Porque amamos o nosso país

a mais bonita praia portuguesa... que eu conheçoTodas as críticas que diariamente fazemos ao que vimos, lemos, ouvimos e vivemos em consequência das erradas decisões políticas dos nossos governantes, só se explicam porque nos importamos com o nosso país.

Queremos vê-lo bem tratado, respeitado, governado por gente portuguesa de coração e não só por ter nascido em território português…

Queremos políticos que não procurem boicotar o que de melhor se faz e se tem em Portugal (às vezes parece que assim é)…

Chega de mudar, quando mudar é para pior.

Este país seria um paraíso, a “ideia acabada de uma lua-de-mel” como se lê no Guia Turístico da Europa editado pelo Touring Service da BP de 1960, se os nossos sucessivos governos não nos deixassem deprimidos como já são conhecidos os portugueses…

Esse tal Guia continua a dizer verdade sobre este “país ensolarado, com uma vegetação luxuriante, um clima único, e um charme tão poderoso que até os postais ficam aquém da verdade. (…) estradas excelentes, palácios magníficos, pessoas sempre prontas a desfrutar da vida, refeições que fazem salivar por antecipação, praias lendárias”.

Não destruam este país que amamos.

(Foto: David Gamanho, que considera aquela praia da Berlenga a mais bonita que conhece. Eu também acho…)

A múmia seca de uma democracia

O jornalista José Vitor Malheiros já nos habituou aos bons textos e às pertinentes perguntas. Hoje, no Público, sublinho o que escreveu, que é quase:

1- O exercício da cidadania numa democracia não se esgota na prática do voto durante as eleições;

2- Espera-se de um cidadão responsável que, na medida das suas possibilidades e interesses, aja politicamente;

3- que participe nos debates políticos onde estão em causa os princípios que moldam a vida pública e as normas da vida em sociedade;

4- que tome posição;

5- que defenda os seus pontos de vista e os seus interesses usando os meios à sua disposição, da discussão pública no café ou no Facebook ao uso dos meios de comunicação clássicos e de outros fóruns;

6- que interpele os poderes;

7- que participe nas organizações profissionais e sindicais que lhe dizem respeito; que lute por condições que garantam maior equidade, justiça e bem-estar para si, para os seus camaradas de trabalho e para a sociedade em geral. [Read more…]

Público e privado

Vai longa a discussão sobre a manifestação junto de políticos em férias ou, num sentido mais amplo, a confusão entre o cidadão e o político.

E se acho irónico que a direita procure colocar em causa a liberdade de um cidadão se manifestar e de mobilizar outros só porque pertence a um partido ou a um sindicato, concordo com os que criticam o ataque à dimensão privada de um político.

Digo, por brincadeira, que as manifestações são o meu desporto favorito, mas nunca o faria junto de uma pessoa no plano pessoal, tal como sempre me recusei a participar em manifestações junto de momentos partidários, fossem elas no PS de Sócrates ou no PSD de Passos Coelho.

Entendo no entanto, que o actual governo está a brincar com o fogo e por isso será cada vez mais complicado gerir estas margens de cidadania.

O alvo de uma luta deve e tem que ser o poder executivo e, ou o poder legislativo. O cidadão Passos Coelho ou o partido PSD não devem ser o alvo. Mas isto tem que valer para um lado e para o outro – não podem querer ser cidadãos e depois ignorar as lutas e os  protestos quando estes respeitam “as regras.”

Quando temos Ministros que se recusam a receber organizações, sindicatos e movimentos, estão mesmo a pedi-las…

Um piloto do mundo?

Miguel Gaspar, jornalista do Público, cujas crónicas, aliás, são muito do meu agrado, escreveu ontem:

Há a sensação de que ninguém está a pilotar o mundo em plena crise financeira global.

Não me agrada nada a ideia de haver alguém a «pilotar o mundo»… Nem China, nem EUA, nem outros.

Não confiamos nos nossos «pilotos»… quanto mais confiar num piloto do mundo!

Parece que não temos outro remédio.

Mas talvez a crise venha mostrar que não é possível ter «alguém» a pilotar o mundo, mas que «cada um» de nós, cada país, terá que depender e exigir mais de si que dos outros.

Movimento Revolução Branca: a recuperação do cravo

O Movimento Revolução Branca assume-se como porta-voz de alguma revolta e de muitas preocupações e pretende passar à acção, nomeadamente através da Apresentação da Participação crime contra titulares de cargos políticos. É obrigatório, no mínimo, ler e reflectir.

Maçãs podres

Paulo Morais, ex-vice-presidente da Câmara do Porto e coordenador da Transparência e Integridade que luta contra a corrupção e pela maior transparência na vida pública, disse à revista Visão (19/7): o Parlamento é o “maior antro de tráfico de influências do País».

Conflitos de interesses, promiscuidades, indecências, etc. Paulo Morais nomeia os deputados acusados deste tipo de situações.

“O cidadão comum não consegue escrutinar todo um conjunto de informações formalmente públicas, mas que não são de fácil acesso (…)”, palavras de Paulo Morais.

Somos tomados por lorpas! Até quando?

 

Mais fraudes e incompetência do estado

O estado português recorre ao arrendamento de imóveis por dois motivos conhecidos:

Evita, através do arrendamento, fazer grandes investimento na construção ou recuperação de instalações para os serviços, ficando, em vez disso, com um custo mensal diluído no tempo. Esta prática, em certas circunstâncias, é uma boa opção de gestão.

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Esta vida de ex-ministro

Para estomagos fortes:

Da legalidade e da seriedade como empecilhos

Se pudéssemos exportar o chico-espertismo e a esperteza saloia, a balança comercial estaria, com certeza, equilibrada, tal é a variedade de manhas minúsculas e pequenas sagacidades em que somos pródigos.

A classe política, independentemente da graduação académica, produz alarvidades quotidianas que, por muito engravatadas que apareçam, têm a profundidade do grito de um qualquer avinhado que reclame penalties a favor do seu clube numa tasca obscura.

As leis e a seriedade são obstáculos que o político, esse estereótipo sempre confirmado pela realidade, resolve ignorar.

Passos Coelho, aparentemente sem pensar, usando da sua pusilanimidade barítona, já ameaçou estender os cortes aos privados, favorecido por um Tribunal Constitucional que, enredado nas teias partidárias, se vê obrigado, muito a contragosto, a defender a Constituição, relativizando-a, ou seja, atacando-a.

O CDS, sempre cristão no pior sentido da palavra, ignora o ensinamento de Jesus e atira um pedregulho na direcção do Tribunal Constitucional, ao mesmo tempo que ataca os funcionários públicos, recuperando o argumento – desonesto de tão simplista – de que ganham mais do que os privados.

Cavaco Silva, mais preocupado com a sua reforma e com o mural do facebook, teve o gesto do costume em defesa dos trabalhadores: ficou quieto. Será, agora, obrigado a balbuciar uma qualquer vulgaridade equivalente à ideia de que cinco minutos antes de se morrer está-se vivo, ao contrário do que acontece em Belém, onde, um minuto depois de ter sido eleito, o Presidente da República passou a ser um peso morto.

Mafiosos

Dois dos condenados pelo Banco de Portugal por prestação de informação falsa e falsificação de contas no caso BPN, contratados como directores para um fundo do Estado.

Como Funciona o Brasil


E certamente Portugal…

Primeiro-Ministro esquece-se da filha

O primeiro-ministro britânico saiu de um bar com a mulher deixando para trás a filha pequena.

Nós já sabíamos que os políticos perdem a noção da realidade e do que é mais importante: as pessoas e os valores humanos essenciais. Calculamos que a família de um primeiro-ministro fique relegada para segundo e terceiro planos. Mas não passava pela cabeça de ninguém até hoje, que fossem esquecer um filho num pub, ainda mais uma criança de 8 anos. A segurança do PM não funcionou num episódio doméstico e simples como este.

Todos os políticos sofrem de uma espécie de amnésia que afeta, sobretudo, a família. Essa amnésia é ainda mais aguda se o político fôr PM ou PR. A família só vai aparecendo para a fotografia.

O PM britânico não só se esqueceu da filha no pub, como é natural que se esqueça dela diariamente desde que assumiu o cargo…

Político que é político esquece-se de tudo o que é importante e que vale a pena investir.

Políticos amadores

Queremos políticos amantes do nosso país. Políticos que sabem de cor a nossa fabulosa História. Políticos conscientes. Políticos que representam o povo. Políticos que defendem a nossa cultura e a valorizam mas não para dar nas vistas e por ocasiões como a Expo 98 e Guimarães – Capital Europeia da Cultura. Eliminam-se feriados históricos e religiosos por falta de respeito ao nosso passado. Temos políticos que se preocupam com Candidaturas a Património da Humanidade, mas a Cultura em Portugal está em «coma»… A lista é interminável.

O presidente da Câmara de Óbidos precisa de Cristiano Ronaldo para promover a sua cidade… Esperou por ele desesperadamente, o coitado! Como se Óbidos não fosse, só por si, motivo de orgulho e possuidora de uma beleza e história dignas de admiração. Quem acorre a Óbidos nestes dias de Estágio da Seleção vai com os olhos postos nos jogadores e mais ainda nos milhões de euros estacionados na cidade medieval linda de buganvílias, da pintora Josefa que viveu no século XVII ou do licor de ginja que se bebe pelo copinho de chocolate. Isto só para mencionar três dos aspetos que me levam a ir a Óbidos repetidas vezes. Mal estamos se o futebol é pretexto para a cultura… e esta vai a reboque.

Os políticos podem aprender uma coisa com estes futebolistas: o profissionalismo que lhes falta!!

Mas os nossos políticos têm culpa no cartório na manutenção desta mentalidade.

Não temos políticos que exercem por gosto e sem outro interesse que não servir. Temos políticos «amadores» no pior sentido.

Não consigo perceber porque é que os políticos têm a convicção generalizada de que o povo é burro

José-Manuel Diogo

Mas deve ser por isso que pensam que um voto é uma emoção e não uma convicção. Que um discurso é uma forma e não um conteúdo. Que uma mentira é apenas outra versão possível da verdade. Que a traição é só uma questão de datas e que a comunicação social tem a obrigação de relatar acriticamente as insanidades irresponsáveis com que a classe politica nos brinda todos os dias.

Porque é que nenhum tem coragem para dizer às pessoas que é preciso empobrecer? Que vivemos os últimos trinta anos numa ilusão de riqueza impossível num país tão pequeno e tão pouco produtivo como o nosso? Que daqui para o futuro, é preciso ganhar menos e trabalhar mais, ir menos de férias e ajudar mais os outros. Ser menos egoísta e mais solidário. E principalmente ser feliz assim.

Porque é que então se insiste num discurso paliativo sobre o futuro quando o presente demonstra que esse mesmo futuro vai ser difícil e em muitos casos dramático? Por uma razão simples: a maior parte dos políticos acha que o povo é um meio e não um fim. [Read more…]

Morrer sob o peso da obra

A minha mania dos recortes de jornal (mais um).

Luis Jiminez (1940-2006) junto da escultura que o vitimou. No Público (16-6-2006) escrevia-se “trabalhava há quase dez anos na obra que viria acidentalmente a provocar-lhe a morte”.

A escultura e a política não têm nada a ver uma com a outra, pois não?… Pois eu acho que devia! O político é o artista da obra efémera. Começa, mas não acaba. A obra que produz tem curta duração e pouca ou nenhuma utilidade. O político tem projectos megalómanos como aquele cavalo para um homem só, mas Luis tencionava acabá-lo. [Read more…]

Medidas Anti-Crise: Vencimentos dos políticos

O governo continua a tomar medidas de estimulo à economia e de combate à crise. A última destas medidas estabelece o fim das indemnizações por despedimento para os contratos a prazo assim como novos limites para a prestação de sobrevivência e de subsídio em caso de morte e a diminuição das indemnizações para os contratos sem termo (os efectivos).

Todas estas medidas fazem parte da estratégia do governo de competirmos no mercado internacional, competirmos nomeadamente com a China através de salários baixos! – São uns génios! – Ainda temos algum caminho a percorrer mas tenho a certeza que, liderados por esta cáfila de iluminados chegaremos a bom porto.

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Ora, saiam da zona de conforto

Passos Coelho considera que os políticos não são bem pagos, titula o Público. Eu que não sou político, sou suspeito. Mas olhando para o salário, para as ajudas de custo, para os fringe benefits e para o número de horas trabalhadas, tenho a certeza que os políticos são bem pagos. Sobretudo quando comparados com o panorama nacional – lamento, não estamos na Europa.

Mas se mesmo assim, ó políticos, se acham que são mal pagos, olhem, sigam o conselho do chefe: emigrem.

Francisco José Viegas está um político feito

Para todas as actividades e profissões, há estereótipos raramente inofensivos e muitas vezes maldosos, mesmo quando há um fundo de verdade. O grande problema surge quando os estereótipos, sobretudo os menos simpáticos, se aproximam demasiado da realidade.

Sobre os políticos, o estereótipo diz-nos que prometem seja o que for para não cumprirem quando chegam ao poder ou que se desdizem para depois tentarem explicar que não se desdisseram ou que foram mal compreendidos ou que as aquilo que disseram foi retirado do contexto ou que os tempos mudaram, ao contrário dos burros, que, como se sabe, não mudam.

Em Portugal, os políticos são iguais aos estereótipos. Exemplo disso é a contradição entre as declarações de Passos Coelho e as medidas que tomou quando chegou ao poder: parecem retiradas de um filme com um mau guião ou de uma farpa queirosiana.

Francisco José Viegas, há cerca de dois anos, condenava o crime que está a ser cometido no Tua e, agora, aceita ser cúmplice desse crime. No fundo, é uma questão de coerência: se fosse coerente com as suas afirmações anteriores, não poderia ser um político.

O último a sair apaga a porta e fecha a luz

Coitado do Soares dos Santos afinal não é só ele, os nossos grandes capitalistas, perdão, os nossos grandes empreen-dedores estão a dar de frosques e as nossas (salvo seja) grandes empresas há muito que beneficiam das Holandas e Luxemburgos destas Europa e outros locais sossegados nos impostos do resto do mundo.

Esta última parte sempre se soube mas finalmente fica clara: a pátria deles é o dinheiro e a fuga legal e ilegal aos impostos mera rotina, um pecado remissível com uma esmola aos pobrezinhos coitadinhos que também não são tributados. Então não se pode ser rico? perguntam como se o problema fosse esse.

O desinvestimento em Portugal já é uma novidade. Significa que sabem muito bem ser hora de fechar a loja, começando pelos hiperrmercados que vão ficar às moscas, fazer as malas ao dinheiro e partir. Quando têm o governo mais à direita de sempre assumem que a austeridade rebenta com a economia e a direita não sabe governar, dando razão à esquerda pelos seus actos, embora continuem a negá-lo nos sermões aos seus devotos.

Façam boa viagem. Já vi este filme em  1974-75, não foi por isso que Portugal deixou de existir, e alguns bem souberam aproveitar a sua ausência (Belmiro que o diga). Esta é a emigração de que precisamos e que nos pode salvar. Mas façam-nos um grande favor: levem os vossos políticos convosco, inventem um governo no exílio. A malta agradece e cá se há-de amanhar a pátria com os que ficarem.

Proibido gostar de políticos

Gostar de políticos em geral é uma actividade para parvos. Ter gostado muito de Obama parece ter sido um pecado universal que, mesmo entre vómitos e o nojo das descrições de brutalidades praticadas pelos soldados dos States no Iraque e pelo mundo fora, parece difícil renegar. Gostar de políticos é uma actividade que deveria ser banida e ensinada como prejudicial nas escolinhas das terrinhas. Alias, gostar de políticos deveria ser algo declarado ostensivamente de “mau gosto”. As velhinhas dos comícios e os seus bonés panfletários deveriam ser inconstitucionais e neste tempo de crise os jantares/ encontro com militantes deveriam ser regulamentados por decreto. Um por ano no máximo. Haveria menos palhaçada e menos gaffes para alimentar a imprensa. [Read more…]

Televigilância e os Porcos

Acabei de ouvir um debate sobre a utilização de câmaras vídeo de vigilância nas cidades portuguesas no programa “Quadratura do Circulo” da SIC Notícias (eu lincava a página do programa, mas parece que a SIC desistiu dessas modernices, se souberem onde anda a dita página, avisem-me por favor!).

Não interessam muito as posições de cada um dos comentadores. Perderam-se em considerações sobre a legalidade e a salvaguarda dos direitos e garantias fundamentais dos cidadãos. Todos foram eloquentes, todos falaram muito bem.

O problema é terem todos esquecido a pergunta mais importante:
 

Estes sistemas funcionam realmente?

 
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Vencimentos dos Políticos

Neste dia de luta dos trabalhadores portugueses, parece-me apropriado publicitar os vencimentos dos detentores de cargos políticos. Tendo em conta os valores auto atribuídos penso que teríamos muito por onde aplicar medidas de austeridade.

No tretas.org pode ler um artigo detalhado e a respectiva legislação que lhe dá suporte sobre os vencimentos auferidos pela nossa classe política, desde o Presidente da República, até ao Presidente da Junta.

A imagem foi feita utilizando os icons monocromáticos do projecto KDE/Trinity disponíveis sob licença GPL v.2.

O problema dos políticos: deram-lhes colo, quiseram mais mama

Nos anos 70 fazia-se política por causas e com paixão. Podem os mais novos duvidar mas era assim, à esquerda e à direita.

Depois veio a década de 80 e cada um (embora nem todos) se fez à vidinha, tratando de pensar em si e desistindo de lutar também pelos outros. Nessa altura os partidos do poder viram-se perante um problema: era preciso um estímulo financeiro para segurar os bons quadros, as tais elites que fugiam para as empresas. Ou lhes pagamos, ou ficamos com os medíocres, afirmavam.

E assim nasceram as mordomias, o aumento dos vencimentos pelo exercício de cargos públicos, e a cereja: subsídios vitalícios e de reintegração. Fazes uns mandatos e ficas com uma base para toda a vida, pá.

Santa ingenuidade, rapidamente se percebeu que os tais estímulos eram inúteis quando ex-ministro se tornou na mais rentável profissão do mundo. Não se seguraram as míticas elites, antes a força magnética do tacho atraiu o que de pior pode haver: gente medíocre, oportunistas em grau superlativo, canalhas puros e duros, alguns hoje caídos em desgraça, o que nem sequer corresponde a  terem sido os piores. [Read more…]

Outro Hipócrita

Ângelo Correia sobre os “Direitos Adquiridos”, os dele, sagrados, os dos outros, nem tanto.

Pode ler a biografia deste grade estadista aqui. Infelizmente não nos faltam homens desta estatura na vida política nacional.

Não temos os políticos que merecemos. Temos os políticos que somos”

Sobre a demissão do Governo, a crise política, o sentimento de descrença dos portugueses em relação à economia, à política, à sociedade, à meteorologia, escrevo um destes dias. Quando me sentir capaz desse feito, equivalente praticamente a um dos doze trabalhos de Hércules. Aliás, não vejo ninguém aflito para escutar a minha opinião. Por isso, não há pressas.

Deixo apenas a frase mais certeira dos últimos tempos. Chegou-me, de mansinho, pelo Twitter de Ricardo M Santos (http://twitter.com/RicardoMSantos).

Diz ele…

Não temos os políticos que merecemos. Temos os políticos que somos.

Pimba. Nem mais, pensei. Se pensei, melhor o fiz: embrulhei a frase em papel de mata-borrão, porque não há dinheiro para melhor, fiz um laço de corda rafeira, e trouxe-vos esta frase para pensarem um bocadinho.

Curso de político

Face às Novas Oportunidades que se adivinham, nada como estar preparado. Afinal de contas a qualificação é esencial para o nosso futuro.

Presidenciais: o direito à abstenção

A campanha  das presidenciais tende a subjugar os portugueses à fatalidade de uma escolha simplificada: ou Cavaco ou o caos. É uma espécie de versão do provérbio “Outono, ou a seca das fontes, ou saltas as pontes”. Portanto, ou viveremos, como já acontece, sob a inclemência de uma seca também alimentada por Cavaco, ou sob o dilúvio de águas da agiotagem de juros de dívidas mais elevados, ‘Aníbal dixit’. Vários anos outonais nos aguardam.

O desfecho eleitoral seja ele qual for, com ou sem Cavaco, não evitará a continuidade da pior das crises económicas e financeiras da História de Portugal, e em particular no período pós 25 de Abril; induzida também, diga-se, pela crítica situação internacional. E, se historiadores e analistas objectivos e independentes investigarem com rigor todo o processo democrático do período pós-revolucionário, convergirão, entre outras, nas seguintes conclusões:  Cavaco, enquanto PM, impôs ao País  um modelo de destruição das capacidades produtivas na agricultura, nas pescas e na indústria; Guterres, mais dócil e popular, prosseguiu com o despesismo das grandes obras públicas. Durão Barroso, ajudado por Portas, comprou os submarinos e, à semelhança do antecessor, evadiu-se para cargo bem remunerado no estrangeiro; depois, a roleta do bloco central ofereceu-nos Sócrates, cuja prestação, tão negativa e contestada, dispensa comentários.  [Read more…]

Como Se Fora Um Conto – Para Estes Não Há Funerais de Estado

Conheci-a num Centro Comercial. Vendeu-me alguns artigos de que eu necessitava e alguns outros que eu não sabia que queria. A sua simpatia era contagiante e o seu sorriso alegrava a alma.

A conversa, essa, veio naturalmente, e ficamos como que amigos. Fiquei a saber que o trabalho era bom e gratificante, que gostava do que fazia e que fazia o que gostava. Só tinha vinte anos mas já trabalhava há perto de quatro. Por incapacidade económica não tinha estudado mais que até ao fim do ensino obrigatório. Talvez que um dia continuasse. Por agora, sentia-se bem assim. Estava a subir na carreira de ‘balconista’, e até já mandava em parte da sua secção. Para além disso, tinha outros interesses que lhe tomavam todo o tempo disponível. [Read more…]

E os Políticos Falaram Devagarinho, Puseram o Chapéu e Foram-se

TUDO PORQUE O SENHOR BISPO FALOU E DISSE
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O senhor Bispo propôs, e a classe política católica falou devagarinho.
Que até é um chamada de atenção bem urdida, que o senhor Bispo falou muito bem, que todos deveríamos estar conscientes de que os que têm mais deveriam partilhar com os que têm menos, que é uma questão de consciência, que acham bem o princípio, mas, todos à uma também disseram quase em surdina, que as resoluções de carácter económico são tomadas em família, que o dar vinte por cento dos rendimentos é uma forma de falar, que criar um fundo social com vinte por cento dos vencimentos dos políticos católicos é uma esmola, que uma esmola é um paliativo que não serve a ninguém e nada resolve uma vez que os pobres continuarão pobres,  que cada um é que sabe se pode dar tal verba, e que tudo isto deveria ser falado com calma e estendido a todos, não só aos políticos. Mais não disseram por vergonha, talvez.
Palavras sábias dos que ganhando muito bem, entendem que o que recebem nem para eles chega.
Palavras daqueles a quem nós todos pagamos, e bem, mas que só sabem arrotar postas de pescada desde que não toquem nos seus vencimentos, nas suas mordomias e nos seus interesses.
Palavras e mais palavras ditas ou cantadas por cima de uma música pimba, na esperança de convencer o Zé Tolinho, e ainda na expectativa de tudo ser esquecido depressa.
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Mas porque é que eu ainda me incomodo com estes tipos?

Cuba – 147 presos políticos e 26 a morrer!

O  jornalista e dissidente Guilhermo Fariñas, está em greve da fome, reivindincando a libertação de 26 colegas seus que jazem doentes nas prisões cubanas. O único crime é não pensarem da mesma maneira que esse regime apodrecido que os irmãos Castro só deixarão viver em liberdade quando desaparecerem fisicamente.

Já em Junho morreu outro dissidente Orlando Zapata Tamayo, morto aos 42 anos no fim de uma greve de fome de 85 dias. Estes lutadores pela liberdade preferem morrer a ceder perante um regime tirano. A pressão internacional adensa-se e o ministro Espanhol Moratinos foi lá tentar pessoalmente convencer Castro. Ao menos que dos 147 presos políticos, libertem os 26 cuja vida corre perigo.

Não há humanismo nestes regimes de partido único, onde não há democracia, nem estado de direito. Cuba é uma imensa tragédia que nada desculpa, mesmo que todos nós já tenhamos estado do seu lado, por esta ou aquela razão, a verdade é que o regime é uma imensa prisão, onde a miséria é o denominador comum. 

Cuba é o exemplo, que não há alternativa à democracia! Por muitos erros e injustiças que a democracia origine, nada se compara a regimes que deixam apodrecer na prisão cidadãos que cometem o terrível pecado de terem opinião própria!

Até siempre comandante!