Chinelos

À hora a que chegam os primeiros funcionários das lojas, e a rua desperta com o cacarejar metálico das grades corridas com a resignação brusca das segundas-feiras, o homem ainda dorme um sono profundo. A sua cama é ampla, ocupa quase metade de um passeio largo, e, pese a precariedade da instalação, está bem cuidada. Cartões grossos no fundo, dois cobertores finos por cima, um cobertor mais grosso e um edredão amarelo no topo.

O homem dorme, o rosto voltado para a rua, para quem passa. A seu lado, há um balde com duas garrafas de água e uns chinelos de quarto, muito finos, quase de papel, daqueles que os hospitais e hotéis por vezes oferecem. Os chinelos são de um branco impecável. E é a presença dos chinelos ao lado da cama, no chão, tal como a cama, que nos fazem sentir embaraçados por estar ali, como se tivéssemos entrado inadvertidamente em casa do vizinho – uma porta mal fechada, pensávamos estar no segundo e afinal estávamos no terceiro andar, uma distracção, enfim, e agora estamos aqui, frente à cama deste desconhecido que dorme de gorro na cabeça, alheio à nossa invasão. [Read more…]

De Bolsonaro a Xi Jinping

Tenho quase a certeza de que os que se indignam com a ida de Marcelo Rebelo de Sousa à tomada de posse de Bolsonaro e com o convite para ele visitar Portugal, serão os mesmos que encheram as ruas de indignação quando o ditador Xi Jinping cá esteve! De certezinha quase absolutinha…

Dia de Reis

Foto de Josep Lluis Sellart

Há poucos meses, no Verão, o líbio Betcha Honorée esteve prestes a morrer. Ele e mais umas dezenas de pessoas que tentavam atravessar o Mediterrâneo para começar uma nova vida na Europa. O barco em que seguiam naufragou, mas foram resgatados pelo navio da ONG «Open Arms» e recebidos em Espanha.

Foto de Olmo Calvo

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Mário Machado, Manuel Luís Goucha e outros perigos, como o politicamente correcto

Já aqui se falou dessa grande maleita que é o politicamente correcto, que, ao que tudo indica, está a destruir a sociedade ocidental, e cuja solução, verdadeiramente mágica, passa pela introdução de mecanismos de repressão e censura, operados pela sempre abnegada extrema-direita.

Quem também teme essa tal de ditadura do politicamente correcto é Manuel Luís Goucha, que em tempos não gostou de ser alvo do humor do 5 Para a Meia Noite e processou o programa. É por aqui que começa a valente sova retórica que Daniel Oliveira aplicou naqueles que, ao longo dos últimos dias, procuraram contribuir para a normalização do branqueamento de uma personagem sinistra, que participou em crimes horrendos, e que, independentemente de ter cumprido anos de prisão por esses crimes, continua a representar uma ameaça à sociedade e à democracia portuguesa. [Read more…]

Falência, mas de quê?

Acho delicioso ouvir da parte daqueles que, ano após ano, pedem menos Estado, às vezes complementado com melhor Estado, se lamentarem sobre uma suposta falência do Estado. Escutando-os, poderíamos pensar que, realmente, reclamariam pelo reforço desse Estado, agora enfraquecido, mas a memória é tramada e recorda-nos o que fizeram quando tiveram o poder à sua disposição. E isso é revelador. Substantivamente, retiram capacidade ao Estado quando cortam as verbas necessárias ao seu funcionamento, quando canalizam dinheiros públicos para actividades privadas paralelas àquelas já suportadas pelo Estado e quando enxameiam os quadros da função pública com incompetentes vindos dos seus partidos.

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Os patrulheiros do pensamento voltam à carga…

Não vejo TVI, tal como não vejo SIC ou RTP, à excepção dos noticiários às 20h e mesmo esses não é com regularidade diária, pelo que chego tarde à polémica do momento. Ao que parece um apresentador da TVI, entretido numa guerra de audiências, terá convidado Mário Machado, muito provavelmente na expectativa que este dissesse umas alarvidades. Nada de novo no formato, o que não falta são imbecilidades na televisão portuguesa, particularmente nos canais generalistas. [Read more…]

Em Portugal, é «possível estabelecer contato imediato»

It’s hard to get the students who read a lot of Foucault, for example, to worry about anything as simple as national health insurance, or the minimum wage, or immigration policy, or NAFTA, or something like that.
Richard Rorty

É como chegar, não chegar
Pára, enfim, a relação
GNR

***

Efectivamente, no sítio do costume, a possibilidade de estabelecer contato imediato existe há 7 anos.

Sim, eis o ‘eminente’ tão associado ao ‘perigo’ no Diário da República, em vez do esperado ‘perigo iminente’ (recordo indicações dadas em Dezembro de 2015, Janeiro de 2016 e Novembro de 2016), mas não nos dispersemos.

Porque os primeiros dias úteis de 2019 estão a ser bastante excitantes e extremamente auspiciosos. Ontem, também houve contato.

E hoje? [Read more…]

Com que então, é um problema de “politicamente correcto”

Imagem: TVI, 03/01/2019

Com que então, o que há a dizer é que esteve preso por ter escrito “um texto na internet”. Zero referências no destaque quanto à pena de prisão por envolvimento na morte de Alcino Monteiro. E à extorsão, sequestro e posse ilegal de arma.

Mário Machado foi condenado, em 1997, a uma pena de prisão de quatro anos e três meses por envolvimento na morte de Alcino Monteiro. O crime remonta a 1995, quando um grupo de cabeças-rapadas que comemorava o Dia de Camões, 10 de Junho, pelas ruas do Bairro Alto, espancou até à morte Alcino Monteiro, um cabo-verdiano de 27 anos. Dezassete cabeças-rapadas foram levados à barra do Tribunal do Monsanto. [CM, 20/07/2006]

E o que diz um dos envolvidos neste branqueamento da extrema-direita?

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Não tenham medo dos saudosistas de Salazar!

Não há razões para ter receio dos saudosistas de Salazar, porque a esmagadora a maioria já faleceu e, entre os ainda vivos, grande parte padecerá já de avançado estado de Alzheimer!
Tenham medo é de gente estúpida, pois não há, nunca houve, antídoto para tão severa e crónica maleita!

Supremacia da mediocridade

 

Desde já, e para que se compreenda, não tenho qualquer constrangimento em acusar quer as autoridades policiais quer o governo quer as instituições para a segurança rodoviária quer os infinitos grupos de cidadãos “motorizados” (?) de cumplicidade na matança que diariamente acontece nas estradas portuguesas.

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Trump, Bolsonaro e as piadas que se fazem sozinhas

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Cartoon: Carlos Latuff@Mondoweiss

Donald Trump, o BFF do Kim da Coreia que come na mão de Putin, quer trabalhar em conjunto com Bolsonaro, o adepto da ditadura militar que quer metralhar adversários políticos, para combater os regimes autoritários. Isto está é para os humoristas. Bem que podem passar o dia todo no café, que as piadas já se fazem sozinhas.

O homem branco nunca é terrorista: sofre de perturbações mentais

UPNRS

Imagem via Uma Página Numa Rede Social

Em Bottrop, na Alemanha, um homem tentou atropelar várias pessoas na noite de 31 de Dezembro. Segundo o jornal digital Notícias ao Minuto, que cita “as instituições judiciais e policiais de Essen”, tratou-se de “um ataque dirigido, motivado pela hostilidade do condutor contra estrangeiros”. Terrorismo, portanto.

Felizmente – para o agressor, claro – o criminoso sofrerá de problemas mentais. Talvez por isso o termo “terrorismo” não seja referido uma única vez na peça jornalística, nem como hipótese. Porque tudo fica sempre mais simples quando o delinquente é branco e não um perigoso emigrante do Magrebe, do Médio Oriente ou do Corno de África. Esses nunca sofrem de problemas mentais, são sempre terroristas. Já um homem branco, naturalmente bom e inofensivo, só por perturbação mental poderia levar a cabo tamanha barbaridade. E quem discordar é um perigoso esquerdalho, empenhado na instauração de uma ditadura Estalinista.

 

Da subserviência ao Brasil

Ao arrepio da tradição, Marcelo Rebelo de Sousa esteve presente na tomada de posse de Jair Bolsonaro, o que já é mau sinal, independentemente de quem chegou à presidência do Brasil. Sinal de subserviência, que é uma maneira de encolher um país.

As declarações do presidente português confirmaram o provincianismo de um país que vive de joelhos: ao falar com o repórter, abrasileirou a pronúncia; diante do desprestígio que foi o pouco tempo de audiência com Bolsonaro, inventou a história de que os irmãos precisam de pouco tempo para comunicar; não perdeu a oportunidade para falar da importância do Brasil nessa central de maus negócios que é a CPLP.

Já Eça fazia referência ao provincianismo de um país que importava tudo, até vocabulário, de França. Mais recentemente, vamos engolindo neoliberalismos vários porque vêm de Bruxelas e palavreado economês em inglês americano, cheio de timings e de feedbacks. O Brasil, eterna potencial potência, é o deslumbramento de políticos sempre ansiosos por transformar Portugal na rémora do tubarão, porque os negócios e as empresas e as oportunidades, num desfile de inanidades que afectam inclusivamente o supremo magistrado da nação, com representantes prontos a vender até a ortografia, em nome de uma falsa união que é só parolice.

Note-se que a cultura de muitos portugueses, incluindo este vosso criado, é devedora de muito Brasil, da literatura à música, passando pela televisão e pelo cinema, mas não se confunda admiração com genuflexão. O problema, nesta e em muitas histórias com políticos portugueses, é que a vergonha não é alheia.

Bom 2019

Para todos os que fazem o Aventar, autores, convidados e leitores, votos de um bom 2019.

Imagem: Paresh Nath, politicalcartoons.com

Para os entusiastas

A agenda mediática e política

Imagem: Diário de Notícias, edição impressa de 23/12/2018. Clicar para aumentar.

Ouvindo os ecos da política difundidos pela comunicação social, ficamos a saber que os temas quentes são a contagem do tempo de serviço dos professores para efeitos de progressão na carreira, a empolada manifestação nacional dos coletes amarelos e  a greve dos enfermeiros e de outras classes com menos capacidade mediática, tais como os oficiais de justiça. [Read more…]

A escravatura e o Dr. Chef Avillez

Obrigado, Dr. Jovem, por continuar a iluminar o nosso caminho, obscurecido pelos esquerdalhos totalitários.

A urgência de encarcerar Armando Vara

Sem título

Fotografia: Luís Barra@Visão

Armando Vara foi constituído arguido, no âmbito do processo Face Oculta, em Outubro de 2009. Em Fevereiro de 2011, foi acusado de três crimes de tráfico de influência pelo Ministério Público. Em Setembro de 2014 foi condenado a 5 anos de prisão efectiva pelo tribunal de primeira instância. Recorreu para a Relação e perdeu o recurso. Recorreu para o Supremo e o recurso não foi admitido. Recorreu para o Constitucional que, em Julho deste ano, recusou o último recurso. [Read more…]

Fiscalidade amiga dos deputados

AR

Estas coisas emergem de esgotos noticiosos ou de sites onde o fakenewsismo abunda, e a malta fica com a sensação que ali poderá haver gato (espero que esta expressão escape a malha fina do PAN). Mas eis que o Polígrafo mete mão na coisa, e a esmiúça até ao tutano, e fica confirmado para a posteridade que sim, os rendimentos dos deputados da nação beneficiam de um regime fiscal mais simpático que os demais mortais. E a cereja no topo do bolo? São as ajudas de custo e outros “extras”, incluindo aqueles que derivam de vigarices relacionadas com deslocações ou declarações de residência, que escapam ao leviatã fiscal. [Read more…]

O Natal dos professores

Santana Castilho*

1. Depois de várias manobras pouco abonatórias, a AR aceitou a Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC) para contagem de todo o tempo de serviço prestado pelos professores. Reitero o apreço pelo trabalho dos proponentes. Romper o ciclo da democracia fechada e enquistada nos diferentes aparelhos, abrindo uma fresta diferente de participação, é obra e merece cumprimento.

E agora? Agora, nem que Cristo desça à Terra, o chumbo está garantido. Com efeito, a AR não pode impor normativos que gerem despesa sem provisão em Orçamento de Estado. E o de 2019 foi aprovado, como convinha (e as manobras dilatórias providenciaram), antes da aceitação, discussão e votação da ILC. Mas sobra contrariedade para o Governo e entalanço para os partidos e deputados, que vão ter de cambalhotar nos bastidores antes de saltar para o trapézio. Estou de lugar cativo na plateia. [Read more…]

A Venezuela europeia da direita portuguesa

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Viktor Orban, o fascista que a imprensa controlada pela extrema-esquerda apelida de conservador, não vá a PIDE do politicamente correcto fazer-lhes uma visita, deu mais um passo no sentido de fazer a Hungria Great Again.

A poucos dias do Natal, para que não restassem dúvidas sobre a matriz católica apostólica romana que o norteia esta nova Hungria, onde a extrema-direita assume, sem rodeios ou cosmética, o namoro com neoliberalismo, Orban decidiu aumentar de 250 para 400 o número de horas extraordinárias anuais que o patronato pode exigir aos seus trabalhadores – e aqui a palavra “seus” assume contornos notoriamente esclavagistas – bem como de um para três anos o prazo-limite para proceder ao seu pagamento. [Read more…]

O pecado do capitalismo selvagem, segundo Francisco

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Belém: o nome significa casa do pão. Hoje, nesta «casa», o Senhor marca encontro com a Humanidade. Sabe que precisamos de alimento para viver. Mas sabe também que os alimentos do mundo não saciam o coração. Na Sagrada Escritura, o pecado original da humanidade aparece associado precisamente com o ato de tomar alimento: «…agarrou do fruto, comeu» – diz o livro do Génesis (3, 6). Agarrou e comeu. O homem tornou-se ávido e voraz. Para muitos, o sentido da vida parece ser possuir, estar cheio de coisas. Uma ganância insaciável atravessa a história humana, chegando ao paradoxo de hoje em que alguns se banqueteiam lautamente enquanto muitos não têm pão para viver.

Adoro quando o Papa Francisco usa o seu poder mediático para nos lembrar que o capitalismo selvagem e as suas elites opulentas e corruptas são um nojo. Nunca é demais recordar.

No país do “rir é o melhor remédio”

“Portugal não é um país para gente séria. Quem é sério está tramado.” “Detesto viver neste país faz de conta, de tansos, cobardes, ladrões, corruptos e sem lei. Portugal mais parece o Far West. Não sei se dá para rir ou chorar!? Somos um país de paródia, sem direito, sem razão, sem uniformidade, sem equidade, sem rigor, sem dignidade, sem imparcialidade”, frisa Joaquim Jorge.

Todos sabemos que rir é das coisas melhores da vida. De preferência à gargalhada, até às lágrimas.

Mas rir da tristeza

– das leis que não são para cumprir (ou só para alguns cumprirem) e dos alçapões das leis; da sangria aos cidadãos para assegurar lucros privados; da corrupção pequena e grande e da impunidade; da subserviência aos chefes e da prepotência dos chefes; da arrogância de funcionários que nos deveriam servir dignamente; do empurra-empurra de competências entre instituições, para se pouparem ao trabalho; das cunhas imprescindíveis para resolver o que deveriam ser direitos; da desorganização que nos faz perder tempo de vida; do sebo das amigalhices e negociatas por baixo dos panos (ou até por cima); do poder opaco de certas Ordens empresariais, profissionais, clubistas ou secretas; do “se não aproveitas és burro”; da comentadoria emproada e produtora de nevoeiros; da generalizada desresponsabilização pelo bem comum e pelo planeta; da sobranceria perante o empenhamento cívico em prol de causas públicas, onde ele existe, e da falta do mesmo; do desistir “porque não adianta nada”, do enfiar a cabeça na sua própria vidinha e interesses –

rir de tudo isto, não é mais do que cinismo. Cinismo e canalhice.

Sejamos melhores em 2019, se possível, sem deixarmos de rir. Chin chin.

Nascer da Terra: uma imagem icónica com 50 anos

“Ninguém lhes havia dito para procurar a Terra. Era véspera de Natal de 1968 e a primeira missão tripulada à lua chegara ao seu destino. Quando a Apollo 8 entrou na órbita lunar, a tripulação preparava-se para ler passagens do Génesis para uma transmissão televisiva. Mas, à medida que o módulo de comando completava a sua quarta volta, ali estava ela, visível através da janela – um enfeite azul e branco suspenso no preto acima do severo cinzento da lua.

Antes daquele momento, há 50 anos, ninguém havia visto o nascer da Terra. Esta visão fez Bill Anders, o fotógrafo da missão, precipitar-se para a sua máquina fotográfica. Colocou um rolo de 70mm colorido na Hasselblad, definiu o foco para o infinito e começou a fotografar através da teleobjectiva.

O que ele capturou tornou-se numa das imagens mais influentes da história. Força motriz do movimento ambientalista, a imagem, que ficou conhecida por Earthrise (nascer da Terra), mostrou o mundo como um oásis singular e frágil.” [Ian Sample, The Guardian]

Artigo completo: “Earthrise: how the iconic image changed the world“.

Feliz Natal


Este ano regresso a Fairytale of New York, porque alguns talibãs, doutrinadores do pensamento único, consideram ofensiva, logo passível de censura a letra desta bela canção.
Tempos perigosos para a Liberdade quando patrulheiros do politicamente correcto pretendem reescrever a História, mudar estátuas, nomes de ruas, culpar povos pelo passado, proibir ou impor comportamentos, incluindo a linguagem, entre outras barbaridades, na busca pelo homem novo, com que tantos tiranos sonharam…
A todos desejo um feliz Natal.

Coletes Amarelos: “porta-te bem, senão voto nos fascistas”

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No reino da grande fogueira virtual, uma velha ameaça paira no ar. Fartos de tanta corrupção e compadrio, fartos da impunidade e do descaramento, os zés e as marias entrincheiraram-se nas redes sociais, onde descobriram outros zés e outras marias que partilham a sua indignação. E todos os dias, sem excepção, uma massa indignada de zés e marias cresce, alimentando-se de likes, partilhas e retweets, e torna-se audível demais para ser ignorada, ainda que desorganizada demais para se emancipar do abstracto.

Inevitavelmente, o inorgânico é capturado pela primeira força organizada que consiga infiltrar-se. Fundamentalistas religiosos, extremistas políticos, um maluco qualquer. E pode resultar em encenações primaveris, na eleição de um Bolsonaro ou noutra maluqueira qualquer. O mais comum é dar merda, e na maior parte dos casos dá, mas tal não retira legitimidade às reivindicações que se fazem ouvir. [Read more…]

Douglas Engelbart (1925-2013), o visionário

“Chamei rato a este dispositivo de apontar, não sei bem porquê, mas o nome foi ficando”. Assim explicou Engelbart, com uma humildade estonteante, uma das suas invenções que actualmente consideramos banais.

Teve lugar numa demonstração tecnológica que ficou conhecida por “The Mother of All Demos” (a mãe de todas as demonstrações), assim baptizada por ter introduzido, num único sistema, muitos dos componentes presentes na computação moderna e pelo carácter visionário dos conceitos introduzidos.

Esta apresentação, que fez recentemente 50 anos, a 9 de Dezembro, durou 90 minutos e contou com a introdução de um sistema completo de hardware e software de computador. Entre outras invenções, incluiu a apresentação do rato de computador, videoconferência, teleconferência, hipertexto, processamento de texto, hipermédia, ligação dinâmica de ficheiros e um editor colaborativo em tempo real.

A lista de invenções é notável, mas ainda mais estonteante é a simplicidade com que Douglas Engelbart as apresentou. Talvez a plateia tenha tido a sensação de estar perante um vislumbre do futuro. Se sim, estava certa.

Resta saber se serve…

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O Conselho Constitucional francês validou a primeira lei europeia especificamente contra a manipulação da informação on-line em período eleitoral (a aplicar nos 3 meses anteriores ao primeiro dia do mês das eleições), salientando que apenas devem poder ser eliminadas das plataformas de distribuição:

1) As informações manifestamente falsas ou enganadoras (e não as paródias, as informações parcialmente inexactas ou simplesmente exageradas);

2) relativas a factos (não abrangendo, portanto, as opiniões);

3) que possam condicionar, de forma manifesta e objectivamente demonstrável, a sinceridade da eleição; e

4) que sejam distribuídas de modo automático, massivo e deliberado.

A eliminação é requerida judicialmente através de processo sumário, devendo o juiz decidir no prazo de 48 horas.

A lei requer aos operadores de plataformas on-line cuja actividade exceda, em França, um certo número de conexões, que forneçam aos utilizadores informações leais, claras e transparentes sobre 1) a identidade das pessoas singulares ou colectivas que pagam à plataforma para a promoção de conteúdos informativos relacionados com um debate de interesse geral (isto é, com o acto eleitoral a realizar), 2) o montante de tais remunerações, se for superior a um determinado limiar fixado por decreto, e 3) o uso que é feito, como parte desta promoção, dos dados pessoais dos utilizadores. Esta informação é agregada num registo disponibilizado ao público e actualizado regularmente durante o período em questão. O incumprimento destas regras pode dar lugar a um ano de prisão e a uma multa de 75.000 euros.

A lei prevê ainda o estabelecimento, pelos operadores das plataformas on-line, de um sistema que permita aos seus utilizadores assinalar informações falsas e vincula esses operadores a aplicar medidas adicionais que podem incluir a transparência dos algoritmos ou a luta contra as contas que promovam a divulgação massiva de informações falsas.

Vista com estas reservas, parece ser uma lei equilibrada e necessária para fazer frente à intoxicação da opinião pública que a extrema-direita vem desenvolvendo de forma metódica e sistemática, na Eu ro pa, nos Estados Unidos e no resto do mundo, cavalgando sem escrúpulos o descontentamento das populações com os vícios dos sistemas políticos e a tibieza das políticas públicas.

 

 

Protesto pára para almoço

E a suposta nova ortografia pára para falar dos coletes amarelos.

Quem são os Coletes Amarelos em Portugal

No que respeita movimentações colectivas, sendo importante conhecer quais são os objectivos declarados, perceber quem as está a promover pode ajudar a avaliar a autenticidade das posições defendidas. Uma forma de o fazer consiste em procurar saber quem tem sido os promotores dos protestos dos Coletes Amarelos Portugal e que dimensão têm estes movimentos. [Read more…]