Xiribráqui

Xiribráqui não existe. Aliás, não existia até este preciso momento. O acto de referir uma não existência transformou uma inexistência em algo concreto. Podemos agora questionarmos sobre o que é xiribráqui, se tem cor ou cheiro, se será uma ideia ou um objecto. Ou simplesmente, podemos dizer que é algo inexistente, o que já é uma forma de lhe dar existência.

O euro tornou-se uma realidade há algum tempo e, contrariedades à parte, até recentemente ninguém colocou a hipótese dele alguma vez findar. Mas essa hipótese foi colocada na mesa, primeiro entre-dentes por várias pessoas, agora à boca cheia por Passos Coelho numa entrevista. A ideia do fim do euro ganhou forma e até ser realidade bastará um passo.

Xiribráqui é o fim do euro.

Portugal, o que é isso?

Tenho visto em diversos países como Portugal trata mal (ou simplesmente não trata) a sua afirmação externa.

Em muitos lugares Portugal não existe sequer, ou, se existe, deve-o a fenómenos pontuais como José Mourinho, Cristiano Ronaldo – o futebol, portanto -, a um ou outro escritor como Lobo Antunes ou Saramago, a um ou outro cantor ( lá está o fado), a um ou outro filme – a cultura portanto – e aos emigrantes portugueses – sendo que estes representam um fenómeno menos pontual.

O recente encerramento de parte da rede consular portuguesa e o despedimento de professores de português espalhados pela europa vem agravar este cenário, seja ao nível da afirmação externa, seja na ligação ao país e à língua  dos descendentes da emigração portuguesa, seja nas implicações comerciais futuras (os emigrantes e seus descendentes, além de consumidores de produtos portugueses “lá fora”, são e poderão ser excelentes “colocadores” destes produtos nos mercados em que se encontram).

Dir-me-ão que o país não tem dinheiro para luxos (luxos?), que os sacrifícios tocam a todos, etc e tal. Talvez, mas, de novo, parece-me que não se ponderou bem o deve e o haver. Acho que o que se poupa é inferior ao que se perde, além de malbaratar todo o trabalho anteriormente realizado e, nestes casos, descontinuar é regressar à estaca zero. Isto, admitindo que alguma vez se vai retomar o que agora se destrói.

O meu poema azul

adão cruz

Não sei fazer uma rosa nem me interessa não sei descer à cidade cantando nem é grande a pena minha.

 Não sei comer do prato dos outros nem quero não sei parar o fluir dos dias e das noites nem isso me apoquenta.

 Não sei recriar o brilho do poema azul…e isso dá-me vontade de morrer.

 Procuro para além das sílabas e dos versos a voz poderosa mais vizinha do silêncio o meu poema azul…o suspiro de Outono onde a brisa se aninha no breve silêncio do perfume do alecrim lugar das palavras e dos versos no caminho do teu rosto junto ao rio dos teus olhos onde a vida se faz poema e o mar se deita nos lençóis de luz do fim do dia.

 Procuro para lá das sílabas e dos versos encontrar meu barco à entrada do mar onde repousa teu corpo entre algas e maresia meu amor perdido num campo de violetas.

 O meu poema é tudo isto que me vive que me ilude que me prende ao lugar azul que procuro dia e noite por entre os versos do meu ser.

 O poema mais lindo da minha vida ainda não nasceu não tem asas nem olhos nem sentimento que o traga um dia o vento se vento houver que a saudade o encontre onde ele estiver.

 Dizem que no cimo dos pinheiros ainda é primavera mas tão alto não chego mais à mão molho a minha camisa primaveril no regato cristalino que vai correndo por entre os dedos num solo de cores e violino.

 Não sei colher uma rosa nem sei descer à cidade cantando sou apenas aquele que ontem dormia sobre um poema azul e das asas da ilusão se desprendia.

 Sou aquele que ontem se despia nos braços do poema que vivia sou aquele que ontem habitava em silêncio o poema azul que acontecia sou aquele que ontem sonhou em vão…com o poema azul de mais um dia.

Corrupção, o pasto dos “boys”

Não há ninguém, da esquerda à direita, que negue a necessidade de pagar o que se deve, falemos de países ou de pessoas. Existem, no entanto, algumas diferenças: há quem defenda que é necessário saber exactamente quanto se deve, que é importante saber que parte da dívida resulta de corrupção ou de incompetência e que é fundamental negociar, acto diferente de simplesmente aquiescer e que não se confunde com a recusa de pagar dívidas.

No Público de hoje, é possível ler uma reportagem de São José Almeida sobre a inexistência de “uma estratégia de prevenção e combate da corrupção em Portugal”. Trocando por miúdos, para quem tiver ou quiser ter dificuldades de leitura, isto quer dizer que não houve combate à corrupção e que tudo indica que continuará a não haver. A propósito, recomenda-se, entretanto, a visita a um blogue criado recentemente.

Convém não esquecer que a corrupção não é levada a cabo apenas por malfeitores façanhudos escondidos em caves suspeitas e fumarentas. Se assim fosse, seria fácil detectá-los. A corrupção está, também (e, provavelmente, sobretudo), no uso indevido que sucessivos governantes têm feito dos dinheiros públicos, mesmo que aos bois se lhes chame outros nomes. A vantagem de gastar mal o dinheiro dos outros é a de deixar a dívida exactamente para quem não o gastou.

É por essas e por muitas outras razões que concordo, em absoluto, com o conteúdo do “Apelo a Iniciativa Unitária por uma Auditoria à Dívida Portuguesa”. É claro que algumas pessoas mais sensíveis poderão ler a lista de subscritores e descobrir que aquilo está cheio de sindicalistas, comunistas, bloquistas e outros perigosos bombistas. No entanto, ó almas sensíveis, olhem, por um instante, para o conteúdo e esqueçam os mensageiros: não fará sentido saber se faz sentido todo este empobrecimento? Imaginem que se descobre que, afinal, não faz sentido.

Ingratos. não compreendem nada…

Miguel de Vasconcelos dixit

Tem havido certas acusações às minhas posições sobre a Europa, procurando colá-las à senhora Merkel, ou à Alemanha. Não é
verdade. (…) A nossa posição — não somos os unicos — é a de que
aqueles que foram indisciplinados devem — quando requerem a
solidariedade dos outros países — devolver essa solidariedade com
responsabilidade. Parece-me um contrato muito correcto. Ora como
a senhora Merkel tem insistido nesta matéria, em vez de colagem
há coincidência de posições, o que é diferente.

Passos Coelho

Hoje dá na net: As Aventuras de Tom Sawyer

As Aventuras de Tom Sawyer

As Aventuras de Tom Sawyer, filme de 1938, baseado no famoso livro The Adventures of Tom Sawyer de Mark Twain. Disponível para download (filme e legendas), com muito melhor qualidade do que a versão Yoututbe.

corrigido

O Aventar censura e protege governantes e políticos

Por FRANCISCO GOMES

1) Tendo ja submetido à censura do Aventar por DUAS vezes um comentario à conduta do Passos Coelho e seu governo com 11 itens, cujo titulo é “O NOVO CARGO MR (MOÇO DE RECADOS VEM SUBSTITUIR O ANTIGO CARGO DE PM (PRIMEIRO MINISTRO) e que foram publicados no seu mural e no do Cavaco e foi a partir de um destes que alguem o terá lido e que me deu a conhecer o Aventar e fiquei satisfeito por ter esta oportunidade. me parece a minha intervenção dura mas eficaz e justa e oportuna e necessaria nas criticas que faço mas com respeito, sem ofender nem insultar ninguem.nem difamando ninguem, nem dizendo mentira nenhuma, trata-se de um pensamento revoltado de tanta injustiça e incompetencia numa sequencia de governos com uma gestão destruidora da qualidade de vida dos portugueses. Sou médico, considero-me um privilegiado mas vivo intensamente e indignadamente o que se esta a fazer ao povo portugues com um objetivo claro de o neutralizar e o levar á pobreza, contrastando com
o
enriquecimento impune e constante dos politicos, por isso nada vejo de errado no mesmo e se quem faz a seleção tem uma intervenção de censura tão pesada e está precoupado em defender quem nos provoca e nos vai destruindo então o meu desejo de participar neste site se anula ja que este comentario não foi publicado por isso terá sido considerado como lixo ou ofensivo, quando não o é. Tem neste site publicações bem mais “agressivas” [Read more…]

Fotografia de Rua

A superioridade moral dos banqueiros

Certa tarde, um famoso banqueiro ia para casa na sua limousine quando viu dois homens à beira da estrada comendo erva. Ordenou ao seu motorista que parasse e, saindo, perguntou a um deles:
– Porque é que estais a comer erva…?
– Não temos dinheiro para comida, disse o pobre homem e por isso temos que comer erva.
– Bem, então venham à minha casa e eu lhes darei de comer – disse o banqueiro.
– Obrigado, mas tenho mulher e dois filhos comigo. Estão ali, debaixo daquela árvore.
– Que venham também – disse novamente o banqueiro. E, voltando-se para o outro homem, disse-lhe:
– Você também pode vir.
O homem, com uma voz muito sumida disse:
– Mas, senhor, eu também tenho mulher e seis filhos comigo!
– Pois que venham também – respondeu o banqueiro.
E entraram todos no enorme e luxuoso carro. Uma vez a caminho, um dos homens olhou timidamente o banqueiro e disse:
– O senhor é muito bom… Obrigado por nos levar a todos.
O banqueiro respondeu:
– Meu caro, não tenha vergonha, fico muito feliz por fazê-lo! Ireis ficar encantados com a minha casa… A erva está com mais de 20 cm de altura!

“Quando achares que um banqueiro (ou banco) está a ajudar-te, não te iludas, pensa um pouco antes de aceitares qualquer acordo…”

anedota encontrada no facebook

IVA na cultura

Não tenho nada contra a cultura, até acho que a cultura, como a restauração, os artigos de vestuário e os refrigerantes (ou a Coca-Cola) deveriam estar sujeitos à taxa mínima, se possível isentos de IVA. Também sei que as receitas da cultura não devem representar muito em termos de receitas fiscais, talvez seja esta a principal razão de o Governo ter cedido, mas não percebo por que é que se criam exceções quando sabemos que há aumentos que serão bastante mais injustos e destrutivos para algumas famílias portuguesas.

Sei perfeitamente que estamos a atravessar um período em que a racionalidade e/ou a justiça das medidas não são os pontos de discussão mais importantes, mas impõe-se o mínimo de coerência.

A publicidade das atividades culturais já é patrocinada com o nosso dinheiro na televisão pública; os atores, realizadores e afins já têm tempo de antena mais do que suficiente para promoverem os seus espetáculos (o que não acontece com as outras áreas), por que motivo continua a haver tamanha descriminação positiva em relação a estas atividades?

Texto de João Pinto / Cortesia de Criticamente Falando

O valor do salário

No actual debate público em torno das políticas económicas e financeiras, quer em Portugal quer pela Zona Euro em geral, torna-se evidente que os ditames ideológicos do pensamento económico dominante, enquadram o salário com um mero custo. Por cá, chega-se mesmo a entender que fazem parte de gorduras a eliminar tanto quanto possível.

Esquece a lógica neo-liberal – para quem o lucro é sagrado e o mercado é tudo – que a saúde de qualquer economia se afere pela distribuição da riqueza que se concretiza pelos salários e pelos impostos. Uma economia com algumas grandes fortunas à custa de muitos assalariados remediados não é economia saudável: é escravatura contemporânea. [Read more…]

A Rainha

adão cruz

Dizem que toda a vida sonhara em ser Rainha. Rainha de qualquer coisa, já que não podia ser Rainha a sério. Por isso, no bairro, todos lhe chamam Rainha. A Rainha para aqui, a Rainha para ali.

Não que haja, em bairro tão pobre, qualquer tipo de estatuto, hierarquia ou respeito especial. Não é um bairro onde os respeitos tenham degraus. No entanto, a Rainha, talvez pela idade, é assim uma espécie de pessoa honoris causa, uma espécie de Rainha-Mãe. [Read more…]

Hoje dá na net: Touch of Evil

Touch of Evil, uma história perversa de assassínio, rapto e corrupção policial numa cidade de fronteiriça do México. Clássico do film-noir. Com Orson Welles (também é o realizador), Charlton Heston e Janet Leigh. Página IMDB. Em inglês, sem legendas.

Juros da Troika equivalem a 20 linhas TGV Lisboa-Madrid

Segundo a revista Visão, os juros a cobrar pela Troika ( 34.400 milhões de euros num empréstimo de 78.000 milhões) correspondem a:

38 pontes Vasco da Gama

10,5 novos Aeroportos de Lisboa

20 linhas TGV Lisboa-Madrid

123 aviões Airbus A 380

17,5 fábricas Autoeuropa

265 hospitais

Não será isto aquilo a que chamam “viver acima das nossas possibilidades”?

Almoço Aventar

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Entre beber histórias e experimentar a deliciosa gastronomia, é difícil escolher. Excelente lugar de almoço, novamente.

As histórias tinham a graduação exacta para todos ficássemos convenientemente embriagados.

Como é evidente, por sermos um blogue verdadeiramente plural e, portanto, popular, continuamos a almoçar em tascas, neste caso na coimbrã Taberninha.

Vírus mortíferos criados em laboratório

Cientistas holandeses induziram mutações no vírus H5N1 da gripe da aves e transformaram-no num vírus capaz de de ser tão transmissível entre humanos como, por exemplo, o da gripe sazonal. Este vírus, no entanto, é altamente letal e estima-se que possa matar seis de cada dez pessoas  infectadas. Ainda que tenha alguns defensores, as condições de segurança teriam que ser tão apertadas que, fatalmente, um dia algo correria mal. Como diz a lei de Murphy, se pode dar errado, um dia dará seguramente.

Não é só ter meios, tecnologia e “brilhantismo” intelectual capaz de elaborar teorias científicas inovadoras. Bom senso precisa-se, e muito.

Aventário

Há dias em que me apetece comemorar (que, em Latim, quer dizer ‘lembrar em conjunto’). No momento em que me estiverem a ler, estarei a almoçar na minha cidade na companhia de alguns dos companheiros de blogue. Estarei a comemorar.

Tenho bastante dificuldade em fazer parte de colectivos, talvez porque padeça do vício da hesitação, talvez porque me falte um certo arremesso de generosidade apaixonada. No entanto, nunca me senti tão integrado num grupo como no Aventar.

Para isso contribuiu, em primeiro lugar, a amizade antiga com o João José Cardoso. Logo a seguir, senti-me confortável graças ao acolhimento de todos os outros. Finalmente, a minha primeira participação num convívio prandial fez-me associar nomes a caras, a pessoas, e o conforto, o aconchego aumentou.

Contudo, a verdade é que o gosto por fazer parte deste grupo não se deve apenas a amizades ou a empatias ou a almoçaradas, por muito fundamentais que sejam. Aqui, sinto-me desafiado a tentar ser melhor, por desejar estar à altura de todos os que fazem o Aventar, o que não é fácil diante de tanta criatividade, de tanta iniciativa, de tanta capacidade de intervenção cívica, factores visíveis, por exemplo, na tradução do Memorando de Entendimento ou na publicação do vídeo com que o Ricardo Santos Pinto lembrou as promessas de Pedro Passos Coelho.

O que mais me espanta, no entanto, é o desejo de dar voz a todos os quadrantes, em sentido contrário à tendência que todos temos em juntar-nos às nossas tribos políticas ou outras. É por isso que os esquerdistas que infestam o blogue clamam por vozes de direita, é por isso que os portistas desejam que os benfiquistas escrevam, é por isso que os republicanos querem ler os monárquicos, mesmo que nos digladiemos nas caixas de comentários ou no correio interno.

Tinha mais coisas para escrever, mas já estão aqui a encher-me o copo. À vossa!

Catroga apontado para a EDP faz todo o sentido…

Expresso 2011-12-03… desde que no trabalho use uma Thermotebe. Como se sabe, estas camisolas funcionam por geração de electricidade estática quando friccionadas contra os pêlos corporais. Portanto, nada mais indicado para a EDP do que o homem do pentelho.

Relatório da Reforma Hospitalar: consulta pública

O Ministério da Saúde submeteu a consulta pública o relatório do Grupo Técnico da Reforma Hospitalar.

Segundo as primeiras informações que obtive, manifestei aqui reservas, a meu ver fundadas, sobre aspectos de segurança para os doentes, falta de condições estruturais e de horários dos Centros de Saúde para atender, em 12 horas, Sábados e Domingos incluídos, doentes, triados como “não urgentes” pelos serviços de emergência hospitalar.

No ‘site’ do Ministério da Saúde, pode ler-se que o trabalho se integra no compromisso assumido com a ‘troika’ para os serviços de saúde do Estado. Os objectivos da ‘troika’ são predominantemente economicistas, como se pode ler no ponto 3.49 e seguintes da parte do memorando dedicada àqueles serviços:

Revisão substancial das categorias isentas de pagamento com o Ministério da Segurança Social, aumento das taxas moderadoras, indexação destas taxas à inflacção, reduções de 30% em 2012 e 20% em 2013 nos orçamentos dos subsistemas da ADSE, Serviços de Saúde Militares e da Administração Interna (Polícias), controlo de preços de medicamentos e prevalência da prescrição de genéricos, prescrição electrónica de medicamentos e de meios de diagnóstico, regulamentação do mercado de farmácias, implementar medidas para reduzir em 200 milhões de euros os gastos dos hospitais de 2011 a 2012.

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Hoje dá na net: Mondego

Daniel Pinheiro produziu este documentário como trabalho final do seu “Masters´s Degree in Wildlife Documentary Production from the University of Salford“. Do Mondeguinho à Foz, em 15 minutos expande-nos a visão do rio que me atravessa os dias. Fiquei a conhecer uns vizinhos bem simpáticos. Excelente.

Europa: o centralismo germano-francês

O pós-2.ª Guerra e a fundação da CECA

Robert Schuman, em 9 de Maio de 1950, e tendo avisado apenas na véspera o secretário de estado dos EUA, Dean Acheson, publicitou o acordo estabelecido com a Alemanha, de Konrad Adenauer, nos seguintes termos:

O governo francês propõe que toda a produção franco-germânica de carvão e de aço seja colocada sob uma alta autoridade conjunta no quadro de uma organização que estaria também aberta à participação de outros países da Europa.

O acto, dos dois políticos democrata-cristãos, viria a dar lugar à fundação em 1951 da CECA (Comunidade Europeia do Carvão do Aço), integrando a seguir os países do Benelux e a Itália; esta, pela mão do também democrata-cristão, Alcide de Gasperi. Foram considerados os “pais da Europa”, depois transformada em CEE e hoje em  União Europeia.

As remotas origens da UE tiveram, pois, motivações de ordem económica do pós-2.ª Guerra. Então, o “sistema económico” prevalecia sobre o “sistema financeiro”.

A União Europeia e a Zona Euro, na actualidade

O protagonismo, na altura, centrou-se no eixo ‘franco-alemão”, o qual, nos dias de hoje, sofreu uma inversão de carácter hierárquico; pois, em boa verdade, deve designar-se como eixo ‘germano-francês’. Temos, assim, dois grandes actores: a líder Angela Merkel, alemã, e o submisso Nicolas Sarkozy, francês.

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Quem vai para o mar e já morreu na terra

Depois de ter ouvido ao longo da tarde a palavra milagre, o meu lado mais jacobino renasceu.

Confiem na santa e vão vendo o trambolhão que levam.

A gente que desde pequenino aprendi valer um bocadinho mais do que todos nós, os pescadores e suas sempre antecipadas viúvas, volte ao tempo em que se cantou: quem não teme o mar não teme os patrões. Ou vão todos jogar à bola, caxineiros do caralho.

A tua mão

adão cruz

Como simples aves damos as asas a caminho do sol para fugir às lágrimas que a terra espreme.

A luz incendeia a vontade de fugir mas a tua mão serena abre o coração à esperança onde a angústia cresce por entre músicas perdidas e restos de flores.

Eu continuo o caminho dos lábios que deixaram de suspirar e dos olhos que pararam de girar confundidos entre lágrimas e risos.

O longo caminho das sombras onde as plantas não falam nem as fontes nem os pássaros.

Mas a tua mão apertada mesmo que incrédula murmura baixinho que os prados se estendem a nossos pés.

E que as brandas ondas do mar deslizam suavemente sobre a areia cobrindo de espuma o teu corpo sonâmbulo que à noite desperta por entre o labirinto dos meus sonhos.

Que palácios pretende o vento impaciente em teus cabelos de fogo vencida a idade em que o coração treme sem casa para morar?

Sorteio para o Euro 2012: não podia ser pior

O sorteio para a fase de grupos do euro 2012 não podia ter sido pior para Portugal. Num grupo com a Alemanha, a Dinamarca e a Holanda (todos já campeões europeus), qualquer deles vai ter que penar para passar aos quartos de final. Mas é um europeu e quem quer ir longe tem que ultrapassar etapas, seja com a ajuda de São Ronaldo, seja com os sermões de S. Bento.  Veja os grupos, o calendário de jogos e diga se não havia melhor: [Read more…]

O caso do “estripador de Lisboa” em 1992/93

Agora, por um acaso quase anedótico, os media referem que foi finalmente descoberto o “estripador de Lisboa”, que no início dos anos 90 terá morto (a ter sido o mesmo autor para todos os crimes, como a geografia e o modus operandi indicam) e esventrado três prostitutas.

O caso nunca foi desvendado e os crimes do “estripador de Lisboa” nunca foram deslindados. As pistas provaveis passaram por locais diversos, incluindo os EUA. Abandonada a pista americana, os acontecimentos permaneceram em mistério e o seu autor nunca foi identificado. Até hoje?

De que falamos quando falamos do chamado “estripador de Lisboa”? Eis a reportagem completa:

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Mas em que século é que estamos?

Os tripulantes do pesqueiro “Virgem do Sameiro”, que estava desaparecido há dois dias, na zona da Figueira da Foz, foram encontrados com vida.

Esta é a boa notícia. A má notícia é que em pleno século XXI um barco de pesca pode naufragar e os seus tripulantes ficarem numa balsa sem comunicações.. Foram encontrados cerca de 20 km a norte do Cabo Mondego, uma distância ridícula. Eu sei que os pequenos armadores têm grandes dificuldades económicas mas isto é inadmissível. Quem vai para o mar aparelha-se em terra e cabe ao estado proteger a vida dos seus cidadãos. Bastava um sinal de presença que fosse captado pelos socorristas. Desta vez acabou bem. Nem sempre acontece.

O estripador de Lisboa e a Casa dos Segredos

Não sei se esta notícia terá algum fundo de verdade ou se não passa de especulação mediática feita para vender jornais. Por outro lado, não sou espectador de programas em que fecham uma dúzia de badamecos numa casa e ficamos a espreitar pelo buraco da fechadura a ver se têm relações sexuais entre si, se emagrecem ou não.

No entanto leio jornais e passo os olhos pelos títulos que falam desses exercícios de voyeurismo. Invariavelmente, ou quase, ressalta a estupidez, a falta de pudor, o desprezo pela privacidade, a baixeza de intenções e declarações. Uma coisa que me faz impressão é a disponibilidade desses concorrentes ( e suas famílias ) para a exposição da sua própria parvoíce, ignorância, vileza de sentimentos e falta de cultura, para não falar de outros valores que ultrapassem a vontade de brilho momentâneo, a necessidade de reconhecimento público por via da televisão apesar de, coitados, não haver nada para reconhecer.

Agora os jornais vêm dizer que a PJ terá descoberto o alegado estripador de Lisboa porque o filho queria participar num programa de televisão revelando – não à polícia, a um familiar, etc. – um segredo ao país que se pendura no buraco da fechadura: que o pai seria um assassino. Não é apenas estupidez e ânsia de protagonismo, não é apenas uma carinha laroca enfeitada de primitivismo e roupas de marca. É repulsivo, animalesco e não abona nada a favor da inteligência humana.

Os demónios de Alcácer-Quibir

Rodrigo Moita de Deus queixa-se porque “nos últimos cem anos a república faliu quatro ou cinco vezes o país“. Não vou contar quantas vezes a monarquia o tinha falido antes que as falências ocorrem em qualquer regime e a da última década do séc. XIX até deu muito jeito aos republicanos. Já levar Portugal à perda da independência foi até hoje exclusivo da monarquia, primeiro com os casamentos que procuravam a união dinástica, iniciados ainda no séc. XV, e tendo como corolário um tolinho, vítima de tanta consanguínidade, que foi brincar às guerras para Alcácer-Quibir. Em 1580 o mouro é que jogava em casa e levámos uma abada.

Isaltino, um homem brilhante

isaltino, um homem brilhante