O Cosme volta a atacar e cito:

Reparem bem, eu avanço com duas hipóteses 1) trazer a pretalhada para cá de forma segura nos aviões da TAP e 2) afundar os barcos e matar a pretalhada.

Claro que podes escrever o que entenderes…

Acima de tudo prezo a Liberdade, ao ponto de não a trocar por qualquer outro valor. E tenho que admitir que todos têm os mesmos direitos que eu. Por isso podes escrever o que entenderes. Se existe alguém insuspeito neste blog de discordar de Louçã, serei eu. Apenas não insulto seja quem for, porque isso é fazer jogo sujo, vil, torpe. Habitualmente o insulto é arma utilizada quando faltam argumentos para discussão, coisa de grunhos. Ao contrário de ti não sou racista. Mas não quero criminalizar racismo nem racistas, isso seria descer a um nível inaceitável para mim, cujo lema será talvez “é proibido proibir…” Apenas te lanço um repto, quando tirares umas férias esquece o Algarve, Caraíbas ou praias nas ilhas europeias e vem até África. Mas não te fiques por um resort guardado por seguranças armados com AK47, conhece o povo, interage com as pessoas. Podes começar por Marrocos e se ganhares coragem ultrapassa o Atlas, atravessa o Sahara. Fala com cristãos católicos e evangélicos, muçulmanos de várias correntes e até judeus sem esquecer os budistas pois andam milhões de orientais pelo continente berço da humanidade. Muito provavelmente em termos académicos dás-me uma abada e ganhas por 10 a 0, apesar de ter lido umas coisitas de economia, admirar Mises e Hayek, ter começado por Friedman, mais tarde ter descoberto Hume ou Smith mas principalmente Tocqueville. Ainda assim serei apenas um ignorante. Mas tu és estúpido. Parafraseando Einstein se me é permitido, “Only two things are infinite, the universe and human stupidity, and I’m not sure about the former”. Sim, o racismo faz parte da condição humana, mas será um dos seus exemplos de estupidez. Ainda assim, fica tranquilo, porque para mim deve ser proibido proibir, jamais me passaria pela cabeça proibir ou punir a estupidez…

E se isto tivesse acontecido na Rússia, na Venezuela ou no Irão? (IV)

Depois da violência no cárcere, os motins, o recolher obrigatório e o exército nas ruas. Alguém viu por aí a extrema-direita pseudo-Charlie?

E se isto tivesse acontecido na Rússia, na Venezuela ou no Irão?

O afro-americano Freddie Gray foi preso por posse de arma branca. Uma semana depois morreu na prisão na sequência de uma fractura cervical. Quanto negros terão que morrer em Baltimore até que alguém diga Charlie?

São apenas pretos

No episódio 5 do documentário A Guerra de Joaquim Furtado (aquele onde se clarifica a natureza racista e esclavagista do colonialismo português) um enfermeiro moçambicano narra o seu diálogo com um superior hierárquico, a quem questionava por uma sua colega com muito menos habilitações do que ele ganhar o dobro:

– Tens dúvida de que és preto?

– Isso não tenho dúvida

– É isso, ela é branca, ganha mais do que tu, que és preto.

Há por lá mais exemplos do mesmo. Enquanto por estes dias editava o documentário de forma a poder utilizá-lo nas minhas aulas de História, apareciam-me mentalmente no monitor as imagens dos que atravessam o deserto e o Mediterrâneo, e por ali morrem. Vítimas das guerras que homens brancos foram inventar a Sul, vítimas de nem parte da globalização os deixarem ser, vítimas da natureza humana, que tem aquela pretensão, os do costume dirão estúpida, de quererem alimentar-se, vestir-se, habitar, viver. Os do costume explicam: têm dúvidas de que são pretos? E para que não as haja em sacos negros os embalarão.

Do Charlie Hebdo ao Syriza: o regime contra-ataca

Iohannes Maurus*

A propósito do atentado de ontem contra o Charlie Hebdo, partilho um artigo sobre as caricaturas de Maomé que publiquei em Viento Sur faz agora quase 9 anos. Tudo o que nele disse continua, para mim, perfeitamente válido. Haveria apenas que acrescentar um matiz importante.

Hoje, o que era um fantasma terrorista sob o qual queriam ocultar-se as resistências reais ganhou corpo. Do lado árabe-muçulmano, do lado dos colonizados, tanto nos seus próprios países de origem como no espaço colonial importado para as metrópoles, um pequeno sector assumiu como sua a imagem fantasmal do islamista-terrorista produzida pela propaganda neocolonial do Ocidente. Hoje existem realidades como o Estado Islâmico ou as diversas “franchises” da Al Qaida cuja delirante materialidade de ectoplasma não as impede de assassinar, com pretextos teológico-políticos, pessoas de todas as religiões, quer sejam yazides, cristãos do Oriente ou muçulmanas.

Pouco importa que este tipo de subjectividade política delirante e desligada de qualquer processo de libertação anticolonial tenha sido criado ou financiado directamente pela CIA ou outros serviços ocidentais, como aconteceu com a Al Qaida no seu tempo, ou que tenha aparecido espontaneamente, como, segundo Aristóteles, podiam aparecer criaturas infecta dos miasmas. O que importa é que essa imagem do “mouro mau” é a própria imagem do colonizado produzida pela dominação colonial, uma imagem que, assumida pelo colonizado, reproduz ao infinito e de modo nenhum anula essa dominação. O olhar colonial cria o bárbaro, o incivilizado, justificando assim sobre o nada moral e cultural deste último um presumível direito de tutela — mais ou menos paternal ou mais ou menos violenta — dos civilizados sobre os bárbaros. Os assassinos dos jornalistas de Charlie-Hebdo são os tristes agentes dum acto de propaganda colonial pela acção. [Read more…]

Europa Querida Europa

Estás cada vez mais à beira do abismo. Em França, mais uma vez.

 

 

Entretanto

Enquanto em Portugal andamos a por ex-primeiros-ministros em prisão preventiva e a queixarmo-nos muito do nosso sistema de Justiça, convém recordar que nos Estados Unidos, Darren Wilson, que deu seis tiros a um adolescente desarmado, não vai ser acusado.

Os pais de Michael Brown querem levar o caso ás Nações Unidas.

Michael Brown tinha 18 anos e tinha acabado o liceu. Era negro.

A economia dispensa a história

Já dizia o pequeno comentador do economiquês nacional que os professores de história em nada contribuem para o crescimento e o certo é que vamos confirmando que, nesta nova Europa utilitarista, as humanidades são entretenimento para inúteis. Os resultados nem estão a demorar muito a aparecer. Desmemoriada e cega pelos números, a Europa condena-se a repetir os seus horrores.

Leia-se esta reportagem de Maria João Guimarães, em Marselha, acerca do clima de rejeição aos estrangeiros, sobretudo em zonas multiculturais, e de como os partidos nacionalistas estão a capitalizar o descontentamento face à situação económica e a desconfiança em relação à diferença. Quem tem memória de um passado não tão longínquo, como o reformado Auguste Olive com quem a repórter falou, não pode evitar as comparações: [Read more…]

From Russia with hate

Vencedor de vários prémios na área do jornalismo de investigação, este documentário do jornalista Christof Putzel leva-nos numa visita guiada à ascensão da extrema-direita de inspiração nazi no berço do comunismo. Para além desta aparente contradição, e do lado irónico de tal acontecer no país que mais vidas perdeu para o nacional-socialismo alemão, este trabalho, datado de 2007, pode apresentar-nos algumas pistas sobre origem da escalada de violência no país, nomeadamente nas zonas fronteiriças partilhadas com a Ucrânia, e alertar-nos para um futuro no mínimo preocupante às portas da Europa, onde a semente da extrema-direita tem germinado com um vigor assustador.

Sobre o racismo no futebol

Aproveitando o destaque de que o tema do racismo no futebol tem sido alvo, deixo-vos aqui uma outra forma, igualmente muito elevada e digna, de responder às tristes manifestações racistas que infelizmente (ainda) acontecem no desporto-rei. Aqui, o acto de comer a banana protagonizado por Dani Alves é substituído por um míssil teleguiado de Givanildo Vieira de Souza, o Incrível Hulk que tantas saudades deixou por estes lados.

Mulher admirável

É grande e admirável a MULHER que reage assim à estupidez.

Os racistas escondidos

A avaliar por este artigo (em inglês), temos uma imagem demasiado boa dos suecos.

A História do medo nos Estados Unidos em 3 minutos

Autoria (não confirmada) de Michael Moore.

Ainda bem

No país onde só a direita pode ir às urnas perdeu a extremidade racista. Agora tomem um chá e sosseguem.

ocupam o passeio

O passeio é estreito. A mulher desce a rua com as crianças, três meninas. As crianças chalreiam, riem alto. A mulher não diz nada, tem os olhos postos nalgum ponto distante, no fim da rua. A mulher vai cansada. As crianças e a mulher ocupam o passeio todo. A rua é antiga, o passeio é estreito. A mulher e as três crianças são negras e ocupam o passeio.

O homem está parado à porta da mercearia. Tem à mão apoiada na parede e fala lá para dentro, para um merceeiro oculto nas sombras da mercearia antiga. Na outra mão leva um saco de plástico com uma lata de salsichas. O homem vira-se no pior momento e embate na mulher. A mulher espanta-se porque vai a pensar noutra coisa. O homem enfurece-se.

– Então, é assim?!

A mulher não diz nada, sustém-lhe o olhar. Ele repete, agora mais alto:

– É assim?! [Read more…]

Futebol e racismo

Não gosto de insultar ninguém, evito chamar nomes, odeio qualquer laivo de racismo, irrita-me a xenofobia e abomino o machismo quotidiano que leva a que a violência possa ser considerada um animal doméstico. No entanto, não me coíbo de contar anedotas sobre qualquer tema escabroso, como não deixo de me rir com piadas de mau gosto, talvez porque, inconscientemente, veja nisso um escape para a estupidez, uma catarse, um modo de deitar fora aquilo a que os videntes das manhãs televisivas chamam más vibrações.

Sempre que vou ao futebol, mantenho uma contenção verbal que deriva mais da cobardia do que da vontade idiota de insultar os adversários, mas sei que não há que esperar o mesmo das multidões que frequentam os estádios. É por isso que não perco tempo a pensar nos cânticos que os adeptos dirigem aos clubes adversários e é também por isso que encaro com bonomia o “fiiiiiiilhooooooo da puta” com que os guarda-redes são presenteados quando executam um pontapé de baliza.

O mundo do politicamente correcto tomou-se de ódios por algumas expressões insultuosas, deixando outras intactas. No mundo do futebol, não é importante que se chame nomes às mães dos adversários ou que se ponha em dúvida a orientação sexual dos desportistas ou que a honestidade dos árbitros seja sempre considerada inexistente. O único insulto que é, agora, considerado, grave é aquele que está contido em expressões racistas, o que me parece redutor.

Assim, relativamente a este assunto, na ordem do dia devido ao processo de que poderá ser alvo o Futebol Clube do Porto, defendo que só fará sentido castigar jogadores e clubes por todo e qualquer insulto, o que poderia tornar uma ida ao futebol muito menos cómica, ainda que extremamente correcta. Muito a propósito, subscrevo este texto. Também a propósito, reveja-se o maravilhoso sketch dos Gato Fedorento. [Read more…]

Volta para a tua terra

Triste sorte ser negra em Portugal

Transcrevo este depoimento narrado pelo Luís Fernandes, e que respeita à minha vizinhança. Comentem vocês. Eu agora não posso, estou com vontade de vomitar.

Segundo me contou, enquanto fomos deglutindo o bom jantar servido no Paço do Conde, “é muito triste ser negro aqui. Todos nos tratam como se fôssemos de segunda categoria. Constato isto diariamente. (…) Veja bem, trabalhei 18 anos numa grande empresa de Coimbra. Trabalhei muito duro, nem o senhor imagina. Olhe que muitas vezes tive de deixar os meus filhos pequenos para ir trabalhar, porque o patrão chamava. Havia uma grande encomenda para despachar, e eu ia. A minha família dizia-me, um dia vais arrepender-te de toda essa entrega, mas eu não ouvia. Eu precisava de trabalhar para alimentar os meus três filhos. Eu fazia o que fosse preciso sem olhar ao esforço. Um dia caiu-me uma peça sobre o ombro e atingiu-me um peito. Fui para a clínica para ser operada e foi-me atribuída uma incapacidade ao braço de 96,5 por cento. Não tenho nenhuma força nele. Por inerência da pancada no peito ganhei um nódulo que viria a tornar-se cancerígeno. Felizmente benigno – no entanto, volta e meia tenho de tirar líquido. Pois olhe que não me foi atribuída pelo seguro de acidentes de trabalho nenhuma forma de compensação. Continuei a labutar. Eu precisava do emprego para criar os meus filhos.

Há cinco anos o encarregado do armazém meteu-se comigo num dia em que apenas estávamos os dois a trabalhar. Queria ter relações comigo a toda a força. Bolas, eu sou viúva, sou negra, mas não sou uma coisa. Dentro deste peito pulsa um coração. Afastei o homem. [Read more…]

No Aventar cigano entra e é bem vindo

A Europa que nos têm vindo a idealizar caminha para trás ao invés de ir para a frente: os fundamentos são utópicos e falsos, o que a França está a fazer com os cidadãos europeus ciganos dos estados membro da UE Roménia e Bulgária choca com o desejo de uma Europa onde a liberdade e circulação de pessoas é um pilar.

A França é das maiores potências europeias e assim sendo faz pode e manda contra tudo e todos! A UE, quanto a mim, apenas esteve como um espectador um pouco indignado com todo este processo do Sr. “Sarkonazi”, as sanções não vão existir porque o poder é a facilidade de colocar o dedo ao nariz e xiuuuuuuu!

A Itália prepara-se também para copiar o que os franceses estão a fazer, tratar as pessoas como se fossem lixo.

Esta onda de facilismo que a UE está a permitir vem por aí abaixo, sonhei com o Paulo Portas a cancelar as suas férias para “imitar” os “palhaços” da extrema-direita daqueles dois países e propor o mesmo no parlamento português, há sonhos que são evidentes e não vai demorar muito para que o PP esteja com unhas e dentes a propor o mesmo em Portugal. Porque há muito que o desejo do PP é expulsar tudo o que é cigano e imigrante!…

Se eu não escrever nas próximas semanas é porque fui vítima da expulsão do governo português, sou cigano! O Paulinho certamente que vai propor que não desmantelem os submarinos antigos para lá nos colocarem e deixarem-nos no meio do Pacífico, pois quanto mais longe do Atlântico, melhor!

Bruno Gonçalves, cigano, mediador sócio-cultural e membro da Direcção Nacional do SOS Racismo

Foto: Acampamento Cigano no Choupalinho, Coimbra, JJCardoso

Mundial – não era preciso ser bruxo…

Como escrevi  aqui no Aventar  não era de esperar grande coisa deste campeonato. A ideia de alavancar a economia e a visibilidade da África do Sul é boa, mas o país em termos de segurança deixa muito a desejar. Acresce que nos últimos tempos, a extrema direita perdeu o seu líder branco, às mãos de um grupo de jovens negros.

Racismo, nazismo e ódio, não são ingredientes para resultar uma boa caldeirada, ou antes ,caldeirada resulta, apetitosa é que não. A violência campeia, a neta de Mandela morreu num desastre e as versões são mais que muitas não se afastando a possibilidade de um atentado. Jornalistas portugueses e espanhóis, no meio do nada foram assaltados enquanto dormiam e os jornalistas que cobrem o evento não têm rebuço em dizerem que têm medo.

Os senhores da FIFA estão hospedados em luxuosos hoteis, com toda a segurança, e no fim levam uns milhões muito largos, há já quem pergunte se valeu a pena fazer o campeonato na África do Sul, mas para os senhores do dinheiro isso é assunto que se vai ver no final. Nas contas!

Entretanto, pessoas que foram assaltadas nunca mais conseguem livrar-se do pesadelo, são assaltos à mão armada de extrema violência, no país os serviços de apoio estão cheios mas as autoridades dizem que a maioria das paessoas não pede ajuda, o problema é bem maior do que mostram as estatísticas oficiais.

E Mandela com 91 anos já não tem poder nem energia para voltar a liderar o seu povo!

Agora jogo eu

Não bastavam as vergonhas que foram a recepção ao Inter de Milão em Barcelona com humanóides a tocar tachos e panelas à porta do hotel durante toda a madrugada, o fogo de artíficio e os foguetes barulhentos a impedirem o sono dos adversários, os apupos a Figo, o banho que cortou a festa aos italianos após o banho que levaram os donos da casa no resultado final da eliminatória. Agora, num grupo anti-Mourinho que uns neandertais cibernéticos (têm polegar opositor,  indicador para teclar e pouco mais) criaram no Facebook, hordas de hominídeos que mal sabem soletrar (e isso porque, enfim, estamos no sec. XXI) surgem das cavernas a gritar impropérios (palavra difícil) e insultos. Contra Mourinho? Também, mas com isso pode ele bem. Insultos, e em toda a linha, contra todos os portugueses, como se todos fossemos um e Mourinho fosse todos. Um proto-neandertal com o ibérico nome de Siarhey Ilich Uliánov vem mesmo dizer “Muerte a los gitanos portugueses” para alargar um pouco mais o preconceito étnico-nacionalista. Os comentários sucedem-se em catadupa e cada actualização de página dá um salto monstruoso no avolumar do racismo e da estupidez de casta.

Até podem ter uma das equipas que melhor joga futebol no mundo. Mas, e falo apenas destes “adeptos”, em imbecilidade, parvoíce e talento natural para a burrice são muito mais capazes do que a equipa que putativamente “suportam” e não há “Mourinho” que lhes ganhe. Levem a taça que eu, a partir daqui, já não jogo mais.

Mundial de Futebol ameaçado!

O racismo espreita agora com a morte do líder da extrema direita branca que foi ontem a enterrar. E não escolhe povos, nem cores, nem países. Durante muitos anos os brancos num país africano de maioria negra, constituiram o “apartheid” como política, afastando os negros da governação, da justiça social e da sociedade. Hoje assistimos ao contrário, são os negros que dominam o poder e segregam a população branca, que constitui 10% dos 49 milhões de pessoas que habitam o país.

O Mundial de Futebol,  que decorre no próximo mês de Junho, na África do Sul, desperta velhos ódios que Mandela apaziguou mas não resolveu.

Non-sense

momentos nos quais se abate em mim a certeza que anda tudo doido, de um lado e do outro da barricada…

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