A Cambridge Analytica faliu

agora só falta prender aquela seita de pulhas sem escrúpulos, e, se possível, os pulhinhas que usam estes mercenários para manipular a opinião pública.

Menos direito a transparência???

Mark Zuckerberg pretende que a sua audição no Parlamento Europeu, marcada para a próxima terça-feira, tenha lugar à porta fechada. Na conferência de líderes dos grupos políticos, a maioria dos democratas-cristãos e populistas de direita decidiram apoiar Zuckerberg, aceitando que a audição seja realizada em segredo. É sabido que nos EUA a audição foi pública. Temos menos direito a transparência do que os cidadãos americanos???

P.S.- Pode dirigir um email ao presidente do Parlamento Europeu Antonio Tajani, requerendo uma audição pública (antonio.tajani@europarl.europa.eu )

Yanny ou Laurel: o debate

Hickey: I’m a bit tired and sleepy but otherwise I feel great.
— Eugene O’Neill, “The Iceman Cometh

About that time, Charles Bally, one of Saussure’s most eminent students and a co-editor of the Course (together with Albert Sechehaye), was the first to probe explicitly into the sign character of intonation. For him, intonation is the natural expression of modality: “c’est elle qui permet de percevoir si ‘Vous me suivrez’ est une constatation, une interrogation ou un ordre” (Bally 1950: 42). The situation provides signs which always bear the imprint of reality: they are all actual (‘actuels’).
— Vladimir Phillipov

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Fonte: The Herald (https://bit.ly/2wTiw72)

Yanny ou Laurel? Como se diz em Linguística, depende. Neste caso, segundo Patricia Keating, David Alais e este vídeo, talvez da idade. Valerie Hazan explica ainda melhor. É a percepção (área muito problemática).

Nótula: Entre viagens, palestras e uma data de trabalho quando regressar a Bruxelas, ando e andarei sem tempo para ler o Diário da República, as notícias da comunicação social portuguesa e as preciosas nótulas dos leitores, em especial, as do extraordinário e excelente leitor do costume. Com mais calma, voltarei às necessárias actualizações sobre o ponto da situação ortográfica. Até breve.

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PSD, Santa Casa e Montepio: uma história de hipocrisia carregada de simbolismo

Fotografia via Rui Rio

Pela voz do titubeante Fernando Negrão, que há uns meses era o bombo da corte do seu próprio partido, o Expresso refere que o PSD se terá manifestado “contra a entrada “simbólica”. da Santa Casa no Montepio. Quando li este título, fiquei a pensar com os meus botões: querem ver que já anda tudo à bulha no PSD, outra vez? Querem ver que isto foi boca para António Tavares, um dos porta-vozes do governo sombra de Rui Rio, que acumula funções com a de provador da Santa Casa da Misericórdia do Porto, instituição que prepara uma entrada “simbólica” no Montepio, a cuja assembleia-geral António Tavares irá presidir? [Read more…]

Não, a austeridade não acabou!

[Santana Castilho*]

Os argumentos de Costa e Centeno dizem uma coisa, mas os factos dizem outra: a austeridade não só não acabou, como se agravou para os funcionários públicos, devido à manutenção dos salários nominais em 2018 e 2019. Os professores e todos os funcionários do Estado estão sujeitos a uma austeridade salarial clara e todos os portugueses sofrem uma impiedosa austeridade fiscal, via impostos indirectos.

Qualquer trabalhador do sector público pode fazer o seguinte cálculo: considere o valor da remuneração auferida em Dezembro de 2017; considere o valor da remuneração resultante do descongelamento das carreiras e do aumento faseado, tal como previsto, durante os anos de 2018 e 2019; ao valor do aumento registado no fim de 2019 subtraia o valor da inflacção no período em análise; verificará que o que melhorou não chega para anular a erosão do poder de compra do seu salário nominal. Recorde-se que a erosão aludida começou com o agravamento do IRS em 2013, prosseguiu com a sobretaxa e a revisão dos escalões e acentuou-se com a subida dos descontos da ADSE (de 1,5 para 3,5%) e da CGA (de 10 para 11%), subidas estas que não foram revertidas. [Read more…]

Director do futebol do Sporting detido no âmbito de investigação de corrupção

André Geraldes e outras três pessoas ligadas ao Sporting foram hoje detidas pela PJ, suspeitos de dirigir um esquema de compra de árbitros para garantir a conquista do campeonato nacional de andebol.

O brunodecarvalhização do Sporting

Fotografia: Miguel A. Lopes/EPA

Olhando para aquilo que foi a época futebolística do Sporting, a coisa não correu assim tão mal. Os leões ganharam a Taça da Liga, estão na final da Taça de Portugal, fizeram uma campanha muito digna na Liga dos Campeões, apesar do fosso que existe entre o Sporting (e qualquer equipa portuguesa) e equipas como o Barcelona ou Juventus, e por pouco não conseguiu o segundo lugar da Liga Portuguesa. Apesar de Bruno de Carvalho.

Para quem quer ser campeão, claro, tudo isto poderá saber a pouco. Ou a nada. Mas também podia ter sido muito pior. Não obstante, estes resultados não justificam, nem de perto, aquilo que ontem se passou. Nada justifica. Por isso é que o lugar das pessoas que ontem invadiram a academia de Alcochete, armados como criminosos que são, e que agrediram técnicos e jogadores, é a prisão. Algo que, muito provavelmente, não irá acontecer. O que é uma pena. O lugar dos delinquentes é na cadeia, para bem dos restantes, aqueles que vivem dentro de certos limites de civilidade, e que têm o direito a viver sem o medo constante de ser aterrorizado e espancado por grunhos acéfalos. [Read more…]

Aquilo que os professores não reivindicam

Sempre que os professores reclamam, o espaço da opinião pública e publicada incendeia-se, chamando privilégios a direitos, anunciando ao mundo a incompetência docente ou lembrando que há quem esteja pior, numa mistela de afirmações sem provas ou vazias de argumentação.

Por variadíssimas razões, que vão de um estranho complexo de inferioridade ao excesso de trabalho, os professores são pouco reivindicativos ou, no mínimo, mal reivindicativos, porque ou aceitam com demasiada facilidade factos consumados ou porque escolhem mal o momento de algumas batalhas (normalmente, desistem).

A mais recente reclamação dos professores refere-se ao tempo de serviço que este governo, alegadamente socialista, não quer repor na totalidade, depois de os professores terem trabalhado todo o tempo. É como se, no final de um dia de trabalho, dissessem ao leitor que só lhe pagariam uma das oito horas que já tinha trabalhado. A comparação, de qualquer modo, peca por defeito, porque os professores nem sequer exigem o dinheiro que perderam.

O mundo dos comentadores, dos célebres aos anónimos, dizia eu, indigna-se facilmente com os protestos docentes. Gostaria de aproveitar o dia de hoje para fazer uma pequena lista de reivindicações que os professores não fazem, mesmo que defendam a sua justeza. Se deveriam reivindicar? Com certeza, mas isso é outra questão. [Read more…]

A banca portuguesa é o cancro da nação

Até os terroristas da Moody’s concordam que o maior risco para Portugal continua a ser a banca. Esqueçam o que dizem os pulhinhas jornaleiros, que servem os pulhas que mandam nisto tudo: não trabalhamos pouco, não vivemos acima das nossas possibilidades nem somos despesistas, excepto nos casos em que o caro leitor acumula funções com a de pulha autárquico que usa dinheiro dos contribuintes para propaganda pré-eleitoral e derivados corruptos. [Read more…]

Sporting: corrupção no andebol sob investigação do Ministério Público

Já sabíamos que os leões são muitos fortes no mundo desportivo que existe para lá do futebol. Daí até comprar o título o nacional

Tensão no Prolongamento

José Pina chamou-lhe animal, Pedro Guerra levantou-se da cadeira e foi pedir explicações ao sportinguista, o ambiente ficou ainda mais tenso e o país ficou em suspenso, perante a possibilidade de uma cena de pancadaria em directo. Pobre Sousa Martins, espero que lhe paguem muito bem para aturar este circo. Mas, como dizia o outro “é disto que o meu povo gosta”!

A diplomacia portuguesa está de parabéns!

Fotografia: Gil Cohen-Magan/AFP@Middle East Eye

Hoje é um daqueles dias em que me sinto verdadeiramente orgulhoso por ser português e europeu . No dia em que os EUA trumpizados exibem ao mundo a sua mais recente canalhice pirómana, a União Europeia em peso não se fará representar na inauguração da embaixada americana em Jerusalém. Só mesmo alguma tralha fascista que por cá temos, residual e pouco representativa dos valores fundadores da União, marcará presença neste momento de radicalismo populista e incitação à violência. O KKK europeu a ser igual a si próprio.

Ainda que simbólico, este acto de rebeldia agrada-me. Como me agrada que os signatários europeus do acordo nuclear com o Irão não tenham cedido à chantagem do Adolfo nazi de cabelo laranja. Não sou antissemita, não embarco no radicalismo de culpar todos os israelitas pelos erros e abusos dos políticos corruptos e dos banqueiros terroristas que efectivamente mandam em Israel (e nos EUA), mas estarei sempre do lado do boicote a governos fascistas, belicistas, fanáticos e racistas, que não respeitam direitos humanos e que usam a tortura e o sofrimento de inocentes para impor a sua agenda política.

Por tudo isto, que não é pouco, quero endereçar os meus sentidos parabéns à diplomacia portuguesa, por, uma vez mais, optar por não fazer fretes a tiranetes.

130 anos da “Abolição” da Escravidão no Brasil

Hoje fanfarrões tentam evocar uma comemoração; 130 anos da escritura da Lei Áurea que terminaria com a escravidão no Brasil. Não há nada a comemorar.

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Finanças: instrumento ou ditadura?

No mundo global com que, de acordo com recomendações superiores, temos de nos conformar, a Economia deixou de ser uma ciência social ao serviço das pessoas e passou a ver as pessoas como carne para canhão em nome de conceitos económicos ao serviço do capitalismo selvagem representado por multinacionais e grandes banqueiros. Os governos, submetidos a ditames vários, usam os recursos dos respectivos países para ajudar ao sustento dos poderosos, preferindo entregar dinheiro a bancos e diabolizando os mais fracos, encarados sempre como empecilhos. A Economia, portanto, é apenas um instrumento ao serviço das Finanças (ou da Finança).

Não é possível defender a extinção da Economia, porque está no cerne de qualquer sociedade mesmo que primitiva, mas ignorar em absoluto o contributo dos especialistas ou as especificidades de tantas áreas é criminoso.

Na semana passada, houve reuniões entre técnicos do Ministério das Finanças “com presidentes dos conselhos de administração de alguns hospitais do Porto para discutir questões ligadas à oncologia pediátrica naquelas unidades de saúde.” Segundo parece, não esteve presente nenhum representante do Ministério da Saúde, facto que mereceu alguns comentários do bastonário da Ordem dos Médicos. É um mau sinal dos tempos. Mais um. [Read more…]

France: douze points

A história é simples, a de um bebé chamado Mercy que nasce numa embarcação de refugiados a caminho da Europa. Depois troca-se por ali as voltas ao significado de Mercy em inglês e de Merci em francês. A música é bem esgalhada e com potencial para irritar os governos húngaro, polaco, britânico e todo o refugo xenófobo de Le Pen a Beppe Grillo. Só por isso, mereceria logo à cabeça douze points. Entre as minhas favoritas estão também a da Irlanda e da Albânia.

As várias mensagens políticas da Eurovisão ao longo das décadas são muito bem abordadas num documentário do canal ARTE, intitulado “Eurovisions” (não disponível), onde se refere a canção de Paulo Carvalho que serviu de senha do 25 de Abril, as vitórias de Dana International e Conchita Würst ou a canção anti-Putin de Verka Serduchka.

Pode-se pensar o que se quiser deste que é o espetáculo televisivo mais popular da Europa, mas comparado com o conservadorismo do Super Bowl americano onde uma simples maminha causou escândalo nacional, prefiro a Eurovisão onde as avozinhas e as netas dão a vitória a um grupo de Heavy Metal finlandês, a um travesti israelita ou a uma mulher de barba austríaca.

Discriminação

Há tempos, o Q juntou-se ao LGBT. Acho que há uma clara discriminação face ao restante alfabeto.

A ajudinha de Trump ao “comércio livre”

Cecilia Malmström, a amazona europeia do comércio livre, tem um objectivo claro: arrematar o maior número possível de acordos comerciais e de investimento antes das próximas eleições europeias, marcadas para Maio de 2019.

Até lá, a coisa corre-lhe de feição, contando até com uma ajudinha de Trump. Porquê? Se por um lado o proteccionismo trumpista está a dar fortes dores de cabeça à comissária por via da ameaça de aumento das tarifas sobre o aço e o alumínio, por outro lado está a facilitar-lhe o trabalho. É que os vigorosos e alargados protestos de milhões de cidadãos europeus durante as negociações do TTIP e do CETA quedaram emudecidos, neutralizados, por via da sonora lógica maniqueísta: Trump é proteccionista e MAU, portanto o comércio livre é BOM. É como dizer que quem critica as derivações perversas do capitalismo é comunista. Uma estratégia populista e fácil, de que a Sra. Malmström se utiliza e desfruta para enfiar as esporas anti-democráticas e passar a galope acordos para o comércio dito “livre”, entendido à boa maneira neoliberal: privatização, liberalização, desregulamentação. Desenvolvimento sustentável?? Fica emoldurado para inglês ver num capitulozito muito jeitoso e simbólico, sem sanções. Porque o resto das mais de mil páginas dos acordos é gerido pela perspectiva que interessa: transladar – e aí sim, com mão de ferro – para esferas superiores e inteiramente fora do nosso alcance, as normas de tudo o que possa ser comercializado e garantir aos investidores a margem de actuação que tanto merecem. [Read more…]

A revolução saiu à rua no bolso do banqueiro

Cartoon via The English Blog

O CDS-PP juntou-se ontem à perigosa Geringonça para aprovar, com a abstenção do PSD, a obrigatoriedade da banca reflectir a queda da Euribor e o efeito dos juros negativos nos créditos à habitação. Não que os titulares destes créditos se preparem para receber uma pequena fortuna, mas sempre é melhor que um pontapé nas costas.

E agora, a parte interessante da coisa: foi preciso esperar até Maio de 2018 para que o Parlamento fizesse o seu trabalho, colocando um ponto final numa das muitas práticas extorsionárias de sector bancário, que não hesita uma milésima de segundo em reflectir todo e qualquer aumento da Euribor nos créditos à habitação, à mais ínfima parcela do cêntimo, mas que, até ontem, podia simplesmente fazer de conta que, quando a Euribor descia para valores negativos, a taxa de juro batia no zero e não descia mais. Porque sim. Uma das consequências de existirem tantos decisores públicos a viver nos bolsos de banqueiros e quejandos: tudo lhes corre de feição. Se não correr, o contribuinte está cá para lhes deitar a mão.

Amar pelos embaixadores

Fotografia: Manuel de Almeida@SIC Notícias

Imaginem o comentador Marcelo, à mesa da TVI com a Judite de Sousa, a comentar esta tirada do presidente Marcelo, durante a condecoração dos irmãos Sobral:

[Salvador e Luísa Sobral são] “embaixadores mais qualificados e mais eficientes do que a generalidade da nossa diplomacia

Havia de ter piada. Quem não achou piada foram os diplomatas, que, recursos estilísticos à parte, foram tratados abaixo de vencedor da Eurovisão, o que em muitos casos não anda muito longe da verdade, ou não estivesse a diplomacia portuguesa bem artilhada de boys partidários, apesar da sua boa fama internacional. Será que o presidente Marcelo se safava com nota positiva?

O Douro Internacional

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A eutanásia mata. A estupidez (ainda) não.

Eis a mais recente lapalissada do CDS-PP. Na sua campanha contra o direito individual de cada um decidir sobre a sua vida, o partido de Assunção Cristas saiu-se com esta obra de humor, digna de figurar no Inimigo Público. A eutanásia, dizem os centristas, mata. Thank you, Captain Obvious! É claro que a eutanásia mata. O objectivo é esse, amiguinhos! Sabemos que vocês gostam muito de liberdades individuais, principalmente aquelas que permitem a rebaldaria financeira ou o financiamento de colégios privados elitistas pelo depauperado erário público, e é com estranheza que verifico que optam por essa postura totalitária de negar um direito individual a quem vive em democracia. E são livres de o fazer. Mas um pouco mais de seriedade não vos ficava mal. Para fazer cartazes palermas, já cá temos a JSD.

Pelo direito a decidir morrer

Fotografia via The Local

David Goodall viajou até à Suíça, onde agendou a sua morte medicamente assistida para o dia de ontem. Aos 104 anos, e com a sua saúde a deteriorar-se mais do que o botânico australiano pretendia suportar, David decidiu morrer.

Não o pôde fazer na Austrália, como não o poderia ter feito na maior parte dos países do planeta, porque a liberdade individual é um conceito relativo. Mesmo nas orgulhosas democracias ocidentais, ainda existem aqueles que defendem que o direito a colocar um ponto final na nossa vida, ainda que manifestado por alguém na posse de todas as suas faculdades, lhe está vedado. Como se a vida de cada um fosse propriedade do Estado ou dos defensores do politicamente correcto. [Read more…]

O SC Braga é católico

braga_catolicismo
Em Braga, – já o sabíamos – somos todos católicos. Até o clube de futebol da terra é católico. Ou deve ser. A julgar pela presença do empresário da fé, D. Jorge Ortiga, na inauguração da Casa do SC Braga no Luxemburgo.
Deus nos ajude a conquistar os campeonatos todos.
Morte aos Infiéis!

Rock in Rio, a Maria Leal dos festivais de Verão

O Rock in Rio não é um festival de Verão como os restantes. No início tentou ser, e ainda fazia jus ao nome, com dois dias de rock mais ou menos pesado, mas hoje não passa de um parque de diversões, atropelado por uma avalanche de publicidade, com um cartaz que, no essencial, é feito de nomes de música pop, quanto mais mainstream, melhor, preços altamente sobrevalorizados e cartazes cada vez piores e com menos diversidade. Claro que isto é apenas a minha opinião. E haverá por aí muito boa gente a defender a necessidade de existir um festival de música pop pastilha elástica com estas características. Mas hoje descobri que a Lili Caneças está no alinhamento de um dos palcos e tudo fez mais sentido. O Rock in Rio é a Maria Leal dos festivais de Verão: até pode ter alguma piada (os Muse vão lá), mas no geral é uma pimbalhada em avançado estado de parolização.

A ingenuidade de João Miguel Tavares

É verdade que há uma tendência tribal para devolvermos ao outro lado as acusações, uma espécie de “quem diz é quem é” muito infantil. Isso nota-se nas discussões sobre futebol, quando criticamos o caceteiro adversário sempre que dizem mal do nosso caceteiro. Confirma-se na política, quando a alusão à imoralidade de uns despoleta referência à falta de ética dos outros.

Com José Sócrates sob fogo cerrado, há, é verdade, socialistas a lembrar a existência de Isaltinos ou de Relvas, mais os submarinos e os bêpêénes. João Miguel Tavares, no entanto, desvaloriza isso, colocando Sócrates num patamar superior a todos os corruptos de direita, garantindo que “aquilo que Sócrates procurou fazer nunca ninguém tentou antes: uma colonização feroz e autoritária de todos os ramos do poder – político, económico, financeiro, judicial e mediático.”
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Dêem-nos música

E isso interessa a quem? The show must go on. Cheers!

O ponto mais alto da Europa

Pedro Amaro Santos – Plataforma de Apoio aos Refugiados

O ponto mais alto da Europa fica em Atenas. É uma nova Acrópole com jardins suspensos como sonhos e estantes com livros como memórias. É tão alto que nem se mede em metros. Mede-se em passos. Passo-a-passo. Passos de pés com sapatilhas, com sandálias ou botas de inverno. Passos de adultos e de crianças. Passos tão grandes que atravessam montanhas e mares.

O ponto mais alto da Europa é tão alto que os alpinistas e os exploradores, por muito experientes que sejam, nunca lá chegarão. Curiosamente, quase que só é alcançável pelos inexperientes, pelos frágeis e pelos cansados. É tão difícil lá chegar que só lá chegaram os últimos de todas as corridas da vida. [Read more…]

Adolf Twitler, uma besta no comando

O acordo nuclear com o Irão sentou o regime xiita à mesa com o Conselho de Segurança da ONU e com representantes da União Europeia. E, questões ideológicas à parte, terá sido das poucas grandes vitórias da diplomacia internacional em muitos anos, algo que seria impensável uma década antes. Uma aproximação ao Irão.

Porém, o planeta é hoje governado por Adolf Twitler, um mitómano ensandecido que está aí para que a humanidade possa contemplar o produto acabado do capitalismo selvagem: um bronco com muito dinheiro, sem um pingo de honestidade, sem respeito por ninguém, sem noção do ridículo, com acesso directo ao maior arsenal militar e nuclear do mundo.

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Carta aberta à Doutora Fernanda Câncio

Da porteira. “A gente todos devíamos de ter vergonha de, nestes anos todos, ainda não nos termos conseguido livrar do joio para ficarmos só com o trigo, mal comparado.”

Ordenado mínimo abaixo dos mínimos

Segundo a CGTP, o salário mínimo, caso tivesse sido actualizado desde 1974, seria, actualmente, de 1268 euros, tendo em conta a inflação e a produtividade.

Não possuo dados que permitam confirmar ou desmentir esta afirmação, mas parece-me óbvio que, tendo em conta os factores apontados, o salário mínimo não poderia corresponder ao valor actual. Também me parece óbvio que uma pessoa, em Portugal, não pode viver, mal pode sobreviver, com o actual salário mínimo. Mais: quem ganha o dobro do salário mínimo, consegue sobreviver, porque viver é outra coisa.

Se, numa família com dois ou três filhos, houver dois salários mínimos, chegamos a um ponto em que o único pensamento é o de saber como chegar ao fim do mês com as contas todas pagas, num exercício de malabarismo cansativo ao ponto de ser desumano.

Os empresários também são gente, é verdade, e também têm contas para pagar, são também assaltados por um Estado que está ocupado, há vários anos, por gente que está ao serviço de interesses privados poderosos.

É tudo muito complexo, é certo, mas, num país civilizado, é preciso, no mínimo, pensar nas pessoas, a única razão de ser de um país, ao contrário do que gente indiferenciada chegou a afirmar.