Vivem com dificuldades numa grande cidade? Então experimentem viver no interior do País, num interior relativo, para não exagerar, por exemplo a caminho das praias do Algarve, em S. Bartolomeu de Messines, ali junto à serra, numa terra onde não há médicos de família para aqueles que foram para lá morar há poucos anos, onde o hospital público mais próximo fica a mais de 30 quilómetros, onde não há um centro de diagnóstico que aceite uma prescrição médica do SNS para fazer uma radiografia, onde a única estação de correios vai fechar, onde apenas um comboio e duas ou três camionetas ao dia que vos podem levar dali para um lugar mais civilizado param, onde não há uma escola secundária, nem um tribunal, nem uma loja do cidadão (para fazer o cartão de cidadão, por exemplo), nem uma repartição de finanças, nem uma sala de teatro onde uma companhia profissional possa apresentar-se com dignidade, nem um cinema, nem uma livraria (e não disse uma papelaria onde também se vendem uns poucos livros), nem uma biblioteca, onde nenhum supermercado tem produtos do dumping para vos vender a metade do preço da concorrência leal dos mercados onde há consumidores sobejos, onde o único supermercado com uma oferta diferenciada aceitável (embora sempre bastante mais caro que nas grandes cidades) fechou, depois de ter empregado e despedido trabalhadores ao ritmo dos imperativos dos ciclos económicos.
algo me diz…
que o fio vai romper por uma das pontas. Lagarde afirmou hoje que Portugal é o país do mundo que mais deve à instituição. 27 mil milhões de euros.
Assertivo também será dizer a Christine Lagarde que a instituição que dirige perdoou imensos mil milhões de dólares a estados onde interveio, principalmente aos africanos, por serem, à semelhança do caso português, de difícil (senão impossível) reembolso. Assim como também perdoou determinados empréstimos concedidos ao abrigo dos famosos programas de ajustamento a estados da América Central para estancar qualquer pavio que pudesse resultar numa acção revolucionária que pudesse colocar em perigo a hegemonia pretendida pelos norte-americanos para a região. Lembram-se do programa de El Salvador por exemplo? [Read more…]
penso eu de que…
Nunca compreendi bem a concepção de dia de reflexão no dia que antecede um escrutínio eleitoral. Nunca compreendi bem o conceito pelo facto da reflexão, como seres racionais que somos (alguns; perdoem-me a excessiva arrogância) ser uma constância derivada da própria natureza humana. O ser humano não pode formular uma ideia assertiva sobre algo ou alguém num dia. Parece-me ponto assente. Muito menos poderá agir de forma consciente num caso concreto que lhe diga respeito de forma leviana.
A minha tenra experiência política enquanto militante de um partido e, sobretudo observador diz-me que em política tudo vale. Desde a mentira ao porco no espetro na safra, [Read more…]
Esta Europa não.
Ele gostava de votar, de votar com convicção num partido, movimento, pessoas que verdadeiramente representassem o interesse da parte maior do povo, em que orgulhosamente se inclui. Sou povo, diz com a verdade de quem é. O discurso da esquerda, que bem conhece de a ter militado (e depois abandonado, por não mais ser possível pertencer-lhe assim), não lhe chega. Atento, há muito que esse voto perdeu sentido. Votar em quem?, pergunta-me todo perdido e chateado de vida, indisponível para a comunhão de fé com essa esquerda titubeante, de pensamento omisso sobre a Europa, e sobre o lugar de Portugal nessa economia de competição inter-pares. Um jogo que gera a desigualdade anacrónica que também em Portugal está a liquidar a recente classe média patrimonial em que também ele, que é povo, até ver se inclui.
Ele até nem se importava de votar na esquerda dos governos, que já o enerva a vocação opositora de quem espera a sublevação histórica dos deserdados do capitalismo para tomar o poder. Bem conhece o cartório de culpas comprometidas com o cavaquismo dessa esquerda. Mas lá está: com Seguro a puxar a carroça é que nem pensar, e Costa tarda, tarda, zanga-se com quem insiste para que de uma vez por todas se chegue à frente, diz que por ora Lisboa lhe basta, que ainda tem lá muito que fazer.
Ele gostava de votar, mas diz-me que esta Europa merece o castigo da abstenção dos povos. Por uma vez, a abstenção tem um outro significado. Um sentido político que aponta o dedo à Alemanha do euro-oportunismo comercial e financeiro e dos egoismos da «emigração interior» dos alemães. Um sentido político, ouviste Angela?
É o vinho meu bem
Portugal é o 11º país do mundo em consumo de álcool, constata a Organização Mundial de Saúde.

Ora aqui está mais um argumento para o sóbrio Norte nos atazanar o juízo: cambada de calaceiros ainda por cima bêbados, por isso têm uma produtividade tão baixa.
Conta-nos a OMS sobre o enquadramento sócio-económico do consumo de álcool:
Surveys and mortality studies, particularly from the developed world, suggest that there
are more drinkers, more drinking occasions and more drinkers with low-risk drinking
patterns in higher socioeconomic groups
Ora lá está, faz sentido: os ricos emborracham-se, baixa a produtividade. Uma gestão aos esses e incapaz de fazer um 4 não vai a lado nenhum. Está tudo explicado. Quando Merkel descobrir vão ouvir das boas, é certo e sabido.
O Benfica merece tudo, já o País é outra história
«O Benfica merece tudo», diz uma senhora que há horas esperava que a equipa do Benfica chegasse ao Estádio da Luz, relativizando a espera, o calor, a estafa, o empate. Pasmo-me a ver o povo assim mobilizado, espanta-me a resiliência, o carinho que dedicam a uma ideia de comunhão, aquilo de que são capazes por um clube de futebol. Nada tenho contra o clubismo – uma parte de mim é gloriosamente do Benfica, outra da Selecção Nacional – a não ser o facto de se substituir a causas maiores, mais importantes, verdadeiramente determinantes para a vida das pessoas.
Parte substancial dessas massas de adeptos abstem-se de votar, por vezes com o mesmo orgulho com que se dispõem a esperar pela chegada dos jogadores, alheados da realidade política de que são parte, tudo parecendo ignorar sobre um sistema eleitoral que faz do voto bastante mais que um direito, empenhados na abstenção com a firmeza dos que assim agindo pretendem punir a classe política. Olham para as acções de campanha partidárias com a displicência de quem vê passar a banda, com o voto deles é que não contam, isso é que era bom, que eles não andam a dormir. No dia de votar, terão mais que fazer.
Um país minguante
Está explicado o enigma de Montenegro: o país está muito melhor porque há cada vez menos pessoas.
A legitimidade de tomar o país de assalto
Se te manifestas contra o Governo em Caracas ou Kiev (neste caso contra o de Moscovo), estarás a lutar pela liberdade e contra o absolutismo. Se te manifestas em Lisboa ou Atenas és um irresponsável incapaz de perceber que as tuas atitudes provocam consequências desastrosas junto dos mercados e dos investidores. Pouco importa se te sentes injustiçado, roubado ou enganado porque a legitimidade da tua revolta, ao contrário da dos nossos pares venezuelanos ou ucranianos, depende muito menos desses factores do que do apetite voraz de Wall Street ou da City londrina. O teu país está tão ocupado e vergado a oligarcas como a Crimeia. A única diferença é que em Portugal e na Grécia o poder político já assinou o pacto de vassalagem com o regime certo. Aqui o trabalho está feito.
Do nacionalismo
Este artigo de Pedro Cardim é das coisas mais pertinentes que já li nos últimos tempos no que diz respeito à questão dos nacionalismos ibéricos. A questão da Catalunha é secundária, apesar de começar por ser a razão do texto. O que interessa verdadeiramente são as considerações do autor sobre o chamado “nacionalismo” português. Infelizmente, alguns comentários ao artigo são, como sempre, mostras de alguma ingenuidade e anacronismo.
Ruptura
Esta manhã, num dos canais de rádio do serviço público, ouvi um jornalista (um jornalista? talvez melhor escrevendo: um funcionário) a «fazer-se» a uma viagem, e um entrevistado (ou talvez melhor escrevendo: um «cliente») sem mais demoras nem pudores a convidá-lo. É este tipo de coisas e de pessoas que já não se aguenta. Sim, são as coisas (e as pessoas que as fazem) a que também o antigo ministro das Finanças aludiu na sua entrevista, agora livro (porquê livro? não há jornais?) à decana Maria João Avillez. O Estado corporativo das teias finas de interesses de todas as naturezas e de micro e de médios sistemas de poderes e de sub-poderes subsiste – no funcionário tolo da corrupçãozinha pequenita, como nos muitos mais que sobrevivem por aí em cima da miséria da maioria. Vergonha de gente no meu país (digo-o «meu» para dizer que sou dele) que assim nunca mais rompe com o sistema profundamente injusto e anti-democrático que já não se aguenta. Será sem dúvida esta a mais intangível «obra» do Dr. Salazar: a que naturalmente não morre com reformas. É também por estas que alguns dos que agora emigram não querem voltar jamais: não aguentam esta imoralidade. Começa, começou já, justamente aí, a ruptura. Mas é um rompimento que não age sobre o essencial, porque no território ficam os que não se importam de fazer o que for preciso para que tudo continue na mesma e eles próprios (e os seus, e os seus «clientes») se mantenham à tona.
Precioso
Um mapa histórico animado com 3000 anos da Península Ibérica, ou de como iberos nos arrumámos no nariz da Europa, e arrumaremos, num universo de séculos nenhuma fronteira é imutável.
Mapas originais em diapositivos podem ser vistas por exemplo nesta História de Espanha em 8 minutos:
O lado errado da história
O Canadá mandou uma delegação de grande peso político ao funeral de Mandela: o actual primeiro ministro, Steven Harper, e três antigos primeiros ministros, os conservadores Brian Mulroney e Kim Campbell, e o liberal Jean Chrétien. A Mandela, desde que saíu da prisão e acabou com o apartheid, foi oferecida a cidadania canadiana, com passaporte e toda a parafernália burocrática inerente. Era, pois, um homem a quem o Canadá amava e a quem honrava. O governador geral não foi ao funeral porque a chefe do estado canadiano, Raínha Isabel II, já estava representada pelo Príncipe Carlos. O mesmo se diga da Austrália e da Nova Zelandia. A Commonwealth não é uma treta: funciona e tem poder.
Brian Mulroney, em entrevista que todo o país viu, explicou o tratamento dado a Mandela: “em todas as situações, temos de ter o maior cuidado para não ficarmos do lado errado da história”. E disse bem, porque é importante um país ficar do lado certo. Nenhum povo gosta de ficar do lado errado. Por uma daquelas travessuras em que a política é fértil, depois de Mulroney os barões do seu partido, o conservador, trataram de tornar impossível a eleição da primeira ministra provisória Kim Campbell, uma senhora que teria proporcionado ao país um enorme salto qualitativo, graças à sua notável qualidade política e cultural, o que representou uma garantida e duradoura estagnação. O Canadá não gostou de ter perdido o comboio da história e esse mal estar é cada vez mais evidente. [Read more…]
O desemprego na Europa e a emigração em Portugal
A Europa
Deixo agora de parte o ‘sistema financeiro internacional’, a desregulação da banca, os paraísos fiscais, o funcionamento bolsista e todas as estruturas e agentes promotores da profunda crise que se derramou pelo chamado mundo ocidental (Europa e EUA).
O Eurostat acaba de divulgar números do desemprego na UE28 e, especificamente, na Zona Euro; esta, sabe-se, é parte da primeira, distinguindo-se pelo uso de moeda única, euro, pelos Estados-Membros que a integram – caso de Portugal.
Uma súmula de dados transmite com clareza a ideia do desastre socioeconómico europeu, o qual nem mesmo o sucesso alemão consegue esbater. Atente-se nesses dados, reportados a Novembro de 2013:
- Estimativas de desemprego na UE28: 26.553 milhões de cidadãos, dos quais a maior parte (19.241 milhões, i.e., 72,4%) pertence à Zona Euro.
- Comparado com Novembro de 2012, o desemprego aumentou de 278.000 cidadãos na UE28 e 452.000 na Zona Euro. [Read more…]
Sempre à frente
Hoje pode ver o Portugal- Coreia de 1966 na TVI24. No Aventar já podia ter visto anteontem.
A lição do Eusébio
Ainda sou do tempo em que vi jogar o Eusébio, essa ruptura geracional que ontem dividiu a pátria. Uns viram, outros não, e quem não viu não percebe, olham para o homem como se fosse um Ronaldo em versão cota, no tempo em que o futebol era fácil e não prestava para nada.

Nessas duas ou três vezes a Académica perdeu, o que somado ao enxovalho na escola em Benfica, conimbricense exilado e isolado perante a turba de alfacinhas, não são exactamente boas recordações. Mas a esses jogos, semente do meu anti-benfiquismo primário, não tinha ido só pelo meu clube numa das suas três visitas anuais mas também para ver jogar o Eusébio, esta parte toda a gente percebe, o Futre e o Figo também conseguiram que os putos os quisessem ver jogar mais do que uma vez por ano na televisão, em diferido.
Porque antes há o jogo da Coreia. Tinha seis anos, é o primeiro jogo que me lembro de ver, o nosso primeiro campeonato do mundo, o único com Eusébio.
O jogo da Coreia ensinou-me umas coisas. [Read more…]
Cristiano Ronaldo: pelo teu país
Pelo TEU povo, Recusa receber esta condecoração.
(carta aberta disponível no facebook) [Read more…]
O Blogometro do ano de 2013

É possível visualizar as estatísticas do Blogometro em versão anual. Os blogues portugueses ordenados de acordo com o número de visitantes em 2013 estão aqui.
Claro que nos referimos apenas aos que quiseram comparar as suas audiências utilizando o Sitemeter, claro que o Sitemeter falhou várias vezes ao longo do ano, e mais a uns utilizadores que a outros, mas é o que se pode arranjar, utilizando o Sitemeter e o código aberto do Blogometro na sua versão actual. Eventualmente podem encontrar uma ou outra página comercial que não é um blogue na definição minimal que utilizamos (ter maioritariamente conteúdos próprios) mas a subjectividade é assim, e o filtro humano também.
Uma distribuição dos blogues por categorias daria outra visão. É complicado, nesta casa sabemos bem como essa é muito mais objectiva, ainda procuramos uma fórmula para dar esse salto sem sobressaltos e também sem muito trabalho. [Read more…]
OCDE: queda de custos unitários do trabalho e produtividade em Portugal
A produtividade do trabalho é baseada no valor acrescentado e em horas ou pessoas; custos unitários do trabalho baseados na compensação do trabalho e nos resultados da produção.
Paulo Portas, em assomo de autoridade de governante demissionário irrevogável e revogado, recorreu ao estilo demagógico em que é perito. Com virilidade e ímpeto, foi peremptório perante a AR e os portugueses:
Tão bem ou melhor do que o indiano do FMI, Portas sabe que o modelo económico decorrente do “plano de assistência” permitiu uma intensa, e dramática para as famílias, desvalorização de salários e de outros rendimentos (reformas e pensões).
As medidas de flexibilização da legislação laboral – facilidade e embaratecimento dos despedimentos – conjugadas com os cortes salariais na função pública e o congelamento do SMN conduziram os trabalhadores portugueses a baixos níveis de rendimento, ao desemprego e difíceis condições de vida – o desemprego de ‘longa duração’ envolve mais de 200.000 trabalhadores com idade superior a 45 anos, muitos deles sem direito a subsídio. [Read more…]
Regressámos aos mercados e… ao ‘clube da bancarrota’
Pode imaginar-se alguma satisfação minha no afundanço do País, devido sobretudo ao teor de certos textos que publico no Aventar.
Pelo contrário, trata-se, apenas, da necessidade de manifestar legítima e justificada preocupação com o rumo desastroso da nossa vida colectiva, evidenciado nas ‘contas públicas’ e na progressiva degradação social e económica a que o actual e anteriores governos – desde Cavaco – nos condenaram.
Há dias, tomei a iniciativa de publicar o ‘post’ com o título ‘O País para trás, a dívida para a frente mas devagar!’.
Considerável número de comentadores não foram parcos nas censuras com que me brindaram; houve mesmo quem me classificasse de ignorante por ter considerado que a operação de ‘troca de dívida’ – ‘adiamento’ para os menos familiarizados com a linguagem tecnocrática – tenha ficado muito abaixo dos objectivos do governo. Foram colocados apenas 24,66% (6.642 milhões de euros) de um pacote de mais de 26.000 milhões. [Read more…]
Quando um bom gráfico estraga uma má história
Tenho uma enorme admiração, um verdadeiro espanto, pela relação do Vítor Cunha com os gráficos em particular e a estatística em geral. Deixando para outra oportunidade explicar porquê, é uma cena poética, vejamos a sua última obra de arte:
O Vítor Cunha desenvolveu uma tese: os maus resultados da Suécia no PISA seriam uma consequência da imigração que por ali grassa, uma boa forma de contornar a realidade: os testes PISA demonstram que as coisas correm muito mal onde se privatizou o ensino.
Tal imigração, proveniente de países com um baixo nível sócio-cultural é que lhes anda a dar cabo dos resultados, uns suicidas, os suecos. Ora vamos lá ver quem de onde vêm os imigrantes na Suécia (dados de 2010): [Read more…]
Ricoré, a Gaiola Dourada e Pedro Abrunhosa
Numa daquelas coincidências felizes, vi o filme “Gaiola Dourada” ao mesmo tempo que no iTunes ficava disponível o novo álbum de Pedro Abrunhosa.
Ao ouvir a fantástica “Para os Braços da Minha Mãe” (dueto entre Abrunhosa e Camané) e ao ver a “Gaiola Dourada” dei por mim a pensar nos milhões de portugueses que vivem e trabalham fora de Portugal.
Pepsi Cola Killer
Como uma imagem (e foram três) trucidou uma marca em Portugal.
(clique para aumentar e parabéns aos criativos portugueses não identificados)
Estado da nação
Tratando-se de bicharada e futebolada, o povo unido jamais será vencido.












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