O império, perdão, a SPA, contra-ataca

Poderá ser desta que eu passe a fechar os olhos ao facto da sociedade que se propõe defender o direito dos autores acabe, ela mesmo, a usar o nome desses autores sem para tal ter permissão. E que cada 100 € de taxas cobradas sob o pretexto de direitos de autor apenas reverta em 21,6€ distribuídos aos autores e em 16,2€ para os artistas.  Quem sabe se também não farei por esquecer as mentirinhas sobre o anterior #PL118 que acabou abandonado? E por deixar para trás das costas o facto desta associação estar falida, apesar da sua missão apenas consistir em recolher as taxas de direitos de autor e as distribuir pelos artistas e autores.

E tudo isto porque a SPA teve a original ideia de querer processar o estado português. Diz esta sociedade que o actual governo não está a cumprir a promessa eleitoral de apresentar uma nova lei da cópia  privada. Pois se ganhar tal processo está aberto o caminho para nós todos processarmos o estado por todas as processas não cumpridas, entre as quais as de não aumentar os impostos, de não cortar os subsídios e de com os negócios encostados ao estado. [Read more…]

Mudar (o Novo Estado de Passos Coelho)

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«Não se avance passo a passo. Defina-se um objectivo e avance-se para ele com decisão.» Pedro Passos Coelho em Mudar (Quetzal, 2010)

21 de Janeiro de 2010. Pedro Passos Coelho publicava o livro Mudar, editado pela Quetzal de Francisco José Viegas, seu director editorial. Boa casa, onde se edita alguma da melhor literatura portuguesa e estrangeira a que vamos tendo direito em Portugal – Vergílio Ferreira, José Rentes de Carvalho, Dinis Machado, mas também Thomas Bernhard, Saul Bellow, Susan Sontag, entre muitos outros autores importantes e onde pontuam também vários poetas. Livro bem feito, bem revisto, como costumam ser as edições da Quetzal. Apresentou-o Rui Ramos em Lisboa, Fernando Ruas em Viseu, Moita Flores em Santarém, Carlos Amaral Dias em Coimbra, e outros primeiros leitores noutros pontos do País por onde Pedro Passos Coelho (PPC) andou. Sucesso de vendas, várias reedições logo após a chegada da primeira fornada às lojas, todos queriam mudar. [Read more…]

Educação espartana – o apartheid

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«O Ministério da Educação decidiu “abanar” uma instituição de grande gabarito e tradição no panorama do ensino nacional, introduzindo turmas femininas num liceu há décadas vocacionado para o ensino de rapazes, exclusivamente. Eu fiz parte do primeiro contingente de raparigas a estudar no Liceu de Camões. (…) Vivíamos com regras peculiares, como, por exemplo, estarmos confinadas ao pátio norte, não podermos ter qualquer tipo de contacto com os colegas rapazes, sob pena de processo disciplinar (o que era recíproco para os rapazes, que tentavam sempre espreitar e ver as meninas…), termos maioritariamente professoras, e estarmos sob a tutela de uma vice-reitora (…). A disciplina era implacável, tendo nós a sensação de que o reitor buscava o mínimo pretexto para nos colocar dali para fora.» (Ana Paula Russo)

Em 1971 chegavam ao Liceu Camões, de uma assentada, mais de cinco centenas de raparigas. [Read more…]

O Inferno é aqui [Portugal, 2013]

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Numa parede por aí, o Inferno da realidade da maioria, no momento em que o Governo de Pedro Passos Coelho resgata da falência mais um banco, em vez de cuidar das pessoas.

Edite “Chaucer” Estrela

Penso que foi Chaucer pai quem, dissertando sobre a diferença entre linguagem formal e coloquial, dizia: “Eu sei que em inglês devo escrever what time is it? e what o’clock is it?; no entanto, eu pergunto à minha mulher  times’t? e clocks’t?,  e ela entende-me perfeitamente”.

Ler isto sobre o pai da literatura inglesa deverá ter levado Edite Estrela a sentir-se respaldada no sentido de, sendo uma teórica de bem falar em português (com obra publicada), poder usar a nova linguagem sms ou internetês para, no twitter, fazer convites para jantares, ditos de amigos.

A notícia diz que o fez, ainda que cometendo o lapso de usar o canal errado para lançar convite a determinada pessoa – e acompanhante – para jantar com JS, José Sócrates segundo a mesma notícia.

Pena o engano no canal não nos permitir saber quem é quem neste convite, a quem JS deu a bênção, e se o aludido jantar se realiza (ou realizou) em Paris, Estrasburgo ou Bruxelas…

E, já agora, quem o pagou!

A lógica do Henrique Raposo é tendencialmente insustentável

A descoberta do dia do menino Henrique é esta: o SNS é tendencialmente insustentável. Porquê? porque lhe apetece, é claro, e porque a subida da despesa em saúde tem sido muitíssimo superior à criação de riqueza. 

Arranja uns números, sem fonte, umas projecções (já não há pachorra para a demografia de tarot), e alucina com esta brilhante conclusão:

Pouca gente sabe que o SNS português é a negação do sistema de saúde da Alemanha, Holanda, Áustria, França, etc

Que horror, ora vamos à OCDE, e vejamos como se anda de gastos, custos, coisas insustentáveis, nestes países, e já agora também nos EUA: [Read more…]

Pedro, Pedro…

«É evidente que preferes gastar dinheiro em bancos…»

Acordo Ortográfico Para Quê?

[youtube http://youtu.be/6EYmKAs7mzc]
Há, afinal, alguma dificuldade em perceber o que nos dizem os brasileiros?

De certeza que o mundo não acabou?

Ao ler esta notícia pela manhã, fiquei a saber  que andei enganada por mais de 20 anos: afinal a proximidade nem sempre foi o oxigénio da imprensa regional, pois que agora é que se vai apostar nela.

E descobrir exemplos como o secular “Aurora do Lima” – que, nas palavras do director – se viu obrigado, ao fim de 150 anos, a contratar um comercial…é mais ou menos como ter um tesouro escondido no soalho da casa sem saber.

Por último, mas nem por isso menos importante, essa janela de oportunidades que nos mostra o presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, João Palmeiro: “Estamos a dialogar com o Ministério da Economia para que na preparação do novo quadro de apoios comunitários os CAE (Classificação de Atividades Económicas) das empresas jornalísticas sejam aceites nas candidaturas ao Quadro de Referência Estratégica Nacional» (QREN), disse à Lusa o presidente da Associação Portuguesa de Imprensa (API), João Palmeiro”. Contando que não seja apenas um incentivo feito à medida para os suspeitos sujeitos do costume, tudo bem!

2012 – Uma maioria, um presidente, a vingança

Foi assim, o que eles imaginam o primeiro ano do resto das suas vidas. Causa-me inquietação? causa.

Soltos os cabrestos tudo é possível. Sabendo que o poder está na ponta de uma espingarda e não é por  vir a frase a um cabrão* que deixa de ser verdade, não consta que nesta cordilheira de filhosdaputa esteja a pertença do manejo dos fuzis; e como os vi pelo menos semi-derrotados no Chile, na Inglaterra, na Argentina, no EUA, no Uruguai e etc, sobretudo: como lhes conheço a cobardia desde 1974/75, capazes de alinharem em manifes do MRPP gritando estudantes ao lado do povo e sob a direcção da classe operária, há provas se for preciso, conhecendo esta geração que alcançou o que Sá Carneiro também desejava embora seja pelo menos discutível que para a mesma função ultramontana, não ando tão preocupado como isso, falando do ano que vem.

Mas esse para amanhã fica.

Hoje, boa jornada de luta pelo aumento do colesterol, mas não abusem das estatinas ou o Leal da Costa ainda as tira dos medicamentos comparticipados.

Diaporama: Paulete Matos – Retrato de um país mergulhado na crise
*vamos lá ver se os ofendidos pela puta agora também me chamam mal educado.

Leitor de tabaqueira

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(foto de Lewis Hine)

“Ganham a vida a ler em voz alta” para os colegas da fábrica de charutos. Uma profissão que é património nacional e quer ser mundial.

Que coisa fantástica, esta notícia que tomo conhecimento no último dia do ano!

Cada fábrica de charutos de Cuba tem um leitor!

Lêem jornais, poesia, revistas de cozinha, o horóscopo da semana, livros para ensinar a perder peso, romances eternos ou até o último best-seller de Dan Brown. “Sem eles a rotina dos operários que passam os dias a enrolar folhas de tabaco não seria a mesma.”

São “peça essencial na indústria tabaqueira” cubana.

Uma profissão com 150 anos e única no mundo!! Foram eles que fizeram a politização dos trabalhadores do tabaco.

Atenção aos autores lidos desde o século XIX: Dostoievski, Balzac, Shakespeare, Dumas, entre outros. É preciso dizer que quando nasceu esta profissão, em 1865, 85% dos operários eram analfabetos.

Hoje restam ainda entre 250 e 300 leitores nas fábricas de charutos em Cuba ” e a sua função mantém-se inalterada”! [Read more…]

2012/2013

2013IIO tempo-clima está hoje em total consonância com o tempo-alma e o tempo-país. Vivem-se dias conturbados. O futuro adivinha-se negro e tempestuoso para a maior parte dos Portugueses.
O final de um ano civil e início de outro são habitualmente comemorados com um espírito de renovação, de desejo de enterrar os fantasmas do ano passado, que ora finda, e de criar novas alegrias e também novos fantasmas no ano novo, que ora nasce. [Read more…]

Cavaco e Passos representam quantos portugueses?

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Presidenciais 2011 (maior abstenção de sempre em eleições para a Presidência)
2.231.956 votaram em Cavaco Silva, representando 23,32% do universo de eleitores inscritos. Abstenção+Brancos=5.164.859, representando 56,63% do universo de eleitores inscritos. Cavaco ganhou com 52,95% dos que votaram.

Legislativas 2011 (maior abstenção de sempre em eleições para o Parlamento)
Dos 9.624.354 eleitores inscritos, abstiveram-se 43,88%, ou seja, 4.039.725 não votaram, 2.159.181 votaram no PSD (22,62%) e 653.888 votaram no CDS-PP (6,85%).

(num apanhado rápido, usando esta fonte, que entretanto se ‘fornece’ na Comissão Nacional de Eleições)

Burlões competentes

Durante um tempo dirigi um gabinete de imprensa em Lisboa. Um dia o contínuo, o meu fiel e saudoso Alfredo Rodrigues que transitou da France Press para de novo trabalhar comigo, veio dizer que na sala me esperava um antigo aluno do Colégio de Nun´Álvares (CNA). Fui à sala,  curiosa de saber quem seria e deparei-me com um sujeito  vestido de cinzento, todo ele cinzento, que de todo eu não conhecia. Apresentou-se-me como sendo o Durão e mostrou-se  admirado por eu não me lembrar dele. Como havia eu de me lembrar de todos, pensei, se nesse tempo as raparigas andavam pelas 200 e os rapazes para mais de 600? Desculpei-me com a minha falta de memória para  não ser rude. Mas o tal Durão não parou de desfiar memórias, falou do Jenga, do Ti Ilídio, do Dr Raúl, do Dr Quitério, de outros mais, com uma minúcia tal que eu voltei anos atrás.  Não havia que saber, o homem tinha andado mesmo no CNA. E isso era-me simpático. [Read more…]

O problema das “estigmativas”

Duas mulheres na casa dos quarenta anos a conversar na rua sobre as respectivas facturas da EDP. Uma: Eles fazem o que querem com o nosso dinheiro. A outra: É para isso que eles usam as estigmativas. A outra: É tudo uma roubalheira. E ainda querem eles que a gente vote. Abeirei-me delas e meti-me na conversa para dizer que a contagem que vem numa factura serve para ser confrontada com aquela que o contador exibe. E assim vamos, com esta gente que não conhece as palavras da Língua que fala, nem é capaz de interpretar o que está escrito numa factura de consumo eléctrico doméstico. São eles os que não votam, acreditando ser esse o procedimento virtuoso do cidadão que não quer participar da ruina do sistema democrático – paradoxalmente contribuindo para a eleição dos governantes que não nos representam. Ou será que representam, e andamos aqui a falar de um país prevalecente imaginário? Sempre essa dúvida.

Abraçar a Casa da Música

Casa-da-musicaEsperemos que o abraço agendado para hoje às 15.30h, possa salvar a Casa da Música dos cortes anunciados para 2013.
Esperemos que sejam ouvidos os mais de 40 signatários do apelo Um Abraço à Casa da Música. Eles têm razão: “Um Governo que desinveste na Cultura  não acredita no futuro (…)  nem honra os seus compromissos” e, por isso, não merece a confiança dos cidadãos.
A Casa da Música merece um «15 de Setembro», sim. Mas, ao contrário do que sugeriu Paulo Rangel , essa manifestação – mais que oportuna neste momento -, devia ser feita não só pela população do Porto e sua região, como também por todo o país!
A Casa da Música é a casa de todas as músicas e de todos os públicos. É também daqueles que, em princípio, nunca lá entrariam. Estamos a falar do trabalho que a Casa da Música desenvolve com as comunidades desfavorecidas – «som da rua» ou o trabalho que fizeram em 2008 com reclusos de Custóias no projecto “A Casa vai a casa”. Lembro-me que li “Não podendo ir Maomé à montanha, há que levá-la até junto do profeta. E,  ultrapassado que está o estigma de serem vistos como “meninos do coro”, são  agora quase 50 os reclusos do Estabelecimento Prisional do Porto (em Custóias,  Matosinhos) inscritos num projecto que os fará actuar na Casa da Música (…)os  Ala dos Afinados,que tinham uma canção:  “Uma vida, uma oportunidade/Um castigo, um futuro/Liberdade”.
Mas a Casa da Música é ainda mais (são muitas as suas valências). [Read more…]

RTP Porto #6

Vocês sabiam que a RTP Porto significa a criação e manutenção, a Norte, de trabalho qualificado em áreas tão díspares como a electrónica e as telecomunicações, a informática, a cenografia, o teatro, o cinema, a produção de televisão, a comunicação audiovisual ou o design de comunicação?

O mundo de Berlusconi não é o nosso

berlusconi e veronica

Berlusconi paga 3 milhões por mês à ex-mulher.

Fui buscar a minha calculadora pequenina… É verdade: a ex-mulher do corrupto político italiano, com quem esteve casada mais de 30 anos, recebe 100 mil euros por dia, tal como ficou estipulado no acordo de divórcio.

Um divórcio que deixou Veronica Lario multimilionária.

Há divórcios felizes!

Que mundo é este? Que tempo é este? Ainda não chegamos, em pleno séc. XXI, (e chegaremos?) ao tempo em que o mundo dos homens é mais justo, equilibrado e em que se pensa mais no bem comum. Um tempo de consciência social.
Que justiça é essa que permite que um ser humano não saiba o que fazer a 100 mil euros por dia?
Um escândalo, ou devia sê-lo, em qualquer parte do mundo.
Também por isto se devia fazer uma manifestação e barulho na rua!
Quem não fica indignado?

Nos Dias do Fim a Espanha

Enquanto cá o Orçamento de Estado serve para levar “velhinhos” aos comícios partidários, em Espanha acabou-se a mama (ou não).

A opção europeia – uma questão de fé

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11 de Abril de 1985 (Arquivo RTP)
Fonte: Centre d’études européennes

S. Bento, Lisboa, Abril de 1985. No Parlamento fumava-se, e a então deputada comunista Zita Seabra comia, enquanto Carlos Carvalhas, à sua frente nesse plano televisivo, discursava interpelando um ministro do PS (quem seria?) que chamara aos estudos então realizados pelo PCP sobre as vantagens e desvantagens da adesão de Portugal à União Económica Europeia “uma cortina de fumo cujas opções se radicavam em razões ideológicas” – o velho argumento que é pau para toda a obra quando o objectivo é tergiversar. Respondendo a esse ministro, Carlos Carvalhas lembrava que “a Europa não [era] a CEE – a CEE [era] a Europa dos monopólios e não a dos trabalhadores [hoje chamamos-lhes cidadãos] – e nem sequer um clube, e muito menos um clube caritativo”, pois seria nalgum ponto necessário começar a contribuir – pagando como os outros. [Read more…]

www.donanza.com

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Encontrei o Paulo esta semana à porta da festa de Natal da minha filha. Já não o via há mais de um ano desde quando Dias Ferreira apresentou a candidatura a presidente do Sporting em Coimbra e ele me assistiu nas coordenadas cénicas do evento.
Convivi com ele sempre por assuntos de espétaculo. Desde os tempos da Associação Académica, nos anos 90; ele, no Centro de Estudos Fotográficos sofria com as tiranias do Albano enquanto eu, na Rádio Universidade, sofria com as democracias de todos os sócios.
O Paulo é uma espécie de trendy descuidado que alterna brilho com diletância visando um único objetivo: viver o melhor possível com o menor esforço. Confesso que quanto mais o tempo passa mais me agrada essa ideia.
Foi a propósito deste rendez vouz natalício, à porta do Teatro Gil Vicente, outrora palco de muitas noites de boémia e agora transformado em altar da responsabilidade parental que a conversa apareceu.
Como é que vais? O pá! O governo isto e aquilo! Enganam a malta. Incompetentes mentirosos, e os impostos e as dívidas e o camandro e vai daí, atiro com um cliché dos tempos da troika: vamos acabar todos a emigrar! Surpresa. O Paulo, no desengonço feliz de sempre, responde. Não é preciso! Eu emigrei cá dentro. Neste país só não trabalha quem não quer.
Eh pá explica-te lá melhor. Isto não batia certo. Adianta-se: Portugal tem uma estrutura física de internet do melhor que há no mundo e os empregos estão em toda a parte. Com a vantagem de levarmos horas de vantagem em fuso horário. [Read more…]

Bom Ano Novo

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Artur Burla, Mata e Foge

Artur Burlão também Mata e FogeComo explicar que o cu mediático nacional cheire mal tal como o da política ou o da mais pura e lhana civilidade? Nada como ir atrás do Catolicismo para explicá-lo, segundo o camelo valupetas que blatera invariavelmente na direcção unívoca do amante. Pois, o Catolicismo explica quase tudo. Até explica a emanação burlesca e pícara mais recente, Artur Baptista da Silva. Explica o sucesso da sua prestidigitação mediática, explica que Nicolau Santos seja permeável a grandes berloques de economês, useiro e vezeiro em treta e spin, muito dado a este tipo de habilidosos, baste um cartãozinho ou uma técnica de discursar flamejante e assanhada como a Besta Quadrada que hoje passeia tranquilamente o respectivo Cagueiro de Ouro em Paris. O Nicolau é um comediante! [Read more…]

Ano Novo

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O Natal nos Hospitais

A Carla já aqui escreveu – melhor do que eu o faria – sobre pessoas nas salas de espera de hospitais.

Por razões de ordem pessoal, que não chamo para aqui, passei nos últimos meses horas incontáveis em hospitais públicos. Como familiar próximo de enfermos, muito próximo, como utente, como enfermo. Conheci uma realidade que ignorava e quero aqui partilhar: a extraordinária qualidade humana das pessoas que trabalham no Serviço Nacional de Saúde. Encontrei uma ou outra besta maldisposta, um morcãozinho de passagem aqui ou ali, sem os quais o mundo mundo não seria, mas, na verdade, o que mais cruzei foram pessoas dedicadas, solidárias, com estratégias e sorrisos para lidar com doentes em todas as condições, gente que nos conforta e,  na fragilidade que nos enfermos se instala, transmite esperança e confiança.

Essas pessoas, auxiliares, enfermeiros, copeiros, médicos, são do melhor que nós enquanto sociedade temos e deveriam ser, eles próprios, as estrelas celebradas do Natal dos hospitais.

Outros, passistas, gasparistas, miserabilistas e contabilistas, não entram neste texto, nem como leitores. Desde logo e para começar, porque não o compreenderiam.

O caso das alegadas irregularidades que agora não interessam nada

Um sector sensível: um banco. Ainda por cima público. Ainda por cima o maior de todos.

Um administrador deixa o seu cargo.

Um jornal diz que o tal administrador saiu porque a administração optou por fazer de conta que não houve “denúncias de existência de ilícitos criminais praticados na década passada por directores em funções na instituição”.

Nogueira Leite

Seguem-se as cenas dos próximos episódios. Se os houver.

Instruções para o ano novo: o manual do perfeito grevista

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A greve é, só por si, um abuso, tal como o protesto, no fundo. A democracia e produtos derivados, aliás, devem permanecer num recanto da consciência e não devem ser exibidos em público, a fim de evitar atentados ao pudor.

O único grevista bom é, então, um grevista despedido, de preferência antes de chegar a pensar em fazer greve, porque isso já é, no fundo, uma heresia, um ataque à infalibilidade do governo e um desrespeito pelos nossos proprietários que só nos querem bem. E se o caminho for o empobrecimento de cada um de nós, há que aceitar, porque ínvios são os caminhos dos senhores e não nos cabe a nós alcançar os segredos da dívida interna.

Se, ainda assim, alguém sentir um impulso incontrolável por protestar ou por fazer greve, que saiba manter essa tara num recanto escondido do lar, longe na rua, longe, até, do cônjuge ou dos filhos. O cidadão responsável deverá fazer greve às escondidas, como deverá ser às escondidas que se dedicará às reprováveis práticas do onanismo. Aliás, num mundo ideal, em circunstâncias extremas, deveria ser normal a mulher bater à porta da casa de banho e perguntar, indignada, ao homem solitário: “Estás outra vez a fazer greve, grande porco?”

O grevista é, por definição, um milionário que ignora possuir uma fortuna. Assim, o grevista ganha sempre mais do que aquilo que é lícito e tem sempre mais direitos do que deveria ter, pela simples razão de que há sempre alguém que ganha menos, está desempregado ou teve papeira já na maioridade.

A greve deveria ser, no máximo, um direito reservado aos sem-abrigo, na condição de que estejam tão subnutridos que não tenham força sequer para balbuciar. O facto de não terem emprego faz deles, ainda, os grevistas ideais.

Felizmente, o nosso governo tem sabido contornar as maçadorias provindas de uma Lei cada vez menos Fundamental e antevê-se um mundo privatizado em que, por exemplo, os estivadores tenham medo de fazer greve. Já não faltará muito para que Portugal seja um paraíso semelhante à Coreia do Norte, graças à firmeza dos nossos queridos líderes.

O natal das pessoas saudáveis

Dia de natal, sala de espera. Gente a chegar com cara de susto e de sono. Gente a cabecear nas cadeiras, a dormir sentado. Alguém comenta que no passado, não há tanto tempo assim, num dia como o de hoje estavam aqui muitas mais pessoas. O cartaz na admissão explica: são 20 euros por episódio de urgência. O cardeal de Lisboa celebra a missa na tv. Se eu estivesse em casa via um filme, comia uma rabanada. Tem-se fome e frio na sala de espera, mas não é que se tenha mesmo fome e frio, o que se tem é pena de si mesmo. O corpo pesa ao fim de umas horas, as cadeiras são duras e rangem, a vida parece sempre mais miserável.

“A luta mais importante na vida é contra a autocomiseração”, diz o bombeiro que entra agora pela porta automática. Não diz nada, é o meu sono ou a minha fome que me mentem. [Read more…]

Para além dos números tortos, da imposturice e do cadastro criminal que preocupam tantos, o que Artur Baptista da Silva disse

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  • Que os efeitos devastadores desta crise replicam os resultados do programa anteriormente aplicado noutras partes do Mundo (e designadamente no Brasil), onde apenas gerou pobreza e subdesenvolvimento.
  • Que numa economia como a portuguesa, que de si já era frágil, o ataque que está a sofrer vindo de fora (com a diminuição do rendimento do trabalho, e os aumentos do desemprego, dos impostos, dos encargos sociais, do défice, e por fim, nessa cadeia recessiva, da dívida soberana), e em total contradição com o que foi prometido pelo programa de assistência, é o responsável pelos três milhões de pobres que contabilizamos já. “Uma população que está ao nível da indigência”.
  • Que os bancos se fizeram para ajudar os Estados e não o contrário. [Read more…]

Artur Baptista da Silva e o género humano

Ao cuidado do excitadissímo Miguel Noronha, a ver se aprende a discernir entre género humano e Manuel Germano: este não é o vigarista, mas apenas um megalómano, que ainda por cima embarretou o Expresso, o sonho de qualquer português honesto.

Os verdadeiros vigaristas, a quem não dedicou hoje dezenas de postadas, e que mexem com os nossos* bolsos, são estes:

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