O cheiro a trickle down economics pela manhã

EDP Renováveis, Galp, Jerónimo Martins e vários bancos portugueses, com destaque para BCP e BPI, continuam a anunciar lucros recorde, num ano em que os preços da energia e dos alimentos aumentaram sucessivamente, e em que a banca, que pontualmente resgatamos, e que oferece uma das piores taxas remuneratórias para depósitos a prazo da UE, obteve ganhos fabulosos resultantes do aumento dos juros impostos pelo BCE.

E vocês, também adoram o mercado a funcionar e o cheiro a trickle down economics logo pela manhã?

Finalmente, uma boa notícia!

Neste desastre em curso que vivemos, algo positivo aconteceu: a inflação desceu pelo segundo mês consecutivo, para o valor mais baixo desde Outubro 2021. Melhor que um pontapé nas costas.

Pior do que o For Whom The *Bells Tolls

de Nathan Fletcher para os Metallica, só este “*guitarist of Nirvana” de Conan O’Brien & Co. para o Novoselic.

Ser Mulher

Apesar de isto não ser nada mais que algo não essencial no enorme leque de problemas que enfrentamos por estes tempos, acho que é altura de chamar os “bois pelos nomes” mesmo numa questão apenas acessória. Até porque não deixa de ser simbólica e demonstrativa de outras questões bem mais relevantes.

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“A verdadeira linha divisória entre Israel e a Palestina”

Excelente artigo de Slavoj Žižek, no DN, sem paywall.

Conflito Hamas-Israel: um raro momento de sensatez

O Hamas lançou-nos uma armadilha, e esta armadilha é de máxima horripilação, de máxima crueldade. E assim, há o risco de uma escalada militar, de mais intervenções militares, como se pudéssemos resolver um problema tão sério quanto a questão palestiniana com exércitos.

Existe também uma segunda grande armadilha, que é a do ocidentalismo. Encontrámo-nos encurralados, com Israel, neste bloco ocidental que hoje está a ser desafiado pela maioria da comunidade internacional.

[Apresentadora: O que é o ocidentalismo?]

O ocidentalismo é a ideia de que o Ocidente, que geriu os assuntos mundiais durante cinco séculos, poderá continuar a fazê-lo silenciosamente. E podemos claramente ver, mesmo nos debates da classe política francesa, que existe a ideia de que, perante o que está a acontecer actualmente no Médio Oriente, devemos continuar a lutar ainda mais, em direcção ao que poderá assemelhar-se a uma guerra religiosa ou civilizacional. Ou seja, isolar-nos ainda mais no palco internacional.

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Com amigos destes…

Foto: Wichan Charoenkiatpakul
https://www.bangkokpost.com/thailand/general/2668714/anti-israel-protest-draws-300-at-embassy

Esta onda pró-palestiniana é como sempre foi, o cúmulo da hipocrisia. A maior parte desses trafulhas está-se perfeitamente a marimbar nos Palestinianos. São apenas um pretexto que esconde o verdadeiro motivo: o ódio a Israel, aos EUA e ao Ocidente.

Porque se realmente se preocupassem com os habitantes de Gaza, viravam-se, óbvia e logicamente, para os verdadeiros responsáveis do drama que agora ali se vive: o Hamas.

Factos:

– o Hamas bombardeia diariamente Israel, mas a exigência de uma “pausa” é apenas dirigida a Israel;

– o Hamas esconde-se deliberadamente atrás (melhor, debaixo) dos seus próprios compatriotas de tal forma que não é possível atacar o seu aparelho militar sem atingir civis; mas a culpa disso é exclusiva e certamente de Israel porque ainda não ouvi um único pró-palestiniano a exigir que o Hamas desloque as suas instalações para zonas onde não hajam civis; um único;

– há anos e anos que o Hamas faz entrar em Gaza diária e ininterruptamente toneladas de equipamento militar e logístico através de uma rede infinita de túneis; mas a culpa de faltar alimentos, medicamentos, combustíveis, etc., é de Israel; mais uma vez, não houve um único pró-palestiniano a exigir ao Hamas que transporte e distribua os bens necessários aos seus compatriotas;

– não me lembro de alguma vez os inimigos de Israel terem avisado as populações para fugirem porque iam atacar; fazem-no sempre de forma cobarde e sem qualquer prévio alerta humanitário; principalmente porque o objectivo é mesmo matar o maior número possível de civis Israelitas; mas para estes pró-palestinianos, o monstro hipócrita e criminoso é Israel que sempre teve o cuidado de o fazer com o objectivo de minimizar os danos colaterais; houve algum destes trafulhas esquerdistas que tenha exigido ao Hamas que ajude a população de Gaza a deslocar-se para áreas menos perigosas? Não, claro que não porque na verdade se estão a marimbar para os Palestinianos; a única coisa que lhes interessa é mesmo e tão só arranjar pretextos para atacar Israel. 

Pobres dos Palestinianos se o seu futuro, se a sua Nação depender destes asquerosos hipócritas. Até porque a pior coisa que podia acontecer a esta repulsiva esquerda é que a Palestina tivesse paz, que a Palestina seja um País independente e soberano e que a solução dos 2 Estados seja realmente alcançada. Enquanto houver guerra, têm algo para berrar. Enquanto houver guerra podem continuar a tentar enganar quem os não conheça e repulsivamente proclamarem-se defensores daqueles que, na verdade, desprezam porque apenas os consideram um meio.

Aliás e por incrível que pareça, a maior esperança da Palestina árabe é mesmo Israel. A maior esperança para a Palestina são os que defendem Israel. Porque não há melhor condição para a paz que a segurança de Israel. Porque só no dia em que Israel saiba que não corre perigo (e lembre-se que está sob ataque desde o seu 1º dia de independência e que não é um ataque qualquer; é um ataque que visa a sua aniquilação total), estarão criadas as condições para um efectivo Estado Palestiniano. 

O resto são tretas de quem enredado nos seus dogmas imbecis e absurdos nem percebe o mal que continuam a fazer ao mundo.

Workshop: Como viciar um concurso público

Passo 1: escolher o familiar, amigo ou potencial “doador” a quem se quer adjudicar determinado serviço.

Passo 2: pedir ao familiar, amigo ou potencial “doador” escolhido para criar um caderno de encargos com elevado grau de complexidade, de tal forma limitativo que garanta que será quase impossível aos possíveis concorrentes conseguir atender a todas as exigências em tempo útil. Excepto ao prestador previamente escolhido, conforme definido no Passo 1, que foi devidamente informado antes da abertura do concurso, para garantir que será o único a cumprir o caderno de encargos por si criado. [Read more…]

Medina no Parlamento: nona dúvida do OE2024 por esclarecer

The tradition that Shun was buried in the ‘Mountain of Nine Doubts’ (九疑山) near the source of the River Xiang, and the Chu cult of Shun under his name of Chong-hua Ag were certainly ancient.
— David Hawkes, The Heirs of Gao-Tang (1984)

***

Ao rol de oito dúvidas dos deputados, acrescento esta: acha que um documento com esta qualidade merece discussão?

Já agora, uma décima: leu o Diário da República de hoje?

Não é preciso requerimento.

No entanto, se insistir, pode preencher este modelo de anteontem.

Agradecido.

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Os homens do Hamas são “guerreiros santos”

O Hamas não é terrorista, mas uma organização patriótica que defende o seu povo e o seu território (…) São guerreiros santos.

Quem terá proferido estas declarações?

Ali Khamenei?

Sayyed Hassan Nasrallah?

Vladimir Putin?

Ismail Haniyeh, o hóspede de luxo do ditador do Qatar que gere o Hamas a 2000km de distância?

Bashar al-Assad?

Nada disso: foi Recep Tayyip Erdogan, o autocrata que lidera a Turquia, membro da NATO que ocupa a posição político e geoestratégica mais influente nos dois conflitos em curso às portas da Europa.

Aquele a quem pagamos milhões para impedir a passagem dos refugiados que tentam entrar na Europa vindos do Médio Oriente.

Mas não se preocupem. Desde que os interesses estratégicos dos EUA estejam devidamente acautelados, tem tudo para correr bem.

Teresa Violante explica as consequências do capitalismo selvagem às criancinhas

Na Polónia, a desvalorização do Estado social e dos direitos sociais foi um dos fatores que levou a maioria da população a identificar-se com um projeto assente na corrupção do poder político, no ataque à independência judicial e aos limites ao poder executivo. A degradação do Estado social contribui para a erosão das democracias liberais. Esta é uma lição urgente para a Europa.

O restante artigo está aqui e merece ser lido com atenção. A solução para abater o populismo e os novos autocratas ocidentais e reforçar o Estado Social e combater as desigualdades. Simples assim.

Entretanto, no país onde é mais fácil comprar uma semiautomática do que uma cerveja

um terrorista massacrou 22 pessoas e feriu + de 50 em Androscoggin, Maine. A liberdade de todos comprarem armas como quem compra pão tem corrido maravilhosamente nos EUA.

António Guterres e a coragem de constatar o óbvio

António Guterres não normalizou a violência do Hamas. Muito menos a legitimou. Limitou-se a constatar o óbvio.

O absurdo é tal que há quem nos queira fazer crer que Guterres não condenou o ataque do Hamas, quando o fez sem qualquer tipo de contemplação.

Eis o que disse Guterres:

É importante reconhecer também que os ataques do Hamas não aconteceram no vácuo. O povo palestiniano foi submetido a 56 anos de ocupação sufocante. Viram as suas terras serem progressivamente devoradas por colonatos e assoladas pela violência, a sua economia está asfixiada, a sua população deslocada e as suas casas demolidas. As suas esperanças de uma solução política para a sua situação têm vindo a desaparecer. Mas as queixas do povo palestiniano não podem justificar os terríveis ataques do Hamas, e esses terríveis ataques não podem justificar a punição colectiva do povo palestiniano.

Subscrevo cada palavra. E sinto orgulho na imensa coragem que demonstrou com esta declaração. Senti-me representado. Guterres bem. Muito bem.

Guterres

Foto: Lusa/Observador

Querem compreender o que o Guterres realmente disse? Ainda por cima, estando eu convencido que isso foi deliberado quer pela tibieza que sempre demonstrou quer pela configuração ideológica que o sustenta quer ainda pela incapacidade de encarar seriamente o mundo árabe. É muito facil.

Substituam alguns elementos naquele discurso. Por exemplo, “condeno inequivocamente o holocausto nazi; mas o holocausto não surgiu do nada; a Alemanha foi sujeita a enxovalhos e humilhações durante mais de 20 anos”.

Compreendem o alijar de culpa que está implícito? Compreendem o repartir de responsabilidades que se pretende suscitar?

E não venham com considerações que não é possível comparar o 7 de Outubro ao holocausto. 7 de Outubro foi apenas um dia e além de ter implicado 1400 mortos, revelou um nível de bestialidade e selvajaria provavelmente superior à desumanidade nazi. O holocausto durou aproximadamente 5 anos.

Israel na primeira pessoa

Israel não é uma democracia, não é um Estado de Direito, não tem liberdade de expressão nem de imprensa, não cumpre o Direito Internacional, não respeita as resoluções da ONU. Israel é um Estado confessional, um regime de apartheid, um enclave geoestratégico feito em nome do trauma do Holocausto para executar outro, desta feita contra os palestinianos. A sua fundação, com o acordo dos EUA, Europa e URSS, foi feita à custa da segregação e limpeza étnica do povo palestiniano, e definiu os padrões do terror que se vive desde então no território. Israel é o problema. Tudo o mais são consequências que lhe devem ser imputadas.

A “nova” ordem mundial

O interesse desta gente tão “moderninha” é retirar os EUA e a UE da liderança mundial para lá colocar (se não for em posição de domínio, pelo menos a par) “novos” referenciais de autoridade: China, Rússia, Índia, Irão, Coreia, etc.

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A mentira tem perna curta

Grande parte dos comentadores que aparecem na televisão a fazer juízos sobre o presente conflito na Palestina e que dão opiniões quase só determinadas pela sua filiação ideológica (convenientemente encoberta) que os obriga a ser fundamentalmente apenas e só contra o bloco Israel/EUA, nem percebem que basta parar um pouco e analisar lucidamente o que dizem para se tornar clara a enorme discrepância de razão entre as partes que estão em guerra. Apesar do interesse deles ser exactamente o oposto e porque a mentira tem “perna curta”, são eles próprios a corroborar a perspectiva correcta.

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Efectivamente, ninguém a pára

Not all these concepts are attested in every Oceanic language, but enough traces exist to enable linguists to follow the trail.
— Christina Thompson, Sea People

She can’t be stopped.
David Letterman

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Até o Expresso, esse paladino do Acordo Ortográfico de 1990, sabe que o dito cujo é ridículo.

Perante esta recaída, percebe-se que, com um bocadinho de coragem, decência e competência, o Expresso e a Lusa acabam com esta farsa num instante.

Exactamente.

Ninguém a pára.

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Verdades absolutas

– desde 7 de Outubro, o Hamas dispara dezenas de mísseis sobre o território de Israel, mas esse bombardeio é do “bom” porque Israel tem a capacidade de interceptar os projécteis, isto é, se o não fizer ou o não conseguir, a culpa exclusiva é deles e nunca do Hamas que, coitadinhos, além de nitidamente não quererem magoar ninguém, apontam sempre e cirurgicamente a alvos militares; pois;

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Automóvel, a galinha dos ovos de ouro…

Com o objectivo de aumentar a venda de automóveis novos, mais eficientes e seguros, em 2007 o governo de José Sócrates alterou a tributação automóvel, aprovando o Código do Imposto sobre Veículos e o Código do Imposto Único de Circulação e abolindo, em simultâneo, o imposto automóvel, o imposto municipal sobre veículos, o imposto de circulação e o imposto de camionagem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Hamas: qual é a dúvida?

Há algo que me deixa perplexo na discussão em torno do conflito entre Israel e a Palestina, que é a facilidade com que algumas pessoas legitimam o Hamas.

E por isso é bom recordar que, antes do atentado de 7 de Outubro, o Hamas já governava Gaza de forma sufocante. Não há liberdade de expressão, as minorias têm zero direitos, as execuções sumárias são uma constante e a utilização de civis como escudos humanos não é uma fantasia.

E sim, o Hamas construiu instalações militares próximas ou coladas a bairros residenciais, escolas e hospitais.
Se isso legitima décadas de ocupação e crimes de guerra de Israel? [Read more…]

Foto-galeria: a extrema-esquerda e a legitimação dos crédulos

Imagens históricas de líderes extremistas de esquerda em visitas diplomáticas (mai$ ou m€nos). 

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Falsas equivalências

Enquanto ao comunismo e à extrema-esquerda não for imposto o justo, lúcido e lógico anátema que é imposto à extrema-direita, ao nazismo e ao fascismo, todas as discussões políticas estarão, à partida, viciadas.

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Trânsito condicionado na Rotunda da Boavista devido a queda de árvore

Uma pessoa de família enviou-me hoje uma mensagem, dizendo-me que a médica (com consultório na zona da Areosa) ia chegar atrasada: uma árvore tinha caído na Rotunda da Boavista e o trânsito estava um caos.

Cheguei a casa e fui ler as notícias.

Portanto, confirma-se que, efectivamente, caiu uma árvore na Rotunda… Não?

Ah! OK. Siga.

Os meus terroristas são melhores que os teus

Há uns tempos, acerca das declarações de Marcelo Rebelo de Sousa sobre os incêndios de Pedrogão, Ricardo Araújo Pereira notou que o Presidente começou por “Antes de mais, quero dizer que sou um ser humano” e que isso fazia falta. E parece que não era só aí. Os seres falantes que vemos por aí deveriam começar por se identificar para saber se vale a pena continuar a ouvir ou se vamos apenas assistir a uma subversão aos donos. A maioria dá mesmo vontade de ir lá dizer baixinho ao ouvido “diz lá algo de ser humano”.

Mais uma vez, o mundo percebeu que um conflito existe. Tal como aconteceu na Ucrânia, muitos colocam a mão à boca totalmente chocados com algo que não é de hoje. Tal como sempre, o ocidente só acorda para um conflito quando se sente minimamente afetado. Enquanto os conflitos são negócios lucrativos para a restante Europa e para os EUA, tapamos os olhos e beneficiamos disso. O meu lado político tem tendência para lhe chamar mercado livre. Enquanto temos uma direita que ignora atrocidades a troco do bem-estar de uma pequena parte da humanidade da qual fazemos parte, temos uma esquerda que tapa os olhos a atrocidades se estas afetarem a UE e os EUA. Todas estas posições são de um fanatismo atroz. Decidem em escritórios no centro de Lisboa o que declaram sobre situações que tiram vidas a pessoas diariamente. Eu também costumo mandar umas bocas meio-parvas no descanso do meu sofá. No entanto, é a insinuar que até eu marcava o que o Galeno falhou na Supertaça, não é a brincar com vidas de pessoas. [Read more…]

António Costa, o bom aluno

Tenho aqui uma reflexão para partilhar convosco.

É o seguinte:

O governo anunciou um excedente orçamental de 0,8%. Qualquer coisa como 2.190.000.000€.

Há quem olhe para isto e veja o copo meio-cheio.

Eu vejo um governo que optou por andar mais rápido do que aquilo que se propôs, para mostrar a Bruxelas que é o “bom aluno”, prejudicando, para o efeito, o funcionamento dos serviços do Estado.

Prejudicando as condições dos profissionais da Educação, da Saúde, da Justiça e da generalidade da Administração Pública.
Com as consequências que se conhecem: greves, escolas disfuncionais, urgências encerradas e processos adiados e prescritos.

E porquê? [Read more…]

Outra oportunidade perdida

Depois de Santana Lopes ter vindo “esta quarta-feira afastar-se da corrida presidencial”, era ter atalhado imediatamente: «Já que fala nisso,  então “agora facto é igual a fato (de roupa)”»?”

Vamos comer gelados com a testa…

Eu ainda não tinha percebido o que ganhava Israel com o ataque a um hospital. Mesmo sabendo de que são feitos os gajos do Hamas ainda não tinha percebido o “para quê” pois Israel já não está bem visto na foto e não era preciso tanto para ficar pior (pois, como diz o outro: pior que está não fica). Até ver o Rei da Jordânia cancelar a reunião entre ele, a Autoridade Palestiniana, o presidente do Egipto e Biden.

Não é só uma questão de humilhação para os EUA. É mesmo rumo à capitulação de Israel e perda total da influência do ocidente. Que nem ginjas para o Irão (localmente) e a China globalmente com a Rússia pela trela e os EAU a acreditarem que se vão safar pelo caminho. E os Palestinianos? Para todos estes a conclusão é óbvia: que se lixem, servem para usar e deitar fora (como sempre o foram para os seus “amigos” ao longo dos séculos. Touché China….

No final desta história, se tudo correr como planeado, o Hamas será decapitado, os palestinianos deixados ao Deus dará (no caso, Alá dará), a Rússia fica com o rebuçado ucraniano, os EUA elegem Trump e fecham-se sobre si próprios e o que resta do chamado mundo ocidental terá de aprender mandarim e continuar o “business as usual” com uma trelinha dourada um pouco melhor que a enfiada aos russos….

Democracia representativa sim, mas só quando interessa ao PSD

Quando o PS ficou em segundo lugar nas Legislativas de 2015 e, ainda assim, conseguiu maioria parlamentar para governar, parte muito significativa da direita portuguesa traduziu “democracia representativa” para “golpe de Estado”. O PSD esteve na linha da frente da narrativa.

Anos mais tarde, quando o PSD ficou em segundo lugar nos Açores e construiu a sua própria geringonça, a narrativa do golpe de Estado desapareceu e foi substituída pelo som de grilos a cantar numa noite de Verão. [Read more…]

A mão invisível

É conhecida a teoria liberal, de que o mercado se regula por si mesmo.

No fundo, tudo se resume à ideia de que numa economia livre, o mercado regula-se por uma espécie de mão invisível que vai acertando, entre a oferta e a procura, o preço dos bens, sem necessidade de intervenção de terceiros – seja o Estado ou qualquer outra entidade.

Quem quiser perceber melhor a ideia, é ler “A riqueza das nações” e a “Teoria dos sentimentos morais”, de Adam Smith. E, depois, aconselho a apreciarem os resultados obtidos sempre que se optou por dar rédea solta aos mercados e abdicar-se da regulação. Uma dica: comecem pelo mercado financeiro.

Mas, adiante.

Olhando para o Orçamento do Estado apresentado pelo Governo para 2024 (numa sessão digna de entrega de Óscares), detecta-se que houve uma adaptação da lógica da mão invisível.

Neste caso, o que o Governo pretende fazer é recuperar com a mão invisível dos impostos sobre o consumo, a propriedade e outros, o que estará a dar (ou a não tirar tanto) com a alteração dos escalões do IRS.

Na verdade, não está bem a recuperar: está superar. Pois que, na prática, e pelas contas apresentadas por diversos economistas, aquilo que o Governo espera arrecadar com a mão invisível, supera aquilo que anuncia dar (ou não tirar tanto dos bolsos) aos contribuintes na tributação sobre os rendimentos singulares.

No fundo, é tirar aos ricos para dar aos pobres, numa versão cínica de Robin dos Bosques, pois que os ricos e os pobres são exactamente os mesmos: a classe média. [Read more…]