Faltam 17 dias para a visita do Papa a Portugal

E eu, esquecendo deliberadamente milhões de católicos deste país, associo-me a esse lamentável episódio da história deste charco.

«Tarde de chuva, a península inteira a chorar
Entro numa igreja fria com um círio cintilante
Sentada, imóvel, fumando em frente ao altar
Silhueta, esboço, a esfinge de um anjo fumegante

Há em mim um profano desejo a crescer
Sinto a língua morta e o latim vai mudar
Os santos do altar devem tentar compreender
O que ela faz aqui fumando
Estará a meditar?

Ai, ui, atirem-me água benta
Ajoelho-me, benzo-me, arrependo-me, esconjuro-a
Atirem-me água fria
Por ela assalto a caixa de esmolas
Atirem-me água benta
Com ela eu desço ao inferno de Dante
Atirem-me água fria

Ai, ui, atirem-me água benta
Por parecer latina suponho que o nome dela
É Maria
É casta, eu sei, se é virgem ou não depende
Da nossa fantasia.»

Video Maria, dos GNR, esteve durante muitos anos (não sei se ainda está) na lista de músicas proibidas da Rádio Renascença – Emissora Católica Portuguesa.

Apontamentos de Monsanto (3)

(Monsanto, Idanha-a-Nova)

Do vulcão europeu ao 11 de Setembro nos EUA

O vulcão Islandês que provocou o caos aéreo durante alguns dias, sobretudo  na Europa, veio mostrar, tal como o 11 de Setembro nos EUA, as fragilidades da mundialização em que vivemos.
Há alguns pontos comuns nos dois eventos que vale a pena realçar.
Por um lado, ambos tiveram  baixos custos de produção, o vulcão nao custou nada, os atentados foram feitos com alguns milhares de dólares. Ambos puseram os espaços aéreos das respectivas zonas onde aconteceram, durante alguns dias, interditos, com enormes prejuizos para as economias, particularmente   das transportadoras aéreas e passageiros.
Ambos tiveram a capacidade de mostrar as fragilidades do mundo em que vivemos, desorganizando a deslocação de pessoas, bens e mercadorias, provocando grandes perdas às companhias transportadoras e enormes transtornos a cerca de 7 milhões de pessoas deslocadas.
No caso dos EUA, segundo a OCDE, os  prejuizos directos e indirectos para a economia americana foram da ordem dos 22,347 mil milhões de euros.
Um estudo recente do banco HSBC estima em 150 milhões de euros os custos para as 5 maiores companhais aéreas durante os primeiros dias de paragem. Falta analisar o resto.
O frete aéreo só representa 5 % dos fretes a nivel mundial, mas em contrapartida, representa 40% do tráfico mundial de mercadorias, segundo o Prof. Daniel Mirza, estudioso do Centro de Estudos Prospectivos e Informação Mundiais.
Entretanto, houve quem ganhasse com a desgraça “alheia”; as empresas de transportes, os comboios, os TGV´s, que tiveram a sua hora de glória pela rapidez que alcançam, as autoestradas, os túneis, como o da Mancha, que tiveram os seus maiores picos  de fluxos durante estes dias, com tudo a passar por eles. Por outro lado, algumas regiões ganharam turisticamente, porque, se não se pode ir para o Norte passar férias, vai-se para o Sul à última hora.
Porém, as questões já levantadas pelo 11 de Setembro e agora renovadas pelas cinzas do vulcão Islandês  têm sido abafadas por duas vontades convergentes, a dos paises emergentes e a volúpia do lucro a todo o custo. A esperança do lucro sobreleva sobre os perigos do terrorismo ou de uma catástrofe mundial e só uma nova consciência social poderá pôr termo à situação.
Há uma incógnita no meio disto.
Até que ponto os impactos psicológicos das e nas  pessoas podem alterar a situação,ou seja, até onde, em nome da mundialização e do lucro, elas estão dispostas a correr riscos pessoais?

Sons de Abril: José Jorge Letria – Tango dos Pequenos Burgueses

Manifestação de apoio a Baltazar Garzón

Criado no dia 14, o grupo de portugueses  no Facebook de Solidariedade com o juiz Baltasar Garzón convocou uma Concentração/manifestação para o dia 24 de Abril, pelas 17:00 horas, junto da Embaixada de Espanha na Rua do Salitre, junto à Avenida da Liberdade em Lisboa (estação de metro da Avenida).
O Aventar apoia esta manifestação, uma forma solidária de celebramos Abril com aqueles que não querem apagada a memória das ditaduras ibéricas.

Av. da Liberdade e "El Cabezudo": Lisboa Arruinada

Este autêntico escândalo citadino existe há muitos anos. Dois prédios – um já demolido e outro que apresenta apenas a fachada arruinada – foram destruídos para o fim que a imagem mostra. É a prova da inépcia das autoridades e de um hipotético negócio especulativo que ainda não vingou. Este buraco situa-se diante da entrada sul do metro da Avenida, ao pé da estátua do “El Cabezudo”, vulgo Simão Bolivar, o grande herói chavista avant la lettre. Lisboa, uma cidade cada vez mais parecida com uma boca parcialmente desdentada e atingida pela cárie.

As Redes Sociais e o Aventar

Por mão amiga recebi os dados referentes ao período de 8 de Março a 7 de Abril da ComOn (Elemento Digital SA): “Relatório sobre os principais partidos políticos portugueses e seus líderes”.

Os resultados são muito bons para o Aventar. É óbvio que ficamos satisfeitos sem que tal signifique espantados. Não posso esquecer que se o Aventar foi o blog mais influente, já no Twitter foi a Deputamadre que liderou – ela é uma das nossas aventadoras. Mais um motivo de satisfação para a nossa e vossa casa.

Sobre este tema e também sobre o blasfémias podem ler amanhã, Sexta 23 de Abril, no Semanário Grande Porto o meu artigo de opinião.

Imagens de Abril: Revolução Portuguesa – Vasco Gonçalves

Os parlamentares, uma massa de gente improdutiva a viver à custa do erário público

Não fui eu que escrevi isto. Foi o deputado António Filipe, que também acha muito bem que todos nós paguemos viagens a Paris e à Conchichina.
Qualquer dia está no PS.
(via 5 Dias)

Presente e futuro da Advocacia: uma questão de República (10)

Continuando o que escrevi aqui.

Temos de saber o que queremos: ou investimos em equipamentos ou transportes de rentabilidade duvidosa, ou nas instituições republicanas. Ou pomos o Estado a funcionar ao serviço da cidadania e pelo cumprimento da Lei, ou, definitivamente, dedicamo-nos aos investimentos sem retorno.

Investir na Justiça é investir em algo com retorno: transmite confiança aos agentes económicos – principalmente a quem é de fora quer investir cá -, assegura a paz social e, ainda, promove o regresso ao investimento – por exemplo, daqueles que deixaram de investir no imobiliário para arrendar, pois não estão para correr o risco de terem de recorrer aos tribunais para uma acção de despejo e a mesma arrastar-se por anos.

Atente-se, ainda, para um facto que há muito denucio e que nos últimos tempos tenho visto alguma gente a defender o mesmo: todos os dias milhares de pessoas perdem manhãs ou mesmo um dia completo de trabalho pelos corredores dos tribunais sem qualquer proveito para a causa. Milhares de pssoas não convocadas, perdem horas nos tribunais, para depois virem embora sem terem sido ouvidas.

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Faltam 18 dias para a visita do Papa a Portugal


E eu, via Aventar, não posso deixar de me associar a este brilhante momento da história de Portugal.

…e rasgaram as minhas vestes

Salvador Dalí, Cruxifición ou Corpus Hypercugus, 1954

Todos sabem que não sou um homem de fé, contudo, os acontecimentos da Igreja Romana e dos seus Sacerdotes e estudantes, levou-me a reflectir.

1. A memória social.

A memória não é apenas de cada indivíduo. Essa, é a lembrança que o ser humano tem, pensamentos que acarinha, ou, como já disse John Locke, em 1695, é a consciência formada em cada um de nós com a experiência. O saber pelo qual agimos acaba por estar no meio de todos os seres humanos que partilham a experiência quotidiana da vida. Há os que lembram a história local, há os que sabem os nomes das famílias, há os que lembram as datas de nascimento, há quem saiba as intimidades. Há, enfim, os que orientam a sua vida pela memória que por eles não foi escrita, mas que é usada para orientar o comportamento ou para o interpretar. Há os que, por saberem interpretar, acabam por ser os sábios do grupo social com o qual interagem. Não há grupo social sem interacção, sem convívio com outros seres humanos. Esse convívio é pautado. Não é fácil. Não é acessível. Tem obrigações, distâncias, tabus, interdições. Também permissividades. E preferências. Mas, principalmente, obrigações hierárquicas entre gerações, ou ainda entre pares. Conforme o comportamento, ideia, saber de que tratem as pessoas. [Read more…]

Stop Eólicas em Sortelha

Sortelha faz parte da lista de aldeias históricas criada em 1991 e que inclui núcleos urbanos com fundação anterior à nação portuguesa.
Sortelha também tem (ou tinha em 2001) 579 habitantes.

E pelos vistos daqui a uns tempos poderá ser a freguesia com maior número de geradores eólicos por habitante se forem instalados os 17 ou 18 geradores… na verdade não faço ideia se será o maior número ou não mas imagino que um gerador por cada 31 habitantes seja um número elevado…

Mas a principal questão segundo o blog Vamos Salvar Sortelha é mesmo o impacto que estes equipamentos poderão ter no, talvez único, recurso endógeno da região… a sua paisagem.

Tenho a certeza que neste processo a empresa que quer efectuar esta instalação prestou todos os esclarecimentos à população.
Também tenho a certeza que todos os representantes da JF de Sortelha foram informados de todos os potenciais impactos positivos e negativos que esta opção poderá ter (incluindo financeiros) e os transmitiram aos seus representados… os tais 579 habitantes.
E tenho a certeza que levaram isso em consideração para a sua decisão final.
Tenho a certeza disso porque é assim que costuma funcionar a nossa democracia.

O deus do homem

(em termos de conclusão do post anterior “Que deus?”, transcrevo uma pequena parte de um texto meu, já antigo)

Negando os limites da sua própria natureza e da sua imaginação, o Homem assume-se como centro do Universo e inventa um deus, seu pai, cuja ontológica preocupação máxima, permanente e eterna, é a salvação da alma deste ridículo micróbio, desprezando todos os outros seres cuja diferença está, apenas, num número inferior de neurónios!

Admitindo absurdamente a pré-existência de tal deus, a sua revelação exclusiva ao animal-homem, repito, apenas porque os neurónios deste são mais numerosos do que os do cão ou do macaco, faz rir.

Consideram os cientistas, após as últimas fotografias das sondas que foram até Marte, que este planeta deve ter contido muita água e provavelmente vida, há milhares de milhões de anos. Se assim for…que vida? Animais com mais ou menos neurónios do que o Homem? Sem neurónios mas com outro substrato da razão que não imaginamos? Outros seres, estruturas materiais desconhecidas, mas, eventualmente, muito mais complexas do que o Homem? [Read more…]

Contribuição do Grupo BES para o PIB – 2

Submarino sem os serviços da ESCOM

Documento prova pagamento de luvas à empresa ESCOM, a tal que recebeu 30 milhões de euros por consultoria no negócio dos submarinos, titula hoje o Correio da Manhã.

Esta contribuição para o PIB já foi aqui tratada, após o presidente do BES  nos vir dizer que o Grupo é composto por 400 empresas e contribui para o PIB em 1,5%. Eu acredito que sim, embora a minha definição de contribuição para o PIB não seja bem a mesma, é que o Grupo BES está em todas as empresas que são  protegidas pelo Estado, onde retira, não só os seus rendimentos accionistas como vende os seus serviços financeiros, de seguros, de consultoria, onde coloca os seus quadros…

A minha admiração cresceria imenso se os investimentos do Grupo BES se orientassem para as actividades de bens e serviços transaccionáveis e exportáveis, operando em mercados competitivos e abertos sem estar envolvido com o Estado, por ele protegido, e não correndo riscos.

Cada vez mais no nosso país a soma é muito inferior às partes. Estas estão milionárias e recomendam-se, o país é que está cada vez mais pobre.

Apontamentos de Monsanto (2)

(Monsanto, Idanha-a-Nova)

Que deus?

(Dedico este post à nossa simpática Maria Monteiro)

Apoiado nas leituras de Pepe Rodriguez, doutorado em psicologia pela universidade de Barcelona, e um dos mais categorizados conhecedores e especialistas em matéria de seitas e religiões, permitam-me que construa algumas das minhas opiniões àcerca da ideia de deus.

Deus é um conceito recente dentro da evolução do nosso processo cultural. Mas a força deste conceito tornou-se tão poderosa que permitiu às instituições religiosas, que governam a presunção da sua realidade, a mudança radical dos comportamentos individuais e colectivos das relações humanas.

Há mais de dois milhões de anos a espécie humana sobrevivia e morria sem deus, num planeta inóspito, no meio de uma total indiferença em relação ao Universo. Há noventa mil anos atrás, uma parte da humanidade parece ter começado a pensar na ideia de uma possível existência para além da morte. Há trinta mil anos deus ainda não existia. Por essa altura começou a esboçar-se a ideia de um deus, mas a sua imagem e características eram as de uma mulher todo-poderosa. Daí o dizer-se que deus nasceu mulher. Só depois do terceiro milénio a.C. começou a surgir a ideia de um deus criador/controlador, mais ou menos como é imaginado pela humanidade actual. [Read more…]

Quem disse isto?

“A nossa história não nos ensina a ter orgulho no país. Retratada nos manuais escolares, é propaganda política. Tem muito pouco de objectividade. Hoje em dia quase não há mais História de Portugal no ensino oficial. Em geral, o que é negativo é que é salientado e o que havia de muito positivo na nossa História, é considerado politicamente incorrecto. Os programas escolares de História são francamente anti-portugueses em geral. Tudo isto, dá ideia que há o objectivo de provar que Portugal não tem razão de ser, não é viável como país. Estão a preparar tudo para entregar Portugal a Espanha”.

Inês de Medeiros e Miguel Portas

Imagino que o eurodeputado Miguel Portas também viaje em 1ª classe entre Lisboa e o Parlamento Europeu. Imagino, até, que se recusasse a viajar em turística se tal lhe fosse proposto, mas quando foi eleito as regras eram claras e Miguel Portas não era o único na sua situação. No entanto, no movediço terreno dos princípios, compare-se a sua posição com a de Inês de Medeiros quanto à utilização de dinheiros públicos no que respeita aos gastos com os deputados. Não são sempre todos farinha do mesmo saco.

P.S. – Desculpe lá, Inês, mas neste filme o Miguel, mesmo careca, sem adereços nem filmografia conhecida, ficou muito melhor do que a menina.

Sons de Abril: José Mário Branco – FMI

2ª parte

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E se fosse no seu cuzinho, sr. juiz de Braga, a sentença seria a mesma?

Porfírio Silva pergunta ao Aventar se será sério questionar o Ministro da Justiça por causa da decisão de um Tribunal, aquela de condenar, com pena suspensa, um pedófilo que andou a violar uma criança durante dois anos.

É sério, claro que é. Tão sério como o Ministro da Justiça questionar a decisão do juiz que queria acusar o primeiro-ministro de atentado contra o Estado de Direito.

Quanto ao juiz, que nem sei quem é, só apetece perguntar a quantos anos condenaria alguém que tivesse andado a violar durante dois anos a sua filha?

Duque de Loulé: Lisboa Arruinada

Dois casos típicos. O prédio cor de rosa, na Duque de Loulé, foi esvaziado há uns dois anos. Na altura, ostentava o orgulhoso cartaz indicando “nova construção”. Hoje, felizmente já lá não se encontra, mas miraculosamente surgem portadas e janelas abertas, além dos costumeiros vidros partidos. Para “arejar” as casas vazias, com certeza… A Câmara Municipal de Lisboa que tem fiscais por todo o lado a verificar – e a multar ~ obras de recuperação de tugúrios, deve andar muito distraída. Por toda a cidade, estes vidros partidos indiciam apenas uma coisa: crime anunciado. Urge implementar normas severas que podem mesmo ir à pura e simples expropriação de edifícios, preservando-se o interesse colectivo. Não valerá a pena agitar-se a opinião pública com “comunismo”, porque até Salazar assim procedeu quando decidiu construir toda a zona compreendida entre a Alameda e a Av. do Brasil em apenas alguns anos. Este tipo de expropriações por flagrante delito, podem até ser facilitadas pelo facto de uma boa parte dos edifícios pertencerem a mafiosas entidades que dão pelo prosaico nome de “bancos”, “companhias de seguros”, ou “fundos imobiliários” nacionais e estrangeiros. O interesse geral deve estar acima da especulação que arruina a cidade, envergonha a população e estiola a consciência nacional.

Quanto ao “lindo exemplar moderno” da foto em baixo, espelha bem – até a fachadinha o diz – a actual situação. Continuam a construir desnecessário lixo para o terciário, em zonas de habitação. Num momento em que as empresas despedem escriturários e pessoal burocrático, os escritórios – devido também à informatização – vão-se reduzindo em dimensão e até desaparecendo, para quê, então, despovoar o centro das cidades? Pela simples especulação danosa? No prédio que habito e que foi construído para habitação, existem mais escritórios do que casas e desta forma encontra-se praticamente deserto a partir das seis da tarde, com os consequentes assaltos e invasão das escadas por “certo tipo de profissionais de 10 minutos às 2 da manhã” que proliferam nesta zona da cidade, etc. O terciário deve ser confinado a locais próprios e expulso dos prédios de habitação. [Read more…]

Exposição na Torre do Tombo

Uma belíssima exposição de fotografias de J. Laurent, organizada pela Associação Portuguesa de Photographia, em parceria com a DGARQ, Torre do Tombo. Com a coordenação de Angela Castelo-Branco e António Vasconcelos Faria
De 13 de Abril a 31 de Maio de 2010.

Metade da sociedade está podre

O nosso cérebro é composto por cem biliões de células cerebrais que estão interligadas, cada uma a milhares de outras células. Temos, portanto, biliões de ligações dentro da nossa cabeça, uma coisa parecida com os biliões de ligações estelares dentro de mil galáxias.
O cérebro realiza milhões de biliões de cálculos por segundo, o que significa uma velocidade milhões de vezes maior do que a de um computador.

Mas não é propriamente esta a mensagem numérica que quero deixar. Gostaria que ficasse retida a sua essência, isto é, o reconhecimento da poderosíssima riqueza da estrutura mental da nossa razão.

Mesmo assim sendo, metade da razão e da mente da nossa sociedade está podre e enferrujada. Como se fora uma maçã, meia sã e meia podre. Simplesmente, a parte sã da maçã nunca consegue regenerar a parte podre, mas esta continua a invadir a parte sã até que toda a maçã esteja podre. Se a parte podre e a parte sã da sociedade estivessem separadas, a única solução seria cortar, extirpar a metade podre e deitá-la ao lixo. A forma de o fazer é que é difícil de imaginar.

Mas o são e o podre da sociedade não estão separados em duas metades distintas, como na maçã. O podre está infiltrado no meio do são e o são infiltrado no meio do podre. Imaginar a vitória da parte sã nestas circunstâncias é muito mais difícil ainda. [Read more…]

Imagens de Abril: República – Informação Revolucionária

Costa Vicentina em pé de guerra

A Costa Vicentina, a única jóia digna desse nome que resta na costa portuguesa, está em pé de guerra por causa do Plano de Ordenamento promovido pelo Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV). Confesso que não li o actual plano, pelo que não me pronuncio nem a favor, nem contra o mesmo. Conheço, no entanto, muito bem a região e tenho ouvido várias opiniões de moradores. A guerra aumentou de tom, com todos os municípios abrangidos contra o Plano de Ordenamento, mas o clima de guerrilha é antigo. Algumas injustiças e exageros têm sido cometidos contra a população local, existem limitações, por vezes incompreensíveis, que não promovem a fixação das gerações mais jovens na região e têm levado ao abandono quer das populações, quer das actividades tradicionais que o Parque deveria proteger. Por outro lado, e disso estou seguro, se não fosse a existência do PNSACV estariamos hoje confrontados com um mero prolongamento do pior dos Algarves, aquele que apostou acriticamente no turismo massificado, na betonização indiscriminada e na falta de ordenamento.

A jóia que a Costa Vicentina ainda é tem um elevadíssimo potencial de atracção de riqueza por se ter mantido como é, bela, preservada, quase virgem, com uma linha litoral praticamente impoluta, mas é necessário que os habitantes usufruam também dessa possibilidade de geração de riqueza sem, no entanto, alterarem significativamente a paisagem e a pressão demográfica actuais, não esquecendo que a região é mais do que apenas a beira-mar. [Read more…]

A chulice tem um nome: Inês de Medeiros


O Luis Moreira já se referiu ao assunto, mas eu não resisto em voltar à carga.
Disse há dois meses que Inês de Medeiros, que nos faz o favor de estar no Parlamento e que acompanha as sessões com o entusiasmo que se vê na foto, queria passear à minha custa. O Parlamento fez-lhe a vontade, com os votos do PS, a abstenção do CDS e a falta do PCP.

Dos parasitas que sustentam o Governo, espera-se tudo menos um pingo de vergonha – até mesmo por parte daquele que dizem que foi Capitão de Abril, mas que eu não acredito que tenha sido. Dos fascistas do CDS, pode ser que em devido tempo se perceba. Quanto aos comunistas, cuja falta não é inocente, lembrar-me-ei bem deste episódio no momento do voto.
A deputada Merdeiros, que foi eleita por Lisboa e que terá dado uma morada de Lisboa, alega que vive em Paris. A partir deste momento, qualquer deputado poderá dizer que vive num país qualquer, pedindo à Assembleia – a todos nós – que lhe pague uma viagem semanal para casa. Onde? Sei lá! Olhem, no Brasil, por exemplo, onde as putas são muito baratas. Não há problema: nós pagamos. As viagens e as putas.
Suprema ironia, a tipa exige viajar em Classe Executiva. Sim, que em Económica não se senta um cu tão importante. Pelo menos em viagens pagas por nós, claro. A crise quando nasce é só para os otários. E de otária, ela não tem nada. Avisou em devido tempo que não pagava as viagens e não vai pagar mesmo.
No meio disto tudo, não esquecer que a votação partiu de um despacho favorável de Jaime Gama (esse mesmo, o que também gostava de dar umas voltas ao fim-de-semana) e foi desempatada por esse exemplo de rectidão que se chama José Lello.
Os professores, neste momento, devem sentir-se indignados. Milhares deles vivem a centenas de quilómetros de casa, só vêem a família ao fim-de-semana e, no final, não há ninguém que lhes pague a puta da viagem semanal. Pois não, ser chulo não está ao alcance de todos. Só dos predestinados: os políticos.

The Offshores, California Sun – Vídeo

Já aqui falei dos The Offshores. Pois bem, apresento hoje o “Live Promo Vídeo” de California Sun, uma das faixas do album que os Offshores estão a preparar. Oiçam agora, se querem ser dos primeiros, daqui a pouco tempo estas canções andarão aí a circular. Depois, podem sempre dizer aos vossos amigos que as ouviram em primeira mão no Aventar. Ou na novíssima página deles no Facebook.

Onde é que eu já vi estes dois?

Nos últimos tempos tenho lido alguns artigos, estudos e pesquisas sobre regionalização. Repetida e invariavelmente surgem-me 2 países como sendo os mais centralizados da união europeia: Portugal e Grécia.

O meu problema é que não me consigo lembrar em que outra situação é que os vi, também, juntinhos.

A Inês vai e vem de Falcon?

Vamos pagar, era certinho como o destino, está decidido, a Inês de Medeiros tem direito às deslocações nos fins de semana  a Paris, onde reside. Mas se reside em Paris como é ela deputada por Lisboa?

Isto dá para tudo, não se peça lógica ou racionalidade aos políticos,  isto chegou a um Estado (com letra grande?) que já perdeu a vergonha ! Não há regras, nem leis, nem fundamentos, nem nada, o que há é a prepotência de quem quer, pode e manda! Já agora seria melhor não a fazer perder tempo nos aeroportos, o falcon é porta a porta.

Não há dinheiro para os funcionários, nem para os idosos, muito menos para os doentes. Demagogia ? Pois, demagogia de quem paga tudo e mais alguma coisa e um dia destes vai preso por se indignar!

Já estivemos mais longe de nos virem buscar a casa! Mas não vai ser de Falcon!