Queremos paz!

Queremos paz…
Queremos construir una vida mejor para nuestro pueblo…
Independiente…

Uma barricada de livros em Kiev

Na sua casa em Kiev, o arquitecto e investigador Lev Shevchenko ergueu uma barricada de livros, junto à janela, para evitar que os estilhaços resultantes de uma eventual explosão atinjam os moradores. Não será por acaso que os ditadores odeiam e censuram a cultura. Os livros salvam vidas.

Pelo embargo total à Federação Russa – O Equilíbrio do Terror #11

Putin invadiu a Ucrânia, ameaçou todos os membros da NATO, ameaçou a Finlândia e a Suécia, a quem violou o espaço aéreo, ameaçou dar início a uma guerra nuclear e, ontem, atacou a maior central nuclear da Europa, na cidade ucraniana de Enerhodar. A par disto, a agressão continua, imparável, e a determinação do exército e da guerrilha urbana ucraniana pouco pode contra a poderosa máquina de guerra russa. Continuam a morrer civis, a ser destruídas infra-estruturas essenciais, a ser arrasadas zonas habitacionais, e existem até relatos da entrada, em território ucraniano, de bombas termobáricas, proibidas pela convenção de Genebra. E sim, eu sei que os EUA também usaram a MOAB no Afeganistão. Mas este texto não é sobre o Afeganistão, da mesma maneira que os muitos textos que escrevi sobre o Afeganistão não eram sobre a invasão da Ossétia, da Abecásia ou da Crimeia.

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O Putin é mau, mas o gás dele é muito jeitoso

Não tinham passado 24 desde o reconhecimento da independência das repúblicas-fantoche de Lugansk e Donetsk. E, daí a outras 24, o exército de Putin atravessaria a fronteira da Ucrânia, dando início a invasão para a qual os membros da NATO estavam a alertar há vários dias. Tal não os impediu de comprar centenas de milhões de euros em gás, petróleo e outras commodities russos. Presumo que terá presidido à decisão o mesmo espírito que procurou excluir marcas de luxo do primeiro pacote de sanções. Ou abrir as comportas dos espaços aéreos, convictamente fechados à malvada Rússia, para que os pobres oligarcas pudessem entrar no seu playground. Ou, em geral, a mesma convicção democrática que nos leva a ter os chineses como principal parceiro de negócio. Os campos de concentração, perdão, de reeducação para Uigures não se vão pagar sozinhos, não é?

Sobre os milhões que o comunismo português assassinou, ocultados com a cumplicidade do sistema

A purga cirurgicamente orquestrada pelos luso-McCarthys do Twitter, com a qual se pretende usar a guerra na Ucrânia para manipular emocionalmente tantos quantos for possível, para, de seguida, culpar o PCP pela morte de todos os ucranianos, atingiu ontem um novo patamar. Terminada a fase da disseminação de ódio primário, entramos agora na fase do delírio em Las Vegas.

Segundo este utilizador do Twitter, o PCP terá assassinado 30 milhões de pessoas, o que levanta uma questão fundamental, que exige resposta imediata: se a totalidade da população portuguesa foi assassinada três vezes, quem somos nós? Espanhóis? Soviéticos? Oompa Loompas? Cyborgs? Um grande enigma…

Parabéns, luso-McCarthys, nem o Putin se lembraria de tal coisa. Cambridge Analytica 4life.

Oligarca bom, oligarca mau

Ainda sou do tempo em que Salgado, e outros como ele, patrocinavam tudo e todos. Ds selecção nacional de futebol às férias na neve de José Gomes Ferreira e Paulo Ferreira, entre outros jornalistas acima de qualquer suspeita, o dinheiro do oligarca de Cascais chegava a todo o lado. E se alguém ousava falar sobre as muitas suspeitas dos muitos crimes que há anos sobre ele pendiam, sempre surgia alguém a mandá-los calar, porque davam emprego a muita a gente e o que nós precisávamos era de mais uns quantos iguais.

Depois, começaram a cair em desgraça, uns atrás dos outros, e já ninguém se lembrava dos empregos, das mesadas, das capas da Exame com os CEOs do ano, do mecenato e da filantropia que paga com benefícios fiscais. Já ninguém era amigo deles. Acontece agora o mesmo com os oligarcas russos. E, suspeito, virá o tempo em que os seus congéneres chineses, que hoje controlam meio país, também cairão em desgraça. E a jihad do mercado livre, que lhes fez juras de amor num anexo da sede do Partido Comunista Chinês, garantirá que nunca se envolveu com tão má rês. E os senhores da narrativa, aqueles que controlam, de facto, os órgãos de comunicação social, cá estarão para garantir que tudo se desenrolará de acordo com o plano.

Os luso-McCarthys, o PCP (e o BE) e dinheiro sujo dos oligarcas

Lembram-se da luta dos luso-McCarthys, que, durante anos, combateram a crescente influência de oligarcas russos, chineses, angolanos e de outras nacionalidades na economia portuguesa?

Pois não, não lembram. Não lembram porque nunca aconteceu. Estavam ocupados a garantir o seu quinhão de dinheiro sujo, extorquido a milhões de pessoas oprimidas por governos totalitários, a quem vendemos grupos de comunicação social, empresas, mansões e nacionalidade através do branqueador preferido das elites capitalistas: o Visto Gold.

Então, o que mudou?

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Nuno Melo mentiu ou é só mais um incompetente a gastar o nosso dinheiro em Bruxelas?

Das duas uma: ou Nuno Melo é um aldrabão, ou então é um incompetente que não está a fazer nada em Bruxelas, que não seja gastar o nosso dinheiro. A votação em causa é anterior à invasão e nada tem a ver com a guerra desencadeada por Putin. Estará Melo a aproveitar-se do sofrimento dos ucranianos para obter ganhas para o CDS? Se não é, parece.

A direita, em particular a liberal e a radical, onde se insere Nuno Melo, tem estado mais focada em atacar o PCP do que em discutir o que se passa na Ucrânia. Mas desengane-se quem pensa que isto tem a ver com a posição do PCP ou que vai parar por aí. A seguir, como se vê neste caso, será o BE. Seguir-se-á o Livre e, finalmente, o PS. Todos serão culpados pela invasão da Ucrânia, a guerra chegará ao fim e os financiadores da direita reunir-se-ão novamente com os oligarcas, num abraço emotivo com mãos invisíveis e bolsos cheios.

O dia em que Putin mandou fechar a Praça Vermelha para Sócrates fazer jogging

Vejo muita gente do PS destroçada com a invasão da Ucrânia, e não duvido que estejam, mas não me lembro de ver qualquer indignação quando o corrupto czar mandou fechar a Praça Vermelha para o jogging matinal de Sócrates e sus muchachos. Não que sejam situações comparáveis, é óbvio que não são, mas não deixa de ser um bom exemplo do bom relacionamento entre as nossas elites e o regime autoritário de Vladimir Putin, ou, por outras palavras, da normalização para a qual contribuíram.

Sim, eu sei. Paulo Portas também andou aos abraços com o Maduro e Passos Coelho vendeu meio Estado ao regime totalitário instalado em Pequim. Cavaco juntou-se a minoria que votou contra a libertação de Mandela e Soares fez a folha ao Rui Mateus, de cujo livro, Contos Proibidos, o Aventar é fiel depositário. E o Durão isto, o Guterres aquilo e o Balsemão não-sei-quê Bilderberg. E isto só me leva a concluir o seguinte: andamos de calças em baixo, a normalizar ditadores e práticas ditatoriais há mais de 40 anos. E não, não é o divino Espírito Santo que os põe lá. Somos nós.

Ucrânia e Palestina, heróis e terroristas: o terror que nos vendem e o mundo real

Não é à toa que a narrativa dominante impõe um silêncio sobre o passado, rotulando de apoiante de Putin quem ousa falar nos antecedentes desta guerra. Não que eles justifiquem a agressão, que deve ser condenada e combatida por todos os meios e sem hesitações – e eu defendo, há vários anos, um embargo à Rússia, quando ainda muitos destes freedoms fighters da treta estendiam tapetes vermelhos aos oligarcas que continuam a voar para a Europa, apesar dos espaços aéreos fechados – mas a tentativa de reescrever a história que está em curso é ilustrativa do quão usado o povo ucraniano e o seu sofrimento estão a ser. Usados por gente que se está literalmente nas tintas para eles. Usado, aqui em Portugal, por muitos daqueles que os trataram como merda, quando aqui começaram a chegar há 20 anos, e os remeteram para as obras e para as limpezas, ignorando diplomas e elevados níveis de formação superior, com a arrogância xenófoba que se lhes conhece.

Sou pela autodeterminação dos ucranianos, pelo respeito pelo direito internacional e pelo isolamento total de Putin, que defendo desde 2014, sem “mas” nem meio “mas”. Também sou pela autodeterminação dos palestinianos, que estão a ser agredidos hoje, foram-no ontem e sê-lo-ão amanhã. Pela sua autodeterminação, pelo respeito pelo direito internacional, no que toca também (mas não só) ao cumprimento do plano de partilha da Palestina de 1947, que nunca foi respeitado por Israel, que continua a construir colonatos ilegais na Cisjordânia (hoje, não há não-sei-quantos anos), e pelo julgamento dos criminosos de guerra que, protegidos pelas potências ocidentais e pela nossa cobardia, continuam a espancar e a matar crianças, idosos, mulheres e homens que só querem ser livres. Como os ucranianos. Porque continuamos a negar aos palestinianos os mesmos direitos que hoje nos mobilizam pelos ucranianos? Simples: porque isso não serve a agenda de quem realmente manda nisto tudo. E, por isso, um palestiniano que luta contra um colonato ilegal na Cisjordânia é terrorista, e um ucraniano que luta contra a ocupação da sua cidade é um herói.

Orbán, Salazar, Putin e Hitler entram num bar

Salazar, figura maior do autoritarismo e da corrupção política deste país, mostrou os seus valores em plena Segunda Guerra Mundial, ora fazendo negócio com os Aliados, ora fazendo negócios com os Nazis, ora deixando-se fotografar com a foto do amado Duce na secretária, ora castigando Aristides Sousa Mendes por salvar judeus a mais, num acto de profundo e devoto Cristianismo.

Já Viktor Orbán, o Salazar de Budapeste, parece seguir as pisadas do fascista português. Diz-se ao lado das democracias ocidentais, apesar de repudiar o seu modo de vida, presta vassalagem ao Adolfo de São Petersburgo, agora estrategicamente suspensa, enquanto aguarda o desfecho da guerra, e não está disponível para auxiliar o esforço de guerra ucraniano, ou sequer de permitir a passagem, pelo seu território, de armamento fornecido por Estados-membros à Ucrânia.

O argumento do regime húngaro é não querer arriscar um ataque ao país, caso Putin se aperceba da passagem de tais armas. Argumento nobre para quem integra a UE, que se quer solidária, e a NATO, uma aliança militar que, em caso de invasão russa, será a única a vir em seu socorro, agora que os amigos do Kremlin estão na outra trincheira. A menos que Orbán seja o Facho de Tróia. Sim, o Facho. Ia agora insultar os cavalos porquê?

Rápido, abram o espaço aéreo europeu! Vem aí mais um oligarca russo! – O Equilíbrio do Terror #10

Alexander Abramov, co-fundador da Evraz, a maior empresa de produção de aço da Federação Russa, à qual preside e através da qual controla subsidiárias nos EUA e Reino Unido, aterrou hoje em Londres, no seu jacto privado. Apesar do espaço aéreo, fechado para inglês ver.

Este fiel vassalo de Putin é apenas um entre vários oligarcas que abandonaram o país em direcção aos espaços aéreos que o Ocidente fechou, mas que lá se vão abrindo pelo preço certo em euros. Uma vez aqui, rapidamente serão reciclados, eventualmente apresentados como heróicos dissidentes, para regressar ao fausto financiado por décadas de extorsão do povo russo, liberalmente branqueada pelas incansaveis lavandarias europeias. Para Marx, o capital não tinha pátria. Para o capitalismo, que se foda a pátria que o dinheiro é sempre limpo, mesmo que ensopado de sangue.

Sangue ucraniano nas mãos do banca ocidental (e de uns quantos “liberais”) – O Equilíbrio do Terror #9

Durante décadas, a banca europeia e americana financiou e guardou os milhões dos oligarcas de Putin, sabendo, perfeitamente, que esse dinheiro havia sido extorquido ao povo russo. Não quis saber, nunca quer, de liberdades, garantias, direitos humanos ou democracia. Queria ganhar dinheiro. Muito dinheiro. Sem olhar a meios. O sangue nunca a incomodou.

Fê-lo conscientemente, conhecendo a natureza autoritária do regime, e apesar das prisões arbitrárias, da violência contra minorias, da perseguição da comunidade LGBT, dos envenenamentos de opositores em solo europeu, da ocupação da Ossétia, da Abecásia e da Crimeia. Foi colaboracionista. Traiu o ideal liberal das democracias ocidentais.

Onde estavam estes revolucionários instantâneos, que agora até em manifestações aparecem? Os tais que não admitem que se mencionem os antecedentes desta guerra, mas que estão, desde o seu início, a usá-la única e exclusivamente para alavancar os seus partidos e interesses? Uma boa parte estava a ganhar dinheiro com estes e outros ditadores. Continua a fazê-lo. Seja em Moscovo, Pequim, Riade ou Caracas. Não são apenas hipócritas. São cúmplices destes assassinos. E, como a banca, têm sangue ucraniano nas mãos.

Portugueses vítimas de segregação racial na fronteira ucraniana

Domingos e Mário são dois jovens portugueses, ambos a estudar Medicina na Ucrânia, e estão há três dias em frente ao portão da fronteira polaca, de passaporte português na mão, mas não os deixam passar. Não os querem sequer ouvir. E porquê? Porque Domingos Ngulond e Mário Biangnê são negros, apesar de nascidos e criados em Portugal. E porque as autoridades ucranianas têm instruções para só deixar passar brancos.

Este é apenas um de muitos relatos da segregação racial que está neste momento a acontecer na fronteira da Ucrânia com a Polónia, onde a cor da pele parece definir quem pode ou não passar. Não haveria aqui qualquer novidade, ou não fosse o governo polaco um dos bastiões da direita racista no seio da UE, mas são os soldados ucranianos a impedir a passagem de não-brancos na sua fronteira. Isto é inaceitável e diz-nos muito sobre quem manda na Ucrânia e, sobretudo, sobre a dualidade de critérios que norteia aqueles que controlam a narrativa e estão a usar a sofrimento dos ucranianos para servir agendas partidárias. Putin agradece.

Adenda: Quando escrevi os dois parágrafos acima, Mário e Domingos ainda estavam retidos na fronteira. Felizmente, já a conseguiram atravessar, graças à acção conjunta do ministério dos Negócios Estrangeiros português e da embaixada ucraniana em Lisboa. Tal não invalida a vergonha que é ver um país invadido por uma força opressora, envolvido neste tipo de práticas nada democráticas. Se não servir para outra coisa, que nos sirva pelo menos para pensar

O erro de Putin

A imprensa internacional está a avançar que Putin terá contratado 400 mercenários do grupo Wagner, para assassinar Zelensky. Um erro incompreensível, vindo do hiper-cerebral ex-KGB,que podia e devia ter optado por assassinos a soldo da americana Blackwater, que passou a chamar-se Academi, após processo de reciclagem.

A grande vantagem dessa escolha, e é aqui que reside o erro de Putin, é que, ao contrário dos seus homólogos do Wagner, os mercenários da Blackwater são mercenários do bem. O próprio massacre da praça de Nisour foi um massacre do bem, o que ajuda a explicar o perdão presidencial concedido por Trump aos sicários da Land of the Free.

Para quem já teve o presidente e o responsável máximo da diplomacia norte-americana no bolso das moedas, contratar mercenários americanos seria, para o Adolfo de São Petersburgo, peanurs. Alguém o anda a aconselhar mal. Pode ser que tombe mais rápido do que imaginamos.

Fífia

Como toda a gente sabe, Vladimir Putin só passou a ser uma pessoa em quem não confiar, um déspota, um neo-fascista e persona non grata há três dias, depois de invadir a Ucrânia. Antes, eram só mares de rosas, Putin deveria ser um anjo caído, um deus na Terra, o artífice que consertava todos os males. Só assim se explica o contorcionismo a que os senhores do capital se sujeitam por causa… do capital.

Quando a Federação Russa enche a FIFA e a UEFA de rublos cambiados em euros, quando a Gazprom enche o esfíncter dos marmanjos dos sorrisos amarelos ou quando os oligarcas capachos do líder russo mexem cordelinhos junto das grandes instâncias mundiais (FIFA e UEFA, como dizia o que abusava das secretárias, estão todas lá dentro… o resto já sabem), prevendo-se a situação win-win para ambas as partes, não os vejo preocupados com o perigo que vem de Leste. Nós, pessoas “normais”, cidadãos comuns, há muito sabemos do que é feito Putin, há muito estamos avisados para o seu calculismo, há muito sabemos que quer construir, de novo, a Rússia imperial czarista, há muito sabemos da sua simpatia pelo nacionalismo, da sua antipatia pelos valores democráticos, do seu ódio ao Estado de Direito. Há muito sabemos que famílias políticas europeias são financiadas por Putin. Nós, pessoas comuns. E a FIFA? Não o sabia? Duvido. Duvido muito. Aliás, não duvido: tenho a certeza – a FIFA sempre o soube.

Agora, qual zeladora dos interesses do mundo pacifista, vem a FIFA informar, cinicamente, que a “selecção da Rússia vai continuar a jogar, mas com algumas restrições”. A sério? “Algumas restrições”? Coitados. Isto é o equivalente a um homem que matou a esposa à pancada, mas que vai poder continuar a bater com algumas restrições. Entre as restrições constam: não pode usar moca de pregos, armas de fogo estão estritamente proibidas, facões e outras lâminas só em legítima defesa. E por legítima defesa, entenda-se, quer dizer a FIFA: “na eventualidade da esposa se recusar a lavar a loiça”.

E estamos nisto. Nos jogos de sombras típicos destes eventos históricos, há sempre a megalomania que os donos disto tudo têm, de fingir que estão do lado certo da História. Não estão. E não enganam ninguém.

Fotografia: AFP/Getty

Adega de Pegões na linha da frente da resistência à ocupação russa

Cumprido o seu propósito, esta garrafa da adega de Pegões foi transformada em cocktail molotov, e será – talvez já tenha sido – usada para resistir à ocupação do Adolfo de São Petersburgo. Melhor que reciclar uma garrafa de boa pinga setubalense, só mesmo arremessá-la e fazê-la explodir contra o exército invasor. No mínimo, rebenta com um blindado.

Esta é pelos produtores de vinho deste país, que estão agora privados de um mercado de 45 milhões de euros – que até cresceu 61% em 2021, apesar da pandemia – porque aquele filho da Putin decidiu invadir a Ucrânia e ameaçar os países da NATO com nukes. Em vez de deixar os russos beber o seu Adega de Pegões em paz. Facho de merda.

O Equilíbrio do Terror #6 – não há comparação possível

Há quem ainda esteja a insistir na falsa equivalência, entre aquilo que é a expansão da NATO para Leste, que é uma decisão discutível e que, naturalmente, não agrada ao Kremlin, com aquilo que é uma agressão militar efectiva, como aquela que está em curso na Ucrânia. Mas não existe comparação possível. Estão a morrer pessoas. Está em curso a destruição de um país. Há milhares de pessoas em pânico, a fugir em direcção à fronteira. Há uma crise económica, energética e – sobretudo – humanitária a descer montanha abaixo, como uma bola de neve. Há crianças aterrorizadas, a chorar, e idosos em pânico, sem forças um recursos para fugir.

Não há comparação possível.

Sou anti-imperialista, sempre serei, e isso vale para agressões levadas a cabo por americanos, chineses ou russos. Não obstante, a guerra desencadeada por Putin não encontra legitimação na invasão do Iraque ou no golpe de Estado contra Allende. Houve um tempo para criticar essas acções. E podemos debatê-las (e criticá-las) hoje, amanhã ou todos os dias, se assim o entendermos. Mas isto é não um concurso de whataboutism. Porque é possível ser critico do imperialismo americano sem o usar como argumento para legitimar o imperialismo russo. Para legitimar ameaças de guerra nuclear, bombardeamentos e mortes. E a agressão em curso não é uma resposta a outra agressão. Não é legitima defesa. É uma decisão expansionista que se funda na visão imperialista de Vladimir Putin. Ou estamos contra, ou estamos a favor. Não há meio termo. E que se refugia em “se’s” e “mas” escolhe um lado. O lado da agressão.

O Equilíbrio do Terror #5 – Uma luz no interior do túnel

Lá em cima, nas ruas de Kiev, o carniceiro de Moscovo espalha o terror. Lá em baixo, na estação de metro convertida em bunker para os refugiados que não conseguiram sair da cidade a tempo, uma mãe de 23 anos dá à luz a pequena Mia, no cenário mais adverso. Uma luz de esperança numa cidade tomada pelas trevas.

Mesmo na hora mais sombria, a vida teima em resistir e enfrenta a tirania. Na criança que nasce no metro de Kiev, nas manifestações violentamente reprimidas nas principais cidades russas ou na Ilha das Serpentes, onde os militares ucranianos que a defendiam foram abatidos pelas tropas de Putin, não sem antes mandarem foder o regime.

“Mesmo na noite mais triste
Em tempo de servidão
Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém que diz não.…”

Porque foi possível

A guerra, por ser sempre execrável, tem a capacidade de acordar o compromisso. Tem a capacidade de exorcizar ambiguidades. Tem a capacidade de expor carácteres. Num círculo vicioso que evidencia a fraqueza humana. Porque os pequenos males são permitidos por uns e procurados por outros até ao grande mal acontecer. E essa é a grande lição que a história diz que não é aprendida. Se a integridade fosse princípio permanente e universal, as “batotas” éticas que são relevadas em nome de uma paz que por isso mesmo nunca deixará de ser frágil, mas na verdade, em nome de uma cobardia, essa sim, pandémica e regressiva, não seriam toleradas. Porque a guerra não é mais que a soma ou o produto desses pequenos e recorrentes vícios.

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A realidade

Lixa-nos a realidade. Foi-se o lirismo.

Somos sempre pela paz. E nunca queremos a guerra. Por isso, entrincheiramo-nos… para fazer a guerra. Ou será a luta pela paz? Será possível querer paz fazendo a guerra? Ou é uma contradição?

Sem lirismo, a realidade: é por perpetuarmos as guerras que não atingimos a paz. E enquanto houver quem se queira entrincheirar nas guerras dos burgueses, o povo continuará a ser, apenas e só, figurante.

Choninhas soberanos baixam as calças ao “imperialismo de bem”

Corre por aí uma tese: tens de apoiar um lado. Sim, tens de apoiar um lado mesmo que ambos os lados sejam péssimos! Nazis ou fascistas? Escolhe rápido!

“Aqueles também são filhos da puta, mas são os meus filhos da puta”, dizem por aí.

Os choninhas portugueses, soberanos, fazem sempre a mesma escolha: dar o cu a quem o quiser. Assim é, também, neste caso.

Deixem-se de merdas; não tens de escolher um lado entre EUA/NATO e Rússia coisa nenhuma. Se num cenário como este, o que te dão a escolher é entre o vómito e a diarreia, foge. O lado que tens de escolher é: PAZ ou GUERRA?

Por tal, Portugal agora tem uma missão. A saber:

Revogar os vistos gold dos oligarcas russos (1), acolher os refugiados ucranianos que fogem da guerra (2) e apoiar as várias sanções à Rússia (3).

Por fim, ficar bem longe das intenções de resposta de instituições nazis como a NATO (4) que só perpetuam a guerra. Escolher a paz.

Caros senhores da guerra,

Não há imperialismo bom e imperialismo mau.

Existe Rússia, China, EUA, UE e NATO. As ententes da guerra. Espero que se fodam todos bem fodidos.

Só o povo salva o povo.

Protesto anti-guerra. Estados Unidos da América, 1970. Autor desconhecido.

O Equilíbrio do Terror #2 – Ucrânia: correr atrás do prejuízo, depois de duas décadas de normalização ocidental de Vladimir Putin

Um dia triste para a humanidade. Putin fez aquilo que eu e muitos outros não acreditavam ser possivel e lançou um ataque em larga escala contra o território ucraniano, em toda a sua extensão. A guerra está às portas da União Europeia e, parece-me, uma nova cortina de ferro voltará a dividir a Europa. A Ucrânia está entregue à sua sorte e Putin já deixou implícito que qualquer interferência externa elevará o conflito para o patamar nuclear.

As democracias têm agora a obrigação moral de se unir em torno de um embargo total à Federação Russa, sem excepções, como pretendem alguns sectores económicos, insensíveis ao drama ucraniano. Fecho imediato de fronteiras, congelamento de todos os activos russos no nosso território, suspensão de qualquer troca comercial, corte de vias de comunicação ao mínimo indispensável para manter aberta a via diplomática de serviço mínimo. Não podemos contribuir com um cêntimo que seja para o esforço de guerra russo.

Foram muitos anos, anos demais, a normalizar Putin e o seu regime. O resultado está à vista. Que nos sirva de lição para que percebamos a ameaça que a extrema-direita contemporânea representa. É por isso que não, não podem mesmo passar.

Para onde iriam vocês?

O desastre humanitário no Afeganistão é total.
6 milhões de refugiados.
9 milhões de afegãos a passar fome.
Mulheres brutalizadas.
Direitos humanos esmagados.
1 milhao de crianças desnutridas.

Se estes seres humanos não conseguem viver, comer ou sobreviver, para onde acham vocês que eles irão?

Para onde iriam vocês?

Ode à Paz

Os passos cravam no soalho um tórrido sonoro grave, que inebria o corpo, deixando a pele áspera e fria. As memórias, guardadas numa velha peúga, como quem guarda a primeira poupança, comem-lhe as costuras, desgastam-lhe o tecido, desfazem-na, a pouco e pouco, como notas amontoadas, amarrotadas e velhas, como que ultrapassadas pelo tempo, como quem corta a meta. O fim, enfim.
 
No antro da saudade resguardam-se as memórias, escondidas na sombra, espreitam pela ténue linha de luz que entra pela soturnidade de um quarto fechado. As mãos afagam-lhes a face, como quem as passa pelo rosto de uma criança acabada de nascer. Pelo campo de mártires que, como soldados prostrados se rendem, vagueiam as almas que outrora se manifestavam ardentes de paz, urgentes de amor, sufocadas pela ânsia de nascer de novo. E são tiros, amores, são balas. São balas, amores, são bombas. É napalm cravado nas unhas, é pólvora que polvilha os dentes, é guerra que corrói a mente, que mata a fome dos que matam a gente.
 
E nada resta. E nada basta. E um só tiro não chega.
As lágrimas correm como corre o rio, os gritos imperam no silêncio da multidão, dos transeuntes que carregam o peso do corpo, que o arrastam para uma falésia prometida, para um fim sem chão. Sem tecto. Crianças correm, tentando dar cor ao quadro cinzento da morte. Olhares que se cruzam mas que não se dizem. Que não se deixam sentir, que não se deixam mostrar. Olhares que gritam, vidrados, irados de ódio. Mãos que não se atam, pés que não se libertam, vozes que não se ouvem, corpos que não se tocam. Vidas que não se vivem.

Mortes que vêm sem dizer, mortes de vidas por viver.
 
As odes cantam a urgência da paz, a vivência do caos, o vazio de uma casa abandonada. Odes cantam a grandeza do Homem, a mendicidade dos que não se deixam mendigar. Abaixo o Homem! Abaixo esta desumanidade tão humana, aniquilada pelos que matam de sede. Atrozes os choros das mães que dão a morte às portas da vida. Guitarras tomam de assalto Bagdad, flores explodem na Palestina, a Lua invadiu a Síria, o Sol brilhou no Iémen. Amor espalha-se pelo mundo e o tráfico de paz bateu recordes históricos. Foi o jornal da uma. E eu desligaria a TV, sorrindo como um miúdo.

O Diabo veste Lockheed Martin

Na imagem temos o icónico Black Hawk UH-60, protagonista maior da força aérea norte-americana e de várias produções hollywoodescas, fabricado pela Sikorsky, subsidiária da Lockheed Martin, uma das maiores empresas mundiais de armamento e uma das grandes vencedoras de 20 anos de ocupação do Afeganistão. Feito que, de resto, se repete em todas as guerras e invasões provocadas por EUA & friends. O custo unitário deste helicóptero de guerra ronda os 6 milhões de dólares, mas pode variar em função dos extras, como vidros fumados, jantes de liga leve ou mísseis Hellfire.

A Lockheed Martin, liberalíssima, não descrimina na hora de vender os seus poderosos Black Hawk, de maneira que podemos encontrar exemplares da espécie em paragens tão distintas como a Suécia ou a Arábia Saudita, a Áustria ou a Albânia. E agora, com a saída apressada e em cima do joelho das forças que ocuparam o Afeganistão durante duas décadas, deixando para trás todo o tipo de material bélico, os Taliban passaram a ser proprietários de mais de 150 aeronaves, entre as quais três Black Hawk, drones ScanEagle e A-29s Super Tucano, para não falar nas dezenas de MRAPs e nos milhares de Humvee M1151 blindados.

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Abdul Ghani Baradar, o terrorista que Donald Trump normalizou

Abdul Ghani Baradar, actual vice-Emir do Emirado Islâmico do Afeganistão, foi um dos fundadores dos Taliban. Às suas ordens, milhares foram presos, torturados e mortos. Baradar matou, impôs o totalitarismo religioso, oprimiu mulheres e crianças, semeou o terror.

Em 2010, Baradar foi detido na cidade paquistanesa de Karachi. Foi libertado oito anos mais tarde, devido à influência decisiva da administração Trump. O que me leva a afirmar que os EUA estiveram envolvidos na libertação do líder terrorista são as palavras do enviado especial de Washington, Zalmay Khalilzad, que o reiterou. E quem sou eu para duvidar das palavras do enviado de Trump que Biden manteve no cargo.

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Afeganistão, fundamentalismo e o mito do “farol da democracia”

Este anúncio foi publicado na revista estado-unidense Soldiers of Fortune (SOF), algures durante a década de 80, no decorrer da guerra que opôs o governo afegão de então, apoiado pela URSS, a várias facções de mujahedines e maoistas, apoiados, entre outros, pelos EUA, China, Arábia Saudita e Reino Unido.

O anúncio mais não era do que um o apelo dos responsáveis pela publicação, próxima da grange mais radical do Partido Republicano e da NRA, para que os seus leitores apoiassem financeiramente os rebeldes, maioritariamente fundamentalistas wahhabitas, a versão mais extremista do sunismo. Mohammed Omar e Abdul Ghani Baradar estavam entre os beneficiários da campanha da SOF. Na década seguinte fundaram os Taliban. Esta semana, Baradar assumiu funções de vice-Emir do Emirado Islâmico do Afeganistão, uma espécie de primeiro-ministro, já que o Emir, Hibatullah Akhundzada, é mais um líder religioso que político.

Da America Latina ao Medio Oriente, de Pinochet e Noreiga aos Taliban e à Casa Saud, um dia ainda havemos de ver respondida uma das grandes questões do nosso tempo: porque é que aos EUA é permitido apoiar e legitimar ditadores, promover golpes de Estado contra governos democraticamente eleitos ou treinar e financiar terroristas, e, ao mesmo tempo, manter o estatuto de “farol da democracia”, que poucos ousam contestar?

I was busy thinking about BOYS

Good boy! Dá a patinha!

Tradução do texto do líder da Juventude (pouco) Socialista:

«A Juventude Socialista irá hastear na sua sede a bandeira palestiniana, porque sabemos que há alguns esquerdistas no nosso partido e queremos continuar a dizer que somos de Esquerda. No entanto, defendemos o Estado de Israel, pois é o que a União Europeia e os Estados Unidos da América nos dizem para fazer. Mas, para além de sermos uns paus-mandados e cata-ventos da comunidade Internacional, não podemos ficar indiferentes aos coitados dos palestinianos. Ps. Queremos o seu voto, não se esqueça!» [Read more…]