De acordo com as estatísticas oficiais ontem não fiz greve, a minha escola não esteve fechada, não aconteceu nada. Nada.
Os dados estão disponíveis online, os totais e os parcelares.
Escolas Básicas e Secundárias do Centro em 46724 funcionários 0 grevistas.
Estatisticamente não existo. Estatisticamente como ontem não aconteceu nada espanta-me a indignação de tanto honesto trabalhador que continua por aí vociferando contra a meia-dúzia de perigosos sindicalistas que ontem fez greve, esquecendo o estado em que o país está, a necessidade de pagarmos 34400 milhões de euros só em juros à troika, vamos todos trabalhar, viva a austeridade essa proximidade possível com a penitência e o cilício, produzir mais, muito mais, comer e calar (e escolhi esta ilustração com duplo sentido, é verdade), abrir bem o esfíncter para eles entrarem melhor. Há coisas fantásticas, não há?




![By Richenza (Own work) [CC-BY-SA-3.0 (www.creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)], via Wikimedia Commons](https://i0.wp.com/aventadores.wpcomstaging.com/wp-content/uploads/2011/11/eburro.jpg?resize=300%2C327)






Lembro-me da falecida e insuspeita Maria José Nogueira Pinto, há uns anos, em conferência na Universidade Lusófona, ter afirmado: “O sector da saúde é muito atractivo para negócios e há muitos pretendentes a abocanhar as iguarias do SNS, esquecendo os direitos dos cidadãos”. É justamente pela concepção inerente a esta frase que alinho o presente ‘post’. Nas reviravoltas governamentais para a saúde, foi cometida a incumbência de um estudo, mais um, a um chamado ‘Grupo de Reforma Hospitalar’ ou coisa parecida, nomeado pelo ministro Paulo Macedo.










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