Rui Rio oficializou o que todos já sabíamos: os actos eleitorais internos do PSD são uma fraude

RR

Fotografia: Nuno Veiga/Lusa@Público

Continuo a ter algumas reservas em relação a Rui Rio, mais ainda em relação a algumas das pessoas que o rodeiam. Mas que há mudanças inegáveis face ao PSD anti-social-democrata de Passos Coelho, disso não tenho a menor dúvida. E ontem tivemos mais uma prova disso mesmo.

Corajoso – sim, é preciso coragem, principalmente quando se promete um banho de ética num partido como o PSD – Rio afrontou o poderoso lobby do caciquismo que domina o seu partido e afirmou, em comunicado, que o tempo do pagamento de cotas “por atacado” chegou ao fim, referindo ainda tratar-se de “uma prática que se arrastava há muitos anos e que era utilizada ilicitamente para tentar comprar votos e manipular os resultados eleitorais”.

Já era tempo de vermos o líder do PSD confirmar o óbvio: que as eleições internas do seu partido são uma fraude. Uma fraude que, sendo operada por uma corte de caciques, não isenta de culpa todos os que nela participaram. Todos, sem excepção. Resta saber como está Salvador Malheiro a digerir a situação.

Read my lips

Não há dinheiro para nada.

Presidente do Novo Banco admite que poderá não ser a última vez que os portugueses são chamados a contribuir

Novo Banco vai pedir 1,15 mil milhões de euros ao Fundo de Resolução

Obrigado Sr. Passos, que prometeu o que todos sabiam que não ia acontecer, o que não impediu toda a clique laranja e betinha azul de lançar louvores. Obrigado Sr.ª Cristas, que assinou de cruz sem ler, possivelmente entre uma trinca no gelado de limão depois da saída de um mergulho na praia. Obrigado Sr.ª Maria Luís Albuquerque, que zelou muito bem pelos interesses de alguns, excepto dos cidadãos em geral, ou na linguagem da direita, dos contribuintes.

Obrigado ao Sr. Costa e ao Sr. Super-Mário, que faz inveja pela Europa, mas que não tem pejo em continuar a ser caloteiro com várias classes profissionais e com fornecedores, que tem seguido implacavelmente a política do corte, tendo os serviços em rotura clara, mas que mesmo assim lá vai usando o dinheiro que não gasta onde é preciso para tapar o buraco da banca, que já soma 17 mil milhões. Não há dinheiro para nada, excepto se for banca.

Há, neste cenário maravilhoso, uma questão sem resposta. Para onde foi (e está a ir) o dinheiro? Sabemos muito bem que o dinheiro não se evapora, pelo que simplesmente está a mudar de mãos. Para quem?! Vamos precisar de esperar 10 anos, quando tudo já tiver prescrito, tal como na CGD, para a Porcaria, perdão, Procuradoria-Geral da República investigar, perdão, fazer sair umas parangonas sobre sicrano e fulano terem enchido a continha no offshore, seguindo-se a inevitável comissão de inquérito, unânime e inconsequente?

Não há dinheiro, uma porra.

[editado]

Zero à esquerda e à direita

Com um raciocínio maquiavélico, Marcelo pergunta aos professores se dois é mais do que zero. A questão não é assim tão simples, como poderá saber quem queira saber (lendo, por exemplo, um texto do Paulo Guinote): a solução escolhida pelo governo, para além de sonegar aos professores o pagamento de uma dívida, acrescenta injustiças ao provocar ultrapassagens na carreira. Marcelo, embora simpático, é o criado que atira uma moeda aos alperces da pobre hortaliceira de Cesário: “Se te convém, despacha; não converses./ Eu não dou mais.”

O PSD, pela voz igualmente maquiavélica de David Justino, declara que não cairá na armadilha do Bloco de Esquerda, fazendo de conta que está do lado dos professores e fingindo que está contra o governo, alegando, ainda, que repor o tempo de serviço por via legislativa poderá ser considerado inconstitucional. O PSD, como se sabe, tem um passado recente de respeito cego pela Constituição.

Entretanto, a Plataforma Sindical prepara já a organização da habitual vigília, da costumeira manifestação e da usual luta que fechará para férias. Os inimigos dos professores e da Educação são, assim, o governo, os sindicatos, a maioria dos partidos e uma grande parte (a maioria?) dos professores.

Não estou optimista e, o que é pior, já começo a não estar preocupado. Se for só eu, talvez não seja mau sinal. Sinto-me a regressar aos tempos infantis em que deixava a outra equipa meter golo, quando havia um contra-ataque, porque os mamões dos meus colegas ficavam quietos lá à frente.

Alcouce, sim, mas com cedilha, claro

I’m a scientist. I never apologize for the truth.
Sheldon

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Depois de uma introdução com terramotos para encher chouriços, Cristina Ferreira disse a Marisa Matias que não se conseguia fixar o nome da localidade onde a entrevistada cresceu.  Note-se que Ferreira não disse “é um nome difícil de eu memorizar/é um nome difícil para mim de memorizar/é um nome que eu não consigo memorizar”. Não. Ferreira disse: “é um nome difícil de memorizar” — ou seja, para ela, para mim, para si, caro leitor do Aventar. E Ferreira terá alguma razão, pelo menos, no que diz respeito à equipa daquele programa, a julgar pela memória grafémica do autor daquele Alcouçe, que não terá lido com cuidado qualquer biografia da entrevistada e, pior, não aprendeu a regra cacecicocu [kasɛsikɔku]. Isto é inadmissível, num programa em que o salário da apresentadora parece ser o assunto mais candente. em vez de se discutir o salário (ou a péssima remuneração) e o curriculum (ou a licenciatura na University of Westfield Online) do redactor dos rodapés e dos oráculos.

Quanto ao sítio do costume,

tudo bem.

***

Contentores políticos

Conheço bem o “Joãozinho”, nome pelo qual é conhecida a ala pediátrica do São João. Já o conhecia antes de ser arma de arremesso eleitoral. Desde que aqueles contentores foram montados, que nunca teve condições para ser ala pediátrica de coisa nenhuma. É uma das maiores vergonhas nacionais e é ilustrativo do SNS cativado do ministro Centeno, que os alemães e os burocratas europeus tanto elogiam. Mas ver o Dr. Negrão, líder da bancada parlamentar do PSD, expressar a sua indignação, porque hoje desceu à terra e descobriu o Joãozinho, é de uma hipocrisia revoltante. Aquilo naquelas condições há anos, durante os quais o partido do senhor nunca mexeu a ponta de uma palha para corrigir situação, e o cavalheiro só agora deu conta. Mais vergonhoso do que a situação no São João, só mesmo a mediocridade da esmagadora maioria da nossa classe política. Temos contentores provisórios onde devíamos ter estadistas.

Portugal, um país de brandos costumes onde se espancam mulheres ao abrigo da lei

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Extracto do acórdão do Tribunal da Relação do Porto assinado pelo juiz Neto de Moura

Em Portugal, um indivíduo que deseje rebentar com o tímpano da sua mulher ao soco pode fazê-lo, sem que tal resulte em consequências particularmente relevantes para a sua existência. Foi o que aconteceu recentemente com um desses indivíduos, a quem foi aplicada pena suspensa de dois anos e oito meses, e ao qual o célebre juiz desembargador Neto de Moura decidiu retirar a pulseira electrónica, porque, na República das Bananas Portuguesas, a aplicação da pulseira electrónica, em casos como este, segundo pude apurar, depende da vontade da indivíduo que se entretém a espancar da sua mulher. O que, convenhamos, faz todo o sentido. Era o que mais faltava, um homem não poder rebentar com o tímpano da mulher ao soco, no recato do lar, e ainda ser forçado a usar uma pulseira electrónica, como se de um criminoso se tratasse. Se não se põe mão nelas, qualquer dia querem salários e direitos iguais. O que nos vale são mulheres como Joana Bento Rodrigues, que estão cá para nos recordar que o lugar da mulher é na cozinha.

O camarada Espártaco

Morreu Arnaldo Matos. Percebeu muito cedo o poder da comunicação. Os painéis, os murais, as pichagens nas paredes, os comunicados porta a porta, etc. Agitação e Propaganda.

Recentemente descobriu o Twitter.

Já em 1975, enquanto Secretário-Geral do MRPP tinha lançado uma grande campanha de angariação de fundos para a aquisição de meios técnicos de impressão.

O slogan: “A revolução precisa de fundos como a boca precisa de pão!”

Aqui fica um testemunho dessa campanha (e não, o original do talão não vai para o Ephemera do Pacheco Pereira).

Paula, despejada e sem talento

Paula

Foto via Esquerda.net

Paula, uma reclusa a cumprir pena por tráfico de droga em Santa Cruz do Bispo, foi despejada pela CM do Porto, apesar de, segundo pude apurar, nunca ter deixado de pagar a renda e as contas. Foi despejada porque a autarquia quis e tem poder para o fazer. Mandou retirar os seus bens da habitação, no chiquérrimo Bairro do Lagarteiro, trocou a fechadura e deixou mais uma casa vazia, numa cidade de preços exorbitantes onde tantos dormem na rua. Agora, Paula e os seus três filhos ficaram sem tecto. É a sociedade civil a fazer o seu papel e a reinserção social a funcionar em pleno. [Read more…]

La famiglia

Esta semana assisti a duas reportagens que indignariam cidadãos em qualquer país, desde que existisse dignidade como é óbvio. A triste verdade é ser mais fácil em Portugal que as pessoas se indignem com a contratação da filha e genro de Donald Trump, ou qualquer falta de ética dos filhos de Bolsonaro, do que se incomodarem com a triste realidade de quem nos governa. Para os socialistas, o partido parece ser o Estado, seguramente que o Estado pertence ao partido.
Num concurso público para contratação de funcionários, a câmara municipal de Elvas conseguiu preencher um terço das vagas com familiares do presidente da câmara ou vereadores. Em Pedrógão Grande, além da contratação de funcionários com laços familiares, ficámos a saber que até a ajuda dos portugueses às vítimas de incêndios, foi desviada para amigos e familiares, não faltando quem aproveitasse para trocar de frigorífico ou televisão à custa da generosidade dos portugueses. [Read more…]

CTT, o ex-líbris das privatizações

Quando a fome de lucro fácil, talvez alimentada pela possibilidade de futuros ganhos pessoais, ditou o caminho das privatizações das empresas públicas, o principal argumento usado pelos sacerdotes da mudança era o da eficiência da gestão privada. No entanto, assistimos, por exemplo na EDP, a um monopólio ser transformado noutro monopólio, com os preços a manterem o mesmo rumo de crescimento.

No caso dos CTT, além desta realidade, ainda se assistiu à degradação da qualidade do serviço, sem sequer ter existido a promessa de melhores ou mais baratos serviços. Privatizou-se porque o negócio dava lucro e era preciso dinheiro para os bancos.

Desde que essa infalível gestão privada chegou aos serviços postais, a empresa passou de caso de sucesso para um mar de reclamações, num mercado a crescer exponencialmente com o comércio electrónico. Como se tal não chegasse, os CTT foram apanhados pela ANACOM a mentir quanto ao volume de reclamações.

É o que poderemos esperar quando as razões da mudança são apresentadas em forma de camaleão (sem ofensa para os bichos).

Marcelo e a $aúde

Marcelo Rebelo de Sousa descuida-se, de vez em quando, do seu habilmente construído papel de pater familiae e lá sai uma ameaça, uma palavra mais tóxica, uma insinuação pérfida. A sua última declaração sobre o debate da Lei de Bases da Saúde, que poderíamos resumir em “ou chegam a consenso ou estão a pôr em risco a ADSE”, não só é uma pressão intolerável sobre a AR como é tentar navegar a ignorância de muitos portugueses, sempre prontos a puxar do preconceito e do estereótipo.

Não acredito que este argumento de curto prazo e pernas ainda mais curtas agrade mesmo àqueles que parece servir. É que, verdade seja dita, a ADSE não só é perfeitamente sustentável com as contribuições dos seus associados como é – juntamente com a Segurança Social – um verdadeiro saco azul onde todos os governos vão metendo a mão para compensar desmandos orçamentais. Desde que os descontos para esse instituto treparam de 1% para 3,5 %, então, tem sido um fartote. Além disso, os funcionários públicos, além de pagarem por determinados direitos com este desconto, ainda contribuem, com os seus impostos, para o Serviço Nacional de Saúde de todos. Contribuem duplamente, portanto. [Read more…]

A grande família socialista

José António Vieira da Silva, ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, é casado com Sónia Fertuzinhos, deputada do PS, e pai de Mariana Vieira da Silva, recentemente nomeada ministra por António Costa.

Ana Paula Vitorino, ministra do Mar, é casada com o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.

Carlos César, líder parlamentar da bancada socialista, tem a mulher, o filho, a nora e o irmão em cargos de nomeação política.

Qualquer semelhança com uma monarquia, ou com um regime onde o nepotismo impera, é mera coincidência.

Era uma vez uma grande empresa, outrora pública, destruída pela ganância e incompetência privada

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Imagem via Público

Os CTT eram uma empresa pública rentável, que servia os portugueses e enchia os cofres do Estado, porque chegava a todo o lado e, pasmem-se, dava lucro. Por motivos exclusivamente ideológicos, o governo Passos/Portas decidiu privatiza-la por meia-dúzia de tostões.

Infelizmente, porque o sector privado é tão falível como o público, os CTT são hoje uma sombra daquilo que um dia foram. Fecharam balcões – este ano serão 48, o número de municípios sem um posto dos CTT, todos no interior – despediram centenas de trabalhadores, viram os seus resultados financeiros cair trimestre após trimestre, mas, ainda assim, não deixaram de distribuir milhões aos accionistas. Capitalismo selvagem e predador em todo o seu esplendor. [Read more…]

Odorico Paraguaçu é o Secretário de Estado da Energia

Odorico Paraguaçu é uma personagem aparentemente ficcional (porque é a realidade que, de tão absurda, parece verdadeira ficção). Odorico ganhou as eleições para a prefeitura de Sucupira, graças ao seu verbo e à promessa de criar um cemitério. Este espaço, depois de inaugurado, ficou às moscas, porque as pessoas insistiam em não morrer, para raiva e desgosto do prefeito.

João Galamba, uma criação socrática reciclada por António Costa, deslocou-se ao concelho da Guarda, na qualidade de Secretário de Estado da Energia, e, anunciando investimentos na região de uma empresa chinesa conhecida por EDP, levantou o queixo na direcção dos munícipes, exigindo-lhes que consumam mais, quase anunciando que, caso não o façam, serão mal agradecidos. Se coubesse ao Estado abrir bordéis, sendo Galamba secretário de Estado da prostituição, imagino o que estaria a exigir, neste momento, aos habitantes da Guarda.

Já se imagina, entretanto, nos lares egitanienses, as reprimendas que os pais passarão a dirigir aos filhos: “Então tu, minha besta quadrada, vens para a sala e apagas a luz da cozinha? Tu queres a ruína da Three Gorges, queres que o senhor Mexia tenha menos uma gravata  e que o senhor Galamba receba um puxão de orelhas do senhor primeiro-ministro? Vá lá acender a luz e aproveita e liga dois aquecedores, já! O que é que disseste?! Estamos no Verão? Ó rapaz, tu até me tiras do sério, pá! Vais já de castigo para o teu quarto e ligas o computador, a televisão e a playstation! Eu que veja que está escuro, meu animal!”

Dias Gomes está às voltas na tumba, triste por descobrir que, afinal, a realidade é um guionista verdadeiramente genial: Galamba será menos tétrico, mas não fica atrás de Odorico.

Tudo bons autarcas IV – o Lexus LS500h do Dr. Malheiro

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Salvador Malheiro é vice-presidente do PSD e um dos homens mais próximos de Rui Rio, o tal que há uns meses prometeu ao país um “banho de ética”. Salvador Malheiro é também presidente da CM de Ovar, um município de pequena/média dimensão, que paga 2000€ por mês para que o senhor Malheiro se passeie num confortável e moderno Lexus LS500h, viatura que alegadamente terá usado para participar em reuniões do PSD, estando por isso a ser alvo de uma investigação conduzida pelo DIAP de Aveiro. [Read more…]

Quem investe num país dirigido por comunistas? As multinacionais que fazem fila para se instalar em Lisboa

Aventar

Pelos vistos, e apesar do Diabo que um dia ainda há de chegar, existe, segundo o semanário Expresso, uma fila de dezenas de multinacionais à espera de uma oportunidade para se instalar na capital desta infame ditadura governada pela implacável frente de esquerda.

Fica, portanto, provado, uma vez mais, que o capital não escolhe ideologias. Escolhe em função dos ganhos que pode obter. Esteja quem estiver no poder. Como se explicam estas coisas nas universidades de Verão é que é algo que me ultrapassa. Mas deve ser um exercício interessante de se ver.

Portugal a saque

Não bastavam os partidos políticos, temos também a Igreja Católica, para mais num país que se diz laico. Ao que parece o favorecimento vem dos tempos em que Cavaco Silva era primeiro-ministro, de então para cá, sucessivos governos de António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes, José Sócrates, Passos Coelho e António Costa, nada fizeram para alterar a aberração de conceder isenção fiscal a uma Universidade que deveria concorrer com as demais. Há uns tempos indignaram-se por uns crucifixos nas salas de aula, apenas tostões, já que sobre os milhões não ouvimos uma palavra aos políticos ao longo dos anos.

LIVRE, Iniciativa Liberal e Aliança: descubra as diferenças

PSL

Fotografia: Nuno Ferreira Santos@Público

O LIVRE existe desde 2014, participou em quatro actos eleitorais e é praticamente ignorado pela comunicação social.

O Iniciativa Liberal existe desde 2017, apesar de não ter ainda participado em qualquer acto eleitoral, e é literalmente ignorado pela comunicação social.

O Aliança existe há três meses e meio e teve um batalhão de jornalistas a acompanhar o congresso deste fim-de-semana. Teve ampla cobertura na imprensa escrita, com destaques de primeira página, e directos nos vários canais noticiosos.

Tal como o Aliança, o LIVRE e o Iniciativa Liberal também realizaram, recentemente, os seus congressos, dos quais praticamente não se ouviu falar. A diferença é que o Aliança, liderado pelo mediático Pedro Santana Lopes, que há um ano queria liderar e unir o PSD, é feito de dissidentes influentes e poderosos desse mesmo PSD. E poucas coisas são tão ilustrativas da forma como o regime trata os seus. Os outros que se amanhem, que este país não é para novos.

A falta de maneiras de Seguro Sanches

O ministro dos negócios estrangeiros salientou “que a State Grid (a energética chinesa e principal acionista da REN) tem sido “um parceiro fiável e não trouxe nenhuma dificuldade”, tal como aconteceu noutras empresas, com maioria de capital em mãos chinesas como a EDP ou o BCP, onde “a intervenção [chinesa] foi no sentido de estabilizar os acionistas”.

Sem dúvida, estabilizar os accionistas e atacar o estado quando as decisões deste não lhes convêm. Patente no caso da EDP, seja por meio de ameaças de recorrência ao ominoso mecanismo arbitral internacional investidor-estado (ISDS), seja agora por meio de um tribunal nacional. Os investidores estrangeiros estão à vontade, têm acesso às duas vias, opcionalmente, simultaneamente ou consecutivamente. Um direito todo exclusivo que assiste a actores globais deste calibre.

Aliás, às tantas, na visão do ministro esta “dificuldade” não foi causada pelo “parceiro fiável”, mas pelo desplante do ex-secretário de estado da energia, Jorge Seguro Sanches, de enfrentar o “parceiro fiável” para defender os cidadãos. Tudo por uns ridículos 285 milhõezitos que a EDP foi obrigada a devolver (o suficiente, por exemplo, para financiar durante um ano o funcionamento de 250 escolas).

De facto, Seguro Sanches não foi nada diplomático, pois não?

Para os cidadãos, fica o pagamento das facturas, sem esquecer as das custas judiciais. Não, sr. ministro, nenhuma dificuldade à vista.

Isaltino Morais na festa da SIC: tudo está bem, quando acaba bem

SIC

Fotografia: Tiago Miranda@Expresso

A SIC tem uma nova casa, em Paço de Arcos, e, como seria de esperar, fez uma festa de inauguração à qual nem Marcelo Rebelo de Sousa faltou, quiçá na esperança de se cruzar com a amiga Cristina, que a senhora deve ser mais difícil de apanhar do que o próprio Presidente da República. [Read more…]

A postos

Aguardo ansiosamente o momento em que Santos Silva nos convoque para levar a democracia e os direitos humanos a Alcácer-Quibir.

As reivindicações dos enfermeiros são justas?

Esta é a pergunta cuja resposta interessa verdadeiramente conhecer. O problema, no entanto, está no muito ruído que é gerado à volta das greves.

António Costa considerou que a greve dos enfermeiros é “ilegal” e “selvagem”. O primeiro-ministro tem direito à sua opinião, embora o segundo adjectivo seja demasiado sensacionalista para que possa ser usado de modo leviano. Sendo licenciado em Direito, estará obrigado também a usar com parcimónia um termo como “ilegal”.

Os políticos, quando estão no poder têm, sobre greves, o mesmo discurso redondo: não está em causa o direito à greve, mas ou é injusta (mesmo selvagem) ou as reivindicações não poderão ser satisfeitas, porque o défice iria ser agravado, ou não é a altura ideal para se fazer greve. Os mesmos políticos, na oposição, são a favor das justas reivindicações dos trabalhadores e fazem de conta que não são igualmente culpados da destruição do sistema.

A Comunicação Social, nestas alturas, prefere o óbvio e entrevista os utentes que estão a ser prejudicados pela greve, como se houvesse greves sem incómodos. Há, com frequência, histórias de alguém que se tinha levantado de madrugada para ter uma consulta por que esperava há meses. Curiosamente, a Comunicação Social perde muito menos tempo a investigar os milhares de casos de pessoas que precisam de madrugar nos Centros de Saúde ou de consultas que só têm lugar muito tempo depois de serem marcadas. [Read more…]

Segredo bancário?

A posse de 50 mil euros é argumento suficiente para obrigar os bancos a informarem o Estado deste facto. Já as perdas multimilionárias do banco do Estado não merece que esse mesmo Estado tome conhecimento do nome dos devedores.

O segredo bancário está ao nível de outros aspectos do actual panorama político, tais como o fisco e a justiça. Forte com os fracos e fraco com os fortes.

“Fiquei chocado com o que vi, independentemente dos números, datas ou nomes que lá estejam, mas que estão em branco. É de uma relativa opacidade face ao esforço que os portugueses fizeram com cinco mil milhões de euros de impostos”, salientou Rio.

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Gente perigosa

Não é só o retomar da indústria do carvão, com todos os problemas ambientais associados. Não é só o racismo e misoginia abertamente declarados. Não é só o constante ataque ao jornalismo. Não é só o tomar de posições de força, unilaterais, dignas de qualquer ditadura de esquina. Não é só o entusiasmado apoio à indústria das armas. Não é só a quebra de acordos entre aliados. Não é só o fascínio por regimes ditatoriais.

É tudo isto e um ego à frente de qualquer outro interesse, aliado à escolha das opções que potenciem o negócio. Um bronco capaz de colocar o mundo em pantanas porque uma jornalista o adjectivou de cobarde. Gente perigosa.

Imagem: The Washington Post

O campeão?

Este é o décimo segundo diploma vetado por Marcelo Rebelo de Sousa. Mais os avisos.

O sonso e a lei

Nuno Veiga/LUSA

A argumentação – acompanhada por uma ameaça de veto – com que o presidente da República pretende sustentar a sua exigência de uma Lei de Bases da Saúde à medida dos seus desejos, é um rosário de falácias e equívocos.

1- As leis em que se tem fundado o Serviço Nacional de Saúde nunca foram obtidas pelo consenso agora tão desejado por Marcelo. Foram sempre suportadas por convicções e votadas por partidos determinados com objectivos determinados. O próprio PR, tendo sido líder de um dos partidos em causa, e tendo ele próprio tomado posições – ideológicas, claro está – sobre a matéria, sabe disso perfeitamente. Estar agora a exigir um consenso geral, uma votação para a eternidade – quiçá com todos os partidos a votar a favor – configura uma nebulosa e demagógica patranha na qual só são claros os interesses a servir. [Read more…]

Com a Saúde brinca-se

Concorrência, meritocracia, eficiência e outros chavões aparentemente virtuosos foram o cavalo de Tróia que permitiu que os privados deitassem a mão a áreas essenciais da sociedade, como a Saúde ou a Educação. O empresarialês é a linguagem que tudo explica, disfarçando o que não é mais do que a sede de lucro. O gestor-economista-empreendedor-consultor é o guru da boa nova, a luz que guiará os ignaros.

Marcelo Rebelo de Sousa defende a existência de consensos no que se refere ao Serviço Nacional de Saúde, deixando a ameaça vetar o projecto de Lei de Bases da Saúde, caso não conte com voto favorável do PSD. Há pouco tempo, Luís Filipe Pereira, economista, claro!, e antigo ministro da Saúde de Passos Coelho, defendeu que deve haver mais parcerias público-privadas (PPP) na Saúde.

O desinvestimento nos hospitais públicos é mau para a saúde dos portugueses. As PPP são más para a saúde de Portugal. Tudo isto, no entanto, é bom para Luís Filipe Pereira e para Marcelo Rebelo de Sousa.

O que fazer com tanto dinheiro, caso acabemos com a corrupção – um abecedário de sugestões que podem mudar Portugal

CP

Entre resgates, nacionalizações e outras piratarias, as aventuras dos mercenários da banca portuguesa custaram, nos últimos 10 anos, perto de 17 mil milhões de euros aos cofres públicos. Leu bem, caro leitor: 17 mil milhões de euros. Pagos por todos nós sob a forma de impostos, cortes nas funções sociais do Estado, privatizações low cost e incrementos sucessivos de dívida pública, da qual dificilmente nos livraremos, porque ela é pura e simplesmente impagável.

E se o caro leitor ficou perturbado com estes números, que são, efectivamente, perturbadores, vou então contar-lhe um segredo mal guardado: este valor, que, sublinhe-se, diz respeito a 10 anos de ajudas à banca, não chega para pagar um ano de corrupção em Portugal. Sim, um ano. Segundo um relatório apresentado recentemente no Parlamento Europeu pela Aliança Livre Europeia, o fenómeno da corrupção em Portugal tem um custo anual de qualquer coisa como 18,2 mil milhões de euros, custo esse que, como qualquer prejuízo de monta, acaba socializado por todos os contribuintes. Deve ser a isto que a direita do século passado se refere, quando afirma que o socialismo lhe vai ao bolso. [Read more…]

Vetar ou não vetar

Marcelo parece então ameaçar vetar o projecto de Lei de Bases da Saúde caso esta seja aprovada pela esquerda. Está no seu direito e não surpreende ninguém. Perante a situação, há três respostas possíveis:

1 – A tal possível maioria recebe o veto, tira educadamente o chapéu ao Presidente, confirma o voto anterior e aprova a Lei, sendo o PR obrigado, então, a promulgá-la.

2 – O Governo e o PS arreceiam-se perante a situação, dizem “vamos fazer a vontade ao sr. presidente” e alteram a proposta fazendo vénia à direita e aos grupos privados.

3 – O PS procede segundo conhecidas práticas de procrastinação e, empurrando com a barriga, adia a questão para qualquer dia, lá longe, não se sabe bem quando, mas com uma certeza tão implacável como a garantia de um daqueles “rigorosos inquéritos” com que se fintam os embaraços políticos.

§. Há a possibilidade de o PR recorrer ao Tribunal Constitucional, mas isso não é problema. Lei inconstitucional é com a direita.

Jamaica

Pessoa amiga disse-me, há uns anos, depois de dar aulas a criancinhas de um bairro problemático, que nunca pensou ser possível odiar criancinhas de oito anos. Terão sido momentos, mas esses momentos em que o comportamento é todo bairro, já família, impõem a selvajaria na sala de aula, numa agressividade incontrolável, seja contra quem for. Coube a essa pessoa, irrepreensível, manter-se no seu posto, cumprindo um dever profissional e social, porque é a Escola que, tantas vezes, faz pelas crianças aquilo que família e sociedade não fazem, uns porque não sabem, outros porque não querem.

Imagino o que será a raiva reprimida de um polícia sério obrigado a lidar diariamente com gente agressiva que a sociedade mantém na pobreza e no crime ou com gente agressiva que se mantém na pobreza e no crime, que um pronome pode fazer diferença quanto às causas, mas não apaga a realidade. Explicar as razões de um crime não é, evidentemente, razão para perdoar um crime: se um polícia for agredido por um pobre ou por um negro, o pobre ou o negro continuam a ser criminosos, por muito que a vida lhes seja madrasta ou guarda prisional. [Read more…]