana-rodrigues

A fotografia foi esta.

Brutalidade primitiva no país dos brandos costumes

Na senda de outras tradições dignas de homens das cavernas, como a tortura do porco em Braga ou o frequente massacre de touros por cobardes com lantejoulas protegidos por um grupo de forcados, descobri hoje mais um belo exemplo de crueldade gratuita que consiste em prender um gato num pote de barro, colocar o pote no alto de um poste revestido por uma espécie de palha (que extraordinariamente não foi ingerida pela organização) e por fim chegar fogo ao poste, ficando os apreciadores de tortura animal a observar a subida do fogo até que o pote caia e o animal morra ou fique seriamente ferido.

Que existam pessoas que tiram prazer do sofrimento dos animais já todos sabemos. Estes habitantes de Mourão, concelho de Vila Flor, parecem apreciar o espectáculo e pactuar com a selvajaria. Mas faz-me sempre alguma confusão que estes actos de tortura troglodita sejam levados a cabo no âmbito de cerimónias religiosas, dedicadas a um santo de uma religião cujos ensinamentos incluem não maltratar animais. Serão todos hipócritas, estúpidos ou não-praticantes? Talvez sejam só pessoas que gostam de violência. No país dos brandos costumes, enquanto outros animais nos torturam de formas mais sofisticadas, adeptos da brutalidade primitiva descarregam em animais indefesos e escondem-se atrás da desculpa esfarrapada e idiota da tradição. Caso não partilhem com estes indivíduos o gosto pela tortura, podem assinar esta petição.

Carta muito franca e aberta às militantes anti-aborto

Cervatos erotico

Sexo é bom. Fazê-lo bem feitinho ainda é o melhor que levamos desta vida.

Compreendo que cada um é em boa parte a vida sexual que teve, ou no vosso caso não tem. Já não percebo como a ejaculação precoce, a frigidez, ou muito simplesmente a coisa mal feita pode levar alguém a militar numa causa de invejosas, sendo a inveja um pecado.

Sabeis, ó isildas, que o prazer obtido numa relação sexual não reprodutiva, vulgo queca, depende sobretudo dos vossos parceiros?

Homem que é homem tem cinco órgãos sexuais activos, por esta ordem: o cérebro, que trata dos outros, as mãos, que excitando nos excitam, a língua que opera milagres, a pele toda, excluindo talvez os calcanhares, e aquele que não sabeis denominar, seja ele pénis ou pila ou pixota, a tal parte que ejacula e reproduz a espécie. Falta um? falta: a alma, a paixão, o amor, ajudam, mas não são indispensáveis. [Read more…]

Três pessoas a fazerem o serviço de dez no Hospital da Figueira da Foz

image

A senhora Maria, vamos assim a nomear, tal como milhares de portugueses, precisava de um trabalho remunerado, já que esses onde se troca o suor por uma refeição não pagam as contas no fim do mês, pelo que começou a trabalhar como auxiliar de cozinha no Hospital da Figueira da Foz.

Mesmo precisando do dinheiro, passado uma semana, ou mais exactamente cinco dias, desistiu do emprego porque a sua saúde estava primeiro. Quando entrou ao serviço descobriu que ela e mais outras duas pessoas iriam fazer o serviço que, habitualmente, era assegurado por dez empregadas e que consistia em servir as refeições a todos os doentes do hospital. Depois de dias consecutivos a levantar tabuleiros e outros pesos, sem descanso e em ritmo muito acelerado para cumprir os horários das refeições,  as costas não aguentaram e estava incapaz de se dobrar. Nem querendo seria capaz de levar a comida aos doentes e despedir-se foi o caminho que lhe restou.

Este episódio do país de sucesso, retrato de um SNS onde os cortes chegam até ao fundamental, como Betadine e ligaduras, não teve lugar nos telejornais, apesar destes durarem mais de uma hora e de estarem repletos de fastidiosas “reportagens” de rua, nas quais opiniões avulsas de transeuntes incham de vazio temas sem relevância.

Vinhos com aroma de escravo: Vale do Mogo e Pinho Leão

img225

A Casa Agrícola ASL precisa de vindimadores. Ou melhor, de gente que queira “experienciar o trabalho em vindima e apanha da Azeitona (sic)”
Desde que tenham ” Gosto pela Agricultura (sic); Facilidade de deslocação;  Organização no trabalho e Vontade de trabalhar e aprender” eles oferecem “Bom ambiente de trabalho,  Estágio não renumerado
e Ajuda a deslocação e subs. de Refeição”.

Ficamos assim a saber que os vinhos de marca Vale do Mogo e Pinho Leão serão, pelo menos este ano, feitos com trabalho escravo, ou seja, colhes os cachos, pagamos-te o almoço e vais com sorte, não te esqueças de agradecer. Duas marcas que não voltarei a beber.

Quando a extrema-direita defende o politicamente correcto nem mede as palavras

Este falejar quer tão só dizer que nove negros foram mortos por um não negro numa igreja frequentada por negros em Charleston.

Se eles fossem brancos a notícia seria: nove pessoas mortas numa igreja em Charleston.

No primeiro caso mata-se por ódio, No segundo os sentimentos do assassino são irrelevantes. É assassino e ponto.

Para Helena Matos um segregacionista de 21 anos que entra a matar numa igreja de negros não personifica um crime de ódio. É só um crime. Chama-se a isto politicamente correcto, precisamente a expressão que é utilizada para o defender. Não, não é um paradoxo: o politicamente correcto, ou seja, o totalitarismo da linguagem, existe tanto à esquerda como à direita, mas a direita finge-se virgem, e depois cai nisto.

É doentio? é. Mas sobretudo acontece quando a ideologia é tão forte que por vezes nega o mais elementar bom senso. Infelizmente é humano.

Iniciativa de Referendo

banner_blog22

Ontem, teve início a fase de recolha das 75 mil assinaturas necessárias para que o projecto de lei de referendo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 seja votado na Assembleia da República.

As folhas de assinaturas encontram-se na página da Iniciativa de Referendo e no grupo do Facebook Cidadãos contra o “Acordo Ortográfico” de 1990.

Esperemos que o barco chegue a bom porto, para que não haja mais “fatos ofensivos do direito ao repouso”.

fatos ofensivos

Sim, são factos.

factos ofensivos

Já on-line o site institucional do Tornado

tornado

Basta clicar na Imagem…

AMTP: Mais uma estória de bravos boys laranjazuis

Joaquim-Cavalheiro-PresidenteAMTPCarlos de Sá

Joaquim Cavalheiro passou os últimos cinco anos, ou quase, a presidir a uma entidade que não passa de um nado-morto: a Autoridade Metropolitana de Transportes do Porto (AMTP). Nomeado por indicação de Rui Rio, em Novembro de 2010, cedo deparou com a completa obstrução do governo da Direita – que tomou todas as decisões, em matéria de transportes públicos na área metropolitana do Porto, sem passar cavaco à AMTP, para a qual nunca nomeou os vogais do respectivo Conselho Executivo. Mas isso não fez desistir Joaquim Cavalheiro: continuou a presidir a um organismo sem qualquer utilidade, e a auferir o vencimento de 4.204,20 Euros, pago por 14 meses em cada ano, mais despesas de representação de 1.471,50 Euros pagas por 12 meses em cada ano (fonte: http://dre.tretas.org/dre/281920/).

De saída do cargo (a AMTP será extinta a 09 de Agosto próximo), Joaquim Cavalheiro quis fazer jus aos mais de trezentos mil Euros que custou aos contribuintes, levando à reunião do Conselho Executivo da AMTP uma proposta de última hora, fora da agenda, para sancionar alterações nas linhas da STCP e prolongar a concessão por dez anos – ao encontro das exigências do consórcio espanhol a quem foi dada a subconcessão pelo governo. Para tal, contou com o seu próprio voto e o voto da senhora Ana Isabel Miranda, uma vogal do Instituto da Mobilidade e Transportes, contra o voto do senhor Lino Ferreira, representante do Conselho Metropolitano do Porto.

Assim, nas costas dos autarcas, e nas costas dos utentes (que nem contam nestas coisas), os boys do governo na AMTP acrescentaram mais um frete ao rol de manigâncias de que está pejado o negócio da subconcessão dos transportes.

Consumocracia, a Democracia de Consumo

Paulo Pereira

A ditadura perfeita terá as aparências da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão.

Aldous Huxley

Cândida Almeida tinha razão

Corruption

Quando formulou, num momento de algum brilhantismo, na mui nobre e antiga Universidade de Verão de Castelo de Vide, o seguinte juízo:

O nosso país não é um país corrupto, os nossos políticos não são políticos corruptos, os nossos dirigentes não são dirigentes corruptos. Portugal não é um país corrupto. Existe corrupção obviamente, mas rejeito qualquer afirmação simplista e generalizada, de que o país está completamente alheado dos direitos, de um comportamento ético (…) de que é um país de corruptos. [DN]

[Read more…]

Portugal não é a Grécia!

portugal_nao_e_greciaA EasyJet pensa diferente.

Nova carta ao ministro da Economia

ministro-economia-pires-lima

© Económico

Ex.mo Senhor Ministro:

Desde a minha última carta, da qual V.Exa., por certo, nem tomou conhecimento, perdi mais de duas semanas de trabalho à espera de autocarros da STCP que deviam passar e não passaram. Não, senhor ministro, não por culpa das raras greves dos trabalhadores que entretanto tiveram lugar, mas por exclusiva culpa dos boys que o seu antecessor nomeou para a administração daquela empresa, e que V.Exa. manteve – e mantém mesmo depois de expirado o prazo do contrato. Gente absolutamente incapaz de gerir um pequeno quiosque, que V.Exa. e o seu antecessor acharam capazes de gerir uma empresa de transporte de passageiros, mesmo contra todas as evidências.
Assim por alto, só à conta das mais de dez mil carreiras suprimidas em cada mês pela STCP, V.Ex.a é responsável pela perda de vários milhões de horas de trabalho. Nunca antes um ministro da Economia tinha alcançado semelhante feito!
Fica registado, senhor ministro, para memória futura, que V.Exa. preferiu prejudicar milhões de pessoas, tornando o seu já difícil quotidiano num inferno ainda maior, a despedir incompetentes boys que outro mérito não têm que não seja o de possuírem um cartão partidário.

Cumprimentos,

Carlos de Sá
Vila Nova de Famalicão

Santo Antônio


“Santo Antônio, atende as minhas preces: eu quero um homem na minha vida”

Ricardo Araújo Pereira – A Década dos Psicopatas

Paulo Pereira

e Daniel Oliveira – A Década dos Psicopatas.

E o contexto é o de uma sociedade desigual nos sacrifícios e nas vantagens, precária e insegura para a maioria e garantista e blindada para uma minoria.

O problema que aqui me interessa não é apenas ético, apesar da ética também contar. É social. É o de uma elite que vive num mundo à parte, com regras à parte, e é por isso incapaz de perceber a vida dos outros. Poderiam ser ricos e perceber tudo isto. Poderiam ser pobres e não perceber nada disto.

A vida está cheia destas incongruências e não sou dos que acham que alguém que defende a justiça social tem obrigação de levar uma vida espartana e que os pobres têm obrigação de ser socialistas. Mas julgando, como julgam, que os seus privilégios excecionais resultam do mérito, não podiam deixar de julgar que as banais dificuldades dosvideo outros resultam de desmérito. Quem vive confortável na injustiça nunca poderá compreender a sua insuportabilidade. Quem pensa que o privilégio é um direito nunca poderá deixar de pensar que a pobreza é um castigo.

Violência policial no Ocidente democrático

Ontem escrevi sobre o episódio de violência policial que culminou com a agressão desproporcionada de uma adolescente no estado do Texas, EUA, uma agressão levada a cabo por um troglodita com uniforme de agente da autoridade que naquele cenário, em que vários adolescentes são tratados arbitrariamente como delinquentes, se apresenta como um fanático totalitário a mostrar aos miúdos quem manda, se necessário de arma na mão. Com os exemplos de violência que vêm de cima neste país, não admira a frequência com que atentados com armas de fogo são levados a cabo por outros adolescentes nas suas escolas.

Estranhamente, pelo menos para mim, deparei-me com algumas reacções que pouco ou nada tinham que ver com o objectivo do texto: expor a parcialidade subjacente à forma como este tipo de episódios é analisado pela imprensa ocidental, dependendo se acontece num país “inimigo” ou num país “amigo”. Porque só alguém muito ingénuo acredita que uma situação como a que abre este texto teria leituras políticas iguais acontecendo na Rússia ou nos Estados Unidos, no Irão ou na Arábia Saudita, país onde todos os dias são cometidas atrocidades mas que está longe de ser pintado pelos nossos media como a ditadura sanguinária e repressiva que é.

[Read more…]

Talho? – é no Pingo Doce das Caldas da Rainha

pingo_doce_talhofonte.

E se isto tivesse acontecido na Rússia, na Venezuela ou no Irão? (VII)

Se isto tivesse acontecido na Rússia, na Venezuela ou no Irão, os unicórnios moralistas, hipócritas e facciosos do costume teriam berrado a sua indignação e dissertado eloquentemente sobre o fim do mundo que se aproximava por não haver mão nessa esquerdalhada bárbara. Aprove-se mais um pacote de sanções, endureça-se o embargo, promova-se o isolamento e treinem-se mais uns terroristas para desgastar o inimigo.

[Read more…]

Um lugar cada vez mais estranho…

Na última vez que pisei terras lusas ainda perguntavam se queria factura, hoje a questão é se pretendo com ou sem número de contribuinte, mas é sempre emitida, seja na tasca menos pretensiosa ou na mais elegante e exclusiva das lojas.

Encontrei um país zangado com os políticos em geral, mas com particular incidência em dois, Pedro Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque. Curiosamente ou talvez não, Paulo Portas e António Costa passam entre os pingos da chuva, que por estes dias nem cai.

Jorge Jesus, Sporting e Benfica dominam as atenções gerais, existe um comentador desportivo em cada café ou sentado à mesa nos restaurantes que tenho visitado.  [Read more…]

Dia de Camões e da Língua Portuguesa

dia_de_camoes_lingua_portuguesaou apenas o Dia da Raça?

A injustiça

frase-para-os-pobres-e-dura-lex-sed-lex-a-lei-e-dura-mas-e-a-lei-para-os-ricos-e-dura-lex-sed-fernando-sabino-100751Os últimos seis meses têm servido para toda a gente perceber que qualquer um de nós pode ir de cana, prá prisa, dormir ou ter pesadelos no xilindró, e não será em Évora mas numa penitenciária sobrelotada, apenas porque o ministério público está a investigar uma coisa, e estamos envolvidos nessa coisa. Ou não estamos, que para estarmos basta um grande azar, que no final se chama erro judiciário, e simplificando acontece cada vez que alguém é absolvido (não é bem assim, mas serve como metáfora).

Começou por me dar um imenso gozo ver um cidadão que por acaso teve seis anos para mudar isto a experimentar do que não o preocupou, porque só acontecia aos outros.

Mas o gozo foi esmorecendo. Sabemos de resto que o cidadão em causa, casmurro como é, seria capaz de repetir os mesmos seis anos sem mudar este drama: tal como se ganha o euromilhões podemos perder a liberdade. Tal como sabemos que a maior parte dos que passam assim um largo tempo detidos nem dinheiro para um advogado têm, e muitas vezes o estado apenas lhes arranja um papagaio que repete “Faça-se justiça”.

Como a lição de vida nem sequer cura uma megalomania napoleónica, já chega. Lamento, António Costa, mas acho que José Sócrates deve ser solto, e tem todo o direito a umas férias algarvias acompanhado pela família e amizade mais próxima, como fazia antes de chegar a ministro. Não, Passos Coelho, só num mito urbano mesmo assim ganhas as eleições.

Já tinha dito que não quero o PS com maioria absoluta, e confio no golpe de estado que Cavaco Silva prepara, não empossando um governo minoritário?  Somos assim, nós os portugueses, só acordamos com uma estalada na cara. E bem precisamos para apanhar o comboio da Europa que é mesmo nossa.

A RTP Informação reagiu à saída abruta de Manuela Moura Guedes

Efectivamente: abruta. Obrigado, Fernando Venâncio.

Quer um cardiologista? Vá a Fátima

Carta aberta à Dra. Emília Barbosa (Hospital de S. João)

Dra. Emília Barbosa,

Não me conhece nem eu a si, mas posso dizer-lhe que não vou esquecer o seu nome nos próximos anos e espero que também não se esqueça do meu.

Na consulta de cardiologia que o meu pai hoje tinha agendada com a senhora, no Hospital de São João, no Porto, e que já começou com uma hora e meia de atraso porque a doutora agenda consultas para um horário prévio àquele a que efectivamente lhes dá início, e pouco lhe importa quão penoso pode ser para um doente debilitado esperar por si, nessa consulta, dizia eu, a senhora começou por repreender o meu pai por obrigá-la a ter de “mandar desinfectar o consultório” por ter entrado lá com “o sangue todo contaminado com um micróbio”.

Como sabe, ou saberia se tivesse consultado o processo com mais vagar, o meu pai é um doente renal, cuja vida depende da realização de diálise peritoneal. Estes pacientes têm um risco altíssimo de infecções. No caso dele, o serviço de Nefrologia desse mesmo hospital havia detectado indícios de infecção, rapidamente tratada, e já totalmente curada no momento em que o meu pai se apresentou na sua consulta. Repreender um homem doente e debilitado por obrigá-la a “desinfectar o consultório” não só é incorrecto do ponto de vista médico (bastava ligar para o serviço de Nefrologia e falar com um colega, se lhe custa muito ler o processo), mas lamentável do ponto de vista humano. [Read more…]