Um palerma narcisista

A última de Trump é ele pretender que o Twitter apague as contas dos jornais The New York Times e The Washington Post.

Este exercício de estupidez vem na sequência de o Twitter estar, por fim, a apagar milhões de contas falsas (mais de 70 milhões em 2 meses) , muitas delas geridas por bots (abreviatura para robots, correspondendo a programas informáticos que, neste caso, republicam os seus tweets e simulam a interacção entre utilizadores).

O argumento do palerma que presidente aos EUA é que estes dois jornais são fontes de notícias falsas (fake news). Na verdade, ele próprio é uma fonte de fake news, quando por exemplo, segundo a Vox, em Fevereiro afirmou que nunca disse que não existiu interferência russa nas eleições americanas, apesar de o ter afirmado publicamente diversas vezes. Ele próprio, segundo a sua argumentação, devia-se submeter ao cancelamento que preconiza para os outros.

O narcisismo da figura vai ao ponto de ter um passado de interacções com os bots agora a serem apagados pelo Twitter, por exemplo agradecendo-lhes por terem reencaminhado bostas que tweetou.

Post baseado num artigo da Vox, o qual contém links para o que aqui é afirmado.

Quando li o título, até pensei que fosse sobre o financiamento partidário

PSD quer transparência sobre donativos

Afinal, é só chicana política quanto aos donativos para os incêndios do Verão passado. Não me interpretem mal, tenho o maior interesse em termos os autarcas a prestar contas, agora ainda mais, face ao regabofe que aí vem. Mas boa ideia, até para dar o exemplo, seria primeiro começarem pela própria casa, em vez de virem para a comunicação social fazerem o número.

Ao que o PÚBLICO apurou, a operação, que recebeu o nome de Tutti-Frutti, centra-se sobretudo num conjunto de suspeitos ligados ao PSD desde os tempos da JSD. Este grupo terá escolhido pessoas da sua confiança para integrarem as listas candidatas às eleições autárquicas de Outubro passado em vários municípios, tendo entrado em negociações com responsáveis do Partido Socialista sobre a composição dos órgãos municipais eleitos. E conseguiram que empresas suas ou as pessoas da sua confiança vendessem serviços a estas autarquias, através de avenças mas também por via da adjudicação de contratos públicos. [Público, 27/06/2018]

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Censura na UE chumbada, novamente

Boas notícias para os europeus e para todos os utilizadores da Internet, no geral. A polémica proposta da máquina de censura europeia e de taxamento dos links foi chumbada.

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Dos grunhos…

40 grunhos não representam o universo das claques, muito menos os milhões de adeptos que apaixonadamente vivem o futebol. 1 grunho também não servirá como amostra representativa num universo de 13 mil profissionais. Mas a sociedade não deve permitir que animais selvagens andem por aí à solta atacando pessoas, há que colocar as bestas numa jaula… Agressões e actos de violência não devem ter atenuantes ou justificações.

Piada do ano: Cristas apoia os professores

Foto: Paulo Cunha/LUSA

Nos últimos tempos, o PSD e o CDS têm mostrado o seu apoio à luta dos professores, o que se compreende: estão na oposição. É conveniente que não nos esqueçamos de que Passos Coelho e companhia, Assunção Cristas incluída, se limitaram a aprofundar o trabalho de demolição iniciado por Sócrates e suas ministras amestradas.

Cristas, pondo a máscara de defensora dos professores, disse que estes têm razão porque o governo prometeu aquilo que não podia cumprir. Na realidade, Cristas está a afirmar que o erro está na promessa de recuperar todo o tempo de serviço. Em última análise, Cristas é contra essa recuperação, até porque isso implica, segundo a centrista, problemas orçamentais.

A verdade, contudo, é que os professores não têm direito à recuperação do tempo de serviço porque isso lhes foi prometido pelo governo. É simples: os professores têm direito à recuperação do tempo de serviço e ponto final.

Assunção Cristas e associados não estão e nunca estiveram do lado dos professores, como não estiveram do lado da Educação ou das escolas. Há apoios que se dispensam, até porque sabemos que, à primeira oportunidade, passam a empurrão. Deixe estar, menina, que eu atravesso a estrada sozinho, não se incomode, que me incomoda.

Tudo bons autarcas I – Pequenas máfias locais

Imagem via Ponte Europa

Após dois anos de negociações, o governo chegou a acordo com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e prepara-se para aumentar substancialmente as contribuições e a transferência de competências para as autarquias, em áreas tão importantes como a Saúde ou a Educação. O acordo alcançado permitirá aumentar até 10% os orçamentos municipais, colocará 7,5% das receitas do IVA nas mãos das autarquias e dará aos executivos municipais o poder de gerir escolas públicas, centros de saúde e habitação social. [Read more…]

A lógica da reversão – caso prático

É público que Costa afirmou que ia fazer reversões.

Aí está a prova: propõe recuperar 2 anos, 4 meses e 9 dias do tempo de serviço que totaliza 9 anos, 4 meses e 2 dias. Mais dia , menos dia, é isto.

Não se podem queixar, palavra dada é palavra honrada.

9 anos, 4 meses e 2 dias

A morte do SNS: como desmontar um mito

Podia o SNS estar muito melhor do que está? Podia e devia. Mas está longe do caos anunciado pela direita paranóica, como bem explicou o Marco Capitão Ferreira.

Aquelas coincidências do camandro

perto de 8000 milhões correspondem a operações ordenadas a partir do colapsado Banco Espírito Santo (BES), sendo que 98% dos fluxos de capital colocados em offshores em 2014 (o ano da derrocada do banco) ficaram omissos da base de dados.

As coincidências começam logo aqui. Havia um banco em vias de ser intervencionado e 98% das transferências do BES para offshores caíram no apagão. Sendo que 80% do apagão corresponde ao BES.

O “apagão” que se verificou no registo das transferências realizadas de 2011 a 2014 só ocorreu consecutivamente em três dos quatro anos nos ficheiros informáticos XML submetidos por dois bancos, o BES e o Montepio. O relatório de auditoria elaborado pela Inspecção-Geral de Finanças (IGF) – que atribui os erros a uma “combinação complexa de factores tecnológicos” e considerou “improvável” ter existido mão humana no processamento parcial dos dados – referiu que os problemas aconteceram em três anos apenas em duas entidades financeiras.

Eis a coincidência explicada. Uma “combinação complexa de factores tecnológicos”. Com improvável intervenção de mão humana. Será, então, à mão divina a quem devemos apontar culpas? Na minha terra, o software ainda não nasce sozinho e há erros que vêm mesmo a calhar.

E o fisco, tão eficaz a lembrar-me que tenho uma factura para confirmar se o soro que comprei no supermercado tem receita médica ou não, deixa passar um buracão destes em três anos consecutivos?

Só tenho pena que estas coincidências tenham apenas incidência em possuidores de contas em offshores. Espero que o Bloco de Esquerda detecte esta desigualdade e que, prontamente, proponha uma lei para todos terem a sua conta fora de terra.

As citações são de uma notícia do Público.

Sr. Costa, e para isto, vai haver dinheiro?

Consórcio do TGV executa Estado em €192 milhões

Rio sobre Santana:

É uma figura que todos nós acarinhamos.

Santana sobre o AO90:

Agora ‘facto’ é igual a fato (de roupa).

A União das Freguesias de Azueira e Sobral da Abelheira, em 2013, sobre atestado [pdf, p. 10]:

Exactamente:

documento público, escrito, de carácter informativo, relativo a factos, situações ou qualidades ou estados de pessoas determinadas, que são do conhecimento dos membros da Junta de Freguesia, ou que representam a sua convicção. Este documento não tem força probatória material, podendo o seu conteúdo ser contestado e contrariado.

A União das Freguesias de Massamá e Monte Abraão, em 2018 (aliás, foi mesmo ontem, no sítio do costume, obviamente), sobre atestado:

Efectivamente:

documento público, escrito, de caráter informativo, relativo a fatos, situações ou qualidades ou estados de pessoas determinadas, que são do conhecimento dos membros da Junta de Freguesia, ou que representam a sua convicção. Este documento não tem força probatória material, podendo o seu conteúdo ser contestado e contrariado.

***

Para que serve um conselho de turma?

A greve é o recurso dos desesperados cujos argumentos razoáveis são constantemente ignorados. Os professores, procurando resolver um (e apenas um) dos seus múltiplos problemas, resolveram recorrer a uma greve que afecta as reuniões de conselho de turma de final de ano lectivo.

O Ministério da Educação, fazendo jus à sua natureza de instituição intrinsecamente anti-educativa, resolveu impor serviços mínimos, de maneira a que um conselho de turma se realize desde que estejam presentes mais de metade dos professores, contrariando o espírito e a lei com a ajuda de um colégio arbitral cujo contributo para a imoralidade é gigantesco.

Embora o título seja algo redutor ou mesmo enganador, quem quiser saber qual é a importância dos conselhos de turma na vida dos alunos – repita-se: dos alunos – deverá ler a reportagem do Público –  Conselhos de turma são “uma tábua de salvação” para muitos alunos”. Quem não quiser saber, continuará a fazer comentário político na televisão ou escreverá patetices nas caixas de comentários também deste vosso blogue.

Tempo de agir novamente – salvar a Internet

(clicar para aumentar)

Links da imagem (infelizmente, não há versões em português):

Cada um que faça o seu papel. Depois não se queixem do que perderam.

E quando decide pagar a dívida dos bancos, está a fazer o quê?

António Costa, primeiro-ministro dos banqueiros e das betoneiras:

“É preciso termos em conta que, quando decidimos fazer esta obra, significa que estamos, simultaneamente, a decidir não fazer outra obra”, avisou o primeiro-ministro. “Quando estamos a decidir fazer esta obra, estamos a decidir não fazer evoluções nas carreiras ou vencimentos”, reconheceu. [António Costa, citado pela TSF, ontem]

Ontem concluiu-se o ciclo de indiferenciação face à PAF e recuou-se, até, à guerrilha baixo-ventre dos tempos de Maria de Lurdes Rodrigues. O “tempo novo” cheira a bafio.

Já sabíamos que não há dinheiro para tudo. Há a banca para pagar e, agora, chegou a vez das construtoras do regime.

Poderíamos pensar que chegámos ao grau zero da política. No entanto, Cavaco Silva, o betonador do país que agora se lembrou que precisamos de mais filhos e de menos estradas, fez questão de nos recordar que nunca dele saímos.

A Madonna quer um parque de estacionamento? Arranjem-lhe antes um visto Gold!

Fotografia: Paulo Spranger/Global Notícias@Diário de Notícias

Parece que todos os partidos políticos, com excepção do PS, claro, estão muito indignados com a atribuição de uma espécie de parque de estacionamento no centro de Lisboa, a preço de saldo, à investidora estrangeira Madonna. Algo que, tanto quanto pude apurar, não é propriamente um exclusivo desenvolvido a pensar na Material Girl.

Não conheço os contornos do caso, pelo que me absterei de tomar uma posição, não obstante ser contra qualquer tipo de borla injustificada para elites e quejandos. Passei por aqui apenas para confirmar se o CDS e o PSD que se indignaram com este caso são os mesmos que criaram os vistos Gold para que uma série de mafiosos chineses, russos e afins pudessem adquirir nacionalidade portuguesa em regime de liquidação total. Não são, pois não?

Efectivamente, ‘selecção’ ≠ ‘seleção’

A selecção partiu. A seleção ficou.

Uma ajuda para inspiração de posts

Há por dois ou três sítios que seguem obsessivamente o que se passa na Venezuela e em Cuba como forma de ilustrarem o falhanço que são os regimes de esquerda. Já quanto aos quase 90 anos de governos de direita no México, cujas políticas têm conduzido ao gigantesco fluxo migratório para fugir desse paraíso de direita, o silêncio tem sido a marca dominante, não fosse a sua pureza de raciocínio sair toldada.

Agora que o México vai ter um governo de esquerda, já têm mais um tema para posts isentos, a apontarem a desgraça que são os regimes de esquerda. Só têm que passar uma esponja por cima das décadas de governação à direita.

Termino com uma nota para os distraídos. A má governação não tem cor política, seja ela de esquerda ou de direita, apesar da militância com palas não o ver.

A dualidade moral é…

… sentir-se chocado por alguém usar uma foto de uma criança qualquer para ilustrar o que Trump fez aos filhos dos imigrantes ilegais mas não escrever uma linha sobre as acções de Trump propriamente ditas.

 

Dizem esses que é por isto que as pessoas desconfiam da comunicação social, como se por trás destas imagens não estivesse uma realidade cruel. Chutam para canto, também, afirmando que é uma lei de Obama. Pouco lhes importa que a realidade seja outra, tendo-lhes bastado um site alt-right publicar um vídeo com tais afirmações para virem gritar para a praça pública.

Na verdade, pouco importa se a lei é de Obama ou não. O que interessa é quem é que a está a aplicar e como – o diabo está nos detalhes e o “como” faz muita diferença. Sendo uma lei miserável, importa também explicar porque é não tinha sido corrigida, especialmente quando Trump tinha uma maioria no Congresso para o fazer. Chutar para o Obama, perdão, para canto, é uma forma de menorizar o que está a ser feito. Mas quanto a isso, silêncio. O problema está em algum idiota ter dado o flanco ao usar uma imagem que não é das crianças separadas e enjauladas.

Não faltam materiais que essa gente gente pudesse comentar, mas aquelas duas fotografias…. meu deus! [Read more…]

0-0 ao intervalo

democracia

De quando em vez, há eleições. Endireitam-se as gravatas, toma-se banhoca duas vezes ao dia, engraxam-se os discursos, escovam-se os sapatos, esgalha-se um amplo sorriso, ligam-se os microfones e os megafones, bota-se uma faladura, sacam-se uns aplausos, levantam-se umas bandeirolas, içam-se a moral e o moral, mais aplausos, três sardinhas, dois copos de vinho, tinto da casa, a mão que acena, o pé que dança, o flash que dispara, bota uma selfie, a multidão que resfolega, o sono que ataca, o café que não vem, o café que vem frio, mão na buzina, eia, eia, eia, passa a caravana, o cão abana a causa de contente, recolhe à casota, a lua se levanta, adormece o cão, sai o gato . Vem o boletim, bota-se a cruz a caneta. É segunda-feira. Toca o despertador. Acabou-se a vaselina.

São quatro anos sempre a rasgar

O “I” de incompetência do IAVE

A situação não é nova, na verdade é recorrente, todos os anos havendo situações problemáticas com os exames.

Desta vez, o que se passou foi o IAVE, três dias depois da realização do exame Matemática A, ter definido que, numa questão com items em alternativa, quem respondesse aos dois items teria a resposta dada como certa desde que a resposta de um deles estivesse correcta. Isto, apesar de o enunciado dizer explicitamente que o aluno só deveria responder a um dos itens.

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Ronaldo, o ˈɛlbəʊ e o Egipto

Om de akoestische kenmerken van een spraakgeluid nauwkeurig te kunnen analyseren is een kwaliteitsvolle opname nodig. Enerzijds is de opnameapparatuur heel belangrijk. De microfoon moet alle variaties in frequentie en intensiteit kunnen opvangen die in het spraakgeluid voorkomen. Een vlakke frequentieweergave van 20 Hz tot 20 kHz en een dynamisch bereik van 90 dB maken optimale spraakopnames mogelijk met maximale variaties binnen de spreek- en de zangstem.
— Smessaert & Decoster

City of orgies, walks and joys!
City whom that I have lived and sung in your midst will one day make you illustrious,
Not the pageants of you—not your shifting tableaux, your spectacles, repay me;
Not the interminable rows of your houses—nor the ships at the wharves,
Nor the processions in the streets, nor the bright windows, with goods in them;
Nor to converse with learn’d persons, or bear my share in the soiree or feast;
Not those—but, as I pass, O Manhattan! your frequent and swift flash of eyes offering me love,
Offering response to my own—these repay me;
Lovers, continual lovers, only repay me.
Walt Whitman

La prononciation uvulaire de ‘rr’, mais non pas de ‘-r-‘, comme R, se répand de plus en plus dans les villes. Cependant, on la regarde encore comme vicieuse, le rr apical étant toujours préférable au grasseyement du R, qui individuellement est plus profond qu’en français ou en allemand.
— Aniceto dos Reis Gonçalves Vianna (1903: 19)

***

Por um lado, temos o Ronaldo, o elbow, o pára e o para.

Por outro, temos as habituais cenas tristes no sítio do costume.

Nestas alturas, aliás, convém sempre lembrar que há uma diferença entre selecção e seleção e é igualmente importante recordar que o AO90 é inútil. Não acreditam? Perguntem ao CR7.

Efectivamente.

Lembrando também a existência em Portugal de um órgão de comunicação social que, em vez de promover a expressão livre de ideias, adopta actualmente a resistência silenciosa como forma de vida, vejamos a consistência na utilização de uma grafia contrária à letra do AO90, apesar de certas leituras abusivas, explicadas justamente pela falta de leitura. [Read more…]

Arte é arte

arte_santo_tirsoSilêncio, por favor. É arte.

O admirável mundo novo

porto_transportes_violencia
[António Alves]

As empresas de transporte público, para não formarem nem pagarem a fiscais próprios, extinguiram esta categoria de funcionários e externalizaram (é assim que se diz na novilíngua neoliberal) o serviço.
Por norma, este é desempenhado por “seguranças” privados, muitos deles meros armários fardados cuja inteligência é inversamente proporcional à massa muscular. Metros, autocarros e estações de comboio já foram tomados de assalto por estas forças que exercem a autoridade sem a necessária legitimação social.
Uma força de repressão privada ao serviço do ultra capitalismo.
O interior dos comboios é o território que se segue.
Bem vindos ao admirável mundo novo.
Preparai-vos para levar na tromba à primeira manifestação de não conformidade.

Frédéric Chopin: Concerto para piano No. 1 em mi menor

Ouça-se este monumento do romantismo, soberbamente interpretado por Olga Scheps.

Botões de partilha nas redes sociais

O Aventar deixou de usar há algumas semanas os botões padrão para partilha de artigos no Facebook e no Twitter. A razão desta opção não é nova e até já é conhecida há muito. Estes botões adicionam código ao Aventar (e a todos os sitios que os usem, na verdade) que permitem ao Facebook e Twitter saberem o que é que os nossos leitores fazem no blog. Inclusivamente para não utilizadores destes serviços, há recolha de informação que é usada para alimentar perfis sem nome atribuído.

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Ronaldo, Sobral e o nacional-parolismo

Por estes dias, as redes sociais crucificaram o Salvador Sobral, pagador de impostos, por declarações que ele NÃO fez sobre os impostos que o Cristiano Ronaldo não queria pagar, algo que resultou de uma mistura de manipulação de informação, incompetência jornalística e ódio colectivo do rebanho digital, que engole tudo sem questionar. E isto é estúpido por vários motivos. Pela situação em si, pela forma como nos deixamos enganar e, entre outras coisas, pelo ridículo que é o endeusamento do Cristiano, como se só se pudesse falar do homem para o elogiar. É o nacional-parolismo em todo o seu esplendor.

A queda da Casa Golden

 

Sagas familiares são um tema comum na literatura. O declínio de uma família que acompanha o declínio de uma sociedade também não constitui novidade. Dos Maias aos Buddenbrook passando pelos Karamazov, cada geração tem a família que merece – e o respectivo declínio. A nossa, aparentemente, merece os Golden e felizmente fez algo de bom para merecer Salman Rushdie como cronista.

A Casa Golden (The Golden House em inglês) parte da narrativa de um aspirante a cineasta nova iorquino, nascido numa família de humanistas que simbolizam tudo aquilo que de bom havia no mundo pré 11 de Setembro. A tolerância, a fraternidade, o secularismo, a crença no progresso, valores que Rushdie considera basilares e universais. Sendo universais, todavia, são também – e especialmente – americanos. Foi nos Estados Unidos que Rushdie encontrou o apoio necessário na sua batalha contra o fanatismo e o ódio. Como gesto de agradecimento, tornou-se cidadão americano.

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O dia em que o polvo autárquico tremeu

via Expresso

Durante a manhã de ontem, a PJ efectuou cerca de 70 buscas na zona de Lisboa, tendo por alvos a sede concelhia do PS, a sede nacional do PSD, a sede da comissão distrital do PSD, os serviços centrais de Urbanismo da CML e três freguesias governadas pelo PSD: Areeiro, Santo António e Estrela. Outras buscas, que se estenderam a outras geografias, visaram ainda instalações partidárias e escritórios de advogados.

Em causa estão suspeitas de crimes de corrupção passiva, tráfico de influência, participação económica em negócio e financiamento proibido. Segundo o MP, citado pelo Expresso, “Um grupo de indivíduos ligados às estruturas de partido político, desenvolveram entre si influências destinadas a alcançar a celebração de contratos públicos, incluindo avenças com pessoas singulares e outras posições estratégicas”.

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Anáfora para governantes e “opinólogos” políticos

[Santana Castilho*]

Num final caótico de ano escolar, é necessário impedir que a informação falsa seja mais rápida que a verdadeira e a política seja confinada ao quarto escuro da manipulação. Daí a anáfora que se segue, particularmente dedicada a António Costa, Alexandra Leitão, João Costa, Lobo Xavier, José Miguel Júdice, Fernando Medina, Pedro Silva Pereira, Pedro Marques Lopes e Miguel Sousa Tavares.

  • Não é verdade que a contagem de todo o tempo de serviço prestado pelos professores signifique um encargo de 600 milhões de euros. O número que António Costa referiu no Parlamento (e virou mantra nos jornais e televisões) foi colhido da leitura apressada (ou maliciosa) do Programa de Estabilidade 2018-2022. Acontece que tal número diz respeito ao descongelamento de todos os trabalhadores públicos, que não só dos professores. Desagregando estes, estaremos a falar de 380 milhões. Significativamente, o Ministério das Finanças já começou a corrigir as suas contas: os custos de 2018 já passaram de 90,2 para … 37 milhões.

  • Não é verdade que alguma vez os professores tenham exigido pagamento de retroactivos. A contagem de todo o tempo de serviço prestado só é reclamada para efeitos futuros, sendo que os docentes propõem que o respectivo impacto seja acomodado de 2019 a 2023. [Read more…]