É preciso combater e denunciar esta pouca-vergonha

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No final de Outubro, a propósito dos Miguéis Abrantes desta vida, trouxe até ao Aventar o caso da Trofa, governada por um executivo PSD/CDS-PP que, meses antes das Autárquicas de 2013, deu à luz um jornal, o Correio da Trofa, que desempenhou um importante papel no abate do executivo socialista. Vencidas as eleições, este jornal ocupou a sede de campanha da coligação, transformando-a na sua própria sede (será que alguma vez teve outra?) e vários foram os ajustes directos celebrados entre colaboradores deste jornal e o novo executivo camarário. Com o tempo, descobri que o director que figura na ficha técnica do jornal era também assessor do PSD de Santo Tirso, incompatível à luz da lei que regula a imprensa, entre outros factos dignos de figurar na página d’Os truques da imprensa portuguesa. A história completa está aqui. [Read more…]

Que é feito de Miguel Macedo?

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Estava eu a ler esta notícia do Expresso, sobre o ex-ministro francês Jérôme Cahuzac, outrora considerado um acérrimo defensor da luta contra a evasão fiscal, hoje condenado a três anos de prisão por fraude fiscal e branqueamento de capitais, e dou por mim a recordar esse ministro-modelo do anterior governo que dá pelo nome de Miguel Macedo? Que será feito dele?

O caso de Miguel Macedo, um dos tais que parece caído em esquecimento como a Tecnoforma de Passos Coelho, os swaps de Maria Luís ou os “homens de mão” de Marco António Costa, continua sem fazer grandes manchetes e sem a atenção mediática que qualquer flatulência socrática consegue.   [Read more…]

Diz o diabólico FMI

que metas orçamentais do governo são alcancáveis. Soviéticos!

Lettres de Paris #39

Les gens heureux lisent et boivent du café

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foi o título de um livro, na montra da Compagnie, que me despertou a atenção quando passei por lá a caminho do Ladyss. As pessoas felizes lêem e bebem café. Juntar-lhe-ia um cigarro e o título do livro que, pesquisei depois, foi escrito por Agnès Martin-Lugand, que não conheço (apesar do livro estar traduzido em português e editado pela Guerra & Paz) faria todo o sentido para mim. Pelas críticas que li, quando pesquisei, acho que também não vou querer lê-lo. Fico-me pelo título na montra da Compagnie que me fez parar hoje a caminho do trabalho.
 
Tenho bebido mais café e, sim, fumado mais cigarros, do que tenho lido, por estes dias. Gasto os dias não sei bem em quê (enfim, aparte as horas em que estou no Ladyss ou a passear) e acabo por ler pouco, ultimamente. Longe dos tempos em que lia compulsivamente tudo o que apanhava, muita porcaria incluída neste tudo. Agora leio menos, não só aqui em Paris, como em casa, na minha vida normal. Faço isso, mas ao mesmo tempo lamento não ler mais. São já raras as vezes em que atravesso a noite até de manhã agarrada a um livro, como fazia há uns anos – não assim tantos – muitas vezes. A culpa não é dos livros, evidentemente. Há milhões de livros por ler que me fariam – se os lesse – ficar agarrada a eles noite fora. O trabalho, desde logo. Uma pessoa vem para Paris cheia de planos de melhor gestão do tempo e acaba por ter menos tempo do que tem em casa. Paris tem muitas distrações e estar longe de casa, da minha rotina também me distrai, é a verdade. Desconcentra-me até, se querem saber. Depois convidam-me para coisas (de trabalho) e eu não sei dizer que não. E é assim que me vejo a responder a solicitações intermináveis. Quando pensamos que uma tinha acabado, aparece logo mais uma, ou mais duas, ou as que forem, em catadupa.
 

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John Glenn

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1921 – 2016

Portugal, um país recheado de comentadores “imparciais”

Rui Naldinho

A nossa Lusa Pátria está cheia de comentadores doutorados nas suas agendas mediáticas, mas incapazes de analisarem e interpretarem factos e fenómenos fáceis de serem explicados. São personagens que debitam sabedoria em cátedras das faculdades, e em palanques de congressos para os quais estejam habilitados pelo seu curriculum académico, mas não conseguem entender a razão de ser das coisas mais simples. Nunca percebi os motivos para tal ignorância, depois de tantas horas de estudo.

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Eduardo Cintra Torres é um conhecido sociólogo e crítico de televisão, que gosta de parecer aquilo que não é, nem nunca foi, imparcial na sua análise.
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Noticiar ou não noticiar? Razões de uma não-notícia

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Sinais de luto e tristeza pela morte de Maria L., numa árvore em Freiburg; Imagem Spiegel

Os factos são os seguintes: Às 3 horas da manhã do passado dia 16 de Outubro, na pequena e liberal cidade universitária de Freiburg, uma estudante de medicina voltava a casa de bicicleta, vinda de uma festa. Na manhã seguinte, o seu corpo foi encontrado pela polícia na foz do rio Dreisam, com evidentes sinais de violação. Desde então, o caso vinha sendo investigado por uma comissão especial. Há uns dias, foi detido um suspeito fortemente indiciado de 17 anos, chegado à Alemanha em 2015 como refugiado do Afeganistão.

A ARD, o primeiro canal de televisão pública, optou por não incluir esta notícia no Tagesschau (telejornal). A maioria dos outros media, desde o segundo canal público até ao Spiegel, deram a notícia. Logo se levantou um tal encrespamento nas redes sociais – não só pelo crime em si como pela ausência da notícia no Tagesschau – que o director de redacção da ARD se viu compelido a justificar a decisão tomada por si e pela sua equipa, tendo-o feito do seguinte modo: [Read more…]

Com que então, agora o Tribunal Constitucional já não é um empecilho

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Os blogues da direita relatam a coisa: o PSD quer fazer queixinhas ao Tribunal Constitucional. Ainda há pouco tempo, o TC era uma instituição retrógrada e a transformar numa  “Secção Constitucional” do “Supremo ou da Relação”.

O líder parlamentar do PSD [Luís Montenegro] admitiu, em entrevista à Rádio Renascença, a possibilidade de extinguir o Tribunal Constitucional

“O PSD já teve um líder que o defendeu [a extinção do TC]” 

Teresa Leal Coelho disse que o deputado tinha no currículo a “mancha” de ter sido juiz do Tribunal Constitucional

Decisão exige “coragem política”, diz Noronha Nascimento: Presidente do Supremo defende extinção do Tribunal Constitucional

Ter memória é chato.

Acesso gratuito a fatos e a contatos

«O acesso ao Diário da República já é gratuito». Efectivamente.

O algodão não engana…

Pelos vistos a educação em Portugal não apenas sobreviveu, como melhorou ao longo dos últimos anos, recebendo elogios no exterior, em Portugal obviamente que pouco destaque mereceu, salvo honrosas excepções. A questão agora é saber se resistirá ao informal ministro Mário Nogueira e sua marioneta da 5 de Outubro, ou se associada á geringonça a palavra reposição significará também retrocesso…

Radicalismo sem amor

Ao cuidado dos lisboetas, em particular aqueles que residem nos bairros sociais da cidade. Não se deixem enganar.

Video: Luis Vargas@Geringonça

Lettres de Paris #38

Vivre à Paris c’est très bon, oui, surtout si vous n’y vivez pas…

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Paris tem 20 arrondissements e muitos mais quartiers. Cada bairro tem as suas características e há para todos os gostos. Os mais comerciais como Terne, Rue Clerc, Poteau, os mais turísticos como – claro – o da Torre Eiffel, Saint-Michel, Montmartre… os mais animados como o Quartier Latin ou République, os mais ajardinados – Luxemburgo, Monceau e os mais ‘fashion’ como o Marais ou o Canal Saint Martin. Seja como for, como disse, há bairros para todos os gostos. Uma coisa têm todos em comum, no entanto (ou quase todos): o preço das casas, quer seja para comprar ou alugar. Outro dia fiquei embasbacada diante de uma montra de uma imobiliária em Montmartre onde um anúncio dizia que um ‘estúdio’ com 10 metros quadrados custava, por mês, 440 euros. 10 metros quadrados tudo, o estúdio, a casa de banho e a cozinha. Pergunto-me como seria viver em 10 metros quadrados, tipo o tamanho da minha casa de banho grande e, sinceramente, ou sou eu que tenho uma casa de banho mesmo grande ou não sei.
 
Nos primeiros dias que aqui cheguei, desta vez, via também os preços de casas para comprar, por curiosidade, obviamente, que não tenho dinheiro para isso nem sou o Engº Sócrates, bem entendido. A verdade é que as casas mais baratas que vi, com 50 ou 60 metros quadrados, deve dizer-se, custavam mais de 1 milhão de euros. Eu repito: mais de um milhão de euros. E havia muitas que custavam perto de 2 milhões com umas áreas um pouquinho maiores, tipo 80 ou 100 metros quadrados! Por falar em Sócrates…. afinal os 2,25 milhões de euros que se diz que valia a casa onde vivia em Paris, no quartier Passy no 16º arrondissement, não são assim tantos como isso atendendo a que se diz também que o apartamento teria 225 metros quadrados e o 16éme é um dos bairros mais chiques de Paris. Só compreendi isto depois de ver aqui os preços das casas, claro está.
 

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Noite de PISA

pizzaQuando começam a sair os resultados dos testes internacionais, especialmente por serem internacionais, os políticos, já se sabe, aparecem logo a reclamar paternidades e maternidades (porque também há políticas) ou a rejeitar crianças, se forem defeituosas.

Há poucos dias, foi o TIMSS. Ontem, foi o PISA. Apesar de este teste ser feito para avaliar uma parte do percurso de alguns alunos de 15 anos, não há quem não queria reclamar méritos, mesmo que não tenha estado no ministério nos últimos nove anos, ou seja, desde que os alunos em causa entraram para o Primeiro Ciclo. Tudo muito socrático, ou seja, portuguesinho.

O actual ministro, justiça lhe seja feita, deu os parabéns aos alunos e aos professores, essa gente habitualmente menorizada, face aos grandes ideólogos que julgam perceber mais disto a ressonar em gabinetes do qualquer professorzeco a suar numa sala de aula.

No meio de tudo isto, há, a propósito de professorezecos, uma novidade, incluída num relatório que acompanha o PISA: considera-se que os professores portugueses revelam uma estranha capacidade de adaptar o conteúdo e a estrutura das aulas aos alunos. Estranha? Sim, porque é uma ideia contrária às conclusões dos pedagogos de sofá que acusam tudo o que é docência lusa de imobilismos, conservadorismos e outras caturrices que tornariam impossível a boa aprendizagem da juventude. O Paulo Guinote deixa escapar um “In your face” e tem razão. Há alguns meses, abordei lateralmente o assunto. [Read more…]

A RTP e as encomendas da Geringonça

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É mais um episódio de falta de isenção neste país ensombrado por uma imprensa vermelha e totalitária. No final da entrevista que António Costa concedeu ontem à RTP, o canal público reuniu um painel de comentadores claramente parcial e favorável ao primeiro-ministro e à maioria parlamentar. Ou não estivesse a RTP ao serviço deste governo soviético.  [Read more…]

Desculpem lá, ó gente do fisco, SPAM?!

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Mas fazem algum desconto no IRS por lhes fazer o jeito? Já não basta o abuso de termos que fazer o serviço do fisco a validar facturas, ainda levamos com spam? Há serviços que quanto menos deles soubermos, melhor. Funerárias e fisco estão no topo.

Fatos que requeiram esclarecimento no ato?

Quelle assurance pouvons-nous donc prendre de chose si instable et si mobile, sujette par sa condition à la maîtrise du trouble, n’allant jamais qu’un pas forcé et emprunté?

— Michel de Montaigne, Les Essais (II, 12, p. 414)

***

Onde? No jornal da resistência silenciosa? No Libération? No Aventar? No  Frankfurter Allgemeine Zeitung? No De Standaard? Não! No sítio do costume.

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Continuação de uma óptima semana.

O primeiro presidente catalão da história

Se Manuel Valls for eleito será o primeiro presidente catalão da história e o primeiro presidente espanhol desde 1939, desde o fim da República Espanhola.

Valls nasceu em Barcelona e naturalizou-se francês em 1982.

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Foto tweeter Manuel Valls

É de extrema-direita?


Não sendo de esquerda, sobra o óbvio.

Lettres de Paris #37

Au Portugal la vie est plus facile

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disse-me um senhor francês, ao jantar, no Le Saint-André. Apesar da gripe das aves que tem afetado milhares de patos no sul de França, comi ‘magret de canard’. Gosto de pato, que querem? Não são uns milhares de patos mortos que me vão afastar de um dos meus pratos preferidos da cozinha francesa. O outro são as vieiras que, lamentavelmente só comi ainda uma vez, no Le Centre du Monde, já há umas boas semanas. No Le Saint-André não há vieiras, infelizmente, de modo que quando lá vou como pato frequentemente. O empregado simpático que fala comigo em português do Brasil e parece que me quer arranjar amigos disse ao casal sentado na mesa em frente da minha, estava eu a levar uma batatinha assada à boca, que eu era portuguesa. A seguir anunciou-me que os senhores viviam ‘à Lisbonne’. Sorrimos uns para os outros. O homem era francês, a mulher irlandesa e vivem em Lisboa na maior parte do ano. Trocámos palavras de circunstância ao princípio. Confesso que estava mais interessada no pato e nas batatinhas assadas que na conversa dos habitantes de Lisboa, mas assim mesmo lá fui falando com os senhores, quase sempre em francês. Gostam muito de viver em Portugal, conhecem Aveiro, ‘trop petite’, e adoram – que surpresa – Lisboa, onde vivem há já bastantes anos.

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O espetador e os adetos

When a clerk says how much something costs, I try to understand the price (so far I cannot) before handing over a bill I’ve already calculated to be more than enough… Unfortunately, the phrase book is meant for Portugal, not Brazil… and I think that might turn out to be a major problem.

Richard W. Schmidt & Sylvia N. Frota (1986)

***

Os adetos? Exactamente, «adeto por adepto». Efectivamente, hoje, no jornal da irresponsável resistência silenciosa. Quanto ao espetador, lembremos as excelentes traduções de “relief pither” e de “designated pither” (entre 14:09 e 15:19).

Obrigado, Noémia.

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Requiem por um espaço de pensamento livre

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Pedro Pereira Neto

O conteúdo seguinte constitui citação literal retirada dos Estatutos da Universidade da Beira Interior, consultados hoje, a partir do seu website institucional:

“Capítulo I – Natureza e Regime Jurídico, Missão, Objetivos, Atribuições e Símbolos
Artigo 1º – Natureza e Regime Jurídico
1. A Universidade da Beira Interior é uma Instituição orientada para a criação, transmissão e difusão da cultura, do saber e da ciência e tecnologia, através da articulação do estudo e do ensino, da investigação e do desenvolvimento experimental.
2. A Universidade da Beira Interior, adiante designada abreviadamente por UBI ou simplesmente Universidade, é uma pessoa colectiva de direito público e goza de autonomia estatutária, pedagógica, científica, cultural, administrativa, financeira, patrimonial e disciplinar”.
Em que medida é esta informação relevante? Foi conhecida recentemente a decisão da Presidência da FCSH-UBI de proibir a realização já (por si) autorizada da conferênciaSahara Ocidental: a luta pela autodeterminação de um povo”, que teria lugar amanhã, dia 6 de Dezembro. Motivo invocado: “não criar um conflito institucional de Estado que colocasse a UBI nos órgãos de comunicação social pelas piores razões“.

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Medo e democracia

Sim, o referendo italiano era uma distorção redutora e maniqueísta de um conjunto complexo de problemas. Um golpe, portanto. Que, entre outras questões, evidencia a impossibilidade de discutir em profundidade o mérito das propostas em confronto, já que elas jamais se reduziriam a uma dicotomia tão simplória.

Terminados os actos, vejo, não sem surpresa, muitas pessoas a verberar aqui os votantes que escolheram o “não”, acusando-os de abrir as portas a eleições e, portanto, à ofensiva eleitoral da extrema direita. Ora, se nos lembrarmos que a Itália era governada por um comissário político não eleito e imposto pela força hegemónica na União Europeia, pergunto: desde quando este terror pela possibilidade de eleições tomou conta da nossa razão? O que vale o argumento segundo o qual os votantes do “não” estão ao serviço da extrema-direita pelo facto de quererem eleições?

Perguntando de outro modo e tentando compreender estes receios: o que é, agora, a democracia? Ou: o que vamos fazer do que fizemos da democracia? Era bom trocarmos umas ideias sobre o assunto.

Pedido de esclarecimento a Assunção Cristas

Leio a notícia sobre a missa em honra de Amaro da Costa e de Sá Carneiro, mortos por estes dias de Dezembro em 1980. Assunção Cristas, a líder do CDS, esteve presente e, diante dos microfones, entre outras coisas, declarou que os dois políticos “deram a vida, literalmente, pelo seu país”.

No facebook, a nossa Carla Romualdo faz a pergunta que qualquer jornalista poderia ter feito: «Como assim, “deram a vida pelo país”? Eles sabiam para o que iam?»

Inspirado por estas questões, resolvi enviar a seguinte mensagem de correio electrónico ao CDS:

Sou um dos autores do blogue Aventar e gostaria de pedir que fossem esclarecidas as declarações da senhora doutora Assunção Cristas acerca da morte de Amaro da Costa e de Sá Carneiro, Segundo o que li, a Senhora Presidente do CDS declarou que ambos “deram a vida, literalmente, pelo seu país”.
Assim, tendo em conta que a expressão “dar a vida” implica ter uma noção de que se iria correr um risco, estaria a senhora doutora Assunção Cristas a afirmar que Amaro da Costa e Sá Carneiro sabiam que havia, no mínimo, grandes probabilidades de o avião se despenhar, como, infelizmente, veio a acontecer? Se sim, poderá, ainda, considerar-se que as outras cinco pessoas que morreram no mesmo acidente também “deram, literalmente, a vida pelo seu país”?
Esta pergunta será publicada no Blogue Aventar. A resposta que V. Exas. queiram enviar será, também, integralmente publicada.
Muito obrigado
António Fernando Nabais
Aguardemos, pois.

Lettres de Paris #36

‘De ma naissance a ma mort, j’ai trouvé le temps beau’

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Na lápide da sepultura de Regina e Abel Taïbi, na divisão 18 do grande Cemitério de Montparnasse, está escrita esta frase. Não sei quem foram os ali sepultados, ao contrário de muitos que ali repousam o que se diz ser o sono eterno, Regina e Abel são totalmente desconhecidos. Mas ao passar, já de regresso à entrada principal do cemitério, pela sua sepultura, não pude deixar de sorrir ao ler a frase. Uma coisa tão simples, achar sempre o tempo belo, desde que se nasce até que se morre. E, no entanto, passamos a vida atormentados por mil coisas sem importância e mais algumas que terão importância, mas não apagarão jamais a beleza que há em toda a parte. A beleza que há em tudo o que há. O tempo belo que vivemos enquanto somos vivos.
A beleza do enorme Cemitério de Montparnasse, com 18,72 hectares, 42 mil sepulturas, 1244 árvores de 40 espécies diferentes é inegável. Mais ainda nesta tarde muito fria, com sol e um céu talvez demasiado azul para se fazerem visitas a cemitérios. Visitei pela primeira vez (e única, até hoje) o Cemitério de Montparnasse há mais ou menos 20 anos, num tempo seguramente belo, em que eramos novos, eu e o N. e ninguém que conhecessemos, incluindo nós mesmos, estava morto. Lembro-me de ter posado, sorridente, atrás da campa de Sartre e Beauvoir, que estão sepultados logo à entrada, na divisão 20. A lápide era diferente, entretanto alguém a terá mudado. Esta é mais alta e branca e hoje estava particularmente bonita com a luz e as sombras que havia. Prestei-lhes a minha homenagem em silêncio e voltei para trás um pouco comovida, não pela sepultura, mas pelas coisas de que me lembrei à sua frente. Passei de novo a entrada e continuei pela Avenue du Boulevard até à divisão 21, onde está sepultada Marguerite Duras. A campa de Duras é justamente o oposto da de Sartre e Beauvoir. Marguerite Duras está sepultada com o seu último amor, Yann Andrea e em cima da pedra rasa estão rosas vermelhas, cactos, conchinhas, um vaso enorme onde estão enterradas centenas de canetas e de lápis. Não me lembrava da campa de Duras, penso. Mas, claro, ela morreu em 1996, depois de eu ter visitado o cemitério, lembro-me logo a seguir. Deixo um pequeno lápis de madeira enterrado no vaso e volto outra vez para trás, pelo mesmo Boulevard, em busca da campa de Durkheim, na 5ª divisão.

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Braga, a cidade acomodada

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Bem-vindos a Braga, a cidade normal.
Bem-vindos ao normal quotidiano normal, o novo normal que dura há anos, que se tornou tão normal e tão banal que o novo normal é esperar que chova
Bem vindos ao feira nova, bem-vindos às Enguardas, bem-vindos a São Victor, bem-vindos às traseiras da Rua do Souto e da Avenida da Liberdade.
Bem-vindos à cidade de que ninguém gosta.
Bem-vindos à cidade onde as pessoas se queixam de, num 4 de Dezembro, ainda não haver luzes de Natal nas ruas do centro quando, na verdade, se queixam de não haver luz pública todos as outras noites do ano.

Bem-vindos a Braga. É bom viver em Braga?

Ignorância do jornalismo

Declaração de intenções: nunca votei no PC. Por outras vias, sou muitas vezes acusado de ser quase anti-PC primário. Diria que talvez, mas só quando ele aparece a festejar uma vitória com um chouriço, sublinhando a nova política desportiva do Herrera ou dos seis milhões do central do Braga. Falasse assim quando perde e talvez a solução estivesse mais perto que o fim.

Mas, o post não era para ser sobre isto. Fugiu-me a tecla para o sentimento.

Dizia eu, que não sendo eleitor comunista, olho para o Congresso do PC como um encontro de gente que, acima de tudo faz política. Eles não brincam em serviço e as Teses são mesmo discutidas. Quem ouviu algumas das intervenções percebe que eles não estão (pelo menos todos) atrás de um tacho ou apenas a tentar ganhar palco. Para um comunista a actividade política é muito mais que isso. As entrevistas a alguns “comunistas comuns” mostraram que são de facto gente com outra preparação. E, nesse campo, nenhum partido português os bate.

Apesar da boa cobertura do Bloco, das sistemáticas sondagens, cada vez com resultados mais longe da verdade do voto…

Acompanho por isso integralmente o João Ramos de Almeida: “Nada de novo, portanto. Nada se aprende. Nem com Trump, Le Pen, etc., etc.”

Em oposição a esta pobreza da nossa Comunicação Social, a forma séria e inteligente como Adelino Maltez, hoje em representação da Reitoria da Universidade de Lisboa, falou na SIC Notícias.

Pobre Passos, nada lhe corre bem

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Segundo o Público, que para o caso deve ser considerado uma fonte relevante, não fosse David Dinis o seu director, o candidato do PSD para a Câmara Municipal do Porto está escolhido. Trata-se de Álvaro Almeida, professor e antigo presidente da Entidade Reguladora da Saúde. Um independente.

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A confirmar-se a informação presente nesta notícia, ficamos a saber duas coisas. A primeira é que o PSD não conseguiu, entre dezenas de milhares de militantes, encontrar um candidato válido, capaz de se bater com Rui Moreira. A segunda, apesar de não ser tão afirmativa, mas antes algo que o Público “apurou”, é que Rui Rio será convidado para mandatário da campanha, naquilo que seria considerado, segundo as informações do jornal, um sinal de compromisso do potencial substituto de Passos Coelho com o partido. No improvável cenário do PSD ganhar a eleição no Porto, a vitória poderia transformar-se num quebra-cabeças para Passos: no município para o qual não conseguia um candidato do aparelho, seria um independente a resolver o problema. Com a bênção do seu mais recente pesadelo. Como se o impasse em Lisboa não fosse já mau demais. Pobre Passos, nada lhe corre bem.

Foto: Luís Barra/Expresso

Um dia decisivo para a Europa

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Hoje é mais um dia decisivo para a Europa. A ameaça está de volta e a Áustria poderá ser o próximo país governado pela extrema-direita. Ao contrário daquilo que afirma o DN, Norbert Hofer não será “o primeiro chefe de Estado da extrema-direita na Europa desde a Segunda Guerra Mundial“. Esse título já foi atribuído a Viktor Orbán. Mas não se preocupem com nada disto. O perigo real é esse tratante do Tsipras e a diabólica Geringonça. Putin, Le Pen, Trump, Farage e Geert Wilders send their regards!

Foto@Heute

Reconhecê-lo seria péssimo

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O Expresso mente. Podia antes escrever, para soar menos severo, que o Expressso cometeu um erro ou que foi impreciso. Tendo em conta que quem o escreve, a jornalista Joana Nunes Mateus, tem insistido em fazer do Expresso uma espécie de segundo Observador, a conclusão mais provável é mesmo a inicial. Contrariamente ao que diz o título do artigo linkado abaixo, a economia portuguesa não cresceu no 3o trimestre à boleia das exportações. Mais de metade do crescimento do PIB é explicado pela procura interna, sendo decisivo o contributo do consumo privado. Claro que reconhecê-lo seria péssimo para quem precisa muito que se mostre que a estratégia da devolução dos rendimentos falhou. Mas esse não é suposto ser o papel de um “jornal de referência”, pois não?

Ricardo Paes Mamede

Reconhecê-lo seria péssimo. Como é que se justifica uma coisa destas aos devotos do culto catastrofista? É desta que o Diabo foge de F-16 para a Roménia. Sem impacto no crescimento do PIB.

Entretanto, na Marktest.

Imagem via Os truques da imprensa portuguesa

Pedro Marques Lopes explica

o mais recente tiro no pé do PSD.