É só para sublinhar o que já se sabia

President Trump has abandoned his live-on-television promise to work for gun control measures that are opposed by the National Rifle Association, instead bowing to the gun group and embracing its agenda of armed teachers and incremental improvements to the existing background check system.” NYT, 12/03/2018

A questão das armas nos EUA não se resolve sem que o financiamento partidário deixe de ser controlado pelo meio empresarial. Devemos olhar para os outros e pensar para onde caminhamos

Preparem-se que isto não é para estômagos fracos

 

Qual é o país, qual é ele, parecido com a Emma Watson?

Now… I actually changed my mind, just about a year after saying this particular dumb thing.
Paul Krugman

‘Health of the economy’ is defined in such a way that the economy can be extremely healthy while just about everybody is starving to death. Those two things are uncorrelated.
Noam Chomsky

I’d rather ride a horse than drive a car.
— Sam Shepard

***

Quanto ao país parecido com a Emma Watson, efectivamente, o país é… Portugal!

Há cerca de uma semana, Emma Watson «usou tatuagem com erro ortográfico».

No outro dia (muito obrigado ao extraordinário leitor do costume), o jornal A Bola voltou a impressionar-nos com questões de alfaiataria, confrontando o porta-voz do FCP com um fato a usar.

Sim, porque o original da revista Sábado não tem fatos.

No mesmo jornal, também houve estes aborrecimentos com uma grafia (‘factor’) problemática em traduções, como sabemos desde os “human fator issues”:

Hoje, temos o panorama habitual, no sítio do costume.

Pegando num dos assuntos da semana passada, [Read more…]

Marcelo, o pastor

marcelo_rebelo_sousa_pastor
Isaac Pereira

Em Oliveira do Hospital, Marcelo Rebelo de Sousa comprou uma ovelha, e negra, ainda por cima. Chamou-lhe Oliveirinha. Depois abraçou um pastor rosado que lhe disse do alto do bigode:
– Morreram-me vinte e cinco cabeças. A vida de pastor é dura.
O presidente dos afectos abraçou-o, como não poderia deixar-se ser, e disse, afagando-lhe o pêlo:
– Eu sei. Eu sei.
E foi nesse momento que fiquei a saber que Marcelo já foi pastor.

Rui Pedro Braz no país da corrupção e do tráfico de influências

Rui Pedro Brás, que tem um curioso vinculo contratual com o SL Benfica, apesar de ser apresentado ao grande público como um comentador isento, brindou-nos com este belo momento de televisão. É triste, causa vergonha alheia, mas não diz mentira nenhuma. E sempre ficamos a saber que este adepto e colaborador do emblema lisboeta não consegue levar certas coisas em tempo útil sem ter que pedir um favor a alguém. “É a forma das coisas funcionarem”, remata. Há coisas fantásticas, não há?

“As pessoas já não acreditam nos fatos”,

diz Chomsky. Em Portugal, começaram a acreditar. Quando? Em Janeiro de 2012.

Um certo odor a fascismo no CDS-PP

AMS1.jpg

Assunção Cristas, tal como muitos dos seus principais oficiais, não perde uma oportunidade para aludir ao radicalismo das esquerdas. Para agitar com o papão comunista. Para apelar aos instintos mais básicos do eleitorado, instigando a desconfiança e o medo na sua forma mais primária. Uma constante da vida.

Sempre achei este discurso de uma finíssima ironia. Não porque não exista nos partidos de esquerda o tal radicalismo que lhes é apontado, que é discutível, mas porque o CDS-PP foi precisamente o partido que deu guarida a vários salazaristas no pós-25 de Abril, alguns dos quais exerceram funções governativas durante o Estado Novo. Adriano Moreira, que foi este fim de semana homenageado e aplaudido de pé pelo congresso centrista, foi ministro de Salazar antes de ser eleito terceiro presidente do CDS-PP, entre 85 e 88. E escusado será dizer que alguém que aceita o convite para integrar o governo não-eleito de um fascista opressor valida as práticas em vigor.  [Read more…]

Aquele momento em que o guarda-redes do Paços é abalroado por uma força sobrenatural

https://twitter.com/twitter/statuses/972999089410510849

O que não invalida que o FC Porto tinha obrigação de vencer a partida. Pena que o tempo útil de jogo não tenha ido além dos 15, 20 minutos.

Ao centro

Há uns valentes anos fiz este boneco enquadrado numa série a satirizar os partidos. Estava-se no rescaldo  à despenalização do aborto e o CDS, Partido do Centro Democrático e Social, agora também Partido Popular, comprovou que o “C” era mais de Cristão do que de “Centro”. O partido que foi umas vezes liberal, outras conservador, já foi contra e a favor do euro e da “europa”,  que foi o partido dos pensionistas e o partido do corte das pensões, que já foi, no fundo, toda a coisa e o seu oposto, tem no posicionamento beato o seu real âmago, essa cola que segura a cataventice política que tem sido o seu rumo. Consistentemente, Cristas afirmou neste fim-de-semana que “o meu CDS tem a democracia-cristã no eixo da roda“. Mas que não haja ilusões, se passarmos a ter muitos eleitores judeus, muçulmanos e protestantes, o mais certo é que também esta roda se furará. Entretanto, temos um partido que acumula com congregação religiosa, esse paradoxo no país onde o Estado é laico.

Aquela notícia bombástica e inesperada que marcou o congresso do CDS

Nuno Melo é o candidato às Europeias. Seo Dr. Jovem Conservador de Direita descobre, está o caldo entornado.

Fácil demais para António Costa

AC.jpg

Na sequência das Legislativas de 2015, o Partido Socialista chegou a acordo com BE e PCP/PEV para liderar um governo minoritário. Perante este acordo histórico e inesperado, PSD e CDS ficaram muito aborrecidos, porque a democracia representativa pode ser uma grande maçada, e amuaram durante uns meses.

Depois de vários meses a carpir, o CDS decidiu fazer o moving on e procurou mudar ligeiramente o discurso, aproveitando o grande vazio em que o PSD se havia transformado, apesar de na realidade nada ter mudado. Utópica, Assunção Cristas começou por se assumir como alternativa para liderar a direita, apesar de não o poder ser sem o PSD, e já fala em ser primeira-ministra. Já dizia o poeta que o sonho comanda a vida, e Cristas também tem o direito de sonhar, coitada!

Na São Caetano à Lapa, enquanto o partido definhava nas sondagens, Pedro Passos Coelho viu as várias teorias da conspiração serem reduzidas a pó, umas atrás das outras, até não restar discurso, coerência, credibilidade, sanção ou diabo para contar história. Defunto que estava o passismo, Rui Rio lá decidiu sair da poltrona e avançar, cumprido finalmente uma promessa de longa data, e derrotou a barriga de aluguer que o passismo havia entretanto desencantado para se perpetuar no poder.

[Read more…]

Gostava de conhecer este Passos Coelho

As grandoladas, como se vê, continuam, e a pergunta que importa fazer é esta: de onde vem tanto ódio a Passos Coelho? É um corrupto? Afundou o país? Impôs sacrifícios inúteis? Falhou a saída limpa? Tentou controlar a justiça? Silenciou a comunicação social? Não, ele não fez nada disso. Mas fez pior: refreou o Estado gargantuesco e propôs mais liberdade aos cidadãos.“.

Aquele que conheço andou metido no esquema dos dinheiro europeus para a formação e depois, quando governou, insurgiu-se contra a má aplicação dos fundos  comunitários. Aconselhou os professores saírem do país por não terem trabalho mas vai dar aulas. Andou 5 anos de pin ao peito mas vendeu um recurso absolutamente estratégico para o país (a REN) ao estado chinês. Dizem que controlou a despesa mas apenas aumentou os impostos e cortou no rendimento dos portugueses (zero de reforma do Estado). A lista pode continuar.

Há muitas formas de corrupção e a corrupção moral é mãe de todas elas. Quem não pagou a segurança social e quem andou nos esquemas subsídios é, claramente, moralmente corrupto. Mas que saída limpa? Essa que continuámos a pagar depois de anunciada? Que visão para o país é essa que defendia os baixos salários como factor competitivo? Antes de Passos Coelho perderam-se os anéis e com ele foram-se os dedos. Passo bem sem a beatificação.

Esta tipa não se enxerga?

O CDS-PP pretende que o ministro das Finanças e o Governador do Banco de Portugal prestem esclarecimentos após o parecer da Comissão Europeia sobre a venda do Novo Banco.

A pergunta é retórica.

José Augusto Silva, uma “toupeira” muito acessível

Tem razão, o advogado Paulo Gomes, que representa José Augusto Silva no processo e-toupeira, quando afirma que existem neste país pessoas que recebem milhões de euros de corrupção sem que nada de particularmente grave lhes aconteça. Acontece que, se ficarem provadas as suspeitas que pendem sobre o informático que está no centro da tempestade vermelha e branca, o cliente de Paulo Gomes não se limitou a receber umas camisolas e uns bilhetes para o Estádio da Luz. Violou a lei e comprometeu processos judiciais em curso.

A confirmarem-se as acusações, José Augusto Silva não será um pobre inocente que recebeu umas camisolas e uns bilhetes por ser um adepto exemplar, como se de um simples bode expiatório se tratasse. José Augusto Silva terá usado a sua posição profissional e os seus conhecimentos informáticos para usurpar as credenciais da magistrada Ana Paula Vitorino, violar o segredo de justiça e aceder ilegalmente a dados de processos em curso, que colocam o SL Benfica numa posição extremamente delicada, entregando-os ao director jurídico do Benfica, Paulo Gonçalves.

José Augusto Silva terá então subvertido o normal funcionamento da justiça, deixando-se corromper para o efeito, e isso, por si só, não é coisa pouca. E se a isto juntarmos o emprego que o SL Benfica deu ao seu sobrinho ou os vários convites para o camarote presidencial da Luz, por norma reservado às mais altas individualidades do desporto, da política e do mundo empresarial, fico com a sensação que a margem para dúvidas se reduz drasticamente.

É óbvio que precisamos de uma justiça mais competente, capaz de prender políticos, banqueiros e empresários corruptos, que os há em demasia neste país de compadrios. Mas se queremos um país onde a justiça funcione, não podemos tolerar que os seus funcionários vendam informação confidencial sobre processos em segredo de justiça a dirigentes desportivos corruptos, seja a troco de um milhão de euros, seja a troco de um bilhete para a bancada Coca-cola. E o mais grave no meio de tudo isto é perceber o quão barato pode ser corromper alguém com acesso privilegiado a informação tão sensível. Se é assim com processos relacionados com o futebol, imaginem como será quando o tema são falcatruas bancárias ou corrupção político-partidária.

Margaret Thatcher e Eduardo Catroga

O tacho do camarada Catroga dura até acabar o dinheiro do Partido Comunista Chinês. O que felizmente para ele nunca irá acontecer.

Liiiiindo!

Lindo, lindo, lindo! Grandiosa a força cívica de sair à rua em solidariedade, em prol de direitos. Em Espanha, mais de 5,3 milhões, mais de 120 manifestações. Que, para além de lindo, tenha o efeito profundo que almejamos, companheiras e companheiros! Foto e notícia TSF

​Guterres, Crato e as suas sombras

Santana Castilho*

Num artigo publicado no Observador, Nuno Crato arguiu contra uma afirmação de António Guterres, feita a propósito do seu recente doutoramento honoris causa (“o que hoje fundamentalmente interessa no sistema educativo não é o tipo de coisas que se aprendem, mas a possibilidade de aí se aprender a aprender”), concluindo que “aprender a aprender, em vez de aprender, é o caminho direto para nada aprender, nem sequer aprender a aprender”.

Esta decantada polémica, na qual se projectam sombras negras de Guterres e Crato, é responsável por um erro de décadas, que tem partido ao meio o que só unido pode dar certo. Com efeito, as alterações que o sistema de ensino tem sofrido caracterizam-se ciclicamente por uma divisão de natureza bipolar: ora se hipervalorizam as ciências da Educação, com desprezo pelo valor intrínseco do conhecimento, ora se hipervaloriza o conhecimento puro, com ignorância daquelas. Ora se centra tudo no declarative knowledge (conhecimento “declarativo“, teórico, baseado no estudo dos factos) ora apenas se considera o procedural knowledge (conhecimento “processual“, prático, mesmo que o actor o não saiba explicar, mas tenha “competências”).
[Read more…]

A tal ponte concessionada, mas só na parte de recolher receita

É preciso considerável lata para um jornal dar voz a uma notícia plantada como esta. As pontes sobre o Tejo estão concessionadas à empresa dirigida pelo Ferreira Amaral, o ex-governante que foi para empresa que tutelou (sim, passado algum tempo, e então?). Mas parece que as PPP em causa só servem para recolher receitas, já que, para as obras de manutenção, é ao Estado que se apontam baterias.

Escreve o Público, em artigo não assinado, que o “caso foi detectado há três anos, revela ainda a Visão, que diz ainda que a empresa Infraestruturas de Portugal têm vindo a pedir, há pelo menos dois anos, uma intervenção, devido às fissuras graves na estrutura analisadas pelos técnicos“. Afinal o Estado, via a empresa responsável, tem feito alguma coisa. Falta saber se a IP pediu a quem de direito, à empresa que explora as duas pontes.

Claro que sacudir a água do capote e fazer pressão pública sobre o Estado é mais cómodo do que entrar com os 20 milhões necessários para as obras. Vamos ver se temos um governo à altura ou se, por outro lado, se vai posicionar como passador de cheques.

[Read more…]

3.9 mil milhões de euros em cima de outros 3.9 mil milhões de euros

7.8 mil milhões será o montante injectado no Novo Banco quando o Estado português colocar mais 3.9 mil milhões de euros neste banco para cobrir as imparidades, aos quais se fala de ainda virem a ser precisos outros 400 milhõese para cenas e coisas. Esta injecção de dinheiro resulta do acordo com a Comissão Europeia para capitalizar o buraco Novo Banco, criado com a jura de nenhum português lá precisar de colocar um cêntimo.

É oportuno recordar as palavras do Governador do Banco de Portugal, do ex-primeiro-ministro Passos Coelho e de toda a tropa de comentadores da direita, David Dinis e Raúl Vaz incluídos, que lançaram louvores à decisão ímpar, segundo eles, de o Governador e o Governo de então terem tido a coragem de enfrentar Ricardo Salgado, tese repetida ad nauseum, quando da retirada de Passos Coelho do Parlamento, através da qual os soldadinhos de chumbo procuraram lançar o spin de ainda se estar para ver a dimensão do grande líder tecnoformado.

Mas esta já se vê, com efeito. Aí estão os quase dez mil milhões de euros para pagar uma solução que o Banco de Portugal achava ser a melhor e que obteve a concordância do governo Passos Coelho / Paulo Portas / Assunção Cristas, a tal que assinou de cruz na praia. Mas, como disse recentemente o ex-grande líder laranja, a reforma que ficou por fazer foi a do código do trabalho. Prioridades.

Aproxima-se outro candidato a buraco tapado pelos contribuintes: o Montepio Geral. Abram os olhos, portugueses. Ou então, caso contrário, prepararem-se para abrir a carteira.

Uma “convulsãozita”. Com facas

IP.jpg

via O Inimigo Público

Foi assim que Rui Rio se referiu à novela mexicana no interior do grupo parlamentar do PSD, protagonizada por Fernando Negrão e por uma rebelião de deputados, munidos de catanas afiadas, que humilharam o ainda assim eleito novo presidente da bancada parlamentar do partido. Que acusaram Rio de traição e Negrão de comportamento “autoritário e fascizante”. Que aceitaram integrar a lista de Fernando Negrão para a bancada parlamentar, apesar de não lhe terem dado o seu voto. Que acusaram a nova direcção do partido de “desrespeito institucional grave”. Ainda bem que Negrão não cumpriu a promessa. Seria uma “convulsãozita” interessante de se ver. A capa d’O Inimigo Público diz tudo. Não terá sido à toa que o novo líder do PSD esperou quase três semanas para se reunir pela primeira vez com o grupo parlamentar.

Um pequeno corte às arbitrariedades

Não encontrei (ou por outra, o motor de pesquisa não encontrou) a notícia em nenhum media português; e no entanto, ela detém forte relevância para os cidadãos europeus. Ontem, o Tribunal de Justiça da União Europeia comunicou a sua decisão no caso Eslováquia / Achmea, relativa à cláusula de arbitragem constante do acordo sobre a protecção dos investimentos celebrado entre os Países Baixos e a Eslováquia. E reza assim: NÃO é compatível com o direito da União. 

E porque é isto assim tão importante? Estamos a falar do tema sobre o qual escrevi aqui no Aventar múltiplos posts*: o perverso ISDS (Investor-State Dispute Settlement), o mecanismo arbitral que subtrai a estados soberanos o poder de decisão jurídica, criando uma justiça paralela que outorga amplos direitos a investidores estrangeiros (= multinacionais). Quem diz ISDS, diz o seu mano com pele de carneirinho, o ICS (Investment Court System), contido no acordo de comércio e investimento UE/Canadá, o CETA. O ICS é um ISDS supostamente público e “bom”, pois, absurdamente, passa a ser financiado pelos cidadãos. Mas padece das mesmas fundamentais aberrações destinadas apenas e só a apetrechar as multis com uma ferramenta jurídica, superior, executória, para arremessarem aos estados quando estes tomam decisões que não lhes convém. Em Portugal, o retrocesso do governo em relação à EDP quanto às “taxa das renováveis” foi um belo exemplo do chamado “chilling effect” do ISDS, o efeito intimidatório, que actua ANTES de ser aprovada legislação desfavorável às multis.

Mas voltando à decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia, o Tribunal deu ontem a saber que o ISDS não é legal entre estados-membros da UE, porque “Esta cláusula subtrai ao mecanismo de fiscalização jurisdicional do direito da União litígios que podem ser relativos à aplicação ou à interpretação deste direito” e “Nestas condições, o Tribunal de Justiça conclui que a cláusula de arbitragem constante do TBI viola a autonomia do direito da União e, por conseguinte, não é compatível com este direito.[Read more…]

Alguém viu por aí o diabo do Passos Coelho

ele que venha cá abaixo (acima?) ver isto.

“Abusos e corrupção” dos programas de vistos Gold

de que Portugal é um exemplo.

E isto interessa a alguém?? Interessa, é que entrem milhões.

Da podridão do futebol

PGLFV.jpg

Quero começar por dizer que sou portista desde pequenino, que apoio os atletas do meu clube incondicionalmente e que tenho um grande orgulho por aquilo que o meu clube representa como um dos bastiões da luta contra o centralismo putrefacto que corrói este país. Tal não significa que seja cego ao ponto de negar o óbvio: que dirigentes do meu FC Porto incorreram em práticas condenáveis no passado e que não pagaram por isso, porque a justiça portuguesa ainda não tem a força suficiente para lidar com os poderosos, sejam eles dirigentes de futebol, políticos, banqueiros ou empresários. [Read more…]

Para que te quero, União Europeia

Não é para defesa dos consumidores. Não é para defesa do ambiente. Não é para equilíbrio de poder neste mundo globalizado. É para pagar bem a quadros, eleitos e não eleitos, que decidem em desfavor daqueles que lhes pagam os salários. Não é novidade, mas vai-se confirmando a teoria.

[imagem]

Com que então, não se paga para estar no Facebook?

Vénus de Willendorf (c) Matthias Kabel

Há muito espaço para crítica por parte de quem não concorde com uns tansos armados em vitorianos que não gostam de mamas feitas de pedra com 30 mil anos

No programa Governo Sombra desta semana, João Miguel Tavares insurgia-se a certa altura por causa dos que reclamam contra o Facebook. Por exemplo, há quem critique a censura que o Facebook pratica quanto à nudez, tal como aconteceu recentemente com o bloqueio da foto de uma estátua de pedra feita há cerca de 30 mil anos. Dizia o ilustre painelista que quem não está bem, que se mude, até porque não se paga nada para estar no Facebook. Se bem que houve algum desacordo quanto à tese liberal da livre escolha individual, já sobre a ausência de pagamento para uso da rede social, a posição foi de unanimidade. [Read more…]

As crianças

criancas_golden-hours

Sónia Valente Rodrigues

Enquanto professora, sempre me incomodou nos alunos entre os 6 e os 18 anos a tendência para se divertirem atacando outros (ver alguém sofrer causa divertimento). Enquanto diretora de turma, intervim muitas vezes junto de alunos que, com o ar mais sereno e com a atitude mais bem educada do mundo, me diziam: Mas era uma brincadeira! Nós só estávamos a brincar.
Continuo a ouvir essa justificação ou explicação: fizemos isto ou aquilo ao nosso colega mas era só a brincar (enquanto o colega chora ou sofre sozinho).
Não entendo. Nunca entendi. Qual é a explicação para este comportamento? Como se altera este comportamento?
Vem isto a propósito de um relato de experiência de um menino. Esse menino perdeu o pai aos 9 anos. Aos 11 anos, nos intervalos das aulas, ouvia dos colegas algo como isto:

– Olha, X! Olha ali o teu pai (apontando o dedo para o portão).
Ele olhava.
E os colegas riam-se à gargalhada:
– Ah, pois… Não é, tu não tens pai.

E a seguir: nós estávamos a brincar; não era a sério; estávamos todos na brincadeira.
Esta “brincadeira” foi repetida durante semanas e meses…
ilustração Arthur John Elsley

Discurso do catedrático a haver

 

(em quadrinhas de mal dizer, para cantar à esquina)

I
Com todo este saber
(Isto é axiomático)
Quando for grande vou ser
Um professor catedrático.

Não sou de grande ciência
Mas sou muito carismático
Vou ser, tenham paciência,
Um professor catedrático

Graças a vistosa finta
Com um drible burocrático
Vou ser, e com grande pinta,
Um professor catedrático.

Não tenho modos de mestre
Sou mais para o autocrático
Mas vou, ao jeito rupestre,
Ser professor catedrático.

A gestão da Tecnoforma
De um modo automático
Só por si, já me transforma
Em professor catedrático. [Read more…]

Habemus GroKo

(Foto: Michael Kappeler/dpa)

Depois de mais de cinco meses sem governo – durante os quais se assistiu ao fracasso das negociações para uma coligação Jamaica (CDU/CSU, FDP e VERDES) e às angustiadas negociações para um acordo de coligação entre os sociais-democratas do SPD e os conservadores do CDU/CSU, que incluíram a queda aparatosa de Martin Schulz, o ex-líder do SPD – foi hoje dada luz verde por dois terços da base do partido social-democrata alemão para a formação do terceiro governo da grande coligação (GroKo). No próximo dia 14 de Março, SPD e CDU/CSU vão eleger Angela Merkel, que assumirá assim o seu quarto mandato como chanceler.

Estão pois escancaradas as portas para dar continuidade à política do apocalipse, a saber:

  • Agravamento da clivagem social interna: num dos países mais ricos do mundo, há cada vez mais pessoas a viver na pobreza, com empregos precários e reformas que não chegam para a sobrevivência. A recente controvérsia sobre a decisão de uma associação que distribui alimentos não aceitar mais estrangeiros nas suas listas é óptima para engendrar polémicas xenofóbicas, mas o que realmente e acima de tudo evidencia é o escândalo de, num país tão rico, ser necessário que os pobres concorram por migalhas. São 934 os bancos alimentares existentes em todo o país e atendem regularmente 1,5 milhões de pessoas. Enquanto isso, os lucros das grandes empresas e o “crescimento” sobem vigorosamente – em 2017, a maior economia europeia cresceu ca. de 2,4%. No próprio dia em que o Telejornal (Tagesschau) transmitiu a notícia anterior, anunciou também que devido à favorável conjuntura e elevada taxa de emprego e das receitas fiscais daí resultantes, a Alemanha obteve em 2017 um excedente orçamental recorde de 36,6 mil milhões de euros.
  • Política danosa para o clima: Seja ao nível da amizade para com a indústria automobilística, a agro-indústria ou as centrais a carvão, as políticas que secundarizam o ambiente e o clima vão continuar. É já previsível que a Alemanha não conseguirá cumprir a meta que definiu para a redução das suas emissões de CO2: em vez de 40% serão, nas hipóteses mais optimistas, 32% até 2020. Da poluição do ar e dos solos – em muitas regiões da Alemanha acima dos valores legais definidos pela UE – decorrem danos para a saúde humana e o ambiente. A recente decisão do tribunal administrativo alemão de permitir que cidades, comunidades ou estados proibam em certas áreas a entrada de veículos a diesel apenas demonstra a incomportável situação produzida pelas políticas que têm sido seguidas.
  • Aposta cega na exportação e numa globalização do mais forte: A Alemanha é o 3° maior exportador do mundo e, em 2017, voltou a ser campeã mundial quanto ao excedente comercial. Produtos gerados por mão-de-obra precária e métodos agrícolas destruidores do meio ambiente inundam os mercados e estimulam uma concorrência desleal com países menos poderosos, esmagando a produção local e os meios de sobrevivência noutros países. Ocultando e ignorando as externalidades desse transporte insano de produtos em redor do mundo, aceleram a destruição do planeta, numa desvairada atracção pelo abismo.
  • Entrega da soberania dos países às mãos das multinacionais: a fabricação de um novelo cada vez mais cerrado de acordos comerciais e de investimento é objectivo expresso desta maioria governamental que continua no poder. Com uma dolorosa falta de visão, continua a espetar as esporas – acompanhada pelos outros países membros da UE – para acelerar a destruição da democracia e da soberania dos povos, ao mesmo tempo que promove o individualismo que se revê por completo num consumismo cada vez mais irracional.

Habemus GroKo, mais do mesmo, avante para continuarmos a dar cabo disto tudo.

Aproveitamento vs assédio…

Uma aspirante a diva em Hollywood em busca de carreira ou actriz procurando um papel que a imortalize e lhe dê fama à escala planetária, está longe de ser vítima, as vozes que de repente denunciaram sabiam muito bem ao que iam e o quanto poderiam ganhar em troca de favores de cama ou sofá, que na altura, não tiveram grande pudor em prestar… [Read more…]