Só no ano passado emigraram 110 mil portugueses. Note-se: só no ano passado.
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.
Só no ano passado emigraram 110 mil portugueses. Note-se: só no ano passado.
Tudo a correr como previsto: desmantela-se uma empresa pública até que esta pareça inviável, vende-se em seguida a interesses privados.

Partiu o homem do Pantanal, o sábio da terra e dos bichos, aquele que propôs como definição de poeta “um sujeito que em vez de mexer com borboletas, pedras, caracóis, mexeria com as coisas úteis”.
Sim, um médico político-partidário. Entre 11 e 18 mil euros pagos por si, claro! Taxas moderadoras não-incluídas.
– pergunta, com um ar severo, Cavaco. Bem, entre outras coisas, se bem me lembro, andaram a ser condecorados por ti, Aníbal.

Morreu Fernando de Mascarenhas, um homem de cultura, um democrata, uma boa pessoa. Conheci-o em Coimbra, quando veio passar aqui um ano na Faculdade de Letras sobretudo para, segundo as suas palavras, assistir às aulas de filosofia de Victor de Matos. Pessoa simples, que nunca ostentou os numerosos títulos nobiliárquicos associados ao seu nome – aos quais, de resto, não dava mais importância do que merece, como para qualquer de nós, por respeito, o nome da família – morou num andar modesto na Solum – um 4º andar sem elevador; sei disso porque morava ao lado – e convivia com os estudantes da oposição, na altura em que estavam em gestação as lutas de 1969 na Academia, processo que acompanhou e com o qual foi solidário ao ponto de dar guarida no palácio de Fronteira a estudantes que se haviam deslocado a Lisboa para, na final da taça de Portugal em que participava a Académica, fazer uma manifestação contra a ditadura. Isso valeu a Fernando de Mascarenhas a fúria de várias instâncias do regime, como se pode ver consultando os jornais da época. Perdeu-se um bom homem.

Este post é um pouco ego-centrado mas a culpa é das legionellas. É, portanto, um post onde também se sacode a água do capote. Juntasse-lhe eu umas mentiras e tinha o perfeito discurso político. Mas como não é o caso, e chegando de interlúdios, como este, vamos ao que interessa.
Tenho rinite alérgica desde que me recordo, o que desde cedo me afastou de livros velhos. Não imaginam a inveja que tenho de quem se gaba do prazer das descobertas que fazem por entre páginas amarelecidas pelo tempo e pelos ácaros. Esses, os quais só de pensar neles, quase me fazem espirrar.
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Por conta do Luxemburgo Leaks fala-se de evasão fiscal, das técnicas e truques que as grandes empresas usam e abusam para reduzir os seus impostos a um mínimo ridículo, laborando em vários países da Europa e criando uma sede fictícia no Luxemburgo, Holanda ou Irlanda. São os países canalhas, que utilizam a UE para ganhar uns cobres à custa de empresas que usam as estradas dos outros, as redes de água ou sanemento dos outros, o vasto etc que os nossos impostos pagam, incluindo, pasme-se subsídios estatais.
Uma excelente reportagem feita a partir de França onde se pode igualmente observar como a casta alimenta os seus políticos, e a partir da qual bem se pode concluir que esta UE terminará sempre destruindo os países mais fracos.
Apesar de aproximadamente 99% da população mundial não ter condições para contratar um profissional do lobby, existe sempre aquele 1% disposto a financiar um Miguel Relvas pelos mais variados motivos. Quer sacar fundos europeus para seu benefício? Crie uma ONG de fachada e contrate um “abridor” de portas num dos partidos do arco (o modelo Passos Coelho já provou ser altamente eficiente). Quer controlar um país no quintal do seu arqui-inimigo? Contrate um Poroshenko, encomende um vídeo emotivo com uma menina bonita e a extrema-direita fará o resto. O dono do quintal zangou-se e a coisa evoluiu para sanções que prejudicaram a sua empresa? Contrate dois senadores norte-americanos na reserva e eles resolvem por si em Washington. Dirige um regime autoritário oficial com inclinação para o anti-semitismo? Não há problema: contrate você também um antigo senador norte-americano para que ele defenda os seus direitos junto do centro do império. Ele era activista anti-anti-semita e o seu novo emprego poderá causar constrangimentos? Também não há problema. (Almost) No one cares!
Bem vindo ao admirável mundo do lobby. Seja corrupto, prejudique milhões, contribua para a morte de outros tantos ou simplesmente ajude a destruir a sua economia. É fácil e ainda se habilita a chegar a primeiro-ministro ou presidente da república.
mas já promete ser uma anedota com o desfecho habitual. Para já ficamos com as recusas do Banco de Portugal, da CGD e do Novo Banco em disponibilizar os documentos requeridos pelos deputados. À vontade do freguês!
Moscovo e Teerão firmam acordos para reforçar a capacidade nuclear do regime dos ayatollahs. Tudo para fins civis, claro!
Enquanto se discute a taxa turística, que os outros pagam, os lisboetas não reparam nas que subiram e vão eles pagar. O Costa sabe
Lisboa, Avenida da Liberdade, caia a noite. Ele caminhava pausadamente pela rua, com ar disponível. Ouve-se uma voz feminina dengosa e sensual: “Querido, queres companhia?” “Quanto?” – pergunta ele. “São duzentos, pagas o quarto e as novas Taxas de Turismo e de Segurança”.

© Chris Ryan/Getty Images (http://bit.ly/confeção_fecção)
Neste apontamento, o Expresso refere-se a “pratos de confeção acessível”. No entanto, confeção é palavra inacessível a qualquer leitor de português europeu. Aliás, o mesmo acontece a qualquer leitor de português do Brasil. Segundo o Houaiss (sim, aquele), confecção significa:
1. preparação (de um medicamento); confeição
1.1 o remédio assim preparado; eletuário
2 acabamento ou conclusão de algo
Ex.: a c. de um livro
3 Derivação: por metonímia.
roupa feita em fábrica, que se adquire pronta (freq. us. no pl.)
Ex.: ela revende confecções
4 Derivação: por metonímia.
fábrica, de porte médio ou pequeno, que confecciona roupas (de vestuário, cama, mesa ou banho)
Ex.: há muitas c. em Petrópolis
Por seu turno, a Folha de S. Paulo diz-me
Atenção
Nenhum resultado de busca encontrado para a expressão confeção.
Isto é, confeção só existe aqui. Contudo, há uma diferença do tamanho de um ‘Atenção’ da Folha de S. Paulo entre confeção [kõfɨˈsɐ̃ũ̯] e confecção [kõfɛˈsɐ̃ũ̯]. Ou seja, de facto (sim, de facto), confeção não existe. Confessem lá: este AO90 está a correr mal, não está?
Se o Porto nunca nos cobrou portagem, porque raio Lisboa decidiu agora cobrar-nos lisboagem?!
(foto roubada a um artigo do João José Cardoso altamente recomendado no âmbito das origens da problemática da mordomia política)
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Enquanto a propaganda da escumalha nos continua a vender uma governação cada vez mais rigorosa que contém a despesa ao mesmo tempo que opera um milagre económico que faz de Portugal um país melhor cujo único problema é ter pessoas que estão pior, o mundo real vai-nos dando chapadas diárias na cara, chapadas essas que pouco ou nada afectam o eficazmente domesticado português, sempre ocupado com questões prioritárias como a rotatividade de Lopetegui, as polémicas curvas de Jéssica Athayde ou esse “curral” a que dão o nome de Casa dos Segredos (notem que o termo “curral” foi usado precisamente por um concorrente do reality show fazendo referência à saída das concorrentes femininas do seu quarto – “as vaquinhas saíram do curral” – termo que foi de resto imediatamente incorporado pelas simpáticas concorrentes que imediatamente cantaram a sua bovinidade). Ser aldrabado é fetiche nacional e contra factos não há argumentos. São desígnios.
David Rodrigues, Professor Universitário e Presidente da Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, escreve, hoje, no Público, um texto com cujo conteúdo concordo em absoluto, criticando a vigência de uma mentalidade paleo-liberal com efeitos perniciosos sobre a equidade em Educação, ou seja, sobre a Educação na vida democrática. Recomendo vivamente a leitura.
David Rodrigues adoptou o chamado acordo ortográfico (AO90). Não sei, é claro, por que razão o faz ou se tem alguma razão para o fazer. Não posso deixar de lamentar, no entanto, que alguém com opiniões tão acertadas sobre Educação opte por utilizar um instrumento cujas deficiências de concepção só podem provocar efeitos negativos na escrita e, portanto, na Educação. [Read more…]
Ou apenas um estratega e recuperar do esmagamento eleitoral da semana passada? É que isto de enfrentar lobbies não acontece todos os dias…
A Comissão Europeia liderada por Juncker pediu informações ao Luxemburgo sobre os esquemas de fuga aos impostos aprovados e assinados pelo antigo-primeiro-ministro Juncker. O mesmo Juncker que não está disponível para responder às perguntas dos eurodeputados.
Não faltava mais nada, leis a vigiarem a qualidade do ar interior. O ar, interior e exterior, regula-se pelo mercado, um tem legionella, outro não, quem vença o mais forte.
O surto de Vila Franca de Xira até pode ter outra origem, mas entende-se bem nesta notícia do Público, não disponível online, que aqui funcionou o lóbi das grandes superfícies e outros espaços, que passaram a poupar uns cobres em inspecções. Mais um exemplo do neoliberalismo enquanto ideologia criminosa, onde o lucro vence a prevenção e a saúde pública.

Adenda:
Era para reportar um caso grave de heresia. Podemos acender a fogueira?
Anda pela nossa extrema-direita dita liberal uma vaga de revisionismo histórico (ou de regresso à historiografia à moda do séc. XIX, mas essa deixo para outro dia).
Agora é o Ferreira, putativo candidato a salazarinho que quer fazer “fazer uma carta aberta aos portugueses a explicar porque é que a história é muito maior do que se diz. Escrever uma carta aos portugueses sobre “A tua história foi muito maior do que te dizem”, por exemplo. É que nós somos mesmo bons.” Modéstia e ignorância.
Já o ex-maoísta, ex-pioneiro do eduquês de Boston, ex-formador de professores mal formados, ex-autor de um blogue que apagou porque ali defendeu a escola pública contra os ataques da dupla Valter/ Rodrigues, aliás também ex-apagador de calúnias sobre um conhecido cronista que se lixe a colega que as reproduziu e deu com os costados em tribunal, e actual e único grande defensor do Crato e do “ensino” vocacionado para a mão-de-obra desqualificada e barata, Ramiro Marques, vem em defesa, imaginem, de Putin, e proclama que o Ocidente tem motivos para se orgulhar do seu passado e para celebrar os seus valores comuns. Não há sítio melhor para fazer isso do que as escolas. [Read more…]
Mira Amaral acusa o governo de usar a fiscalidade verde para sacar mais impostos aos contribuintes. Sacam-nos tudo…
As ramificações do esquema em Portugal.
de Fernando Ulrich. Aguenta camarada!
Esta manhã publiquei um parágrafo retirado de um texto que Rui Bebiano escreveu e publicou no seu A Terceira Noite. Reedito agora este post e, com a autorização do autor, publico o texto na íntegra, para que o contexto em que esse parágrafo se insere não se perca. Em favor, também, de um debate urgentíssimo para as esquerdas, que o texto de Rui Bebiano, que não é um homem de direita, suscita. [S.A., 14:00]
Quatro notas sobre a queda do Muro
1. Vinte e cinco anos após a derrocada do Muro de Berlim, boa parte do seu cenário permanece na nossa memória partilhada. Mais que uma incomum fronteira física, ele constituía uma metáfora, e as metáforas não se apagam a meros golpes de vontade e picareta. Do lado ocidental, uma pesada vedação de 155 quilómetros contornava todo o perímetro da parte da cidade que não fora ocupada pelo Exército Vermelho. Era possível tocar o betão que lhe dava solidez, sobre ele podiam pintar-se palavras de ordem, escalando até uma posição confortável conseguia observar-se de longe o hermético «Leste». Do lado oriental, o Muro era cinzento e deprimente, eriçado de arame farpado, ladeado por uma terra de ninguém minada e perigosa para qualquer leste-alemão que tentasse uma mera aproximação ao carcinoma do capitalismo. Em cada metade de Berlim, viva-se uma existência esquizofrénica que concebia a realidade a partir de duas escalas que simultaneamente se olhavam e ignoravam. Como se uma não pudesse viver sem a outra, aceitando-se na certeza de que a proximidade se materializava numa distância que condenava cada modelo à inflexível clausura. O Muro representava a metáfora suprema da simetria que a Guerra Fria impunha. [Read more…]
Um filme de Wolfgang Becker, ficha IMDB, legendado em português (mas com um erro crasso na tradução de RDA/RFA).

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
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