Golpe de tudo… ou nada

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Marco Faria

Na Turquia, o Presidente Erdogan teve um golpe de mestre – esse sim, o golpe de génio – ao falar ao povo, através do FaceTime, à CNN Türk. É o primeiro golpe de Estado, que me lembro, travado pelo iPhone. Nem Steve Jobs imaginaria o poder da sua “arma” de comunicação, capaz de barrar tanques (Maria da Fonte bem tentou com uma enxada pôr na ordem Costa Cabral, mas não conseguiu). Bastou Erdogan exortar a população para ir para as ruas travar o grupo de militares revoltosos e todos os comentadores portugueses na manhã seguinte já estariam a comer Nestum Mel com as “baboseiras” proferidas a quente na véspera. Que a polícia nunca teria meios para manietar os militares; que os militares são sempre mais fortes que os civis; que os militares em todo o mundo ou são respeitados ou dá bronca; que a Turquia caminhava para uma guerra civil…
Um helicóptero, um caça e meia dúzia de tanques a bloquear a Ponte do Bósforo em Istambul não chegam para mudar o rumo político-constitucional de um estado gigante. Pelo meio, os “comentólogos” diziam que Recep Tayip Erdogan teria tentado viajar para a Alemanha (com a recusa de Berlim) ou aterrado em Teerão. A diplomacia internacional esteve desta vez muito prudente e esperou por resultados, não fosse apoiar os derrotados (as diplomacias são como aquele emplastro, só querem aparecer na fotografia nos momentos de glória e do lado dos vencedores).
Outra curiosidade: Erdogan estava de férias em Marmaris, no Sul da Turquia, o que prova que os militares seguiram o manual – aproveitar o momento em que os líderes estão de férias a ler Tolstoi e a beber sumos naturais frescos.

[Fica para mais tarde a deriva perigosa que a Turquia tem conhecido. Este pode ter sido apenas o primeiro momento. Lamentável a perda de vítimas e a purga que se lhe está a seguir. ]

Por Quem os Sinos Dobram

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Por quem os Sinos Dobram – a assinalar os 80 anos do início da Guerra Civil Espanhola.

Página IMDB.

Leonardo Ralha defende voyeurismo da CMTV

“O atentado que provocou 84 mortes na cidade francesa de Nice gerou uma vaga de indignação nas redes sociais portuguesas. Pena é que não tenha sido dirigida ao terrorista que acelerou ao volante contra a multidão no feriado nacional de 14 de Julho.”

Assim começa a defesa da CMTV escrita por Leonardo Ralha, jornalista do Correio da Manhã. Um parágrafo apenas e logo batemos em duas falácias. A primeira reside na afirmação de não ter existido uma “vaga de indignação nas redes sociais portuguesas” dirigida ao terrorista. E a segunda, depreende-se, a cobertura, digamos noticiosa, da CMTV não pode ser objecto de críticas.

Ralha desenvolve, no segundo parágrafo do seu texto, a explicação que encontra para essa onda de protestos, para os quais o Aventar, sumariamente, também contribuiu. Segundo o cronista,  houve “raiva” demonstrada “aos órgãos de comunicação social” por estes “mostrarem imagens chocantes”.  Não, corpos “seminus, estropiados, desarticulados, a escorrer litros de sangue, de olhos abertos“, usando as palavras de Vasco Pimentel, não são apenas imagens chocantes. Constituem um exercício de voyeurismo, tal como os que diariamente enchem esse canal de televisão, esticado até à exaustão. Não se trata de “ocultar consequências”, nem de fazer “desaparecer causas”, Leonardo Ralha. A cobertura da CMTV procurou, e conseguiu, mostrar as entranhas da carnificina, como forma de atrair a mesma audiência que entope uma estrada perante um carro acidentado do outro lado.

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Respect! Nós somos os improváveis

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Confesso que todas as conquistas portuguesas me enchem de orgulho, sejam elas no desporto, na ciência, na cultura, na literatura, nas artes. Em todos os campos. Embandeirei em arco com as conquistas do futebol, desporto-indústria de milhões; como do atletismo e do hóquei em patins, desporto de milhares; como das artes marciais, desporto de tostões; como do desporto adaptado e as dezenas de medalhas de Lenine Cunha, desporto sem soldo.
Adoro destruir bestas negras, nem que seja à custa de ridicularizar bestas-quadradas. No futebol, foi a França; no hóquei em patins, a Espanha e a Itália, ambas despachadas, a seu tempo, com chapa seis. [Read more…]

Oposição ressabiada

Rui Bebiano

Em entrevista ao DN, Passos Coelho declara que “o governo tem o dever de cumprir a legislatura que roubou”. Anuncia ainda que com António Costa o país vai ficar “esganado”. É pena a nossa oposição estar confinada à exibição ininterrupta e patética do ressabiamento, pois em democracia todo o governo precisa de contraditório à altura.

Boicote ao Correio da Manhã

CMH

Via Os Truques da Imprensa Portuguesa, onde vale também a pena ver o video que acompanha o texto em baixo.

O Correio da Manhã ultrapassa todos os limites nos métodos que usa para obter mais audiências. Nos últimos tempos, transmitiu imagens aéreas do funeral de uma criança e ontem, perante os atentados de Nice, passou em loop vídeos com mortos.

Com esta agenda, o Correio da Manhã e o CMTV fazem um boicote à decência. Talvez esteja na hora da decência fazer também um boicote ao Correio da Manhã e CMTV. Mas seria absurdo sugerir à comunidade dos Truques que deixasse de os ver ou deixasse de os ler. Felizmente, em 99% dos casos, não partilhamos os públicos.

Propomos, em alternativa, que sempre que virem aquele famoso microfone vermelho, se dirijam a ele e digam: “É para a CMTV? Então não vou falar…” Podem experimentar formulações diferentes com o mesmo sentido. Acreditem: vai ser divertido!

É fundamental que todos partilhem esta iniciativa para fazê-la chegar o mais longe possível.
É para a CMTV? Então não vou falar…

Imagem via As minhas insónias em carvão

Factos

Carlos Paz

Violência isenta de sanções

Devecser, 2012. augusztus 5. Demonstrálók vonulnak fel az Élni és élni hagyni - demonstráció a jogos magyar önvédelemért elnevezésû megmozduláson Devecserben 2012. augusztus 5-én. A Jobbik és több radikális szervezet részvételével megtartott demonstráció a katolikus templom elõtti téren kezdõdött, majd a résztvevõk felvonultak azokban az utcákban, ahol véleményük szerint cigányok laknak. A rendõrség kordonnal biztosította a felvonulók útvonalát. MTI Fotó: Nagy Lajos

É comum ouvir os apoiantes locais da extrema-direita fazer comparações com a extrema-esquerda. Como se partidos como o Bloco de Esquerda, o Syriza ou o Podemos promovessem a violência, a discriminação racial ou a xenofobia. Já foram tempos, tempos em que o reino de terror soviético ordenava e as suas marionetas no terreno abanavam a cauda. Tal como os Estados Unidos, que como ninguém promoveu golpes de Estado, armou e apoiou terroristas e invadiu estados soberanos, deixando-os, regra geral, bem pior do que estavam antes. Conspiração? Irão, Iraque e os Talibans que o digam.  [Read more…]

Medo, terror e indiferença

Pray

Esta noite, o terror voltou a sair à rua. Bastaram duas bestas e um camião TIR, e o resultado foram centenas de pessoas atropeladas numa avenida movimentada em Nice. O número de mortos, na casa das largas dezenas, continua a aumentar. Mais de 50 feridos em estado grave. Um número indeterminado de feridos ligeiros. Pânico nas ruas, bandeiras de França no Facebook e notícias sobre indivíduos virtuais que celebram e aparentemente reivindicam o ataque. A pátria da liberdade, igualdade e fraternidade de novo em estado de sítio.  [Read more…]

CMTV, não vale tudo pelas audiências!

Vasco Pimentel


Para que conste: a CMTV está a passar, em loop ininterrupto, imagens de mortos na Promenade des Anglais: seminus, estropiados, desarticulados, a escorrer litros de sangue, de olhos abertos, tudo. Agora. Neste minuto. Sem as famílias & amigos ainda saberem o que quer que seja. Se alguém tiver aí à mão alguém que trabalhe nessa porcaria, cuspa-lhe em cima e diga porquê. Ou não diga nada, que eles sabem porquê.

Golpada CETA? ou Não, a Comissão não quer aprender

malmström cetaFoto: EurActiv

Mas a que espectáculo estaremos nós a assistir??? – pergunta-se apreensivo quem estiver a seguir o processo que, segundo intenção determinada da Comissão, deverá levar à assinatura e celebração do CETA (Acordo Económico e Comercial Global) entre a UE e o Canadá.

Poucos dias após o referendo sobre o Brexit, Juncker e a sua Comissão declararam peremptoriamente o CETA como Acordo “EU only”, ou seja, da exclusiva competência da UE e, portanto, a ser decidido em Bruxelas, com ratificação no parlamento europeu.

Porém, devido aos fortíssimos protestos de uma larga camada de cidadãos esclarecidos que se opõem ao CETA – assim como ao TTIP e TISA – em países como a Áustria, França, Alemanha ou Luxemburgo, os seus governantes não quiseram arriscar o conflito. E foi uma catadupa de reacções contra o plano da Comissão, exigindo a ratificação do CETA pelos parlamentos nacionais. [Read more…]

Para os distraídos que ainda não perceberam e para a escumalha que continua a manipular os restantes

PPC

No caso de Portugal, a Comissão enviou para o Eurogrupo, em 7 de julho, um documento de cinco páginas cuja essência se resume ao seguinte: o governo português, na altura liderado por Passos Coelho, não cumpriu as recomendações dirigidas a Portugal, que a Comissão propôs ao Ecofin, e que este aceitou, endereçando-as a Lisboa em 21 de junho de 2013. É de uma confrangedora desonestidade intelectual continuar a escutar as afirmações do anterior primeiro-ministro e da sua ministra das Finanças negando o óbvio: o país vai ser sancionado pelo desempenho do seu governo. Sejam as sanções nulas, mínimas ou pesadas, o pretexto não reside na ação do atual governo, mas no desempenho da coligação PSD-CDS. O sinal negativo que vai ser dado aos investidores, mesmo com sanções nulas, à DBRS, a única agência de rating que nos liga ao cordão umbilical do BCE, prende-se com a conduta orçamental de um governo que acreditava na austeridade mas não o suficiente para arriscar perder as eleições. Nessas circunstâncias, a bra- vata e o autoelogio dos anteriores governantes são uma indignidade e um insulto ao direito que os portugueses têm à mais elementar verdade factual.

Viriato Soromenho Marques, As regras da Alcateia (DN)

Só é pena ter sido o único, não é Camilo?

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“E é isso mesmo, só conta se o disser preto no branco”, terá acrescentado o chefe dos laranjas.

Nuno Bettencourt, dos Extreme, foi buscar a bandeira portuguesa de “More Than Words” para dar sorte à selecção do Brasil

É efectivamente estranho, mas possível, segundo este título: «Nuno Bettencourt, dos Extreme, foi buscar a bandeira portuguesa de “More Than Words” para dar sorte à seleção».

A ler

Bombardeamento preventivo, com target look nas soluções não autorizadas.

O melhor mordomo do mundo

DB

Foto: lainformacion.com

Já tínhamos o melhor jogador de futebol do mundo, o melhor treinador de futebol do mundo (e, se não estou em erro, o segundo melhor também), o melhor agente de futebol do mundo, o melhor corredor de maratonas BTT do mundo, o melhor praticante de jiu-jitsu do mundo (nem no Japão, toma!), o melhor lagar do mundo, o melhor peixe do mundo e, claro está, faltava-nos o melhor mordomo do mundo. Confesso que já acreditava nele antes mesmo do anúncio da mudança de bandeja e pano para o Financial District, mas o convite – chamemos-lhes assim – do Goldman Sachs é a grande confirmação que Portugal esperava. Nem sei como se deu tanta importância ao jogo da bola. [Read more…]

Fascismo húngaro

Conservadorismo, proteccionismo e regulação do mercado nunca produzem crescimento nem defendem o consumidor. Apenas servem corporativismo e protegem interesses instalados. Os extremos tocam-se…

Quando Deus é o mercado e a inspiração é o dinheiro

Santana Castilho

Carl Levin Milton, advogado e ex-senador pelo Michigan, foi curto e grosso sobre o Goldman Sachs, quando o identificou como “um ninho financeiro de cobras, repleto de ganância, conflitos de interesses e delitos”. O Libération foi fino quando opinou que Durão Barroso fez um simples manguito à Europa.
Eu parafraseio ambos para acrescentar que tudo converge. Se há talento que Durão Barroso sempre teve foi para aproveitar as oportunidades e fazer manguitos à ética e à moral. Foi assim quando desertou do Governo; foi assim quando cooperou com o crime do Iraque; é assim, agora, quando regressa aonde sempre esteve, isto é, para junto dos que promovem fortunas obscenas e calcam os mais fracos. A sua ignóbil conduta faz-me pensar nos valores que a educação instila nos jovens.
A educação é pautada pela doutrina da sociedade de consumo. Os alunos são orientados para os desejos que a orgia da publicidade fomenta. Paulatinamente, muitos professores foram-se transformando em peões de um sistema sem humanidade. Paulatinamente, aceitaram desincentivar os seus alunos de questionar e discutir causas e razões.
Teoricamente livres, usamos a nossa liberdade para permitirmos que nos condicionem. Tudo é mercadoria, educação inclusa. Preferimos estar sujeitos a mecanismos de controlo social a criar mecanismos de oposição ao sistema e de desenvolvimento de outro tipo de desejos: o desejo de visitar a vida, de cooperar com os outros.
Os sistemas de educação deixam as nossas crianças sem tempo para serem crianças. Porque lhes definimos rotinas e obrigações segundo um modelo de adestramento que ignora funções vitais de crescimento. O ritmo de vida das crianças é brutalmente acelerado segundo o figurino errado de vida que a sociedade utilitarista projecta para elas. Queremos que elas cresçam depressa. [Read more…]

A inspiração socrática da direita radical portuguesa

JSPPC

Enquanto os porcos triunfam, a direita radical portuguesa e o seu ministério da propaganda vivem um momento histórico. Uma vez mais inspirados pelo percurso ímpar de José Sócrates, milhares de fanáticos procuram provar ao país que um delírio mental e a realidade dos factos são uma e a mesma coisa. Tal como os socráticos, passistas e marcoantonistas criaram uma narrativa que iliba a sua governação de responsabilidades relativamente à ameaça de sanções pelo incumprimento das metas do défice no período 2013-2015. A única diferença é que os socráticos enfrentaram uma crise financeira sem paralelo desde 1929, o que de resto não apaga ou sequer minimiza os estragos causados por anos de despesismo e má gestão socialista. Mas não deixa de ser enternecedor ver a forma como a casta passista recorre e copia os piores métodos do seu antecessor. É o que dá virem todos da mesma escola e serem liderados (oficialmente) por alguém tão básico e em permanente estado de negação. Não existem coincidências.

Filhadaputice é isto

EU defict wall of shame

Seis países não cumpriram as regras do pacto de estabilidade em 2015

Disse-se que houve unanimidade entre os ministros das finanças europeus, que formam o Ecofin, na aplicação de sanções a Portugal. O que é falso, logo em primeiro lugar.

Durante a reunião não houve votação. Portugal e Espanha manifestaram-se contra as sanções, mas os restantes países não levantaram objeções dando luz verde à decisão. [Expresso]

Nem houve votação. Assim se confirma, novamente, que a “europa” é o projecto de um país, capaz de impor aos restantes o seu domínio.

Mas quem cala consente. Seis países ficaram em procedimento de défice excessivo em 2015. Croácia, França, Grécia, Reino Unido (se ainda conta), Portugal e Espanha.

A Croácia calou-se. A França calou-se. A Grécia calou-se. Filhadaputice é assobiar para o lado enquanto as chamas do vizinho não chegam ao palheiro. Mas lembrando Brecht

Actualização: a Grécia opôs-se às sanções.
Vivemos um tempo em que a contra-informação domina a informação. Neste caso, passámos de unanimidade para vários protestos. Mesmo assim, não chegou a haver votação. Grande europa.

Euro 2016

transferir (1)Não é bonito apontar para os erros dos outros, quando nos chamam a atenção para os nossos. Não há cantilena mais embirrante do que a lamúria do pois toda a gente faz o mesmo e eu é que sou condenado.

Em princípio, portanto, estaria pronto a criticar o facto de Portugal ser um desses queixinhas que apontam para os défices alheios com o fito de desculpar o próprio.

A verdade, no entanto, é que há números que dão que pensar e que podem facilmente transformar um queixinhas num queixoso com razão.

De acordo com o Institute for Economic Research, já houve 114 violações das metas estabelecidas e, neste momento, apenas Portugal e Espanha estão sujeitos a possíveis sanções. Essas 114 (por extenso: cento e catorze) violações não foram levadas a cabo apenas por Portugal e Espanha: o país que mais vezes falhou neste campeonato foi a França, mas Juncker já explicou por que razão a França não pode ser castigada.

Note-se, ainda, que as possíveis sanções são consequência do défice deixado por Passos Coelho e por Maria Luís Albuquerque. Relembre-se, também, que os vários falhanços das metas estabelecidas foram sempre considerados sucessos pelas mesmas instituições que hoje ameaçam um governo que ainda não falhou as previsões. Percebe-se: com Passos, o país continuaria a retirar direitos e dinheiro aos trabalhadores, que os PIIGS querem-se pobrezinhos e prontos a pegar nas bandejas com bebidas exóticas.

O verdadeiro Euro 2016 é este, o campeonato em que há jogadores que são árbitros e que, por isso, podem distribuir porrada à vontade, porque são os donos do apito. Todos sabem que as metas do défice não são alcançáveis, mas usam-nas como instrumento de pressão, para ajudar multinacionais e bancos, à espera do prémio.

Isto já está a dar maus resultados e a União Europeia não é união e nem sequer se pode dizer que seja europeia, porque a ideia de Europa deveria ser outra, especialmente depois de tanta História.

Franceses pedem repetição do jogo

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Para os radicais de direita que saibam ler:

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“Além disso, estima-se que o esforço orçamental acumulado empreendido por Portugal no período entre 2013 e 2015 tenha ficado significativamente aquém do recomendado pelo Conselho, o que leva a concluir que a resposta de Portugal à recomendação do Conselho não foi suficiente.” (EU Press release)

Será preciso fazer um desenho para os restantes?

A traça benfazeja

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May the  força be with you. E viva Portugal.

E agora?

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© PHILIPPE DESMAZES/AFP/Getty Images (http://bit.ly/29yPbxI)

If one knows the streets well, one can, by taking a zigzag path, avoid the large, busy thoroughfares that snake through the maze of smaller streets and, by following those smaller arteries, travel more or less as the crow flies.

David Byrne, Bicycle Diaries (“London”)

***

Pedro Queiroz da Costa, jornalista do Público, reflecte e pergunta:

Portugal foi campeão europeu. Já ninguém tira isso à selecção nacional. Mas e agora?

Agora? Agora, continua tudo como dantes. Basta ver aquilo que acontece no sítio do costume.

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Efectivamente, nada mudou.

O triunfo dos porcos

TdP

É oficial: a hecatombe governativa a que PSD/CDS-PP nos sujeitaram atingiu o zénite e foi punida no Ecofin, que acaba de aprovar a abertura do procedimento que poderá levar às sanções defendidas pela Comissão Europeia, liderada pelo amigo da direita incompetente que por cá temos e que, como qualquer terrorista liberal que se preze, se bate pela promoção da evasão fiscal e outros tipos de gatunagem legal.

Tenha cuidado: uma série de palermas, fundamentalistas, terroristas financeiros e restante seita, deliberadamente ou apenas por serem parvos, vão tentar convencê-lo de que o que está a acontecer é fruto da acção do actual governo, o que em teoria é tão verdade como as cores do equipamento do Benfica serem o azul e o branco. Na prática fará algum sentido na medida em que o facto do actual governo não sentar, rebolar e dar a pata aos ayatollas de Bruxelas como o anterior teve como consequência uma manobra mediática absolutamente desonesta e demagógica, que responsabiliza António Costa pela porcaria feita por Passos Coelho e restantes compinchas além-Troika. Contudo, importa reforçar para quem ainda esteja sobre o efeito da propaganda neonacional-socialista, as sanções dizem respeito aos valores do défice de 2015, durante o qual a clique do Portugal à Frente repetiu a façanha do incumprimento. Importa também referir que, tal como Portugal e Espanha, os dois únicos e inéditos potenciais sancionados, também a Croácia, a Grécia, o Reino Unido e a França violaram as metas estabelecidas. Mas nesta espécie de união com “u” minúsculo, impera a iniquidade. Dois pesos, duas medidas.

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Cumpriu-se

portugal flag

Coisas que me agradam muito:

  •  A vitória da Selecção.
  •  O Éder a marcar no fim; um momento de ironia e de justiça poética que pôs em causa a minha visão do universo e das leis que o governam.
  • O Quaresma a mostrar o melhor de si mesmo e o melhor de nós.
  • O Renato que aos 18 anos teve de enfrentar uma miríade de gente a chamar-lhe mentiroso e mesmo assim conseguiu ajudar a equipa em momentos importantes.
  •  O exorcismo de 2004. Já merecíamos.
  •  A prova que o futebol é – e deve sempre ser – um jogo de equipa, de interajuda, de solidariedade. A queda de um jogador – mesmo um jogador tão extraordinário como Ronaldo – não impede a vitória se houver vontade e espírito de sacrifício.
  • Ontem andei por Lisboa e as pessoas estavam visivelmente felizes. Isso apaziguou a cínica que vive em mim.

Coisas que me desagradam:

  • Qualquer dia (hoje não porque estou feliz e gostava de continuar por mais algum tempo) temos de falar sobre esta coisa das generalizações. Já não temos 20 anos para fazermos reduzirmos milhões de pessoas a epítetos ridículos e/ou insultuosos.
  •  Portugal ainda não ter ganho a Eurovisão.

O ultimato azul

O palerma disse que a sua preocupação era Portugal e bateram-se palmas.

Para a banca europeia ou para o DB?

O alemão Deutsche Bank é a instituição financeira que atualmente mais riscos coloca sobre a estabilidade mundial enquanto fonte potencial de choques externos, alertou o Fundo Monetário Internacional (Dinheiro Vivo)

E soma-se ainda a esta farsa o papel do cherne local em funções numa cadeira azul.

O ultimato está na mesa. Em tempo de guerra procuram-se aliados 

I fell

i fell
O trocadilho do momento. Encontrado por aí.

Bilhete do Canadá – No Rescaldo da Bola

Foi obra sofrer cerca de duas horas a ver a transmissão do Portugal-França por uma estação televisiva canadiana, portanto em inglês e sem os apartes gostosos que a nossa língua proporciona, porque a RTP-Internacional é assim uma espécie de caixote do lixo. Não transmitiu o jogo por este canal e, a partir das 20 horas (de Lisboa), passou a transmitir um programa muito chato e sem graça, sob a batuta dum sujeito com cara de lua cheia e sorriso embevecido. Quando todos esperávamos, por nos parecer decente e lógico, que a normalidade se iria repor com o noticiário da meia noite (de Lisboa) e consequente passeio de imagens da selecção e do país, a RTP-Internacional teve o topete de repetir a xaropada. Tinha razão uma secretária de estado das Comunidades, militante do PSD, que rotulou tudo o que não fosse Europa de Resto do Mundo. Na verdade, a RTP, e não só, trata-nos como um resto deste mundo. Mas quando há eleições ou é preciso dinheiro, lembram-se de nós e aparecem cá, lampeiros, com uma cesta de penduricos para os amigalhaços. Nós, que não somos tão parvos como a RTP nos julga, aprendemos com o tempo a ver as diferenças entre a forma como o Canadá e a nossa ditosa Pátria nos tratam.

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