Crónicas do Rochedo 37 – Já alguém avisou quem nos governa?

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Há quase um mês, mais precisamente a 20 de Março escrevi a primeira crónica sobre a verdadeira catástrofe económica que se avizinhava com a queda do turismo fruto da pandemia. Mais tarde, abordei a questão dos supostos apoios lançados pelo governo e depois sobre outro sector com uma ligação muito forte ao turismo, o da restauração e similares.

Hoje, em Espanha, começam a surgir os primeiros números da realidade. Todos eles explicam que as previsões negativas apontadas pelo FMI afinal são mais optimistas que a realidade. A média apontada para a queda do sector em 2020 é de 81,4% do PIB. Sendo a menor nas Canárias (-76%) e a maior nas Baleares (-95%) e na Catalunha (-84%). Neste momento o sector já aponta para perdas superiores a 124 mil milhões de euros em 2020. Recordo que o Turismo e Similares representa cerca de 12,5% do PIB espanhol e 15% do PIB português.

Estes valores significam uma queda do PIB em Espanha (e em Portugal, não se iludam) superior, bem superior, à prevista pelo FMI no final da semana passada. Ora, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, desaconselhou os europeus a marcar férias em Julho e Agosto. Na passada sexta, a Ministra do Trabalho espanhol foi mais longe, ao afirmar que não acredita que as restrições actuais existentes no que toca ao turismo possam ser levantadas antes do final do ano. Para piorar, a IATA reviu em baixa as suas previsões anteriores apontando que o tráfico aéreo talvez atinge um valor de 50% do normal no último trimestre do ano e o tráfico aéreo interno talvez chegue aos 50% no terceiro trimestre. Por isso mesmo, uma parte dos empresários do turismo nas Baleares assim como em Benidorm já assumiu que nem sequer vão abrir este ano, independentemente de serem ou não levantadas as restrições colocadas pelo governo espanhol.

O caso português não será muito diferente. Não será mais positivo. Podem esperar, se nada de concreto e real for feito antes, com no mínimo mais de 2 milhões de pessoas atiradas para o desemprego só neste sector e nos sectores com ele conexos. Milhares de micro, pequenas e médias empresas falidas. Mesmo acreditando (tenho muitas dúvidas) nos que dizem que em 2021 teremos uma recuperação do sector em 50% e que em 2022 já estará em valores normais, será preciso que as empresas e os postos de trabalho lá cheguem. Os custos para o Estado, para o país no seu todo, serão maiores que os custos das ajudas directas que o sector vai precisar para chegar vivo a 2021. Se o Governo e os partidos que o apoiam (BE e PCP), mais o PSD não perceberem isto, vai ser trágico para a economia nacional no seu todo e por vários anos.

Em Espanha acordaram hoje para os números desta catástrofe e para a necessidade de um plano de resgate urgente. Em Portugal alguém avise quem de direito…

Brasil: Militares criam Conselho Nacional da Amazônia excluindo indigenas.



Enquanto a Covid19 avança num pais cujo presidente negacionista incentiva a população a quebrar o isolamento, os povos indígenas estão sofrendo duplamente: invasões de suas terras por garimpeiros e grileiros e entrada do vírus, ações subsidiados pelo governo que não se preocupa de verdade com o meio ambiente nem povos indigenas.

Aos povos indígenas e povos tradicionais brasileiros foi dado mais um passo em sua política de destruição.
Na semana passada o Vice Presidente general Hamilton Mourão formou o Conselho Nacional da Amazônia Legal, que agora passará a funcionar na Vice-Presidência sem representantes do Ibama e da Funai, órgãos que atuam diretamente na proteção ambiental e dos povos da Amazônia e colocou 19 militares nos postos de comando. Os nomes foram publicados no Diário Oficial nesta sexta-feira, 17.

A isso soma-se decreto de Jair Bolsonaro em fevereiro, transferindo o Ministério do Meio Ambiente para a Vice-Presidência, e diversas funções antes atribuídas ao Ibama serão cumpridas por membros do governo que não tem experiência nenhuma com situações vividas pelos povos amazônicos.

Além dos militares no Conselho, 4 delegados da Polícia Federal foram indicados pelo ministro Sérgio Moro. A Funai é vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e não tem representantes indígenas.

Enquanto isso a Amazonia vive um dos seus maiores períodos críticos recentes de ameaça, com aumento de 51,45% de desmatamento nos 3 primeiros meses de 2020, queimadas criminosas, invasões de terra e assassinatos de lideranças indígenas e campesinas.

Fonte: mídia ninja

Trump, o fascista malvado

O título foi escolhido por mim, mas podia muito bem ter sido criado pela redação da SIC ou qualquer outra televisão generalista. Tal como tem sido hábito desde a eleição do atual Presidente dos EUA, a comunicação social sempre se apresentou bastante parcial quando o assunto era Donald Trump. Desde a forma que apresenta as notícias que nos chegam da América até aos espaços de opinião. Este tom que se tornou normal afetou a forma de pensar das pessoas e fez com que estas, na sua maioria, se colocassem contra Trump, mesmo não conhecendo nenhuma das suas medidas. Estes mesmos são aqueles que se colocam a favor de Obama e fazem deste um revolucionário. Mas este é um dos resultados da comunicação social doutrinada que temos. Só em Portugal se acha normal que um pivô de informação como Rodrigo Guedes de Carvalho diga em direto “que, ideologicamente, as liberdades não são tão queridas à direita”. Por vezes, uma pessoa já não entende se o telejornal é para informar ou se é um chorrilho de lições de moral daquela vizinha que anda cá há mais tempo do que vocês. [Read more…]

Vamos festejar qual 25 de Abril??? E desculpem lá o francês…

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O 25 de Abril de 74 é mais do que uma data. Quero festejar a data sempre, todos os dias e não num dia certo. A questão aqui é outra. Querem festejar o 25 de Abril em 2020? Força, por mim podiam ir todos para a AR, a seguir descerem a Avenida de Liberdade. Sou suficientemente liberal para defender que cada um faz o que muito bem entender DESDE que não prejudique os outros. E este, até prova médica cientifica em contrário, é o ponto essencial de tudo o que se está a discutir.

Se os bacanos que o querem fazer e o fizerem em ABSOLUTA segurança para terceiros, que no final das comemorações se coloquem em quarentena durante 15 dias, então façam o favor. Agora, não me venham com as hipocrisias do costume: vão festejar o quê? O 25 de Abril prometido ou o 25 de Abril que eles, directa e indirectamente continuam a criar prejudicando a esmagadora maioria dos portugueses? É que esta malta que tanto quer ir para o folclore de Abril é a mesma que pactua com os Jerónimos Martins e boa parte das empresas do PSI20 cujos lucros são tributados nas “holandas” desta vida, são os mesmos que deixam os bancos matar as empresas exigindo, em clara violação da Lei, garantias pessoais  nas linhas COVID19, são os mesmos que deixam os senhores da EDP fazerem o que querem (e estão lá todos, os que chuparam aquilo enquanto foi do Estado, os que a privatizaram aos chineses por tuta e meia e, todos eles, que sustentam esse verdadeiro DDT chamado Mexia.

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25 de Abril com distanciamento social

Adoro o 25 de Abril. Se o 25 de Abril fosse uma pessoa, faria tudo para que me considerasse seu amigo. Todos os anos, comemoro o 25 de Abril, porque o considero um dos meus maiores amigos. A generosidade do 25 de Abril vai ao ponto de ser bom para quem não gosta dele. Às vezes, penso que o 25 de Abril chegou a frequentar a catequese e saiu de lá cheio de amor ao próximo, incluindo os vendilhões do templo. Não que seja perfeito, mas não me lembro de ter amigos perfeitos.

O meu amor ao 25 de Abril não vai ao ponto de gostar das comemorações oficiais. Não preciso delas. Por um lado, irritam-me os que se consideram seus proprietários, censurando os que não gritam as mesmas palavras de ordem; por outro lado, ainda me irritam mais os que nunca lhe perdoaram, os que participam nessas comemorações a contragosto, exibindo, julgando-se superiores, a ausência do cravo na lapela, sempre prontos a descobrir defeitos na democracia e a relativizar a ditadura, a ditadura do Salazar honesto que não metia dinheiro ao bolso, como se isso transformasse um escroque num virtuoso.

Os que querem comemorar o 25 de Abril à força fazem-me lembrar os beatos que só podem orar a Deus em Fátima, numa estranha crença que, como é costume, chega a desprezar a Omnipotência em que, afinal, não acreditam. Não lhes ficaria mal, num tempo em que se recomenda o distanciamento social comemorarem o 25 de Abril à distância. [Read more…]

Uma semana em cheio

Instruments sometimes have songs in them.
David Ellefson

Unser Schreibzeug arbeitet mit an unseren Gedanken.
Nietzsche

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Uma semana com factores, *inteletuais e *contatado não ficaria completa sem um *fato no sítio do costume.

Ei-lo.

Desejo-vos um espectacular fim-de-semana.

Votos de óptima saúde.

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Investimento seguro

Há que garantir boa imprensa nos tempos difíceis que se aproximam.

A trafulhice fiscal das Holandas desta vida

TH

Panama Papers, Swiss Leaks ou o famoso “double Irish, Dutch sandwich” (se não estão familiarizados com a expressão, sugiro que a pesquisem e se maravilhem com os embustes que são o milagre irlandês e ética financeira holandesa), existem esquemas para todos os gostos e à medida de cada evasor fiscal. E todos eles, sem excepção, contam com a participação de “respeitáveis” instituições financeiras europeias e norte-americanas. E de estados-membros da União Europeia. E com a inércia e o silêncio cúmplice da Comissão Europeia. Ou não estivessem, todos eles, nas mãos dos principais beneficiários dessa trafulhice. Sim, trafulhice. Deixem-se de politicamente correctos e chamem os bois pelos nomes. É trafulhice, sim. E é trafulhice feita à custa de milhões de pessoas, que pagam a factura em doses cavalares de austeridade, independentemente do nome que se decide, em cada momento, dar a essa austeridade.

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A 1.ª Lei da Termodinâmica e o Paradoxo de Fação

Physical attraction 
It’s a chemical reaction 
It’s a physical attraction 
Sweet satisfaction
Madonna

Tezeo. Vem a meus braços, fiel amigo, e releva-me o errado conceito, que de ti formei.
António José da Silva (O Judeu), “O Labirinto de Creta

So when it was time to register for the [Spanish] class, we were standing outside, ready to go into the classroom, when this pneumatic blonde came along. You know how once in a  while you get this feeling, WOW? She looked terrific. I said to myself, “Maybe she’s going to be in the Spanish class —that’ll be great!” But no, she walked into the Portuguese class. So I figured, What the hell­­—I might as well learn Portuguese.
Richard Feynman

***

Há uns tempos, estive para escrever algumas linhas sobre estas intervenções de políticos (do PSD). Naquela altura, uma delas deixara no ar a probabilidade quer de o secretário de Estado da Energia (do PS) desconhecer, por exemplo, a 1.ª Lei da Termodinâmica, quer de essa lacuna o desqualificar para o cargo. Acabei por não escrever as linhas, mas ri-me. Contudo, o meu riso não foi motivado pelos comentários. Antes pelo contrário. Ri-me, isso sim, do ensurdecedor silêncio. O ensurdecedor silêncio dos políticos do PSD, dos políticos portugueses em geral e da população portuguesa activa nos meios de comunicação social e nas redes sociais, aquando do “agora facto é igual a fato (de roupa)“. O “agora facto é igual a fato (de roupa)” foi escrito por quem assinou o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 em nome da República Portuguesa. Exactamente. O silêncio cúmplice mantém-se até hoje.

No que diz respeito ao [Read more…]

Bem prega frei Tomás…

Será hoje votada na A.R. a renovação do estado de emergência, que deverá manter em casa a maioria dos portugueses. Aproximando-se a data do 25 de Abril, decidiu o parlamento manter a sessão solene de comemoração da data, mas pasme-se, apesar de reduzir os deputados no hemiciclo a um terço, decisão controversa, porque cada deputado é titular do seu próprio mandato, que não pertence aos partidos e muito menos ao presidente da A.R., pelo que à partida, só não estarão presentes os deputados que não quiserem estar. [Read more…]

Os *inteletuais em Portugal

Programs characterized by instability and/or hostile environments were associated with lower effect sizes.
Ann C. Willig (apud Stephen Krashen)

I was raised in a religious atmosphere, Mr. Verger, but whatever that left me with, it’s not religion.
Alana Bloom

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Em princípio, os negociadores, promotores e amigos do Acordo Ortográfico de 1990 não estarão satisfeitos com as frequentes supressões do cê medial de facto, de contacto e de secção que actualmente vão acontecendo em português europeu. Mas ignoraram os avisos e criaram as condições para este desastre. No entanto, há excepções. Por exemplo, Pedro Santana Lopes desejou e até promoveu a supressão do cê de facto, com o célebre

Agora facto é igual a fato (de roupa).

 

Facto, contacto e secção são as vítimas a quem tenho dado palco, quer aqui, quer ali, quer alhures.

Mas há mais.

Recentemente, o excelente leitor do costume (que tem andado entretido com outras vítimas do AO90) enviou-me esta ocorrência de *inteletual no sítio do costume:

Em Abril de 2008, Fernando Venâncio previu [Read more…]

Crónicas do Rochedo 36 – Restauração e Similares ou as costas dos outros…

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Nas últimas crónicas escrevi sobre o impacto do Covid19/Corona vírus no turismo em Portugal. Finalmente, em Portugal, alguém se debruçou na televisão sobre os problemas que se avizinham para a economia portuguesa fruto da mais que certa queda abrupta do turismo: foi na TVI24, ontem (15 de Abril), Paulo Portas no seu programa “O Estado da Emergência”. 

Se analisarem o que ele disse comparando com o que já tinha escrito AQUI e AQUI no Aventar, a grande diferença foi o assumir de que o número de trabalhadores directamente afectados ser superior a um milhão. Ou seja, Paulo Portas juntou aos cerca de 450 mil trabalhadores do sector, os trabalhadores de sectores que directa e indirectamente vão sofrer por tabela. Eu apontei para mais de 350 mil (800 mil, avisando que era um número bastante conservador) mas Portas, certamente com boas fontes, aponta bem mais para cima. Devo dizer que concordo plenamente com a sua análise mas continuo a considerar os números como conservadores. Não é preciso ser bruxo, basta conhecer minimamente a realidade do sector.

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Sobre o insulto gratuito da TVI ao Norte de Portugal

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Sobre o insulto gratuito da TVI ao Norte de Portugal, é preciso, antes de mais, clarificar um aspecto muito importante sobre este caso: não são os lisboetas, ou sulistas, ou whatthefuckever que se acham coisa nenhuma. A TVI não representa o Sul, nem Lisboa, nem porra nenhuma abaixo do Rio Douro. Representa-se a si mesma, com o jornalismo sensacionalista que pratica, com o entretenimento medíocre que transmite. Por vezes, representa também a voz do dono, como quando, no final de 2015, lançou o pânico sobre o hipotético encerramento do Banif, levando imediatamente a uma queda abrupta do seu valor em bolsa, precipitando uma corrida aos depósitos e permitindo ao Santander adquirir a posição do Estado no banco a preço de saldos. O facto do banco Santander ser accionista de referência do grupo Prisa, que, por sua vez, era e (penso eu) continua a ser dona da TVI, não teve nada a ver com o assunto. Se é para conspirar, vamos conspirar sobre coisas sérias, tipo mortes por Covid-19 em massa no SNS, que o governo está a ocultar numa vala comum nas Berlengas, com ajuda do silêncio cúmplice de todos os partidos, OCS’s e dos familiares dos defuntos, todos pagos para se calarem. [Read more…]

Afinal, ministro de que pasta?

Questiona, certeiramente, Fernando Soveral:

“À sucapa, no nevoeiro da covid-19, o Ministério do Ambiente e da Acção Climática emitiu um despacho onde determina que o Metro deve continuar a expansão da rede, incluindo o prolongamento das linhas Amarela e Verde. Diz mesmo, num momento de stand-up comedy, que estes investimentos são importantes “perante os efeitos sobre a economia que a pandemia da covid-19 está a provocar em todo o mundo e em Portugal”. Lê-se e não se acredita. A covid-19 até serve de justificação para uma decisão tomada às escondidas, enquanto as atenções estavam direccionadas para temas mais importantes. Ao contrário do que se supunha, o sr. Matos Fernandes não decide por razões ambientais: decide por causa do dinheiro. Justifica-se até com o argumento de que os fundos que vêm da Europa só poderiam ser usados nesta obra. Falso, como já veio dizer a comissária, a sra. Elisa Ferreira. Há uma certeza: continua a obsessão por este plano turístico para Lisboa, que após a covid-19 terá de ser, no entanto, bem repensado.

O sr. Matos Fernandes mostra que há um equívoco no papel timbrado de onde envia os comunicados. Ele não deve ser o ministro do Ambiente. É o das Obras Públicas. Todas as suas decisões (do Metro ao Montijo ou ao lítio) têm que ver com dinheiro e não com o ambiente. Por favor, decidam-se: o sr. Matos Fernandes é, afinal, ministro de que pasta?”

Em todo o caso, já deu mais do que provas de que é um ministro a quem os cifrões entram pelos olhos adentro e não deixam ver mais nada. Muito prático, como ministro do ambiente.

Antiga, Mui Pobre, Sempre no Lar, mas Invicta

É pena continuarmos a ter um país ingrato para com uma cidade que tanto deu à nação. Aqueles que dividiram Portugal ao meio nunca foram os que expulsaram os mouros de Lisboa, nem aqueles que ofereceram as tripas para os que partiram à descoberta. E na verdade, nem foram os lisboetas. Mas sim aquelas mentalidades bacocas que decidiram por uma questão de facilidade concentrar tudo numa cidade só. [Read more…]

Os factores da TVI e o distrito do Porto

I’m not asking you to believe anything you can’t prove. I’m just asking you to prove it.
Will Graham

***

O pedido de desculpas da TVI levou-me a ver um bocadinho do Jornal das 8 de ontem e a encontrar mais uma prova quer da utilidade grafémica das letras consonânticas cê e pê, quer da concomitante inutilidade do Acordo Ortográfico de 1990. O direto, fixado por alguém na moldura daquele oráculo informativo, borra a pintura. Contudo, como sabemos, ‘factores’ são uma prova de que há esperança.

Há muitos anos, no Manhunter, houve um diálogo extremamente interessante entre o Hannibal Lecktor (exactamente, Lecktor e não Lecter) e o Will Graham. No mais recente Hannibal, tivemos o Will a fazer de Lecktor e a Beverly Katz a fazer de Will.

O Will perguntava:
Do you have the file with you?

A Beverly respondia:
Yes.

O Will retorquia:
And pictures?

E a Beverly repetia:
Yes.

É verdade: felizmente, há imagens.

***

Nótula: Por uma questão de clareza quanto ao número de pessoas infectadas com COVID-19 em Portugal, talvez fosse bom que o Ministério da Saúde e a comunicação social portuguesa deixassem de tratar os casos do distrito do Porto dentro da região NORTE DE PORTUGAL (assim, com maiúsculas, como nos oráculos sensacionalistas da TVI).

Neste caso concreto das pessoas infectadas com COVID-19, o distrito do Porto deve ser analisado à parte.

O NORTE DE PORTUGAL é identificado no mapa do Ministério da Saúde como a região que, para quem vem de Barcarena, começa nos concelhos de Espinho [Read more…]

O TINA de Rui Rio

JS

Chama-se Joaquim Sarmento, mais conhecido como Centeno B de Rui Rio, tem um poster de Cavaco a comer bolo-rei na porta do quarto e a parte séria desta história está no Ladrões de Bicicletas. Spoiler alert: there is no alternative.

“Vai Ficar Tudo Bem”

“O dia-a-dia de uma pessoa de 89 anos quando se vê privada da sua liberdade, sem entender bem a dimensão da tragédia.
A ordem é clara: FICA EM CASA e ela ficou!
Uma homenagem, uma celebração de uma longa e feliz vida e de uma amizade que se estreitou com o confinamento obrigatório!” – Débora Sousa

Bolsonaro e o vírus evangélico

A farsa evangélica, vírus altamente contagioso que corrói o Brasil há décadas, como outros fanatismos religiosos, operados por vigaristas que fazem da fé e da ignorância dos mais vulneráveis um negócio canalha e altamente rentável, continua sem vacina. Os milionários do dízimo continuam a vender água milagrosa do Rio Jordão, políticos de todas as cores continuam a oferecer-lhes a cabeça da laicidade numa bandeja, enquanto abanam o rabo, e o assalto prossegue, triunfante. [Read more…]

A crise e os dividendos

“A BMW pretende pagar dividendos no valor de 1,64 mil milhões de euros – apesar de estar actualmente a receber auxílios estatais sob a forma de layoff. Quem embolsa o dinheiro dos contribuintes durante a crise não pode, ao mesmo tempo, encher os bolsos dos seus accionistas.”

Diz Sahra Wagenknecht, do partido die Linke e acrescenta:

A situação é já bem conhecida: durante a crise, o contribuinte é chamado a desembolsar e, nos bons momentos, os investidores embolsam os lucros. Mas o facto de os accionistas quererem arrecadar, até mesmo nestes tempos dramáticos, é escandaloso. Quem recebe auxílios estatais não pode simultaneamente distribuir dividendos!

Pode alguém, em consciência, ter opinião contrária???

«A presidente da Comissão Europeia pediu aos europeus que não programem férias de verão»

Todavia, Ursula von der Leyen nada pediu relativamente às férias de verei, de verás, de verá, de veremos e de vereis.

Fake news da antiguidade…

Pôncio Pilatos terá lavado as mãos, não por causa do covid19, mas por ter sido “forçado” a condenar à morte um homem justo. O mesmo Pôncio Pilatos que despachava para crucificação imediata sem qualquer direito de defesa, qualquer agitador que lhe apresentassem. Curiosamente, ou talvez não, que jeito daria ao poder romano no sec. IV, quando o cristianismo se espalhara pelo império, absolver da culpa pela condenação do filho de Deus o representante máximo do Império…
E se a culpa pode ser passada para outros, Caifás, os judeus mesmo ali à mão…
Ou pensam que a política é coisa do presente?…

Artistas da política e artistas do subsídio…

Unidos no TV Fest. Uma vez mais a RTP ao serviço de parasitas, dizem-nos que é cultura. Sei onde procurar, ouço o que quero, não preciso que dêem música na Páscoa, muito menos que ressuscitem canastrões frustrados que sairam da ribalta há várias décadas, a quem apenas favores e amizades políticas mantêm o acesso ao palco mediático.
Cantores e demais músicos têm acesso aos apoios que o governo decretou aos portugueses afectados pela presente crise que atravessamos. É lamentável, mas nada surpreendente, o oportunismo agora revelado, do qual muitos respeitáveis artistas já se demarcaram.

Actualização às 16h30 – Avança o Expresso que após um coro de protestos, o evento terá sido cancelado. O Ministério da Cultura permanece em silêncio, provavelmente em ponderação, buscando a melhor estratégia para subsidiar os amigos…

Vírus de direita

Alt-Covid

Três palermas sem escrúpulos, três desastres no combate ao coronavírus, três negligentes que colocaram milhões em risco. Seja a fascista terraplanista, a troglodita egomaníaca ou a populista de tablóide, a direita que domina a cena internacional representa um perigo maior para a saúde pública que o próprio coronavírus. Uma curva exponencial de estupidez sem fim.

O editorial esquerdalho do Financial Times

KM

O editorial que se segue foi publicado no Financial Times, sendo a tradução da autoria de João Rodrigues, perigoso ladrão de bicicletas. Tentem não entrar em pânico, não baixem a guarda, mas preparem-se: os esquerdalhos andam aí e querem comer os vossos filhos ao pequeno-almoço.

A existir um raio de esperança no Covid-19, este é a injecção de um propósito comum em sociedades polarizadas. Mas o vírus e o confinamento económico necessário para o combater, também lançaram uma luz horripilante nas desigualdades existentes, para lá de terem criado novas desigualdades. Para lá de derrotar a doença, o grande teste que todos os países enfrentarão em breve consiste em saber se os actuais sentimentos de propósito comum moldarão a sociedade a seguir à crise. Como os líderes ocidentais aprenderam na Grande Depressão e depois da Segunda Guerra Mundial, a exigência de um sacrifício colectivo implica oferecer um novo contrato social que a todos beneficie.

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A honra de estar vivo

Há poemas tão nítidos, tão aparentemente prosa, tão imediatamente coração que é fácil percebê-los e ficamos surpreendidos com essa facilidade, cheios de palavras de outros que dizem exacta e misteriosamente tudo aquilo que pensamos. O sortilégio da literatura, aliás, é este: encontrar, nos outros, palavras que são nossas.

Este poema de Jorge de Sena, ampliado pela voz de Mário Viegas, é ainda mais fácil de perceber quando nos apercebemos de que estar vivo é uma honra, de que cada vida vale mais do que qualquer mundo, de que as pessoas são mais importantes do que a economia. A economia, aliás, embora pense que não, precisa desesperadamente das pessoas. [Read more…]

Três letras é de gente importante

Ora bem, hoje temos dois duelos para falar. Vou começar pelo muito mais interessante, o Ricardo Araújo Pereira vs João Cotrim Figueiredo. Percebemos que estamos a falar de gente importante quando cada um tem três nomes e, desta forma, podemos abreviar para RAP e JCF. Ultimamente, o RAP tem mostrado mais o seu lado esquerdista, deixando prejudicar as suas performances humorísticas por isso. Entrevistas como as dadas à Ministra da Justiça ou ao Secretário-Geral do PCP são bons exemplos disso. Mas ontem, RAP voltou aos velhos tempos. Aquela provocação saudável, a critica e o humor. Teve tudo. Tinha tudo para ter ganho este duelo e pronto, fica anunciado o vencedor: João Cotrim Figueiredo. O que RAP não esperava era o deputado da IL com um estilo de humorista e as ideias de um liberal consciente. Mas sejamos honestos, apesar do mérito todo do JCF, o RAP não tem culpa. É que as críticas possíveis e fáceis de se fazer ao liberalismo são poucas e previsíveis. Em entretenimento, ganhamos todos. Dois homens inteligentes, com bom humor, que fizeram o seu papel. Em política, ganhamos, porque, em horário nobre, voltamos a ver desmistificadas algumas ideias erradas sobre o liberalismo. Em relação ao digno vencido, sugiro que comece a mandar fazer o epitáfio a dizer RIP RAP. Calma, a ideia não é minha, é dele e podem confirmar isso no vídeo que aqui vai. Mas talvez não seja preciso. Já que trabalha na estação do Rodrigo Guedes de Carvalho, de certeza que este não se importa de lhe dar uma palavra como “vai ficar tudo bem, somos fortes, estamos juntos”. E já que ficaram tão amigos, podiam ajudar-se um ao outro. O JCF oferece ao RAP umas aulas de economia e o RAP oferece ao JCF umas aulas de dicção. Saíamos todos a ganhar. [Read more…]

Coronavírus: Srećko Horvat entrevista Noam Chomsky

De repente, a nossa sala parece maior, não parece?

CRM

Campo de refugiados de Moria, ilha de Lesbos, Grécia. Uma criança, possivelmente em fuga da eterna guerra na Síria, explica-nos, de forma simples, que estar fechado em casa, mesmo na esmagadora maioria das mais humildes que por cá temos, não é assim tão mau. Mau é ver tudo o que temos ser destruído por uma guerra, sermos obrigados a fugir da nossa terra, arriscarmos a vida na fuga e não irmos além da rede do campo de refugiados, onde nos sujeitaremos às condições sub-humanas que imperam em qualquer campo de refugiados, onde dividiremos uma tenda como esta com 5 ou 10 pessoas, não necessariamente da nossa família. De repente, a nossa sala parece maior, não parece?

O directo, o direito e o direto

I know you think you understand what you thought I said, but I’m not sure you realize that what you heard is not what I meant.
— Alan Greenspan (apud Rebecca Saxe)

So, let me play a little bit of my favourite childhood piece.
Lang Lang

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Há uns anos, escrevi sobre um fenómeno perturbador. De facto, a hipótese da idealização de um ‘i’ depois de um ‘e’, por causa da supressão de ‘c’, era corroborada pelas leituras detectadas de direito, em vez de *direto (por directo), em textos escritos “ao abrigo” do AO90. Efectivamente, há quem leia direito em vez de *direto. Lembrei-me disso por causa de um texto aparecido anteontem no jornal A Bola, com direito em vez de *direto (exactamente: *direto).

Convém, neste exacto momento. lembrarmo-nos de dois factores importantes:

  1. A direcção do jornal A Bola não tem modos à mesa de um regime democrático;
  2. Independentemente de o teclado ser AZERTY. QWERTY ou QWERTZ, a distância mais curta entre a letra ‘c’ e a letra ‘e’ é a tecla ‘d’, a distância mais curta entre a letra ‘t’ e a letra ‘e’ é a tecla ‘r’, a distância mais curta entre a letra ‘i’ e a letra ‘e’ são quatro teclas, a distância mais curta entre a letra ‘c’ e a letra ‘t’ é a tecla ‘f’, a distância mais curta entre a letra ‘c’ e a letra ‘i’ são quatro teclas e, para terminar, a distância mais curta entre a letra ‘t’ e a letra ‘i’ são duas teclas — ou seja, a possibilidade de gralha é altamente improvável.

Desejo-vos um óptimo-fim-de-semana.

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