Vítor Gaspar, o radical

O deputado João Semedo, do BE, lembrou a Vítor Gaspar que o governo falhou as previsões do défice e do desemprego. Vítor Gaspar desvalorizou isso, recorrendo à metáfora do barco que mantém o rumo, mesmo no meio das vagas alterosas.

Cheio de arremesso no peito corajoso, Gaspar teve, ainda, esta tirada épica, ao nível do Pessoa da Mensagem: “Nada depende do grau de precisão das previsões. O sucesso do ajustamento não tem a ver com o grau com que as previsões se cumprem”. Se é certo que esta afirmação confirma a incompetência ou a desumanidade do economista, não é menos certo que estamos na presença de um homem dominado por excesso de testosterona e subjugado por descargas constantes de adrenalina e é isso que devemos valorizar. [Read more…]

Défice Estrutural

Este é o défice menos o juro. É suposto ser uma medida da viabilidade orçamental.

Défice Americano em 6.9% do PIB

Na cifra dos 1 100 000 milhões USD. Os EUA deverão pedir resgate?

Fundações 1 – Funcionários do estado 0

Cortes na função pública explicam dois terços da redução da despesa em 2012 (JNegócios)

Passos trocados

Diz a sabedoria popular que é preciso saber dançar consoante a música. Todavia, o que é popular causa enorme engulho à Extrema-Direita que está no poder. Sim, digo Extrema-Direita porque esta Direita não aceita a crítica nem a contestação, e mesmo quando recua, como na TSU, faz em amuo e com insulto, mimando os empresários de medrosos e de ignorantes. Numa exercitada arrogância, este Governo insiste em fazer o que não resulta, porque entende que não é ele quem está mal, é todo o resto do país. Para este Governo não há opiniões, pontos de vista ou alternativas: há aliados ou inimigos. E se o povo não se alia ao Governo, então é inimigo. Quem não está com o Governo está contra ele. E quem está contra o Governo não merece mais do que ser tratado de medroso ou ignorante, ou da sua condição de desempregado ser considerada como zona de conforto, ou de lhe ser apontada a emigração como futuro. Porque o Governo teima em querer dançar contra a banda, em ignorar a música da orquestra e insiste numa desconcertante coreografia de má execução orçamental, de falhanço retumbante de combate ao défice, de ausência de modelo económico adequado à realidade do país, de total ausência de medidas criadoras de emprego, de empobrecimento da classe média, etc. E faz tudo isto com passos de quem quer crescimento económico, com uma população com cada vez menos dinheiro para gastar; de quem quer a reconversão das empresas para a exportação sem apresentar caminhos, como se, por exemplo, a construção civil – grande base de emprego em Portugal – passasse, por magia, a produzir caravanas, rulotes, atrelados ou tendas de campismo ao invés de apartamentos ou moradias; de quem quer que as empresas sejam financiadas, mas sem obrigar a banca retirá-las da asfixia de falta de liquidez em que a esmagadora maioria se encontra, antes pondo os trabalhadores a financiar os patrões. Esta Direita de passos trocados, insiste na sua dança porque acha que a orquestra toda é que está errada e que os demais que dançam no baile e com quem colide, também. Todos estão errados, menos ela. E o pior é que não pensa nem age assim por mero capricho, é mesmo por convicção. E é isso que a torna verdadeiramente perigosa.

Não pagarás a dívida dos outros até porque nem terás dinheiro para isso

José Vítor Malheiros enumera hoje as perguntas óbvias:

Devemos dinheiro a quem? E quanto? Quem o pediu e para quê? Onde está a lista das dívidas? Quem a certifica? Quem a auditou?

Blasfémia. Horror. Leva com um chorrilho de banalidades neoliberais que tem o seu clímax nisto:

 Aquilo que se chamava ataques especulativos eram tão somente investidores a deixar de comprar dívida portuguesa e outros receosos a aceitarem apenas juros mais altos.

Nestas cabecinhas delirantes não existe nenhuma coincidência no facto de o “receio” concertado exigir juros especulativos, de o fazerem simultaneamente em vários países, e fingem que 2008/09 nunca existiu em Wall Street. Foi só o défice, esse mantra ritual dos dividocratas. Calhou, foi uma coincidência, porque tinha de suceder, como se dever dinheiro não fosse na história dos estados tão natural como sempre foi. [Read more…]

José Gomes Ferreira comenta as medidas do governo

Daqui por um ano, os meninos do governo estarão a fazer de conta que estão surpreendidos com os valores do défice e do desemprego.

Vídeo de http://www.youtube.com/user/livrescowordpress

Descapitalização das escolas: professores mal desempregados

Ontem, foi mais um dia negro para a Educação em Portugal. Graças a Passos Coelho e a Nuno Crato, milhares de professores absolutamente necessários vão para o desemprego. Num país que morre de sede, o governo é o responsável pelo desperdício de água.

Do ponto de vista daquilo que é fundamental para que o sistema educativo funcione, Nuno Crato é incompetente. Na realidade, e de acordo com os seus objectivos, é competentíssimo, como o foram, antes dele, Maria de Lurdes Rodrigues e Isabel Alçada.

Para esta gente, a educação dos portugueses é uma parcela a abater, numa visão que nada vê para além do défice e que não percebe que há mais défices. O capital de um país, sobretudo se subdesenvolvido, corresponde àquilo a que alguns chamam pessoas ou, como lhes chamaria o governo, “seres cuja vida é muito menos importante do que as finanças dos nossos militantes e/ou amigos”.

É tarde para combater tudo isto, mas mais vale tarde que nunca.

Passos Coelho acumula cargo com actuações cómicas

Passos Coelho, revelando uma mestria própria dos grandes comediantes, declarou, num espectáculo ao vivo, que o governo deu “sentido aos sacrifícios dos portugueses“. Aproveito para revelar alguns dos dados em que, provavelmente, se baseou o primeiro-ministro/artista de stand-up para criar essa piada:

Receita fiscal aquém do esperado no orçamento aprovado em Abril

Eurostat aponta desemprego recorde de 15,7% em Portugal

Mais cortes na Segurança Social

Helicóptero do INEM em Vila Real demorará “o triplo do tempo” a socorrer Bragança

Mais de 43 mil professores sem trabalho no novo ano letivo

Custos com material escolar podem ultrapassar 800 euros em família com três filhos

Neste momento, sou forçado a parar, porque estou cheio de dores nos abdominais: o comediante faz-me rir descontroladamente; o primeiro-ministro provoca-me uma irritação pouco saudável.

Portas, o judas, insiste na falácia

Paulo Portas no seu especial momento “ópramim a demarcar-me das medidas impopulares do meu governo, que tenho aqui uma oportunidade de marcar pontos eleitorais”:

“Não será comigo que Portugal vai diabolizar a função pública”, garantiu Paulo Portas, considerando, no entanto: “Temos de saber e entender que, se o problema de Portugal é défice do Estado, não é justo pretender que o sector privado tem a mesma responsabilidade de ajudar”. [Público]

Como recentemente demonstrei, nem o BPN era público quando faliu nem a restante banca é pública e, no entanto, absorvem metade – é melhor repetir: metade, do dinheiro que cá chega pela troika.

Conscientemente, Portas tenta ludibriar os portugueses com a sua falácia. Dizendo não fazer o que de facto está a fazer, acusa a função pública de ser a causa dos problemas do estado. Mas desta vez, ao contrário do que tinha feito no debate da nação, nem se deu ao trabalho de dizer que o buraco era culpa do estado. Foi bem mais directo a apontar o dedo, deixando de fora aqueles que personalizaram o estado quando governaram e que, com as suas decisões, foram de facto a causa da falência: os governantes do PS, PSD e CDS. Quem nacionalizou o BPN? Quem ainda não cortou nas PPP? Quem é que negociou um memorando onde metade do dinheiro é dado à banca? E quem é que continua sem questionar essa decisão.

Tenha vergonha, sr. Portas, ninguém precisa de ministros assim. Nem o seu governo.

Os criminosos negam a evidência

A surpresa do governo não condiz com os dados disponíveis o ano passado. É o que dá usar sistemas de fé para governar um país.

Afinal a dívida pública cresce e o défice aumenta

Este gráfico foi calculado por Eugénio Rosa numa apresentação que fez na Assembleia da República a 19 de Junho. É uma amostra, fora dos números da propaganda governamental e dos ideólogos que a comentam habitualmente, sem contraditório, nas televisões, rádios e jornais. Leia o documento completo, e tire as suas conclusões. Em caso de dúvida nada como confrontar com a realidade que nos cerca. Essa nunca engana.

OGE de 2012 – Moedas, Trocas & Baldrocas

Homens felizes

Carlos Moedas publica no “The Wall Street Journal” um artigo destinado, claramente, a contraditar notícias adversas e recentes, naquele mesmo jornal. Noticiava-se, antes, que “Portugal dificilmente terá capacidade de voltar aos mercados em 2013, em função da persistência e dimensão da crise…”.

Moedas – Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, note-se –recorre a um estilo superficial e hiperbólico. Contornando as difíceis realidades sociais, económicas e financeiras do País, declarou:

A descida do défice abre espaço a corte de impostos.

Moedas agora nega ter dito que vai baixar os impostos. Tem razão. No entanto, ao valer-se de um discurso meramente teórico, usou um princípio elementar (descida de défice público => corte de impostos) que, correcto em matéria de teoria de finanças públicas, se distancia da realidade da Economia Portuguesa; sobretudo, dos efeitos da política de austeridade que, respeitando e/ou excedendo as medidas da ‘troika’, o governo, de que faz parte, aplica de forma brutal.

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Parem as rotativas: Zorrinho defende a renegociação da dívida

Até pode ser que esteja enganado, mas pareceu-me ouvir, há pouco, na SIC Notícias, Carlos Zorrinho, num debate com Ângelo Correia, a defender que a dívida deveria ser renegociada, porque a obsessão com o défice pode pôr em causa o tecido produtivo e o tecido social. Se não estou enganado, este é o mesmo Carlos Zorrinho que foi Secretário do Estado do segundo governo – por assim dizer – de Sócrates. A não ser que esteja a incorrer em erro, Sócrates foi o mesmo que acusou Louçã de demagogia, quando este defendeu, no debate para as últimas legislativas, que a dívida deveria ser renegociada. Se for tudo assim como eu estou a dizer, teremos de chegar à conclusão de que Louçã teve razão antes do tempo (ou a tempo) e o PS só consegue ter razão depois do tempo ou quando está na oposição. Corrijam-me, caso esteja enganado, mas este Zorrinho, em se apanhando novamente Secretário de Estado ou Ministro, terá um ataque da maleita conhecida actualmente como vieguismo e passará a defender, convictamente, o contrário do que defendia antes de ter – adoro esta, juro! – “responsabilidades governativas”. Votai neles outra vez, meus filhos, votai.

2012 A caminho de um país racional

Desde pelo menos 1974 que não houve ano em que não tivéssemos tido défice no orçamento do estado. E o mesmo seria a nível da da dívida não fossem as privatizações.

Ao mesmo tempo tornamos-nos um dos países com o maior número de proprietários (se é que podemos considerar proprietário quem fica a pagar uma casa até aos setenta anos).

Também conseguimos ser um dos países com mais quilómetros de auto-estradas e o estado sempre gostou de pagar mais aos seus funcionários (ou não) do que os privados conseguiam (ou queriam) aos seus.
Temos um sistema de saúde interessante (ou não) e gastamos na educação mais ou menos o mesmo que os outros países da europa.

Enfim chegamos a um ponto onde não há capacidade de inventar dinheiro como foi para as scuts, barragens ou parques escolares.

Não adianta (e não, não é resignação) dizer que não pode ser, que assim não vamos lá (sem apresentar alternativas)… é óbvio que vivemos muitos anos acima das possibilidades, basta comparar o nossos hábitos (pagar casa, andar de carro, jantar fora, etc.) com o salário médio português que não chega a 900€.

Só nos resta uma alternativa, liderar quem sabe liderar, inovar quem sabe inovar, replicar quem sabe replicar, trabalhar quem puder trabalhar.
Claro que ajuda se ao mesmo tempo que aparecem estas medidas, acabem com as poucas vergonhices como negociatas das scuts, barragens, e outras que estouraram o nosso (dos cidadãos que pagam impostos) dinheiro.

Talvez assim consigamos caminhar para um país racional que vive, com ambição, de acordo com as suas possibilidades.

O que o PM diz faz sempre todo o sentido

O mais africanista dos então candidatos, em pleno dias das mentiras – diga-se em abono da verdade – garantia que não mexeria em subsídios nem se atacaria o rendmento das pessoas. Aquele autoritário “está bem?” dirigido a uma aluna negra, materializa toda a africanidade do agora PM.

Depois, como PM indigitado, afirmou que não usaria a desculpa da situação herdada para justificar as medidas a tomar. E no entanto veio depois justificar o não cumprir as promessas com o défice herdado.

Foi então a vez do PM ficar em compremetedor silêncio quando o seu Secretário de Estado da Juventude, que catalogou o desemprego como “zona de conforto”, e pontou à juventude a emigração como rumo a seguir. O próprio PM veio até, recentemente, apontar o caminho da emigração aos professores no desemprego.

Seguiu-se a mensagem e Natal, onde o PM muito falou da reforma das estruturas que irá possibilitar os portugueses serem felizes de novo. Até lá, será de presumir que para as estruturas serem reformadas, o melhor será, tanto quando possível, evitar que haja portugueses a transitar pelo país. Até para diminuir o risco de acidentes. Mas curiosamente não falou nem de emigração nem de emigrantes.

Sim, o que o PM diz faz sempre todo o sentido.

Epilépticos: aldrabões que têm ataques e espumam pela boca

Prosseguindo a senda justiceira contra os desonestos, o governo continua a perseguir todos aqueles que se aproveitam da ingenuidade do Estado. O leitor poderá estar a pensar que, finalmente, serão responsabilizados todos aqueles que participaram e participam em Parcerias Público-Privadas ruinosas, por exemplo. Muito pior: o governo ataca todos aqueles que, devido a problemas neurológicos, perdem a consciência ou, na melhor das hipóteses, têm momentos de ausência. Deve estar para breve a obrigatoriedade de os tetraplégicos terem de se mexer para provar que não se conseguem mexer.

Conclusão: queres ser epiléptico? Paga!

Como chegámos aqui?

Desde que Cavaco abriu a torneira do crédito fácil que passaram a ele recorrer, de forma abundante, tanto os particulares como  empresas, instituições e governos. E porque houve recurso ao crédito para crescer? Naturalmente porque não há crescimento infinito e porque a produção de riqueza no ocidente baixou de facto graças à globalização.

Todos se queixam da bofetada que agora estão a levar mas o facto é que poucos, que até levaram com a alcunha de velhos do restelo, se indignaram com o facto do Estado, durante três décadas, ter sustentado a economia à conta de obras públicas.

Encargos dos Estado com as concessões SCUT

Vale o que vale, e vale pouco, mas o meu primeiro post no Aventar foi precisamente sobre as SCUT e sobre os seus encargos financeiros. E no Fliscorno já  há que tempos andava nesse assunto. E o Tribunal de contas já em 2003 tinha alertado para o caos financeiro que as SCUT trariam. Só não viu quem não quis. E os eleitores não quiseram ver. Queixam-se de quê? Aguentem-se, que o livre arbítrio tem destas coisas.

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À desorientação junta-se a loucura

É evidente que os governantes já não sabem o que fazer para aplacar a presente crise. Estão desorientados e dão muitas mostras disso. Mas não se ficam por aqui. Ontem o Ministro das Finanças anunciou que o estado vai absorver os fundos de pensões dos bancos nacionais, chegou a declarar:

Este encaixe vai permitir o pagamento de dívidas das administrações públicas, contribuindo assim para o processo de diminuição do rácio de transformação dos bancos portugueses e o financiamento da economia.
[Jornal de Negócios]

 
Isto são sinais inegáveis de loucura.

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A vergonha das eleições da Madeira

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O texto de António Fernando Nabais, poético e calmo, revela-nos o frenesi de Alberto João Jardim, que parece querer ser rei da Madeira. É-me impossível não dizer que este é um grande perdedor, porque vai perder votos, estou certo. Pensa tanto em si que compara a sua criminologia, provada como está pelos desvios de dinheiro cinco mil milhares de euros, e as dívidas em que fez entrar a ideologia que nos governa, muito diferente a minha, como é evidente, mas sinto pena do Primeiro-Ministro contar nas suas filas um homem que mente, desvia dinheiro, dá má reputação ao nosso país, e tem apoio… porque paga esse apoio. Crimes como os dele, mereciam for retirado da sua candidatura e despedido do seu partido. Bem sei que tem feito da Madeira um jardim que enche de dinheiro as arcas… de quem?

Senhor Passos Coelho, se tolera no seu partido um homem dessa laia, envergonho-me de si. Ou será que há mais deste tipo de lisura dentro do seu partido? Já vendeu o país à troika, parecia justo e necessário, mas com um político criminoso nas suas fileiras? Se eu for assim, da sua ideologia, primeiro era expulsar o grande mentiroso… O pior é que vai ganhar… [Read more…]

O caruncho (2)

(Continuando)

Cada vez mais, o país precisa de um Tribunal de Contas munido de efectivos poderes punitivos.

É preciso, também, o enquadramento como crimes de lesa-pátria as decisões políticas que agravam o endividamento público e nos tornam mais dependentes do financiamento externo com a consequente perda de soberania e dependência de agências de notação financeira.

Hoje, face a mais descalabros de défice público nas contas da Madeira, é um imperativo nacional que, de uma vez por todas, se exija dos responsáveis políticos e gestores públicos, responsabilidades pessoais pelos ilícitos cometidos no exercício das respectivas funções.

Urge, também, alterar a contabilidade pública de modo a se contabilizar não apenas o que é devido em certo ano mas sim a totalidade do compromisso assumido. Bem como submeter todos os organismos estatais ao Plano Oficial de Contabilidade Pública.

Pedir continuamente sacrifícios ao povo, aumentando impostos sobre os rendimentos do trabalho, aumentando o custo de bens essenciais, diminuindo às prestações do Estado-social para depois se permitir a impunidade de quem é responsável, é a negação do Estado de Direito Democrático consagrado na nossa Constituição.

Mas se as decisões quanto a distribuir os sacrifícios são políticas, a impunidade já é matéria de foro criminal. E aí, é obrigação do Ministério Público investigar e acusar nos termos preceituados pelas leis penais e processuais penais.

Não se pode apenas exigir medidas ao Governo e omitir o Procurador-Geral da República.

(Publicado no jornal semanário famalicense “Opinião Pública” a 21/09/2011)

O Jardim impede que se veja o matagal

Nos últimos dias, e justamente, Alberto João Jardim tem estado na berlinda, e, na sua fuga em frente, usa o voto dos eleitores como garantia ética, à semelhança do que fez o sr. Silva quando ganhou as eleições. Aqui, no Aventar, não conseguimos fugir a tão candente tópico. Carlos Moreno, entretanto, vem lembrar que há muitos outros buracos orçamentais, tantos que já caímos dentro deles e ainda não nos avisaram.

Com a rapidez do costume, as anedotas sobre a Madeira já nasceram. Olhem em volta: se virem algum presidente da câmara a rir muito alto é porque deve ter alguma coisa a esconder. Os ansiosos por mais austeridade disfarçam o mais que podem e agradecem, também eles, a Jardim.

Educação para todos?

No país cuja Constituição consagra a gratuitidade do ensino, obter uma Educação de qualidade é um luxo que muitas famílias não podem pagar, com perdas nas vidas individuais e com prejuízos para uma nação que continua a não investir no fundamental, enquanto chama “investimentos” a estádios de futebol e a exposições mundiais ou enquanto desvia impostos e cortes salariais para desmandos privados e disparates regionais.

Diante dos que são impedidos de continuar a estudar, muitos argumentarão que “sempre foi assim” ou que “não somos todos iguais” ou que “não podem ser todos doutores”. Dos jovens ouviremos frases como “Tive de ir trabalhar, que os meus pais não tinham dinheiro para eu continuar a estudar.”

O arrepiante de tudo isto é que estes ditos são iguais àqueles que eram pronunciados antes do 25 de Abril. Já se sabe que não somos todos iguais, mas, numa democracia moderna, esperar-se-ia que tivéssemos oportunidades semelhantes, que pudéssemos contar com um Estado em busca de justiça social. Em vez disso, sempre ao arrepio de uma Constituição que tantos querem alterar, temos um Estado a esvaziar-se, muito contente com o dinheiro que vai obter nas privatizações, com anéis e dedos metidos no mesmo saco.

As finanças públicas, atacadas por vícios privados, poderão ficar, finalmente, equilibradas. Numa contradição que me será sempre estranha, o país ficará tão bem como mal continuarão as pessoas.

Ilhas, buracos e vórtices

Já se sabia que, do ponto de vista da água, uma ilha pode ser vista como um buraco. A Madeira, graças aos préstimos de Alberto João Jardim, é também um buraco, do ponto de vista financeiro. Este dado, aliás, transforma esta ilha numa originalidade: em vez de estar rodeada de água por todos os lados, mete água por todos os lados.

A Madeira é, portanto, um buraco e, mais propriamente, um vórtice, já que arrasta para o fundo um país inteiro. Face a este naufrágio, todos os que já desconfiavam ou já sabiam dos desvarios do “Bokassa” madeirense, nas palavras do volúvel Jaime Gama, fingem-se surpreendidos. Alberto João continuará a rir-se e a produzir alarvidades, enquanto vê os salários dos outros a escorrer para o turbilhão que criou.

Entretanto, é sempre curioso verificar como, no meio deste turbilhão, Carlos Abreu Amorim se deixou transformar num Francisco Assis alaranjado, com os mesmos argumentos tão fracos como palavrosos, respondendo às críticas do PS com uma espécie de “quem diz é quem é”. Foi o mesmo Carlos Abreu Amorim que defendeu, além do mais, que Jardim é o político mais injustiçado de Portugal, o que faria sentido se “injustiçado” quisesse dizer que nunca compareceu diante da Justiça.

Algumas contas por fazer, sobre o imposto extraordinário

-A prudência aconselharia a esperar duas semanas para perceber os contornos do imposto extraordinário anunciado hoje pelo 1º ministro hoje no Parlamento. No entanto, já que o Jorge em post anterior pega no tema, eu aproveito para acrescentar algumas questões técnicas.

-O IRS é um imposto anual, pelo que aumentar o valor da retenção na fonte num determinado mês, teria um efeito diluído no final do ano, quando se apuram a totalidade das contas. Criar outro imposto que não o IRS, fará pressupor que este não sofrerá alterações. Passemos à frente das pessoas que auferem baixos rendimentos e se encontram isentas, certamente que não será muito penalizador para alguém que tenha um salário de 500 Euros, pagar 7,50 Euros, aos que ganham 485 Euros a medida não será aplicável. Mas peguemos no exemplo de alguém que aufere 1000 Euros, já se encontra sujeito a IRS, que será retido na fonte, como em qualquer outro mês, mais segurança social, sofrendo ainda um corte de 257,50 Euros, irá receber cerca de metade do salário em termos práticos.

-À partida teremos assim grande parte da população a receber apenas um valor líquido aproximado ao SMN como subsídio de Natal. É fazerem contas. Mas aguardo pela apresentação da medida em concreto, para perceber se estarei enganado, temo que não.

-Devo no entanto acrescentar com o princípio de flat tax a partir de determinado rendimento, em sede de IRS, mas nunca 50% e sem dupla tributação, ao invés do que parece ser o caso.

Notícias contraditórias

Algo não bate certo.
  1. Défice público diminuiu 89 por cento até Maio
  2. Hospitais e empresas do Estado pagam cada vez mais tarde
Garanto-vos, mal deixe de pagar a casa o meu saldo bancário melhorará significativamente. É só resolver ali uma coisita com o banco e vão ver.

O falso grande feito nas contas públicas

Sobre o grande feito das contas públicas propagandeado em Fevereiro passado, escrevi aqui, a 22/02/2011, que cá estaríamos para ver se não se estaria apenas a adiar a despesa o mais que se pudesse. E cá estamos para comprovar que a suspeita levantada na altura tinha razão de ser.

«Os técnicos do Parlamento detectaram que o Governo adiou o pagamento de compromissos assumidos pelo Estado no valor de 205,9 milhões de euros, só no primeiro trimestre deste ano. Com os atrasos nos pagamentos, a execução orçamental reportada pelas Finanças ficou beneficiada. A conclusão consta da análise da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) ao andamento das contas públicas nos primeiros três meses de 2011.» [Económico]

Em Fevereiro tivemos primeiras páginas de jornais e aberturas de telejornais a dar a falsa boa nova. Cá estaremos, novamente, para ver se o desmentido tem igual divulgação.

O mistério das 3 PPP – II

Apesar de termos estado numas mini-férias,  o INE não parou, demonstrando simultaneamente um grande sentido patriótico e um ainda maior sentido de oportunidade pela criteriosa escolha do momento do anúncio. Como se sabe, tal não poderia ter esperado por hoje, ou défice iria muito além dos anunciados 9.1%.

O que eu não percebo é que, apesar do fim-de-semana prolongado, foram abundantes as notícias sobre o caso mas continuamos sem saber quais são esses três contratos (“dois dos quais correspondendo a contratos renegociados de ex-SCUT”, diz o INE).

Não sou jornalista, logo talvez não seja a pessoa mais indicada para opinar, mas parece-me que este aspecto tem muito mais interesse jornalístico do que o desviar de atenções lançados pelo útil Lello com as suas declarações foleiras.

Adenda 1: confirma-se que o caso Lello é para continuar a desviar atenções. Tristes.

Adenda 2: Graças a um comentário neste post, deixo a informação que me havia escapado sobre quais são esses contratos.

Os investimentos em causa são, por um lado, as concessões Scut do Norte Litoral (concessão Euroscut/Ferrovial, com investimento de 318 milhões de euros) e da Costa de Prata (concessão Ascendi/Mota Engil, com investimento de 320 milhões), em que entretanto foram introduzidas portagens e onde se registam elevados volumes de tráfego. Por outro lado, está também a concessão do Túnel do Marão, uma auto-estrada com cerca de 30 km de extensão, situada entre Amarante e Vila Real e que inclui um túnel de 5,6 km, que será o maior túnel rodoviário nacional. Esta obra, orçada em cerca de 350 milhões de euros e concessionada à Somague, apenas deverá estar concluída entre o terceiro e o quarto trimestre de 2012.» Público

O mistério das 3 PPP

Hoje, mesmo a meio de um fim de semana invulgarmente longo, soube-se que o balanço das contas do engenheiro que mais fez pelo défice voltou a agravar-se. O INE fez saber que as  contas públicas têm agora um défice de 9.1% do PIB.

A justificação é enrolada mas tem um aspecto curioso. Diz o INE que dos contratos analisados,  “três deles (dois dos quais correspondendo a contratos renegociados de ex-SCUT) não têm a natureza de contratos PPP em que o investimento realizado é registado no activo do parceiro privado.”

Duas ex-SCUT? Quais? E qual é o terceiro contrato? Procurei no INE e na comunicação social mas não encontrei resposta. Devo ser eu que sou picuínhas.

Governo adopta a política do «Não pagamos»*

Como já aqui referi algumas vezes, é muito fácil baixar o défice, para tal bastando não pagar a quem de direito.

Governo anula défice com gastos em atraso e serviços em ruptura

Governo anula défice com gastos em atraso e serviços em ruptura
20 Abril 2011

Execução orçamental do primeiro trimestre chegava para colocar as contas equilibradas no final do ano. Mas resultados estão a ser obtidos com relatos de restrições de gastos expressivas e vários atrasos de pagamentos. (…)

E no entanto, há esse grande líder que acusou ontem o PSD de “não estar a servir o país” por desvalorizar os fantasiosos fantásticos dados da execução orçamental. Que estraga as negociações para o resgate. Sim, porque como se sabe, tal como a maioria dos portugueses, esses senhores da troika apenas vão ler as notícias enviadas às mijinhas para os jornais, com dados parciais e preparados para jornalista ver a que os jornalistas depois dizem ter tido acesso. Além disso, sabemos perfeitamente que o governo tem sido exemplar na apresentação das contas ao longo dos seus seis anos de governação (se descontarmos os sucessivos orçamentos rectificativos, a sucessão de PECs e as sucessivas correcções aos valores do défice). Uns mal intencionados que só querem o pote, é o que é (excepto os socialistas que só lá querem ficar por amor).

* NÃO PAGAMOS, NÃO PAGAMOS, NÃO PAGAMOS, NÃO PAGAMOS!