Acordo ortográfico: Viegas, boçalidades e patetices

nao2c4Francisco José Viegas, regressado à blogosfera e aos jornais, defende-se de “ataques boçais e patetas” de que teria sido alvo, por ter defendido que o chamado acordo ortográfico (AO90) necessitava de ser aperfeiçoado, opinião que já tive oportunidade de comentar.

No mesmo texto, Francisco José Viegas repete a ideia de que não houve oposição ao alegado acordo desde 1990. Embora noutro texto já tenha chamado a atenção para a aparente falta de atenção de Viegas, aqui fica, mais uma vez, o conselho para que visite a página do professor António Emiliano. A visita a essa mesma página permite, inclusivamente, a consulta de uma raridade: o único parecer favorável à aplicação do AO90 (da autoria de Malaca Casteleiro, um dos autores do mesmíssimo AO90).

Espero não ter sido demasiado boçal nestas críticas a FJV, mas não posso desperdiçar a oportunidade de qualificar como patetas as suas opiniões acerca do AO90, nomeadamente quando declara acreditar na possibilidade de aperfeiçoar um instrumento que não tem ponta por onde se lhe pegue. Faz tanto sentido como decidir transformar uma faca romba em colher, continuando a chamar-lhe faca e sabendo que nunca será colher.

Triste mundo o nosso. RIP, José Adelino Guerra

Choca-me a morte trágica de qualquer ser humano. Choca-me ainda mais uma morte evitável. Onde estão os responsáveis?

Professores correm para a aposentação

Continuo sem encontrar um único motivo para tal movimento! Esses malandros!

Projecto ManuaisUsados.Com

Carlos Oliveira

manuaisusados

Este projecto tem como objectivo ser um local de fácil acesso para a troca e venda de manuais escolares. Começou como um projecto de um grupo de amigos, que, devido à falta de um local especifico para a troca e venda de manuais escolares, resolveu criar uma plataforma de fácil acesso, sem custos de utilização, em que o utilizador tem o controlo sobre como decorre a totalidade do negócio, desde as condições de venda, preço, formas de pagamento, envio.

Sabes aqueles livros que olhas e dizes “mas que raio vou fazer contigo agora?” Aqui está a solução, e ainda podes ganhar alguns trocos para substituir a tua biblioteca.

Qualquer esclarecimento: geral@manuaisusados.com

Ó Álvaro, põe os óculos, que estás a lamber a alcatifa

“Ambiente não pode prejudicar política industrial europeia” (Álvaro Santos Pereira)

Senhor Presidente da República portuguesa-Carta aberta

orcamento_de_estadoÉ o meu hábito almoçar e jantar no Palácio de Belém, nos tempos em que residem Presidentes da minha ideologia, conheço o protocolo, bem sei que devo endereçar-me a si a primeira vez como a Sua Excelência e a seguir, para que a conversa não seja tão pesada, Senhor Presidente. Os presidentes da minha ideologia são Senhor Mário Soares ou Jorge, conforme a intimidade e o pensamento que representam.

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Barcelos

barcelos

Memórias de Salazar ou o regresso dos pobrezinhos

Luís Manuel Cunha

vinho-salazarEm Santa Comba Dão pretendia-se lançar uma marca de vinhos chamada Memórias de Salazar. O nome não foi autorizado sem que se perceba muito bem porquê. O facto é que, a marca do tintol nunca veio tão a propósito, arrastando consigo uma infinidade de recordações e de reminiscências de tempos que se julgavam para sempre desaparecidos.
Lembro-me ainda muito bem. No mundo da minha infância e por esta altura em que “a estrela de Belém corre pelos céus à procura da manjedoura e das palhinhas”, “não havia conto de Natal, não havia lenda infantil, não havia fábula natalícia que não trouxesse consigo, sempre disponíveis, os pobrezinhos”. A tradução narrativa de um mundo a preto e branco mas bem real, um mundo frio e famélico, tristemente alumiado pela luz da candeia que, no meio do casebre, projectava uma palidez esfomeada de um tempo disperso, “algures entre o apito da fábrica e o chiar da charrua”. Era a “casa portuguesa” salazarenta, documentada nos livros da escola primária e plasmada na imagem de capa do lavrador caseiro desgraçadamente feliz, de sachola ao ombro, regressando a casa, escancarada pela mulher desgrenhadamente feia, rodeada de filhos ranhosos e sujos pendurados nas saias. Depois, a broa embrulhada num caldo de couves e o terço murmurado maquinalmente sob o olhar protector de uma imagem da virgem de Fátima, como agradecimento ao Senhor por tamanha dádiva. Ao Senhor e a Salazar. Era o tempo do “pão e vinho sobre a mesa” e da disponibilidade de abrir a porta a quem a ela batesse, para se “sentar à mesa com a gente”. Só que, à porta dos pobrezinhos, ninguém batia.
Era um mundo de diminutivos e de diminuídos” do catecismo do Estado Novo e da Igreja Católica que, na ficção piedosa da padralhada debochada e rubicunda, entendia que o sofrimento e a miséria eram condições sine qua non se lhes abriria, aos pobres, o reino dos céus. Por esta altura, a beatada em peso, o professor e o padre derretiam-se em homilias da necessidade de ajuda ao pobrezinho. Que vivia “tristemente sentado nos degraus da igreja” ou “pacatamente esfomeado às portas das casas”. Era uma obra de caridade ajudar os pobrezinhos, dizia-se. “Minha senhora, está ali um pobrezinho a pedir esmola”. “Maria, dá qualquer coisa ao pobrezinho”. [Read more…]

Os ibéricos, esses malandros

12junho1985_assinatura_tratado_adesao_pt

(c) Parlamento Europeu
Mário Soares, Rui Machete, Jaime Gama e Ernâni Lopes assinam o tratado de adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia

12 de Junho de 1985: após oito anos de negociações, Portugal assinava o tratado de adesão que o colocaria em 1986 no clube dos consumidores europeus e grandes exportadores mundiais, então 320 milhões de indivíduos. A Europa dos ricos alargava as suas fronteiras aos pobres e recebia de uma assentada três milhões suplementares de desempregados. Jacques Delors celebrava o esforço comum empreendido em favor de «um mesmo ideal [que serviria] para reforçar as nossas economias, confortar as nossas democracias e partilhar as nossas culturas.» E foi assim, a imaginar que estávamos num clube filantrópico de amigos beneméritos, que deixámos a corrupção de sempre (a do sistema de poderes de tráficos e influências que prossegue minando de injustiça e imoralidade a vida dos cidadãos) tomar conta do Estado democrático. [Read more…]

É para isto que pagamos todos os anos milhões de euros à Fundação Mário Soares?

Sem título

Carregue na imagem ou veja-a no site da Fundação Mário Soares
Então houve 3 Governos de iniciativa presidencial até fins de 1980? E Sá Carneiro foi eleito em Dezembro desse ano? Mesmo tendo morrido no dia 4 de Dezembro? Quer dizer que as eleições foram a 1 de Dezembro e ele foi primeiro-ministro durante 3 dias? Ou a 2? Ou a 3? Ou terá sido eleito depois de morrer?
Felizmente que a História de Portugal tem adeptos tão dedicados…

Ada Lovelace

Augusta Ada King, Condessa de Lovelace (10.Dez.1815 – 27.Nov.1852) foi uma mulher fora do seu tempo. Foi-lhe ensinado matemática em tenra idade pela sua mãe, posteriormente teve aulas privadas com eminentes matemáticos da época e foi sócia da Blue Stockings Society.

Já casada, traduziu para o inglês um artigo escrito em francês pelo italiano Luigi Menabrea em que era descrito o Engenho Analítico de Charles Babbage, acrescentando extensas notas pessoais sobre a forma como ele poderia ser usado para calcular os números da série de Bernoulli. Esta descrição incluía os mecanismos que hoje fazem parte de qualquer linguagem de programação, valendo-lhe a menção de ter sido a pessoa que escreveu o primeiro programa informático.

No século XX (1983), o Dep.to de Defesa do EUA, em honra a Ada Lovelace, escolheu para a sua novel linguagem de programação o nome de Ada. Augusta Ada King, Condessa de Lovelace , faria hoje 197 anos.

* imagem copiada da Wikipedia: link.

Da série ai aguenta, aguenta (2)

Famílias devem 49 milhões de luz e de gás

 

Da série ai aguenta, aguenta (1)

Escola trava ajuda a menino

Todo o homem é maior do que o seu erro

josé duarte

Na mão tem um livro aberto. Procuro, com curiosisdade, ler o título: Todo o homem é maior do que o seu erro. «De quem será o livro que tem nas mãos?» – pensei.

José Duarte é um advogado de Paredes preso há oito anos por falsificação de documentos e usurpação de funções. O livro que referi é a sua tese de mestrado publicada e já praticamente esgotado!

Quer agora uma autorização da Direção-Geral dos Serviços Prisionais para frequentar as aulas de doutoramento, obrigatórias. Quer ser o primeiro recluso a concluir a tese de doutoramento!

Como disse um dia a mãe do Nobel da Literatura 2012, “Filho, o homem que me bateu [um guarda que havia agredido a senhora há muitos anos] e este homem não são o mesmo”.

O PSD é tão português…

[…] solicitamos a realização de um Congresso Extraordinário do PSD […] Destituição da Comissão Política Nacional (e do seu Presidente) […]

Os poderes do Estado

a-constituicao-da-republica-portuguesa-a-troika-e-o-estado-de-sitioA Constituição da República portuguesa define a soberania do estado, como foi citado em outro texto meu no blogue Aventar, e que reitero em esta frase:

Artigo 3.º
Soberania e legalidade

1. A soberania, una e indivisível, reside no povo, que a exerce segundo as formas previstas na Constituição.

2. O Estado subordina-se à Constituição e funda-se na legalidade democrática.

3. A validade das leis e dos demais atos do Estado, das regiões autónomas, do poder local e de quaisquer outras entidades públicas depende da sua conformidade com a Constituição.

Acrescenta a Constituição em artigos a seguir, que a soberania se exerce por sufrágio universal em que podem participar todos os reconhecidos como nacionais portugueses. No artigo 4 define que são cidadãos portugueses todos aqueles que como tal sejam considerados pela lei ou por convenção internacional. Cidadãos que têm direitos e obrigações.

Nos artigos 24, 25 e 26, diz:

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O Ensino da História entre nabos e abóboras (1)

o ensino da historiaUma imperiosa e dominical necessidade de nabos e abóboras cá em casa forçou-me a frequentar uma mercearia do político Soares dos Santos, quando a caminho da caixa (sem bicha, estas mercearias são caras para o pessoal aqui do bairro) me deparo com um escaparate onde se encontrava  O Ensino da História, um livro de Gabriel Mithá Ribeiro.

Nunca li nada do autor, meu colega de profissão, sabia que tinha sido lançado com apresentação pelo normalizador Rui Ramos, é barato e pequeno, ocupou-me parte da tarde de Domingo.

Isto é um bocado complicado: profissionalmente tendo a concordar com o meu colega em grande parte do que critica no ensino em geral, desde a predominância e tolices das supostas ciências da educação em geral até alguns aspectos da metodologia ora dominante sobre o que deve ser o ensino da História, muito em particular.

O assunto merece mais que umas linhas a correr, que o trabalho está-me a chamar aos gritos dentro uma mochila com um maço de testes.

Fiquemos por este palpite: estando para sair uma alteração aos programas de História, sobre o eufemismo de novas metas de aprendizagem, cheira-me, mais intensamente que os nabos, a isto: a refundação vai passar pelo óbvio, a I República em versão monárquica, esse regime de desigualdade natural que alguns acham compatível com a democracia plena e os Direitos do Homem (ou Humanos, como agora se diz naquela mania do linguisticamente correcto), e já agora uma revisão ao colonialismo dos sécs. XIX e XX, na versão relativista em que até deixámos obra. Como escreve Gabriel Mithá Ribeiro “são assuntos de elevada sensibilidade“. Pois são.  Voltarei ao assunto, detesto testes aos berros.

Ensino e Educação – negócio e sociedade

Está longe de ser uma posição que recolha grande aplausos, mas continuo a bater na tecla – o que está em cima da mesa em termos de sistema educativo é a passagem de uma lógica em que se educa para um ambiente em que apenas se ensina. Uma escola que parece ser um negócio para alguns, poucos, e uma opção péssima para muitos. E agora a ligação que vai surpreender, mas onde podemos ler, globalmente, algo que faz muito sentido – Menos despesa, mais educação.

Do Desprestígio da Presidência da República

Carta 06A Crise aberta pelo descontrolo da dívida pública foi uma bênção que deixou ao léu todas as outras crises disfarçadas no Regime Cleptocrático Português. Uma delas é a crise da Presidência da República. Vemos que para um Presidente se sentir confortável, sossegado e imune à crítica, ou sossega os partidos à Esquerda ou sossega os partidos à Direita. Para sossegar e ganhar uns aplausos cínicos das forças à Esquerda basta vir falar a destempo e a contra-corrente do Governo. Mandar abaixo o Governo, isso é uma conversa muito delicada que envolve, por alguma razão, exclusivamente gente pouco recomendável e nada exemplar como Mário Soares, a Tribo dos Socráticos, o PCP, BE, e uma data de personalidades ligadas à cultura se o Estado a financia.

Uma rápida sondagem de rua permite ver que só uma gente que enriqueceu a opinar favoravelmente à sorrateira socratice vê com olhos tranquilos que se dissolva o Parlamento, o poder mais pernicioso e abusivo de um Presidente. Se é essa a bomba atómica do Regime tal como está, a História do Século XX provou que se há coisa que em caso nenhum se usa é precisamente uma bomba atómica. Podemos arengar que, por exemplo, este Orçamento 2013 desrespeita fundamentos básicos da Constituição, a equidade, a proporcionalidade, a justiça, mas nunca será de mais insistir neste ponto singelo: a partir do momento em que um País com um palmo de brio se permite auxiliar externamente, abrem-se todos os precedentes pela urgência natural de nos pormos a salvo de danos maiores. [Read more…]

Galp, abuso de confiança e incompetência

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Abastecermos a viatura na GALP, além de ser um sinónimo de preços mais altos, também significa perdermos o nosso precioso tempinho e a correspondente paciência. Seja em que bomba for, Amoreiras,  Oeiras Parque ou qualquer outra, o procedimento é sempre o mesmo: a muito natural bicha de espera para pagarmos ao operador(a) e num sorriso, a expectável explicação:

O senhor vá abastecer a viatura e depois volte para “levar a factura” (ou recibo?)…

Ainda não percebi se tal estupidez se deve a uma inglória tentativa de desencorajar os clientes, evitando-se aquelas maçadas contabilísticas de comprovativos de compra, números de contribuinte, impostos a pagar, etc. A quem vivalma não escapa, é ao sacramental dever de ir, vir e voltar à dita bicha – que por vezes é mesmo uma bichona a perder de vista -, num daqueles processos burrocráticos que nos fazem lembrar a extinta RDA. Aliás, a GALP é mesmo a única gasolineira que em todo o Portugaliae – desta vez reduzido do Minho ao Algarbiorum – nos obriga a estes fretes. A única.

Por aquilo que o meu pai dizia, nos tempos da Sonap Moçambique as coisas funcionavam  melhor, papelinhos entregues in loco e no momento. E o preço era outro, claro.

A culpa é deles

Malgastam o dinheiro do pequeno-almoço dos filhos pelos cafés, endividam-se com plasmas e férias em Benidorm, preferem comprar maços de cigarros ao livro de português do miúdo, entregam-se, irresponsavelmente, à farra das greves, provocam as forças da ordem quando insistem em sair às ruas e gritar. A cada dia, aumenta o seu rol de pecados: hoje, é o do desperdício alimentar. Compram comida a mais e deixam-na estragar-se no frigorífico, perdulários como são, com mais olhos que barriga.

Curiosamente, não se ouviram referências às campanhas publicitárias das grandes superfícies, que ainda na semana passada facturaram em grande com a recolha de alimentos para o Banco Alimentar. Muito menos se recordam os super-descontos em dia de greve, que levaram os tais perdulários a comprar mais do que precisariam.

Há consciências que precisam desse embalo, do sossego que advém do convencimento de que só é pobre quem quer. E a esses, aos pobres por opção, bem se pode tentar ensinar, com caridosa paciência ou ríspido autoritarismo, mas é difícil que aprendam.

120 psi | ciclismo urbano em alta pressão

FestaCicloficina301112011_53Pedro Portela

A explosão do ciclismo urbano ou utilização da bicicleta é uma realidade nova em Lisboa e em Portugal, de uma maneira geral. Demonstra uma diferente consciência em muitas vertentes da vida social.
Associada ao ciclismo urbano, encontra-se uma subcultura cheia de interesse.
Sem nos submetermos aos espartilhos das ciências sociais, esta exposição pretende lançar um olhar sobre as expressões associadas à bicicleta no meio urbano: os eventos que os adeptos da bicicleta se reúnem para organizar e participar, como as corridas alley cat e as oficinas comunitárias; a promoção da bicicleta na cidade e a luta por um lugar no espaço público; e os novos negócios que vão nascendo na paisagem urbana das nossas cidades à volta da realidade ciclável.
Estas imagens foram recolhidas durante o “Track Day” (encontro de ciclismo de pista, com bicicletas fixed gear) realizado no velódromo da Malveira e a “Festa da Cicloficina” (oficina comunitária semanal no Regueirão dos Anjos, em Lisboa), ambos em Novembro de 2011 e na Massa Crítica (encontro e passeio mensal de ciclistas urbanos de Lisboa) de Outubro de 2012.
(Em exposição na estação de Lisboa Santa Apolónia até final do ano)

Festas são Festas, Gozem até Acabar por Favor

estivadoresOs senhores estivadores continuam em greve, mas é só até 31 de Dezembro. Coitados, assim ficam com as festas cortadas a meio.
Estão em greve, mas não todos, o que se não compreende muito bem, já que os trabalhadores de Sines e os de Leixões, continuam a trabalhar nas condições em que estes que fazem greve não aceitam fazê-lo.
Já se diz por aí que o porto de Lisboa corre o risco de acabar.
Já se falou imenso, e eu também até já falei de mais sobre este assunto, mas, se estes senhores não querem trabalhar nestas condições, por certo que muitos há a fazer “bicha”  à espera que o lugar fique vago.
Estou cada vez mais certo de que tenho razão, muita, e que outros deveriam fazer greve ao mesmo tempo que estes senhores.
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Greve da CP

“Até às 8h circularam apenas dois comboios. Num dia normal, teriam circulado 431. Estes dois comboios não pertencem à lista de serviços mínimos. Dessa lista de serviços mínimos teríamos 28, não circulou nenhum”, [Read more…]

Breaking The Taboo

Breaking the Taboo – documentário narrado por Morgan Freeman na versão inglesa e por Gael Garcia Bernal na versão em espanhol, sobre um dos maiores falhanços da política norte americana nos últimos 40 anos, a guerra à droga.

Página IMDB.

Versão em espanhol.

Os estivadores de Leixões

já nos avisaram para nem pensar em nos sindicalizarmos, pois não renovam o contrato

Artigo no Dinheiro Vivo

e-corrúpio

Em 2020 já não haverá livros, assegura-me ao telefone um amigo tomado de fascínio por essa visão pós-moderna da nossa existência próxima. Digo-lhe que não, que haverá sempre livros. Contra-argumenta lembrando a quota de mercado que têm actualmente os e-books, e afirma, insuflado de certeza pelas garantias da propaganda da tecnologia de ponta que o subjuga, que esse mercado vai crescer, que as pessoas já não vão querer ler livros em papel, que vão lê-los nos seus formatos digitais, com tablets e essas coisas que hoje também servem para ler. Digo-lhe que haverá sempre livros porque haverá sempre leitores de livros. Diz-me que esses leitores analógicos e anacrónicos vão morrer, e gradualmente dar lugar a novas gerações de leitores nada interessados no objecto-livro – segundo ele condenado, mais que não seja, porque é demasiado caro. Insisto que haverá sempre livros, e que pessoalmente não aceito participar desse programa de matança do livro. E para o calar remato: que me deixe às minhas utopias, sendo certo que essa espantosa engenharia das possibilidades se constrói com as cabeças que pensam e com as mãos que escrevem, com os olhos postos no Mundo que é preciso fazer nascer dos escombros – ruínas produzidas pelas mesmas tecnologias de mercado que reduzem pessoas a números indexados em bases de dados de consumidores-contribuintes dos e-Estados.

Desligo o telefone e baixo-me para apanhar um desses escombros: uma lamentável tradução recente de um livro de um grande escritor, talvez realizada num prazo absurdo para uma obra literária, num e-corrúpio à moda dos tempos, talvez unicamente revista num monitor de computador, talvez sem as sempre necessárias (e anacrónicas e analógicas, bem-entendido) provas de papel com emendas a lápis, ou talvez mesmo jamais revista por um revisor profissional, o que acrescentaria custos à edição – e sobretudo retiraria receitas aos editores reféns das lógicas monopolistas abjectas das grandes superfícies e suas cadeias de intermediários que, duma assentada, acabaram com as livrarias e com os ofícios da edição. E abro o escombro (editado por uma importante chancela, como agora se diz das editoras compradas pelos grandes grupos que se têm dedicado a dar cabo da edição de livros em Portugal) nas primeiras páginas para descobrir, atónita, a certificação que dá cabo de mim: as traduções dos livros desse escritor em Portugal são todas obrigatoriamente revistas por uma senhora professora doutora que assegura a sua qualidade. Como diria a minha filha tomada de perplexidade: what the fuck?!

Ponte Aérea

Cartaz 09A Dora e o Raul foram deixar a filha no aeroporto. O Alfredo e a Catarina foram deixar o mais velho no aeroporto. A Guida e o André foram levar o primogénito ao aeroporto. Manuel e Teresa foram deixar a filha no aeroporto. Maria Rocha e Jorge Ferreira foram levar o filho ao aeroporto. Artur e Laura foram deixar a filha no aeroporto. Emanuel e Sofia foram levar os gémeos ao aeroporto. Vítor e Yolanda foram deixar o rapaz no aeroporto. Manuela e Vitória foram deixar a mais velha no aeroporto. Fernando e Socorro foram levar o moço ao aeroporto. O Partido Socialista e o Partido Social Democrata construíram estradas ao lado de estradas e aeroportos a fazer de mortos para que finalmente, num certo dia, acabássemos por ir deixar a nossa juventude no aeroporto. A Procuradoria Geral e o Presidente da República fecharam diligentemente os olhos para que, num belo dia, pudéssemos deixar os nossos irmãos e irmãs, sobrinhos e sobrinhas, no aeroporto. O Regime, os Corruptos do Regime, os Ladrões e Comissionistas Perpétuos dos Orçamentos do Regime, trabalharam arduamente para que nos não fosse de todo impossível deixarmos filhos, irmãos, cunhados e  genros, no aeroporto. Enfermeiros. Engenheiros. Arquitectos. Professores. Operários. Criativos. Ámen. Assim seja.

A filha mais velha do fundador da Força Aérea do Chile foi ter com o seu pai

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No Chile não acontecem apenas golpes de Estado ou assassinatos de Presidentes Democratas, como foi essa única vez do Presidente Allende. Essa vez que, os que apoiaram a iniciativa, estavam, de imediato, imensamente arrependidos. Como a nossa família toda. No Chile acontecem também iniciativas. O Chile não tinha aviação. Era preciso criar uma Força Aérea. Vários Gerais e Capitães estavam interessados e solicitavam ao Presidente da República desses anos, Comandante em Chefe das Forças Armadas do Chile, comprar aviões.

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Medina Carreira explicado aos ingénuos

Não há alternativa! – grita o papagaio dos banqueiros.

Taxar os Ricos (um conto de fadas animado).

Adenda: e já agora, um excelente artigo, Os Donos da Dívida do economista Castro Caldas.

Para isso mesmo pode ter servido a intervenção da troika: para limpar os balanços das instituições financeiras estrangeiras (sobretudo europeias) de títulos da dívida portuguesa tornados demasiado arriscados