A doçaria portuguesa: depois dos natas, os papos d’anjo

pasteis de natapaps d'anjo

Primeiro foi o Ministro da Economia e do Emprego a iniciar a saga de notícias sobre a nossa doçaria, evocando os pastéis de nata. Agora são servidos Papos d’Anjo, designação e marca de uma empresa de vestuário de Catherine Monteiro de Barros, cuja insolvência foi deliberada pelo Tribunal de Comércio de Lisboa, segundo notícia do “Público”, da qual reproduzimos o seguinte trecho:

O rol de dívidas que a empresa de Catherine Monteiro de Barros, filha do empresário Patrick Monteiro de Barros, acumulou chega a perto de quatro milhões de euros. O maior credor é o BES, com um incumprimento de quase 1,6 milhões. Aos cerca de 30 trabalhadores ficaram por pagar quase 400 mil. E o Estado também foi lesado: as dívidas ao fisco e Segurança Social totalizam 355 mil euros.

Resta acrescentar que, nos quatro milhões de euros em dívida, se inclui o remanescente de dívida à CGD, no valor de 540 mil euros, relativo a uma operação de ‘leasing’ na compra de instalações, assim como 780 mil euros à AICEP – a empresa recebeu 1,9 milhões ao abrigo do QREN. O Estado português, directamente ou através de instituições, ficará lesado em mais de 2 milhões de euros, caso a empresária e eventuais avalistas não os paguem.

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A globalização do pastel de nata – o Álvaro merece o Nobel!

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Passos Coelho, quando sondou individualidades para o governo e escolheu  conselheiros, recorreu de certeza a uma das melhores sociedades portuguesas de “headhunters”. Ao ler nas entrelinhas os derradeiros relatos e artigos da Mozart49, não me espantaria que a preferida tenha sido a Heidrick & Struggles (Dr. Nuno Vasconcellos, a publicidade aqui no ‘Aventar’, por enquanto, é gratuita; depois compensa-nos com uns tempos de antena no novo canal privado da TV).

Apenas uma sociedade do género da Heidrick & Struggles, mais ou menos filial da Mozart49, teria capacidade, ‘know-how’ e sagacidade de descobrir o Prof. Álvaro Santos Pereira  na longínqua Vancouver, para Ministro da Economia e do Emprego.

O ministro Álvaro nasceu com o privilégio de uma mente brilhante. De invulgar visão. Jamais houve outro estratega português dotado de tão sábia inteligência, há dois séculos. Bastará referir que os ‘pastéis de Belém’ existem desde os princípios do Século XIX e, de então para cá, nem uma personalidade  sequer tirou da cartola a ideia de que, para equilibrar a Balança Comercial, uma das soluções é globalizar, vender pastéis de nata por esse mundo fora. Somos uns doces, governo incluído

O ministro Álvaro merece o Nobel!

A Segurança Social lesa contribuintes (2)

segurança socialSei que, por vezes, sou demasiado intolerante e rude com os governantes, os actuais e os passados. Em síntese, aqueles que há 35 anos conduziram o País ao caldo intragável que nos azeda a vida. De facto, não tolero a incompetência, o clientelismo político e toda um conjunto de cabotinos a desempenhar funções governativas. É o caso de Mota Soares e Marco António Costa.

No espaço da blogosfera, e sem me entrincheirar em anonimatos, ontem dei-lhes forte e feio. Razão? São os primeiros responsáveis por um erro grosseiro que está a afectar milhares de pensionistas: a omissão dos valores pagos a título de Taxa Extraordinária, incidente sobre o 14.º mês de 2011, nas declarações do Centro Nacional de Pensões (CNP).

Passadas cerca de 5 horas de espera, hoje vi atendida a minha reclamação no citado CNP, com o seguinte esclarecimento da parte de uma simpática funcionária:

“O senhor tem razão e aqui tem uma nova declaração corrigida. Informou-me a minha chefe que, facto, estão a chegar ao serviço um considerável número de pensionistas com declarações erradas, em prejuízo dos próprios, e entretanto os serviços informáticos já criaram uma solução para emitir novas declarações…”

Os problemas deste género gravitam em infindável órbita impulsionada por uma causa comum. Mudam os governos, mudam as empresas informáticas – na Saúde foi desde a ‘Novabase’ à ‘Alert’, passando por não sei quantos mais – e as soluções tecnológicas, quando atingem a maturidade a nível funcional, acabam por ser abandonadas ou transformadas pelas equipas de confiança do novo elenco governativo. Será este o caso ou tão só incompetência?

Repito o aviso:

Leiam atentamente as declarações recepcionadas do Centro Nacional de Pensões, a fim de não serem penalizados nas contas finais do IRS de 2011.

A Segurança Social lesa contribuintes

segurança socialNesse pseudo-intelectual e narcisista ‘Clube de Pensadores’, onde participam, na maior parte das ocasiões, políticos de pensamentos vácuos e/ou erráticos, Marco António Costa, essa insignificância mental ou idiota útil – escolham! – afirmou:

“A primeira das justiças sociais é obrigar quem recebeu indevidamente a devolver o dinheiro ao Estado, para que o este o possa canalizar e entregar a quem precisa efetivamente”

Em respeito pelos princípios da justiça e equidade social, até poderemos reconhecer, desta vez, razão ao impreparado Marco António, bem como ao seu Ministro, o tal  “Audi” ou Mota Soares, que ratificou a declaração do seu Secretário de Estado, tendo estabelecido que “os beneficiários da Segurança Social têm 30 dias para devolver verbas e 10 para reclamar”.

Todavia, independentemente da razão que lhes possa assitir neste caso, e duvido de que a tenham globalmente!, eu replico:

“A primeira das justiças sociais é obrigar o Estado a declarar devidamente que recebeu a sobretaxa extraordinária sobre o subsídio de Natal de 2011 de contribuintes, nomeadamente de pensionistas do sector privado”

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Catroga e a EDP não são pentelhos!

A fama de Catroga ganhou mais popularidade desde a célebre entrevista à SIC Notícias. Ousou empregar a expressão “pentelho” e o rubicundo homem, queira ou não, em conversas sociais passou a ser alcunhado como o “gajo do pentelho”.

No lugar de “pelo púbico ou pubiano”, Catroga preferiu o calão para afirmar que não é homem de causas menores, sem importância ou valor. Comprovando tratar-se, de facto, de um predestinado para viver os prazeres do sublime e da renúncia de ninharias, temos agora a sua nomeação como presidente do Conselho Geral e de Supervisão Eléctrica na EDP, função em que auferirá 639 mil euros anuais, ou seja 45 mil euros mensais a acumular a mais de 9.600 euros de pensões.

Ainda segundo o jornal “i”, Catroga defende-se e argumenta que descontou 40 anos para o sector privado e 20 para o sector público. Se estes períodos fossem complementares – sem qualquer coincidência entre os mesmos – então o rubro mas leonino ex-ministro teria trabalhado desde os 9 anos. Nasceu em Novembro de 1942. Se assim não for, o homem sempre foi um sábio da acumulação e continua a acumular à grande e à francesa.

Mas atenção, para ajudar à festa a EDP também é há muito um reino da megalocefalia: grandes cérebros (Mexia, Catroga, Celeste Cardona, Braga de Macedo, Teixeira Pinto e não sei quantos mais), remunerações regulares e prémios chorudos e, para concluir, elevados preços e taxas cobradas aos consumidores. Agora digo eu: “Na EDP, nada de pentelhices!”.

“Gasparzinho”, o inteligente mentor do OGE 2012

gasparzinhoTodos os políticos, da esquerda à direita, se prestam a caricaturas. Vítor Gaspar, o nosso Ministro do Estado, sublinho do Estado, e das Finanças não é excepção. Por azar seu ou do nome de baptismo, o esforçado e pastoso orador Gaspar não se livra do libelo; então, garantem as más línguas termos à frente das Finanças o “Gasparzinho”.

Nas cerimónias e festejos de posse do actual governo, a comunicação social e membros da actual maioria, em uníssono, proclamavam e publicitavam tratar-se de um homem muito inteligente. Um sábio de qualidades insuperáveis, naquilo que analisava, diagnosticava e decidia como terapêutica económico-financeira para o País.

Todavia, uma coisa é o conto acerca de um companheiro amigo, espécie de ‘Alice no País das Maravilhas’, outra é a actividade e os resultados das acções concretas do protagonista do conto. A demonstrar que entre fama e desempenho, frequentemente, há divergências de monta, a imprensa em geral, aqui, aqui, aqui e aqui – chega bolas! –, divulga que, afinal, o défice deste ano, 2012, se agravará para 5,4% do PIB, em vez dos 4,5% programados com a ‘troika’.

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“Cracolândia Privê”, pois então!

domingo, 8 de janeiro de 2012

ANO 91 Nº 30.230

Uma espécie de cracolândia privê funciona em casas e apartamentos de bairros como Vila Mariana, Bixiga, Paraíso, Penha e Bela Vista, ínforma Afonso Benites. São espaços discretos e seguros destinados à venda e ao consumo local do crack. Para entrar, é preciso ser apresentado por algum conhecido do traficante e só consumir a droga “da casa”

O Brasil está ficando chic. Chic mesmo! Se você, professor, recém-licenciado ou aluno, seguir as orientações do governo para emigrar para terras brasileiras e estiver habituado a adquirir e a consumir tranquilamente o seu ‘crack’, está safo. Se for residir para um dos bairros citados na folha de são paulo, terá a possibilidade de encontrar um traficante de confiança e, no final, aceder a uma “Cracolândia Privê” para consumir na boa o ‘ckrackzinho’ do dia.

‘Crack’ à parte, também já beneficiei. O meu vocabulário, respeitando o Acordo Ortográfico, ficou  enriquecido. Sei agora que “Cracolândia” significa Terra do Crack e, em português actual e elegante, passarei a pronunciar e escrever “Privê”, em vez de Privado.

União Europeia: A Austeridade Assassina

Hopeless_jpg_470x420_q85Jeff Madrick publicou ontem no NYK blog, “The New York Review of Books”, um texto de severa crítica à política de austeridade europeia. Tem o título “How Austerity is Killing Europe”, sendo ilustrado pela imagem aqui reproduzida de um cidadão grego a passar na frente de um ‘graffiti’ em Atenas.

O artigo, embora de incidência sobre teorias económicas, está redigido e estruturado de forma clara, com análises e ideias consistentes. É transversal em  relação à UE e à Zona Euro, como áreas da geografia de sistemas económico-financeiros agregados; e sobretudo é implacável para governantes e tecnocratas da governação que, convencidos de obter resultados inversos, executam políticas de assassinato da Europa. Os crimes são de diversa natureza, mas o desfecho é, de facto, empobrecer, torturar e destruir a vida de milhões de cidadãos do Velho Continente. Eis um excerto do 1.º parágrafo do artigo em causa:

A União Europeia tornou-se um círculo vicioso de dívida florescente, levando a medidas radicais de austeridade, que por sua vez mais enfraquecem as condições económicas e resultam em novas políticas agravadas do governo com cortes prejudiciais nos gastos públicos e alta de impostos.

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A vidinha à portuguesa ‘on-line’

Um homem chega à casa. Janta em paz e conversa com a família, sem ligar a noticiários ou entrevistas televisivas. Acaba a pitança,  senta-se diante do computador, acede ao ‘Público’ on-line e dá de caras com estas notícias:

  1. Um funcionário e dois ex-trabalhadores das Finanças suspeitos de corrupção
  2. Holanda dá mais garantias às iniciativas privadas, diz Alexandre Soares dos Santos
  3. Escritório de Júdice condenado a pagar 2,5 milhões de euros a antigo cliente
  4. Líder parlamentar do PSD e quadros da Ongoing juntos em encontro maçónico

Bolas, o que é isto? Interroguei-me. De uma rajada, quatro notícias perfiladas segundo o actual ‘design’ nacional. Há funcionários anónimos suspeitos de corrupção – já não bastavam os mediáticos!;  temos a ingrata Holanda, para onde no passado encaminhámos judeus aos montes, a fazer  concorrência desleal em garantias às iniciativas privadas; ficámos informados de que há um escritório condenado a pagar 2,5 milhões de euros – sim o título diz que é um escritório! – e, no fim, revelam-nos uma frustrada jantarada maçónica entre o líder parlamentar ‘laranja’, o pessoal da Ongoing e mais uns quantos notáveis. Para o ramalhete jornalístico ficar completo, faltou uma noticiazinha, pequena que fosse, a anunciar eleições para a Direcção Espiritual da ‘Opus Dei’.

Vendo bem, a minha estupefacção é injustificada. Como dizia o Eça, este País sempre foi e será assim; ou visto através de outra lente literária, a tese da clivagem social entre os vulgares e os invulgares, defendida por Raskólnikov em “Crime e Castigo”, tem neste recanto e nas suas terras pingadas no Atlântico o laboratório experimental que a personagem de Dostoiévski imaginou.

Servindo-se de feios, porcos, maus, lindos, partidos e inteiros, os jornais limitam-se a narrar ‘on-line’ a  vidinha à portuguesa. E dela não sairemos tão depressa, a menos que… alguém quebre o galho.

O Guerreiro e o “tio” Alexandre Soares dos Santos

O director do ‘Jornal de Negócios’, neste artigo, transformando em discurso colectivo aquilo que é opinião do próprio, escreveu:

Estamos saturados de manhosos, desconfiados de moralistas, estamos sem ídolos, sem heróis, estamos encandeados pelos faróis dos que saltam para o lado do bem para escapar à turba contra o mal.

Lido num ápice, sem cuidar de saber quem são os manhosos, desconfiados moralistas e dos ineptos de que Guerreiro fala, até seríamos levados ao automatimso de subscrever a mais comum das ideias expostas. Com atenção, verificamos, porém, que a guerra dele é contra Ana Gomes, António Capucho e outros que criticaram a transferência da sede da ‘holding’ Sociedade Francisco Manuel dos Santos (SFMS) para a Holanda, por interesses de ordem fiscal. E na elegia da patriótica e solidária atitude do “tio” Alexandre, o pedadógico Guerreiro argumenta:

Uma empresa tem lucro e paga IRC; depois distribui lucro pelos accionistas, que pagam IRC (se forem empresas) ou IRS (se forem particulares). Neste caso, a Jerónimo continua a pagar o mesmo IRC em Portugal (e na Polónia); o seu accionista de controlo, a “holding” da família Soares dos Santos, transferiu-se para a Holanda. Por ter mais de 10% da Jerónimo, essa “holding” não pagava cá imposto sobre os dividendos e continuará a não pagar lá. Já quando essa “holding” paga aos membros da família, cada um pagaria 25% de IRS cá – e pagará 25% lá. Com uma diferença: 10% são para a Holanda, 15% para Portugal.

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China: o império “comunista”-financeiro

Wukan_protests_jpg_470x433_q85O António Mexia, à semelhança de outros do género, vive bem e satisfeito. Com origens genético-familiares em figuras do Estado Novo, sempre revelou superiores dotes na arte de aceder, evoluir e dominar instituições e empresas que o Estado e associados lhe confiaram – do ICEP à EDP.

Anteontem com Santana Lopes, ontem com Sócrates, hoje com Passos Coelho, provavelmente amanhã com os chineses, lá vai  navegando e bem à bolina nas nossas castigadas costas. Da outra parte, nós, consumidores, lá vamos perdendo e bem com despesas crescentes de gás e eletricidade –  A EDP, segundo dados aqui divulgados, registava no 3.º trimestre de 2011 passivos não correntes de 21,974 mil milhões de euros; ou seja, 14% da dívida pública externa. Como se sabe, o valor não é considerado para cálculo da dívida pública. E, portanto, Mexia mexe, e de que maneira!, com os nossos bolsos. A ERSE também ajuda à romaria.

Entretanto, ao arrepio dos interesses estratégicos nacionais, a participação restante do Estado Português na EDP (21,35% do capital) foi adquirida pela gigantesca chinesa ‘Three Gorges’ – na China, sob a oligarquia do PC local tudo é gigante e esmagador. O homem das três gargantas, Cao Guangjing, saberá aproveitar-se de Mexia e, mais grave ainda, das vantagens estratégicas dos planos portugueses para desenvolvimento de energias ‘limpas e renováveis’, na Europa, América e Brasil.

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O que é feito do Paulinho das Feiras?

portasNas últimas semanas de 2011, aproveitei o tempo para visitar feiras ou mercados de província; como se queira. Percorri cidades e vilas do Alto Alentejo e da  Beira Baixa.

Falei com feirantes. A D. Ofélia, no Fundão, disse-me que a coisa está má: “Vende-se muito pouco, as pessoas já cortam na comida”, acentuou. Em Alpedrinha, a tia Odete, com a banca cheia de brócolos, couves, nabos, cenouras, cebolas, batatas e não sei que mais, também se lamentou da quebra de vendas. Mas, zangado, azedo, estava em Ponte de Sor o Sr. Ismael, homem de 70 anos, de semblante fechado e duro. Quando lhe perguntei pelo negócio, de mau humor e olhar furioso, gritou: “Estou farto de ser enganado, volte cá o Sr. Paulinho das Feiras que eu e os outros aqui do mercado, tratamos-lhe da saúde. Ele ou qualquer outro político, levam uma corrida em osso!”

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A dúvida da saída de Portugal do Euro

Portugal e Grécia e a saída do euro

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Determinados comentadores, em especial blasfemos, são permanentes e fiéis seguidores das tradições da doutrina maniqueísta. Usando argumentos simplistas, tudo o que vem das suas hostes políticas é Bom; o proveniente do lado contrário é Mau. Não se libertam deste subjectivismo.

Com o título “A culpa é do euro!…”, este texto mistura a eito, e sem nexo, uma série de conceitos que vão do ‘upgrade’ da cadeia de valor industrial – de um tecido industrial depauperado e limitado à Autoeuropa e pouco mais – até aos ‘empresários de vão de escada’. O arsenal utilizado, sem consistência, vale para visar criticamente o Prof. João Ferreira do Amaral, académico que, faça-se justiça, desde sempre reprovou a adesão de Portugal ao euro.

A certa altura, LR alega:

O que mais impressiona nestas reiteradas declarações de Ferreira do Amaral, é constatar que persistem economistas do 1º Mundo a defender para os seus países o modelo das desvalorizações competitivas.

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Os professores emigrantes: da ficção à realidade

expresso (2)

Quando escrevi este ‘post’, ignorava em absoluto o que seria a 1.ª página do ‘Expresso’, publicada horas depois.

O meu texto foi inspirado pelo conhecimento, não digo profundo mas suficiente, da comunidade de emigrantes portugueses no Rio de Janeiro, essa cidade maravilhosa dos meus sonhos, onde visito um núcleo de familiares muito próximos.

Infelizmente, e como era meu saber de que naturalmente a condição de emigrante, mesmo dos mais qualificados, em parte considerável dos casos, redunda em fracassos de ordem profissional, pessoal e familiar. À partida foi uma estória ficcionada. Todavia, menos hiperbolizada do que imaginado por alguns.

Como sabemos,  a realidade com frequência mitiga a ficção. Foi o caso. Para o provar, além do título do jornal que desmente a infeliz ideia de Passos Coelho, em relação ao Brasil e Angola, países por si citados, dominam agora partes do discurso de responsáveis brasileiros sobre a “leviana” sugestão do nosso primeiro-ministro:

Não é verdade que o Brasil esteja importando professores. Temos carências, de facto, nas áreas de Matemática, Física, Química e Biologia mas também temos problemas de absorção de mão-de-obra estrangeira, nomeadamente de ordem burocrática”

Nunzio Briguglo, assessor do Ministro de Educação Fernando Haddad

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Prendas de Natal de Coelho e de Portas

A política de saúde de Coelho, a despeito do simulacro de consulta pública da ‘Reforma Hospitalar’, tem estado activa através de obscenos aumentos de taxas moderadoras. Contudo, o ministro-contabilista Macedo ainda se atreve a declarar:

Gostaria que em 2012 todos os portugueses tivessem acesso a um Serviço Nacional de Saúde (SNS) universal e com qualidade.

Discurso hipócrita, falso. Eu e muitos doentes crónicos, de cardiologia, não tivemos possibilidades de aceder a consultas em S.Francisco de Xavier, Lisboa, desde Junho  até final deste ano. Naturalmente, que as palavras de Macedo ainda mais revoltados nos deixam.

Mas há mais. Curioso que, graças a Joaquim de Oliveira, da Olivedesportos, os hospitais públicos vão ter o serviço da SPORT TV gratuito. Ou seja, faltam consultas e cuidados de saúde, mas temos futebol e Paulo Macedo, desta feita eufórico, afirmou:

[A Sport TV] Vai tornar melhor a estadia dos doentes nos hospitais, proporcionando-lhes momentos lúdicos e até de distracção.

Eu, experiente em internamentos, estou a imaginar um doente entubado, com a agulha do soro no braço e de algália, a saltar na cama e gritar de alegria com o golo do Benfica, do F.C.Porto ou do Sporting. Assim, já vale a pena pagar taxas mais altas. E a produtividade de enfermeiros e assistentes operacionais vai disparar. [Read more…]

Eu, professor emigrado no Rio, virei balconista de boteco

Desempregado de longa duração, de professor de História sem colocação, passei a aluno. Ao abrigo de IEFP fiz diversos cursos, em especial na área de Informática. Estudei sistemas operativos, redes e programação. Sempre elogiado e classificado pelos formadores como dos melhores. Emprego? Nada!

Um ano, dois anos, dois anos e meio, a viver de esmolas de pais e sogros, cansei-me da vida de pedinte. Deixei a Ana e o casal de filhos, Paulo e Sofia, e fiz-me ao caminho: EMIGREI!

Cheguei ao Rio de Janeiro às 7h45 de 1 de Setembro de 2009. Optimista, iluminado por manhã carioca solarenga. Tomei um táxi para a Gávea. Bairro fino, da classe média alta, onde residia o tio-avô do meu pai, Joaquim Francisco de sua graça.

Com mil reais no bolso, disse-lhe ao que vinha. Licenciado e professor de História, sem colocação em Portugal, tinha decidido emigrar para o Brasil. Tanto poderia dedicar-me à docência, como a outra actividade, acentuei. Referi os meus conhecimentos e atributos informáticos. O tio Joaquim, de sotaque bem abrasileirado, disse-me: “Vou ver o que posso fazê por você, mas sabe que não é fácil, não; o Brasiu está necessitando de tudo menos de professô, aí presidentje Lula garante que estamos na maió!”. [Read more…]

Desabafos de um português lisboeta

Se fosse o inverso, manifestaria igual repulsa. Preocupa-me a coerência.

Episodicamente mas de forma ofensiva do conceito de justiça,  a mistificação de que Lisboa e naturalmente os  naturais da capital  dominam o País é mesmo isso, uma mistificação, de uso fácil ao utilitarismo populista e ao jeito de quem utiliza a vitimização como arma – de Pinto da Costa a Alberto João Jardim. Do futebol à política.

Há múltiplos exemplos histórico-políticos da falsidade do pressuposto: Salazar, de Santa Comba Dão, companheiro e amigo do Cardeal Cerejeira (Vila Nova de Famalicão), é uma das múltiplas e penosas provas: 48 anos é muito ano! Cavaco veio da algarvia Boliqueime e governou o País durante uma década. Depois veio o lisboeta de Santos-o-Velho Guterres, com genes da Cova da Beira (Donas), seguindo-se Barroso (Nascido em Lisboa) mas reclamando raízes transmontanas. Sócrates, que a seguir nos calhou em sina , nasceu no Porto, mas toma os  afectos de Vilar da Maçada (Vila Real). Hoje temos um Coelho, conimbricense de origem, mas infante em Angola – Silva Porto e Luanda.

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Que merda de país é este?

A almofada da desculpa é o ‘memorando da troika’, negociado e firmado pelo governo de Sócrates e ainda ratificado – e zelosamente excedido – pelo duo PSD+CDS, detentores do poder que nos (des)governa.

Almofada, do ponto de vista etimológico, é uma palavra de origem árabe. Nós, portugueses, e fiéis às origens do ‘al-gharb’, conservámos o vocábulo. Usamos a definição linguística e naturalmente do objecto de repouso sobre o qual descansamos e dormimos. Com menor ou menor comodidade. Tudo depende do recheio. Suma-a-uma, espuma ou outros materiais sintéticos que nos amparam ou massacram o atlas, sim o atlas, ligado ao osso hioide – fonte de inspiração, quem sabe, do conhecido “Hirudoid’.

Todavia, passou a haver outro conceito aplicado a almofada; o conceito político-financeiro, ora usado por Seguro – há almofada – ora recusado por Passos e Coelho – não há almofada.

Mais do que a oposição reclama, o importante é que o governo diz:

Não há folgas, nem almofadas

para acomodar, deduzo eu e milhões de outros cidadãos, a anulação do corte, mesmo parcial, dos subsídios de Natal e de férias nos rendimentos de funcionários e reformados da função pública, bem como de pensionistas privados em 2012 e 2013.

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‘Musseque’, ‘Favela’ ou ‘Tabanca’

Não resisto à tentação de abordar o tema, a que o João José Cardoso se referiu, e bem, anteriormente. Há tempos, este Mestre, Secretário de Estado da Juventude, proclamou:

Os jovens portugueses que não encontrem colocação no mercado trabalho não se devem acomodar à situação, ‘zona de conforto’, EMIGREM!

Pensava eu, e naturalmente muitos dos portugueses, ter-se tratado de uma declaração política individual, infeliz, desfocada dos fundamentos e orientação política do governo de Passos Coelho e de Paulo Portas. Afinal eu e os outros, todos alinhados pela ideia de ser disparate de um ‘deus menor’, equivocámo-nos.

Com efeito, trata-se de um objectivo programático perene do governo, antes proclamado em relação a jovens ex-estudantes, agora reafirmado por Passos Coelho relativamente a 15 mil professores desempregados:

[Aconselharia] “os professores excedentários que temos a abandonar a sua zona de conforto e a procurarem emprego noutro sítio. Em Angola e não só. O Brasil…” Jornal “i”

Na lógica da reciprocidade da convivência democrática, entre governantes e governados, e uma vez tão saturado deste como do anterior – os meus votos não favoreceram nem um e nem outro – como cidadão posso também propor ao Senhor Primeiro-Ministro que emigre, com três destinos opcionais: um musseque luandense, uma favela do Rio ou uma tabanca entre Bissau e o Chacheu.

Publico imagens de um musseque, para ilustrar uma das ‘zonas de conforto’ de acolhimento possíveis e merecidas por quem diz lutar pelo melhor para os outros:

Delphi: 12 horas de trabalho diário

Vergonhoso! Um governo, maioritariamente dito ‘social-democrata’, pura e simplesmente, deveria proibir e punir os responsáveis da Delphi que, no Seixal, estão a instalar uma sistema de ‘neo-esclavagismo’, semelhante ao vigente na tristemente célebre ‘Foxconn’.

Trata-se, pois, de um abjecto processo de chinalização da sociedade portuguesa, permitido pelo africano de Massamá, Coelho, e presumo que defendido pelo tecnocrata canadiano, Álvaro.

É do domínio público que o Senhor PR promoveu uma reunião entre governo e militares, cujos resultados, aparentemente, sossegaram oficiais, sargentos e praças, quanto às reinvidicações.Coitados dos trabalhadores da Delphi, e de muitos, muitos outros milhares por esse país fora. Engrossam, com celeridade, um crescente exército de pobres e miseráveis, indefesos de prepotências deste e doutros géneros. Indefesos, sem meios e perspectivas de vida futura para eles próprios e seus descendentes.

Quão justo seria que militares de alta, média e baixas patentes, juízes do Tribunal Constitucional e outras figuras do regime, Presidente Cavaco à cabeça, fizessem imobilizar os passos do tenebroso coelho. Poderia recorrer-se a conveniente doença da cunicultura, inibidora da prática do mal. Uma patologia, de facto, imobilizadora. Não seria preciso chegar à mixomatose infeciossa – sou contra a pena de morte. Talvez fossem suficientes ‘vermes intestinais’, que delibilitassem política e definitvamente o nefasto coelho. Sem dar hipótese a salvíticas massagens de fisioterapia.

Os tecidos angolanos do Governo e da Justiça

pc-mrptc

Parcela importante da urdidura do actual governo é composta e tecida por artesãos de afro-tecelagem. Passos Coelho, Miguel Relvas e Paula Teixeira da Cruz – e, por exemplo, o agora menos mediático Pedro Pinto, todavia deputado – são fios de superior meada da juventude angolana de 1974.

O facto seria despiciendo, se fosse natural desfecho da vida colectiva e não reflexivo de actos conscientes ou, demos de barato, subconscientes. Em ambos os casos, nocivos para a vida do povo português. Como é evidente, a acção é protagonizada por uma elite de retornados – palavra horrível – que sobraçou indevidamente uma causa, justa em relação a muitos, mas hipocritamente usada em proveito próprio por uma minoria.

Com efeito, e sobretudo no PSD, filtrados maioritariamente pela Secção do Campo Pequeno – Lisboa, a história, se aprofundada, é em grande parte preenchida pelas investidas vigorosas e ambiciosas dos ‘filhos privilegiados da colonização e da descolonização’. Ao tempo, os ora bem sucedidos, apresentavam-se como ‘teen-agers’ travestidos do ideário social-democrata. Francisco Sá Carneiro era, então, o  supremo e admirado apóstolo, sob cujo comando e doutrina se abrigaram e encobriram.

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Objectivos e órbitas em torno do PIB

Com recurso ao PIB, hoje conhecido indicador dos portugueses, programam-se estratégias e estabelecem-se objectivos que, na maioria dos casos, conduzem a visões e práticas tecnocráticas e economicistas, em sacrifício da qualidade de vida dos povos. De resto, é este o fenómeno a que assistimos no mundo, em especial na Europa.

Usado como parâmetro de aferição polivalente, o PIB serve também para avaliar a qualidade de vida relativa entre nações, como demonstra o quadro seguinte, construído a partir de documento do Eurostat.

PIB per capita em unidades PPS (Poder de Compra Padrão)

Posição

País

2008

2009

2010

UE (27)

100

100

100

Z.Euro(17)

109

109

108

1.º

Luxemburgo

279

266

271

2.º

Holanda

134

132

133

3.º

Irlanda

133

128

128

4.º

Áustria

124

125

126

5.º

Bélgica

116

118

119

6.º

Alemanha

116

116

118

7.º

Finlândia

119

115

115

8.º

França

107

108

108

9.º

Itália

104

104

101

10.º

Espanha

104

103

100

11.º

Chipre

99

100

99

12.º

Grécia

92

94

90

13.º

Eslovénia

91

87

85

14.º

Malta

79

82

83

15.º

Portugal

79

80

80

16.º

Eslováquia

73

73

74

17.º

Estónia

69

64

64

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Moddy’s e mercados vencem a ‘Cimeira de Merkel’

Um par é sempre o dobro de um. Aritmeticamente é 2 = 1 + 1. Outra regra: a soma das parcelas é sempre maior do que qualquer partes. E por mais truques linguísticos que se inventem, matematicamente falando, Merkozy não é igual à soma Merkel + Sarkozy. É mera sinopse de linguagem.

Raciocínio complicado? Talvez. Serve, no entanto, para ilustrar que sendo Merkel uma fracção maior e Sarkozy um fragmento mínimo, a primeira parcela supera a segunda, criando uma falsa paridade à qual a Europa, excepto o RU de Cameron, está submetida.

Assim, a salvífica Cimeira de 9 de Dezembro, cujo desfecho foi aceite com subserviência por 17 + x países – e o x é simultaneamente uma incógnita e uma variável de 1 a 9 – está a corresponder a uma derrota para a Sra. D. Angel Merkel – e Sarkozy cai por arrasto. Não por acção do grego Papademos, do italiano Monti, do espanhóis Zapatero (de saída) ou Rajoy (de entrada), do português Passos ou de tantos outros que, na Áustria, Finlândia, Holanda e outras paragens, se juntam na confraria da sociedade do ‘bem estar e dominar’ alemão.

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Sair e aterrar no mundo das notícias

Tenho andado arredado de noticiários e jornais. Provavelmente sem perder nada de especial; e ganhos certamente também não teria.

A respeito de impostos e reduções de rendimento, já estava informado. De resto, até fixei na porta do frigorífico o calendário fiscal para 2012. Ao estilo dos lembretes domésticos; ou se se preferir, ao jeito da decoração da cabine de um  qualquer camião TIR. Sem, obviamente, a pornográfica loura de avultadas “red lights”. Haja decência! A ética do lar é implacável e optei por calendário com fotos do Coelho e do Gaspar.

Todavia, e sem usar a económica do ‘Falcon’,  voltei a aterrar no mundo das notícias.  Vi a TV. Falou-se do descontentamento do Nick Clegg em relação à posição do Cameron na cimeira europeia. Anunciou-se e exibiu-se mais isto e aquilo. Notícias para encher o ‘prime-time’ do telejornal. Sem novidades, nem “cachas”.

No fundo, quem animou a minha jornada das notícias televisivas foi o Alberto João, no jantar de Natal do PSD-Madeira. O homem, como sempre, empolgou umas centenas de militantes. Elas e eles riam, babavam-se, pulavam e erguiam os braços,em patética celebração do discurso do grande líder madeirense. Emocionei-me com aquela gente e à memória saltou-me um pequeno poema de Bocage:

O Macaco Declamando

Um mono, vendo-se um dia
Entre brutal multidão,
Dizem que lhe deu na cabeça
Fazer uma pregação.
Creio que seria o tema
Indigno de se tratar;
Mas isto pouco importava,
Porque o ponto era gritar.
Teve mil vivas, mil palmas,
Proferindo à boca cheia
Sentenças de quinze arrobas,
Palavras de légua e meia.
Isto acontece ao poeta,
Orador, e outros que tais;
Néscios o que entendem menos
É o que celebram mais.

Para quem tem andado arredado do que se vai noticiando nestes últimos dias, não poderia ter tido regresso mais auspicioso e intrigante. Como é que Bocage, há cerca de 200 anos, profetizou Jardim e apoiantes?

A voz de Sócrates: a morbidez que a direita adora

Imaginava eu que José Sócrates estivesse politicamente defunto ou, pelo menos, em estado de morbidez profunda. Iludi-me. O homem, incapaz de assumir os danos infligidos aos portugueses, perfilou-se de súbito na boca de cena, no refúgio parisiense em que se albergou, declamando em tom pseudo-pedagógico:

A minha visão é esta, para países como Portugal e Espanha, agora é preciso pagar a dívida é uma ideia de criança…as dívidas dos países são por definição eternas…

A desastrosa intervenção dispensa comentários, porque já contém, em si, os ingredientes que a qualificam. Todavia, há a considerar as consequências para a dialéctica e a retórica no ambiente político nacional. Na hora, em que os portugueses são castigados com duras medidas de austeridade, a voz de Sócrates, remendada por esta desajeitada explicação, é um precioso activo que a direita no poder arrecada e com que se delicia.

A voz de Sócrates é, pois, a morbidez que a direita adora. Enquanto servir de tema central, esquecem-se os aumentos das taxas de moderadoras na saúde, o agravamentos dos impostos, a captura dos subsídios de Natal e de férias e mais o que está para vir, segundo se depreende da entrevista de Passos Coelho à SIC.

Só um pedido: “Cala a boca Zé Sócrates! Os teus disparates, mesmo de Paris, ainda fazem mossa.

As saladas portuguesas no ‘buffet’ da crise mundial

A gastronomia portuguesa é histórica, saborosa, prestigiada e prolífera. Somos um povo multisecular, nascido e disseminado por terras e ‘mares nunca dantes navegados’. Somos, naturalmente, o povo da miscigenação universal – Património Material, Dinâmico e Multiplicador da Humanidade. 

Sim falo, por ora, dessa miscigenação, a mais comum, gozada a dois e procriadora. No entanto, acrescento ter sido banhada por fluídos leitos em roteiros culturais e hábitos de vida. Com destaque para a  criatividade culinária, onde se inscreve o caril de caranguejo à goesa, a cabo-verdiana cachupa, a muamba e misongué de Angola ou ainda o bolo de caju e batata e o caril de frango moçambicanos. A tudo isto e muito mais, juntam-se outras iguarias do solo pátrio: da caldeirada ao cozida à portuguesa, da sardinha assada às tripas à modo do Porto, do cabrito à padeiro às ferreiras algarvias na grelha, há um mundo interminável de sabores, de belos sabores.

Todavia, em época de doentes crónicos e de “tesos” à força, os nossos hábitos alimentares têm estado em permanente e gradual depressão. Subordinados ao ‘buffet’ da crise financeira mundial, o cardápio nacional reduz-se agora a meras saladas, como estas:

Com estas e outras indigestas hortaliças, estamos na expectativa de saber se terminamos em estado de prurido anal, coceira no ânus e obstipação crónica; ou de diarreia, ao menos resolúvel com terapêutica  eficaz, a fim de evitar a liquefação pútrida e letal de muitos portugueses. É que nem o hipoclorito de sódio ou outro anti-corrosivo têm capacidade de eliminar fungos, bactérias e outros germens acomodados em tais saladas.

Gestão hospitais: a dança dos ‘boys’

A história do Ministério da Saúde é das mais marcadas pelo emprego partidário. Escrita, de resto, com letra bem vincada pelos dois partidos do centrão, PS e PSD, com a participação do apêndice, CDS.

Na continuidade da tradição, a dupla PSD+CDS está a nomear ‘boys’ para os hospitais, afastando os ‘boys’ do círculo rosa. Trata-se de, uma vez mais, repetir a vergonha do favorecimento dos amigos em detrimento dos competentes. Neste caso, segundo o Público, desrespeitando o ‘memorando da troika’ que estabelece a realização de concursos. A luta desenfreada a nível das distritais partidárias é intensa.

Nesta, como em outras guerras, vale tudo. Há anos, numa secção da Margem Sul ‘laranja’, valeu ameaças de tiro entre militantes. Agora, o processo também não está a ser pacífico, havendo manifestações condenatórias.  O deputado do CDS, Helder Amaral, foi peremptório ao garantir:

[não estar] “disponível para pedir sacrifícios aos portugueses e depois patrocinar o amiguismo da pior espécie que julgava ser uma prática do passado”.

em reacção à nomeação de militantes laranja par o Hospital de Viseu.

No fundo, é assim: em determinados casos, aumento das taxas moderadoras, o cumprimento da ‘memorando da troika’ é dever sagrado. Na escolha de amigos para lugares bem remunerados por dinheiros públicos, Paulo Macedo repete o método da tão ignominiosa e tradicional ‘cunha à portuguesa’, descartando-se da troika e do memorando. Há seriedade nisto?

Das lágrimas de Itália ao exemplo da Irlanda

Merkel e Sarkozy, na reunião de Paris, apostaram em novo ‘tratado’ da UE, ainda que não inclua todos os países. Pode limitar-se aos 17 Estados-membros do Euro – ou a menos, acrescento eu. O objectivo central é colocar na ordem os países endividados, como nós e os gregos, através de políticas que se esgotam em programas de austeridade.

No actual jogo europeu de orçamentistas e monetaristas, falta que a Espanha de Rajoy explicite a obediência. A Itália já o fez ontem, de forma comovente e nas lágrimas incontidas da ministra Elsa Fornero:

‘Uma lágrima no rosto’, de Bobby Solo

Nós, portugueses, além da submissão à Sra. Merkel assegurada por Passos Coelho, segundo os inúmeros sábios e especialistas, nas TV’s e artigos de opinião, temos de tomar o exemplo da endividadíssima Irlanda como padrão; sim essa bem comportada Irlanda há 4 anos em austeridade e cujo governo acaba de publicitar um novo ‘pacote de austeridade’ para 2012, com 2,2 mil milhões de euros de corte nas despesas e 1,6 mil milhões de aumentos de impostos. [Read more…]

Relatório da Reforma Hospitalar: consulta pública

O Ministério da Saúde submeteu a consulta pública o relatório do Grupo Técnico da Reforma Hospitalar.

Segundo as primeiras informações que obtive, manifestei aqui reservas, a meu ver fundadas, sobre aspectos de segurança para os doentes, falta de condições estruturais e de horários dos Centros de Saúde para atender, em 12 horas, Sábados e Domingos incluídos, doentes, triados como “não urgentes” pelos serviços de emergência hospitalar.

No ‘site’ do Ministério da Saúde, pode ler-se que o trabalho se integra no compromisso assumido com a ‘troika’ para os serviços de saúde do Estado. Os objectivos da ‘troika’ são predominantemente economicistas, como se pode ler no ponto 3.49 e seguintes da parte do memorando dedicada àqueles serviços:

Revisão substancial das categorias isentas de pagamento com o Ministério da Segurança Social, aumento das taxas moderadoras, indexação destas taxas à inflacção, reduções de 30% em 2012 e 20% em 2013 nos orçamentos dos subsistemas da ADSE, Serviços de Saúde Militares e da Administração Interna (Polícias), controlo de preços de medicamentos e prevalência da prescrição de genéricos, prescrição electrónica de medicamentos e de meios de diagnóstico, regulamentação do mercado de farmácias, implementar medidas para reduzir em 200 milhões de euros os gastos dos hospitais de 2011 a 2012.

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Europa: o centralismo germano-francês

O pós-2.ª Guerra e a fundação da CECA

Robert Schuman, em 9 de Maio de 1950, e tendo avisado apenas na véspera o secretário de estado dos EUA, Dean Acheson, publicitou o acordo estabelecido com a Alemanha, de Konrad Adenauer, nos seguintes termos:

O governo francês propõe que toda a produção franco-germânica de carvão e de aço seja colocada sob uma alta autoridade conjunta no quadro de uma organização que estaria também aberta à participação de outros países da Europa.

O acto, dos dois políticos democrata-cristãos, viria a dar lugar à fundação em 1951 da CECA (Comunidade Europeia do Carvão do Aço), integrando a seguir os países do Benelux e a Itália; esta, pela mão do também democrata-cristão, Alcide de Gasperi. Foram considerados os “pais da Europa”, depois transformada em CEE e hoje em  União Europeia.

As remotas origens da UE tiveram, pois, motivações de ordem económica do pós-2.ª Guerra. Então, o “sistema económico” prevalecia sobre o “sistema financeiro”.

A União Europeia e a Zona Euro, na actualidade

O protagonismo, na altura, centrou-se no eixo ‘franco-alemão”, o qual, nos dias de hoje, sofreu uma inversão de carácter hierárquico; pois, em boa verdade, deve designar-se como eixo ‘germano-francês’. Temos, assim, dois grandes actores: a líder Angela Merkel, alemã, e o submisso Nicolas Sarkozy, francês.

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