A lucidez de Ricardo Paes Mamede

O melhor texto de reacção aos resultados das eleições do passado Domingo está no jornal Público. Escreveu-o o sempre sóbrio e implacável nas ideias, Ricardo Paes Mamede.

E a frase que fecha o texto é chave-de-ouro e resume bem o crescimento da extrema-direita. Cito:

“(…) A generosidade com que pessoas e instituições endinheiradas financiam organizações políticas que apostam na crispação, sugere que uma parte dos ricos em Portugal já não tolera as opções de quem governou o país nos últimos anos, por muito moderadas que fossem. Não há aqui nada de novo: quando acham que a democracia lhes retira privilégios — sob a forma de impostos ou de direitos laborais que consideram excessivos —, alguns poderosos financiam o caos, dando poder a quem oferece ordem e “moderação”. Esperam com isso manter os seus benefícios. O problema, como a história mostrou muitas vezes, é que se arriscam a perder o controlo sobre o monstro que criaram.”

Na mouche. Parabéns pela clareza, Ricardo.

Foi você que perdeu um cérebro?

Pensei que fosse gozo, mas é mesmo verdade: no Twitter, André Ventura garante que a sede do CH foi atacada por activistas climáticos, sem apresentar uma única prova, acusando-os de atacarem o seu gato. O tweet vem acompanhado com uma foto do gato com uma mancha verde de meio centímetro de diâmetro.
Pior: há pessoas, com cérebros, que acreditaram nisto.

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Mulheres: um voto em André Ventura é um voto contra os vossos direitos

Dia Internacional da Mulher.

O dia perfeito para recordar que o partido de André Ventura tem militantes que defendem a remoção dos ovários das mulheres que recorrem à IVG.

Entre outras ideias que visam reduzir a mulher ao papel que teve durante o Estado Novo: uma subalterna do marido ou do pai, submissa, na cozinha, sem carreira profissional, de pernas abertas sempre que o homem quiser.

Sem levantar ondas.

Calada e obediente.

Ou, regressando ao léxico fascista do Estado Novo, “recatada e do lar”.

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Breaking: André Ventura recruta cabeça de lista num prostíbulo

Rui Cristina, o político sorridente que surge nesta foto com André Ventura, é o cabeça de lista do CH por Évora. Em Janeiro, era deputado do PSD, o partido “do sistema” que Ventura apelidou recentemente de “prostituta”. Quer isto dizer que Ventura recruta cabeças de lista em prostíbulos?

Who’s the whore now?

Admitam: os imigrantes fazem mais falta que o partido de André Ventura

Raro é o dia em que não lido com indianos, nepaleses, brasileiros e pessoas de outras nacionalidades que chegaram à Trofa nos últimos anos, em busca de uma vida melhor.

Vamos sublinhar já esta parte: em busca de uma vida melhor.

Como aqueles portugueses que começaram a sair daqui quando Portugal era uma ditadura fascista. Fugiam de um regime opressor, fugiam da guerra e da miséria. Os mesmos motivos que levam indianos, nepaleses e brasileiros a fugir.

Ao contrário daquilo que afirma a extrema-direita e a direita radical, coro ao qual se juntou recentemente Pedro Passos Coelho, não se registou qualquer aumento de insegurança, ou mesmo da criminalidade, decorrente da chegada destas pessoas ao nosso país.

É falso e é uma canalhice usar este pretexto para atacar os imigrantes.

E é xenofobia também. [Read more…]

André Ventura, o grau zero da credibilidade

Diz-se anti-sistema, mas acobarda-se contra os donos disto tudo.

Diz-se contra as elites, mas é financiado por algumas das maiores fortunas do país.

Diz-se contra corrupção, mas enche o peito para anunciar um vídeo de apoio de Viktor Orbán, um dos políticos mais corruptos da Europa.

Diz-se implacável contra os criminosos, mas tem vários condenados nas suas listas.

Diz-se um homem do povo, mas passou a campanha fechado em salões, longe da rua. [Read more…]

Quem financiou o partido de André Ventura?

O partido de André Ventura, que se propõe limpar Portugal com criminosos condenados nas suas listas, foi notícia por suspeitas fundadas de financiamento ilegal, devido a milhares de euros de donativos cuja origem não é conhecida ou explicada pelo partido.

Querem ver que é desta que se descobrem lá alguns rublos do Putin?

Os herdeiros de Salazar querem um país de analfabetos

Perante o cheiro a mofo das personagens sinistras que, por estes dias, saem do armário do para tentar iludir os descontentes, afirmando barbaridades como “isto está pior que no tempo do Salazar”, nada como dados objectivos para reduzir a propaganda do retrocesso ao lixo que ela é.

Fascismo nunca mais.

PSP ARRASA o partido de André Ventura

No Twitter, André Ventura garante que a sua caravana foi recebida com tiros, em Famalicão.

A falange replica.

O objectivo desta farsa é óbvio: culpar os ciganos, acicatar ânimos e capitalizar com a revolta por si fabricada. Demagogia, populismo e canalhice no seu estado mais puro.

Azar do Ventura, a PSP desmontou o seu embuste e repôs a verdade. Afinal, não foram tiros. Foram rateres de uma mota que integrava a comitiva do próprio CH.

Mas a mentira está na net e por lá ficará para sempre.

O próprio Ventura não a apagou do seu Twitter.

Sim, nenhuma força política é imune à mentira ou a comportamentos menos dignos.

Mas não, não são todos iguais.

Ninguém desce tão baixo como Ventura.

E será pesada, a factura do tapete vermelho que o sistema que Ventura diz combater lhe está a estender. Mas a história não terminará aí.

O dia em que Ventura cuspiu no prato que Passos Coelho lhe serviu

No debate com Luís Montenegro, André Ventura teve a cara de pau de arremessar o memorando da Troika contra o seu adversário.

Tal como Montenegro, Ventura era militante do PSD quando o governo Passos Coelho aplicou cortes nas pensões. E não se lhe conhece uma palavra contra a decisão.

Aliás, o PSD que aplicou esses cortes foi o mesmo que apoiou a sua candidatura a Loures. E que não deixou cair Ventura quando o recital de racismo e xenofobia começou.

Ventura fala muito de vergonha, mas não tem nenhuma na cara. Maquiavélico, no pior sentido da palavra, não olha a meios para atingir os seus objectivos pessoais. E o PSD, se tem amor-próprio, nunca, em tempo algum, aceitará acordos com um demagogo que cospe desta forma no prato que comeu. Será o seu fim.

A miséria

Há dias, durante a manifestação em Lisboa que reuniu cerca de uma centena de fascistas, nazis e apoiantes do partido de André Ventura em geral, gritou-se por Salazar.

Este saudosismo, sempre presente nos comícios e conclaves do CH, é um alerta autoexplicativo sobre o que nos espera caso a extrema-direita chegue ao poder. O próprio slogan do Estado Novo, “Deus, Pátria, Família”, foi orgulhosamente apropriado pelos seus apoiantes.

Torna-se, por isso, importante recordar o que foi o Estado Novo. O que foi o salazarismo.

As vezes que forem necessárias.

E o salazarismo foi, essencialmente, um tempo de miséria. [Read more…]

Quem confronta André Ventura com os seus aliados?

Na entrevista que deu à Fox, Trump teceu rasgados elogios a Xi Jinping, que considerou:

Smart, brilliant everything perfect.

Importa estarmos atentos. E questionar os neosalazaristas em ascensão, para lá da instrumentalização da luta dos polícias e da gritaria sobre casas de banho mistas.

A extrema-direita contemporânea, onde se integra o CH, tem um fascínio por líderes autoritários e totalitários. Não admira que Orbán continue a ser o emissário de Putin no Conselho Europeu, de onde regressa directamente para o mesmo bolso onde estão Le Pen, Salvini ou Tino Chrupalla, os amigos de André Ventura. [Read more…]

Açores: a escolha que se impõe

Os açorianos foram chamados a decidir a nova composição do parlamento regional e, mais deputado, menos deputado, ficou “tudo como dantes, quartel-general em Abrantes”.

A AD, que congrega PSD, CDS e PPM, consegue 26 deputados. Em 2020, PSD tinha conseguido 21, CDS 3 e PPM 2. Ou seja: 26 deputados.

O PS perde 2 deputados, o BE perde 1, a IL mantém o deputado que tinha e o CH consegue mais 3.

Contas feitas, as alterações na aritmética parlamentar são insignificantes.

E, sobretudo, não mudam o essencial: sem maioria, José Manuel Bolieiro deve encontrar uma solução para garantir a governabilidade da região autónoma dos Açores.

Espero que essa solução não passe por acordos com a extrema-direita.

E que o PS esteja à altura dos tempos que vivemos e se abstenha de chumbar os orçamentos da AD.

Porque quando a escolha é entre a democracia e o retrocesso iliberal, conservadores, liberais, social-democratas e socialistas estão na mesma trincheira. E devem saber entender-se para a preservar.

Foi assim que se derrubou a extrema-direita na Polónia.

É assim que se impede a extrema-direita de chegar ao poder em França.

E talvez seja essa a solução para impedir o regresso da marioneta de Putin à Casa Branca.

Acima de tudo, é essencial preservar a democracia.

Porque sem democracia, as diferenças ideológicas não contam.

São todas suprimidas.

É este o “valor mais alto que se alevanta”.

Democracia.

PSP e GNR têm razão

É um erro tremendo, parece-me, concluir que o que move milhares de polícias são as maquinações de um qualquer Ventura.

É óbvio que a extrema-direita quer instrumentalizar o protesto, mas as reivindicações das forças de segurança são antigas e bem anteriores a criação da unipessoal neosalazarista que dá pelo nome de Chega.

É importante não ignorar as muitas razões que os agentes da GNR, PSP e guardas prisionais tem para protestar. Viaturas a cair aos pedaços, equipamentos obsoletos, esquadras sem condições e salários a anos-luz das responsabilidades que carregam aos ombros são algumas. E não são poucas. Atribuir-lhes o suplemento que reivindicam é o mínimo que se exige ao Estado português. [Read more…]

Um pai. Um avô. Um slogan nazi.

Rui Paulo Sousa, deputado do partido de extrema-direita CHEGA e também bibelô em todas as aparições do Quarto Pastorinho na têvê (ou nas deslocações do Presidente da República ao estrangeiro), decidiu adoptar, numa publicação na rede que é o pináculo da liberdade, um slogan da Alemanha nazi.

O outro diz que é pai. E é também avô. Por conseguinte, concluiu o outro, é também fascista. Depois, desdisse-se, com a ajuda e conivência do Querido Líder. É esperar a desdita sobre este slogan nazi, sabendo de antemão que o fascista, que afinal também não será fascista, se deve ter enganado na redacção daquele spot publicitário.

Slogan nazi: Uma nação. Um império. Um líder.

Mera coincidência, pois claro.

RAP expõe a fraude do avô fascista em 2 minutos

Para mais informações sobre o avô fascista do partido André Ventura, façam o favor de consultar esta posta.

E, para mais motivos para não votar no partido André Ventura, podem consultar esta.

Ana Drago ESMAGA o partido André Ventura em 2 minutos

Passar, em 4 anos, de “vamos acabar com a Educação pública” para querer devolver a totalidade do tempo de serviço aos professores ilustra na perfeição a fraude que é o partido André Ventura. Ana Drago bem a sublinhar o logro e a deixar o alerta aos jornalistas que vivem deslumbrados com a sua unipessoal. Não lhes vai correr bem.

Putin estende a mão a Trump

Tudo pode ser falsificado. Tal como nos EUA falsificaram as últimas eleições. Através do voto pelo correio.

Vladimir Putin

Ayatollah Trump, o “enviado de Deus”

Evangélicos do Iowa mobilizaram-se para impedir a “crucificação” do “enviado de Deus”. E o ayatollah Trump ganhou as primárias.

A extrema-direita, dos populistas mais básicos e oportunistas aos neofascistas convictos, já avisou ao que vem: não querem fazer nenhuma nação great again. Querem transformar o Ocidente num conjunto de teocracias inspiradas nos regimes totalitários do Médio Oriente.

One step at a time.

Rumo à sharia cristã.

The Handmaid’s Tale da vida real segue dentro de momentos.

Rui Cruz, o militante mais corajoso do partido de André Ventura

Não perdi muito tempo com o congresso da unipessoal de André Ventura. O meu fim-de-semana é demasiadamente precioso para gastar uma hora que seja com o projecto político pessoal de um mitómano sem originalidade, que se limita a fazer copy/paste da demagogia populista de personagens sinistros como Trump, Bolsonaro ou Milei.

Mas fiz há bocado um intervalo, a meio do turno de Sábado à noite, para fumar um cigarro. Aproveitei para espreitar o que se passava no Twitter e dei de frente com Rui Cruz, que pelos vistos escreveu uma moção com António Pinto Pereira, um dos muitos nomes que a extrema-direita “anti-sistema” foi recrutar ao sistema. Ao mesmo PSD onde Ventura se fez político. [Read more…]

“O sistema político está a virar à direita desde que os partidos socialistas se tornaram neoliberais”

diz Samuel Moyn, investigador de Yale.

Imigrantes geram lucro recorde para a Segurança Social

Em 2021, as contribuições dos imigrantes subiram para um valor recorde: 1293 milhões de euros. Paralelamente, as prestações sociais de que beneficiaram ficaram-se pelos 325 milhões, o que significou um saldo positivo de 968 milhões para os cofres da Segurança Social.

Em 2022, novo recorde. Desta vez, as contribuições ascenderam a 1861 milhões, as prestações sociais caíram para 257 milhões e o saldo disparou para os 1604 milhões.

Mais um ano, mais uma chapada na retórica desonesta da extrema-direita xenófoba e racista.

Mais uma chapada na narrativa canalha que faz dos imigrantes o bode expiatório da agenda do ódio. [Read more…]

De braço no ar ou pelas escadas abaixo

O Rússia Unida – só para situar quem não conhece, trata-se do Chega russo – aprovou a recandidatura de Putin às presidenciais por unanimidade. De braço no ar. A escolha era entre o braço no ar ou o corpo pelas escadas abaixo.

Liberais até dizer Chega

“Dissidentes da IL estão a colaborar com o Chega.”

Os amigos de Ventura são amigos de Putin

Na foto podemos ver André Ventura com os cabeças de cartaz do evento da sua Unipessoal, que decorreu na passada semana.

Ao seu lado direito temos Marine Le Pen, directamente financiada pela oligarquia do Kremlin, que defende, imaginem vocês, o fim das sanções contra o regime de Putin.

Por esta é que vocês não estavam à espera.

Ao seu lado direito temos Tino Chrupalla (os trocadilhos que podíamos fazer com este nome), que também é um bom amigo de Moscovo (e de Pequim), onde ia com frequência. A convite, vejam lá vocês, do governo russo.

Quando isto da “operação militar especial” terminar, Ventura devia convidar Putin para cá vir a um dos seus eventos. Existe tanto em comum entre eles que seria uma pena se não se conhecerem. Quem sabe não nasce dali uma nova amizade. Tantos amigos em comum não podem ser coincidência.

Putin e a extrema-direita israelita: separados à nascença

Para o Kremlin a comunidade LGBT é “extremista” e a sua actividade deve ser banida. Já Yitzhak Pindrus, do partido United Torah, que integra o governo israelita, garante que são mais perigosos que o Hamas e que o Hezbollah.

André Ventura e a farsa de ser anti-sistema

Questionado sobre se teria quadros para preencher tantos assentos parlamentares, o líder do Chega garantiu que sim: tem “muitos” que vieram do CDS, garantiu, e uma maioria que chega ao partido vinda do PSD e do PS – “os que governaram este país nos últimos 50 anos”, lembrou, desta vez como argumento para atestar a competência da governação.

(via Expresso)

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José Luís Carneiro posicionou-se

Contra Pedro Nuno Santos, contra a Geringonça e a favor de deixar um governo minoritário PSD/IL governar, para manter o CH do lado de fora da cerca sanitária.

Putin e Netanyahu, farinha do mesmo saco

Vladimir Putin, que bombardeia diariamente civis inocentes na Ucrânia, disse há dias que a morte de civis inocentes em Gaza é inaceitável. E disse-o sem se rir, o excremento.

Não admira que estes dois sejam tão amigos. E que Netanyahu tenha optado, no que diz respeito à invasão russa da Ucrânia, pelo tipo de “neutralidade” que inclui um aumento do comércio entre Rússia e Israel, o reforço das relações diplomáticas e a aplicação de um total de zero sanções de Telavive a Moscovo.

Sim, eu sei que é chato e que dá cabo da narrativa que se quer verdade absoluta, mas os regimes russo e israelita são farinha do mesmo saco neofascista.

Teresa Violante explica as consequências do capitalismo selvagem às criancinhas

Na Polónia, a desvalorização do Estado social e dos direitos sociais foi um dos fatores que levou a maioria da população a identificar-se com um projeto assente na corrupção do poder político, no ataque à independência judicial e aos limites ao poder executivo. A degradação do Estado social contribui para a erosão das democracias liberais. Esta é uma lição urgente para a Europa.

O restante artigo está aqui e merece ser lido com atenção. A solução para abater o populismo e os novos autocratas ocidentais e reforçar o Estado Social e combater as desigualdades. Simples assim.