A Academia Nobel decidiu premiar o poeta Tomas Transtromer com o prémio Nobel da Literatura 2011. Praticamente desconhecido em Portugal, com apenas alguns poemas traduzidos e dispersos (alguns a partir do castelhano), Tomas Transtromer é, curiosamente, um conhecedor de Portugal, como descobri aqui. Com a devida vénia a Sylvia Beirute e ao poeta e tradutor Luis Costa, eis um poema significativamente intitulado “Lisboa”
Prémio Nobel da Literatura para o poeta Tomas Transtromer
O dia em que o Estado me defendeu
Fui recentemente alvo de protecção estatal, a qual se concretizou no pagamento à Câmara Municipal de Sintra de diversos emolumentos. Para se ter uma ideia do que se está a falar, aqui fica uma amostra:
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m.l. = metro linear; lista completa
Portanto, para me proteger – é para isso que estas coisas existem, não é? – preparar-me para o Inverno (algerozes, ter uma sebe com uma regueira que escoe as águas pluviais e arranjar um abrigo para um cão) ficar-me-ia neste exemplo, em cerca de 75 euros (considerando os 25 € a pagar pela “comunicação prévia”). Tive ainda que perder um dia de trabalho para seguir os trâmites que lhes permitam dizer que isto não é apenas extorsão. Ao menos que arranjassem um NIB e que se deixassem deste faz de conta. O resultado era o mesmo e sempre melhorava a produtividade nacional. Mas se calhar eu ficava mais desprotegido…
Portugal, República em permanente transição. A Troika

Em textos diferentes, tenho arguido que Portugal, como país, tem sido uma estrutura em permanente mudança. Mudanças que pretendo narrar en breves linhas desde o dia de hoje até à implantação da República. Para fazer do texto um ensaio leve, como as empresas de seguro, muito damos, pouco recebemos, digamos que é andar como o caranguejo, sempre para trás. [Read more…]
Morreu Steve Jobs
Morreu Steve Jobs, pai e padrinho de muita da mais bela tecnologia do mundo moderno.
Era uma vez um rei com uma grande barriguinha
A República

É História bem conhecida que a República portuguesa não foi uma opção do povo bem como uma implantação por um grupo do Partido Republicano, pelos maçons e um largo número de apoiantes populares que estavam cansados de serem explorados no trabalho das terras dos Condes, Duques e Barões, que viviam uma rica vida, [Read more…]
F.C.Porto Campeão, seja qual for a modalidade
Não importa de que modalidade falemos, quando falamos do FCPorto, falamos de troféus conquistados.
Desta vez falo de Basquetebol, como antes falei de Hóquei, Bilhar ou Andebol, e noutras alturas do muito mais mediático Futebol.
Em Vagos, o CAB Madeira veio defrontar o FCPorto para apurar o vencedor da Supertaça de Basquetebol.
Com naturalidade os portistas venceram por 76-62, sendo este o primeiro trféu da presente época.
Quatro canções da República
Fado do Zé Povo – por Carlos Santos, cerca de 1912. Uma cantiga muito actual, ao serviço de qualquer república.
Canção Popular Republicana – por Isabel Costa e Duarte Silva, cerca de 1919, apelando à mobilização contra a Monarquia do Norte.
Fado do 31 – de Pereira Coelho e Alves Coelho, cantado por Maria Litaly, cerca de 1913. Uma referência clássica ao 31 de janeiro de 1891
A Portuguesa – interpretada por Jorge Bastos, cerca de 1912, uma das primeiras gravações do Hino Nacional.
Os netos dos que não foram à Índia:
Não serei a melhor pessoa para avaliar estas coisas. Tirando o Porto Canal, por razões óbvias (profissionais, sentimentais e de proximidade informativa) vejo pouca televisão. Tirando a informação, só cabo (e mesmo assim, pouco).
Nas redes sociais, em especial no facebook, vou-me apercebendo que os programas/concursos de novos talentos musicais existentes em Portugal são idênticos aos que existem noutras paragens. A produção é a mesma, o estilo dos apresentadores não é muito diferente e a qualidade geral não difere muito de cá para lá. Apenas num ponto as coisas são muito diferentes, assustadoramente diferentes e que nos devem obrigar a pensar. [Read more…]
Viva a república, abaixo a república!
Nunca, em Portugal, se falou tanto em república. Pelo menos desde Outubro de 1910. Fala-se no regime, porque o regime paga. É justo. A propaganda ideológica refinou-se ao longo do século XIX, definiu a ascensão dos grandes e mortíferos regimes do século XX e é usada no século XXI para distrair dos problemas económicos e sociais. Enquanto se alimenta o mito do regime igualitário e fraterno, mina-se a liberdade amordaçada entre acrisia e conformismo. Salazar e António Ferro sabiam-no bem e, nesse aspecto, as comemorações do Centenário da República são herdeiras directas dos grandes festejos de 1940 sobre a Nação e o novo regime.
Muito antes de Cromwell e da Revolução Francesa, muito antes do marxismo modelar a ideia de república como o melhor de todos os regimes, já república constituía a designação para a coisa pública. Não a coisa do povo, – essa entidade abstracta onde todos se incluem e onde ninguém deseja incluir-se-, mas a gestão do lugar público. Nas praças e nos caminhos, onde sempre se decidiram os desígnios comunais, fazia-se política. Com a Revolução e o Liberalismo a política passou a fazer-se em casas parlamentares e as eleições que dantes se realizavam inter pares, hoje fazem-se intra grupos. A política deixou de ser para todos. Estava porém aberto o caminho para que a ideia de república se transformasse no ideal que é hoje: o de um suposto absoluto nivelamento e igualdade entre cidadãos (mas só entre os que fazem política).
O republicanismo português, que se aproveitou da ignorância e do analfabetismo grassante em 1910, construiu-se sobre a noção de que qualquer pessoa podia tornar-se chefe de estado, contrariando a ideia de que aquele lugar pertencia a uma família de privilegiados. Nunca conseguiu explicar, contudo, que apenas mudavam os privilegiados e não os privilégios. [Read more…]
O discurso do 5 de Outubro
O Dom, um problema da historiografia portuguesa que tem o dom de me enervar
Consulte-se a Wikipédia em português, escolhendo o nosso primeiro rei: a entrada Afonso I de Portugal começa assim: “D. Afonso I de Portugal, mais conhecido por Dom Afonso Henriques”.
Façamos o mesmo exercício na Wikipédia em francês, por exemplo procurando o Rei-Sol: o resultado será Louis XIV de France, referido no texto por “Louis XIV dit le Roi-Soleil ou Louis le Grand”. Continuemos pela Wikipédia de língua castelhana: Alfonso VII de León el Emperador, ou mesmo pela de língua inglesa: Elizabeth II é designada por Elizabeth II (Elizabeth Alexandra Mary, born 21 April 1926).
Utilizei a Wikipédia mas podia abrir qualquer livro de História numa destas línguas e o resultado seria o mesmo: só em Portugal uma ciência mantêm o tratamento reverencial de Dom aos seus monarcas. Pior do que isso, e embora haja alguma polémica entre os supostos herdeiros da aristocracia, tal tratamento estende-se muitas vezes à nobreza e ao defunto clero.
Segundo o dicionário mais à mão, Dom: Título honorífico que em Portugal se dava aos membros da família real e da antiga nobreza e a certas categorias religiosas. A Wikipédia insiste no “é um pronome de tratamento concedido a (…)” incorrendo num erro de conjugação verbal – isto é passado, onde está é deveria estar foi -, a República extinguiu, como lhe competia, os títulos nobiliárquicos, sendo de resto um perfeito abuso que alguém ainda seja tratado por conde do raio que o parta ou visconde da mãezinha que o deu à luz, assumindo uma distinção claramente inconstitucional. As formas de tratamento em Portugal são muito genuflectoras, e sendo verdade que aos velhos títulos sucedeu o prefixo Dr. colocado antes de qualquer licenciado, dizem muito sobre a natureza das relações sociais. Quanto a isso, paciência. Agora em escrita que se pretende científica é um erro crasso que urge corrigir (e não me venham com a tradição, que ela já não é o que era).
O fim da monarchia e a Republica Portuguêsa
Esta manhã, quando revejo provas das palavras que ahi deixo, chega a minha casa a notícia de ter sido proclamada a Republica Portuguêsa.
Há mais de um anno que este livro vive nos meus papeis, esperando a sua vez de ser publicado. Durante um anno esse desabar e esboroar contínuo da monarchia e da vida politica amorteceu e segui, como se os donos da casa, numa indolência de preguiça á beira do regato, se ficassem na somnolenta modorra de quem não dá um passo para salvar uma vida, no automático aborrecimento da propria vida. Durante um anno a politica portuguesa foi uma fuga constante do «salve-se quem poder». O partido republicano construiu serenamente o seu edifício ; e ninguem apareceu a reagir, opondo uma vontade a essa vontade, alimentando uma energia, erguendo um clarão de esperança. « Salve-se quem puder » ; « salve-se quem puder ». E nem quem podia se salvava.
Como um condemnado que se vê já a braços com a pena suprema e conhece que nada vale defender-se, os homens da monarchia abriam os alçapões e safavam-se por elles como diabos de mágica. [Read more…]
Casa dos degredos
Vivemos num país onde é impossível planear, o país eternamente conjuntural, o país em que se fala de “reformas estruturais” não porque se devam fazer e não porque o sejam na verdade, mas porque estamos em crise e a crise é uma “janela de oportunidade”. Somos, afinal, um país em que só se pensa quando está em crise, que é altura em que não é possível pensar, é a altura em que se devia ter pensado.
Depois de dinheiros públicos que uns poucos desperdiçaram e que muitos outros pagarão, aparecem logo ideias para cortar “as gorduras” e repete-se até à exaustão a expressão esvaziada de que “é preciso fazer mais com menos”, sem se dizer que não é só menos, é muito menos, sabendo-se, portanto, que não será possível fazer-se mais. É neste momento que se reafirma a ideia de que a gestão pública é má porque é pública e não porque é simplesmente má ou porque tenha estado e esteja sujeita à corrupção legalizada. De repente, descobre-se que é preciso fundir municípios, fundir escolas, fundir a torto e a direito, num país que está cada vez mais fundido e mal pago, uma nação que é, no fundo, um degredo.
Entretanto, faz-se tudo para que não se debata, porque “não há outra solução” ou porque “este é o único caminho”. Aqui, não se debate. Não se debate porque não estamos em crise, como dizia Sócrates. Não se debate porque estamos em crise, diz Passos Coelho. Portugal continua a ser a pátria em que o cidadão tem o privilégio do voto e o dever do conformismo, uma espécie de testemunha de casamentos que deverá calar-se para sempre, limitando-se a confiar. Este país é, enfim, uma casa dos segredos cujos habitantes devem aceitar manter-se na ignorância, obedecendo cegamente a uma voz.
Vandalismo, sem Banksy
Das discussões tidas aqui no Aventar sobre o tema, fica claro que o vandalismo pode ser arte, mas é sempre vandalismo.
Finalmente, alguém que nos acuda
imagem: DN
Hoje, na minha habitual e atenta leitura pelos diários, a qual inclui boa parte do título e um crítico olhar pelas fotos (especialmente se se tratar do Correio da Manhã), dei com esta boa nova. A Agelina Jolie (foi? vai ser?) enviada para situações dramáticas. Atendendo a que na mesma foto está António Gueterres, o qual,como se sabe, resolveu perdoar a dívida à Madeira quando foi primeiro-ministro, diz-me o meu olho de lince que a craque do Thumb Raider foi/vai ser destacada para desenterrar o tesouro feito dos milhões de euros que o Alberto João enterrou na Madeira. Finamente, alguém que nos acuda, que estamos mesmo aflitos.
Sacudindo a água do capote
Como não dá jeito nenhum constatar o óbvio, que Alberto João Jardim é de direita, continuador do regime de antes do 25 de Abril que nunca chegou à Madeira, a direita continua a despejar megabytes tentando associar o construtor de estradas que servem duas ou três casas ao pobre Keynes, que tem as costas largas.
Não dou lições de economia a ninguém, mas de História Económica (e Social, componente sem a qual a primeira não faz sentido) ainda sei umas coisas. O suficiente para perguntar se, seguindo a mesma lógica, Salazar e sobretudo Duarte Pacheco, Cavaco Silva e as suas auto-estradas, também são keynesianos. E já agora manifestar a minha curiosidade em saber qual o candidato a PR que apoiaram nas últimas eleições, e nas anteriores, e por aí a fora.
Estas orfandades auto-impostas dão um jeitaço. A direita só tem memória de si própria quando lhe convêm. E continua fiel à velha lei da propaganda agora modernizada: um mentira multiplicada até perfazer um gigabyte passa a verdade.
(clique na imagem para ver melhor a aristocracia madeirense. Fonte: DN, via Câmara Corporativa)
O Professor-Bombeiro

Desde que a arguida Maria de Lurdes Rodrigues inventou este sistema de concursos de professores, é possível ver os casos mais pitorescos nos critérios de selecção da Bolsa de Recrutamento – Contratação de Escola para horários temporários. O critério mais habitual é o da leccionação no Agrupamento no ano lectivo anterior, mandando às malvas a graduação profissional e garantindo que em determinado Agrupamento ficará quem o Agrupamento quiser que fique.
O caso que encontrei num destes dias na Bolsa de Recrutamento é bem mais curioso. A Escola Secundária dos Carvalhos pretende um professor para leccionar a unidade de formação de Geografia do Território e Introdução aos SIG. Principal critério? Pertencer aos Bombeiros Voluntários dos Carvalhos, «entidade protocolada».
Felizmente, já estou colocado, caso contrário ia já fazer-me sócio dos Bombeiros dos Carvalhos.
Um Professor-Bombeiro? Confesso que acho estranho, mas suponho que haja uma boa explicação.
Francisco José Viegas, a “liberdade artística” e a ingerência dos tecnocratas…
…que defendem menos estado (até nas águas, por exemplo) e o impõem onde, verdadeiramente, não devem.
Já aqui notei a inconsistência das declarações “literárias” do secretário de Estado da Cultura sobre liberdade artística e as práticas de programação que preconiza para a Cinemateca Portuguesa, Companhia Nacional de Bailado e Teatros Nacionais, numa perspectiva que, por absurdo (?) e em última análise, os poderia tornar veículos de uma “cultura” oficial emanada do aparelho de estado.
Eis o que, sobre o assunto, diz Augusto M. Seabra num artigo apropriadamente intitulado SOS Cultura:
Francisco José Viegas pretende que os teatros nacionais, companhia de bailado e cinemateca discutam com o seu gabinete a programação e que sejam tidos em conta os resultados de bilheteira – em 35 anos de Democracia nunca assistimos a nada assim na Cultura! Depois acrescenta que “não porá em causa nem um milímetro a autonomia artística”, o que é uma evidente contradição. [Read more…]
Castro Marim e o mar
Ontem passei por uma tv que dava o contra os prós, estava um ministro do PSD e o autarca das rotundas de Viseu um frente ao outro. A senhora que assim ganha a vida insinuava que Castro Marim, Vila Real de Santo António e Alcoutim andariam a discutir uma junção. Um senhor de Alcoutim desmentiu prontamente.
Gosto muito de Castro Marim, terra a quem devo umas coisas sentimentais e sobretudo profissionais, e onde se faz o melhor sal do mundo. Agora, no belo dia em que me explicaram que aquele concelho do Baixo Guadiana tem 1, 2, 3 praias, mas para lá chegar é preciso atravessar o concelho vizinho, além de muito me ter rido, percebi que a margem esquerda do Baixo Mondego afinal não tem o mapa mais idiota de Portugal. Obrigado Castro Marim, obrigado.
Sobre a não reforma administrativa de Portugal depois falamos.
Um político com tomates:
Nem vale a pena continuar a “bater no ceguinho”, todos sabem as responsabilidades do anterior governo no estado calamitoso das contas públicas.
Nem vale a pena querer explicar, por A +B, o conteúdo do livro verde sobre o poder local. Ninguém quer perder uma migalha de poder.
O que vale a pena é falar claro e enunciar tudo sobre a nossa realidade local. Na esmagadora maioria dos municípios temos freguesias a mais. E quanto menos rural é o concelho, mais notória é essa realidade.
Um exemplo que conheço bem: a Maia. Existe uma vila chamada Castelo da Maia que é composta por cinco, repito, cinco freguesias (Gemunde, Barca, Gondim, S. Pedro e Sta. Maria do Avioso). Cada uma delas, isolada, pouco consegue. As cinco, reunidas numa só e a que se poderia chamar, perfeitamente, freguesia do Castelo da Maia, teriam massa crítica suficiente para impor um conjunto de vantagens, junto do Município, que hoje, todas elas separadas, não conseguem. Aqui está um exemplo. Outro exemplo encontro no interior, em pleno Douro, no concelho de S. João da Pesqueira. Duas freguesias vizinhas (Riodades e Paredes da Beira) cuja racionalidade obrigaria, sem ser necessário qualquer reforma imposta de cima, a uma fusão. As duas, em separado, pouco contam. E tantos outros exemplos poderiam ser enunciados. [Read more…]
O que é que eles querem?
Dei conta que, no passado sábado, houve uma manif em Lisboa e outra no Porto. Noutros sítios também, se calhar. Passou-me despercebido porque, força das circunstâncias, não tenho televisão desde as legislativas, mais coisa menos coisa. Digo-vos, recomendo igual tratamento: por um lado, mantenho-me informado porque da net não prescindo, mesmo que seja só no raio do trelégaitas; pelo outro, a agenda política das televisões, sempre em busca da novidade e do escândalo, em detrimento da análise e da reflexão, não me faz falta alguma.
Joseba Sarrionandia, liberdade
Joseba Sarrionandia ganhou um prémio literário e para o receber teria de voltar para a cadeia. Confuso? estamos no País Basco, governado pelo PSOE.
Descobri Joseba Sarrionandia no excelentíssimo Do trapézio sem rede. Depois de ler isto:
Quando o chefe da polícia Ángel Martínez enfia o cano
do seu revólver no ânus do prisioneiro nu
e a imagem se torna nojenta, patética e cheia de sangue,
que importância tem para o jovem torturado
se o poeta é um fingidor, como disse Pessoa?
Alguma vez G. K. Chesterton visitou La Salve?
Há alguém nas celas de Intxaurrondo que conheça
Hermann Broch?
Quando está, totalmente destruído, diante do juíz,
como poderá o jovem torturado explicar
o significado de correlativo objectivo?
Como poderia Molly Bloom compreender um nascer do sol
tricotado com agulhas na prisão de Carabanchel? [Read more…]













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