Sapiofilia

ALICIA TATONE / THE ATLANTIC

Ok, eu não sei o que aconteceu. Completamente contra a corrente do jogo, o Doutor Anthony Fauci desbocou-se todo: afinal o homem não está convencido de que o vírus tenha surgido de forma natural e é, portanto, provável que a sua origem tenha sido o laboratório de virologia que – também por sua admissão – beneficiou de investimento americano. Alguém que me segure, porque eu estou prestes a colapsar de perplexidade. Como dizia um filósofo, “Qu’informação dramática!”. Sim, Trump enunciou por diversas vezes essa possibilidade, mas eu assumi naturalmente que o fazia por ser racista. Vamos a ver: então o vírus surgiu em Wuhan – cidade que aloja um instituto que faz perigosas experiências com vírus destes –  foi encoberto por um regime que tem um controlo cada vez mais sufocante das instituições internacionais, um regime que discutiu em 2015 a possibilidade de utilizar estes vírus como armas biológicas e cuja repressão global em que tudo isto resultou vai completamente de encontro aos objetivos do Great Reset do World Economic Forum, e estão a dizer-me que pode não ter sido tudo um acidental fenómeno da natureza? Chocante.

Não sei o que justificou esta alucinante pirueta de discurso. É particularmente relevante ter surgido já durante o mandato de um presidente que é tão comprometido pelo Partido Comunista Chinês que fez questão de abolir investigações à forte possibilidade de o vírus ter surgido no referido laboratório. Aguardam-se apetitosos desenvolvimentos. Não exclusivamente nas informações que começarão cada vez mais a vir à tona, mas também na maleabilidade de jornalistas, comentadores e inquisidores, perdão, verificadores de factos. A torção de colunas vertebrais atingirá flexibilidades impressionantes. Para já, deixo aqui um pequeno memorial a Dr. Anthony Fauci, grande senhor da epidemiologia que logrou ter a versatilidade de, num tão curto intervalo de tempo, sugerir o uso de nenhuma máscara, de uma máscara e de duas máscaras. Em memória dos agora idos tempos áureos da sua popularidade, partilho aqui estes cabeçalhos – reforçando que se tratam de artigos reais, e não de paródia – para que nunca nos esqueçamos de que a hipocondria atingiu uma dimensão tal que os daddy issues das americanas vieram todos ao de cima: ficaram completamente apaixonadas por um senhor de 80 anos que não as deixou sair de casa.

O chilreio do dia

De Sara Barros Leitão: «Como é que eu sei que os turistas chegaram ao Porto? São 9h10 da manhã, fui comprar pão ao café da esquina e sai um pedido de uma Francesinha com meia de leite para uma mesa na esplanada».

Bielorrússia, Israel e as virgens ofendidas que na verdade são putas

Não foi preciso esperar muito tempo até que aparecesse um representante do PCP, partido que se recusa a condenar o regime totalitário bielorrusso, a dizer que o sequestro do voo da Ryanair é condenável “mas…”. E este “mas”, segundo Lúcia Gomes, dirigente comunista, prende-se com as ligações à direita neo-nazi, nomeadamente ao Batalhão Azov, organização paramilitar e supremacista ucraniana, conhecida pela violência e pela determinação em transformar a Ucrânia numa ditadura de extrema-direita. Protasevich colaborou directamente com o Batalhão Azov e, inclusivé, integrou as fileiras da sua “jota”.

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CNN Portugal

Acerca da criação da CNN Portugal, pouca coisa há a afirmar fora do domínio do cómico. O mainstream irá informar o cidadão português de que se trata da salutar chegada da uma credível, séria e íntegra cadeia de informação. A realidade, como quase sempre, reside no oposto que nos é dito. A CNN americana é uma merda e está na merda. E está na merda porque é uma merda.

Não foi só para os americanos descontentes que Donald Trump surgiu como messiânico. Ofuscada pelo universo de informação que é a internet, a CNN – e a generalidade do mainstream – estava numa franca curva descendente de credibilidade e consequentemente de audiências, quando Donald Trump emergiu das trevas. O ódio a um simples individuo serviu de reservatório durante quatro longos e lucrativos anos. Para isso foi necessário, naturalmente, mentir, ocultar, enganar, ludibriar, chorar, vitimizar, ou como se designa em 2021, fazer jornalismo.

O pior – ou o mais deliciosamente irónico, dependendo do ponto de vista – viria a seguir. Tanto lutaram pelo desaparecimento do homem da vida pública, apoiando inclusivamente a sua exclusão das redes sociais, que não estavam à espera do que se seguiria, mesmo sendo isso pornograficamente previsível:

Sem o bicho-papão, sem o bode expiatório, sem um símbolo cinematográfico de vileza, a imprensa de esquerda vale zero. Porque não é jornalismo, é activismo. O jornalismo tem sempre informação para descobrir e sobre a qual trabalhar. O activismo, sem causas, perde o propósito. A CNN só conseguiu fazer dinheiro fazendo do ódio a sua bandeira.

Sempre que me quiser divertir, vou partilhar nos próximos tempos algumas das mais engraçadas histórias da CNN: desde os teatros constrangedores dos irmãos Cuomo às não menos constrangedoras intervenções choramingas de Don Lemon. Para já, fiquem conscientes de que se virmos a CNN Portugal a optar por notícias falsas, propagandistas e ostracização de segmentos populacionais, já sabemos que não estamos perante falhas deontológicas, mas sim diante de um lucrativo modelo de negócio. A boa notícia é que aqui na choldra não destoará.

André tem Mel

O Movimento Europa e Liberdade (MEL) realiza, estes dias, o seu muito falado conclave.

E o que é mesmo o MEL?

Não tenho bem a certeza. Tentei aceder ao site, para saber qual é a cena deles, mas estava crashado. Foi então que encontrei o cartaz do festival no Google, e fui ver o alinhamento. Segundo pude apurar, o MEL é uma convenção de direita, apesar de não se assumir como tal, onde políticos dos partidos de direita convivem com a fina flor da comunicação social de direita, com dois críticos internos de António Costa para fazer de conta que aquilo não é uma convenção de direita. Para quê tanta dissimulação? [Read more…]

IL 5% antifa – à maneira dela

“Maria Castello Branco [dirigente da Iniciativa Liberal] desconfortável com Ventura rompe com o MEL”

«Mas decidi que não posso participar numa Convenção que parece querer federar as direitas, sem primeiro colocar a nu as posições dos seus vários constituintes e sem lançar os seus líderes em franco debate. Ao invés, parece querer forçar respostas claras ao que se nos apresenta como um projecto de federação desenhado nas sombras.»

 

Residentes em Lisboa passam à frente na vacinação

Antecipação de vacinas e testes para travar aumento de casos em Lisboa“?
Não será fake news?
Estupefacto é o mínimo que se poderá dizer! Isto é um ultraje do centralismo já sem qualquer vergonha na cara!
Então, recuos no desconfinamento, suspensão de etapas seguintes de desconfinamento e cercas sanitárias para o país, enquanto que para os residentes em Lisboa e sua área metropolitana haverá uma ultrapassagem na vacinação relativamente aos portugueses!
É caso para dividir o país em dois! Entregue-se Lisboa aos seus residentes que nós nos governaremos!

À minha maneira, à minha maneira…

Muitas reações de esquerdas ao MEL podem ser interpretadas da seguinte forma: Sim, podes ser se direita, mas dentro dos nossos limites.

Ensino Privado: E novidades?….

Nos últimos dias a publicação de um suposto “ranking” das escolas deu, como sempre, que falar. Nestas alturas e perante este tipo de rankings estilo “produto do ano” ou “escolha do consumidor” ou “Best European destination” lembro-me sempre da notícia do Jornal de Notícias sobre os resultados nas universidades dos estudantes oriundos do ensino privado.

O estudo em causa, que comparou os resultados de 1700 alunos que frequentaram a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) entre 2007 e 2014, foi realizado por uma investigadora do CINTESIS. Não sei se existem estudos mais recentes. Tenho dúvidas que os resultados fossem muito diferentes.

O que o MEL quer é ir ao pote

Já dizia o outro que não podiam ir ao pote com demasiada sofreguidão. Mas o MEL está impaciente.
A prova é que, depois de se ter recusado sempre a convidar PCP e Bloco por serem extremistas de Esquerda, já não tem qualquer problema em caucionar e normalizar bandidos de Direita.
Porque, no fundo, o que o MEL quer é ir ao pote.

Milton Friedman

Parece simples. Deixo-vos com esta excelente palestra.

O tribunal declara: arrependa-se!

«Eles apelam a um nacionalismo racial. E é um apelo quase velado, se é que é velado. Parece familiar?»

O choque, o horror, a surpresa… e a falta de mundividência

Os italianos Måneskin, feios, porcos e maus para a opinião pública, vencedores do festival Eurovisão 2021, com a canção ‘Zitti e Buoni’

O mundo descobriu esta semana, em choque, que os artistas, sejam elas da música, da pintura, da imagem ou da representação, se drogam à força toda. Não sei se o mundo parou nos últimos cem anos ou se, simplesmente, o mundo é todo crente em Estórias da Carochinha.

Do mal, o menos. Podia ter sido mais tarde, ou podia nunca ter sido. Foi em 2021 e é oficial, para quem esteve a dormir nas últimas décadas: os artistas drogam-se. O choque, o horror, a surpresa…

Um dia, quando esta poeira (a escolha da palavra é inocente) assentar sobre os artistas, chegaremos aos próximos impolutos que se drogam: trabalhadores da banca e da finança. Quem?! Como?! Não pode ser! Até usam gravata…

Quando estiverem preparados, iniciaremos o III Capítulo desta saga e chegaremos aos médicos. [Read more…]

Favores

«As pessoas já não têm tanto medo do vírus, ou seja, o vírus já não está a nosso favor»

Subintendente José Nascimento – PSP Coimbra

(Vídeo usurpado ao Telmo Azevedo Fernandes)

Que refrescante é quando a espontaneidade de pessoas broncas faz a verdade flutuar. Este despudorado agente da autoridade vem confirmar o que há muito se sabia: o vírus é o pretexto perfeito para a imposição ilibada de um estado policial. O senhor fê-lo de forma tão natural e ingénua que podia ter passado completamente despercebido. É isto que torna este vídeo particularmente delicioso: o senhor – na sua bolha de déspotas – está completamente alheio à gravidade desta sua confissão.

Partidos, comunicação social, polícia e influencers vivem a vida confrontando obstinadamente a realidade como se fosse inimiga dos seus propósitos – porque é. Remam contra a maré da racionalidade para conseguirem manter aceso o medo que lhes concede impunidade nas mais ultrajantes decisões repressivas. Um exemplo perfeito disto é o manicómio diário que vivemos com o uso de máscara no meio da rua. Para boa informação da população e adequada gestão emocional da pandemia, era necessário convencer os portugueses de que a máscara na rua é completamente despropositada, para não dizer uma estupidez olímpica. A DGS não se limita a pecar por silêncio: fazem um esforço activo por manter o teatro, sacrificando a saúde física e mental de crianças no processo.

Isso cria um cenário perfeito em que cada saída de casa nos faz sentir num episódio de Black Mirror. Nada melhor do que este terrorismo visual para perpetuar a ansiedade coletiva. Contagiaram-nos com a sensação de que toda a gente à nossa volta – a horda de zombies açaimados – está potencialmente doente. Parecem estar: vejam aquela gorda, a subir a rua com as compras neste dia de sol abrasador, a suar como um porco, a ofegar como um bulldog asmático. Não tira a máscara: deve estar doente. E este jovem e aparentemente saudável estudante, neste dia de tempestade, com o rosto encharcado e a máscara tão translúcida que permite ver os contornos da sua boca? Há muito que a máscara já não o protege, mas ele não a tira: deve estar muito doente. E assim se preserva esta pusilanimidade colectiva.

Esta orquestrada encenação tem vários métodos e ramos de acção. Por ser o mais musculado e temido, a polícia é o principal. Não são os maestros desta porcaria, são meros peões armados, mas isso não os iliba. Enquanto garante dos direitos e segurança dos cidadãos, deviam ser os primeiros a manifestarem-se contra os abusos desumanos que estão a ser pressionados diariamente a levar a cabo. Era seu dever demarcarem-se de proibições de atravessar concelhos, de multas por comer gomas e restantes incidências trágicómicas. Optaram, no entanto, por pôr-se do lado do vírus. Do lado em que o vírus estava “a seu favor”. Ficarão no lado negro da história por sua própria admissão.

Eis a portugalidade. Um quadro idílico, um retrato de Portugal

Chega a grande velocidade.
Em plena malha urbana, um Audi preto – matrícula antiga a fingir que é nova – detém-se em cima do passeio. Não uma nem duas, mas as quatro rodas, mais de dois metros para o interior do espaço reservado aos peões. Com muitos lugares vagos nas proximidades.
De lá de dentro, sai um homem. Cerca de 40 anos, barriga proeminente, fato de treino cinzento. Dirige-se para o café que fica mesmo ao lado enquanto vai tirando umas coisas de dentro do nariz.
Regressa 15 minutos depois. Caminha com um maço de cigarros na mão. Enquanto abre a embalagem, deita a película de celofane para o chão. Antes de entrar para o carro, escarra no passeio.
Parte a grande velocidade.

Terceira intifada palestiniana contra a radicalização da ocupação israelita | Acompanhamento | Semana #2

Ao final da segunda semana a radicalização da ocupação israelita vê-se forçada a recuar, não obstante o seu poderio militar e a brutalidade da destruição imposta, sobretudo na Faixa de Gaza. A Palestina venceu em várias frentes, apesar das 250 vítimas, um terço delas crianças. Em 73 anos, Benjamin Netanyahu é o líder mais fragilizado da história do campo sionista e a resistência palestiniana ganha pela primeira vez o apoio de massas da opinião pública mundial. Israel estava apostado numa espécie de “solução final” com a sua radicalização, provocada estrategicamente a partir das questões de Jerusalém, mais saiu mais isolado que nunca, com um líder sem legitimidade, no limiar da guerra civil dentro das fronteiras da ocupação e com menos margem para continuar o genocídio do povo palestiniano com a impunidade com que o tem feito até agora.

Aqui fica o arquivo no Aventar do acompanhamento da segunda semana do conflito, da inédita greve geral ao cessar-fogo:

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XII Convenção do Bloco de Esquerda: Justiça na Resposta à Crise

Fotografia: LUSA

Realizou-se este fim-de-semana, em Matosinhos, a XII Convenção do Bloco de Esquerda.

Depois de quatro anos de “geringonça” e de acordos firmados à Esquerda com o Governo do Partido Socialista e depois de mais quase quatro anos de oposição a um Governo teimosa e prepotentemente minoritário do mesmo partido, o Bloco de Esquerda reuniu-se a Norte para aferir o pulso aos seus militantes e à sua direccção. Catarina Martins, apesar de algo contestada interiormente, venceu e parte assim para pelo menos mais dois anos à frente do partido.

Mas vamos ao fundo da questão. Depois de quatro anos em que o objectivo foi, em conjunto com o PCP e com o PS a governar, reverter a maioria das medidas da Troika, o PS partiu para as eleições de 2019 a apostar em dois trunfos: um, o primeiro, o da maioria absoluta; esperança acalentada até ao fim, tratada como tabu publicamente, mas objectivo premente nas hostes internas; o outro, menos significante para António Costa e Cª, a da continuação dos acordos à Esquerda. Contudo, findado o acto eleitoral de 2019, decidiu o PS governar sozinho, minoritariamente, julgando que podia ceder à Esquerda e à Direita quando melhor lhe conviesse, arregimentando, assim, votos de um lado e do outro, e secando a oposição. Podemos dizer, ainda assim, e tendo por base as sondagens que têm vindo a público, que a estratégia do Partido Socialista não tem saído, de todo, furada – mas, neste ponto em concreto, teríamos base para outro texto.

Fazendo jogo duplo, julgou o PS que, chegada a hora da votação do Orçamento de Estado, tudo se decidiria sem sobressalto. Enganou-se. Para o OE’21, o Bloco de Esquerda insistiu num x número de medidas – que, diga-se de passagem, nem eram todas quantas o partido idealizaria -, entre as quais o reforço do SNS (através da contratação de mais profissionais, sejam médicos, auxiliares ou enfermeiros), a reversão das medidas do Governo PSD/CDS, impostas pela Troika, no que diz respeito à Lei Laboral, e um aumento da rede de protecção social, para prevenir o desemprego e ser possível responder ao aumento anunciado do mesmo, face à situação pandémica. A nenhuma destas propostas atendeu o PS, preferindo, todavia, ceder noutras matérias propostas pelo PCP e contar com a abstenção dos comunistas (e do PAN). Teve azar, o Partido Socialista, pois no Bloco de Esquerda nunca nos contentamos com pouco. Mesmo quando o contexto é mais apertado e complicado, sabemos é que é possível ir mais além e conceder mais a quem trabalha. Ao contrário do PS, não está o Bloco de Esquerda, (bem ou mal, dependendo do espectro político e dos valores ideológicos de cada um) preso às imposições neo-liberais da Comunidade Internacional, encabeçadas pela União Europeia e pelos Estados Unidos da América. Está, isso sim, interessado o BE em dar mais condições a quem trabalha, a quem está à margem, a quem não vê reconhecidos os seus direitos nas áreas do trabalho, da educação, da saúde ou da segurança social. E isso basta-nos para sabermos dizer “não” às pretensões do PS de colonizar a Esquerda. [Read more…]

Quem te viu e quem te vê: a estória do idiota útil à esquerda do BE

O Bloco de Esquerda, partido que está, este fim-de-semana, em convenção, é criticado por outros camaradas bloquistas por, no seu entender, se ter chegado demasiado ao centro e ao PS. Desde 2015 que a aproximação foi clara e certas franjas do partido não aprovam; pedem, antes, uma radicalização que devolva o partido às bases e que se olhe mais para o Manifesto Fundador do BE. É uma crítica legítima que farei questão de comentar publicamente, na qualidade de militante, noutra ocasião.

Catarina Martins, coordenadora do BE, critica o PS por sempre ter estado demasiado ao centro e por só se virar para a esquerda quando lhe convém. Ou seja, a mesma crítica que lhe é apontada por camaradas, esta aponta aos social-democratas com “socialista” no nome. António Costa é um cata-vento, é sabido, e esta sempre foi a táctica do ex-presidente da Câmara de Lisboa: olhar para a esquerda – pisca, pisca -, olhar para a direita – pisca, pisca – e manter-se ao centro, sabendo que, de qualquer forma, é no centro a tender para a direita que a União Europeia mais gosta de ver os seus enteados.

O insólito ou não, veio depois. António Filipe, deputado do PCP, veio comentar a convenção bloquista, congratulando-se por o PCP estar ainda mais ao centro que o Bloco de Esquerda, e de terem sido os comunistas a segurarem o Orçamento de Estado desastroso do Governo (OE que teve de ser revisto, dando, em vários aspectos, razão ao chumbo dado pelo BE). [Read more…]

Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde

Dia Internacional da Biodiversidade sabotado

 

É hoje. E são inúmeras as vozes que dizem: isto não faz sentido nenhum, há que inverter a marcha.

Mas os chefes de estado da UE, subservientes face aos grandes interesses económicos, estão prestes a aprovar uma Política Agrícola Comum 1]  que devora muitos milhares de milhões de euros e continua no mesmo sentido: atirar a maioria dos subsídios agrícolas para os bolsos das grandes empresas industriais, em vez de proteger o ambiente,a biodiversidade, o clima e a saúde.

Há décadas que se fazem as mesmas críticas, os mesmos apelos. Mas nos seus fatinhos, nos seus carrões, nos seus salões, são imunes ao direito à vida futura.

 

1] A Política Agrícola Comum (PAC) da UE paga subsídios aos agricultores da Europa. Este enorme negócio ascende a 400 mil milhões de euros distribuídos entre agora e 2027. Com uma percentagem de 35%, este é o maior item do orçamento da UE. Os maiores beneficiários são as grandes explorações industriais que cultivam intensivamente as suas terras, cultivam monoculturas, criam grandes quantidades de animais e utilizam enormes quantidades de fertilizantes artificiais, pesticidas químicos e antibióticos. Tudo isto alimenta a crise ambiental, polui os solos e as águas subterrâneas e destrói a biodiversidade; mas mesmo assim, as grandes explorações agrícolas recebem, de longe, a maior parte dos subsídios. Isto porque os subsídios se baseiam principalmente na dimensão dos campos dos agricultores e no número de animais que possuem. O acordo agora negociado para os próximos 7 anos (!) não altera nada de substancial neste sistema prejudicial ao ambiente e ao clima. Os detalhes finais do acordo serão discutidos no chamado trílogo. As reuniões entre os líderes da Comissão, do Parlamento da UE e do Conselho de Ministros da Agricultura terão lugar nos dias 25 e 26 de Maio.

A estreia do podcast “Aventar com”…

… será com Catarina Salgueiro Maia, numa entrevista que será publicada hoje, às 18 horas.

Aqui fica o quinto e último excerto:

Falemos de Ceuta…

[Paulo Santos]

Num mar de sensacionalismo importa repor a verdade.

 

Nos últimos dias a entrada de mais de 10.000 ilegais em Ceuta tem estado na ordem do dia e perante mais um evento polémico não faltou o habitual: uma multidão de pessoas pouco informadas sobre o assunto a dar os seus cinco tostões. No meio disto não faltou o típico sensacionalismo dos media, a procurar passar imagens parciais e que pouco davam a conhecer a realidade do problema mas tinham todo o potencial de se tornar virais, tal como tornaram. Tendo isto em conta importa, antes de mais, contextualizar este grupo de pessoas que invadiram Ceuta.

Devido à vulgarização do termo “refugiado” para definir todo e qualquer individuo que chega a um país ilegalmente por via marítima importa lembrar que não, nenhum destes cerca de 10.000 indivíduos beneficia de qualquer estatuto de refugiado. Marrocos não está em guerra, não foi alvo de nenhum desastre natural nem houve qualquer pedido de asilo por perseguição do governo a algum destes cidadãos. Este deve ser o ponto de partida da análise a esta situação. Como tal, nenhum destes indivíduos estava desesperadamente a lutar pela sua sobrevivência, nem a fugir do terror da guerra ou das garras de um governo sanguinário que o aniquila, nem a procurar abrigo depois de um desastre natural.

Dada a ausência deste desespero, tantas vezes caracterizante de certas travessias do Mediterrâneo, não é de espantar que esta travessia de Marrocos a Ceuta não seja minimamente equiparável a tantas outras a que fomos assistindo, como por exemplo as diversas chegadas a Itália. Na verdade a fronteira entre Ceuta e Marrocos não passa de uma simples vala de 8kms de extensão, com um gradeamento de 10m de altura do lado espanhol e 2m do lado marroquino. Esta vala tem uma pequena extensão para o mar e são raras vezes em que a fronteira é ilegalmente transposta por via marítima já que Marrocos tende a proteger o seu lado da fronteira, como é sua obrigação, tratando-se da forma menos comum de realizar a travessia ilegalmente. Nas vezes em que a fronteira é ilegalmente transposta essa entrada ilegal acontece maioritariamente por terra, muitas das vezes com ataques às autoridades espanholas mas raramente em números maiores que poucas dezenas. A travessia marítima que vimos apenas aconteceu porque as autoridades marroquinas não só o permitiram, como ainda o incentivaram, não tendo aqueles que passaram a fronteira incorrido em risco significativo de vida, pelo menos não mais do que correm aqueles que gostam de nadar no mar um pouco mais longe da costa, tendo a extensão da fronteira para o mar cerca de 35 metros.

 

Devidamente contextualizado este acontecimento, [Read more…]

A estreia do podcast “Aventar com”…

… será com Catarina Salgueiro Maia, numa entrevista que será publicada amanhã, Sábado, 22/05/2021, às 18 horas.

Aqui fica o quarto excerto:

2021

O ano em que a Ryanair faz melhor oposição do que o PSD.

A decorrer: atentado ambiental no areal da Praia do Ourigo

Porto, 20 de Maio de 2021. Poucos dias após o arranque da época balnear, deparo-me com esta fotografia, enviada por um camarada aventador, na qual podemos ver uma estrutura em betão armado, construída sobre o areal da Praia do Ourigo, na Foz do Porto. Será certamente um deleite para os turistas estrangeiros, ali poderem contemplar o Atlântico, enquanto comem e bebem algo chiquérrimo, mas o que ali se passa, verdadeiramente, é um atentado ambiental. Mais um.

Resta saber quem são os cúmplices do construtor e do proprietário, sendo sabido que a zona sobre a qual nasce este absurdo edifício é e continuará a ser propriedade do Estado, logo de todos nós. Isto teve o aval do Ministro do Ambiente, que vêm a ser portuense? A APA aprovou esta aberração? Rui Moreira licenciou? Os ambientalistas já se pronunciaram? O PAN, o PEV, o BE e o Livre, sempre tão activos na defesa do ambiente, já tomaram uma posição relativamente a mais este crime ambiental? Ou estará tudo a assobiar para o lado?

Elegia aos invisíveis da justiça

[Rui Pinto Gonçalves]

Foto: Rui Pinto Gonçalves

Hoje [ontem, 19 de Maio] é dia do Advogado, e como advogado que sou, escolho enaltecer a mais nobre profissão da Justiça e sem a qual nada funcionaria:
OS OFICIAIS DE JUSTIÇA

Hoje, ao sair de um Tribunal reparei que estavam uns poucos funcionários judiciais na rua. Alguns envergavam uma camisola preta, com uns dizeres alusivos à luta que levavam a cabo.
Entabulei conversa com alguns meus conhecidos, e só aí tive noção que está em curso uma greve de uma hora por dia, numa luta de uma carreira vital e mal considerada pelo poder público.
Não sou nada das lutas laborais, bem pelo contrário, mas ando há quase um quarto de século pelos Tribunais e de todas as profissões que enchem as Casas da Justiça, esta é a mais importante e menos valorizada.

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A estreia do podcast “Aventar com”…

… será com Catarina Salgueiro Maia, numa entrevista que será publicada Sábado, 22/05/2021, às 18 horas.

Aqui fica o terceiro excerto:

A crise na Palestina e a desonestidade intelectual de Henrique Raposo

No artigo de hoje no Expresso, Henrique Raposo compara Israel, um Estado, ao Hamas, um movimento político, armado e religioso. Ao fazê-lo, Henrique Raposo, que não é um ignorante, engana deliberadamente os seus leitores, contribuindo para desinformar e alimentar a radicalização. Contudo, existe um aspecto que torna Israel comparável ao Hamas: ambos praticam o terrorismo, ainda que em formatos diferentes. Sendo o israelita mais eficaz e mortífero.

Henrique Raposo afirma que Israel, um Estado belicista, protege os direitos das mulheres e dos gays, ao passo que o Hamas, um movimento extremista, não o faz. Poderia Henrique Raposo comparar a qualidade da democracia no Estado de Israel àquela praticada pela Autoridade Palestiniana na Cisjordânia? Ou, sei lá, os terroristas do Hamas aos terroristas de um dos muitos grupos extremistas judeus, como Yigal Amir, o homem que matou Yitzhak Rabin? Poder podia, mas isso não serviria os propósitos ideológicos subjacentes ao texto de Henrique Raposo.

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Catarina Eufémia sempre, fascismo nunca mais!

Foi assassinada com três tiros nas costas, por um agente GNR, há 67 anos. Por se manifestar por condições mais dignas de trabalho. No tempo pelo qual alguns suspiram, quando os “portugueses de bem” prendiam arbitrariamente, espancanvam, torturavam e assassinavam qualquer um que ousasse desafiar a indigência, a miséria e a ignorância impostas pelo autoritarismo salazarista, que a nova extrema-direita, com o apoio de alguns “moderados”, pretende, a todo o custo, reeditar. Não passarão. Fascismo, independentemente das veste e da propaganda, nunca mais.

O azar de Rui Moreira

Foi não ter apanhado Ivo Rosa como juiz de instrução.