Considerem-se Avisados


Duas imagens que devem ser lidas em conjunto.
Porto a 1 de Maio de 1974 e Expresso a 9 de Maio de 2025.

Convide-se Hervé Vilard, o original, para o próximo “São Bento em Família”

O apagão e os interesses privados

João Sedas Nunes

Num sentido de que o próprio não se terá dado conta, as explicações prestadas pelo Administrador da Ren por volta das 18:30  do dia 28 de abril foram muito esclarecedoras. Ressalto duas afirmações.

  1. Que o “apagão” resultou de que, à hora do colapso do sistema elétrico, por razões de preço inferior, este importava energia elétrica de Espanha;
  2. que teria sido e será possível criar redundâncias que prevenissem o “apagão”, mas que tal implica aumento significativo do custo da eletricidade para o consumidor final.

Traduzindo, tudo se resume a opções logístico-operacionais e tecnológicas ditadas pela maximização da rendibilidade económica do sistema empresarial que fornece os serviços de eletricidade. Nem lhe passou pela cabeça que o custo das “redundâncias” fosse absorvido pelos elevadíssimos lucros que o negócio do fornecimento de energia elétrica proporciona – está quieto reduzir os dividendos pagos aos acionistas.

Há empresas que não devem estar no sector privado. No sector energético, é o caso da Ren, como é também o caso da EDP. Trata-se menos de relevar o papel do Estado na vida pública do que de reconhecer que a proteção e promoção de certos bens comuns essenciais não pode estar nas mãos de atores que, por definição, cuidam em exclusivo de interesses privados. A lógica da gestão privada é a da defesa dos interesses económicos dos acionistas das empresas, não dos seus “clientes”.

Quando forem votar lembrem-se de duas coisas:

a) que a visão liberal da economia (mais extremada na IL ou no Chega, mas igualmente prevalente na AD e em parte do PS), na “hipótese mais benigna”, propõe “cegamente” reduzir à função de regulador o papel do Estado na economia;

b) que, por isso mesmo, estruturalmente, se trata da visão que mais favorece episódios de disrupção de serviços fundamentais como o ocorrido ontem.

Abaixo a oligarquia! Vivam os Trabalhadores!

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas, multidão, o Portão de Brandemburgo e a Rijksmuseum

Neste tempo estranho, em que a nova oligarquia bilionária nos quer mais pobres, precários, desunidos e submissos, defender o valor do trabalho e dos trabalhadores é mais do que afirmar direitos. É marcar uma posição de oposição contra a opressão mascarada de “mercado-livre” e de outras liberdades fictícias que teimam em aplicar-se apenas às elites que financiam o terrorismo libertário e neofascista. Punho erguido contra eles!
Feliz Dia do Trabalhador, gente boa. Maio começa hoje, mas o espírito de Abril perdura 🌹

Comício em Família

Primeiro, Luís Montenegro adiou a abertura ao público dos jardins do Palácio de São Bento, tradicionalmente parte da agenda oficial das celebrações do 25 de Abril, com a esfarrapadíssima desculpa do luto pelo Papa Francisco, que o Vaticano decidiu começar a dia 26 de Abril.

Adiou para quando?

Para o período de luto pelo Papa Francisco, decretado pela Santa Sé, que termina a 4 de Maio.

Percebem o gozo que nos estão a dar?

Agora, no feriado do Dia do Trabalhador, decide transformar o Palácio de São Bento na Festa da Família, seja lá o que isso for. [Read more…]

Portugal de cu ao léu

Imagem de Iara Sobral.

Portugal vendeu os anéis. Eventualmente, vendeu os dedos. Hoje, dá o cu. Não se queixem, meus iluminados. Sejamos soberanos, pelo menos uma vez.

Deixem as crianças em paz, fachos!

“Confrontos no 25 de Abril: rapaz de 13 anos identificado entre os agressores da extrema-direita.”

25 de Abril no Porto: fotografias

Os Aliados encheram para receber as comemorações dos cinquenta e um anos da Revolução.

Viva Abril, viva a Liberdade.

Fotografias: João L. Maio

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25 de Abril para todos

Homo sum: nihil humani a me alienum puto.
Terêncio
‘Sou homem: considero que tudo o que é humano me diz respeito.’

No dia 12 de Março, Kilmar Abrego Garcia foi detido em Baltimore. No dia 15, foi enviado para El Salvador, de onde tinha fugido em 2011. Abrego Garcia foi enviado para o país de origem, para o Centro de Confinamento do Terrorismo, uma prisão em que estão 40000 reclusos,  com base em acusações que não estão provadas, o que, numa sociedade civilizada, quer dizer que é inocente.

De um lado, está Trump, com o discurso musculado dos cobardes poderosos, praticantes de um marialvismo bacoco que fascina os que acreditam que as vítimas serão sempre os outros. Do outro lado, está Nayib Bukele, presidente de El Salvador e lambe-cu de Trump, não necessariamente por esta ordem, que já decidiu, sem necessidade de tribunais, que Abrego Garcia é um terrorista que, portanto, não pode ser devolvido aos Estados Unidos, mesmo que, repita-se, não haja nenhuma condenação em tribunal.

O mundo sempre foi dirigido por bestas que se comportam como qualquer um de nós, que somos capazes de decidir que alguém é culpado de alguma coisa porque tem mesmo cara de ser culpado dessa coisa. A História, no fundo, é esta contínua luta contra a barbárie em que nos espojamos, uma luta contra os nossos caninos sedentos do sangue de iguais. As leis, a civilização e a decência atrapalham-nos muito. [Read more…]

25 de Abril: a luta continua. Sempre!

Num tempo em que o ódio, o racismo e a maldade saem à rua sem vergonha, celebrar Abril torna-se ainda mais importante.
Existencial.

Na rua, em casa ou nas redes sociais, manter viva a memória da revolução, as suas conquistas e a brutalidade de que nos libertou é, parece-me, uma obrigação de todos os democratas. Para travar os que tentam reescrever a história e convencer-nos de que no tempo da guerra, da miséria, do analfabetismo, da censura e da corrupção salazarista é que era bom. Não era. E não admira que os defensores desta ideia estapafúrdia sejam os mesmos que hoje têm sonhos molhados com Putins e Trumps. Não tenhas ilusões: no dia em que lhes for permitido, entregam tudo aos oligarcas e atiram-te pela janela do 17.º andar.

A luta continua, não porque este seja um slogan bonito, mas porque a democracia é um projecto sempre em construção, sempre inacabado e sempre alerta para resistir aos novos fascistas. E por muito que guinchem e estrebuchem, são e continuarão a ser a minoria. É por isso que desejam a ditadura. Porque só assim conseguem impor a miséria ignorante à maioria.

Resistiremos!

25 de Abril SEMPRE, fascismo NUNCA mais!

Quadrados

Alguém sabe quantos metros quadrados tem o palheiro com logradouro do Luís Filipe Vieira?

#JUNTOS

E vocês…

… de zero a dez, quão psicopatas são?

Diário de Notícias. 2020.

Correio da Manhã. 2025.

O que separa a IL do Chega?

Números, apenas números.

 

Vamos falar do nojo

jornal Público

Vamos falar um bocadinho do nojo?! Vamos, pois.

Anda toda a gente a cavalgar a onda. Sem informação, sem um pingo de empatia, sem um esgar de humanidade. Só cavalgar. Mas vocês são quem, o D. Quixote? Assim montados são mais a Cicciolina.

Por mim, tudo bem. Façam-no. Aliás, por mim, expulsem-nos a todos. Deixem só ficar os reformados ingleses, holandeses e alemães. Mas daqui a três, quatro, cinco anos, pio calado. Nem um ai sobre falta de mão-de-obra, sobre o colapso da Segurança Social, nem um sus sobre a estagnação total. Calem-se só.

Não há uma frase sobre os direitos e deveres de quem vem para cá fazer vida, trabalhar. Há, sim, o discurso punitivo, o “extraterrestre ilegal”. Eu tenho vergonha desta merda, porque havia gente no bidonville, amontoado, cheios de merda até ao pescoço, foram de cá para lá sem nada, eram empurrados, guetizados, ilegais. [Read more…]

Pare de insultar a inteligência dos portugueses, senhor primeiro-ministro

Pode ser uma imagem de 1 pessoa

Faço parte da maioria absoluta que não queria eleições. Não por ser entusiasta deste governo, mas porque compreendo e aceito que a democracia é feita de alternância. E a menos que algo muito grave suceda, os governos devem governar até ao fim dos seus mandatos.

E se é verdade que há gravidade nos casos, casinhos e casões que envolvem Luís Montenegro, eles afectam sobretudo a sua pessoa, não a governação propriamente dita (que se saiba). Num mundo ideal, Montenegro demitia-se, era substituído e a governação seguia o seu curso.

O que sucede?

Sucede que Montenegro escolheu fazer cair o seu governo por sua própria iniciativa.

Tinha o orçamento aprovado, sobreviveu a duas moções de censura e estava mais que legitimado para continuar.

Mas optou por mergulhar o país em mais uma crise política e empurrá-lo para eleições. Digo eu e dizem 46% dos inquiridos da mais recente sondagem da Pitagórica para a TSF, DN e JN.

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Um virgem opina sobre ninfomania

Debater o jornalismo. Sem jornalistas…

Perfeitos imbecis.

Retirado do site da Câmara Municipal do Porto.

Rui Moreira opina sobre a comunicação social.

Aguiar-Branco-sujo

Na minha vastíssima ignorância também sobre tonalidades, tenho ouvido falar, por vezes, de branco-sujo, que me parece, à partida, tão pouco branco, que nem branco seria, mas temos de aceitar que brancuras e branqueamentos há muitos.

Recentemente, José Pedro Aguiar-Branco afirmou que Pedro Nuno Santos «fez pior à democracia em seis dias» do que Ventura em seis anos, o que é surpreendente, porque ficamos a saber que o Presidente da Assembleia da República considera que André Ventura fez mal à democracia.

Por outro lado, tendo em conta que Aguiar-Branco raramente censurou Ventura ou o Chega, talvez possamos concluir que a qualidade da democracia não faz parte das suas preocupações. Aguiar-Branco, portanto, branqueou os ataques que Ventura fez à democracia, sujando-se. Efectivamente, branquear suja.

Subscrevendo as palavras do nosso José Mário Teixeira, direi, no entanto, que é importante confirmar que é habitual que uma certa direita recorra com muita facilidade ao equívoco das falsas equivalências, mantendo aberta a possibilidade de alianças com o Chega. Ao despir, em público, a pele de Presidente da Assembleia da República, Aguiar-Branco exerce o seu direito a sujar-se e a sujar o cargo que representa. Para cúmulo, despir-se em público pode considerar-se atentado ao pudor.

A pele

O cargo de Presidente da Assembleia da República, é o segundo mais importante da hierarquia do Estado, ficando abaixo do de Presidente da República, e acima do de Primeiro-Ministro. É, pois, a segunda figura do Estado Português.

Exercer tal cargo, torna-se uma segunda pele que não pode ser esquecida ou sequer sujeita a horários. E numa qualquer ocorrência da dinâmica social, é sempre a pele institucional que deve prevalecer.

A ética republicana, demanda que a prevalência das responsabilidades de exercício e discurso de um cargo de Estado, prevalece sobre qualquer outro.

Não se trata de algo exclusivo da política, existindo diversas regras éticas de conduta, sejam republicanas, sejam profissionais, sejam meramente sociais, que fazem parte indissociável, em cada situação, de quem a elas está sujeito. É um preço a pagar não só pelo serviço prestado à comunidade enquanto sentido de serviço público, como, também, no caso do exercício de cargos políticos – mormente o de segunda figura do Estado -, por ficar associado à história do país, algo que é reservado a uma elite.

Significa, isso, que um Presidente da Assembleia da República não pode actuar como se de um vulgar cidadão se tratasse. Como se de um militante partidário se tratasse. Pois que o poder em que é investido, o estatuto na sociedade, as responsabilidades e os privilégios de Estado que lhe são conferidos, exigem uma conduta de probidade, zelo, diligência e de especial dever de reserva.

Esteve, por isso, muito mal José Pedro Aguiar-Branco, Presidente da Assembleia da República, ao afirmar no Conselho Nacional do PSD, que Pedro Nuno Santos fez “pior à democracia em seis dias do que André Ventura em seis anos”. [Read more…]

Montenegro derrubou o seu governo

Montenegro impôs a sua moção de confiança ao país. Após ter sobrevivido a duas moções de censura. Não precisava de o ter feito e poderia ter continuado a governar como até aqui. Fê-lo sabendo que seria chumbada. Sem surpresas. Objectivamente, é o único (ir)responsável pela queda do governo e por empurrar o país para a instabilidade e para novas eleições.

A ética republicana quê?!

Correndo a comunicação social, escutando a vox populi, passando os olhos pelas redes sociais, a ética republicana parece ser coisa que pouco diz à maioria das pessoas quando se pronunciam acerca da actual situação política.
Duvido, seriamente, que Montenegro seja penalizado pelo que fez na trapalhada novelesca da Spinumviva, e tudo quanto ela representa do que não se deve fazer na política. Sendo que em qualquer país nórdico, um PM que mantivesse no seu património uma empresa com avenças de privados com interesses em concessões públicas, era lhe aberta a porta de saída das traseiras. Isto, se não saísse pelo seu próprio pé.
É certo que a cada cavadela, as minhocas que ainda vierem a surgir, poderão mudar o rumo da percepção popular acerca dos acontecimentos. Como, também, à imagem e semelhança de tantos outros escândalos do passado, o ponto de saturação popular é fácil de ser atingido, na lógica do “ainda andam com essa história?!”.
Em Portugal, infelizmente, ainda existe uma espécie uma espécie de tolerância face a comportamentos eticamente reprováveis, quando não criminosos. Na lógica do “rouba mas faz obra” ou “se estivesse lá outro, fazia igual”, etc.
Privilegia-se a esperteza em detrimento da inteligência, a habilidade em detrimento da competência, pilares do desenrasque.
Assim, não raras vezes quem provocou eleições, foi penalizado nos resultados eleitorais. Na lógica de “Eles” não se entendem e o pessoal tem que ir votar?! E tudo porque Montenegro tinha uma imobiliária e ganhava a vida?! Gastar dinheiro com eleições?! “Eles” que se entendam!
Talvez por isso, Luís Montenegro achou suficiente passar a sua participação na empresa para a mulher. Como jurista sabia, e sabe, muito bem, que tal cosmética representaria mudar algo para que tudo ficasse igual. É que, face à facturação e à clientela, extinguir a empresa estava, esteve e está, fora de hipótese, como é bom de ver. O risco valeria – talvez valha mesmo – a pena. E, correndo mal, está bom de ver que basta recorrer à habitual cartilha de gestão do medo: bradam-se os perigos da “instabilidade”, repetem-se à exaustão as palavras “crise política” e “responsabilidade”, e trata-se de arranjar a quem dar com a culpa nas costas por haver eleições. Sem prescindir do clássico que já se começou a escutar do “pouco barulho e deixem-nos trabalhar!”
A haver eleições legislativas e pelas razões subjacentes, o momento deveria ser de capital importância para se formar um juízo crítico sobre os valores éticos da governação. Para se estabelecer limites e compromissos. O que em nada impediria de se discutir opções políticas para o SNS, a habitação, a segurança, o ensino, a justiça, etc. Mas, duvido, seriamente, que sirvam para qualquer uma destas coisas da República.

A minha hipocrisia é melhor do que a tua

Poucas horas depois de Luís Montenegro tornar pública a sua disponibilidade para apresentar uma moção de confiança no Parlamento, o PCP veio a correr anunciar uma moção de censura.

Isto, poucos dias depois de ter classificado a recente moção de censura apresentada pelo Chega, como uma manobra de diversão face aos escândalos em catadupa de roubos, pedofilia, etc.

Acontece que a moção de censura agora enunciada pelo PCP, só serve ao PCP.

A queda do PCP junto do eleitorado, é por demais evidente nas últimas eleições – legislativas e europeias. Não é à toa que a palavra de ordem é resistir, e não crescer.

E se o PCP afirma, a cada eleição, que tem a “força que o povo lhe confere”, a recorrente justificação para não conseguir que lhe seja dada mais força, é o discurso Calimero de vítima de “hostilidade” e de “menorização”, a que o PCP se diz sujeito: “C´est vraimente trop injuste!” [Read more…]

O pequenino que torce o pepino

Director Nacional da Polícia Judiciária ARRASA percepções (outra vez)

Um país de defessientes

Marcelo, o anticapitalista

Ora, salvo melhor prova em contrário, que ainda não encontrei, essa corrida liberal e ultraliberal, além de ser injusta a nível local, regional e nacional, é injusta a nível global, e cria problemas muito complicados em termos de reversibilidade.

O sistema capitalista é um sistema inigualitário, mas assumidamente inigualitário. O liberalismo assumiu-se como tal. Não nos textos, mas depois na prática social, económica e social. Foi uma construção da burguesia.

Eu comecei por dizer que o capitalismo era uma raiz das desigualdades da pobreza. Mas hoje acho que isto já se globalizou. Isto é, já não é, como diziam alguns, o capitalismo de Estado, é o capitalismo globalizado.

Não é possível. As desigualdades inevitavelmente travam quer o crescimento, quer, por maioria de razão, o desenvolvimento. E, portanto, resolver o problema das desigualdades e em particular o combate à pobreza é crucial.

Fragmentos da intervenção de ontem de Marcelo Rebelo de Sousa, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade de Lisboa.

Paulo Raimundo que fique atento…

“A hipocrisia pode conseguir tudo, excepto ser moderada”

2020.

2025.

Um ladrão, um bêbedo e um pedófilo entram num partido

Uma morte resultante de um crime é uma morte que não deveria ter acontecido. Quando, em Dezembro, houve um homicídio no Palácio do Gelo, em Viseu, André Ventura transformou uma morte que não deveria ter acontecido numa «onda de violência».

Calculo que a língua portuguesa, em casa do presidente do Chega, seja usada de maneira diferente. Quando se entorna um líquido, fala-se em inundação; quando batem à porta, chama-se a unidade de minas e armadilhas; os cinco minutos que dura acto sexual começam à sexta à noite e só terminam na segunda de manhã, havendo necessidade de chamar o 112 para acudir à esposa venturosa, que fica alegadamente incapacitada de reunir os joelhos.

O que têm, entretanto, em comum o homicida e André Ventura? A falta de decência. O primeiro usou uma arma para dar vazão à animalidade que o levou a matar um semelhante ; o segundo usou uma morte para atiçar a animalidade grupal.

Acontece que os moralistas, especialmente se marialvas, são peixes que morrem pela boca. Se um homicídio em Viseu faz parte de uma onda, o que diria Ventura de outro partido em que se descobrisse um ladrão de malas, um homem a conduzir com falta de sangue no álcool e um outro a quem aconteceram um ou mais actos de pedofilia? Tsunami, maremoto, ciclone, apocalipse, o Juízo Final?

Chega: as malas e mamá-la

Dirigente do Chega acusado de prostuição de menores

Nuno Pardal (à esquerda na imagem), dirigente do CH acusado de recorrer a prostituição de menores, ao lado do líder da seita, André Ventura.

FdP(II)

Eu já estava convicto que ser de esquerda, implicava, em grande parte dos casos, uma insuficiência cognitiva, uma espécie de “deficit” intelectual e ético. Mas não esperava que fosse tão óbvia e tão estúpida e facilmente assumida. É que nem conseguem perceber que o que argumentam só faz sentido numa perspectiva muito curta, muito superficial ou então, na cabeça deles (o que é basicamente uma clara equivalência).

Ser de esquerda e ao contrário do que pretendem fazer crer nada tem a ver com solidariedade, empatia, generosidade, etc. Não, não são donos desses valores. Nem de perto nem de longe. Isso são apenas vertentes humanas que não definem nenhuma ideologia e, seguramente, não definem de certeza qualquer tese de influência socialista. Até porque quer a teoria quer a prática demonstram que aqueles princípios só são trafulhamente usados pela esquerda como isco para “lorpas”. Porque solidariedade, empatia e generosidade só fazem sentido se reconhecermos “a priori” evidências como, por exemplo, a natural e legítima aspiração à propriedade individual. Só se pode ser verdadeiramente generoso com o que é nosso. Ser generoso com o que é de outros ou maioritariamente de outros… acho que tem um nome diferente. 

Ser de esquerda parece ser uma opção (ainda é permitido dizer “opção”, não é) pelo uso voluntário de antolhos (para quem não sabe, são aquelas palas que se colocam perto dos olhos dos cavalos para lhes reduzir a amplitude da visão). Parece que há uma qualquer cerimónia iniciática onde se jura pelas “barbas do Marx” que nunca mais se atreverão a pensar sem estarem autorizados (e quase nunca estão) e principalmente quando raramente o forem, não pensar coisas proibidas. E aqui surge a enorme confissão de “pequenez” da esquerda: saber o que é proibido? E a resposta que se dão a si próprios é sovieticamente automática: proibido é o que o comité central respectivo disser que é proibido porque eu não consigo (ou, no mínimo, escolho não conseguir) por mim próprio estabelecer as minhas linhas vermelhas.

Lêem alguém a supostamente criticar “o dinheiro” e assumem: ah, carago, este é dos nossos, é de esquerda. Porra lá para a “curteza” de raciocínio. Primeiro, e se lerem com cuidado, no meu post anterior não pretendi exactamente criticar o dinheiro. Critico, sim, muito e de forma radical a importância que damos ao dinheiro e a aceitação generalizada que uma mera ferramenta pode ser um objectivo ou pior ainda, “o” objectivo que nos classifica socialmente. Ver nisto algum indício de “esquerdalhismo” é o mesmo que ver um comunista no psiquiatra que diagnostica um “acumulador doentio” ou um marxista dos “quatro costados” no crítico da ganância sem sentido ou da cupidez infinita. É claro que para perceberem isto, teriam de colocar o vosso 2º neurónio a funcionar e, enfim, digamos que é algo que não vos é fácil.

Mesmo tendo começado por tentar que lessem o que escrevi livres de preconceitos ideológicos, mesmo tendo solicitado que percebessem que a questão não era de direita ou de esquerda, mas sim humana, não adiantou. Já sabem o que são antolhos, não sabem? Pois. E vá lá que me lembrei de meter a “bicada final” ao comunismo (mesmo que isso não deixe de constituir uma contradição à minha tentativa inicial de assepsia ideológica). Se não o tivesse feito, já estaria inundado de propostas para militante do BE (mais conhecidos por “olhem para o que eu digo e não para o que eu faço”), do PC ou outra qualquer agremiação digna de ser apoiada pela Cercigaia.

Eu sei que não compreendem que um liberal ouse criticar uma ideia aparentemente liberal. E esta (eu sei que não é fácil compreender) é quase exógena ao liberalismo. Cruzes, canhoto. Criticar a nossa ideologia??? Isso na esquerda é pura blasfémia e razão suficiente para umas férias “desvoluntárias” num qualquer resort siberiano em regime TI(mmmpedpeg), Tudo Incluído, mas é mesmo muito pouco, enfim, dá para emagrecer à grande. Com regresso assegurado em transfer organizado por um qualquer cangalheiro lá do sitio.

No fundo é mais ou menos como um liberal ser acusado de recorrer ao SNS em vez de ir ao privado. Numa conclusão (só compreensível para a “genial” esquerda) que o liberal por ser liberal tem as mesmas obrigações fiscais que os outros, mas muito menos direitos. Do género, chegar à bomba de gasolina em “pré-pagamento”, ir ao balcão protestar com o preço da gasolina, pagar um depósito cheio e ir embora sem atestar porque fazê-lo era contradizer-se. 

Vamos lá ver se conseguem compreender (peço desculpa por não conseguir mesmo fazer uma escrita mais pausada, uma escrita quase soletrada). Eu não sou contra o dinheiro. Acho uma ferramenta essencial à organização social. Sou contra a veneração avassaladora que se tem por uma mera ferramenta. Sou contra a avidez acumuladora para lá do saudável. Isto não deviam ser valores políticos. Deviam ser meramente humanos. Mais, nada tenho pessoalmente contra os ricos e contra quem busca incessantemente ganhar mais dinheiro todos os dias. Tenho contra as pessoas que valorizam desmedidamente essas situações. Pior, ao contrário da frugal intelectualidade da esquerda, eu não quero proibir nada. Não quero repressão legal. Quero mudar consciências. Mesmo que seja difícil ou quase impossível. Quero pôr as pessoas a pensarem por si próprias e a questionarem algo que aceitam sem discussão. A humanidade, a bondade, a empatia não se impõem por decreto. Ou, pelo menos, não são eficientes se forem impostas por decreto. Têm de ser sentidas e só o podem ser se forem conclusão dum processo individual lógico.

Provavelmente faltar-me-á o talento mínimo para conseguir mesmo “agitar” consciências. Mas, pelo menos, tento. Sem proibições. Apenas a pedir às pessoas que pensem. Só isso. Mas eu sei que esse objectivo, que essa liberdade é um conceito que vos é estranho. Como quase todas as liberdades.

Aliás percebam uma inelutável evidência: se antes de discutirmos política, discutíssemos humanismo quando chegássemos ao momento de discutir política, compreenderíamos de imediato que o socialismo não faz qualquer sentido. Compreenderíamos que é “contra natura”. Que é um factor catalizador de pobreza, de miséria, de desgraça, de injustiça e de autoritarismo. Porque o cuidado primordial com os menos favorecidos já estava assegurado. Que esse cuidado só tinha valor quando era espontânea, livre e individualmente  decidido. Que o mirífico “estado social socialista” só era um convite arrasador e destrutivo ao demérito, à iniquidade e sobretudo à inibição de liberdades.

Desenganem-se: a esquerda não é a dona dos essenciais valores humanos. Pelo contrário e se teoricamente já o era possível compreender de forma prévia, a história tem demonstrado que a esquerda é mesmo a maior algoz daqueles princípios.

Atinem. Tentem pensar, por favor.

Tive pena do Chega, mas guardo a compaixão

André Ventura e o seu ex-subordinado, o agora deputado não-inscrito Miguel Arruda

Quando rebentou a polémica, bateu aquele quentinho no coração. O Chega. Um deputado ladrão. Os cheganos feitos baratas tontas, primeiro, defendiam o homem com unhas e dentes; depois, confirmado o furto, “agarrem-me que eu vou-me a ele”. No fim, o larápio pegou nos pés e pôs-se a andar, enquanto os acheganados espumavam com afinco, por não terem tido a oportunidade de serem eles a expulsar “o malas”.

Rimos. Rimos novamente. E rimos outra vez. Voltámos a rir. E rimos novamente. Agora, bate aquela pena. É que ver deputados do Chega sem argumentos, usando aquele chavão político de topo que é “vamos partir-te a cara aos bocadinhos” e, sobretudo, as olheiras do Querido-líder André que, tão patriota que é, estava nos Estados Unidos e que de tão bom líder que é, reuniu com os seus deputados via Estados Unidos (se calhar o Trump prometeu-lhe um gabinete, sei lá… mal por mal, pode ficar por lá), deu aquele gostinho a justiça poética.

Aquela carinha de totó que nem roubar sabe do deputado Arruda, a carinha de flatulência do deputado sem pescoço (aquele que se senta ao lado do Querido-líder a bater palmas com muita força), a já referida cara de sono de Ventura, a fronha de funeral das Matias e dos Frazões… deu gozo? Deu muito. Agora, mete pena. E a pena é um sentimento muito feio. E dá pena porque essa gente é tão indigente que, ao mínimo escândalo, viram-se todos uns contra os outros. O Chega prometeu “levar as pessoas comuns para o Parlamento”, não tinha dito é que também levava os criminosos comuns… e não ficará por aqui, pois sabemos que 35% da bancada parlamentar do Chega está a braços com a Justiça e que o Arruda é a ponta de um iceberg. O Chega é um titanic, vai navegando e deslumbrando por onde passa, mas um dia vai esbarrar. [Read more…]