Festa no Pontal, miséria em Portugal

pobrezaNo Pontal, reuniram-se aqueles que amam o solo e pisam o povo, como gritava Jô Soares. Com a desfaçatez de quem não se pode dar ao luxo de ter vergonha, houve discursos com veneno suficiente para matar um país.

1 – “Qualquer decisão constitucional não afectará simplesmente o Governo. Afectará o país. Esses riscos existem, eu tenho que ser transparente. Se esse risco se concretizar [o TC declarar a requalificação inconstitucional] alguns dos objectivos terão que andar para trás”

Sabendo-se que o desconhecimento da lei não aproveita a ninguém, o que dizer de alguém que reincide no incumprimento de uma lei que conhece? O que dizer de um primeiro-ministro que reincide no incumprimento da lei fundamental do país?

A habilidade chico-esperta de chamar requalificação a despedimentos é própria de gente que não é séria.

Também não fica bem a um primeiro-ministro maltratar a língua materna: o que são objectivos que andam para trás? [Read more…]

Wikileaks publica novo seguro de vida

Em 2010 a Wikileaks pediu para copiarmos um misterioso ficheiro, encriptado, com cerca de 1.4GB de tamanho. Chamou a esse ficheiro um seguro na medida em que a chave necessária para o desencriptar seria divulgada caso alguma coisa acontecesse a Julian Assange ou à própria organização. Mais tarde a chave criptográfica acabou por ser divulgada, altura em que se obteve acesso integral ao conteúdo do arquivo.

A Wikileaks voltou a divulgar 3 ficheiros seguro de vida. Com um tamanho total de mais de 400GB. Sobre o conteúdo nem uma palavra. Se tiver o mesmo impacto que o Cablegate teve, estamos perante o inicio de uma história muito importante.

[Correcção depois do corte]

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Sinais de retoma

Número de casais desempregados aumenta 45% em Junho

Passos Coelho vai aumentar as mamas

9524901_eqECpSoubemos que Passos Coelho irá proceder a uma operação para aumento das mamas e passará a usar vestidos curtos que lhe favoreçam as coxas, procurando, deste modo, criar uma imagem ainda mais aproximada da taróloga Maya.

As parecenças entre Passos Coelho e Maya acentuaram-se em 2010, quando o então candidato a primeiro-ministro fez referências a um futuro que não se confirmaria. Para além disso, tal como a astróloga/apresentadora, Passos Coelho tem feito previsões que falharam de modo quase sistemático.

O chefe do governo escolheu o dia de hoje para fazer este anúncio, uma vez que é na Festa do Pontal que costuma fazer as previsões mais disparatadas.

Alguns membros do governo já comentaram, em tom jocoso, a decisão do líder: “Afinal, a mama ainda não está para acabar!”

Do arbítrio

Podemos avaliar a estabilidade e maturidade de um sistema pela previsibilidade dos resultados produzidos.  Um sistema fiável que seja alimentado por iguais entradas conduzirá a resultados, senão iguais, pelo menos aproximados. E eventuais desvios são monitorizados e sujeitos a um processo de mudança por parte de um agente externo para tal mandatado.

O nosso sistema judicial não é nada disto. As recentes decisões sobre a legalidade/ilegalidade da candidatura dos dinossauros políticos têm evidenciado que as sentenças são arbitrárias,  fruto de interpretações individuais. Isto significa que quem recorrer à justiça não tem garantias de a obter, podendo um juiz decidir uma coisa e outro juiz decidir o oposto. O próprio processo de recurso, mesmo sendo uma forma de introduzir equilíbrio que devia ser, como o próprio nome indica, uma forma de excepção, em vez de ser visto como o passo seguinte, está ele mesmo sujeito à imprevisibilidade, possivelmente menor por se tratar de decisões colectivas.

Atendendo aos resultados díspares, é lícito afirmar que temos um sistema judicial de baixa maturidade. Mas olhando para a matéria prima usada, isto é, para as leis que a justiça deve procurar aplicar, percebermos que não cabe apenas ao executor a falta de qualidade. Com efeito, o legislador produz leis frequentemente pouco claras, incompletas e em contradição com outras leis. Sem querer desculpar a máquina judicial, o facto é que a matéria prima usada é de qualidade rasca.

Ainda neste caso dos candidatos autárquicos em modo gafanhoto, o legislador não quis clarificar as dúvidas. E querer é o verbo exacto, já que teria bastado um deputado ter apresentado uma proposta de alteração para que este circo das candidaturas autárquicas não estivesse a acontecer. Mas nenhum o fez. Preferiram colocar os interesses do partido à frente dos do país, seja para possibilitar a reutilização de candidatos requentados, seja para ganharem trunfos para os derrubar.

Tudo sinais de um sistema imaturo e pouco fiável, bem nos antípodas da imagem passada pelos próprios protagonistas. Deputados bem pagos mas incompetentes, juízes bem pagos mas com cada cabeça sua sentença.

Egipto: Irmãos muçulmanos e militares disputam o poder a qualquer preço

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© Bruno Charoy

«Eis o que se pensa no Ocidente sobre a situação egípcia: uma experiência democrática estava em curso, o exército quis por-lhe termo, instrumentalizou o descontentamento popular para fazer um golpe de Estado. E lamenta a ingenuidade do povo egípcio, que preferiria submeter-se aos militares a confiar no presidente islamista que ele próprio elegeu. Incapaz de se vergar à longa aprendizagem da democracia, o povo egípcio teria esquecido todos os males que o exército lhe infligiu…

Não, o povo egípcio não esqueceu. Não esqueceu o que sofreu durante os dezasseis meses em que o exército governou de forma directa o país. A iniciativa que entretanto tomou não é, de forma alguma, uma escolha entre os militares e os Irmãos Muçulmanos. Ela representa uma nova etapa na marcha que empreendeu para afirmar a sua autonomia cidadã. Pois o povo egípcio deixou de ser um comparsa no teatro de operações do palco político. Adquiriu, desde Janeiro de 2011, um estatuto de actor autónomo e decisivo. E adquiriu esse estatuto, qualitativamente novo, não porque tenha derrubado o autocrata Mubarak, mas porque recusou a legitimidade do seu poder. Até então, no país dos faraós e dos sultões, esse poder não era apenas exercido sem limites e sem controlo. Era, ainda por cima, legitimado pelo conjunto da população.  Por que razão aceitava, com a naturalidade de uma evidência indiscutível, um poder em relação ao qual não tinha qualquer ascendente? Porque esse poder, parecia-lhe, emanava de uma instância superior, transcendente. Porque representava, aos seus olhos, o reflexo na terra de um destino celeste. [Read more…]

Arredas Folk

arredas-folk-fest-2Edição 2013.

Bradley Manning: Percebo que tenho de pagar o preço

But it was all right, everything was all right, the struggle was finished. He had won the victory over himself. He loved Big Brother.

Continuo a não escupir no prato em que como

Mourinho? Não me pronuncio sobre essa pessoa.

Desabafo contra o acordo

Omar Dammous*

A língua é um fenômeno vivo, mutante, dinâmico, que interage com as mudanças dos tempos, dos costumes. Influencia e é influenciada por movimentos migratórios, assimilações culturais, fusões e cisões históricas. Não se pode engessá-la ou congelá-la por força de lei.

A diferença pontual na pronúncia ou mesmo em pequeno percentual da grafia (que sempre foi inferior a 2% de todo o vocábulo) pode e deve ser considerada como um fator de autenticidade regional que não diminui em nada a beleza e a unidade do idioma. As diferenças fonéticas importantíssimas (e também gráficas) entre a forma de falar de australianos, ingleses, canadenses e outros povos de origem britânica jamais lhes deu a impressão de que não falasse simplesmente o INGLÊS. Idêntico fenômeno se dá entre os mais de vinte países de fala árabe, cada qual com a riqueza de seus regionalismos.

A unidade não se obtém à força, tampouco é ela a única forma de aproximação. Creio que as diferenças podem servir até como ponte para que cada qual admire e se delicie com a forma de falar e escrever do outro. Saramago talvez não fosse tão interessante se escrevesse como Machado. Cada qual com a riqueza de seu tempo e de seu lugar.

Afora a impossibilidade de imposição cultural “ex lege”, a tentativa (por enquanto mal sucedida) de unificação prestou-se a condenar à cesta de lixo milhões de títulos já impressos pelas editoras, obrigando entes públicos a promoverem milhares de licitações para renovação dos acervos das escolas e bibliotecas públicas. Dinheiro e história ralo abaixo… [Read more…]

Egipto:

“Uma sociedade extremamente dividida, a precisar urgentemente de um entendimento político de compromisso entre os militares e os islamistas.” Uma análise de Hugh Miles. no dia em que se prevê que a situação se torne incontrolável por excesso de radicalismo de parte a parte.

Egipto: o longo caminho para a democracia

Ismail Serageldin

Ismail Serageldin, o director da nova Biblioteca de Alexandria, esteve recentemente em Portugal para receber o Prémio Calouste Gulbenkian 2013. Entrevistado para o jornal Público, falou daquilo em que acredita: no poder das ideias, e no pluralismo. No seu país vivem-se por estes dias momentos de confronto entre os partidários das velhas e das novas ideias, entre islamistas (que pretendem impor no Egipto a vontade da Irmandade Muçulmana) e todos os outros, que representam cerca de metade dos cidadãos eleitores. Islamistas que não costumam aparecer nos debates promovidos pela Biblioteca Alexandrina, “encontros de teor tendencialmente liberal [e não falamos de economia]”, diz Serageldin, de que compreensivelmente não participam, imaginando talvez que dessa forma essas outras ideias perderão relevância na sociedade. [Read more…]

As “swapadelas” de Crato e as piruetas de Grancho

Santana Castilho*

Nos tempos que se sucederam ao 25 de Abril, os meses de preparação do ano-lectivo não eram fáceis. Recordo períodos de agitação social, sobretudo pela carência de espaço para albergar todos. Hoje, a meio de Agosto, temos professores sem horários, alunos sem escola e directores sem directivas. E, pesem embora os protestos, que são muitos, prevalece uma paz podre, que escancara portas à “swapagem” da competência mínima (para servir o público) pelo golpe máximo (para anafar o privado). Esta abulia cidadã, esta ausência de eficácia cívica perante as engenhosas formas de corrupção do futuro, permite, diariamente, o atropelo do Direito, da Moral e da Ética. Quanto mais tarde reagirmos, mas reagirmos de facto, com firmeza que diga não, não de verdade e para durar, maior será o número dos que ficam pelo caminho e mais tempo necessitaremos para reconstruir o que este Governo destruiu em dois anos de criminosa política educativa. Duas velhas frentes adormecidas foram reabertas para apressar a implosão do ensino público: o exame de acesso à profissão docente e o cheque-ensino. A manobra justifica público comentário. [Read more…]

Eleições, já?!

Já aqui havia escrito que a recuperação, ténue que fosse, estaria aí, mais trimestre menos trimestre. Já havia escrito acerca de graduais boas notícias no plano económico, do fim da contracção psíquico-económica portuguesa, graças a alguma confiança acrescida, graças a uma incomparável eficácia tributária e em virtude de alguma travagem no desinvestimento, mas sobretudo por causa das exportações. Confirma-se aquilo a que aludia. 1,1 de crescimento no segundo trimestre já confirmado ainda não é suficiente e nada nos diz que 2013 não será mais um ano de recessão. Mas sinais são sinais. Não faltarão vozes a destacar essa insuficiência ou a sazonalizar o que seja estrutural, não dando a César nem a Deus o que a cada qual pertence. Benditos sinais, porém.

Há demasiadas aves agoirentas e negativizantes que se intitulam de Esquerda a clamar por mais perturbação formalista, mais recrudescimento retórico e mais reles disputa facciosa, mais vitórias na secretaria, mais via gabinetóide de disputa política pela impugnação, mais eleições-já, mais pigarro soares, mais vácuo alegre, mais anúncios do fim-do-mundo, se isto não sofrer a reviravolta venezuelizante socialista-chavista à portuguesa, revolución que vai em tantas cabeças peregrinas. Tudo pela negativa. Tudo ao contrário da corrente. Como se nos não bastassem os perpétuos bloqueios decisórios no que nos é crucial; os impasses e hesitações reformistas de décadas; a treta populista que o PS derrama logo à partida acerca da dolorosa questão dos cortes nas pensões de reforma. Se fosse pelos Socialistas, Portugal ficaria sob a mais tóxica e atrevida demagogia, segregada apenas para ganhar eleições, até à próxima falência, conservando, tal como está, o Grande Guarda-Chuva Corrupto em que se transformou o Estado Português. Talhado unicamente para falhar. Talhado apenas para falências cíclicas. Nunca para um superavit. Um que seja, em quarenta, em cem anos. [Read more…]

Il buono, il brutto, il cattivo

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Il buono, il brutto, il cattivo – um dos melhores filmes de sempre! Ocupa, merecidamente, o quinto lugar no top 250 do IMDB. Western clássico de Sergio Leone, com uma banda sonora inesquecível de Ennio Morricone. Página IMDB.

O filme está legendado em Inglês utilizando o sistema do Youtube. A boa notícia é que o sistema de tradução automática já funciona de forma muito satisfatória. Assim, deve em primeiro lugar activar as legendas em inglês, clicando em . A seguir, clicar no mesmo icon e activar a tradução das legendas (segundo item no menu).

Arredas

arredas folk fest, rio neiva, tregosa,Vem aí a edição 2013 do Arredas Folk Fest!

Cultura do Respeitinho

Esta designação não me pertence, é do advogado Francisco Teixeira da Mota que defendeu Miguel Sousa Tavares do processo que lhe quis mover o Presidente da República quando se viu chamado de “palhaço” pelo escritor. E vem a terreiro muito oportunamente quando campeia no país a mais absoluta falta de respeito dos poderes políticos pelo povo que é obrigado a sustentá-los.

Sempre que esta falta de respeito se verifica, logo aparece a cultura do respeitinho que, mais do que se pensa, alastra como uma nódoa por todos os que julgam mandar e que é uma herança da ditadura de 48 anos liderada por Salazar e Marcelo Caetano.  É uma cultura cobarde, sonsa, como  pontapé atirado às canelas de quem refila à laia de  aviso para não se meter noutra. Qualquer fulano da situação a pratica, sempre que  é confrontado pelos que pensam pela sua cabeça e não nasceram com vocação para carneiros.  Ainda há dias o ministro Maduro, pequenote, com a sua barbicha à passa-piolho e a vozinha de adolescente a mudar de idade, se empertigou todo para dizer que não se podia aceitar que as pessoas contestassem tudo. Este Maduro deseja governar sem que o eleitor, que com a sua contribuição paga o seu ordenado, o seu carro de estado, as mordomias de que goza, possa contestar as medidas indecentes que este governo faz pesar sobre quem tem menos para encher os bolsos a quem tem mais. Este Maduro é da escola do comer e calar. Com aquele ar espardalado, é bem capaz de nem saber que houve, em 25 de Abril de 1974, a queda dessa escola. [Read more…]

As duplas grafias como falsa questão

Lúcia Vaz Pedro, cumprindo uma promessa, vem, agora, tentar esclarecer a questão das duplas grafias.

(…) a existência de uma dupla grafia para a mesma palavra confirma a democraticidade da língua, que respeita as duas pronúncias: a de Portugal e a do Brasil. Assim e de modo a resolver os casos em que uma consoante se pronuncia ou não, salvaguarda-se a possibilidade de essa palavra ser escrita de duas formas.

O uso da língua será sempre pessoal, muitas vezes ao arrepio das regras e dependendo das situações. É por isso podemos exprimir-nos de maneira diferente, conforme estejamos entre amigos ou numa reunião formal, no que se refere à produção oral do discurso. No âmbito da escrita, poderemos recorrer a abreviaturas, em apontamentos pessoais ou em mensagens de telemóvel, poderemos inventar palavras novas, na criação literária, e teremos de respeitar, também, as regras ortográficas, na maioria dos contextos em que somos obrigados a escrever.

A “democraticidade da língua” não precisa, portanto, de duplas grafias para ser confirmada. O problema das duplas grafias, ou melhor, o problema da criação de novas duplas grafias é o de aumentar o caos ortográfico, é o de conduzir à anarquia, conceito que não se deve confundir com democracia. Fica, ainda, a faltar a referência à criação de novas homografias, outra fonte de ruído na comunicação.

António Emiliano, entre outros, já explicou a importância da escrita na sociedade em que vivemos. Neste contexto, as regras ortográficas devem ser claras e não difusas (ou, se quisermos, ditatoriais e nunca democráticas, para usar conceitos que, de qualquer modo, não são chamados para as questões da língua). O uso pessoal, repito, é outra questão. [Read more…]

Swap ou a Inversão da Culpa

Os swaps socratinos constituirão um caso de estudo político-mediático de inversão de culpa a analisar nas academias. Feitos na quase totalidade pelos Governos Sócrates (embora o instrumento já fosse usado desde 2003), para empolar receita no curto prazo e esconder dívidas das grandes empresas públicas e ainda com a probabilidade de ganhos de especulação na taxa de juro, uma variante dos swaps cambiais gregos feitos anos antes com o mesmo propósito «Eurostat friendly», a culpa da perda dos três mil milhões de euros acaba por recair toda sobre o Governo PSD-CDS que não fez nenhum!… E mesmo que a demora na resolução do caso, pelos motivos que já aqui dissequei, tivesse custado a diferença para os 1.646 milhões de euros que o socratismo tinha deixado, ainda assim, nem essa fatia lhes é assacada.

ABC

Como derrubar uma estátua

Deitem-na abaixo! Pintem-na! Caguem-lhe em cima! Assassinos e fascistas não merecem estátuas!

Os pais fundadores

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Crescimento zero: a hora da França

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Apesar do que tem vindo a acontecer noutros países da Europa, François Hollande está pasmado:  com a estagnação a tornar-se estrutural, a sociedade francesa vai ter de levar uma grande volta.  E começa-se desde logo pelo Estado. Quel enfoiré!, dirão em coro os franceses de esquerda que votaram nele.

Tonta season

Madrid e Londres discutindo um rochedo offshore e continuando a colonizar povos inteiros.

Bitola Mínima

Tivemos um ministro durante as duas legislaturas de Sócrates (com a excepção dos 3-4 meses de Campos e Cunha) que conseguiu a proeza de não ser responsável de nada de mau que se fez. E não foi pouco. Mesmo no caso da peregrina nacionalização do BPN acha que procedeu lindamente. Mesmo quando dizia que não ia custar nada aos cidadãos. Talvez Campos e Cunha tivesse a honorabilidade que falta a Teixeira dos Santos e por isso tivesse saído tão rapidamente.

Teixeira dos Santos prestou-se a tudo. Até a ser tratado como alguém portador de doença contagiosa no fim do Governo de Sócrates. Usado e descartado. Como um vulgar capacho. Se pensarmos bem foi exactamente o papel de capacho que ele exerceu durante 6 anos. E sabemos agora que nem é responsável pela maior parte das decisões que eram tomadas no ministério. Isso era deixado a secretários de estado, administradores de empresas públicas e directores gerais. 

Teixeira de cada vez que fala mais se enterra. Mais se percebe como ele era irrelevante na máquina socratina. Era apenas alguém convidado a representar um papel subalterno. Não é por acaso que no fim do “reinado” de Sócrates o país tinha as finanças no estado calamitoso que sabemos. Obrigado, Teixeira dos Santos. Como ministro passou a ser a bitola mínima de competência e integridade. Depois de si é quase impossível encontrar um ministro das finanças que consiga ser pior.

Groink

O mundo ao contrário

Hoje vi, com estes olhinhos que a terra e os bichos vão deglutir, um andor a ser carregado (numa procissão do Norte de Portugal) por um jovem com uma camisola com a cara do Che Guevara!

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O Ernesto deve ter dado umas valentes voltas no caixão. Ou não.

Nuno Crato defende que há alunos a mais

Escolas forçadas a recusar alunos

NUNO-CRATO-PORTRAIT-RETRATOMerece leitura muito atenta a notícia do Correio da Manhã acerca das imposições do Ministério da Educação, obrigando várias escolas a recusar a entrada de alunos no primeiro ano do Primeiro Ciclo.

Nuno Crato tem declarado que há menos alunos no sistema de ensino, como quando quer, por exemplo, justificar o despedimento de professores. Fico a aguardar pelo briefing em que venha explicar que sentido faz recusar a entrada de alunos numa escola em que o número de alunos tem diminuído ou tomar medidas destas a menos de um mês do início do ano lectivo.

É certo que a razão é conhecida. O Correio da Manhã faz, aliás, uma ligação entre estas restrições e a necessidade de cortar despesa. Não é que já não soubéssemos, mas ficamos sem ter a certeza se essa ligação provém de fonte ministerial, o que seria um momento de sinceridade absolutamente inédito, porque implicaria, finalmente, que Nuno Crato reconhecesse que não toma medidas a pensar nos alunos.

Note-se, ainda, que os alunos recusados e os respectivos encarregados de educação já tinham criado expectativas absolutamente legítimas, preparando-se para enfrentar os desafios de um novo ciclo de ensino. Mais uma vez, a insensibilidade do Ministro da Educação obriga educadores a tentar minimizar os estragos criados por políticos.

Alberto Amorim Pereira

O próximo presidente da Câmara do Porto?

A Erecção

estatua-conego-melo-ereccaode uma estátua é sempre um momento significativo da vida colectiva das cidades e sociedades.
© Henrique Botelho

As subvenções não são um direito adquirido

Como muito bem lembra a Clara no Expresso. Pelo menos, não são um direito maior e adquirido que os 10% que querem roubar a quem recebe 601 euros por mês. Nesse sentido, é defensável que todos os políticos fiquem sem a sua subvenção pelo exercício de cargos partidários e recebam apenas a reforma que resulte dos seus descontos.

E podem começar por cortar aos que fizeram negócios com o BPN, por exemplo, o Senhor Presidente e o Senhor Ministro. Sim, esse mesmo, o que comprou, para ele a um euro, mas que para a sua “empresa” comprou a 2,2. Um excelente gestor, estou certo. Tão excelente que até é nomeado Ministro.

Pelos Machete’s deste país, acabe-se com a subvenção, com efeitos retroactivos, dos políticos.

Comadres zangadas

O PSD de Gaia tem sido uma anedota, quase tão grande como o PSD nacional. De manhã vão com um, à tarde com outro. swapgaiaPodes, meu caro Estrangeiro (relativamente a Gaia, claro) vir apontar a não filiação partidária do Aguiar. Tens razão do ponto de vista técnico, mas sabemos ambos que ele e quem está com ele são do PSD, com ou sem cartão. Sabemos, até, que a maioria dos que o acompanham são ainda militantes do PSD. Confesso que não sei se a Direcção do PSD de Gaia está com um ou com outro, ignorância minha. Palpita-me que alguns vão esperar mais uns dias para escolher o que vai perder por menos.

Mas, o que me leva a rir com mais intensidade são as zangas entre as comadres. O Aguiar espetou a faca e quem com ferros mata, com ferros morre. Com a Swap do Aguiar foram 370 mil euros que foram ao ar e apenas para despesa corrente, isto é, a aldrabice foi usada para tapar buracos na Gestão do Aguiar e não para investimentos de longo prazo. E esse é o maior erro. Mas, diz-se por cá que o novo chefito do PSD é também pai de coisas do mesmo calibre ou, diz-se, ainda piores. Será que as vamos conhecer também? [Read more…]