Cavaco: a ideia do colapso ou o colapso das ideias

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Fonte: Presseurope

O estilo bacoco sempre foi o principal ícone da vacuidade do presidente Cavaco Silva. Superficial e bisonho, revela permanente incapacidade de fazer análises sólidas e consequentes do que o rodeia. Dos vários casos de comunicação de que foi intérprete nos últimos tempos, fica a noção da fatuidade, da incoerência e das gafes por parte do PR.

Surpreendido (?) um dia destes com a dimensão do desemprego em Portugal, diz agora que “a ideia do colapso da zona euro está enterrada”. Quem diria? Para mim, o óbvio, eloquentemente óbvio, sublinho, é o colapso das ideias cavaquistas.

Argumenta o PR que a solução estará no acordo no documento a ser aprovado pelo Conselho Europeu, em 1 e 2 Março. Está, uma vez mais, equivocado. O problema grego, ao contrário do que muitos imaginam, não está solucionado e tem implicações sistémicas para a zona euro. Além do afastamento da Grécia do euro, defendido agora pelo Ministro do Interior alemão – os alemães, sempre eles – há analistas a acusar a UE, e a zona euro, da falta de solidariedade entre países.

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Orquídeas XIII: Oncidium

Da América do Sul e do México chegam-nos a Orquídea Oncidium.

Oncidium
Orquídea, Oncidium (Manuel Lourenço, V.N.Gaia, Portugal)

Aos olhos dos mais novos, estas são aquelas “pequeninas e amarelinhas”. A descrição não é rigorosa, mas anda lá perto, pelo menos no que ao tamanho diz respeito – na cor, nem por isso. Conheça mais exemplares.

BPN: Lá vai Barão

A frase “Lá vai Barão…” foi uma expressão de uso corrente no Brasil, nos anos 80 do século passado. Em Portugal,  Jô Soares popularizou-a através de um ‘sketch’ televisivo. O significado quantitativo-monetário era materializado através desta nota:

lá vai barao

Valia, pois, 1.000 cruzeiros, moeda entretanto substituída pelo ‘real’. A frase, ou o bordão humorístico se quiserem, era utilizado para caracterizar o desaparecimento súbito de avultadas somas de dinheiro.

A injecção de um empréstimo de mais 300 milhões de euros, depois dos 600 milhões investidos no aumento de capital do BNP, oferecido ao BIC por 40 milhões é, de facto, mais uma das atrevidas obscenidades típicas do actual governo.

O empréstimo será titulado pela CGD, a mando da governação. Trata-se, pois, de dinheiros de contribuintes, muitos dos quais exauridos por direitos de retribuição arbitrariamente eliminados; ou por impostos, sobretudo os directos, os indirectos e o confisco, que lhes esvaziam os escassos recursos, nos casos em que estes existem – muitos, na miséria, estão despojados de meios.

De facto, Coelho e Portas, com grande despudor, estão a privilegiar Américo Amorim, Isabel dos Santos e o também despudorado Mira Amaral.

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Cavaco Silva ataca o Governo e o Presidente da República

O Presidente da República declarou-se “surpreendido” com as estatísticas do desemprego, apesar de esses números já estarem previstos há algum tempo. Segundo algumas fontes, esta afirmação terá sido considerada uma crítica ao governo, uma vez que a surpresa estará no facto de que, finalmente, entre promessas e previsões, a realidade presente não desmente afirmações anteriormente produzidas por pessoas ligadas ao Governo.

Por outro lado, num generoso exercício de autocrítica, Cavaco Silva recusou-se a falar do valor da sua reforma no Banco de Portugal, reconhecendo que o seu silêncio é a melhor forma de  não “aumentar polémicas ou desinformações.”

PCP, sexo e prazer

Segundo o Público o tema está quente (aqui daria para um trocadilho fácil!) nos States.

Um potencial asterisco a candidato dos Republicanos teme que

“o sexo seja desconstruído ao ponto de se tornar simplesmente prazer”.

Ainda estou a ver o PCP a votar favoravelmente esta questão.

As multas por falta do cinto de segurança: a PSP preocupa-se com os portugueses


foto daqui

Acabo de ser aliviado de 120 euros que, há que confessá-lo, não me pesavam na carteira. Tudo porque não tinha posto o cinto de segurança no momento em que o agente da PSP me mandou parar o carro.
Não discuto a legalidade da coisa. É contra-ordenação, dá multa. Eu sabia, não pus o cinto, por isso é bem feito.
Só é pena que o agente se tenha cansado depressa de tão dura labuta. Tão depressa que eu fui o último a ser multado. Logo a seguir, atravessou a rua e foi conversar com o dono de um stand que estava mesmo em frente. Os restantes 5 agentes continuaram dentro da viatura.
Também tenho pena que a viatura da PSP tenha estado estacionada durante uma manhã inteira mesmo em cima de uma paragem dos STCP. E que os agentes de serviço não tenham reparado nos vários carros estacionados na passadeira e em cima do passeio.
Afinal, o que é um estacionamento na paragem de autocarro, na passadeira ou no passeio (30 euros) – pondo em causa a segurança dos peões – comparando com o grave crime que é não pôr o cinto de segurança? Algo que, no fim de contas, não prejudica ninguém a não ser o próprio em caso de acidente.
Mas percebe-se, 120 euros é muito mais do que 30 e não é por acaso que as multas em 2011 subiram 80% em relação a 2010. O país está em crise e se calhar esse aumento de receita até estava prevista no Memorando da Troika.
Seja como for, é bom saber que os senhores agentes da PSP se preocupam com a nossa segurança e que saem do quentinho da Esquadra, a um Sábado de manhã, unicamente para verificar se os condutores puseram o cinto de segurança.

Partido Comunista, conservador e reaccionário

Ao votar contra as propostas do Bloco de Esquerda e de «Os Verdes», seu parceiro de coligação, o Partido Comunista mostrou ser, ao nível dos costumes, um Partido conservador e reaccionário que em nada se distingue do CDS ou do PSD.
Pior: existindo liberdade de voto em todas as Bancadas, 9 deputados do PSD votaram a favor dos projectos e até um deputado do CDS, Adolfo Mesquita Nunes, o fez. O Partido Comunista foi o único que conseguiu o pleno – todos os Deputados votaram contra. Ou porque realmente concordam com o que votaram ou porque, no fundo, não houve liberdade de voto.
Não sei o que será pior. Mas sei que, no que toca a estas matérias, deixo de poder considerar o PCP um Partido de Esquerda, ao contrário dos deputados da Direita que votaram a favor. Acreditem que tenho pena.

Augusto Santos Silva e as despesas de um Pasquim

Augusto Santos Silva, ex-Ministro da defesa escreve no seu mural do Facebook:Imagem do perfil do Facebook de Augusto Santos Silva

“O total de pagamentos efetuados com o cartão de crédito que utilizei como ministro da Defesa foi de 2.954,39 euros (dois mil, novecentos e cinquenta e quatro euros, e trinta e nove cêntimos). Considerando que estive 20 meses nesse lugar, isto dá uma média mensal de 147,72 euros (cento e quarenta e sete euros, e setenta e dois cêntimos).”

Este facto mostra como é imbecil a forma como um pasquim vestido de jornal continua a correr atrás de fantasmas!

O maquinal legalismo.

Não costumo fazer julgamentos, nem comentá-los, muito menos pronunciar-me sobre deliberações. Não sou juiz, não sou advogado, nem uso suficientemente os tribunais para avaliar o seu desempenho. Todas as considerações que faço são com base em leituras, pensamento e análise. Acho importante dizê-lo, num universo que acicatado pela comunicação social, sedenta de sangue, transforma todos em advogados de acusação, juízes e algozes.
Mas muito embora desconheça os trâmites dos grandes processos mediáticos, há algo que me parece incontornável: o acesso à justiça parece condicionado por relações de poder e uma complexidade interna que coloca em risco a imparcialidade dos julgamentos estimulando a inimputabilidade. Quando mais complexa é a litigância, mais dispendiosa se torna, menos acessível é. Só os mais ricos podem prosseguir nesta trama kafkiana de recursos e apelos.
Por outro lado os juízes são figuras misteriosas. Por medo ou necessidade de se ocultarem numa névoa de respeitabilidade (quasi endeusamento) a classe magistral carrega o peso da respeitabilidade solene. São deuses ex-machinae. E só Deus sabe quem mexe os cordelinhos.
Posto isto não posso deixar de comentar o caso do Rui Pedro de Lousada. [Read more…]

Acordo ortográfico: o entusiasmo de Henrique Monteiro

Henrique Monteiro publicou, no sábado passado, um texto dedicado “a Vasco Graça Moura e a todos os opositores do Acordo Ortográfico”. Uma vez que pertenço ao segundo grupo, decidi, sem me alongar, retribuir a gentileza da dedicatória, deixando, hoje, alguns comentários, começando por remeter os leitores para um outro texto do incansável João Roque Dias.

Henrique Monteiro começa por se referir à sua “adesão pessoal ao Acordo Ortográfico (AO)”, expressão algo infeliz pelo que contém de entusiasmo, num assunto que exigiria ponderação. Logo a seguir, explica que essa adesão se baseia em “confiança e humildade”, uma vez que confia na “sabedoria de quem o fez” e é “suficientemente humilde” para reconhecer que lhe escapam muitos aspectos “que dizem respeito à etimologia e à fonética, tais como outros menos relevantes para este caso”, o que prenuncia algo de bom, uma vez que parece reconhecer importância à etimologia e à fonética.

No que se refere à confiança que deposita nos autores do AO, seria interessante que Henrique Monteiro tivesse aprofundado os motivos que o levam a desconfiar de quem critica o dito AO. De qualquer modo, isso fica resolvido de uma penada, porque os opositores são classificados como “pessoas que apenas se opõem ao Acordo “porque sim” – sem quaisquer argumentos.” Talvez por distracção, Henrique Monteiro ignora a existência de várias críticas consistentes feitas por linguistas competentes, ao longo dos últimos vinte anos. [Read more…]

Hoje dá na net: João Salavisa – Arena e Duas Pessoas

As duas primeiras curtas-metragens de João Salavisa

Arena

Curta-metragem portuguesa escrita, realizada e editada por João Salaviza, Palma de Ouro (para curtas) em Cannes 2009.
Ficha IMDB.

Duas Pessoas

Exercício filmado pelos alunos do 2º ano (2003-2004) do Curso de Cinema da Escola Superior de Teatro e Cinema, centrado no tema da prostituição.
Ficha IMDB (ver o filme depois do corte)

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Novas oportunidades têm que continuar – todos o o dizem!

Maria de Lurdes Rodrigues tem um mérito – foi uma Ministra da Educação Eucalipto. Secou tudo à sua volta. Em torno do seu mau feitio e da sua péssima gestão da comunicação conseguiu queimar programas que eram (são!) bons e necessários ao país.

Dois foram absolutamente simbólicos: as novas oportunidades e o magalhães.

Um e outro foram usados (tornaram-se?) como símbolos da governação de Sócrates e acabaram por sofrer com isso. Projectos singulares, com um enorme potencial que acabaram por ser ridicularizados na Praça Pública.

No entanto e mesmo correndo o risco de mexer com o senso comum do leitor, vou defender as Novas Oportunidades como um projecto fantástico e apresentar, para início de discussão, estas questões:

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De Um Homem Assim É Que Portugal Precisa

E Eu A Pensar Que Isto Se Resolvia Com Chuva

“Viver no interior é muito difícil”, constatou o líder do Partido Socialista em Bragança, pensando por certo que os Brigantinos o não sabiam. O senhor Seguro falou assim no início de uma semana de visitas aquelas zonas do país, com o objectivo de “ter um conhecimento mais aprofundado das regiões” e propiciar o que definiu como “um novo olhar”. Atitude que, enfatizou, “não passa por políticas de encerramento, extinção ou deslocação de serviços, colocando áreas tão importantes como a saúde ou a justiça distantes das pessoas”.

E eu a pensar que era com chuva que a seca se resolvia. Na verdade porque raio é que o senhor Primeiro Ministro não chama este senhor para Ministro da Agricultura. Faria melhor figura que a senhora que por lá anda que até tem fé que a chuva venha, mesmo sendo ela bem mais interessante que ele.
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Ministro pode adoptar se for solteiro

Se um Ministro for solteiro pode adoptar. Até pode trazer jovens do Brasil e estes até podem ser motoristas oficiais do governo. Mas, se viver com outro homem, então não pode. A não ser que viva e ninguém saiba.

E com a ajuda do PCP – expliquem, por favor – um casal de pessoas do mesmo sexo não pode adoptar? Porquê?

Depois de Vós, Nós


Viveu para servir. Há setenta anos, naquela linha da frente interna alemã, choviam bombas dia e noite, prodigamente despejadas pelas forças aéreas do EUA e do Reino Unido. No forçado exílio, a Infanta D. Maria Adelaide acorria em auxílio dos feridos e moribundos, destemida no meio do inferno de chamas que incineravam corpos e cidades. Fez parte daquele círculo de aristocratas que foram sem qualquer dúvida, os mais corajosos e empedernidos adversários do nacional-socialismo que submetera a Alemanha. Finda a guerra e pela primeira vez pisando o solo português após a abolição da iníqua Lei do Banimento, dedicou o resto da sua vida ao serviço daqueles que jamais tiveram voz. Num país silenciado e onde “o outro” era nada, incógnita, sem os subsídios que hoje tanto pesam numa crise que se arrasta sem fim, D. Maria Adelaide de Bragança obrou prodígios com aquele saber improvisar que é tão característico da nossa gente. Jamais se espantou com vestidos roçagantes, jóias ou festas e se algumas teve, talvez a derradeira, precisamente aquela que no passado dia 31 de Janeiro comemorou o seu Centenário, tivesse sido a mais feliz. Muito mais que a República que finalmente a ela se dirigiu, foi o reconhecimento de um povo pouco habituado a desinteressados actos de benemerência e dedicação à causa que a todos devia ser comum: a da Pátria, simplesmente sintetizada em Povo.

Não viveu em vão. Esta manhã partiu uma Grande de Portugal.

“A minha fé facilita muito o fim da vida, porque o caminho é claro” (Infanta D. Maria Adelaide)

Todos Contra Todos

Não Fui Eu Quem Propôs? Sou Contra!
Somos Um Povo de Rezingões
Ao longo dos dias, das semanas e dos meses, variadíssimas pessoas do governo, da oposição, das sociedades civis, anónimos cidadãos e outros menos anónimos, foram fazendo propostas para que eventualmente se melhore este ou aquele aspecto da nossa vida.
Por cada um que o faça, milhares de outros se manifestam contra.
Por cada medida que se implemente, milhares de pessoas, agrupadas ou sozinhas, dizem que não concordam, que é uma estupidez, que tudo vai ficar pior, que não pode ser feito assim, e as mais diversas opiniões e conselhos e exigências e ameaças são feitas por causa disso.
Por cada medida que se anuncie, uma greve é proposta. Por cada greve que se efective no actual estado económico do País, o País empobrece. [Read more…]

Duarte Marques, o crente jota laranja

Imagem da Alegoria do Fé

O processo de deterioração de qualidade dos políticos, sobretudo no chamado ‘arco do poder’, desenvolve-se também ao nível dos “jotas”. De resto, afirmou-se como fenómeno natural na política portuguesa. Coelho, Portas e Seguro mais não são do que a emanação do cinzentismo jota. Sócrates teve igual origem.Duarte Marques, que a bloquista Ana Draga dizimou na AR há dias, continua na caminhada da inconsciência ou da demagogia. Defende a parda criatura que o combate ao desemprego é uma questão de fé.

A teoria da fé sobretudo ganhou sentido no domínio das crenças religiosas. Mas, no rigor do conceito científico e em propósitos da vida humana, fé é apenas isto; ou seja, a proclamação do jovem Marques, presidente da JSD, reduz-se a uma alegação sem a mínima racionalidade. Ao contrário do que o “jota” laranja defende, o desemprego vence-se por acções concretas e força da vontade humana, quando empenhada em projectos de desenvolvimento em que políticos e sociedade conjuguem estratégias apropriadas. Não é obra da ‘troika’ e menos ainda do governo que, na austeridade e recessão, ultrapassa aquela.

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Dinheiro zero? – nem 8 nem 80.

Li a reportagem sobre Mark Boyle na revista do Expresso (18 Fevereiro). Boyle é um homem de 30 anos que viveu os últimos três sem um tostão.

“Um dia largou tudo para provar que a maioria das nossas necessidades são apenas vontades” e que era possível viver sem dinheiro. Foi feliz. Aprendeu que é possível viver com menos, com muito pouco.

Antes de Boyle, a alemã Heidemarie Schwermer (1942) viveu 15 anos “without money” e o americano Suelo (1961) fez o mesmo. Este ainda vive “quase como homem das cavernas dos tempos modernos”.

Não me vejo a lavar os dentes com osso de choco e sementes de funcho, ou deixar de usar desodorizante e sabonete… ou a tomar banho de àgua fria no inverno… [Read more…]

Bill Gates escreve sobre a Avaliação de Professores

O MEC acaba de publicar o novo diploma que regula a avaliação dos professores – um texto legal que continua a não mexer no fundamental e a manter o que de errado havia no modelo.

Curiosamente, acabou de me cair no perfil do FACE um texto do Bill Gates, esse mesmo, sobre esta temática. Na sua versão original, mas de leitura obrigatória:

Shame is not the solution

” Annual reviews are a diagnostic tool to help employees reflect on their performance, get honest feedback and create a plan for improvement.”

Maruja

adão cruz

Furioso, João entrou na livraria e só lá dentro se deu conta de que era uma livraria gay, de literatura erótica. Não tinha disposição para nada, muito menos para aquilo. Deu duas voltas à sala, cumprimentou e saiu. Madrid estava fria como o seu coração, e sentia uma lagrimeta no canto dos olhos. Atirou-se para a cadeira de uma esplanada em frente e pediu uma fabada asturiana. [Read more…]

Hoje dá na net: La Próxima Estación

Documentário de Pino Solanas, “La Próxima Estación” (2008) dá-nos uma clara visão do que já foi e no que se transformou o caminho-de-ferro na Argentina. Um espelho perfeito de um país que já bateu no fundo e desce mais baixo todos os dias…

A TOBIS foi Vendida

Foi Oitenta Anos Portuguesa, Agora é Angolana
Foi criada em 1932 para fomentar o Cinema Português. De uma maneira ou de outra, conseguiu os seus intentos. Agora, cheia de dificuldades financeiras, com toda a gente a lutar dentro da empresa, foi posta à venda e comprada, não por empresas Portuguesas (não as há com capital para comprar seja o que for), não por empresas Europeias (não há nenhuma que acredite em nós), não por empresas Chinesas (para já estão ainda a digerir a EDP), mas, desta vez, por uma empresa Angolana (para irem somando empresas ex-Portuguesas, em competição com a China).
A venda da Tobis é quase um crime de “lesa-magestade” com o património fílmico e imobiliário a permanecer nas mãos do Estado Português, garantia de um responsável, uma garantia que vale o que vale, não tivesse também garantido que foram salvaguardados os direitos dos trabalhadores, quando o acordo prevê o despedimento de metade deles.
Enfim, estamos a preço de saldo, nós todos, e não parece haver quem nos acuda.

José Afonso: A busca da utopia


A 28 de Fevereiro de 1987, 5 dias depois da morte de José Afonso, José A. Salvador publica uma longa biografia do cantor no «Expresso». Aqui fica:

«Mandei-lhes um telegrama. Podes pôr isso lá no jornal?»
Olhei José Afonso ainda surpreso pelas suas palavras ciciadas quando o visitei em finais de Junho de 1986. A doença avançava a olhos vistos e fitei-o de novo sem perceber totalmente o alcance da sua pergunta.
Instantes depois tudo se esclarecia: o cantor desejava publicitar que enviara ao Presidente da Guiné-Bissau Nino Vieira um telegrama de apoio para que não fossem fuzilados os seis condenados à morte envolvidos no caso Paulo Correia. Ao tomar esta atitude, José Afonso invocou razões de humanidade e as tradições humanísticas do PAIGC fundado por Amilcar Cabral.
Mesmo aqui, na aparente dissonância em relação ao Partido no poder em Bissau, José Afonso não questionava o processo político guineense nem o apoio que mantinha em relação a todos os movimentos de libertação africanos das ex-colónias portuguesas.
De resto, a realidade colonial que conheceu de perto, sobretudo em Moçambique, foi marcante na sua formação política e até na sua música.
Sempre de costas para o poder, apenas se lhe reconhecem dois períodos, ou situações, em que lhe concedeu o seu apoio: [Read more…]

Concurso de professores e as prioridades – público e privado

Começar um texto com duas ligações externas vai contra todas as regras, mas o fundamental é a discussão e essa surge depois destas duas sugestões:

– no pé-ante-pé podemos encontrar um excelente trabalho de comparação entre a legislação em vigor e a proposta do MEC;

– no Educar a Educação podemos ver um esquema que mostra uma possível consequência da proposta do MEC.

E ainda antes de ir ao ponto quente da discussão virtual entre os docentes, importa colocar as coisas no tom certo:

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As Escolas não necessitam de gestores

Já antes escrevemos no Aventar sobre a temática da Gestão em contexto escolar procurando equacionar, à luz da negociação em curso, o que poderia ser a autonomia da gestão escolar.

Mas, esta temática é geradora de grandes confusões porque os ignorantes pensam que a escola pode ser vista como uma empresa e gerida como tal.

Para economia de tempo, vamos assumir como possível tal barbaridade.

O que há para ser gerido na Escola?

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Gastão era perfeito

Também em memória da Adelina, que nos vendia às escondidas este e tantos outros discos. Quem passou por Coimbra sabe de quem estou a falar.

É a minha favorita, hoje que também é dia de cada um falar da sua. Não me perguntem porquê, quando me apaixono por um poema, uma música, uma canção ou uma mulher nascem mistérios que prefiro nem desvendar.  Aqui só falta a mulher mas sobra a velha tradição da cantiga de escárnio e maldizer, superiormente reinventada.

Faz parte do Venham Mais Cinco, em termos de sonoridade e  maravilhamento poético o mais elaborado dos trabalhos do Zeca, com um respirar que logo a seguir seria impossível, tanto ao Zeca como ao José Mário Branco, o senhor que em português inventou a palavra produção.

Gastão era perfeito
Conduzido por seu dono
Em sonolências afeito
Às picadas dos mosquitos [Read more…]

Desempregado, uma carreira de futuro

Desempregados vão ter gestor de carreira

Mais uma vez, Álvaro Santos Pereira maravilha o mundo com outra brilhante descoberta. Tendo em conta que o número de desempregados está a aumentar em Portugal, torna-se claro que ser desempregado é uma das carreiras com mais futuro. Daí à ideia de criar a figura de gestor de carreira para desempregados foi um pequeno passo para o Álvaro e um grande salto para os portugueses.

Assim, antes de mais, será importante criar cartões de visita com a indicação da condição de desempregado, o que causará sensação nas festas e beberetes frequentados pelos que optaram por esta promissora carreira.

Os gestores de desempregados aconselharão os seus clientes acerca do melhor modo de desempenhar a sua inactividade. Assim, será importante que o desempregado acorde o mais tarde possível, de modo a que possa prescindir do almoço. O gestor de desempregados poderá, ainda, ensinar aos seus pupilos técnicas de relaxamento que lhes permitam transformar o oxigénio em nutrientes, desde que fiquem muito quietos o dia todo.

Entretanto, há uma grande movimentação na oferta de alternativas ao desemprego e está prevista a criação de cursos profissionais de ladrão, em que os discentes poderão frequentar disciplinas como TGV (Técnicas de Garrote e Vandalismo), CCB (Crimes de Colarinho Branco) e MAMA (Métodos de Ataque à Mão Armada).

Tristezas não pagam dívidas.

Não deixa de ser curioso que, em tempo de crise, a principal discussão das últimas semana tenha sido sobre o Carnaval. O país nunca deixou de rir, mesmo quando o mais natural fosse estar a chorar. Portugal é um imenso alfobre de piadas, humoristas e artistas circenses. Os políticos são malabaristas, o cidadão aquele Zé Povinho boçal, anafado, risonho e borracho. De resto, um país que se identifica com tamanha criatura, que ri de tudo, mesmo quando está prestes a perder a casa, a perder o emprego e a ficar sem comer, só pode ser um povo escolhido. Ele não precisa de quem o guie, abomina os políticos e os governantes, mas adora assistir às manigâncias deles, entre uma talhada de melancia e um copo de vinho verde.
Na Grécia está tudo a ferro e fogo, lá onde a comédia foi inventada e vive lado a lado com a tragédia. Cá, os homens vestem-se de mulheres e mangam do primeiro-ministro, que lhes tirou o feriado. Um feriado de e para brincar. É assim este quadro, que de tão ridículo chega a ser grandioso. Às vezes aparece alguém a dizer-se o novo D. Sebastião (Afonso Costa, Salazar, Mário Soares, Cavaco Silva…), mas não é preciso. Em 500 anos a coisa até tem corrido bem, dadas as circunstâncias. É uma gestão curiosa que nunca resultará em tumultos: os políticos e as elites roubam as duas fatias maiores do bolo, o povo – conquanto o político não se roube mais de dois terços anui – e reparte entre si a última fatia. É um roubo absolutamente democrático e consentido: uma mão lava a outra e as duas lavam as dos outros.
A coisa nunca resultará como na Grécia, em incêndios, feridos e ódio. Quando muito, por cá, mataremos um ou outro político à gargalhada, com matrafonas, gigantones e carros alegóricos. As nossas pistolas são bisnagas com água.

Ó Elvas, Ó Elvas, Justiça à Vista

As Coisas São o que São e Não se Fala Mais Nisso
Há ainda quem se admire, mas na verdade não temos que nos admirar com o que se vai passando no nosso País no que à Justiça diz respeito. E convenhamos que em outras coisas também não.
Ontem fez-se “justiça” no caso do Rui Pedro.
Ninguém sabia nada, os que sabiam não eram credíveis e os que seriam credíveis não falaram.
Vai daí, o “pobre” do Afonso Dias foi absolvido, coitadinho.
Hoje temos como caso mediático os “crimes” de Elvas.
O Tribunal anula os “crimes” a Carlos Cruz, a Carlos Silvino e a Hugo Marçal.
O Julgamento terá de ser repetido se chegar a ser, que isto não está para se gastar dinheiro nessas ninharias.
Lembremo-nos que o nosso País está em crise. Não tanto de dinheiro, que é o que toda a gentinha pensa, mas essencialmente de valores, sobre os quais ninguém fala porque já ninguém sabe o que são.
Enfim, abençoada democracia, onde não se pode chicotear, mandar prender ad eternum, ou colocar uns gajos em fila, no Campo Pequeno, para assim poupar nas balas.
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O que faz falta

Grândola Vila Morena (Filhos da Madrugada)

O projecto Filhos da Madrugada foi a melhor homenagem feita até hoje à música de José Afonso e também ao homem que a criou. O melhor compositor português do séc. XX passou assim a outra geração, construindo-se a imortalidade.

É tempo de um Filhos da Madrugada II passar o testemunho à geração seguinte. Grupos e cantores para isso não faltam (imagino por exemplo o David Santos / Noiserv a pegar num “Se o Amor não Engana”…). Que as editoras não estejam para aí viradas, pois pois, compreendo. Espero que o obstáculo não venha de quem detêm os direitos do autor José Afonso (e que ainda o ano passado proibiu pelo menos uma versão). Sim, isto é verdade, embora no caso que aqui será contado um destes dias os Vampiros tenham virado Abutres, e ficámos todos a ganhar.

Seguem-se alguns vídeos com músicas dos Filhos da Madrugada que demonstram como no youtube o Zeca nunca morreu.

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