Campanha de troikas

7882985_5zZKfQue me desculpem os Silvas, mas não há nome que, por ser tão vulgar, assente tão bem a um presidente da república que representa o pior do portuguesinho. Cavaco, o silva, é a imagem fiel da pior mediocridade possível: julga-se iluminado e tem poder. Tivesse o engolidor de bolo-rei ficado por Boliqueime e estaria a divertir os amigos, ao tentar pronunciar correctamente a palavra “programa”, numa qualquer tasca algarvia, para animação do estabelecimento e alívio de um país inteiro.

Do alto da sua mediocridade, e na qualidade de empregado de uma das troikas, não tentou sequer disfarçar que está ao serviço de interesses que, sendo classificados como patrióticos, são puramente económicos e financeiros, ao arrepio de qualquer sentimento minimamente humano. Como não tem na cara qualquer vestígio de vergonha e acredita, com razão, que o povo é desmemoriado, é claro que faz de conta que não contribuiu em nada para o estado actual do país, sabendo-se que, ocupando cargos diferentes, está no poder há quase vinte anos. Se nos lembrarmos que o 25 de Abril faz quarenta anos em 2014, é só fazer as contas. [Read more…]

Laranja do Algarve é que não

O problema do nosso país não teve a sua origem apenas no lapso de Paulo Portas ou na carta de Vítor Gaspar. O erro tem concentradopelo menos dois anos e foi assinado, de cruz, por todos os portugueses que votaram neste conjunto de incompetentes.

Digamos que esta semana foi apenas a apresentação pública do sumo concentrado que tem estado na base da bebida servida pela TROIKA aos Portugueses. Palpita-me que o sumo tinha acabado e Cavaco, talvez a pedido da Maria, mandou vir mais um frasco de concentrado. Para que tudo fique na mesma, claro.

E dentro do frasco original, vinha um bando de gente mal preparada que chegou ao governo achando que tudo se resolvia cortando. Dois anos depois está mais que provada a falência da receita – temos mais desempregados, maior dívida e o défice com um valor historicamente elevado. O problema, repito, não está em saber se Paulo fica ou sai, se o Gaspar tinha razão ou, até, se foram os  Professores que provocaram esta confusão no governo. A receita do sumo está errada e, além do sabor, temos que deixar os sumos concentrados e passar a servir um sumo natural de frutas nacionais, pêra rocha, por exemplo. Laranja do Algarve, por causa das confusões, será de evitar.

Cavaco Silva e os seus boys têm uma intenção clara – permitir aos grupos económicos a entrada na Saúde, na Educação e na Segurança Social. E, só vão desistir, quando o conseguirem. É por isso, que não podemos continuar a beber este sumo de segunda. Portugal e os portugueses precisam de voltar a ter economia e para isso o mercado interno tem que voltar a ser uma aposta central do governo. Não podem continuar a cortar nos salários e nas aposentações – podem, por exemplo, dispensar todos os assessores e agências de comunicação que por estes dias encheram os jornais, as televisões e a blogosfera de pseudo-informações. Fica a sugestão…Mas, mais laranjas é que não.

A Acta dos Professores (iii): os contratados

Quando escrevo contratados no título do post estou a pensar na questão do emprego e não na condição A ou B porque, em abono da verdade, o que fez mexer a classe foi o receio pelo emprego, foi o medo de ter ou não ter trabalho. E, por isso, qualquer análise, mais ou menos apaixonada deve ter como base esta questão – o emprego.

Pergunto: a acta assinada garante ou não o mesmo nível de emprego hoje existente na profissão?

Sim e talvez até aumente o número de contratados. Como?

Simples:

– a Direcção de Turma que o MEC tinha tirado da Componente Lectiva regressa à casa de partida (3 mil horários que continuam);

– há actividades até agora por regulamentar que passam directamente para a componente lectiva, o que significa mais horários;

– 6 mil docentes com a aposentação pedida não irão ter serviço a 1 de Setembro. São mais 3 mil horários;

– a componente lectiva fica como está, ou seja, não aumenta o nosso tempo de aulas. Falava-se em 3 horas a mais na componente lectiva. Se fossem 3h por cada um dos 100 mil professores no sistema…

– a redução por idade na componente lectiva não sofre qualquer alteração.

– a componente individual fica claramente definida, algo até agora mutável ao sabor de cada Director.

– um professor só será enviado para horário zero se não tiver mesmo qualquer hora na sua escola.

Podia ser mais e melhor?

Claro. Poderia até haver um ponto sobre o aquecimento global e a caça às baleias, mas num país ditatorialmente gerido pela TROIKA, num país onde mais ninguém se levanta para dizer não, o que se conseguiu é, pelo menos, positivo. E, em termos de emprego docente, é brutal!

E, mais uma vez, os Professores foram exemplares na forma como lutaram!

Sétima Revisão da Troika: documentos traduzidos para português

Introdução

AVISO: Este trabalho ainda não foi revisto. Penso no entanto que é importante este material estar o mais cedo possível disponível para discussão. Agradeço que deixem um comentário caso encontrem gralhas ou omissões.

Esta é a tradução dos documentos publicados pelo FMI no dia 12 de Junho (PDF). Como é normal, tanto para este governo como para o anterior, a tradução destes documentos para português parece não ser considerada urgente. A menos que, naturalmente, haja alguma pressão dos meios de comunicação social. A página do governo onde se encontram os documentos das sucessivas revisões da Troika contém traduções para os memorandos relevantes, infelizmente essas traduções costumam aparecer três a cinco meses depois de serem publicados os originais, ou seja quando já não são necessários, quando são irrelevantes.

Assim, mais uma vez, a tradução destes documentos recai sobre os ombros dos próprios cidadãos. Estes documentos são talvez mais importantes que o próprio Orçamento de Estado dado que são eles que, em última análise, ditam as políticas, estabelecem os objectivos e, de uma forma geral, norteiam a acção dos governos.

Do comunicado à imprensa do FMI, podemos ler: [Read more…]

Quem prejudica os alunos?

No sector da educação por exemplo, a racionalização da rede de escolas e a convergência de indicadores chave, nomeadamente a dimensão das turmas, para próximo de níveis de referência, estará no centro das nossas reformas”

Está assim, preto no branco, no sétimo relatório das potências ocupantes, vulgo troika. São as reformas deles. É uma tendência que vem de anos anteriores, e como só um idiota defenderá a bondade da ideia, mas já que até funciona nalguns países devidamente acompanhada por castigos corporais, resta isto:

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Ou seja, o regresso da vara, da palmatória ou da menina de 5 olhos. Veja vídeos demonstrando o sucesso desta modalidade de ensino na Coreia do Sul,

Televisão pública grega, a partir de hoje

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(www.ert.gr)

2.656 funcionários públicos despedidos da noite para o dia. O primeiro país da União Europeia a perder os serviços de rádio e televisão públicas, financiados pelos cidadãos com uma taxa mensal de 4,3 euros. Uma emissora nacional com 70 anos de história encerrada até ordem em contrário. Em nome da redução de gastos e do superior interesse dos credores. Bem-vindos à Europa pós-troika.

Entretanto, a emissão continua aqui.

Zandinga post (2): os sindicalistas são uns malandros

Os boys pagos com o nosso dinheiro e que estão ao serviço do Governo vão aparecer a criticar os sindicatos, os sindicalistas, quem faz greve… É um excelente sinal! Preocupado ficaria se nos viessem aplaudir! Ou então, como no tempo da Maria de Lurdes, se viessem descer a Avenida no meio das nossas manifs

A democracia da injustiça e do conflito

O ambiente sociopolítico tem vindo a registar uma degradação e tensões crescentes. Em complemento de manifestações de oposição ao governo, frequentes e mais ou menos participadas, sucedem-se protestos e vaias “inorgânicos”, de Norte a Sul do País.

No fim-de-semana, em Trás-os-Montes, o primeiro-ministro foi acolhido em ambiente de contestação por grupos diversificados em função da área profissional e/ou económica. Hoje, a semana iniciou-se com o impedimento do secretário de Estado dos transportes, Sérgio Monteiro, de discursar na conferência “A região metropolitana, a mobilidade e a logística”, em Lisboa.

Salvo a fase do PREC, naturalmente turbulenta, nunca o nível de conflitualidade social se elevou a este tom. Naturalmente, que a receita de dura austeridade prescrita pela CE, em especial pelos países poderosos da ‘Zona Euro’ aliados ao FMI, está na origem das contestações às injustiças do governo actual: captura e redução de rendimentos a funcionários públicos, reformados e pensionistas, liberalização dos despedimentos e consequente expansão desenfreada do desemprego e de insolvências, propósito de afastamento de dezenas de milhares de profissionais da função pública, endividamento externo em acelerado crescimento, quebras acentuadas do PIB e défice orçamental acima das previsões governamentais.

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Benfica, Fátima e outras divindades

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Nos últimos tempos, António Mexia, infelizmente benfiquista e sanguessuga-mor do regime, terá afirmado que as vitórias do Benfica nos campeonatos fazem bem ao PIB. Sem as vitórias vermelhas, o PIB, pelos vistos, andaria murcho, viveria descontente, embebedar-se-ia com tintos melancólicos, poderia até cantar fadunchos arrastados, cheios de ontens luminosos e carregados de hojes olheirentos, soluçando pelas ruas mal iluminadas.

A ser verdade a asserção mexiana, a solução para os problemas do país seria tornar obrigatórias as vitórias do Benfica, inscrevendo essa obrigatoriedade na Constituição. Alguns poderão dizer que isso acabaria com a verdade desportiva. Nada de novo: não me lembro de nenhum campeonato em que se reconheça mérito ao campeão. Seja como for, o que é a verdade desportiva comparada com o PIB? A primeira só existe para quem ganha; com um PIB saudável, ganhamos todos.

E se não for verdade aquilo que disse Mexia? E se não houver nenhuma relação entre o bem-estar do PIB e os golos de Cardozo? Não seria de admirar: Mexia já foi ministro, que é, em Portugal, o nome que se dá aos estagiários que irão gerir empresas de lucro garantido. Como não estamos num país, não faz sentido exigir a Mexia que seja sério e que respeite o clube de que é adepto e, sobretudo, os concidadãos que são obrigados a perder dinheiro e empregos para engordar antigos ministros e outros parasitas da classe nédia. [Read more…]

Portas, o esperto

Diz  a canalhada aqui pela terra, que espertos são os cães. Que a qualidade humana equivalente é a inteligência.portas

Palpita-me, por isso, que Paulo Portas se enganou na porta. Mas, que é esperto, ai isso é. Só tem um problema – como se julga esperto, pensa que os outros são burros.

Em jeito de legenda desta imagem, poderia dizer que na sexta o governante do meio falou, o da direita, sorridente esperou por domingo. E disse que, pela velhinha – a da esquerda – iria até ao fim do mundo. Parece que, afinal, o mundo tem fim e bem próximo, tal a celeridade da viagem do Portas. Foi de zero a cem em menos de uma semana – zero cortes nas aposentações até ao, vamos a isso, a todo o vapor. Obviamente, todos sabem que cortar nas aposentações e ainda por cima com efeitos retroactivos é uma inconstitucionalidade tão gritante que até o Marques Mendes, se conseguir subir acima de um banco, conseguirá ver.

Claro que ninguém voltou atrás – claro!

O CDS e o PP, com Portas, nunca voltam atrás: eram pelos contribuintes e são responsáveis pelo maior aumento nos impostos de há memória. Agora, eram pelos velhinhos, mas vão às reformas sem qualquer problema. Sempre o soubemos. Nós e eles – só é pena haver tanto povinho esperto que não vê o que esta gente tem em mente. Será que no Fórum para trocar cromos se conseguem trocar alguns destes?

Parece-me fidedigno

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Roubei aqui.

De todos os lados

Praticamente não houve lua de mel do povo português com a troika. Pouco depois de a troika ter entrado em território nacional, começaram a chover os protestos e as manifestações em todo o país. Por tabela, o governo nunca teve estado de graça porque cometeu o erro, diga-se que pouco inteligente e muito saloio, de gritar aos quatro ventos que o governo iria “mais além da troika”, que a austeridade iria acontecer “custasse o que custasse” para se atingir o sublime objectivo de “empobrecer o país”. E como assim aconteceu, com tremendo sofrimento do povo e visível regozijo da senhora Merkel, o país atónito passou da desconfiança à rejeição, agravada por observar a olho nu o servilismo, a ausência de coluna vertebral de todo o gang da bandeirinha na lapela. A rejeição passou a ser demonstrada por todos os meios: na rua, nas escolas, nas famílias, nas empresas, nas forças armadas, nos lares, nas galerias do parlamento, em toda a parte. As vaias aos governantes têm-se sucedido, a Grândola Vila Morena passou a ser um hino de revolta de norte a sul do país. Os artistas explodiram ao verem em perigo a liberdade conquistada em Abril de 1974.

Mas havia uma nuvem sobre esta unanimidade popular: as pessoas julgavam-se sós, isoladas do mundo na sua revolta. Daí a desusada atenção com que passaram a olhar para a Grécia, Chipre, Irlanda, Espanha, Itália e França. Os sindicatos, os trabalhadores portuários, os bravos trabalhadores dos estaleiros de Viana do Castelo, a internet, os jovens, os artistas fizeram o resto: começaram a deslocar-se a Portugal figuras desses países para mostrarem a sua solidariedade e acordo. Puseram-se muitas esperanças em François Hollande, presidente da França, mas ele cometeu o erro fatal de ser demasiado bem educado, demasiado cavalheiro e conciliador com uma mulher como Merkel, formatada na arrogância prussiana e no bloqueio totalitarista da antiga RDA de sinistra memória. É um caso perdido. [Read more…]

Águas paradas: o consenso alargado

passos coelho miguel macedo vitor gaspar miguel relvas governo consenso politicoCavaco Silva, o chefe de gabinete de Passos Coelho, aproveitou o seu discurso nas comemorações do 25 de Abril para explicar que o país, graças ao governo, está melhor, apesar das “consequências gravosas”, o que poderia ser engraçado, se não fossem as consequências, e poderia ser inteligente, se fizesse algum sentido um país estar bem, quando os cidadãos estão mal. [Read more…]

Zona Euro está bem, Portugal também

O primeiro segmento deste texto parece contraditório em relação ao título, mas a razão ficará demonstrada ‘à posteriori’.

Comecemos pela parte negativa. O alemão Wolfgang Munchau, residente no Reino Unido e editor do ‘Financial Times’, afirmou ao ‘Expresso’:

Portugal vai precisar de um segundo resgate

Negando o acesso fácil de Portugal aos mercados – ponto de vista oposto ao de Gaspar e da ‘troika’ – Munchau prognostica para o nosso País um nível significativo de incumprimento da dívida, negociado ou não.

Sucede que Munchau e a mulher, Susanne Mundschenk, são fundadores do blogue Eurointelligence. Publicou, com sarcasmo, o ‘post’ intitulado ‘All is well in the eurozone’ (Tudo está bem na Zona Euro), a seguir traduzido:

Num texto ‘op-ed’ no New York Times, celebrando a capacidade de resolução de problemas da zona do euro, o presidente do Eurogrupo Dijsselbloem, o comissário Rehn, O conselheiro do BCE Asmusen, Regling do FEEF e Hoyer do BEI dizem que a evidência é clara e que a resposta política à crise é reequilibrar a economia e garantir a integridade do Euro. Eles explicam que a crise do Euro é a consequência da ‘falta de reforma’ do passado, levando a um acumular de desequilíbrios macroeconómicos e orçamentais que a UE está a trabalhar duramente para corrigir. A falta de uma união bancária é igualmente mencionada como uma falha de projecto estrutural, que também está a ser tratada. O ‘sério desafio social’ do ‘desemprego inaceitavelmente elevado’ é um lamentável custo das reformas necessárias, mas o BEI está expandir os seus empréstimos para solucioná-lo. O artigo também explica que as políticas do BCE não convencionais têm resolvido com sucesso a fragmentação dos mercados financeiros. [Read more…]

Uma ideia!

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No Público em árvore morta de hoje.

Tenham vergonha!

Fotografia: Ministério da Verdade - Lisboa, 16.04.2013 Tirada do Facebook

Fotografia: Ministério da Verdade – Lisboa, 16.04.2013
Tirada do Facebook


Chama-se Fernanda Policarpo. É a mais recente vítima do terrorismo político em Portugal.
Enquanto muitos partilham velinhas e preces pelos caídos em Boston, poucos vejo fazer alguma coisa pelos nossos que também tombam. De fome, de sede, de desespero…
Esta senhora tombou por lutar, por se manifestar contra a Troika que está luxuosamente acomodada no Ritz para, sabemo-lo bem, nos esmifrar ainda mais.
Foi vítima de violência policial. Diz que agrediu um agente policial durante a acção-relâmpago convocada pelo movimento Que se Lixe a Troika.
É mulher e tem 49 anos. Alguém acredita que era necessária esta força para dominar tão perigosa meliante? Que ela constituía qualquer perigo para os polícias?
Ao que se sabe, estará presente esta manhã no Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa.
Calemo-nos todos e partilhemos velinhas e preces vazias de sentido pelos que sofrem noutros países. Os Portugueses não são importantes.
A menos que morram.
Talvez nem assim.

Gaspar e ‘troikas e baldroikas’

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Vítor Gaspar, como sabemos, é um  neoliberal fundamentalista. As ideias que sustenta, baseadas em modelos econométricos que, sem excepção, saem furados, convertem-no no principal responsável pelo duro projecto de empobrecimento dos portugueses – o Coelho aprova e na matéria não mete o bedelho e Cavaco, em permanente abstinência de bom senso e lucidez, coopera com as promulgações de leis iníquas.

Mas, alto lá!, Gaspar é professor. Exímio no tom do discurso causador de dormência, gosta de falar, falar, falar. Quanto mais não seja para se ouvir a si próprio.

Há um ou dois dias, foi a Dublin dar uma extensa lição (Apresentação Gaspar_Dublin_11_Abril_2013), sobre Portugal nos últimos anos e no tempo presente.

O passado é permissivo de diagnóstico, e independentemente de uma ou outra manipulação,  lá se valeu, em abundância, de números  desde 2008, sem dar importância significativa a toda a série de erros grosseiros iniciados por Cavaco e continuados por Guterres e sucessores. [Read more…]

Quem foi o radical que disse isto?

“Portugal enfrenta o desafio de ter de financiar mais necessidades do que antes do programa [de resgate], mas com um rating abaixo do nível “investment grade” [o nível mínimo de segurança exigido por investidores institucionais estáveis]”

Resposta aqui.

Não é fechando o país

que se resolvem os seus problemas (António Nóvoa).

O primeiro empréstimo da troika está a correr muito bem. Venha o segundo.

O BCE está a ganhar 1% com o empréstimo. A banca nacional ganha 1% a 2%. Os credores ganham uns 7%.  É claro que o programa da troika é um sucesso – é só uma questão de perspectiva. [Read more…]

O PP tem sempre razão

Sou um incondicional do Pacheco Pereira, um homem livre, como há poucos.

Se concordo sempre com ele?

Claro que não, mas gosto da forma livre e inteligente como ele exerce a sua participação no Espaço Público. Não resisto, ainda que isso possa não estar no manual de boas práticas da blogosfera,  a reproduzir integralmente os dois últimos escritos no Abrupto:

O Material tem sempre razão (6)

Vale a pena repetir. Existe democracia quando se verificam duas condições: a soberania popular expressa pelo voto, e o primado da lei. DUAS CONDIÇÕES.

O Material tem sempre razão (5)

Há várias  coisas que nunca se devem esquecer: esta gente é vingativa e não se importa de estragar tudo à sua volta para parecer que tem razão. Já nem sequer é por convicção, é por vaidade e imagem.
Outra coisa, ainda mais complicada, que também não deve ser esquecida: o governo considera bem-vindas as ameaças da troika. São a chantagem que precisam, pedem e combinam. Não são uma voz alheia, nem dos “credores”, nem da troika, nem de ninguém, são o auto falante agressivo que o governo necessita para tornar a sua política inquestionável e servir de ameaça a todas as críticas. E por último, e não é de menos, esta gente é perigosa e, na agonia, muito mais perigosa ainda.

(A propósito do despacho do ministro Vítor Gaspar de 8 de Abril que pára o funcionamento do estado português, atribuindo essa decisão ao Tribunal Constitucional. O governo entrou numa guerra institucional dentro do estado, em colaboração com a troika, para abrir caminho a políticas de duvidosa legalidade e legitimidade baseadas no relatório que fez em conjunto com o FMI. Não conheço nenhum motivo mais forte e justificado para a dissolução da Assembleia da República por parte do Presidente do que este acto revanchista contra os portugueses.)

O síndroma Egas Moniz

Sempre me inquietou aquela ilustração dos antigos livros de História em que o fidalgo, com a mulher e os filhos, descalços e de baraço ao pescoço, se davam à morte na frente do Rei de Leão e Castela.
Se o Afonso Henriques rasgou o memorando, desculpem, marimbou no acordo feito porque tinha mais que ser, se estavam sitiados e quase mortos de fome tinham de prometer qualquer coisinha e nessas alturas promete-se tudo e mais alguma coisa e quem nunca o fez pode-se dar por feliz, e entrou por Galiza adentro, ele lá sabia o que estava a fazer, e se até um antigo presidente da assembleia geral da ONU já disse que os acordos entre Estados, ou condados ou lá o que nós éramos, ou ainda somos, não têm de ser cumpridos porque, infelizmente, a maior parte deles nunca passa de letra de forma, não pode ser desonra para um homem de estado dar o dito por não dito mas se o Egas se sentiu incomodado então que fosse sozinho e deixasse a mulher e as crianças em paz.
Essa é a parte que me chateia, o gajo levou a mulher e os filhos para pagarem por um suposto erro dele e de certeza, ou quase, que não lhes pediu a opinião: Vamos lá que se eu estou lixado vocês vão estar comigo que o meu senhor vai ter de perceber que sou um homem de palavra e sacrifico os meus por ela sem levantar armas ou tentar defendê-los. [Read more…]

BCE deve devolver lucro…

feito com a dívida portuguesa (1%), diz Seguro. E os lucros feitos pelos amigos da banca portuguesa (1% a 2%) são para esquecer?

Estes economistas já vêem Portugal fora do euro e dizem como vai ser

No jornal I.

Combate ao abandono escolar por Daniel Sampaio

A redução do abandono escolar é uma conquista, mas não pode fazer esquecer a realidade do insucesso, da indisciplina e das dificuldades emocionais que, infelizmente, caracterizam o quotidiano de muitas crianças e jovens das nossas escolas. Por isso, não pode estar certa a ideia de dispensar, por exemplo, cem professores, muito menos a de mandar para o desemprego dezenas de milhares. A não ser que se deseje ficar mesmo sem professores.

Na Revista do Público de hoje, um artigo de Daniel Sampaio que vale a pena ler.

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Inveja do Chipre

Não conheço os detalhes que levaram o parlamento do Chipre a recusar a medida que a União Europeia tentou aplicar. Não sou, também , um especialista no Chipre – sei que é uma ilha vizinha da Turquia e pouco mais, mas a Wikipedia pode dar uma ajudinha.

Mas, mesmo ignorante, sinto uma enorme inveja da posição que eles tomaram. Têm menos habitantes que o Grande Porto (um pouco mais de 800 mil habitantes) e são, por isso, uma migalha quando comparados com o gigante Alemanha. Mas, os seus parlamentares tiveram os tomates no sítio e votaram contra a imposição da Europa. Não sei o que lhes vai acontecer, tal como não faço a mais pequena ideia do que nos vai acontecer, mas estou cada vez mais convencido que está em marcha um processo político que tem como principal objetivo destruir a União Europeia e acabar com o Projeto Europeu.

Sou, desde sempre um internacionalista a quem agrada, MUITO, uma Europa das Pessoas e por isso quero ser parte de uma solução que junte povos e pessoas e não uma saída que nos separe a todos – não concordo com a proposta do PCP. Penso, no entanto que começa a valer a pena olhar para dois casos: a Islândia e a Argentina – algures ali no meio estará a saída para Portugal, não?

O respeitinho é muito feio

moncorvoO chamado Presidente da alegada República dita portuguesa, Cavaco Silva, deslocou-se ao concelho de Torre de Moncorvo, onde foi injustamente vaiado, anteontem. Injustamente, porque merece muito pior do isso, tendo em conta as pesadas responsabilidades que tem no estado em que vivem muitos cidadãos, uma vez que, depois de ter sido um primeiro-ministro inevitavelmente medíocre, foi cúmplice de Sócrates, de quem se limitou a dizer mal, e faz parte do bando da troika, apoiando Passos Coelho, para quem ser primeiro-ministro não passa de um estágio remunerado para outros voos, como teremos ocasião de confirmar antes cedo que tarde. [Read more…]

Pensei que já existisse

“A criação de um consenso nacional é fundamental para o nosso futuro colectivo” – vítor gaspar

Então, o que é isto, se não consenso nacional?

O homem que não acerta uma

Falhas previsões, atrás de previsões. É que não acertas uma. Isso, convenhamos, é mau para um ministro das Finanças, que deveria tratar os números por ‘tu’.

Reconheces que a recessão é séria, grave e que os elevados níveis de desemprego são alarmantes. E depois? Isso é evidente, está à tua frente todos os dias. Ou andas distraído. E tu, sim, tu, és um dos responsáveis. Longe de ser o único mas fazes parte desse grupinho de gentalha.

Isso é mau para um ministro cuja missão deveria ser olhar pela saúde da economia e finanças nacionais, em vez de ser apenas um mero técnico oficial de contas da troika.

Lisboa - Conferência Vitor Gaspar

Falas de números de desemprego. Ninguém te disse que não são números, são pessoas? Reais.

Tens coragem de assumir as más notícias. Mas não tens coragem de assumir os erros próprios e, acima de tudo, não tens coragem de ir pregar a outra freguesia. Se houver fregueses que te queiram aturar.

Hoje, Gaspar, hoje somos um país mais triste, mais desesperançado, mais perdido e em depressão. Isto, Gaspar, deve-se a ti. Não só. Mas também.

Pânico

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