não ler a desmontagem, peça a peça, feita pelo José Vítor Malheiros à caridadezinha dos restos e outras sobras de comida.
25 Poemas de Abril (XXI)
Vampiros
No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas Pela noite calada
Vêm em bandos Com pés veludo
Chupar o sangue Fresco da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia As portas à chegada
Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada [Bis] [Read more…]
O que mais irá acontecer
A Câmara Corporativa hibernou com as primeiras chuvas do ano. A Fernanda Câncio vai ao 25 de Abril dos que o fizeram. A partir daqui tudo é possível, até mesmo que Sócrates faça um doutoramento num dia da semana.
Os Facciosos Nunca são Facciosos
Meses depois de PSD e CDS assumirem a governação verifica-se isto: por mais que o PS-Sócrates tenha tido um papel determinante para a necessidade de resgate do Estado Português, e como é impossível escrutinar e julgar todo um Regime que traiu um Povo, não se pode ventilar sequer o menor sopro de incómodo pelos negócios ruinosos com autoria e supervisão socialista. Só se pode escrever e apostrofar a saga sacana e impiedosa do Governo Passos à pala da Troyka. Não se pode ser faccioso, vocifera o fanatismo bronco e o deboche dos protectores da impunidade. Daí a cassete da não criminalização da política como forma de essa gente facciosa, que não admite faccioso no outro, se defender e defender ter o Povo de suportar a factura que está a chegar: é uma factura socialista. Daí toda a impostura, uma vez mais facciosa, de Mário Soares. [Read more…]
A geração rasca e o 25 de Abril
Da geração rasca, como de todas as gerações, na evolução do tempo, sobejam os resquícios. Tal geração foi-se diluindo socialmente e volatizando-se através de comportamentos de cidadania múltiplos e distintos. Passados os anos de ‘charros’, gritos e euforias nos concertos de Abrunhosa, parte substantiva desmobilizou, carregada de desencantos e frustrações ou motivada por projectos de vida individual.
No entanto, na espuma do tempo, permanecem sempre redutos remanescentes cristalizados à volta de diferentes polos ideológicos. Subsiste, por exemplo, uma parcela, imberbe ou mesmo sem existência à data de 25 de Abril de 1974, do tempo que verdadeiramente não teve consciência de viver, que assimilou e propagou no futuro as ideias conservadoras de progenitores e educadores, normalmente adeptos do Estado Novo. Uns viviam em África, sob a protecção de jovens da minha geração, idos daqui – “África é aqui”, era a palavra de ordem da soberba que exibiam nas visitas à metrópole, nesse tempo.
Donos de Portugal
No meio de 24h que a RTP2 vai dedicar a documentários (privatiza-a, filho privatiza-a, que a malta depois nacionaliza e dá-te um cortador de relva) pela 1h 30 deverá estrear o documentário de Jorge Costa Donos de Portugal.
O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza. Mello, Champalimaud, Espírito Santo – as grandes famílias cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos – Amorim, Sonae, Jerónimo Martins – afirmam-se sobre a mesma base.
Quando a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui.
Esta noite não vou ver, é de festa. Mas amanhã estará num computador perto de todos nós (tás a ver, relvinhas, tu privatizas, nós nacionalizamos-te).
É Inaceitável
Os senhores do Governo querem poder despedir os trabalhadores que, ou não trabalham em condições ou estão a mais, de uma forma mais simples e menos onerosa para as empresas.Deputados e ex-presidentes com dignidade, tenham-na
Aos anos que ouvimos a direita na mesma choraminguice, que as comemorações oficiais do 25 de Abril não fazem sentido, que ninguém liga nenhuma aquilo, que não é pedagógico, que é como as velhas comemorações do 5 de Outubro uma mera romagem de saudade, carpindo-se com a periodicidade anual dos pólens nesta altura abundantes e difusores de alergias.
Subitamente tudo mudou, apenas porque quem fez o golpe militar afirma que apenas na rua onde se fez a Revolução (que quiseram “evolução“, lembram-se?) o vai comemorar este ano. Aflição geral na direita, que a democracia são eles, os que foram eleitos (o facto de o terem sido prometendo não fazer tudo o que têm feito não interessa nada, é a democracia-voto-cheque-em-branco onde escrevem as mentiras que ainda hão-de vir), que é um despautério, afrontamentos da terceira idade, balha-me-deus. [Read more…]
Abrir o google
Hoje vale literalmente a pena abrir o Google.
O Google Doodle de hoje é uma homenagem a Gideon Sundback, inventor do fecho-ecler.
Israel legaliza três colonatos na Cisjordânia
Contar Abril
É também viver Abril.
“O Tesouro” de Manuel António Pina é uma das melhores formas de levar Abril aos mais pequenos.
“Nem sequer podiam beber Coca-Cola, porque a Coca-Cola também era (ninguém sabia porquê) proibida!”
25 Poemas de Abril (XX)
O Patrão e Nós
Vejam aquele homem de cartola, de lacinho e casacão
A mala cheia de dinheiro que ele transporta na mão
Vive em Cascais ou no Estoril e mora numa mansão
Goza as férias de Verão quando quer e lhe apetece
Tem um Banco e muitas fábricas e tem nome de patrão
Mas agarra que é ladrão
Não faz falta e é cabrão
E olhem agora cá pra nós, boné roto e macacão
Saco da ferramenta e de lancheira na mão
Vivemos no Casal Ventoso, moramos num barracão
O ano inteiro a trabalhar sem Verões nem Primaveras
Temos filhos, muito filhos, sem escola nem sacola
Mas isto vai acabar
À porrada no patrão.
Fausto
Hoje dá na net: Diário de um SkinHead
Documentário baseado no livro de Antonio Salas, jornalista que se infiltrou no movimento SkinHead.
Legendado em português.
É apenas incompetência
E tratando-se de Assunção Cristas, tende sempre para ser asneira grossa.
Bochechas de Abril
Sim, sim, muito obrigado, capitães de Abril, boa viagem, mas os vossos disparates e afastamento da realidade já cansam. Evidentemente que os ideais de Abril foram para o caixote do lixo, mas não é propriamente o Governo Passos o derradeiro agente de essa degradação e rasura aprilina. Coveiros há muitos. Desde logo a incompetência e sofreguidão em quinze anos de socialismo bancarrotista, passando pela fantástica tradução comunista-esclavagista da República Popular da China com o seu capitalismo extremo, a ditar cartas neste século XXI, algo a que não se pode fugir num País repleto de automóveis de luxo e quase nenhuma produtividade. Para além de engordarem como chinos, de se transformarem em admiráveis bígamos, onde estavam os capitães de Abril enquanto ainda há pouco o supremo reles político desgovernava, roubando Portugal?! A coçar a puta da micose e, mais recentemente, a ladrar revoluções, depois de casa arrombada, where else! Não há dinheiro, não há cabrões.
Inventaram a palavra democracia, só a palavra
As últimas sondagens na Grécia ameaçam vir aí um resultado fantástico, em que a minoria pode governar a maioria. É que o partido mais votado tem um bónus de 50 deputados. Assim também eu.
O Breivik de Pyongyang
O Querido Sucessor, pela voz de uma bastante iracunda leitora de telejornais, anunciou que a Coreia do Norte vai desenvolver “acções especiais” contra o Chefe de Estado da Coreia do Sul. Mais acrescenta o pormenor da duração das ditas acções que não deverão ultrapassar os “três ou quatro minutos, obedecendo a métodos peculiares ao estilo zuche“. Ficamos na incógnita. O que quererá dizer o camarada Kim? Talvez fosse melhor questionarmos o admirador Bernardino Soares, perito na matéria.
Calcula-se…
25 Poemas de Abril (XIX)
Abril de Sim Abril de Não
Eu vi Abril por fora e Abril por dentro
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.
Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.
Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.
Abril de Abril vestido (Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer.
Manuel Alegre
Que não seja o dia dos livros mortos
Há sítios onde os livros ressuscitam, sem abate de árvores. Na Universidade de Coimbra, por exemplo.
Livro, leitura e liberdade
Tiro da prateleira O Silêncio dos Livros de George Steiner, um pequeno ensaio escrito em 2005. Transcrevo algumas ideias para recordar e me fazer pensar:
“A maior parte das pessoas não lê livros. Porém, canta e dança.
O acto de ler livros, (…) pressupõe um determinado conjunto de circunstâncias.
Um dos requisitos fundamentais é, também, o silêncio.
E, acima de tudo, é preciso ter tempo para ler. (…)
(…) quase meio século de vida consagrado à contínua leitura e releitura (…) e continuo assombrado (…)
(…) do milagre sempre renovado de segurar nas mãos um novo livro.” [Read more…]
Abril não desarma
Associação 25 de Abril, 23 de Abril de 2012
Há 38 anos, os Militares de Abril pegaram em armas para libertar o Povo da ditadura e da opressão e criar condições para a superação da crise que então se vivia.A PGR não abre inquérito?
Um oficial da PSP, Magina da Silva de seu nome, declara estado de sítio, ou mesmo de guerra, para todos os efeitos um golpe de estado. O Otelo não está no activo, tudo o que diga é irrelevante, mas neste caso estão à espera de quê?
A noite da Música
Passei o dia a ouvir música sempre a mesma alternando Madredeus e Erik Satie.
Como foi possível parecerem-me tão semelhantes?
Que percebe de sons este monocórdico espírito?
Mas foi o mesmo o que produziram em mim a sensação amarga de ter atirado fora uma paveia de sentimentos.
Como vou misturar é quase certo que nada existe nada está perto nem eu estou triste com Embryons desséchés e Peccadilles importunes?
Eu próprio me sinto mistura de contradições e acasos harmonia de contrastes santidade e pecado.
Nada percebo de música mas quero que a música seja ar chuva ou vento olhos boca sustento febre delírio amor e tormento.
Não sei onde fica a música nem a terra onde ela conduz sei apenas que é de sol e de luz ar puro e perfume o caminho da música para o alto dos montes.
O ZX Spectrum faz 30 anos
![By Bill Bertram (Own work) [CC-BY-SA-2.5 (www.creativecommons.org/licenses/by-sa/2.5)], via Wikimedia Commons](https://i0.wp.com/aventadores.wpcomstaging.com/wp-content/uploads/2012/04/zxspectrum48k.jpg?resize=640%2C442)
O ZX Spectrum, o primeiro computador de muito boa gente, faz 30 anos (inglês). Se quiser revisitar ou conhecer pela primeira vez esta máquina, descarregue o emulador nesta página. Pode obter o software necessário aqui.
Pimenta no anal dos outros para ele é vaselina
Rajoy: “Entregar el petróleo a extranjeros es de un país de quinta“.
Ficha Limpa – Carta resposta a Pero Vaz de Caminha
Acho que escrevi esse poema no ano 2.000, à raiz de uma denúncia, publicada na Revista Veja (São Paulo /Brasil) sobre três jovens turistas brasileiros (de Pernambuco), que chegaram a Lisboa para visitar Portugal. Foram barrados no aeroporto, detidos, interrogados e devolvidos ao Brasil, sem justificativas, a não ser a tentativa de entrar ilegalmente no País, o que era falso. A reportagem da VEJA dizia: COMEÇOU DE NOVO: …funcionários portugueses maltratam brasileiros no aeroporto de Lisboa e os mandam de volta…
a partir desse fato, foi feito o poema Ficha Limpa
Ficha Limpa – Carta resposta a Pero Vaz de Caminha
de José Carlos A. Brito (poeta e dramaturgo, SP Brasil)
1
Há dois caminhos
Para entrar em Lisboa
O da intolerância, da estultice
– Que a Fernando Pessoa
Provocaria uma poética vertigem –
E nega ao ser humano
Direito de conhecer
E amar a sua origem
Há outro caminho
Onde se encontra o amor
Que ama a inteligência
A negra flor
De uma síntese rara
Da raça enriquecida
Pela ideia clara
Da única paz
Futura e possível
Que ainda jaz
Na Europa sepultada. [Read more…]













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