Constâncio, o mágico

Já nem me lembro quantas vezes Constâncio nos retirou da recessão. Hoje foi mais uma. Também tenho as minhas previsões: a credibilidade do Banco de Portugal vai descendo, e descer ainda mais, atingindo em meados deste ano o grau de boneco animado: este mesmo que aqui vos deixo.

Quantos 25 de Abril houve? (Vasco Lourenço responde a Manuel Bernardo)

continuação daqui

Carta aberta do coronel Vasco Lourenço ao coronel Manuel Bernardo, que se referiu àquele na carta aberta que enviou a Marcelo Rebelo de Sousa a propósito vdo lançamento do livro do coronel Sousa e Castro

Pergunto-me se vale a pena gastar tempo e energias com o Manuel Bernardo (MB). As suas acções no passado criaram-lhe um tão grande perfil de descredibilidade que me parece ser tempo perdido… De facto, só quem gosta de ser enganado é que ainda lhe dá crédito…

O ter presente o velho ditado de “água mole em pedra dura…” leva-me a, perante as investidas que me vem fazendo – ainda não consegui atingir o porquê de me ter eleito como alvo preferido das suas ofensas – esta tomada de posição, que conto possa trazer algum esclarecimento e alguma luz a quem esteja mal informado, mas de boa fé.

1. Em primeiro lugar, recuso liminarmente o título que MB colocou em mais uma das suas diatribes: como afirmei já mais que uma vez, não sei mentir, não invento estórias, os factos que conto são verdadeiros. Por muito que alguns MB os tentem contrariar. Neste caso, para além de não apontar nenhum facto concreto, a sua falta de credibilidade é a minha melhor defesa.

Importa aqui recordar a sua reacção, quando alguém lhe chamou a atenção para o facto de ele saber que as afirmações que faz no seu último livro sobre mim e a minha actuação na Guiné não corresponderem ao que se passou, não estarem correctas, estarem deturpadas: ” está bem, mas eu tinha umas contas a ajustar…” afirmou, com o maior à vontade dos mentirosos e dos cínicos! [Read more…]

E eu que pensava que podia agir sempre igual!

Ensaio de Antropologia da Educação

Era o que os meninos comentavam. Numa das muitas sessões que fizemos ao longo do tempo. Com toda essa equipa em Portugal, Espanha, França, Chile, Angola, Brasil e noutros países. Equipa que me tem permitido viver a Antropologia da Educação. Essa Antropologia que nos faz viver de forma diferente, quando pesquisamos. E depois. E durante. E nos sonhos. E na interacção. Que nos confronta com o poder público que gere o nosso Estado. Essa, que Meyer Fortes, tantas vezes referido nos meus trabalhos, empurrou entre os Tallensi do Trans-Volta, no antigo Ghana. E no nosso imaginário. Eu nunca tinha pensado que havia esses agir propositados, incumbidos na mente. Na mente desse ser que está a entender, a pouco e pouco, o que no mundo anda a acontecer. E que o surpreende às tantas, e às tantas o deixa igual. O pai não quer, é uma frase reiterada nas culturas; a mãe não deixa, seria outra; se o tio souber? E a vizinha? E o Senhor Padre? E o professor? E o que aconteceu ao Capuchinho Vermelho por não aceitar? O lobo a comeu, Sr. Doutor. A Catequese já diz que é preciso obedecer. A quem de entre todos, é que a catequese não diz. Mas, nestes países latinos, como nos outros que tenho estudado de crendices não universais, o ensino do que e como fazer, está definido. Da forma heterogénea que eu gosto de bisbilhotar. Da forma heterogénea que o grupo onde calha andar, me ensina. No seu dizer, no seu fazer. [Read more…]

Contos Proibidos: Memórias de um PS Desconhecido. Mário Soares e o 25 de Novembro.

continuação daqui

O antigo chefe de gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros e secretário-geral do PS, Vítor Cunha Rego, tivera contacto anteriores ao 25 de Abril com o chefe da CIA em Lisboa, John Morgan. Após o assalto ao «República» e quando Carlucci adquirira a certeza de que Soares entrara no «bom caminho», seriam designados Cunha Rego e Bernardino Gomes para veicular os futuros contactos e o apoio da CIA ao PS.

Com o caso «República» ainda fresco e tendo em conta que aquela organização considerava prioritárias as acções na imprensa e em editoras, como o senador Edward Boland de Massachusset apuraria no final dos anos 70, foi decidido combater a predominância do PC nestes sectores. Assim nasceria a editora «Perspectivas Realidades», ao mesmo tempo que era adquirido o edifício onde iria funcionar a CEIG, Cooperativa de Edições e Impressão Gráfica, com a finalidade de imprimir o diário «A luta» em substituição do «República». O contacto americano era um «operacional» das chamadas «covert operations», ou operações clandestinas, da CIA, a que chamarei apenas KC. (…)

Em entrevista à TVI e a Miguel Sousa Tavares na SIC [1994], o Presidente da República [Mário Soares], para além de se colocar no papel de principal líder da resistência à tentativa comunista de 25 de Novembro, adiuantaria que, de facto, «conspirara» com Callaghan e os serviços secretos ingleses, embora negasse qualquer apoio dos norte-americanos. (…) Mas o general Ramalho Eanes, um pouco esquecido pelos media, viria a contestar o paperl de Mário Soasres no 25 de Novembro, afirmando poder «garantir que a versão dos mesmos apresentada pelo Dr. Mário Soares contém algumas inverdades». Chegaria mesmo a acusar o seu sucessor de pretender adulterar a história, de não ter lido os documentos oficiais sobre o 25 de Novembro e de ter tendência para valorizar os seus contactos internacionais. Mas, segundo refere, «a verdade é que os militares trabalharam essencialmente com matéria-prima nacional». [Read more…]

Os maus professores têm calos no cu

Num momento em que tanto se fala do acordo entre Ministério e Sindicatos, penso que é necessário trazer à colação um critério que podia e devia ser utilizado em qualquer avaliação do desempenho de professores: o toque rectal.
Perguntarão os leitores mais maliciosos se eu ando a frequentar sítios menos adequados para um pai de família. Nada disso, seus maroteiros. A minha afirmação decorre da experiência, própria de quem lecciona há mais de 16 anos.
Com efeito, um mau professor é aquele que se senta na sua cadeira no início da aula e não mais se levanta até ao fim da mesma. Dá a aula dali, da cadeira. Fala para os alunos esticando o pescoço para poder vê-los. E repete a façanha, aula após aula, dia após dia, semana após semana. Ao fim de alguns anos de carreira, o seu rabo está quadrado e cheio de calos. Mas a progressão, essa, está sempre garantida.
Aproveitemos o que se está a fazer nos Aeroportos, com o «scanner» total dos passageiros, e apliquemo-lo ao processo de avaliação de professores. Mas neste caso, basta fazer um «scanner» muito específico que logo se obterão as respostas pretendidas.

Meu Querido e Adorado Gay

NOVOS CASAMENTOS, NEGÓCIOS DE MILHÕES

Não havendo um censo, estima-se que haja em Portugal cerca de um milhão de homossexuais. Dez por cento da população. Tantos quantos os apoiantes que reclama o poeta.
Mas não misturemos as coisas, o poeta nada tem a ver com este assunto. Só serve como comparação estatística.
Ora este milhão de pessoas, é muita gente.
Segundo as notícias com que todos os dias nos vão inundando, esta comunidade exultou com a possibilidade de se poderem casar. Festas, festinhas e festarolas, aconteceram por esse País fora. Dá para pensar e supor que nos próximos tempos, poderemos vir a ter um incremento do número de casamentos.
Aqui chegados, ponho-me a pensar nos verdadeiros motivos que nortearam o nosso querido e adorado líder, Sócrates II O Dialogador, quando propôs e fez aprovar, com uma maioria de esquerda apressada e medrosa, a Lei que consagra a possibilidade de os homossexuais casarem.
Não acredito que o nosso Primeiro queira casar com alguém do mesmo género, ou que tenha amigos ou familiares que o queiram fazer, e que por essa razão tenha decidido propor tal Lei.
Não acredito que o nosso Primeiro tenha por esta comunidade um tal apreço, que tenha decidido ajudá-los nas suas pretensões, só porque sim.
Por fim, também não acredito que o tenham norteado as ideais de um Portugal melhor, mais solidário e mais progressista.

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Vergonha!

Ao ler ESTE brilhante editorial sobre ESTA notícia já comentada pelo ETERNO capitão, só posso exclamar: VERGONHA!

Externato de Braga: Olha se fosse na escola pública!

Ao que parece, um aluno de 16 anos do Externato Carvalho Araújo, em Braga, disparou sobre um colega à entrada do estabelecimento de ensino. Diz a PJ que o disparo foi acidental.
Olha se fosse na escola pública! A violência no ensino público, as escolas que não formam, a falta de segurança, a culpa é dos professores, no ensino privado não há destas coisas e por aí fora.
Como estamos a falar de ensino privado, ah e tal, foi acidental. Alunos a fumarem e a drogarem-se dentro dos colégios? É acidental. Alunos a fazerem sexo e a ficarem grávidos dentro dos colégios? É acidental. É sempre acidental.
Ah, e os «rankings», claro, também são sempre acidentais.

Mais sobre o Externato Carvalho Araújo aqui e aqui

O que se diz por aí

A política externos dos EUA é cheia de coincidências. O facto de estarem em vias de duplicar o armamento em Israel é mais um desses casos. Claro que nada tem a ver com o Irão. A minha dúvida é se, por acaso no tempo de George W. Bush se faria de modo diferente?
Espero que as forças de segurança portuguesas, nos preparativos da recepção ao Papa, se lembrem de estarem atentas ao pessoal que adora atirar-se ao Santo Padre. Este deve ser o Pontífice mais assediado de todos os tempos. Mas, entretanto, a Protecção Civil que cuide de tratar das estradas do Distrito de Lisboa.
Até lá, o povo que se preocupe com o mau tempo que veio para ficar. Isto até parece que estamos no Inverno…
Bem pior está quem vive em Ciudade de Juárez que foi considerada a cidade mais perigosa do mundo. Conseguir bater Bagdade é obra!
Já em Portugal, parece que Catarina Furtado vai andar aos tiros, numa nova série televisiva que se chamará “Cidade despida”, que, por mero acaso, é a tradução do título da série policial norte-americana “Naked City”. A originalidade da nossa produção televisiva é um espanto. Mas os tiros não ficam por aqui, pois pelos vistos um aluno foi baleado num externato em Braga.
Por fim, parece que os alegados etarras queriam instalar um fábrica de bombas em Portugal. Aqui está um tipo de investimento estrangeiro que não tem interesse nenhum para Portugal.

É um governo de esquerda, claro

O agravamento de impostos sobre as mais-valias de acções não avançará este ano. Segundo o Diário Económico apurou, o Governo não deverá incluir no Orçamento do Estado para 2010 qualquer medida no sentido de aumentar a carga fiscal sobre os lucros conseguidos com a venda de acções.
Desta forma fica pelo caminho a medida prevista no programa de Governo do PS de “aproximar o regime de tributação das mais-valias mobiliárias ao praticado na generalidade dos países da OCDE” e contraria a recomendação do grupo de especialistas que apresentou um relatório de política fiscal em Outubro passado, a pedido do Ministério das Finanças, onde defendia a tributação das mais-valias.

Via Pedro Magalhães, que escreveu Um  post populista a não perder.

Bolsa para Totós

Se fosse editado hoje, A Bolsa de Max Weber seria certamente publicado nesta famosa colecção dos totós.
Publicado em 1894 como um conjunto de 2 textos destinado ao grande público que talvez considere a bolsa como “uma associação de conspiradores vivendo da burla e da gatunice, à custa do honesto povo trabalhador” e com o objectivo de explicar o funcionamento dos mercados bolsistas, esta obra, que li na versão portuguesa da Relógio D’Agua Editores traduzida por Rafael Gomes Filipe é obrigatória para quem quiser perceber como chegamos à complexidade do actual mundo financeiro.

É curioso como a especialização que tinha como objectivo partir um problema em pequenas partes de forma a que através dessa simplificação esse problema se tornasse resolúvel, acabou no fim por tornar um qualquer problema numa amálgama de pequenos pormenores que dificultam ter aquilo que na moda actual se chama de visão holística.

Assim, para mim pelo menos, ter uma visão histórica ajuda a perceber a realidade de hoje na medida em que apresenta de uma forma condensada e coesa aquilo que no mundo actual podem ser várias áreas de conhecimento que eventualmente já nem têm grandes pontes entre si.

A propósito dos tempos que correm, de bancos “too big to fail” mas que passado um ano já estão a dar aos lucros habituais, e pegando só numa das (muitas) partes que este pedagógico A Bolsa de Max Weber refere não posso deixar de transcrever estas 2 frases:

“(…) não existem na bolsa transacções que, em razão da sua forma, seja em si mesmas «sérias» ou «pouco sérias», mas apenas homens de negócios sérios ou pouco sérios que se servem destas formas. A bolsa é uma questão de pessoas.”

“A transição de uma transacção com fins comerciais para uma pura operação especulativa de agiotagem é muito fluida, é progressiva e imperceptível(…)”

Bolinhos de bacalhau na Salon

Francis Lam, o cozinheiro de serviço na revista Salon, dedicou algum do tempo dele a preparar e sugerir os bolinhos de bacalhau, uma receita portuguesa dos sete costados.

Se não souberem como se faz, aprendam com ele.

Memória descritiva: neste dia…

Neste dia, 12 de Janeiro, passaram-se muitas coisas. Entre muitas dezenas de acontecimentos, escolhi quatro dias e cinco factos, tantos quantos os dedos de uma mão. Vamos então a esses dias e factos, todos eles dramáticos.

Em 12 de Janeiro de 1431, teve início em Ruão o processo contra Joana d’Arc, acusada da prática de bruxaria. Como se sabe foi condenada e executada em 30 de Maio seguinte. Heroína francesa da guerra dos Cem Anos, não teria ainda completado os 20 anos quando foi queimada. Mística e ignorante (uma mistura explosiva), dizia, desde os treze anos, ouvir vozes de santos – São Miguel, Santa Catarina e Santa Margarida – que lhe confiavam a missão de salvar a França invadida e ocupada pelos Anglo – Borguinhões.

Levada à presença do rei Carlos VII, que se refugiara em Chinon, conseguiu que lhe fosse confiado o comando de algumas tropas e venceu uma série de batalhas, levando a que Carlos VII fosse sagrado rei em Reims. Falhando na tentativa de recuperar Paris foi, na Primavera de 1930 aprisionada pelos ingleses. Julgada por membros da Igreja, gente do alto clero francês vendido ao invasor (a Igreja não gosta de perdedores), Pierre Cauchon, bispo da diocese de Beauvais onde Joana fora aprisionada, condenou-a. Acusações: vestia roupas masculinas, fazia profecias e afirmara que as suas visões eram de origem divina.

Acabou por ser queimada viva na Praça do Vieux-Marché. Note-se que Carlos VII, que lhe devia a coroa, não mexeu um dedo para a salvar. Moral da história – Vae victis!. [Read more…]

Os recados…

Nada como um recado mal dado, estilo “rabo escondido com o gato de fora”. Sim não é engano, é mesmo assim tal a forma como se dá nas vistas:

Paulo Rangel fortemente pressionado dentro e fora do PSD para se candidatar à liderança do partido“, lê-se no DN. Mais à frente, a fonte: “fontes próximas do eurodeputado”. Ou seja, o próprio a mandar recados e a ver se surge uma vaga de fundo… Fica-lhe mal.

Megaprojectos – Alqueva serve para quê?

Reina enorme desilusão nos agricultores alentejanos. A água que é a base da transformação da agricultura de sequeiro em regadio, não chega aos campos, só meia dúzia de agricultores arriscaram avançar com os seus projectos, mas às escuras, sem saberem quando vão ter àgua, quanto custa, em que condições vão ter acesso à água.

O Estado afastou os interessados das negociações, dos projectos, as associações de agricultores lamentam nada saber para poderem informar os seus associados, para quem, aliás, a barragem foi construída. Mas é claro, que o verdadeiro poder é deixar as pessoas penduradas, sem informação, agora é a hora de negociar os campos de golf, as milhares de camas ali à volta da albufeira, escolher os melhores sítios.

Qual lavoura?

Ali está o provinciano “maior lago artificial da Europa”, sim, cá nunca se faz uma coisa ao nível do que precisamos, é sempre a ponte maior, com o arco maior de betão, e assim por diante, que a máquina do betão é preciso ser alimentada!

E agora querem implodir os estádios, os tais que tambem eram imprescindiveis…que será coisa que se calhar não têm coragem para fazer quanto a Alqueva, mas avançar com a rega, isso é que não, os agricultores podem ficar informados e terem planos, valorizar as suas terras, decidirem-se pela agricultura, produzirem azeite e tomate, frutas e flores, e porra, isto seria um desastre, lá se iam as importações…

Nova Iorque de borla

Para quem quer sobrevoar Nova Iorque, em segurança e de borla, basta clicar aqui.
Boa viagem!

nÃO sEJAS dURO dE oUVIDO #1/10: Bom Dia!

Como explicar? Um dos melhores concertos a que assisti foi deles. Das melhore músicas que conheço. Aqui ficam com um inexplicável atraso!

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Marcelo Rebelo de Sousa e as ironias

Não se sabe se, no PSD, Cristo voltará a descer à Terra. Agora é pouco provável. O tempo de preparação dessa visita já terá passado e há outros apóstolos que começam a posicionar-se para o lugar de messias “laranja”.

Marcelo Rebelo de Sousa

O que se sabe é que Marcelo Rebelo de Sousa deixa em breve de fazer as suas escolhas na RTP. Saí, mas contrariado. Não tardará a encontrar outro espaço para apresentar as suas opiniões, que, como se sabe, são escutadas com mais atenção do que um qualquer pecador num confessionário.

Apontamentos de Inverno (18)

(Foz do Rio Minho, Caminha)

sobe e desce

Sonho de noites de Inverno

O Venerando fala ao país

Confirmando aquilo que todos secretamente previam, os grandes interesses vão mesmo insistir num governo – mesmo que informal – do Bloco Central e assim, esta solução parece irreversível. Há uns meses e ainda antes do último escrutínio, Sampaio saiu a terreiro para defender em “nome da estabilidade” – da qual pouco caso fez quando ainda belenzava -, a necessidade de uma coligação PS-PSD. Uma ideia tão luminosamente inédita, decerto terá faiscado durante uma partida de golfe, onde por “mero acaso”, – claro – talvez tivesse visto de longe, nada de confusões… – os habituais convivas de todos os “Chefes de Estado”: gente dos media, da finança, off-shoreiros, bolseiros,  comensais do princípio da mobilidade e outros benfeitores da pátria.  Está tudo bem apertado e armadilhado. Mais recentemente, o sr. Cavaco Silva manifestou também a sua vontade, apelando ao “entendimento entre os partidos”. Miraculosamente, voltámos ao curto período que se sucedeu às últimas eleições, onde surgiram meigos cordeirinhos dispostos a todo o tipo de entendimentos, “Por Bem”. Se a isto acrescentarmos a guerra que se avizinha por Belém, teremos o quadro completo.

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O cardeal

Cañizares

Volto uma vez mais a esta repugnante foto de António Cañizares, patente num dos posts anteriores, cardeal do jet set espanhol, vivendo em Roma, e que passa a vida em forrobodós, casamentos, baptizados, aniversários, bodas de ouro e prata, de gente rica e famosa. Convidado para abençoar tudo o que seja festas multimilionárias, reaccionário até ao tutano, mostra, com efeito, não ter o mais pequeno sentido do ridículo, mas mantendo o portentoso sentido de orientação nas águas em que ele e a igreja se movem.

Quer a igreja quer o capital sempre coordenaram interesses e estabeleceram estratégias comuns para consolidarem as suas complementares posições. Sempre se engalanaram pomposamente, sempre se calaram perante os graves problemas nacionais e internacionais, e em tudo dão e sempre deram as mãos, em pactos mais ou menos secretos, para atingirem os seus idênticos fins, isto é, a Fé no Capitalismo, a Esperança na exploração e no super-lucro e a apaziguadora caridade de prometer aos pobres a vida eterna.

Haja fé!

Não faltam boas intenções para ajudar o partido social-democrata. Uma delas é a receita de Alberto João Jardim para consertar o PSD, e  que contempla 7 passos.
Depois de Pinto Balsemão dizer que o PSD está vivo, é a vez de João Jardim dizer que o partido tem conserto.
Com o frio que está ainda bem que há algum calor partidário.
É só boas notícias!

Acordo – o que lá está, não está… Deveria, poderia… parte VI

6 – Horários de Trabalho

Tenho dito a muitos Professores que não podemos colocar na nossa argumentação a questão da quantidade de trabalho porque seria, do ponto de vista da comunicação, um erro. É que do outro lado teríamos o “povo” a dizer:
– ” E daí? Eu também trabalho essas horas todas e ganho o salário mínimo, isto quando o patrão me paga!”

Claro, que tal como escrevi num dos posts anteriores, a nossa luta pode ser vanguardista e catalisadora de outros movimentos – nesse sentido, sim, faz sentido colocar em cima da mesa as questões do horário de trabalho, se quiserem de forma abrangente.

De forma simples e sem entrar em todas as variantes, um horário de um professor tem 35h – destas, 22h são aulas, 2 substituições, 5 para outros trabalhos na escola e … sobram 6 horas por semana para o trabalho individual que a profissão exige. Acontece que a vida das escolas (ler post anterior) anda envolvida numa praga controleira que gera um número absurdo de reuniões. De papel em papel, de relatório em relatório ou de projecto em projecto, todas as semanas há n reuniões… pela noite dentro que nos levam a estar na escola… muito mais que as 35h e com o trabalho de casa (preparação de aulas, elaboração de materiais, correcção de trabalhos, investigação, leituras…) todo por fazer.
O que esta situação está a provocar é a diminuição da qualidade do trabalho que não se tem tempo para fazer – isto, claramente está a prejudicar os alunos.
O Luís costuma apela à autonomia das escolas – TOTALMENTE de acordo! Só com essa autonomia poderemos resolver esta praga dos horários de trabalho – uma anormalidade que está a minar a qualidade da escola pública.
Apesar de ser insuficiente, a abertura do ME, na sequência do acordo, para negociar esta questão é positiva porque mostra que o ME reconhece o problema e que pensa fazer algo para o resolver antes que tudo fique perdido.

Estou escandalizado…

Bill Clinton teve uma amante durante a “corrida” de Hillary Clinton nas primárias para as presidenciais dos EUA.

O 1º programa Vidas Alternativas deste ano

Faço este programa desde 1999,e comecei-o na radio VOXX. Depois a radio fechou, na sequência de um incidente que aconteceu durante o meu programa que era em directo. Passei para a Rádio Seixal, onde estive mais de uma ano, e enfim, criei o Movimento Vidas Alternativas com o respectivo portal que produz o programa e apoia outras iniciativas, sob o lema – um programa muito pouco católico para todos os protestantes sociais.
Aqui vos passo a sinopse do 1º deste ano, com um convite aos bloguistas que quiserem ter voz que me contactem, pois há sempre espaço para eles.
Não posso começar sem vos deixar uma palavra de saudação e agradecimento pelo convite que me fizeram e que, como se vê, aceitei logo….

Recomeça o VA deste ano que se inaugura, ao fim de uma semana muito quente por causa da questão dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Depois de aprovada no Parlamento, a lei segue agora para o Presidente da República para assinatura, mas entretanto, notou-se uma total indiferença no público em geral e até junto de grande parte da comunidade gay depois da sua aprovação. [Read more…]

Presidenciais: cenas dos próximos capítulos

Já vi este filme 2 ou 3 vezes, e a rotina dá tédio.

A esquerda discute as presidenciais, a direita como de costume não precisa.

Depois de Alegre ter pedido o apoio do PS, e embora haja resistentes, vamos ter com elevada probabilidade uma repetição das últimas eleições mas sem Mário Soares, e a vaga possibilidade de, ao invés do habitual candidato do PC, alguém que possa fazer o pleno à esquerda, tipo Carvalho Silva.

Era  um bom entretenimento, embora duvide. O avanço de um candidato com essas qualidades deixaria o BE numa posição embaraçosa, mas nada que não se resolva, e existe sempre o risco de não haver 2ª volta. Ou de o militante do PS ficar em 3º, o que garantia a vitória a Cavaco (é só fazer as contas e não esquecer que a base de apoio a Sócrates é mesmo de direita).

Como ando num estádio de acentuado cepticismo duvido, passe o pleonasmo. E lá me vou tristemente preparando para pelo menos na segunda volta ir votar no vate de Águeda, um homem da caca e deus se existisse saberia quanto eu odeio a caca e os que a praticam, como já o fiz com Soares e Sampaio. Não é que precise de digestivos, para votar contra Cavaco corro com gosto e não me canso.

O resto é conversa.

Éric Rohmer, “adieu”

“Não podes pensar em nada”, Éric Rohmer, 1920 – 2010

Nasceu em 1920, com o nome de Jean-Marie Maurice Schere. Para a história ficou Éric Rohmer. Começou a carreira de realizador 32 anos depois, em 1952, com o filme "Les petites filles modèles", que não terminou por problemas de produção. Não seria a última vez que os teve. Mais tarde, em 1959, realizou "Le signe du lion", com Claude Chabrol como produtor.

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Corria o ano de 1969, quando Rohmer realiza "Ma nuit chez Maud", com Jean-Louis Trintignant e Françoise Fabian nos papéis principais. Foi o trabalho que fez a exigente crítica especializada francesa, em pleno auge da Nouvelle Vague, olhar para ele.

Foi uma vez candidato ao Oscar, recebeu várias nomeações aos Cesar, os prémios do cinema gaulês. A Mostra Internazionale d’Arte Cinematografica de Veneza atribuiu-lhe, em 2001, um prémio pelo conjunto da sua carreira. Um prémio merecido. Rohmer morreu hoje.

A fé, a lei e o casamento

Ensaio de Antropologia Jurídica

Durante vários anos, tem-se discutido em Portugal uma nova modalidade de casamento: o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Após ter revisto vários textos legais sobre o casamento, equiparado à noção de matrimónio, nenhum deles fala de união entre um homem e uma mulher. Refere, sim, esta frase, na mais recente revisão do Código Civil Português: ARTIGO 1619º (Carácter pessoal de mútuo consenso). 

A vontade de contrair casamento é estritamente pessoal em relação a cada um dos nubentes.

Primeira ideia que aparece para o meu argumento. Entende-se por nubente quem está ajustado para casar ou que vai casar; noivo, noiva. Note o leitor que não define nubente como pessoas de diferente género: fala de noivo, noiva. Conforme a semântica, a vírgula entre os dois substantivos, é apenas uma enumeração de pessoas que realizam um acto. No caso que falamos, é o do casamento. Entre os artigos 1615 a 1624, fala-se de casamento civil, sem distinguir género. Fala, mais uma vez, apenas de nubentes. Se o casamento for católico, deve ser homologado pelo Registo Civil dentro do prazo de noventa dias, semelhante ao prazo do Registo Civil para homologar o casamento, caso haja oposição ao mesmo. Passado esse período, o casamento é válido. Todo o Livro IV do Direito de Família do Código Civil, refere o casamento da forma definida no artigo citado antes e o artigo 1795, refere a filiação, Título III, Livro IV. No meu texto de 24 de Outubro de 2009: O Matrimónio Homossexual, Direito Mínimo à Liberdade de Amar, como noutros de Novembro de 2009, refiro detalhadamente a liberdade de amar concedida por Karol Wojtila no seu Catecismo de 1991 e nas formas matrimoniais livres adoptadas por vários países, entre pessoas do mesmo sexo. Interessados, a minha família e eu, revimos as leis e em parte nenhuma se fala de casamento entre homem e mulher, apenas de matrimónio entre pessoas com direito à adopção de crianças. Matéria que, conforme o Primeiro-ministro proponente e o seu partido, passa para uma segunda etapa no caso do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Antes, é preciso resolver a crise económica que nos afecta e o temporal de neve e água que tem azotado Portugal ao longo destes últimos dias. Entre a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo e as tormentas, conjuntamente com a crise económica que nos tem afectado, um largo passo foi dado para sermos como o resto dos países da União Europeia. A primeira notícia, é uma notícia feliz, se não for vetado o projecto pelo Presidente da República, que, por lei, tem esse direito. As outras duas são uma calamidade pública, para a qual o país não estava preparado. [Read more…]

A lógica do Estado corporativo

O referendo é a instituição democrática por excelência e praticamente a única que temos em Portugal. Mesmo as eleições, são de tal maneira formatadas pelos directórios partidários, com candidatos tão afastados do povo e dos problemas, que pouco significado democrático têm.

Mas o que se vê é que nós portugueses, pouco poder  democrático temos e, mesmo esse, rapidamente o transformamos em qualquer coisa pouco credível, ao sabor dos interesses de classes, de pessoas e de corporações.

Há casamento gay? Porque não o referendo? Logo vêm à liça os que querem que a Lei passe, interessa lá o referendo! Regionalização? Venha lá a regionalização e depressa que isso do referendo só atrapalha. E o referendo? Não interessa nada, “eles” resolvem, os tais que passamos a vida a criticar, os tais que não têm credibilidade nenhuma, “eles” tratam, e nós, cidadãos, somos pelas nossas mãos os verbos de encher que merecemos ser! [Read more…]